Maria,
Em Cantelães, o Verão já se esgueira para o riacho. À medida que o sigo, enroscado na varanda, noto que a encosta por trás do moinho vai mudando de toilette - o castanho, com doçura inexorável, empurra o amarelo para o próximo ano. Das gargalhadas dos miúdos resta o eco, divertido e amargo; e um hamburger virgem, astutamente escondido no sofá, "mãe, já comi!". Levanto-me. A sala e a Cabreira. Os moinhos, fantasmagóricos; obedecem a vento ou luar? O retrato. A blusa comprada na feira, dia de sol, a mulherzinha sorridente, "fica-lhe tão bem, menina!". É verdade. O que torna esta demora mais exasperante, promete que chegas com o Outono:(. Entretanto vou buscar um xaile para esses ombros, Maria. Corre uma aragem pela casa, pode arrepiar-te os ombros e apagar o sorriso...
sexta-feira, setembro 08, 2006
quinta-feira, setembro 07, 2006
Mais um passinho.
Alzheimer: descoberta «proteína da memória»
2006/09/07 | 17:49
Em Portugal, estima-se que mais de 50 mil pessoas sofrem da doença
Investigadores norte-americanos descobriram uma proteína com funções cruciais de mensageira química do cérebro, que proporciona a capacidade de reconhecer objectos e pessoas. A notícia é avançada pela Agência Lusa.
Quando os níveis dessa proteína se reduzem, o indivíduo começa a perder a memória e a apresentar sintomas semelhantes aos do mal de Alzheimer, uma doença neurológica progressiva e incurável.
Segundo os cientistas do Centro Médico da Universidade de Duke, a proteína recicla uma substancia chamada «acetilcolina», que transporta as mensagens entre os neurónios.
Num artigo publicado na revista Neuron, os cientistas revelam que os animais modificados geneticamente com defeitos nessa proteína demonstraram sintomas parecidos com os de Alzheimer, entre os quais a incapacidade de reconhecer caras familiares.
«Utilizando ratos geneticamente modificados como modelos para Alzheimer, podemos aprender mais acerca do circuito neuronal do cérebro», disse Marc Caron, professor de biologia celular do Centro Médico, que participou na investigação.
O investigador acrescentou que esta descoberta poderá conduzir ao desenvolvimento de novas formas de aliviar os sintomas da doença.
Segundo Marco Prado, professor de farmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) e outro dos investigadores, estes resultados poderão também ajudar na procura de medicamentos que melhorem a função da acetilcolina no cérebro.
«Isto é importante porque se acredita que a diminuição da acetilcolina reduz a função cognitiva nos idosos e está associada aos sintomas cognitivos e de conduta na doença de Alzheimer», afirmou.
Na sua imparável progressão, o mal de Alzheimer, que afecta principalmente homens e mulheres com mais de 65 anos, provoca a demência e por último a morte.
2006/09/07 | 17:49
Em Portugal, estima-se que mais de 50 mil pessoas sofrem da doença
Investigadores norte-americanos descobriram uma proteína com funções cruciais de mensageira química do cérebro, que proporciona a capacidade de reconhecer objectos e pessoas. A notícia é avançada pela Agência Lusa.
Quando os níveis dessa proteína se reduzem, o indivíduo começa a perder a memória e a apresentar sintomas semelhantes aos do mal de Alzheimer, uma doença neurológica progressiva e incurável.
Segundo os cientistas do Centro Médico da Universidade de Duke, a proteína recicla uma substancia chamada «acetilcolina», que transporta as mensagens entre os neurónios.
Num artigo publicado na revista Neuron, os cientistas revelam que os animais modificados geneticamente com defeitos nessa proteína demonstraram sintomas parecidos com os de Alzheimer, entre os quais a incapacidade de reconhecer caras familiares.
«Utilizando ratos geneticamente modificados como modelos para Alzheimer, podemos aprender mais acerca do circuito neuronal do cérebro», disse Marc Caron, professor de biologia celular do Centro Médico, que participou na investigação.
O investigador acrescentou que esta descoberta poderá conduzir ao desenvolvimento de novas formas de aliviar os sintomas da doença.
Segundo Marco Prado, professor de farmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) e outro dos investigadores, estes resultados poderão também ajudar na procura de medicamentos que melhorem a função da acetilcolina no cérebro.
«Isto é importante porque se acredita que a diminuição da acetilcolina reduz a função cognitiva nos idosos e está associada aos sintomas cognitivos e de conduta na doença de Alzheimer», afirmou.
Na sua imparável progressão, o mal de Alzheimer, que afecta principalmente homens e mulheres com mais de 65 anos, provoca a demência e por último a morte.
quarta-feira, setembro 06, 2006
Nunca voltes a um restaurante onde foste feliz?:).
Antes da Marisa fui a um restaurante da minha juventude que não frequento há um ror de tempo. Correu tudo mal:( - a carne bem passada vinha mal passada, "aquele" prato não havia, a água natural pedida jorrou fresca, o vinho estava a "passar para o lado de lá", a manga entrara em plena terceira idade. E as pessoas de uma gentileza inexcedível, a cada pensamento desiludido ainda me sentia culpado por cima... Enquanto esperava pelo início do espectáculo fui pensando se não será melhor saborear as recordações em vez de as pôr em risco:).
terça-feira, setembro 05, 2006
King Mercury, como dizia Macca.
Mercury faria hoje sessenta anos. Sempre gostei mais de o ouvir do que de o ver, por vezes tantas coroas, mantos e microfones em riste faziam-me correr para o leitor de CDs. Mas Made in Heaven, por exemplo, está em permanência no meu carro. Porque é preciso enorme coragem e dignidade para gravar um disco daqueles a entrar e a sair de um hospital à espera do fim.
P.S. Vou descer ao povoado para ouvir Marisa Monte ao vivo. Espero não ficar com saudades dos CDs:).
P.S. Vou descer ao povoado para ouvir Marisa Monte ao vivo. Espero não ficar com saudades dos CDs:).
segunda-feira, setembro 04, 2006
Isto é um bocado arrepiante...
Sexo desprotegido pode acelerar cancro
2006/09/01 | 14:20
Sémen contém substâncias que acerelam cancro cervical e do útero
As relações sexuais sem preservativo podem acelerar o avanço do cancro cervical e do útero, devido à elevada concentração no sémen de umas substâncias chamadas prostaglandinas, segundo uma investigação tornada pública esta sexta-feira no Reino Unido.
Uma equipa de cientistas do Conselho Britânico para a Investigação Médica, dirigido por Henry Jabbour, descobriu que os dois tumores se desenvolviam na presença dessas substâncias.
As prostaglandinas encontram-se em todos os tecidos dos mamíferos e líquidos biológicos e em quase todas as células do organismo, com excepção dos glóbulos vermelhos.
Estas substâncias também se encontram de forma natural nos órgãos reprodutores femininos, mas a sua presença é até mil vezes mais concentrada no sémen, revela o estudo, publicado hoje na revista médica «Journal of Endocrinology and Human Reproduction».
Os investigadores examinaram os efeitos das prostaglandinas no crescimento do tecido canceroso.
«O que demonstrámos é que os níveis dos receptores» - moléculas da superfície celular ou do citoplasma que encaixam noutras moléculas como uma chave na sua fechadura - «para a prostaglandina eram elevados nesses cancros. Esse elevado nível do receptor conduz ao crescimento do tumor», explicou Henry Jabbour.
«Mesmo que bloqueemos a síntese (produção) de prostaglandinas nos órgãos reprodutores, tal não impede a evolução do tumor, se a mulher tiver uma vida sexual activa», acrescentou.
Por isso, está demonstrado que é a prostaglandina presente no sémen que causa o crescimento do tumor.
O especialista recomenda às mulheres que possam sofrer este tipo de tumores que utilizem preservativos nas suas relações sexuais.
2006/09/01 | 14:20
Sémen contém substâncias que acerelam cancro cervical e do útero
As relações sexuais sem preservativo podem acelerar o avanço do cancro cervical e do útero, devido à elevada concentração no sémen de umas substâncias chamadas prostaglandinas, segundo uma investigação tornada pública esta sexta-feira no Reino Unido.
Uma equipa de cientistas do Conselho Britânico para a Investigação Médica, dirigido por Henry Jabbour, descobriu que os dois tumores se desenvolviam na presença dessas substâncias.
As prostaglandinas encontram-se em todos os tecidos dos mamíferos e líquidos biológicos e em quase todas as células do organismo, com excepção dos glóbulos vermelhos.
Estas substâncias também se encontram de forma natural nos órgãos reprodutores femininos, mas a sua presença é até mil vezes mais concentrada no sémen, revela o estudo, publicado hoje na revista médica «Journal of Endocrinology and Human Reproduction».
Os investigadores examinaram os efeitos das prostaglandinas no crescimento do tecido canceroso.
«O que demonstrámos é que os níveis dos receptores» - moléculas da superfície celular ou do citoplasma que encaixam noutras moléculas como uma chave na sua fechadura - «para a prostaglandina eram elevados nesses cancros. Esse elevado nível do receptor conduz ao crescimento do tumor», explicou Henry Jabbour.
«Mesmo que bloqueemos a síntese (produção) de prostaglandinas nos órgãos reprodutores, tal não impede a evolução do tumor, se a mulher tiver uma vida sexual activa», acrescentou.
Por isso, está demonstrado que é a prostaglandina presente no sémen que causa o crescimento do tumor.
O especialista recomenda às mulheres que possam sofrer este tipo de tumores que utilizem preservativos nas suas relações sexuais.
domingo, setembro 03, 2006
Ao lusco-fusco.
Nestes últimos dias Cantelães tem sido como eu sonhara - família e amigos entram e saem com as respectivas crias, barafunda e mesas cheias:). A outra face da moeda vivo-a agora, ao lusco-fusco, a cinza cai sobre a piscina, o céu permanece avermelhado sem que o sol tenha culpas no cartório e helicópteros passam de quando em vez. Olho em redor. O medo de ver destruído o que eu imaginei e o Guilherme realizou. Talvez uma noite longa em perspectiva, o meu pessimismo espreguiça-se e namora o acelerador. Pensar, como dizia Vergílio Ferreira. A importância de manter os rituais -tomar um banho e assumir a presidência da mesa, há faces risonhas e esfomeadas para cuidar:).
Sousa,
Assim estamos mal, homem! Então não me avisa que a Nova Gente já saiu?:(. Para que lhe pago, carago? (Sou um poeta...).
Sousa,
Assim estamos mal, homem! Então não me avisa que a Nova Gente já saiu?:(. Para que lhe pago, carago? (Sou um poeta...).
sexta-feira, setembro 01, 2006
Raios e coriscos!, há mais de 25 anos que ensino o contrário:).
Personalidade não interfere com o coração
As pessoas impacientes e irascíveis podem ter problemas de relacionamento com os outros, mas não correm mais risco de sofrer ataques cardíacos, revela um estudo inédito internacional, em que participou um investigador português.
