segunda-feira, julho 31, 2006

Eu pecador...

... me confesso: estou a ver pela enésima vez o Cyrano de Bergerac! Se algum de vocês precisar de um especialista em discurso amoroso acho que já consigo dar umas dicas. Mediante pagamento, claro! Eu levo o arbusto e o meu empregador a escada. Presumo que a donzela forneça a varanda:).

domingo, julho 30, 2006

"Gerontofobia".

Programa na SIC-Notícias sobre a discriminação dos mais velhos na procura de emprego. O "truque de investigação" habitual: dois currículos semelhantes, excepto no que à idade diz respeito. A "desempregada" mais velha - uma geronte de 39 anos! - era chamada para entrevistas três vezes menos do que a sua "irmã gémea", na casa dos vinte. Podem imaginar o que disseram alguns desempregados de cinquenta e tal... Esta equação simplista e totalitária entre envelhecimento e ineficácia é pura e simplesmente falsa em grande parte dos casos, o declínio de algumas capacidades vive paredes meias com um património de experiência muitas vezes insubstituível. Os anúncios de empregos com limites de idade serão ilegais até ao fim do ano. Em Inglaterra...

sexta-feira, julho 28, 2006

Não há piores cegos...

Polícia alemã confirma autenticidade do Diário de Anne Frank

A polícia judiciária federal alemã (BKA) confirmou esta semana, após muitas solicitações, a autenticidade do Diário de Anne Frank, contestada por neonazis, com base numa peritagem feita em 1980.
O Centro Anne Frank, em Berlim, foi uma das instituições que voltou a exigir recentemente uma tomada de posição clara da BKA sobre o referido parecer, depois de ter processado vários neonazis por terem posto em causa a autenticidade do Diário.

Satisfeito com o esclarecimento da BKA, o director do Centro, Thomas Heppener, disse esperar que fiquem agora «dissipadas todas as dúvidas» sobre a autenticidade do livro.

No seu Diário, Anne Frank, uma menina judia que morreu de tifo, em Fevereiro/Março de 1945, com apenas 15 anos, (a data exacta da sua morte não é conhecida), em Bergen-Belsen, poucas semanas antes de este campo de concentração nazi ser libertado por tropas norte-americanas, descreve como a família se escondeu numa casa em Amesterdão, na Holanda, até ser deportada para Auschwitz-Birkenau.

O livro, que faz parte de muitos programas escolares em todo o mundo, é um símbolo da educação democrática e antifascista do pós- guerra, e serviu já para consciencializar milhões de jovens.

Num comunicado à imprensa datado de quarta-feira, a BKA sublinha que a peritagem feita em 1980 pelo seu Instituto de Técnica Criminal «não pode ser invocada para pôr em causa a autenticidade do Diário de Anne Frank».

O parecer em questão foi elaborado no âmbito de um julgamento que decorreu em Hamburgo, mas segundo a BKA «não se destinava a pôr em causa a autoria do Diário, e sim a apurar se o material usado, papel e lápis, já existia durante a II Guerra Mundial, o que os especialistas, aliás, confirmaram».

No mesmo parecer, apenas se refere também que algumas correcções, sem se especificar quais, foram feitas com pasta de esferográfica só existente a partir de 1951.

Um artigo publicado em 1980 no semanário «der Spiegel», com base na referida peritagem, e em que se afirmava que «o que emocionou o mundo não foi escrito pela mão de Anne Frank», serviu, no entanto, de pretexto a neonazis para passarem a falar de uma falsificação.

Na verdade, segundo David Barnoyuw, do Instituto Holandês da Documentação de Guerra, considerado o maior especialista na matéria, os escritos de Anne Frank apenas foram resumidos e compilados pelo pai e pelos leitores da editora que publicou o Diário.

O próprio Barnouw publicou, em 1986,a versão integral do Diário, criticada e comentada, e garantiu repetidamente que só a paginação de uma parte do manuscrito foi mais tarde acrescentada a esferográfica.

Além disso, segundo o mesmo perito, há dois fragmentos de papel que não provêm da mão de Anne Frank, e foram mais tarde apensos ao Diário. «Se eu encontrar a Magna Carta e escrever nela alguma coisa a esferográfica, não deixa de ser a Magna Carta», resumiu Barnouw, em declarações ao jornal Frankfurter Allgemeine.

