O Doutor Júlio Machado Vaz recuperou razoavelmente do Benfica-Belenenses. Os parâmetros vitais encontram-se estáveis, mas foram-lhe administrados sedativos em dose forte, visto obstinar-se em ver o Penafiel-Benfica da jornada seguinte. O prognóstico continua extremamente reservado e a equipa médica solicitou a ajuda de Sporting de Braga e Marítimo. Um novo boletim será tornado público no próximo fim de semana. Embora muito fraco, o Doutor Machado Vaz insistiu em acenar aos seus amigos blogueiros da janela do Murcon.
Hospital de Vieira do Minho aos 30 de Abril de 2005,
O Director da Urgência,
xxxxxxx------======wwwwwwww
(assinatura ilegível porque é médico).
sábado, abril 30, 2005
sexta-feira, abril 29, 2005
À custa do velho Marcial
A propósito de outras formas de rotular (verbo horrível!) as pessoas:
Ri-te lá à vontade, Sextilo, de quem maricas
te chama e espeta-lhe o dedo médio.
Mas tu não vais por trás, Sextilo, nem pela frente,
e a boca ardente de Vetustina não te agrada.
Não és nada disso, confesso, Sextilo. Que és então?
Não sei, mas tu sabes que sobram duas coisas.
Marcial, Epigramas.
Sextilo não pratica o coito vaginal ou anal como sujeito activo. Não aprecia o coito oral praticado por uma prostituta velha. Restam duas possibilidades, que Marcial insinua serem conhecidas de ambos: o coito anal em postura passiva e o oral, que os gregos também consideravam "passivo" - outras culturas discordam -, sobretudo se praticado com mulher. Como dizia ontem, não é o tipo de acto ou o sexo do parceiro a garantir a "normalidade cultural", mas o estatuto de sujeito activo, que traduz domínio sobre o outro. Daí que Paul Veyne, referindo-se aos romanos, falasse de uma verdadeira "bissexualidade de violação".
Completamente de acordo com o reparo de Portocroft, o mais das vezes analisamos os discursos de elites. Os romanos foram mais amáveis, deixaram-nos toneladas de graffitti populares:). Essa dúvida acompanha-nos, de resto, no cristianismo. Quando lemos os Penitenciais da Idade Média, com as suas inúmeras proibições sobre todos os actos sexuais possíveis e imaginários - acho que pouco foi inventado depois deles a não ser o sexo virtual:) -, custa muito a crer que as populações os seguissem à risca. No fundo, poderíamos dizer que os detentores da cultura sempre definiram a imagem futura dos povos. E se a cultura está nas mãos de uma minoria homogénea é muito difícil descortinar discursos e práticas alternativas. Ou então apenas o conseguimos através do filtro impiedoso da cultura dominante, veja-se as descrições luxuriantes da Inquisição sobre os hábitos sexuais dos cátaros, que no concreto eram bem mais ascéticos do que a hierarquia romana!
P.S. Alguém se queixou de falta de poesia. Seus tiranos...
O Amor é um Género Literário
Pensei em escrever-te como se não existisse
ainda o feminismo. Como se o nosso tempo
não fosse o fim do século, nem ninguém conhecesse
a igualdade dos sexos, nem causasse estranheza
ouvir que te dissesse que o amor que eu sinto
por ti nunca poderias tu senti-lo por ninguém.
Talvez o amor seja apenas literatura
que muda com o tempo. Eu suponho que nós
não amamos como Shakespeare, nem Shakespeare como Dante
nem Dante como Safo, nem Safo como ninguém.
Carlos Martínez Aguirre.
Ora digam lá que não proporciona uma boa discussão:)?
P.S.2 - Lamento que as coisas por vezes se tornem azedas entre vocês. Mas todos, incluindo eu, devemos decidir quando e porquê ficar, partir ou regressar. Porque, ao menos para isso!:), somos livres.
Ri-te lá à vontade, Sextilo, de quem maricas
te chama e espeta-lhe o dedo médio.
Mas tu não vais por trás, Sextilo, nem pela frente,
e a boca ardente de Vetustina não te agrada.
Não és nada disso, confesso, Sextilo. Que és então?
Não sei, mas tu sabes que sobram duas coisas.
Marcial, Epigramas.