Nesta investigação, os cientistas analisaram mais de seis mil pessoas entre os 14 e os 102 anos, estudaram a relação entre a personalidade e as doenças coronárias e concluíram que os calmos não estão mais a salvo de ter um ataque cardíaco do que os que se irritam facilmente.
Esta conclusão pode parecer surpreendente, na medida em que algumas pessoas sofrem ataques cardíacos quando fazem um esforço físico suplementar ou atravessam uma situação de tensão.
Porém, tal deve-se a problemas coronários já existentes e não ao facto de a pessoa ter uma natureza tranquila ou agitada, revela o estudo publicado na edição deste mês da revista norte-americana "Public Library of Science Genetics".
Assim, a investigação deve deixar mais aliviados os indivíduos com personalidade de "tipo A", caracterizada pela impaciência, competitividade e facilidade para o aborrecimento.
Após uma análise exaustiva da saúde e do comportamento de 6.148 pessoas, os investigadores concluíram que as pessoas às quais incham as veias e ferve o sangue quando estão presas nas filas de trânsito, quando a sua equipa de futebol perde ou quando são contrariadas não correm mais risco do que os calmos de ter uma paragem cardíaca.
"Uma pessoa que se chateia mais frequentemente não tem maior probabilidade de sofrer um ataque de coração", resume o investigador português Gonçalo Abecasis, professor da Universidade de Michigan, que participou na elaboração do estudo.
Os cientistas descobriram que os genes que exercem influência sobre o comportamento são diferentes dos que afectam as funções cardiovasculares, pelo que não existe um vínculo biológico entre ambos.
Esta conclusão contradiz alguns estudos anteriores, sobretudo um realizado nos anos 50, que define o tipo de personalidade A e lança a hipótese de que essa classe de pessoas tem mais probabilidades de sofrer um ataque de coração. Esses investigadores tentaram provar a sua tese através da análise de 166 homens de tipo A (os agressivos) e B (os tranquilos), mas as suas conclusões foram criticadas porque os A fumavam mais do que os B, e o tabaco é uma causa directa de problemas vasculares.
Estudos posteriores chegaram a resultados contraditórios, tendo o número de participantes sido sempre pequeno.
Neste estudo agora publicado, uma equipa de 20 cientistas escolheu quatro povos da ilha mediterrânica da Sardenha para analisar a influência dos genes na vida do ser humano.
As pessoas impacientes e irascíveis podem ter problemas de relacionamento com os outros, mas não correm mais risco de sofrer ataques cardíacos, revela um estudo inédito internacional, em que participou um investigador português.
Nesta investigação, os cientistas analisaram mais de seis mil pessoas entre os 14 e os 102 anos, estudaram a relação entre a personalidade e as doenças coronárias e concluíram que os calmos não estão mais a salvo de ter um ataque cardíaco do que os que se irritam facilmente.
Esta conclusão pode parecer surpreendente, na medida em que algumas pessoas sofrem ataques cardíacos quando fazem um esforço físico suplementar ou atravessam uma situação de tensão.
Porém, tal deve-se a problemas coronários já existentes e não ao facto de a pessoa ter uma natureza tranquila ou agitada, revela o estudo publicado na edição deste mês da revista norte-americana "Public Library of Science Genetics".
Assim, a investigação deve deixar mais aliviados os indivíduos com personalidade de "tipo A", caracterizada pela impaciência, competitividade e facilidade para o aborrecimento.
Após uma análise exaustiva da saúde e do comportamento de 6.148 pessoas, os investigadores concluíram que as pessoas às quais incham as veias e ferve o sangue quando estão presas nas filas de trânsito, quando a sua equipa de futebol perde ou quando são contrariadas não correm mais risco do que os calmos de ter uma paragem cardíaca.
"Uma pessoa que se chateia mais frequentemente não tem maior probabilidade de sofrer um ataque de coração", resume o investigador português Gonçalo Abecasis, professor da Universidade de Michigan, que participou na elaboração do estudo.
Os cientistas descobriram que os genes que exercem influência sobre o comportamento são diferentes dos que afectam as funções cardiovasculares, pelo que não existe um vínculo biológico entre ambos.
Esta conclusão contradiz alguns estudos anteriores, sobretudo um realizado nos anos 50, que define o tipo de personalidade A e lança a hipótese de que essa classe de pessoas tem mais probabilidades de sofrer um ataque de coração. Esses investigadores tentaram provar a sua tese através da análise de 166 homens de tipo A (os agressivos) e B (os tranquilos), mas as suas conclusões foram criticadas porque os A fumavam mais do que os B, e o tabaco é uma causa directa de problemas vasculares.
Estudos posteriores chegaram a resultados contraditórios, tendo o número de participantes sido sempre pequeno.
Neste estudo agora publicado, uma equipa de 20 cientistas escolheu quatro povos da ilha mediterrânica da Sardenha para analisar a influência dos genes na vida do ser humano.
quinta-feira, agosto 31, 2006
A reboque da Angie:).
É verdade - prefiro a rádio, sobretudo nocturna. Porque a palavra e o significado reinam, ao abrigo das tropelias do olhar, sempre volúvel:). Não sei se calar a televisão foi um lapso freudiano, mas cálculo não, seguramente. Se um projecto me agradar, voltarei ao ecrã com prazer, mas confesso que câmaras, luzes e maquilhagem não me despertam tanto carinho como microfones, auscultadores e pernas em cima da mesa, moldura ideal para amena cavaqueira.
segunda-feira, agosto 28, 2006
À falta de barro e costelas:).
"Vou fazer-te existir na realidade da minha palavra. Da minha imaginação."
Vergílio Ferreira, Para Sempre.
Vergílio Ferreira, Para Sempre.
domingo, agosto 27, 2006
Esclarecimento.
Lamento, não fui claro:(. O vazio educacional de que falava era ao nível da educação (sexual). Sou 200% a favor da pílula do dia seguinte, mas não como método contraceptivo "habitual", "normal", "inócuo". Acresce que sou psiquiatra: preocupam-me os mecanismos de defesa que permitem a negação da responsabilidade erótica. Esta não compromete o romantismo, a espontaneidade, o desejo. Limita-se a assumi-los, carago!:).
sábado, agosto 26, 2006
Breve.
A evolução dos números referentes à utilização da pílula do dia seguinte é deprimente. Pelo que traduz de vazio educacional, de recusa em assumir o planeamento da vida erótica, de opção por uma via considerada mais fácil e sem consequências. Alguns preferirão apostrofar a decadência moral em vez de enfrentar o problema. É pena. E é perigoso...
quinta-feira, agosto 24, 2006
Que assim seja!
Investigação: Mais reacções positivas
A comunidade científica está satisfeita com a descoberta sobre a produção de células estaminais.
24/08/2006
(12:53) De recordar que cientistas norte-americanos desenvolveram uma forma de produzir células estaminais sem destruir os embriões.
Para Raquel Almeida, investigadora do IPATIMUP - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto -, estes avanços poderão eventualmente fazer desaparecer os obstáculos à utilização de células, o que pode ajudar na pesquisa e tratamento de algumas doenças como Alzheimer, Parkinson ou problemas cardíacos.
"Vai permitir que a objecção à utilização linhas celulares de células estaminais, eventualmente, possa ser ultrapassada e se possa passar a fazer investigação em linhas celulares de células estaminais de forma mais fácil, mais pessoas possam utilizar linhas celulares de células estaminais", disse.
Também Mário de Sousa, especialista em medicina da reprodução e que há anos investiga a cultura de tecidos, nomeadamente no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), onde é docente, não hesita em classificar a descoberta como "uma revolução".
Já o geneticista Carolino Monteiro considerou que produzir células estaminais embrionárias sem destruir o embrião é uma "descoberta importante" porque escapa às questões éticas, dando mais um passo na direcção da terapêutica de doenças sem cura.
A comunidade científica está satisfeita com a descoberta sobre a produção de células estaminais.
24/08/2006
(12:53) De recordar que cientistas norte-americanos desenvolveram uma forma de produzir células estaminais sem destruir os embriões.
Para Raquel Almeida, investigadora do IPATIMUP - Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto -, estes avanços poderão eventualmente fazer desaparecer os obstáculos à utilização de células, o que pode ajudar na pesquisa e tratamento de algumas doenças como Alzheimer, Parkinson ou problemas cardíacos.
"Vai permitir que a objecção à utilização linhas celulares de células estaminais, eventualmente, possa ser ultrapassada e se possa passar a fazer investigação em linhas celulares de células estaminais de forma mais fácil, mais pessoas possam utilizar linhas celulares de células estaminais", disse.
Também Mário de Sousa, especialista em medicina da reprodução e que há anos investiga a cultura de tecidos, nomeadamente no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), onde é docente, não hesita em classificar a descoberta como "uma revolução".
Já o geneticista Carolino Monteiro considerou que produzir células estaminais embrionárias sem destruir o embrião é uma "descoberta importante" porque escapa às questões éticas, dando mais um passo na direcção da terapêutica de doenças sem cura.
quarta-feira, agosto 23, 2006
Ainda Grass.
Os juízes de Günter Grass
Diogo Pires Aurélio
Professor universitário
Uma certa "inteligência" abateu-se, justiceira, sobre Günter Grass, no dia em que este, antecipando a sua autobiografia, confessou a um jornal ter pertencido, na adolescência, às Waffen SS, uma força de elite das tropas hitlerianas. O libelo acusatório tem vindo a crescer. Primeiro, foi o crime de haver integrado tais milícias. Segue-se o ter, durante toda a vida, mantido silêncio a esse respeito, coisa imperdoável em alguém que acusava o povo alemão de não se querer confrontar com o passado recente. Por fim, vem o ter aguardado que lhe dessem o Nobel para fazer a revelação da ignomínia: no entender dos novos cátaros, a obra jamais justificaria o prémio se não fosse esse apêndice, tão caro aos académicos de Estocolmo quanto alheio à literatura, que é o facto de o autor estar ligado a "causas", ainda por cima de esquerda.
O processo já teve eco em toda a Europa, inclusive aqui, e é algo deprimente. À direita, aproveita-se para desancar, por grosso, todo o percurso político de Günter Grass, desde as SS ao pacifismo antiamericano, passando pela militância social-democrata, como se fosse tudo a mesma coisa. À es- querda, condena-se-lhe a falta de transparência, num tempo em que o ter de se "assumir" virou mandamento, sobretudo para quem invocou a moral possível a seguir a uma guerra que fazia crer ser impossível voltar a pensar qualquer valor universal. Pelo meio, há ainda o ressentimento e o mero cretinismo, que não lhe perdoam o sucesso e que reduzem o episódio a uma operação de promoção. Gente que dá erros de ortografia, mas que não se coíbe de cacarejar sentenças sobre o estilo de Grass.
As opiniões políticas do romancista interessam-me pouco. Julgo que teve algum papel na Alemanha dos anos 60 e 70, ao lado de Willy Brandt, mas que, a partir da chamada crise dos mísseis, se colocou sistematicamente do lado errado. A sua adolescência nazi é, obviamente, um pesadelo de que talvez já não consiga libertar-se e uma culpa que só agora foi capaz de confessar. Não sei se terá perdão, sobretudo por parte dos que foram vítimas das SS. Mas sei duas coisas simples. Sei que as ideias que ele sustentou não ficaram piores nem melhores por se saber a dimensão do recalcamento que tinham por lastro. E sei, sobretudo, que não trocaria uma página d'O Tambor pelas obras completas de nenhum dos seus críticos.