O Diário de Anne Frank foi encontrado já depois do fim da II Guerra Mundial por trabalhadores de uma firma no prédio de Amesterdão onde a família se escondeu dos nazis, e publicado em livro pelo pai, Otto Frank (1889-1980), único membro da família que sobreviveu ao Holocausto.

Logo a seguir à publicação do Diário, em 1947, círculos neonazis puseram em causa a sua autenticidade, e Otto Frank moveu vários processos judiciais por calúnia e difamação contra os autores de tais afirmações.

Há duas semanas, em meados de Julho, simpatizantes neonazis queimaram um exemplar do Diário de Anne Frank e outros livros de escritores antifascistas em Pretzien, no leste da Alemanha, imitando assim a famosa queima de livros de escritores democráticos levada a cabo pelos nazis em várias cidades alemãs, a 10 de Maio de 1933.

O incidente em Pretzien, que só foi revelado dias depois, mas causou grande indignação nos meios democráticos alemães, está a ser investigado pelo Ministério Público de Magdeburgo.

Na altura, o caso foi registado pela polícia local como simples «perturbação da ordem pública».

Diário Digital / Lusa

28-07-2006 12:33:00

quinta-feira, julho 27, 2006

Primeiras impressões.

Perder nesta altura da época não é grave. Mas apanhar um banho táctico e ver uma equipa com menos tempo de preparação chegar primeiro a todas as bolas..., não anuncia nada de bom!

Edificante...

Tratar homossexuais com desprezo «é correcto»
2006/07/26 | 12:57
Esta é a opinião de 25 por cento dos jovens de Madrid. Mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença.
Um em cada quatro jovens espanhóis consideram correcto tratar com desprezo os homossexuais, e mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença, de acordo com um estudo revelado esta quarta-feira, citado pela agência Lusa.
O estudo, realizado pelo Colectivo de Lésbicas, Gays, Transsexuais e Bissexuais de Madrid (COGAM) em conjunto com a Universidade Autónoma de Madrid demonstra que cerca de 25 por cento dos jovens na capital espanhola consideram que casais homossexuais não devem mostrar afecto em público.
A análise revela que os rapazes são muito menos tolerantes que as raparigas, e quase todos acabam por adoptar posturas de homofobia, num ou noutro caso, como explica Octávio Moreno, o autor do estudo.
A organização responsável pelo estudo dá conta de vários casos de ataques de grupos de jovens contra indivíduos ou casais homossexuais em Madrid.
O estudo foi divulgado dias depois de um casal de homossexuais ter sido espancado por um grupo de jovens, a maioria menores, depois de terem trocado um beijo numa piscina em Madrid.

quarta-feira, julho 26, 2006

Declaração.

Os abaixo assinados, à revelia do interessado, declaram o seguinte:
Celebramos hoje o Dia dos Avós, pessoas merecedoras do maior carinho, em especial os nossos próprios Avós maternos e Avó paterna. Quanto ao Avô Júlio, continua em período experimental, como o treinador italiano do Porto que acabou no olho da rua. Apesar das suas tentativas, ainda não atingiu os níveis mínimos de eficiência que nos permitiriam dar-lhe nota positiva, apesar de já lhe termos explicado pacientemente que o amor não chega, pressupõe acções que o confirmem e reforcem. E no terreno, pedra de toque da boa investigação etnográfica, o Avô falha demasiado - por distracção, preguiça e ignorância. A nossa ternura por ele permanecerá, portanto, vigilante. Se progressos notórios não forem observados a curto prazo, compraremos outro no El Corte Ingles de Gaia, enviando o Avô Júlio para o retiro de Cantelães, onde poderá viver em paz com as cabrinhas, os garranos e outros animais menos exigentes em termos de afecto, transportes e prendas do que nós. Pelo exposto, não o incluiremos na nossa ronda de hoje pelos outros, que terão direito a beijinhos e abraços.
OS NETOS A QUEM OS MERECE. A LUTA CONTINUA, SE FOR PRECISO..., AVÔ JÚLIO PARA A RUA!

Gaspar Minnemann Machado Vaz e Tiago Minnemann Machado Vaz, mais conhecidos pelos anjinhos da Foz.

terça-feira, julho 25, 2006

Santa inconsciência...