Sextilo não pratica o coito vaginal ou anal como sujeito activo. Não aprecia o coito oral praticado por uma prostituta velha. Restam duas possibilidades, que Marcial insinua serem conhecidas de ambos: o coito anal em postura passiva e o oral, que os gregos também consideravam "passivo" - outras culturas discordam -, sobretudo se praticado com mulher. Como dizia ontem, não é o tipo de acto ou o sexo do parceiro a garantir a "normalidade cultural", mas o estatuto de sujeito activo, que traduz domínio sobre o outro. Daí que Paul Veyne, referindo-se aos romanos, falasse de uma verdadeira "bissexualidade de violação".
Completamente de acordo com o reparo de Portocroft, o mais das vezes analisamos os discursos de elites. Os romanos foram mais amáveis, deixaram-nos toneladas de graffitti populares:). Essa dúvida acompanha-nos, de resto, no cristianismo. Quando lemos os Penitenciais da Idade Média, com as suas inúmeras proibições sobre todos os actos sexuais possíveis e imaginários - acho que pouco foi inventado depois deles a não ser o sexo virtual:) -, custa muito a crer que as populações os seguissem à risca. No fundo, poderíamos dizer que os detentores da cultura sempre definiram a imagem futura dos povos. E se a cultura está nas mãos de uma minoria homogénea é muito difícil descortinar discursos e práticas alternativas. Ou então apenas o conseguimos através do filtro impiedoso da cultura dominante, veja-se as descrições luxuriantes da Inquisição sobre os hábitos sexuais dos cátaros, que no concreto eram bem mais ascéticos do que a hierarquia romana!
P.S. Alguém se queixou de falta de poesia. Seus tiranos...
O Amor é um Género Literário
Pensei em escrever-te como se não existisse
ainda o feminismo. Como se o nosso tempo
não fosse o fim do século, nem ninguém conhecesse
a igualdade dos sexos, nem causasse estranheza
ouvir que te dissesse que o amor que eu sinto
por ti nunca poderias tu senti-lo por ninguém.
Talvez o amor seja apenas literatura
que muda com o tempo. Eu suponho que nós
não amamos como Shakespeare, nem Shakespeare como Dante
nem Dante como Safo, nem Safo como ninguém.
Carlos Martínez Aguirre.
Ora digam lá que não proporciona uma boa discussão:)?
P.S.2 - Lamento que as coisas por vezes se tornem azedas entre vocês. Mas todos, incluindo eu, devemos decidir quando e porquê ficar, partir ou regressar. Porque, ao menos para isso!:), somos livres.
quinta-feira, abril 28, 2005
A propósito de uma opinião do Portocroft
Não direi todos. Os Gregos, por exemplo, falavam de homens que não apreciavam os rapazes, numa sociedade que via essa atracção como "natural". Os homossexuais dos nossos dias crescem num banho cultural que os programa para a heterossexualidade. Isto para dizer que aceito a existência de orientações sexuais "fixas". Mas acredito que muitos de nós - a maioria... - serão capazes de se sentirem atraídos por pessoas, independentemente do seu sexo, numa cultura menos dicotómica, polarizada e com a mania de definir a identidade de cada um a partir das suas preferências sexuais. Considero esta forma de "sobrecarregar o sexo de significado" um erro de pesadas consequências.
Contra factos não há argumentos, mas...
... há interpretações:). Como já disse, é para mim óbvia a existência de diferenças constitucionais entre os sexos. (Embora a minha ignorância na área seja admirável, julgo lembrar estudos que indicam, por exemplo, melhor orientação temporo-espacial nos homens e maior capacidade de discernir sentimentos a partir da expressão facial nas mulheres. NÃO GARANTO QUE FOSSE EXACTAMENTE ISTO:).) Sobre esse património inicial exerce-se um processo de aculturação violento, mas que em cada momento histórico nos parece "natural".
Regressemos às diferenças. Quase todos os anos surge mais um artigo sobre a origem genética da homossexualidade. (Não empregar o plural é, desde logo, optimista, existem homossexualidades como existem heterossexualidades.) Seguem-se polémicas terríveis, como já devem ter reparado. Primeiro ponto: se for descoberta uma área genética que influencia, em maior ou menor grau, a orientação sexual, o facto ajudará também a explicar a heterossexualidade (acontece que nunca nos ocorre explicar o "normal"). Segundo ponto: a descoberta, em si mesma, não é "má" nem "boa", tudo dependerá da sua interpretação. Suponhamos que a orientação sexual é encarada como uma variação semelhante à cor dos olhos ou - ai, ai...:( - a altura na idade adulta - a diferença genética não conduzirá a um procedimento "correctivo". Admitamos agora que é assimilada a doenças, como a Psicose Maníaco-Depressiva ou outras em que a hereditariedade desempenha um papel - à descoberta seguir-se-á, mais tarde ou mais cedo, a manipulação genética que "curará" a(s) homossexualidade(s).