P.S. Também eu considero a obra digna do Nobel e ponto final. Para quem acarretava este segredo, acho que apostrofou de mais a recusa de outros à memória, embora o psi compreenda o mecanismo (in)consciente. Já quanto ao timing da revelação..., enfim, sou um céptico.
P.S.2 - A referência aos cátaros, como é óbvio, deliciou-me:).
Diogo Pires Aurélio
Professor universitário
Uma certa "inteligência" abateu-se, justiceira, sobre Günter Grass, no dia em que este, antecipando a sua autobiografia, confessou a um jornal ter pertencido, na adolescência, às Waffen SS, uma força de elite das tropas hitlerianas. O libelo acusatório tem vindo a crescer. Primeiro, foi o crime de haver integrado tais milícias. Segue-se o ter, durante toda a vida, mantido silêncio a esse respeito, coisa imperdoável em alguém que acusava o povo alemão de não se querer confrontar com o passado recente. Por fim, vem o ter aguardado que lhe dessem o Nobel para fazer a revelação da ignomínia: no entender dos novos cátaros, a obra jamais justificaria o prémio se não fosse esse apêndice, tão caro aos académicos de Estocolmo quanto alheio à literatura, que é o facto de o autor estar ligado a "causas", ainda por cima de esquerda.
O processo já teve eco em toda a Europa, inclusive aqui, e é algo deprimente. À direita, aproveita-se para desancar, por grosso, todo o percurso político de Günter Grass, desde as SS ao pacifismo antiamericano, passando pela militância social-democrata, como se fosse tudo a mesma coisa. À es- querda, condena-se-lhe a falta de transparência, num tempo em que o ter de se "assumir" virou mandamento, sobretudo para quem invocou a moral possível a seguir a uma guerra que fazia crer ser impossível voltar a pensar qualquer valor universal. Pelo meio, há ainda o ressentimento e o mero cretinismo, que não lhe perdoam o sucesso e que reduzem o episódio a uma operação de promoção. Gente que dá erros de ortografia, mas que não se coíbe de cacarejar sentenças sobre o estilo de Grass.
As opiniões políticas do romancista interessam-me pouco. Julgo que teve algum papel na Alemanha dos anos 60 e 70, ao lado de Willy Brandt, mas que, a partir da chamada crise dos mísseis, se colocou sistematicamente do lado errado. A sua adolescência nazi é, obviamente, um pesadelo de que talvez já não consiga libertar-se e uma culpa que só agora foi capaz de confessar. Não sei se terá perdão, sobretudo por parte dos que foram vítimas das SS. Mas sei duas coisas simples. Sei que as ideias que ele sustentou não ficaram piores nem melhores por se saber a dimensão do recalcamento que tinham por lastro. E sei, sobretudo, que não trocaria uma página d'O Tambor pelas obras completas de nenhum dos seus críticos.
P.S. Também eu considero a obra digna do Nobel e ponto final. Para quem acarretava este segredo, acho que apostrofou de mais a recusa de outros à memória, embora o psi compreenda o mecanismo (in)consciente. Já quanto ao timing da revelação..., enfim, sou um céptico.
P.S.2 - A referência aos cátaros, como é óbvio, deliciou-me:).
Lamechice.
Já sei que nos limitámos a cumprir a nossa obrigação, mas foi muito bom ver a alegria do Rui Costa e a resposta do Estádio inteiro:). Sou um sentimentalão incorrigível:(.
segunda-feira, agosto 21, 2006
Da mesma obra.
Porque o bom professor não é aquele que sabe muito, mas sim aquele que sabe ensinar muito.
domingo, agosto 20, 2006
O machismo no seu melhor:).
"Eu não gostava de Dorita a não ser por ser mulher. E já se sabe, que, com as mulheres, onde não há desejo é suficiente a ocasião."
Luis Landero, O Guitarrista.
P.S. Este tipo de mensagem cultural enche os sexólogos de clientes, sobretudo quando se debatem com os rituais de passagem para o que julgam ser a adultícia macha...
Luis Landero, O Guitarrista.
P.S. Este tipo de mensagem cultural enche os sexólogos de clientes, sobretudo quando se debatem com os rituais de passagem para o que julgam ser a adultícia macha...
sexta-feira, agosto 18, 2006
Se não foi golpe publicitário..., pareceu!
Lech Walesa furioso com Gunter Grass
2006/08/18 | 16:21
Antigo presidente polaco recusa partilhar título de cidadão honorário de Gdansk com o escritor, que disse ter pertencido às SS nazis
O antigo presidente polaco Lech Walesa ameaçou esta sexta-feira renunciar ao título de cidadão honorário de Gdansk para não partilhar a distinção com o escritor alemão Gunter Grass, que confessou há uma semana ter pertencido às SS nazis, tendo ingressado em 1945, com 17 anos.
«É preciso que esta situação seja esclarecida. Sem essas explicações, eu próprio renunciarei à cidadania e não poderei ficar na companhia do senhor Grass», disse Walesa à cadeia de televisão privada TVN24.
«Será difícil cumprimentar um homem das SS que contribuiu para morte do meu pai e de outras pessoas, e para a destruição de Gdansk. Foi aqui que a guerra começou», em 1939, acrescentou.
Gunter Grass nasceu em 1927 em Gdansk, uma cidade que na altura se cham ava Dantzig e era maioritariamente habitada por alemães. Segundo Lech Walesa, o escritor alemão, galardoado em 1999 com o Prémio Nobel da Literatura, «não teria recebido o título de cidadão honorário de Gdansk se o seu passado nas SS fosse conhecido». «Foi a outro Grass que demos o título», disse.
Segundo a Lusa, o antigo presidente polaco e Nobel da Paz acusou Gunter Grass de «querer fazer publicidade» em torno da sua autobiografia, «Ao Descascar a Cebola», cuja primeira edição, lançada quarta-feira passada, esgotou em apenas um dia. «Ele queria vender o seu livro e vê-se que vendeu bem, porque já está a ser preparada uma segunda edição», afirmou.
«Posso compreender as confissões de um ponto de vista cristão. É preciso compreender as pessoas, ajudá-las. Mas se as pessoas querem fazer publicidade, não quero participar nisso», acrescentou.
2006/08/18 | 16:21
Antigo presidente polaco recusa partilhar título de cidadão honorário de Gdansk com o escritor, que disse ter pertencido às SS nazis
O antigo presidente polaco Lech Walesa ameaçou esta sexta-feira renunciar ao título de cidadão honorário de Gdansk para não partilhar a distinção com o escritor alemão Gunter Grass, que confessou há uma semana ter pertencido às SS nazis, tendo ingressado em 1945, com 17 anos.
«É preciso que esta situação seja esclarecida. Sem essas explicações, eu próprio renunciarei à cidadania e não poderei ficar na companhia do senhor Grass», disse Walesa à cadeia de televisão privada TVN24.
«Será difícil cumprimentar um homem das SS que contribuiu para morte do meu pai e de outras pessoas, e para a destruição de Gdansk. Foi aqui que a guerra começou», em 1939, acrescentou.
Gunter Grass nasceu em 1927 em Gdansk, uma cidade que na altura se cham ava Dantzig e era maioritariamente habitada por alemães. Segundo Lech Walesa, o escritor alemão, galardoado em 1999 com o Prémio Nobel da Literatura, «não teria recebido o título de cidadão honorário de Gdansk se o seu passado nas SS fosse conhecido». «Foi a outro Grass que demos o título», disse.
Segundo a Lusa, o antigo presidente polaco e Nobel da Paz acusou Gunter Grass de «querer fazer publicidade» em torno da sua autobiografia, «Ao Descascar a Cebola», cuja primeira edição, lançada quarta-feira passada, esgotou em apenas um dia. «Ele queria vender o seu livro e vê-se que vendeu bem, porque já está a ser preparada uma segunda edição», afirmou.
«Posso compreender as confissões de um ponto de vista cristão. É preciso compreender as pessoas, ajudá-las. Mas se as pessoas querem fazer publicidade, não quero participar nisso», acrescentou.
domingo, agosto 13, 2006
Sem modificação dos papéis de género interiorizados por cada sexo, nada feito:(.
Crim E 50 mulheres mortas por companheiros em dois anos
Nuno Miguel Maia
crim E 50 mulheres mortas por companheiros em dois anos
Em apenas quatro dias do que se leva do mês de Agosto, o país foi surpreendido com a morte de três mulheres às mãos dos seus companheiros e com uma outra tentativa falhada de homicídio. O ciúme é o fio que une quase todos os casos. A surpresa, porém, só pode resultar do facto de um tema como estes não dar lugar a um debate que os números claramente reclamam nos últimos dois anos, cerca de 50 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros e registaram-se 37 tentativas de homicídio. As histórias de vida contadas na página seguinte de três víitimas ajudam a perceber os motivos da matança.
De resto, o número de queixas por violência doméstica tem vindo a crescer de ano para ano, segundo dados da PSP e da GNR. Só que isso não significa que tenham aumentado os incidentes de agressões entre os casais. Elza Pais, presidente da Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica (EMCVD), acredita que Portugal está perante o "destapar de um iceberg". A crescente visibilidade do assunto tem encorajado as mulheres a denunciarem o que se passa dentro das paredes de casa.
Crime público
"A sistematização da resposta junto das autoridades também terá contribuído para o aumento de denúncias. Mas é preciso ver que, desde 2000, o crime passou a ser público, não dependendo de queixa", refere ao JN a professora universitária, líder de uma comissão sob tutela conjunta da Presidência do Conselho de Ministros e do Ministério da Segurança Social.
O fenómeno do homicídio conjugal é o "extremo no âmbito da violência doméstica" e um estado que o Governo procura atacar preventivamente. No âmbito do Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, iniciado em 2003 e que termina no final do corrente ano, estão já implantados núcleos de atendimento a vítimas em metade do território nacional - Bragança e Viseu são as últimas inaugurações - e também já funcionam 32 casas de acolhimento. Que, no ano passado, receberam 900 pessoas, entre mulheres e filhos alvo de violência.
Duas motivações
Autora de uma tese de mestrado precisamente sobre homicídios conjugais, Elza Pais, chegou à conclusão de que, em 1998, esta tipificação de crime significou "15 por cento" do total de homicídios. Quanto às motivações dos crimes, existem duas justificações principais "Ou são casos de agressões continuadas, por vezes durante anos, com todos os tipos de violência que começam até antes do casamento e terminam com a morte da vítima. Ou são casos em que os agressores não toleram que as vítimas os abandonem, por vezes devido precisamente a agressões. Vários casos de homicídios conjugais acontecem já depois do fim do casamento", explica Elza Pais, reforçando que, precisamente, para os casos de maior perigo, é que existem as casas de abrigo. "Esta medida é tomada com grande ponderação, porque obriga à desinserção das vítimas do local onde residem.