Maioria das portuguesas esquece-se de tomar a pílula

A pílula é o contraceptivo mais usado pelas portuguesas entre os 16 e os 34 anos, mas a maioria esquece-se de a tomar diariamente e, em férias, revela pouca preocupação com a contracepção, indica um estudo apresentado hoje.
Intitulado «Summer Loving Survey», o estudo procurou avaliar a predisposição das mulheres portuguesas para o envolvimento sexual durante as férias e quais as formas mais utilizadas para evitar uma gravidez indesejável ou doenças sexualmente transmissíveis.

Realizado pelo laboratório farmacêutico Organon, com o apoio da Associação para o Planeamento da Família (APF), o trabalho inquiriu 601 mulheres residentes em Portugal Continental, entre 21 de Junho e 10 de Julho.

Os resultados revelam que quatro em cada dez portuguesas preocupa-se em organizar a contracepção para usar durante as férias, com a pílula a ser o contraceptivo mais usado (99% indicam- no como preferencial), mas 83% esquece-se «ocasionalmente» ou «com frequência» de a tomar.

Um valor muito superior ao que se verifica durante o dia-a-dia, em que 68% as mulheres afirmam esquecer-se de tomar este contraceptivo.

Ainda assim, 68% das inquiridas admite que «ter um contraceptivo» as faz sentir «confiantes».

Para o director da APF, Duarte Vilar, estes dados dizem que «não se pode estar descansado porque a esmagadora maioria das mulheres que usa contracepção usa a pílula», uma vez que elas «utilizam os contraceptivos com falhas».

Além do risco de uma gravidez indesejada, no caso do uso incorrecto da pílula, Duarte Vilar salienta que o uso incorrecto dos métodos de contracepção representa também uma maior possibilidade de contrair uma infecção sexualmente transmissível.

Para combater este cenário, o director da APF realçou a necessidade de a «educação sexual não ser só dirigida aos jovens e às escolas, mas também aos jovens adultos».

No que toca às principais preocupações das veraneantes portuguesas para os tempos de ócio, o estudo indica que a tabela é liderada pelo bom tempo (86%), a oportunidade de quebrar a rotina (75%) e a possibilidade de descansar (74%).

A possibilidade de se envolver num romance de férias é muito importante apenas para 32% e um terço pensa o mesmo em relação à existência de romance e intimidade física durante o descanso de Verão.

Quanto aos comportamentos que costumam ter antes de ir de férias, a maioria das mulheres dedica-se a organizar o dinheiro e a fazer compras (fato de banho, roupa, acessórios e cosmética) para esse período.

Aproveitar o tempo de férias para dar nova cor à sua vida sexual não faz parte dos planos das inquiridas para o período de veraneio, pois apenas 27% se declara mais sexualmente activa, enquanto 23% diz gostar mais de ter relações sexuais nesta altura.

Para a maioria (54%), o apetite sexual em férias é exactamente igual ao sentido durante os meses de trabalho e mais de metade das portuguesas entrevistadas nunca teve relações sexuais ocasionais.

Diário Digital / Lusa

25-07-2006 10:35:00

segunda-feira, julho 24, 2006

O texto do abaixo-assinado (www.juntosnorivoli.com).

Os abaixo-assinados, cidadãos do Porto, cidadãos do Mundo, incapazes de aceitar passivamente a prepotência e a mais preocupante cegueira política, opõem-se veementemente à decisão recentemente comunicada pelo Presidente da Câmara Municipal do Porto de concessionar a «exploração» do Rivoli Teatro Municipal a entidades privadas. Quando, há quase dez anos, o Rivoli Teatro Municipal reabriu as suas portas, fazia-o com um objectivo muito preciso: dar finalmente corpo, na cidade do Porto, à ideia de um Teatro Municipal contemporâneo, de vocação multi-disciplinar, aberto à inteligência, motor de conhecimento e criatividade, capaz de ajudar a caracterizar o Porto como cidade cosmopolita, como uma das grandes cidades europeias.