Ou seja: uma atitude mental anterior aos factos determina a sua valoração.
O mesmo processo influenciará os comportamentos em face de diferenças biológicas entre os sexos - servirão para cavar mais o fosso e reificar a velha máxima dos "sexos opostos"? Ou uma cultura de igualdade de direitos e deveres - e não de corpos e espíritos... - limará as diferenças que se revelem prejudiciais a esse equilíbrio, às vezes apoiada na própria Ciência?
A bela frase de Vergílio Ferreira regressa sempre: "O mais importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós" (não garanto palavra por palavra...).
Regressemos às diferenças. Quase todos os anos surge mais um artigo sobre a origem genética da homossexualidade. (Não empregar o plural é, desde logo, optimista, existem homossexualidades como existem heterossexualidades.) Seguem-se polémicas terríveis, como já devem ter reparado. Primeiro ponto: se for descoberta uma área genética que influencia, em maior ou menor grau, a orientação sexual, o facto ajudará também a explicar a heterossexualidade (acontece que nunca nos ocorre explicar o "normal"). Segundo ponto: a descoberta, em si mesma, não é "má" nem "boa", tudo dependerá da sua interpretação. Suponhamos que a orientação sexual é encarada como uma variação semelhante à cor dos olhos ou - ai, ai...:( - a altura na idade adulta - a diferença genética não conduzirá a um procedimento "correctivo". Admitamos agora que é assimilada a doenças, como a Psicose Maníaco-Depressiva ou outras em que a hereditariedade desempenha um papel - à descoberta seguir-se-á, mais tarde ou mais cedo, a manipulação genética que "curará" a(s) homossexualidade(s).
Ou seja: uma atitude mental anterior aos factos determina a sua valoração.
O mesmo processo influenciará os comportamentos em face de diferenças biológicas entre os sexos - servirão para cavar mais o fosso e reificar a velha máxima dos "sexos opostos"? Ou uma cultura de igualdade de direitos e deveres - e não de corpos e espíritos... - limará as diferenças que se revelem prejudiciais a esse equilíbrio, às vezes apoiada na própria Ciência?
A bela frase de Vergílio Ferreira regressa sempre: "O mais importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós" (não garanto palavra por palavra...).
quarta-feira, abril 27, 2005
A propósito de um comentário da Elisa.
Também acho que aqui falamos muito mais de política(s) do que possa parecer à primeira vista, as relações humanas estão cheias dela(s):). Neste momento leio o livro coordenado pela Lígia Amâncio sobre "Aprender a ser homem - construindo masculinidades". Cito: "... Com efeito, a masculinidade não constitui um atributo dos seres homens, tal como a feminilidade não é um traço das mulheres. Masculinidade e feminilidade constituem formas de pensar, dizer e fazer, socialmente construídas em diversos planos da vida em sociedade, incluindo os das relações entre homens, entre mulheres e entre homens e mulheres".
Sem negar diferenças entre os sexos ao nível biológico/comportamental (área bem mais invocada do que definitivamente(?) estudada), estou de acordo. E construção social implica política, na medida em que verificamos e aceitamos ou contestamos assimetrias, relações de poder, marginalidades, processos de normalização. Longe vai o tempo em que pensávamos afectos e sexo como ilhotas impávidas, ao abrigo das marés culturais. Pelo contrário, a sexualidade é um espelho privilegiado de sociedades que, em diversos tempos e espaços, organizaram políticas sexuais de modo a solidificarem e protegerem as ideologias dominantes. Basta comparar a chaveta heterossexual/homossexual, que nos hipnotizou nos últimos 150 anos, com a activo/passivo que preocupava Gregos e Romanos. Não são de modo algum sobreponíveis. A primeira faz depender a "normalidade aliviada" de alguém do sexo ("correcto") do parceiro; a segunda do seu comportamento e estatuto na relação sexual, seja qual for o sexo do outro.
Ups!, tenho de ir trabalhar, gente:)
Sem negar diferenças entre os sexos ao nível biológico/comportamental (área bem mais invocada do que definitivamente(?) estudada), estou de acordo. E construção social implica política, na medida em que verificamos e aceitamos ou contestamos assimetrias, relações de poder, marginalidades, processos de normalização. Longe vai o tempo em que pensávamos afectos e sexo como ilhotas impávidas, ao abrigo das marés culturais. Pelo contrário, a sexualidade é um espelho privilegiado de sociedades que, em diversos tempos e espaços, organizaram políticas sexuais de modo a solidificarem e protegerem as ideologias dominantes. Basta comparar a chaveta heterossexual/homossexual, que nos hipnotizou nos últimos 150 anos, com a activo/passivo que preocupava Gregos e Romanos. Não são de modo algum sobreponíveis. A primeira faz depender a "normalidade aliviada" de alguém do sexo ("correcto") do parceiro; a segunda do seu comportamento e estatuto na relação sexual, seja qual for o sexo do outro.