Em preparação, além do balanço quanto ao plano contra a violência doméstica que vigorou desde 2006, está a o terceiro plano. A também líder da Comissão para a Igualdade e Defesa das Mulheres adianta que os planos estão a ser delineados com vista a um "maior envolvimento" por parte das organizações não-governamentais, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, por exemplo. Tudo para que a intervenção contra a violência doméstica seja menos política e mais comunitária.
PS e GNR com normas
Desde Janeiro que a PSP e a GNR têm de cumprir o designado "estatuto processual da vítima", quando recebem pessoas afectadas por violência doméstica. Trata-de normas de comportamento das autoridades perante este tipo de casos.
Prevenção nas escolas
A EMCVD está a promover junto das escolas, desde Junho passado, a exibição de um vídeo com um teatro alusivo à violência doméstica. Trata-se de uma experiência construída num agrupamento escolar de Setúbal que visa contribuir para a discussão e sensibilização, entre os menores, sobre o tema. A iniciativa em Setúbal terá já contribuído para um aumento de denúncias, por parte de crianças.
Alterações
O projecto de alterações ao Código Penal em discussão no Parlamento cria o crime de violência doméstica, alargando o conceito de maus-tratos a cônjuges aos namorados e a outras pessoas que vivam em economia comum. As penas podem ir até aos 10 anos de prisão.
Casas de abrigo
Existem, neste momento, espalhadas pelo país, um total de 32 casas de abrigo destinadas a vítimas de violência doméstica. De acordo com a EMCVM, no ano passado cerca de 900 pessoas passaram por aquelas estruturas de acolhimento, que podem ser geridas por entidades não directamente dependentes do Governo.
Radiografia em curso
No final do ano deverá estar concluído um estudo encomendado pela EMCVM com vista a "tirar uma radiografia e perceber a dimensão real e actual" sobre a violência doméstica, que inclui também a violência psicológica, esta muito mais difícil de quantificar, diz Elza Pais. Em preparação está um terceiro Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, de 2007 até 2010.
Nuno Miguel Maia
crim E 50 mulheres mortas por companheiros em dois anos
Em apenas quatro dias do que se leva do mês de Agosto, o país foi surpreendido com a morte de três mulheres às mãos dos seus companheiros e com uma outra tentativa falhada de homicídio. O ciúme é o fio que une quase todos os casos. A surpresa, porém, só pode resultar do facto de um tema como estes não dar lugar a um debate que os números claramente reclamam nos últimos dois anos, cerca de 50 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros e registaram-se 37 tentativas de homicídio. As histórias de vida contadas na página seguinte de três víitimas ajudam a perceber os motivos da matança.
De resto, o número de queixas por violência doméstica tem vindo a crescer de ano para ano, segundo dados da PSP e da GNR. Só que isso não significa que tenham aumentado os incidentes de agressões entre os casais. Elza Pais, presidente da Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica (EMCVD), acredita que Portugal está perante o "destapar de um iceberg". A crescente visibilidade do assunto tem encorajado as mulheres a denunciarem o que se passa dentro das paredes de casa.
Crime público
"A sistematização da resposta junto das autoridades também terá contribuído para o aumento de denúncias. Mas é preciso ver que, desde 2000, o crime passou a ser público, não dependendo de queixa", refere ao JN a professora universitária, líder de uma comissão sob tutela conjunta da Presidência do Conselho de Ministros e do Ministério da Segurança Social.
O fenómeno do homicídio conjugal é o "extremo no âmbito da violência doméstica" e um estado que o Governo procura atacar preventivamente. No âmbito do Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, iniciado em 2003 e que termina no final do corrente ano, estão já implantados núcleos de atendimento a vítimas em metade do território nacional - Bragança e Viseu são as últimas inaugurações - e também já funcionam 32 casas de acolhimento. Que, no ano passado, receberam 900 pessoas, entre mulheres e filhos alvo de violência.
Duas motivações
Autora de uma tese de mestrado precisamente sobre homicídios conjugais, Elza Pais, chegou à conclusão de que, em 1998, esta tipificação de crime significou "15 por cento" do total de homicídios. Quanto às motivações dos crimes, existem duas justificações principais "Ou são casos de agressões continuadas, por vezes durante anos, com todos os tipos de violência que começam até antes do casamento e terminam com a morte da vítima. Ou são casos em que os agressores não toleram que as vítimas os abandonem, por vezes devido precisamente a agressões. Vários casos de homicídios conjugais acontecem já depois do fim do casamento", explica Elza Pais, reforçando que, precisamente, para os casos de maior perigo, é que existem as casas de abrigo. "Esta medida é tomada com grande ponderação, porque obriga à desinserção das vítimas do local onde residem.
Em preparação, além do balanço quanto ao plano contra a violência doméstica que vigorou desde 2006, está a o terceiro plano. A também líder da Comissão para a Igualdade e Defesa das Mulheres adianta que os planos estão a ser delineados com vista a um "maior envolvimento" por parte das organizações não-governamentais, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, por exemplo. Tudo para que a intervenção contra a violência doméstica seja menos política e mais comunitária.
PS e GNR com normas
Desde Janeiro que a PSP e a GNR têm de cumprir o designado "estatuto processual da vítima", quando recebem pessoas afectadas por violência doméstica. Trata-de normas de comportamento das autoridades perante este tipo de casos.
Prevenção nas escolas
A EMCVD está a promover junto das escolas, desde Junho passado, a exibição de um vídeo com um teatro alusivo à violência doméstica. Trata-se de uma experiência construída num agrupamento escolar de Setúbal que visa contribuir para a discussão e sensibilização, entre os menores, sobre o tema. A iniciativa em Setúbal terá já contribuído para um aumento de denúncias, por parte de crianças.
Alterações
O projecto de alterações ao Código Penal em discussão no Parlamento cria o crime de violência doméstica, alargando o conceito de maus-tratos a cônjuges aos namorados e a outras pessoas que vivam em economia comum. As penas podem ir até aos 10 anos de prisão.
Casas de abrigo
Existem, neste momento, espalhadas pelo país, um total de 32 casas de abrigo destinadas a vítimas de violência doméstica. De acordo com a EMCVM, no ano passado cerca de 900 pessoas passaram por aquelas estruturas de acolhimento, que podem ser geridas por entidades não directamente dependentes do Governo.
Radiografia em curso
No final do ano deverá estar concluído um estudo encomendado pela EMCVM com vista a "tirar uma radiografia e perceber a dimensão real e actual" sobre a violência doméstica, que inclui também a violência psicológica, esta muito mais difícil de quantificar, diz Elza Pais. Em preparação está um terceiro Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, de 2007 até 2010.
sábado, agosto 12, 2006
Pois, o jardim à beira-mar plantado com os seus brandos costumes...
A morte das mulheres
António Costa Pinto
Professor universitário acpinto53@hotmail.com
Já sabemos há muito que o crime "passional" é uma prática favorita dos homens portugueses e os números estão aí para o ilustrar, mas de vez em quando a sequência é horripilante. Segundo comunicado da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, em quatro dias de Agosto tivemos três assassínios e uma tentativa do mesmo, entre 11 facadas e uns tiros a tempo. As idades das vítimas andavam entre 26 e 74 anos. As localidades também dizem qualquer coisa. Começamos por Alcobaça, subimos à Anadia e terminamos entre Mira de Aire e Mirandela.
A publicitação destes crimes é neste caso de grande importância, pois elimina o estereótipo, herdado do salazarismo, do pacífico e cordato povo português, incapaz da violência societal dos vizinhos do lado. A verdade nunca foi essa, muito embora a censura nos desse a imagem de "paraíso triste". Qualquer consulta aos relatórios do que a comissão de censura "cortava", ou às estatísticas policiais, ilustra rapidamente a violência explícita de muitos sectores da sociedade portuguesa. Mesmo com o controlo social da Igreja Católica, hoje mais desvanecido, a sociedade rural do passado não era flor que se cheirasse e parte da urbana também não.
Os sociólogos especialistas do fenómeno encontrarão certamente grupos de risco privilegiados. Os mais moralistas dirão que ele é característico de todas as classes sociais. Os mais atentos às estatísticas declaradas encontram neste meio rural- -urbano em mobilidade social e com uma das maiores taxas de participação das mulheres no mercado de trabalho uma parte da explicação. Depois vem a escolaridade, no geral mais baixa, dos actores destes crimes mais violentos. A seguir o alcoolismo, que deve pesar certamente. Depois a conjuntura de divórcio ou ameaça de separação. Mas o sinistro é que a violência doméstica continua a ser a causa do maior número de mortes de mulheres em Por-tugal, entre os 16 e os 44 anos, como salientava o plano de combate à violência doméstica do Governo anterior.
Como os factores societais não vão mudar amanhã, o que é que se poderá fazer para além da prevenção e das campanhas de sensibilização? Aqui até os liberais de direita pedirão ao Estado que esteja mais presente e à justiça menos relativismo desculpabilizador na condenação.
António Costa Pinto
Professor universitário acpinto53@hotmail.com
Já sabemos há muito que o crime "passional" é uma prática favorita dos homens portugueses e os números estão aí para o ilustrar, mas de vez em quando a sequência é horripilante. Segundo comunicado da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, em quatro dias de Agosto tivemos três assassínios e uma tentativa do mesmo, entre 11 facadas e uns tiros a tempo. As idades das vítimas andavam entre 26 e 74 anos. As localidades também dizem qualquer coisa. Começamos por Alcobaça, subimos à Anadia e terminamos entre Mira de Aire e Mirandela.
A publicitação destes crimes é neste caso de grande importância, pois elimina o estereótipo, herdado do salazarismo, do pacífico e cordato povo português, incapaz da violência societal dos vizinhos do lado. A verdade nunca foi essa, muito embora a censura nos desse a imagem de "paraíso triste". Qualquer consulta aos relatórios do que a comissão de censura "cortava", ou às estatísticas policiais, ilustra rapidamente a violência explícita de muitos sectores da sociedade portuguesa. Mesmo com o controlo social da Igreja Católica, hoje mais desvanecido, a sociedade rural do passado não era flor que se cheirasse e parte da urbana também não.
Os sociólogos especialistas do fenómeno encontrarão certamente grupos de risco privilegiados. Os mais moralistas dirão que ele é característico de todas as classes sociais. Os mais atentos às estatísticas declaradas encontram neste meio rural- -urbano em mobilidade social e com uma das maiores taxas de participação das mulheres no mercado de trabalho uma parte da explicação. Depois vem a escolaridade, no geral mais baixa, dos actores destes crimes mais violentos. A seguir o alcoolismo, que deve pesar certamente. Depois a conjuntura de divórcio ou ameaça de separação. Mas o sinistro é que a violência doméstica continua a ser a causa do maior número de mortes de mulheres em Por-tugal, entre os 16 e os 44 anos, como salientava o plano de combate à violência doméstica do Governo anterior.