Um espaço para onde convergiram as diferentes linguagens, todos os tipos de públicos, os maiores nomes, bem como os novos artistas, os principais festivais da cidade, motores de toda uma dinâmica que se pretendia continuar e desenvolver, envolvendo mais e mais vozes e protagonistas. O papel insubstituível do Estado – seja o estado central seja a administração autárquica – na criação e manutenção de espaços de crescimento e afirmação das artes performativas (por definição, as mais sociais das artes) é um dado civilizacional de base que não é questionado em nenhum país ocidental. Tal como, de resto, o papel das artes e das correlativas actividades culturais na afirmação de maturidade de uma comunidade, ou ainda na sua afirmação plena nos contextos nacional e internacional. Não é pois possível aceitar que a decisão unilateral de um edil – uma decisão que equivale, pelo absurdo, à de arrasar todas as árvores da cidade, invocando o respectivo, necessariamente elevadíssimo custo de manutenção (porque os números, como sabemos, são sempre muito facilmente manipuláveis) – comprometa irremediavelmente um equipamento que, pela sua pertença à cidade, é público por natureza. Numa altura em que o esforço de todo o País deve, como condição de sobrevivência, orientar-se para a educação e para a qualificação, numa altura em que a invenção e a afirmação de uma consciência cidadã são factores críticos de desenvolvimento de uma sociedade que enfrenta desafios novos, esta decisão do Presidente da Câmara Municipal do Porto é inaceitável por razões cívicas e culturais básicas, é medíocre enquanto decisão política e é sinal de uma prática política definida pela arrogância de impor uma curteza de vistas pessoal a toda uma comunidade. No preciso momento em que a rede de Teatros Municipais cresce por todo o País e em que se torna imperioso definir e estabilizar um quadro de cooperação entre os níveis nacional e local que lhes permita serem eficazes na sua missão, o exemplo dado pela segunda cidade do país é desastroso e envergonha quem vê a cidade como algo mais do que uma paróquia. Por estas e muitas outras razões que poderíamos aqui avocar, exigimos a simples anulação desta decisão e o lançamento imediato de uma discussão pública sobre as formas de gestão, financiamento, programação e mediação cultural de um Teatro Municipal digno desse nome e à altura de uma cidade como o Porto

Sou contra, mas espero sinceramente enganar-me, seria bom para o Porto.

Câmara do Porto espera Rivoli com mais público depois de concessão a privados
24.07.2006 - 20h06 Lusa



O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse hoje esperar que o Rivoli - Teatro Municipal venha a ter mais público depois da concessão a privados.

"O Rivoli não vai fechar. Vai continuar aberto e vai até ter muito mais pessoas", disse Rui Rio, à margem de uma visita do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, à Casa da Música.

Rui Rio leva à reunião de amanhã do executivo camarário do Porto propostas de concessão a privados da gestão do Teatro Rivoli e do Pavilhão Rosa Mota, mantendo-se os dois edifícios propriedade do município.

O autarca reafirmou que "a receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", estando a autarquia a canalizar para o teatro 7500 euros por dia, o que corresponde ao dobro do investimento do município na reabilitação de escolas.

Rui Rio salientou que só a partir de amanhã, depois de aprovada a proposta na câmara, irá iniciar a consulta às companhias de teatro portuguesas, propondo-lhes que assumam a gestão do Rivoli por quatro anos, mediante as condições estabelecidas pela autarquia.

Destas condições, o autarca destacou o mínimo de 300 dias de espectáculo por ano, frisando que a manifestação de interesse na gestão do Rivoli é aberta a todos os interessados, mesmo que não venham a receber um contacto prévio da autarquia.

As propostas serão recebidas até ao final de Setembro, comprometendo-se a câmara a escolher uma até ao fim de Outubro.

Rui Rio desvalorizou as críticas à privatização da gestão do Rivoli, nomeadamente da oposição ao executivo PSD/CDS-PP e de vários agentes culturais da cidade, realçando que "quem tem de tomar a decisão é quem foi eleito".

O presidente da câmara salientou que o contrato de concessão será de apenas quatro anos, permitindo a um próximo executivo, se o entender, assumir de novo a gestão pública do Rivoli, o que contrasta com a situação que "herdou" no caso do Teatro do Campo Alegre, uma parceria entre a Câmara e a Universidade do Porto.

"No Teatro do Campo Alegre, herdei um contrato até 2014", afirmou Rui Rio.

domingo, julho 23, 2006

Saudades.