Ups!, tenho de ir trabalhar, gente:)
terça-feira, abril 26, 2005
The bitch is back.
Maralhal,
Em Castelo Branco não consegui aceder à Net, desculpem lá o silêncio:). A conversa correu bem, mas vim com a sensação habitual que me invade quando me aventuro no "Portugal profundo" - é difícil para eles, muito difícil. E noto-o, porque não se limitam a participar e a depois dizer-me - e a outros que por lá passam - o que acharam da exposição ou do debate. Não. Agradecem a nossa presença como ninguém o faz à beira-mar e sabem com exactidão quando foi a última visita (até a boa senhora que me vendeu jornais disparou sem hesitações: "já não o via há quatro anos!"). Em paleio asséptico fala-se de interioridade, assimetria, desenvolvimento a duas velocidades, etc... Eu digo que resta muita Democracia por cumprir.
Em Castelo Branco não consegui aceder à Net, desculpem lá o silêncio:). A conversa correu bem, mas vim com a sensação habitual que me invade quando me aventuro no "Portugal profundo" - é difícil para eles, muito difícil. E noto-o, porque não se limitam a participar e a depois dizer-me - e a outros que por lá passam - o que acharam da exposição ou do debate. Não. Agradecem a nossa presença como ninguém o faz à beira-mar e sabem com exactidão quando foi a última visita (até a boa senhora que me vendeu jornais disparou sem hesitações: "já não o via há quatro anos!"). Em paleio asséptico fala-se de interioridade, assimetria, desenvolvimento a duas velocidades, etc... Eu digo que resta muita Democracia por cumprir.
domingo, abril 24, 2005
Meus caros
Meus caros Lobices e Portocroft,
Pois, os horários... Se pensarmos um pouco, é de um ridículo atroz, afinal digo o que me apetece todos os dias às 9.25, na Antena 1. Quando fazia o Sexualidades, afirmei num programa que, como sexólogo, podia assegurar que a história de Lot tinha um carácter simbólico, um pai tão bebido que não reconhece as filhas como parceiras sexuais seguramente não consegue uma erecção. Uma escandaleira... Nunca foi falar de sexo a criar-me problemas, e sim relacioná-lo com o banho cultural que o alimenta e nele se reflecte. Lembro-me de encontrar um velho amigo num restaurante e ser acusado de constituir um perigo para a moral da juventude. Incrédulo, recordei-lhe o facto de ser um agnóstico educado em duas éticas que competiam na severidade: a católica (por definição) e a republicana (por reacção). Ele resmungou que isso me tornava ainda mais perigoso! Hoje compreendo a lógica subjacente à sua resposta - o meu discurso não era suficientemente eufórico e "prafentex" para ser visto como "debochado" ou pós-moderno, logo, fácil de rejeitar. Nunca falarei a horas decentes fora do cabo ou da RTPi, o meu "conservadorismo aberto" é ameaçador, de tão próximo. Talvez por isso, durante anos recebi cartas de um espectador que me chamava "Príncipe das Trevas". E o que era o Diabo - antes de o Vaticano o decretar descartável... - se não o indispensável fundo escuro que realçava o brilho de Deus? Amigáveis inimigos, como Rommel e Montgomery...
P.S. - Zapatero tem sido uma agradável surpresa. A sua reacção ao desagrado da Igreja face às leis sobre o casamento dos homossexuais e a adopção pelos mesmos foi tão elegante como firme.