Como os factores societais não vão mudar amanhã, o que é que se poderá fazer para além da prevenção e das campanhas de sensibilização? Aqui até os liberais de direita pedirão ao Estado que esteja mais presente e à justiça menos relativismo desculpabilizador na condenação.
quinta-feira, agosto 10, 2006
Para desanuviar o ambiente:).
«Aqui não há bufos»
2006/08/10 | 11:51
Jardim apela a empresários para transferirem o domícilio fiscal para a Madeira
MAIS:
Jardim pode fazer isso?
Jardim proíbe lista de devedores
«Quem fez a revolução contra Salazar foram os madeirenses e não aqueles maricas»
Governo está a levar Portugal «para o abismo»
Alberto João Jardim apela «aos empresários do Continente que não estejam satisfeitos com aquilo que lá se passa para transferirem o seu domícilio fiscal para a Região Autónoma da Madeira. Aqui nem sequer há bufos», afirmou.
Segundo o DN, Jardim garante sigilo fiscal, já que, na Madeira, ninguém corre o risco de ver o nome incluído em listas publicadas na comunicação social «como querem os socialistas», que é «voltar ao gonçalvismo».
Para Jardim, «a Madeira reúne todas as condições para que as empresas que o desejem transfiram para a Madeira o seu domicílio fiscal». A Madeira pratica uma tabela de impostos «no limite mínimo que a lei portuguesa, ainda, nos permite mas já é alguma diferença» quando comparada com os valores em vigor no restante território nacional (excepção para os Açores).
Em termos de IRC, a Madeira cobra 22,5 por cento enquanto no Continente atinge os 25 por cento. O IVA varia entre os 15 por cento, 8 por cento e 4 por cento na região contra 21 por cento, 12 por cento e 5 por cento aplicados de norte a sul do País. No IRS a diferença representa menos 6 pontos percentuais no escalão máximo.
2006/08/10 | 11:51
Jardim apela a empresários para transferirem o domícilio fiscal para a Madeira
MAIS:
Jardim pode fazer isso?
Jardim proíbe lista de devedores
«Quem fez a revolução contra Salazar foram os madeirenses e não aqueles maricas»
Governo está a levar Portugal «para o abismo»
Alberto João Jardim apela «aos empresários do Continente que não estejam satisfeitos com aquilo que lá se passa para transferirem o seu domícilio fiscal para a Região Autónoma da Madeira. Aqui nem sequer há bufos», afirmou.
Segundo o DN, Jardim garante sigilo fiscal, já que, na Madeira, ninguém corre o risco de ver o nome incluído em listas publicadas na comunicação social «como querem os socialistas», que é «voltar ao gonçalvismo».
Para Jardim, «a Madeira reúne todas as condições para que as empresas que o desejem transfiram para a Madeira o seu domicílio fiscal». A Madeira pratica uma tabela de impostos «no limite mínimo que a lei portuguesa, ainda, nos permite mas já é alguma diferença» quando comparada com os valores em vigor no restante território nacional (excepção para os Açores).
Em termos de IRC, a Madeira cobra 22,5 por cento enquanto no Continente atinge os 25 por cento. O IVA varia entre os 15 por cento, 8 por cento e 4 por cento na região contra 21 por cento, 12 por cento e 5 por cento aplicados de norte a sul do País. No IRS a diferença representa menos 6 pontos percentuais no escalão máximo.
Sou alérgico a notícias destas:(.
Investigação: Estudo associa alergias a Parkinson
As pessoas alérgicas aos ácaros e aos animais domésticos correm três vezes mais riscos de contrair a doença de Parkinson,indica um estudo publicado pela revista norte-americana "Neurology".
10/08/2006
(10:10) Segundo os investigadores da Clínica Mayo de Rochester (EUA), quem sofre de rinite alérgica - uma inflamação nasal causada pelo contacto com pó, ácaros ou escamas da pele de animais domésticos - parece ter mais probabilidades de contrair aquela doença degenerativa.
O estudo, que se prolongou por 20 anos, centrou-se em 196 pacientes que contraíram Parkinson e num número semelhante de pessoas da mesma idade e género sem sintomas da doença.
Segundo as conclusões dos investigadores, os pacientes com Parkinson que tinham sofrido anteriormente de rinite alérgica corriam 2,9 vezes mais riscos de desenvolver aquela doença do que os outros.
Não foi encontrada nenhuma ligação semelhante com outras doenças inflamatórias, como o lúpus ou a artrite reumatóide, embora isso possa dever-se, segundo os autores do estudo, ao número relativamente pequeno de pacientes com esses problemas na amostra em estudo.
Na perspectiva do neurologista James Brower, autor do trabalho, quem sofre de rinite alérgica "gera uma resposta imunológica às suas alergias e pode gerar também uma resposta imunológica no cérebro, o que produziria inflamação".
Essa inflamação, explicou, "pode libertar certas substâncias químicas no cérebro e, inadvertidamente, matar neurónios, como acontece na doença de Parkinson".
As pessoas alérgicas aos ácaros e aos animais domésticos correm três vezes mais riscos de contrair a doença de Parkinson,indica um estudo publicado pela revista norte-americana "Neurology".
10/08/2006
(10:10) Segundo os investigadores da Clínica Mayo de Rochester (EUA), quem sofre de rinite alérgica - uma inflamação nasal causada pelo contacto com pó, ácaros ou escamas da pele de animais domésticos - parece ter mais probabilidades de contrair aquela doença degenerativa.
O estudo, que se prolongou por 20 anos, centrou-se em 196 pacientes que contraíram Parkinson e num número semelhante de pessoas da mesma idade e género sem sintomas da doença.
Segundo as conclusões dos investigadores, os pacientes com Parkinson que tinham sofrido anteriormente de rinite alérgica corriam 2,9 vezes mais riscos de desenvolver aquela doença do que os outros.
Não foi encontrada nenhuma ligação semelhante com outras doenças inflamatórias, como o lúpus ou a artrite reumatóide, embora isso possa dever-se, segundo os autores do estudo, ao número relativamente pequeno de pacientes com esses problemas na amostra em estudo.
Na perspectiva do neurologista James Brower, autor do trabalho, quem sofre de rinite alérgica "gera uma resposta imunológica às suas alergias e pode gerar também uma resposta imunológica no cérebro, o que produziria inflamação".
Essa inflamação, explicou, "pode libertar certas substâncias químicas no cérebro e, inadvertidamente, matar neurónios, como acontece na doença de Parkinson".
quarta-feira, agosto 09, 2006
Confessem lá se fazem parte dos 250 milhões:).
Lucros da pornografia ultrapassam os de Hollywood
Os estúdios de filmes pornográficos norte-americanos têm mais lucros que a indústria de Hollywood.
Nos dados da Industria Cinematográfica Porno dos Estados Unidos da América (EUA), os filmes pornográficos para adultos têm mais saída que os filmes convencionais de Hollywood.
Os americanos gastam dez mil milhões de dólares anuais em bilhetes para assistir a filmes pornográficos.
Os Estados Unidos são os maiores produtores deste género cinematográfico no mundo. O núcleo mais consumista situa-se em San Fernando Valley, Los Angeles e Califórnia.
O aluguer de vídeos passou dos 450 milhões em 1992 para 800 milhões em 2002.
No mundo estima-se que 250 milhões de pessoas assistam, com regularidade, a cinema pornográfico.
Os dados revelados pela revista «Adult Video News» excluem os consumidores por Internet e desenhos animados pornográficos.
09-08-2006 14:58:17
Os estúdios de filmes pornográficos norte-americanos têm mais lucros que a indústria de Hollywood.
Nos dados da Industria Cinematográfica Porno dos Estados Unidos da América (EUA), os filmes pornográficos para adultos têm mais saída que os filmes convencionais de Hollywood.
Os americanos gastam dez mil milhões de dólares anuais em bilhetes para assistir a filmes pornográficos.
Os Estados Unidos são os maiores produtores deste género cinematográfico no mundo. O núcleo mais consumista situa-se em San Fernando Valley, Los Angeles e Califórnia.
O aluguer de vídeos passou dos 450 milhões em 1992 para 800 milhões em 2002.
No mundo estima-se que 250 milhões de pessoas assistam, com regularidade, a cinema pornográfico.
Os dados revelados pela revista «Adult Video News» excluem os consumidores por Internet e desenhos animados pornográficos.
09-08-2006 14:58:17
Ainda mais antigo:) (Domingos, Sábados e outros Dias).
PAULINHO
JOHN LENNON (I)
O gajo tem qualquer coisa de especial. Ivan só tinha dito que era bom guitarrista e um tipo fixe, mas também não admira, o querido Vaughn está longe de ser um prodígio de sensibilidade. E contudo parece um filhinho da mamã típico, aquilo do casaco branco não se mete na cabeça de ninguém; e as calças… Ora!, as calças, aposto que as aperta depois de sair de casa para não ter a velha a moer-lhe o seixo – “Paulinho, já sabes!, não te quero vestido como esses teddy-boys que por aí andam”. Helen achou-o um puto bonito e riu-se-me na cara quando olhei para ela espantado. Ciúmes, eu? Mas quem entende as mulheres? Ou se atiram descaradamente a marmanjos mais velhos – falam de coisas que nós não entendemos, claro!, somos umas bestas, só pensamos em cerveja - ou a querubins sem barba e ar desamparado. Será instinto maternal ou desejo de desviar menores? Não sei. Estou de acordo, é um puto de catorze anos, lá se é bonito… Só faltava apreciar homens!, quando me vejo à rasca para sacar raparigas que se queiram divertir um bocado sem a pergunta sacramental – “mas tens mesmo a certeza que gostas de mim?” Claro que gosto. Delas todas, aliás, as minhas hormonas devem ter um coração enorme.
Qualquer coisa. O miúdo não estava à vontade, tudo gente desconhecida, entrou logo numa de exibição, deixei-me estar, fui entornando uns copos e vendo-lhe as habilidades. Não deixa de ser contra o meu feitio, se aparecer de novo tenho de lhe explicar quem é o chefe por estes lados. Mas o sacana tocou Twenty Flight Rock na perfeição e eu abismado, passei dias à procura dos acordes certos, se calhar é mais fácil para os canhotos. A seguir corrigiu a nossa versão de Be Bop A Lula com o ar mais natural deste mundo, ainda por cima tinha razão (a Helen tornou a ser foleira e disse que além de razão tinha ouvido…). E mais! Brindou-nos com uma imitação do Little Richard de tirar fôlego a qualquer um, apetecia pintá-lo de negro e cobrar bilhetes aos pacóvios; só visto… Como é evidente, não o deixei perceber que me impressionara, limitei-me a dizer-lhe que Twenty Flight Rock era uma das minhas canções favoritas. Devo ter feito bem, pôs um ar solene e concordou em silêncio. Foi estranho, por um momento pareceu que tudo o resto desaparecera à nossa volta.
Vamos por partes – Pete é o meu melhor amigo e vai sê-lo até à morte. Rimos juntos, fomos expulsos de meia-Liverpool juntos, andámos à pancada juntos. Coisas que ligam os homens. E depois…, aceita-me como chefe e eu preciso disso. Mas às vezes penso que nos prejudicamos, talvez seja mau conhecer outra pessoa bem de mais? Ele não nota, limita-se a dizer “está bem, John” e a seguir-me como um cachorrinho obediente.