Taxi Driver. Quando se aburguesou de Niro? Satisfá-lo-ão as comédias com Billy Cristal? Ou este fogo ainda se esconde algures no fundo, à espera de um bom argumento para consumir o ecrã? Duvido:(.

sexta-feira, julho 21, 2006

A Ana tem razão.

A minha opinião é negar a obsessão



Ana Sá Lopes

Há dias perguntaram a Pedro Silva Pereira, porta-voz do Governo, o que ele pensava sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. Tal como Jerónimo de Sousa num célebre debate antes das Presidenciais de 1996, Pedro Silva Pereira respondeu que tinha que ouvir "o partido". A opinião pessoal de Pedro Silva Pereira é curta e incisiva - é a de que "o PS deve discutir na altura própria". Na entrevista dada ao Público e à Renascença, percebeu-se que o porta-voz do Governo opinião pessoal não tem, ou, por uma razão ou por outra, não a quer revelar.

Mas o que decorre do "pensamento" do porta-voz do PS expresso naquela entrevista é que o partido não vai querer revelar qualquer opinião sobre este assunto nos tempos mais próximos e, provavelmente, durante o resto da legislatura. Qual é hoje, afinal, o principal problema do porta-voz oficial do Governo? Negar, à exaustão, que o Governo esteja preocupado com determinado tipo de assuntos. Não é pedir desculpa, lamentar, reconhecer a dificuldade, o que quer que seja. Não: a preocupação obsessiva é desmentir uma "imagem errada" de que o PS "tem uma obsessão por uma qualquer agenda fracturante". São garantias sobre garantias: "A preocupação do Governo está muito longe de ser dominada por essa agenda" ou "estou muito longe de achar que o nosso final do ano venha a ser dominado pela agenda das questões fracturantes."

Ora o final do ano é para onde foi parar o grande desígnio socialista do referendo para a despenalização do aborto. Ainda que Silva Pereira afirme que, como cidadão e dirigente do PS, participará na campanha, as precauções que o ministro coloca - e o seu terror com a "obsessão fracturante" - suscitam as piores desconfianças sobre qual o empenhamento do Governo na campanha para a despenalização.

Há 50 maneiras de participar na campanha: a pior forma de contribuir para a despenalização do aborto é a marcação de presença por noblesse oblige à semelhança do que José Sócrates fez na campanha presidencial de Mário Soares. Se assim for, por medo da "imagem da obsessão da agenda fracurante", a coisa vai correr mal.


P.S. E eu acrescento: porque utilizar o espantalho do adjectivo "fracturante" à defesa de posições de princípio? Os outros defenderão as suas e ponto final. Tudo o que rodeia a sexualidade parece provocar aos políticos o pânico de uma guerra civil. Parece... Porque não é esse que os atormenta:)))).

quinta-feira, julho 20, 2006

Mais do que provável.

Estudo: Classe social condiciona ritmo de envelhecimento




Segundo um estudo hoje divulgado, a classe e os níveis de stress associados ao estatuto social influenciam o ritmo do envelhecimento, independentemente da saúde, dieta e maus hábitos.

20/07/2006

(13:30) Ao estudarem 1.552 irmãs gémeas britânicas, com idades entre 18 e 75 anos, os investigadores constataram que um nível socioeconómico mais baixo, tanto devido ao trabalho como ao estatuto social do cônjuge, acrescenta sete anos à idade biológica da mulher.

Segundo o estudo, hoje citado pelo diário "The Guardian", pertencer a estratos sociais mais baixos aumenta a insegurança, sobretudo no trabalho, e baixa a auto-estima. Isso faz subir os níveis de stress, o que por sua vez pode aumentar os danos a nível celular e acelerar o processo natural de envelhecimento, dizem os cientistas.

A descoberta poderá explicar grandes diferenças nos índices de mortalidade entre as diferentes classes sociais, os quais não podem ser atribuídos apenas a diferenças nos estilos de vida.

quarta-feira, julho 19, 2006

Haja respeito! Ou respeitinho?