Pois, os horários... Se pensarmos um pouco, é de um ridículo atroz, afinal digo o que me apetece todos os dias às 9.25, na Antena 1. Quando fazia o Sexualidades, afirmei num programa que, como sexólogo, podia assegurar que a história de Lot tinha um carácter simbólico, um pai tão bebido que não reconhece as filhas como parceiras sexuais seguramente não consegue uma erecção. Uma escandaleira... Nunca foi falar de sexo a criar-me problemas, e sim relacioná-lo com o banho cultural que o alimenta e nele se reflecte. Lembro-me de encontrar um velho amigo num restaurante e ser acusado de constituir um perigo para a moral da juventude. Incrédulo, recordei-lhe o facto de ser um agnóstico educado em duas éticas que competiam na severidade: a católica (por definição) e a republicana (por reacção). Ele resmungou que isso me tornava ainda mais perigoso! Hoje compreendo a lógica subjacente à sua resposta - o meu discurso não era suficientemente eufórico e "prafentex" para ser visto como "debochado" ou pós-moderno, logo, fácil de rejeitar. Nunca falarei a horas decentes fora do cabo ou da RTPi, o meu "conservadorismo aberto" é ameaçador, de tão próximo. Talvez por isso, durante anos recebi cartas de um espectador que me chamava "Príncipe das Trevas". E o que era o Diabo - antes de o Vaticano o decretar descartável... - se não o indispensável fundo escuro que realçava o brilho de Deus? Amigáveis inimigos, como Rommel e Montgomery...
P.S. - Zapatero tem sido uma agradável surpresa. A sua reacção ao desagrado da Igreja face às leis sobre o casamento dos homossexuais e a adopção pelos mesmos foi tão elegante como firme.
sábado, abril 23, 2005
O rebuçado
Hoje o Gaspar faz quatro anos. Telefonei-lhe e disse-me que estava no carro porque ia festejar a Cantelães. NA CASA DO AVÔ!!!!!!! Lenda familiar assegurada:))))))))). Um dia bom, maralhal.
sexta-feira, abril 22, 2005
Eu por cá...
Um dia magnífico. Já me chegaram ecos de chuva portuense:), o bom do Guilherme resistiu a insultar-me ao telefone. O António de que falava ontem era o inimitável Macedo, companheiro de O Amor é... O debate correu bem, com um dos intervenientes a pairar bem acima de todos os outros - Frei Bento Domingues. Não o conhecia pessoalmente, apenas dos artigos no Público (o do Miguel Sousa Tavares de hoje é excelente!). O homem é de uma doçura risonha que encanta. Parece juntar a sageza que só os anos trazem a um espanto infantil e ávido em face de tudo o que "cheire" a vida. Não me surpreende que não tenho subido na "hierarquia". Mas como ele próprio disse, podemos ser livres e ter sucesso ficando sós. Ele, seguramente, não ficará, uma fé tão "colada" ao humano deixa marcas indeléveis naqueles em que pousa.
P.S. Não tenho coragem de ir ver o Benfica:(
P.S. Não tenho coragem de ir ver o Benfica:(
quinta-feira, abril 21, 2005
Em digressão
Eu e o António estamos no Algarve porque vamos participar numa Mesa Redonda - ou rectangular... - na Universidade. Mas maralhal, como sou um álibi indispensável ao vosso chat-room:), trouxe a besta e depois mando-vos a conta do telefone! E agora vou trabalhar:(, ó verbo maldito...
quarta-feira, abril 20, 2005
Agradecimento
Por ser de elementar justiça, venho por este meio agradecer à Direcção do restaurante D'Oliva não ter expulso os Machado Vaz hoje ao jantar, atendendo ao verdadeiro arraial minhoto - ou tripeiro... - a que se entregaram os meus netos. Mais declaro, para preservar, na medida do possível, o bom nome dos meliantes, que não se encontravam sob o efeito de qualquer droga, nomeadamente anfetaminas ou cocaína. Para mal dos meus pecados, o seu, perdão!, nosso único problema é sofrerem de uma aterradora saúde!
às ordens da Yulunga:)
E quem sou eu para a contrariar? Ainda por cima com o apoio da Lys? E do Portocroft? Ná, ainda sofro uma tentativa de assassinato... Substitua-se o post!
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor presente
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius.
Uf! Estarei safo? Porque se nem a poesia me conseguir o vosso perdão...:)
Soneto do amor total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor presente
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius.
Uf! Estarei safo? Porque se nem a poesia me conseguir o vosso perdão...:)
terça-feira, abril 19, 2005
Em defesa do Espírito Santo
Quem fechou as janelas, imnpedindo-o de entrar? Está inocente! Agora a sério: sou um agnóstico educado por padres que defendiam ser possível praticar o cristianismo sem ter recebido o baptismo. O que se passa na Igreja - hierarquia e fiéis... - toca-me.
Ratzinger... Mas por que teimam em fechar portas e janelas? É possível não ceder ao relativismo e mergulhar no mundo real, caramba! Enfim, preferiram enquistar-se. Não foi uma surpresa, mas tinha a secreta esperança de me enganar:(.