Este gajo é feito de outro material. Para começar, toca melhor do que eu, o que pode tornar-se um problema. Mas também um desafio, tê-lo na banda ia obrigar-nos a progredir e a malta gostou dele. Sossegado, um bocadinho parecido com o Elvis… Só preciso ter atenção e não permitir que grimpe muito, trazê-lo curto (e, já agora, à Helen por tabela!). Estes anjinhos de falas mansas e sucesso com as mulheres são perigosos. É difícil lidar com tipos escorregadios, quando já arregaçámos as mangas saem-se com palavras apaziguadoras e fica-nos a raiva pendurada. Bom, está decidido, o miúdo entra, mas em liberdade vigiada. Tenho um pressentimento que podemos fazer coisas giras juntos, já compôs duas ou três canções, se ele é capaz tu também tens de ser, John Winston. Quem sabe?, podemos vir a ser famosos – McCartney e Lennon. Hum… Nem pensar. Lennon e McCartney, soa bem melhor. E que não soasse! Boa noite, John.
JOHN LENNON (I)
O gajo tem qualquer coisa de especial. Ivan só tinha dito que era bom guitarrista e um tipo fixe, mas também não admira, o querido Vaughn está longe de ser um prodígio de sensibilidade. E contudo parece um filhinho da mamã típico, aquilo do casaco branco não se mete na cabeça de ninguém; e as calças… Ora!, as calças, aposto que as aperta depois de sair de casa para não ter a velha a moer-lhe o seixo – “Paulinho, já sabes!, não te quero vestido como esses teddy-boys que por aí andam”. Helen achou-o um puto bonito e riu-se-me na cara quando olhei para ela espantado. Ciúmes, eu? Mas quem entende as mulheres? Ou se atiram descaradamente a marmanjos mais velhos – falam de coisas que nós não entendemos, claro!, somos umas bestas, só pensamos em cerveja - ou a querubins sem barba e ar desamparado. Será instinto maternal ou desejo de desviar menores? Não sei. Estou de acordo, é um puto de catorze anos, lá se é bonito… Só faltava apreciar homens!, quando me vejo à rasca para sacar raparigas que se queiram divertir um bocado sem a pergunta sacramental – “mas tens mesmo a certeza que gostas de mim?” Claro que gosto. Delas todas, aliás, as minhas hormonas devem ter um coração enorme.
Qualquer coisa. O miúdo não estava à vontade, tudo gente desconhecida, entrou logo numa de exibição, deixei-me estar, fui entornando uns copos e vendo-lhe as habilidades. Não deixa de ser contra o meu feitio, se aparecer de novo tenho de lhe explicar quem é o chefe por estes lados. Mas o sacana tocou Twenty Flight Rock na perfeição e eu abismado, passei dias à procura dos acordes certos, se calhar é mais fácil para os canhotos. A seguir corrigiu a nossa versão de Be Bop A Lula com o ar mais natural deste mundo, ainda por cima tinha razão (a Helen tornou a ser foleira e disse que além de razão tinha ouvido…). E mais! Brindou-nos com uma imitação do Little Richard de tirar fôlego a qualquer um, apetecia pintá-lo de negro e cobrar bilhetes aos pacóvios; só visto… Como é evidente, não o deixei perceber que me impressionara, limitei-me a dizer-lhe que Twenty Flight Rock era uma das minhas canções favoritas. Devo ter feito bem, pôs um ar solene e concordou em silêncio. Foi estranho, por um momento pareceu que tudo o resto desaparecera à nossa volta.
Vamos por partes – Pete é o meu melhor amigo e vai sê-lo até à morte. Rimos juntos, fomos expulsos de meia-Liverpool juntos, andámos à pancada juntos. Coisas que ligam os homens. E depois…, aceita-me como chefe e eu preciso disso. Mas às vezes penso que nos prejudicamos, talvez seja mau conhecer outra pessoa bem de mais? Ele não nota, limita-se a dizer “está bem, John” e a seguir-me como um cachorrinho obediente.
Este gajo é feito de outro material. Para começar, toca melhor do que eu, o que pode tornar-se um problema. Mas também um desafio, tê-lo na banda ia obrigar-nos a progredir e a malta gostou dele. Sossegado, um bocadinho parecido com o Elvis… Só preciso ter atenção e não permitir que grimpe muito, trazê-lo curto (e, já agora, à Helen por tabela!). Estes anjinhos de falas mansas e sucesso com as mulheres são perigosos. É difícil lidar com tipos escorregadios, quando já arregaçámos as mangas saem-se com palavras apaziguadoras e fica-nos a raiva pendurada. Bom, está decidido, o miúdo entra, mas em liberdade vigiada. Tenho um pressentimento que podemos fazer coisas giras juntos, já compôs duas ou três canções, se ele é capaz tu também tens de ser, John Winston. Quem sabe?, podemos vir a ser famosos – McCartney e Lennon. Hum… Nem pensar. Lennon e McCartney, soa bem melhor. E que não soasse! Boa noite, John.
terça-feira, agosto 08, 2006
Voo raso:(.
Já sei que marcar fora é bom (e que golo!); já sei que basta empatar zero a zero; já sei que alguns jogadores do Benfica levantaram os braços em sinal de alegria no fim; já sei que somos favoritos; já sei que os lesionados vão recuperar; já sei isso tudo..., mas IRRA!, é preciso "talento" para não ganhar aqueles onze bons rapazes:(.
segunda-feira, agosto 07, 2006
O velho Luiz Pacheco "num dia em que se achou mais pachorrento":).
...
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.
...
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.
...
domingo, agosto 06, 2006
Já postei esta velharia?
Da raiva e outras defesas
O psiquiatra esboçou um sorriso oblíquo,
- Talvez não fosse má ideia...
Bateu a porta enfurecido, “nunca mais cá ponho os pés, o tipo aboleta-se com uma pipa de massa e ainda goza à minha custa, se não é má ideia que o faça ele!”. A empregada e o habitual sorriso untuoso e plastificado, “até para a semana, senhor engenheiro”. Grunhiu um “talvez” de mau agoiro e diagnosticou-lhe aspecto foleiro, o cabelo oxigenado já vira melhores dias, os pés de galinha à volta dos olhos também. Imaginou que o iluminado clínico lhe punha a mão nas horas vagas e assim a impedira de arranjar marido, cheirava a quarentona encalhada a milhas de distância. A tarde cinzenta. No parque de estacionamento os carros já eram poucos. O seu piscou, obediente, à ordem do controlo remoto, para onde? Não lhe apetecia jantar sozinho, muito menos em casa. Folheou agenda e nomes: X - boa conversadora, mas péssima na cama; Y - exactamente o contrário, talvez passasse por casa dela ao fim da noite para uma rapidinha, aturar-lhe banalidades ao jantar é que não lembraria ao Diabo; Z – casara. Pôs um sinal de interrogação à frente do nome, quanto tempo levaria a fartar-se do marido?; ficava em espera; B - perfeita, se não exigisse relação “com futuro”; C – pedal a mais, impossível ter a certeza de quem fora o último a petiscá-la, estava sem pachorra para a ginástica do preservativo.
Bom, alimentar a máquina rapidamente e decidir depois o rumo a dar à noite. O restaurante às moscas e o criado favorito ausente. Morrera-lhe um familiar, explicou, indiferente, um colega tão pálido que também parecia prestes a bater a bota. Um arrepio desconfortável nas costas, “traga maduro tinto”. O bife mal passado e contudo anémico. Batatas gordurosas. Decidiu beber a taça até ao fim - além da garrafa... -, “uma salada de frutas”. De lata... O empregado imperturbável, “o senhor engenheiro deseja mais alguma coisa?”. A canelada imediata - “só se fosse um frasco de sais de fruto, não acha?”. Como única reacção, olhadela trocista à garrafa vazia; o parvalhão não tencionava abanar a preguiça porque um cliente bebera demais, provavelmente tinha a patroa à espera para assistirem juntos à terceira novela da noite e depois mergulharem na cama. Ele com a mesma camisola interior suada que usara nos últimos três dias, ela com as banhas mal disfarçadas pela combinação preta que uma vizinha prometera ser remédio santo para o desinteresse sexual do marido. Não ia funcionar, ele estava apaixonado pela cozinheira. Bem feito! Desligou a fantasia e saiu.
Para casa? Não, beber um copo. Sentir a adrenalina de passar junto à bófia com a certeza de não se poder dar ao luxo de soprar ao balão. Esticando a corda, parou e abriu a janela, “o senhor guarda desculpe, não sou de cá, vou bem para a Foz velha?”. Escutou as indicações com ar atento, quase humilde, agradeceu e seguiu Boavista abaixo. Virou à esquerda no Castelo do Queijo, por que não a Foz velha? O barzinho estava cheio, coisa rara aquela hora, parzinhos de namorados, curtidores ou lá como se chamam no dialecto de hoje. Alguns tipos da sua idade galando miúdas anoréxicas que não pareciam muito interessadas nos seus cavaleiros andantes imberbes. Talvez já não chamassem pelas maezinhas em situação de aperto, longe vai a época do “a menina dança?” nos bailes do Ateneu. Às vezes tinha de se pedir primeiro a autorização dos papás, quatro olhos inspeccionavam o candidato a abraçar por uns minutos a virginal filha, o sim apenas permitia liberdade a prazo e limitada, nada de faces demasiado próximas. Moral de comerciantes!, era preciso salvaguardar o valor de troca da mercadoria...
Uma das rapariguinhas navegou até ao balcão. Decidiu que se tratava de incitamento divino e ensaiou abordagem clássica, “não a conheço de algum sítio?”. Talvez demasiado clássica para a catraia, que esboçou um sorriso enquanto disparava em tiro raso, “credo!, julguei que esse tipo de engate já não existia, é melhor você candidatar-se a um curso de reciclagem”. Para depois o inspeccionar com mais atenção e fazer xeque-mate, “se ainda for a tempo!”. Encolheu os ombros, you can’t win them all. De qualquer forma não se via a ministrar-lhe curso de educação sexual, têm muito speed mas pouca arte, para a cama nada como balzaquianas assustadas pela idade ou desiludidas por namoros longos e chatos, têm pressa de viver. Saiu. Suficientemente sóbrio para saber que o não estava, fugiu à Brigada metendo pelas ruelas da Foz velha em direcção ao Campo Alegre, depois seguiu disciplinada e clandestinamente atrás de outro carro, só lhe abandonou a sombra protectora para virar em Guerra Junqueiro.