T-shirt não entra
2006/07/19 | 17:35
Nem jeans rotos. Por causa do prestígio do Parlamento da Madeira
A Assembleia Legislativa da Madeira, onde esta semana seis jornalistas foram impedidos de entrar por estarem vestidos de t-shirt, está a preparar um regulamento de indumentária para os profissionais da informação.
Uma fonte parlamentar disse à Agência Lusa que este regulamento vai substituir as regras avulsas que estão a ser transmitidas - por ordem do presidente da Assembleia Legislativa, Miguel Mendonça - aos jornalistas pelos funcionários da segurança do hemiciclo.
Não foram revelados mais pormenores sobre este novo regulamento.
Segundo as regras, não podem entrar na Assembleia Legislativa jornalistas com calças de ganga rotas (na moda há vários anos), pólos, t-shirts ou que usem sapatilhas, alegando Miguel Mendonça com o prestígio da instituição parlamentar.
Estas directivas têm sido seguidas pelos funcionários do parlamento madeirense, ao ponto de seis jornalistas - do Diário de Noticias da Madeira, RTP, RDP e TSF - terem sido impedidos de entrar no hemiciclo.
Face a esta situação, o Sindicato de Jornalistas (SJ) manifestou a sua preocupação pelo facto dos jornalistas destacados para a Assembleia estarem a ser «alvo de excesso de zelo em relação ao seu vestuário por parte do presidente do parlamento madeirense».
A Direcção Regional da Madeira do SJ «vê estas atitudes de humilhação para com os profissionais da comunicação social como uma forma de desviar as atenções de vários atropelos e violações que se verificam na Assembleia Legislativa: violações ao Regimento, linguagem ofensiva e até ameaças físicas entre deputados».
O sindicato adianta ainda que na Assembleia da República - «a alma mater da democracia parlamentar em Portugal» - os jornalistas não são proibidos de entrar por causa do calçado «nem ninguém anda a olhar-lhes para os pés ou a ver se estão de t-shirt ou camisa de marca».

terça-feira, julho 18, 2006

Já a Comissão de que fiz parte em 98 o recomendava (por maioria...).