Ratzinger... Mas por que teimam em fechar portas e janelas? É possível não ceder ao relativismo e mergulhar no mundo real, caramba! Enfim, preferiram enquistar-se. Não foi uma surpresa, mas tinha a secreta esperança de me enganar:(.
A busca
"o sabor das mulheres das raparigas
inacessíveis sempre como um absoluto
sempre impossível tido no entanto por possível"
Ruy Belo.
inacessíveis sempre como um absoluto
sempre impossível tido no entanto por possível"
Ruy Belo.
segunda-feira, abril 18, 2005
Nada na manga
Sábado fiquei surpreendido com a notícia no Público sobre a iniciativa do João Teixeira Lopes a propósito do abortado O Amor é... no dia seguinte à morte do Papa. No que me diz respeito, aconteceu o seguinte:
1) Uma ouvinte enviou-me a resposta da Antena 1 a um mail seu, em que protestava por o programa não ter ido para o ar.
2) Como ela própria referia, da resposta era legítimo inferir que eu tinha dado o meu acordo ao facto. Além disso fazia-se referência ao estilo alegre do programa (gravado na quarta anterior) e à hipótese de ferir algumas susceptibilidades.
3) Entrei em contacto com a Antena 1 por duas razões: para esclarecer que ninguém me tinha informado das alterações na grelha (o programa da Dra. Ana Sousa Dias também foi afectado) e, mais importante, para dizer que alguma da terminologia utilizada no mail me magoara.
4) Fiquei a saber que o meu interlocutor estivera fora de Lisboa e tomara uma decisão de madrugada, na convicção de que eu seria informado de manhã.
5) Quanto ao "estilo utilizado para apreciar o meu estilo", a apresentação de desculpas foi imediata e, na minha opinião, sentida, pois sempre mantive com a pessoa em causa uma relação de extrema cordialidade.
6) De qualquer forma, pus à sua consideração a possibilidade de terminar O Amor é... já e não em Julho como previsto, para nos precavermos contra algum atrito posterior. Foi-me dito que pessoal e institucionalmente eu era desejado até ao fim da série, sem qualquer "pedra no sapato".
7) Porque penso ter-se apenas tratado, como aqui referi, de uma avaliação errada - e ultrapassada... - da sensibilidade de parte da audiência de O Amor é... também eu decidi que poderia prosseguir até Julho sem azedumes.
8) Já fui indirectamente censurado na RTP, quando o Sexualidades passou para um horário de filme pornográfico, apesar dos pedidos insistentes de escolas e outras organizações para que passasse a horas aceitáveis. Alguém me chegou a sugerir que mostrasse mais mulheres nuas e falasse menos da tradição judaico-cristã...
9) Também me aconteceu na rádio, quando eu, a Inês Pedrosa, o Mega Ferreira e outros fomos tirados do ar depois de nos termos referido de modo jocoso ao pouco tempo de que o Professor Cavaco Silva dispunha para ler jornais. Aliás, guardo desse episódio uma boa recordação. A pessoa que transmitiu as directivas da Direcção de Programas disse que eu poderia continuar em antena se me limitasse a fazer "aquelas deliciosas crónicas" sobre afectos:)). Perante um "não" escandalizado, disparou: "Ainda bem, ter-me-ia desiludido se aceitasse!". Tipo fixe:).
10) O João tem todo o direito de pedir esclarecimentos, mas para mim é assunto encerrado. Se, por hipótese, houvesse uma "recaída", vinha-me embora. Sem ressentimentos, mas também sem apelo, a inexistência de má intenção não justifica menor cuidado no tratamento dado às pessoas.
11) O António Macedo não piou sobre a matéria porque lhe pedi expressamente para o não fazer. Desejava ter espaço para dizer o que me apetecesse na introdução ao programa sem o envolver num eventual conflito provocado pelas minhas palavras.
12) That´s all, folks:).
1) Uma ouvinte enviou-me a resposta da Antena 1 a um mail seu, em que protestava por o programa não ter ido para o ar.
2) Como ela própria referia, da resposta era legítimo inferir que eu tinha dado o meu acordo ao facto. Além disso fazia-se referência ao estilo alegre do programa (gravado na quarta anterior) e à hipótese de ferir algumas susceptibilidades.
3) Entrei em contacto com a Antena 1 por duas razões: para esclarecer que ninguém me tinha informado das alterações na grelha (o programa da Dra. Ana Sousa Dias também foi afectado) e, mais importante, para dizer que alguma da terminologia utilizada no mail me magoara.
4) Fiquei a saber que o meu interlocutor estivera fora de Lisboa e tomara uma decisão de madrugada, na convicção de que eu seria informado de manhã.