A casa. Arriscando um pé fora da rotina, não ligou de imediato a televisão. O silêncio pareceu-lhe aterrador, os programas – se mereciam tal nome! – eram catastróficos, mas o quadrado enganava a solidão. Por vezes seria incapaz de repetir o que vira, accionava o comando a ritmo digno de metralhadora, os canais acotovelavam-se, reality show atrás de reality show, bloco publicitário atrás de bloco publicitário. “Aquilo” mexia, preenchendo o amuo do telefone, silencioso. Certas noites pagaria bom dinheiro por um toque da secretária a lembrar-lhe reunião para a manhã seguinte. À falta de melhor..., para onde tinham fugido os amigos? Ou para onde fugira ele sem sair da cidade, para assim os perder vista e ouvido? Rendeu-se. E a caixinha que mudou o mundo desiludiu a sua esperança de ver o seu um pouco mais alegre, tudo decorria normalmente - filmes de bolinha alternavam com grupos de concorrentes que se batiam ou amavam conforme as instruções das produtoras.
Que fazer? Lembrou-se da canção do Abrunhosa, talvez... Sorriu e pegou no telefone, do outro lado a voz ensonada resistiu, “a esta hora? Vem cá tu se quiseres”. Não queria, se o desejo ganisse podia sempre voltar aos tempos do colégio, quando a rapaziada se masturbava alegremente, o sexo era tão sociável como o snooker. Por que não ler? Pelo simples gozo da coisa e não a reboque da preparação de um qualquer seminário profissional. Vasculhou a estante - só velhos conhecidos. O pai costumava lembrar a frase de um académico francês, já no fim da vida: “je ne lis plus, je relis”. Não lhe apetecia reler.
Ouvir música. Como dizia o sobrinho? Pôr um som... Beatles? Atrás viriam os bailes de garagem, os amores de praia, a estranha sensação de se haver traído. Mozart? E com ele regresso a Salzburgo, Viena, Praga, os concertos em cada esquina, alegres viagens em turística que antecederam outras em executiva para enfadonhas reuniões. Sérgio Godinho? Paz, pão, habitação... Como se passa de hippie furioso a yuppie obcecado, com breve passagem pelo processo revolucionário em curso e os seus bailes trotsquistas cheios de envergonhadas filhas da burguesia? Olhos fechados, indicador em riste, regressou à infância: “pim, pam, pum, cada bola mata um, pr’á galinha e pr’ó peru, quem se lixa és tu!”. Estremeceu ao ver a pontaria da sorte (o sacana do psi falaria de inconsciente...) – Dave Matthews Band.
Decidiu não recuar e pôs os auscultadores. Minutos depois a cabeça explodiu e com ela a andropausa, o vinho, o calmante que se esquecera de tomar, o jogging da manhã seguinte, a tromba do cliente a quem decidira apertar os calos nos preços para se oferecer o último todo-o-terreno da Mercedes, as mulheres desejadas sem paciência, o criado indolente; tudo.
Levantou-se, percorreu o corredor e abriu a porta do quarto pela primeira vez em muito tempo. A empregada cumprira a sua obrigação, parecia um museu. Olhou em volta: os posters, a guitarra, o computador, a colecção de latas de cerveja, a fotografia que a namorada nunca viera buscar. Quase imaginava Paulo a qualquer momento regressando de vadiagem nocturna, “ainda a pé, velho?”. Sempre paternal, o miúdo. Quando as horas fugiam, brindava-o com telefonema, “vou chegar às quinhentas, não te preocupes”. Até ao dia em que o aparelho tocara e não era ele, mas sim um dos amigos - óleo na estrada, despiste, urgência. Morto. A Mãe aos gritos, “a culpa é tua, por que lhe emprestaste o carro?”. Nunca mais lhe falara, não precisava da sua ajuda para se sentir culpado. Uma solidão horrenda, o puto não era “apenas” o amor da sua vida, mas também o público, buscava-lhe o orgulho e a aprovação com desespero, para os outros estava-se nas tintas.
Fechou os olhos. A voz do psiquiatra, “ninguém consegue esquecer uma coisa dessas, é preciso digeri-la. Em dois anos já o vi afundado em trabalho, a trocar de mulher como quem troca de camisa, a meter uma em casa do dia para a noite e a pô-la de lá para fora da noite para o dia semanas depois, a correr o mundo em férias sem descanso ou paz, a mudar de carro de três em três meses, a moer a cabeça dos outros e a sua, mas nunca o vi a encarar de frente a tristeza. Não acha estranho?”. E que sabia ele de amargura, na sua petulância de especialista? “Há muitas formas de estar triste. Qual é o seu conselho? Pôr a minha vida em stand-by e chorar? Como essas mulherzinhas histéricas que se sentam na beira do sofá e torcem o lenço na mão?”. A resposta do tipo.
Por acaso havia dois magníficos sofás no quarto, mas as lágrimas surpreenderam-no enroscado na cama do pequeno.
O psiquiatra esboçou um sorriso oblíquo,
- Talvez não fosse má ideia...
Bateu a porta enfurecido, “nunca mais cá ponho os pés, o tipo aboleta-se com uma pipa de massa e ainda goza à minha custa, se não é má ideia que o faça ele!”. A empregada e o habitual sorriso untuoso e plastificado, “até para a semana, senhor engenheiro”. Grunhiu um “talvez” de mau agoiro e diagnosticou-lhe aspecto foleiro, o cabelo oxigenado já vira melhores dias, os pés de galinha à volta dos olhos também. Imaginou que o iluminado clínico lhe punha a mão nas horas vagas e assim a impedira de arranjar marido, cheirava a quarentona encalhada a milhas de distância. A tarde cinzenta. No parque de estacionamento os carros já eram poucos. O seu piscou, obediente, à ordem do controlo remoto, para onde? Não lhe apetecia jantar sozinho, muito menos em casa. Folheou agenda e nomes: X - boa conversadora, mas péssima na cama; Y - exactamente o contrário, talvez passasse por casa dela ao fim da noite para uma rapidinha, aturar-lhe banalidades ao jantar é que não lembraria ao Diabo; Z – casara. Pôs um sinal de interrogação à frente do nome, quanto tempo levaria a fartar-se do marido?; ficava em espera; B - perfeita, se não exigisse relação “com futuro”; C – pedal a mais, impossível ter a certeza de quem fora o último a petiscá-la, estava sem pachorra para a ginástica do preservativo.
Bom, alimentar a máquina rapidamente e decidir depois o rumo a dar à noite. O restaurante às moscas e o criado favorito ausente. Morrera-lhe um familiar, explicou, indiferente, um colega tão pálido que também parecia prestes a bater a bota. Um arrepio desconfortável nas costas, “traga maduro tinto”. O bife mal passado e contudo anémico. Batatas gordurosas. Decidiu beber a taça até ao fim - além da garrafa... -, “uma salada de frutas”. De lata... O empregado imperturbável, “o senhor engenheiro deseja mais alguma coisa?”. A canelada imediata - “só se fosse um frasco de sais de fruto, não acha?”. Como única reacção, olhadela trocista à garrafa vazia; o parvalhão não tencionava abanar a preguiça porque um cliente bebera demais, provavelmente tinha a patroa à espera para assistirem juntos à terceira novela da noite e depois mergulharem na cama. Ele com a mesma camisola interior suada que usara nos últimos três dias, ela com as banhas mal disfarçadas pela combinação preta que uma vizinha prometera ser remédio santo para o desinteresse sexual do marido. Não ia funcionar, ele estava apaixonado pela cozinheira. Bem feito! Desligou a fantasia e saiu.
Para casa? Não, beber um copo. Sentir a adrenalina de passar junto à bófia com a certeza de não se poder dar ao luxo de soprar ao balão. Esticando a corda, parou e abriu a janela, “o senhor guarda desculpe, não sou de cá, vou bem para a Foz velha?”. Escutou as indicações com ar atento, quase humilde, agradeceu e seguiu Boavista abaixo. Virou à esquerda no Castelo do Queijo, por que não a Foz velha? O barzinho estava cheio, coisa rara aquela hora, parzinhos de namorados, curtidores ou lá como se chamam no dialecto de hoje. Alguns tipos da sua idade galando miúdas anoréxicas que não pareciam muito interessadas nos seus cavaleiros andantes imberbes. Talvez já não chamassem pelas maezinhas em situação de aperto, longe vai a época do “a menina dança?” nos bailes do Ateneu. Às vezes tinha de se pedir primeiro a autorização dos papás, quatro olhos inspeccionavam o candidato a abraçar por uns minutos a virginal filha, o sim apenas permitia liberdade a prazo e limitada, nada de faces demasiado próximas. Moral de comerciantes!, era preciso salvaguardar o valor de troca da mercadoria...
Uma das rapariguinhas navegou até ao balcão. Decidiu que se tratava de incitamento divino e ensaiou abordagem clássica, “não a conheço de algum sítio?”. Talvez demasiado clássica para a catraia, que esboçou um sorriso enquanto disparava em tiro raso, “credo!, julguei que esse tipo de engate já não existia, é melhor você candidatar-se a um curso de reciclagem”. Para depois o inspeccionar com mais atenção e fazer xeque-mate, “se ainda for a tempo!”. Encolheu os ombros, you can’t win them all. De qualquer forma não se via a ministrar-lhe curso de educação sexual, têm muito speed mas pouca arte, para a cama nada como balzaquianas assustadas pela idade ou desiludidas por namoros longos e chatos, têm pressa de viver. Saiu. Suficientemente sóbrio para saber que o não estava, fugiu à Brigada metendo pelas ruelas da Foz velha em direcção ao Campo Alegre, depois seguiu disciplinada e clandestinamente atrás de outro carro, só lhe abandonou a sombra protectora para virar em Guerra Junqueiro.
A casa. Arriscando um pé fora da rotina, não ligou de imediato a televisão. O silêncio pareceu-lhe aterrador, os programas – se mereciam tal nome! – eram catastróficos, mas o quadrado enganava a solidão. Por vezes seria incapaz de repetir o que vira, accionava o comando a ritmo digno de metralhadora, os canais acotovelavam-se, reality show atrás de reality show, bloco publicitário atrás de bloco publicitário. “Aquilo” mexia, preenchendo o amuo do telefone, silencioso. Certas noites pagaria bom dinheiro por um toque da secretária a lembrar-lhe reunião para a manhã seguinte. À falta de melhor..., para onde tinham fugido os amigos? Ou para onde fugira ele sem sair da cidade, para assim os perder vista e ouvido? Rendeu-se. E a caixinha que mudou o mundo desiludiu a sua esperança de ver o seu um pouco mais alegre, tudo decorria normalmente - filmes de bolinha alternavam com grupos de concorrentes que se batiam ou amavam conforme as instruções das produtoras.
Que fazer? Lembrou-se da canção do Abrunhosa, talvez... Sorriu e pegou no telefone, do outro lado a voz ensonada resistiu, “a esta hora? Vem cá tu se quiseres”. Não queria, se o desejo ganisse podia sempre voltar aos tempos do colégio, quando a rapaziada se masturbava alegremente, o sexo era tão sociável como o snooker. Por que não ler? Pelo simples gozo da coisa e não a reboque da preparação de um qualquer seminário profissional. Vasculhou a estante - só velhos conhecidos. O pai costumava lembrar a frase de um académico francês, já no fim da vida: “je ne lis plus, je relis”. Não lhe apetecia reler.