Comissão: Peritos nomeados pelo Governo recomendam
Troca de seringas nas prisões
Carlos Barroso
A Comissão de peritos nomeada por despacho conjunto dos ministros da Justiça e da Saúde em Janeiro deste ano para o combate à propagação de doenças infecto-contagiosas em meio prisional vai recomendar a adopção de programas de troca de seringas, efectuada por técnicos de saúde em todas as prisões portuguesas, apurou o CM.
Paralelamente, a mesma comissão proporá ainda três ou quatro programas-piloto de troca de seringas por máquinas (põe-se uma seringa usada, sai uma nova) estando ainda por definir quais os estabelecimentos prisionais em que será proposta esta segunda fórmula.
As prisões em que será sugerida a troca por máquinas deverão ser definidas na próxima quinta-feira, 20 de Julho, última reunião de trabalho da Comissão antes de entregar as recomendações aos dois ministros.
Publicado em ‘Diário da República’ no passado dia 24 de Janeiro, o despacho ministerial conjunto que constituiu o grupo de trabalho deu aos respectivos membros um “prazo de 180 dias” para “apresentar as propostas”, cujas linhas gerais o CM hoje antecipa.
Depois de ouvidos representantes dos vários sectores ligados ao meio prisional, incluindo o Sindicato do Corpo de Guardas Prisionais, o grupo de trabalho vai propor que sejam disponibilizados “programas de troca de seringas nos postos clínicos de todos os estabelecimentos prisionais do País”.
A troca passa pela disponibilização ao recluso toxicodependente, portador de uma seringa usada, de um ‘kit’ de consumo asséptico, a exemplo do que sucede nas farmácias normais.
Serão ainda recomendados três ou quatro programas-pilotos, a reavaliar no prazo de um ano, de troca de seringas efectuada em máquina. Semelhante às máquinas de venda de cigarros, bebidas e produtos alimentares, estes equipamentos não funcionam com moedas, mas por troca directa de seringas: põe-se uma velha, sai uma nova.
A coordenadora da Comissão, Graça Poças, explica que “o objectivo é não discriminar os reclusos face ao meio externo”, acrescentando que é essencial a “integração dos presidiários no Serviço Nacional de Saúde”. Mais, defende que, “se há um Plano Nacional para a Tuberculose, não se percebe porque não são os reclusos abrangidos por ele”.
As recomendações não são vinculativas, mas os peritos foram escolhidos pelos ministros da Justiça e da Saúde. Dois membros do grupo de trabalho (João Goulão e Nuno Miguel) fizeram parte da Comissão para a Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga em 1999, que, nomeada pelo então ministro Adjunto e actual primeiro-ministro, José Sócrates, deu origem à descriminalização do consumo de drogas.
DA ABERTURA LEGAL À REALIDADE ACTUAL
A possibilidade de programas de troca de seringas em meio prisional foi aberta com a Lei n.º 170/99, que descriminalizou o consumo de drogas. À data responsável por esta tutela, o então secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Vitalino Canas, liderou, em 2001, uma delegação portuguesa para tomar conhecimento de experiências em curso nas prisões de Espanha e da Suíça (Berna). Apesar de algumas posições favoráveis, como João Goulão e Elza Pais, e reservas de outros, como Celso Manata (ex-director- -geral dos Serviços Prisionais), o processo não conheceu qualquer evolução legal. Das eleições seguintes resultou uma maioria PSD/CDS-PP, sendo a ministra da Justiça, Celeste Cardona, frontalmente contra aquela possibilidade. Agora, face à elevada percentagem de presos toxicodependentes e infectados por uma ou mais doenças infecto-contagiosas (34,9% sofre de hepatite), os ministros da Justiça e da Saúde nomearam uma comissão para elaborar um plano de acção com vista ao combate às doenças infecto-contagiosas em meio prisional.
AS OUTRAS PROPOSTAS
Além da possibilidade da troca de seringas pelo pessoal de saúde em todos os estabelecimentos prisionais e da criação de três ou quatro programas-piloto de troca por máquina, a Comissão propõe um conjunto alargado de intervenções em meio prisional. Incluem-se o alargamento dos programas terapêuticos livres de drogas, dos programas de substituição por metadona e a integração dos reclusos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Passa a caber às Administrações Regionais de Saúde, em conjunto com o Instituto das Drogas e Toxicodependência, integrar os presos nos respectivos serviços, incluindo o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose.
REALIDADE EM NÚMEROS
12 728: Era o total de reclusos existentes nas cadeias portuguesas a 31 de Dezembro de 2005.
1152: É o total de presos positivos para o VIH/sida, dos quais 658 fazem terapia anti-retroviral.
9,03%: Percentagem de reclusos infectados pelo VIH/sida. No total, 1093 são homens e 56 mulheres.
34,9%: Percentagem de reclusos com hepatites. Destes, 2500 têm hepatite C, 433 têm hepatite B e 240 têm ambas.
250: Euros por semana, por recluso, é quanto custa o tratamento, com ‘interferão’, para a hepatite C.
'SISTEMA PRISIONAL SEM CONDIÇÕES' (Fernando Negrão, Deputado eleito pelo PSD)
“Instalações inadequadas, excesso de reclusos, falta de guardas e sistema de saúde indefinido marcam o nosso meio prisional. Enquanto assim for, creio não haver condições. Se, por hipótese, todos os outros problemas estivessem resolvidos, o modelo que eu preferiria era o que assegurasse a confidencialidade para evitar retaliações.”
'É UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA' (Carlos Poiares, Professor de Psicologia Criminal)
“Enquanto houver consumo nas cadeias, é uma questão de saúde pública. Sai mais barato uma seringa do que uma doença infecto-contagiosa. Os consumidores condenados a uma pena não são condenados a uma doença. Acho que os reclusos devem sentir-se mais à vontade frente a uma máquina do que frente ao profissional de saúde.”
Rui Arala Chaves


P.S. Já referi que concordo com a medida, mas um dos comentários à notícia fez-me sorrir. Perguntava um dos leitores - "Mas de onde vem a droga?". Pois. Se ela não entrasse:))))). Ora aí está um tema que é um vespeiro...

segunda-feira, julho 17, 2006

Isto é que é moralização, caramba!

Carmona limita salários de assessores
2006/07/17 | 18:10
Depois de polémica na passada semana, câmara de Lisboa altera regras do jogo


A Câmara de Lisboa vai criar um tecto de 30 mil euros para as avenças dos assessores contratados, e, naqueles que não ultrapassam este montante, diminuindo em 5 ou 10 por cento o valor dos contratos, noticia esta segunda-feira o Correio da Manhã.