5) Quanto ao "estilo utilizado para apreciar o meu estilo", a apresentação de desculpas foi imediata e, na minha opinião, sentida, pois sempre mantive com a pessoa em causa uma relação de extrema cordialidade.
6) De qualquer forma, pus à sua consideração a possibilidade de terminar O Amor é... já e não em Julho como previsto, para nos precavermos contra algum atrito posterior. Foi-me dito que pessoal e institucionalmente eu era desejado até ao fim da série, sem qualquer "pedra no sapato".
7) Porque penso ter-se apenas tratado, como aqui referi, de uma avaliação errada - e ultrapassada... - da sensibilidade de parte da audiência de O Amor é... também eu decidi que poderia prosseguir até Julho sem azedumes.
8) Já fui indirectamente censurado na RTP, quando o Sexualidades passou para um horário de filme pornográfico, apesar dos pedidos insistentes de escolas e outras organizações para que passasse a horas aceitáveis. Alguém me chegou a sugerir que mostrasse mais mulheres nuas e falasse menos da tradição judaico-cristã...
9) Também me aconteceu na rádio, quando eu, a Inês Pedrosa, o Mega Ferreira e outros fomos tirados do ar depois de nos termos referido de modo jocoso ao pouco tempo de que o Professor Cavaco Silva dispunha para ler jornais. Aliás, guardo desse episódio uma boa recordação. A pessoa que transmitiu as directivas da Direcção de Programas disse que eu poderia continuar em antena se me limitasse a fazer "aquelas deliciosas crónicas" sobre afectos:)). Perante um "não" escandalizado, disparou: "Ainda bem, ter-me-ia desiludido se aceitasse!". Tipo fixe:).
10) O João tem todo o direito de pedir esclarecimentos, mas para mim é assunto encerrado. Se, por hipótese, houvesse uma "recaída", vinha-me embora. Sem ressentimentos, mas também sem apelo, a inexistência de má intenção não justifica menor cuidado no tratamento dado às pessoas.
11) O António Macedo não piou sobre a matéria porque lhe pedi expressamente para o não fazer. Desejava ter espaço para dizer o que me apetecesse na introdução ao programa sem o envolver num eventual conflito provocado pelas minhas palavras.
12) That´s all, folks:).
domingo, abril 17, 2005
Balanço provisório do fds
1) Alarme avariado.
2) Fogão avariado.
3) Três lâmpadas fundidas.
4) Uma chave partida na fechadura da casa das máquinas.
5) Enorme carga de água a caminho de casa porque o meu filho mais velho proibiu que o carro atravessasse o prado nascente.
6) Mais um ataque de nervos com o resultado do Benfica.
7) Inundação na garagem.
E contudo...
1) Magníficas comezainas na Mindinha e no Sol da Cabreira.
2) Um passeio inacreditável lá no alto, com cavalos selvagens enroscados junto à estrada.
3) O sono em dia.
4) O privilégio de ouvir o Guilherme discutir arquitectura com o José Mateus. E perceber que a beleza e o talento, quando explicados por "gente como nós" e não parvalhões emproados, ficam ao alcance da compreensão de todos.
5) Um nevoeiro que ao longo do dia foi subindo, subindo, como se as árvores executassem um strip preguiçoso e reticente, até se desnudarem numa sinfonia de verdes e castanhos.
Pelo que:
Maralhal, preferia estar a escrever-vos lá de cima:).
Boa semana!
2) Fogão avariado.
3) Três lâmpadas fundidas.
4) Uma chave partida na fechadura da casa das máquinas.
5) Enorme carga de água a caminho de casa porque o meu filho mais velho proibiu que o carro atravessasse o prado nascente.
6) Mais um ataque de nervos com o resultado do Benfica.
7) Inundação na garagem.
E contudo...
1) Magníficas comezainas na Mindinha e no Sol da Cabreira.
2) Um passeio inacreditável lá no alto, com cavalos selvagens enroscados junto à estrada.
3) O sono em dia.
4) O privilégio de ouvir o Guilherme discutir arquitectura com o José Mateus. E perceber que a beleza e o talento, quando explicados por "gente como nós" e não parvalhões emproados, ficam ao alcance da compreensão de todos.
5) Um nevoeiro que ao longo do dia foi subindo, subindo, como se as árvores executassem um strip preguiçoso e reticente, até se desnudarem numa sinfonia de verdes e castanhos.
Pelo que:
Maralhal, preferia estar a escrever-vos lá de cima:).
Boa semana!
sexta-feira, abril 15, 2005
O caso do porteiro estarrecido:)
E o porteiro do Mercedes, ali na Ribeira, disse:
- Hoje paga-se, temos um grupo a tocar.
Ao que o vosso humilde criado respondeu,
- Eu sei, venho ouvi-los.
O honesto trabalhador mirou-me e remirou-me, com o interesse devido a um extraterrestre que depois de aterrar no Porto para admirar a Casa da Música tivesse perdido o norte. Porque é preciso dizer que os Fading Commission, a banda em que toca o meu filho João, têm uma batida assim a modos que própria de bisnetos dos Led Zeppelin de Page, Plant e Companhia. Logo, pouco recomendável para um cinquentão de barba encanecida:), acho que o homem ficou nas minhas costas a remoer dúvida metafísica: "O tipo aguenta os decibéis ou ainda tenho de chamar o 112?".
Nunca vou aos concertos sem pedir autorização aos meus rapazes, detestaria envergonhá-los. E falo nos dois porque o Guilherme também lá desagua, máquina de filmar em punho, é uma espécie de Oliver Stone do irmão. Mas eles são fixes e os amigos também, dizem que sou benvindo, eu procuro diluir-me na paisagem. E curto à brava a noite. Não só pela música, que ainda me faz jorrar a adrenalina, mas por os ver juntos, alegres, (quase?) felizes.
E os versos do velho Young (e de Blackburn) regressam a neurónios saudosos:
"Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There´s more to the picture
Than meets the eye".
Eduquei-os nessa crença e não estou arrependido:).
Bom fim de semana, maralhal, vou para Cantelães sem a "besta" (ressaca garantida, mas...).
- Hoje paga-se, temos um grupo a tocar.
Ao que o vosso humilde criado respondeu,
- Eu sei, venho ouvi-los.
O honesto trabalhador mirou-me e remirou-me, com o interesse devido a um extraterrestre que depois de aterrar no Porto para admirar a Casa da Música tivesse perdido o norte. Porque é preciso dizer que os Fading Commission, a banda em que toca o meu filho João, têm uma batida assim a modos que própria de bisnetos dos Led Zeppelin de Page, Plant e Companhia. Logo, pouco recomendável para um cinquentão de barba encanecida:), acho que o homem ficou nas minhas costas a remoer dúvida metafísica: "O tipo aguenta os decibéis ou ainda tenho de chamar o 112?".
Nunca vou aos concertos sem pedir autorização aos meus rapazes, detestaria envergonhá-los. E falo nos dois porque o Guilherme também lá desagua, máquina de filmar em punho, é uma espécie de Oliver Stone do irmão. Mas eles são fixes e os amigos também, dizem que sou benvindo, eu procuro diluir-me na paisagem. E curto à brava a noite. Não só pela música, que ainda me faz jorrar a adrenalina, mas por os ver juntos, alegres, (quase?) felizes.
E os versos do velho Young (e de Blackburn) regressam a neurónios saudosos:
"Hey hey, my my
Rock and roll can never die
There´s more to the picture
Than meets the eye".
Eduquei-os nessa crença e não estou arrependido:).
Bom fim de semana, maralhal, vou para Cantelães sem a "besta" (ressaca garantida, mas...).
quinta-feira, abril 14, 2005
E depois dos triângulos?
"Então percebi que quem sobrevive a alguma coisa, não tem direito de formular uma acusação. Quem sobrevive a alguma coisa, ganhou o seu processo, não tem direito, nem razão para acusar alguém; era mais forte, mais astuto, mais agressivo". Sándor Márai, As velas ardem até ao fim.
Pois... Quantos de nós abdicam de choro, dedo, raiva ou indiferença acusadores? E sentimo-nos assim tão fortes por sobreviver ou apenas verificamos, surpreendidos e aliviados, que a "coisa" não nos destruiu?
Pois... Quantos de nós abdicam de choro, dedo, raiva ou indiferença acusadores? E sentimo-nos assim tão fortes por sobreviver ou apenas verificamos, surpreendidos e aliviados, que a "coisa" não nos destruiu?
quarta-feira, abril 13, 2005
Ainda a propósito de triângulos:)
Os Dias
E arrisco-me a entrar na jaula dos teus dias
que rugem de não ser o que eu lhes prometia
Mas é para fugir de um parque mais antigo
onde rugem os meus pelo mesmo motivo
David Mourão-Ferreira
E arrisco-me a entrar na jaula dos teus dias
que rugem de não ser o que eu lhes prometia
Mas é para fugir de um parque mais antigo
onde rugem os meus pelo mesmo motivo
David Mourão-Ferreira
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