Os avençados e assessores requisitados à Funcão Pública verão salário reduzido, uma vez que passam a ser proibidos de dobrar o vencimento com horas extraordinárias.

Como o vice-presidente anunciou em conferência de imprensa, há contratos que não serão renovados.

sábado, julho 15, 2006

Associação livre.

O Expresso. O artigo sobre a Guerra Civil Espanhola. Claro que o lado republicano não era tão angelical como meu Pai jurava. Mas como comparar? As Brigadas Internacionais e a aura romântica que justamente as acompanhou. Badajoz - e tudo o resto... - com a cumplicidade salazarista. Malraux e A Esperança. Esses magníficoa anarquistas, fora do tempo, fora da disciplina necessária para ganhar uma guerra, mas dentro de um sonho que me maravilha. O meu Pai, definitivo - a Anarquia não é a ausência de Governo, é a sua inutilidade. O laboratório da Alemanha e da Itália. A cobardia da França e da Inglaterra. Guernica. O uivo dos stukas. O exílio de tantos e a morte de muitos mais. Lorca encostado à parede. Unamuno revoltado com o "Viva la muerte". Franco e os mortos que construíram o Vale dos Caídos. Meu Bisavô, no exílio, empurrado para França. Chamberlain, patético - "Paz nos nossos tempos". Quando aprenderemos que os fascismos não interpretam as concessões como provas de conciliação, mas sim de fraqueza? No pasarán, dizia a Pasionaria. Passaram. Para nossa vergonha...

quinta-feira, julho 13, 2006

A propósito da Inquisição e outros tribunais que acarretamos dentro de nós.

Acabo de ler um livro que termina com uma citação feliz de Pierre Bayle: "Os perseguidos não têm sempre razão, mas os perseguidores estão sempre errados".

quarta-feira, julho 12, 2006

Aniversário.

Maria,
Tenho um filho de 32 anos. Vou-te mandar a Atitude com a reportagem sobre Cantelães. O maroto não se limita a ser um óptimo arquitecto, escreve como eu nunca sonhei na sua idade! Mas 32... Já pensaste que, a prazo, serás uma viúva solteira?

terça-feira, julho 11, 2006

Mais um que adormece...

Syd Barrett morreu. Que dizer? Shine on you crazy diamond, wish you were here!

Sem comentários...

Isentar selecção de pagar IRS é «ridículo e inconstitucional»
[ 2006/07/11 | 12:01 ] EditorialPGM

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl disse ao «Jornal de Negócios» que tenciona pedir ao Executivo que os prémios que os jogadores da selecção receberam (50 mil euro cada) pela participação no Mundial de Futebol, sejam isentos de IRS.

O fiscalista Saldanha Sanches considera um «insulto» para quem paga impostos e ganha baixos salários esta eventual isenção de IRS. O especialista em assuntos fiscais disse à agência «Lusa» que a norma do Código do IRS que isenta do imposto os prémios atribuídos aos praticantes de alta competição por classificações relevantes é «escandalosa» e até «inconstitucional».

No seu entender, não tem cabimento discriminar a actuação dos desportistas, quando os profissionais de outras profissões relevantes para a sociedade e para o país pagam normalmente os impostos devidos pelos valores que auferem.

Por outro lado, frisou, «é insultuoso para quem tem baixos salários e paga os seus impostos».

Do mesmo modo, também o fiscalista Medina Carreira afirmou que «poupar trocos a quem ganha milhões» é «ridículo», recusando entrar num debate «idiota» sobre a isenção de IRS do prémio ganho pelos jogadores da Selecção no Mundial 2006.

Medina Carreira disse à agência «Lusa» recusar opinar sobre «coisas parvas», considerando «ridícula» a discussão à volta de um pedido de isenção para uma quantia que é «irrisória» para os bolsos dos futebolistas que jogam na Selecção.

«Essa é uma discussão sem alcance», afirmou, declarando a sua posição de princípio contrária a qualquer tipo de isenção fiscal, a não ser em casos «muito, muito excepcionais».

Neste caso, «seria sempre contra», afirmou.

«Poupar 5.000 euros ao Cristiano Ronaldo é ridículo quando ele ganha milhões», concluiu.