Ouvir música. Como dizia o sobrinho? Pôr um som... Beatles? Atrás viriam os bailes de garagem, os amores de praia, a estranha sensação de se haver traído. Mozart? E com ele regresso a Salzburgo, Viena, Praga, os concertos em cada esquina, alegres viagens em turística que antecederam outras em executiva para enfadonhas reuniões. Sérgio Godinho? Paz, pão, habitação... Como se passa de hippie furioso a yuppie obcecado, com breve passagem pelo processo revolucionário em curso e os seus bailes trotsquistas cheios de envergonhadas filhas da burguesia? Olhos fechados, indicador em riste, regressou à infância: “pim, pam, pum, cada bola mata um, pr’á galinha e pr’ó peru, quem se lixa és tu!”. Estremeceu ao ver a pontaria da sorte (o sacana do psi falaria de inconsciente...) – Dave Matthews Band.
Decidiu não recuar e pôs os auscultadores. Minutos depois a cabeça explodiu e com ela a andropausa, o vinho, o calmante que se esquecera de tomar, o jogging da manhã seguinte, a tromba do cliente a quem decidira apertar os calos nos preços para se oferecer o último todo-o-terreno da Mercedes, as mulheres desejadas sem paciência, o criado indolente; tudo.
Levantou-se, percorreu o corredor e abriu a porta do quarto pela primeira vez em muito tempo. A empregada cumprira a sua obrigação, parecia um museu. Olhou em volta: os posters, a guitarra, o computador, a colecção de latas de cerveja, a fotografia que a namorada nunca viera buscar. Quase imaginava Paulo a qualquer momento regressando de vadiagem nocturna, “ainda a pé, velho?”. Sempre paternal, o miúdo. Quando as horas fugiam, brindava-o com telefonema, “vou chegar às quinhentas, não te preocupes”. Até ao dia em que o aparelho tocara e não era ele, mas sim um dos amigos - óleo na estrada, despiste, urgência. Morto. A Mãe aos gritos, “a culpa é tua, por que lhe emprestaste o carro?”. Nunca mais lhe falara, não precisava da sua ajuda para se sentir culpado. Uma solidão horrenda, o puto não era “apenas” o amor da sua vida, mas também o público, buscava-lhe o orgulho e a aprovação com desespero, para os outros estava-se nas tintas.
Fechou os olhos. A voz do psiquiatra, “ninguém consegue esquecer uma coisa dessas, é preciso digeri-la. Em dois anos já o vi afundado em trabalho, a trocar de mulher como quem troca de camisa, a meter uma em casa do dia para a noite e a pô-la de lá para fora da noite para o dia semanas depois, a correr o mundo em férias sem descanso ou paz, a mudar de carro de três em três meses, a moer a cabeça dos outros e a sua, mas nunca o vi a encarar de frente a tristeza. Não acha estranho?”. E que sabia ele de amargura, na sua petulância de especialista? “Há muitas formas de estar triste. Qual é o seu conselho? Pôr a minha vida em stand-by e chorar? Como essas mulherzinhas histéricas que se sentam na beira do sofá e torcem o lenço na mão?”. A resposta do tipo.
Por acaso havia dois magníficos sofás no quarto, mas as lágrimas surpreenderam-no enroscado na cama do pequeno.
sábado, agosto 05, 2006
Lamento muito, mas arrepia-me.
UE: Legislação autoriza empresas a recusar contratar fumadores
Uma empresa que se recuse a contratar uma pessoa unicamente por ser fumadora não está a violar a legislação europeia contra a discriminação no trabalho, considerou este sábado a Comissão Europeia (CE).
O executivo comunitário respondia à euro-deputada trabalhista britânica Catherine Stihler, que requereu a sua opinião relativamente a uma oferta de emprego de uma empresa irlandesa que advertia os fumadores a não se apresentarem como candidatos.
O comissário europeu do Trabalho e Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, recordou que a legislação europeia proíbe a discriminação com base em raça, etnia, deficiência, idade, orientação sexual, religião ou crença.
Uma oferta de emprego como a que foi alvo de estudo da Comissão, referiu Stihler, não parece ter relação com qualquer dos tipos de discriminação proibidos.
A porta-voz do comissário, Katharina Von Schnurbein, confirmou, em declarações à agência de notícias espanhola EFE, que «a discriminação laboral relativamente a fumadores não está contemplada na legislação europeia».
O facto de a legislação europeia não proibir tal política de contratação, disse a porta-voz, não impede que os Estados membros que assim o desejem possam dotar-se de normas nacionais que a proíba.
Diário Digital / Lusa
Uma empresa que se recuse a contratar uma pessoa unicamente por ser fumadora não está a violar a legislação europeia contra a discriminação no trabalho, considerou este sábado a Comissão Europeia (CE).
O executivo comunitário respondia à euro-deputada trabalhista britânica Catherine Stihler, que requereu a sua opinião relativamente a uma oferta de emprego de uma empresa irlandesa que advertia os fumadores a não se apresentarem como candidatos.
O comissário europeu do Trabalho e Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, recordou que a legislação europeia proíbe a discriminação com base em raça, etnia, deficiência, idade, orientação sexual, religião ou crença.
Uma oferta de emprego como a que foi alvo de estudo da Comissão, referiu Stihler, não parece ter relação com qualquer dos tipos de discriminação proibidos.
A porta-voz do comissário, Katharina Von Schnurbein, confirmou, em declarações à agência de notícias espanhola EFE, que «a discriminação laboral relativamente a fumadores não está contemplada na legislação europeia».
O facto de a legislação europeia não proibir tal política de contratação, disse a porta-voz, não impede que os Estados membros que assim o desejem possam dotar-se de normas nacionais que a proíba.
Diário Digital / Lusa
quinta-feira, agosto 03, 2006
Sem "motivos objectivos"...
Tribunal não encontrou razão do crime
José Carmo
Menores já estão internados nos centros educativos em regime semiaberto, apesar de dois recursos
Leonor Paiva Watson, e Nuno Miguel Maia
Três meses de investigação e 16 audiências no Tribunal de Menores do Porto não chegaram para encontrar as razões pelas quais 13 menores ligados às Oficinas de São José e ao Centro Juvenil de Campanhã agrediram o transexual Gisberta, vindo a causar-lhe a morte por afogamento no fundo de um poço de um prédio inacabado no Porto.
No texto da decisão final, o colectivo de juízes apenas dá como não provado que os rapazes tivessem actuado por "intolerância perante as opções sexuais do ofendido e perante as diferenças fisionómicas". E, em contrapartida, assume que as agressões aconteceram "por razões que não se conseguiram aqui apurar".
O próprio juiz-presidente, Carlos Portela, reconheceu, no final da leitura do acórdão, a sua perplexidade por não terem sido encontrados os motivos objectivos das agressões com paus, pedradas e ao pontapé - o que, aliás, foi assumindo ao longo das sessões iniciadas a 3 de Julho passado.
Funeral em grupo
Num processo em que a prova assentou sobretudo nas confissões e versões dos menores, estes, quando interrogados, apenas respondiam não saber enumerar razões que justifiquem os factos. O máximo que alguns assumiram foi o facto de estarem "em grupo".
Terá sido em grupo (pelo menos seis), também, que resolveram encenar um funeral para Gisberta, num momento em que a julgavam já morta. De acordo com a versão dos menores, o "funeral" propriamente dito era não deixar a vítima apodrecer naquele local. Atirá-la ao fundo do poço - três deles usaram luvas e sacos de plástico para transportar o "cadáver" ao longo de 100 metros - no prédio inacabado na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto, foi uma alternativa a um enterro num cemitério, que serviria em simultâneo para a ocultar a responsabilidade do grupo no sucedido.
A ideia do fenómeno de grupo viria, aliás, a ser reforçada pelo depoimento de testemunhas com formação em psicologia e sociologia.
Elementos ligados à instituição "Qualificar para Incluir", que colaboravam com as Oficinas de São José, adiantaram ainda que este local de acolhimento da maioria dos jovens era palco de vários problemas.
Denunciaram a "existência de grupos organizados de outros jovens ali institucionalizados que exercem uma pressão e uma influência muito negativa sobre os mais novos, onde se incluem muitos dos que estão neste processo". E atribuíram a esta "cultura" da instituição a causa do sucedido nas agressões ao transexual. Cultura esta que, asseguraram, "nunca foi colocada em causa pelos responsáveis máximos da instituição".
O teor destes três depoimentos, conjugado com um outro que refere a existência de queixas, por parte dos menores - quanto à forma como são tratados pelos "mais velhos e pelos tutores" -, está na origem da extracção de uma certidão para o Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público do Porto, tal como noticiou ontem o JN. Tudo com vista a apurar a eventual responsabilidade penal dos responsáveis das Oficinas de São José, no Porto.
Durante o dia de ontem, o JN tentou contactar responsáveis da das Oficinas, mas foi informado de que todos os membros da Direcção se encontram "de férias" até ao final do mês.
Amizade e agressões
Outra interrogação do colectivo de juízes expressa no acórdão prende-se com a mudança de comportamento de três jovens que inicialmente mantinham relações de amizade e ajudavam o transexual, já debilitado em consequência de doenças como sida e tuberculose.
"Ainda nos intriga a razão pela qual numa primeira fase três deles [...], chegaram a levar-lhe [a Gisberto] géneros alimentares e a confeccionar-lhes refeições, nomeadamente arroz no local onde 'vivia', para, de um momento para o outro, passarem a ser também parte dos que o começaram a agredir", questionam-se os juízes, admitindo a mesma dúvida perante a "maior parte da sociedade". Apesar de considerarem não ter sido encontrada resposta cabal para as motivações do crime - cujas agressões, recorde-se, acabaram por não ser tidas como causa directa da morte da vítima, já em estado de grande fraqueza por causa da doença, tal como revelou o relatório da autópsia e o perito médico-legal -, o colectivo de juízes foi muito crítico para com o sistema de protecção de menores.
"A instituição ou instituições onde cada um deles estava protegido, pensava o comum dos cidadãos, não lhes soube transmitir os mais elevados valores morais e regras de vivência social que muito certamente teriam evitado este tipo de comportamento", consideram, censurando, depois, o facto de muitos jovens serem colocados em instituições a centenas de quilómetros das famílias, o que só se justifica nos casos em que as famílias os maltratam ou negligenciam. No caso deste processo, vários dos rapazes têm a família em Lisboa, ou outras zonas distantes do Porto, tal como explicado, nestas páginas, no perfil de cada um dos jovens.
José Carmo
Menores já estão internados nos centros educativos em regime semiaberto, apesar de dois recursos
Leonor Paiva Watson, e Nuno Miguel Maia
Três meses de investigação e 16 audiências no Tribunal de Menores do Porto não chegaram para encontrar as razões pelas quais 13 menores ligados às Oficinas de São José e ao Centro Juvenil de Campanhã agrediram o transexual Gisberta, vindo a causar-lhe a morte por afogamento no fundo de um poço de um prédio inacabado no Porto.
No texto da decisão final, o colectivo de juízes apenas dá como não provado que os rapazes tivessem actuado por "intolerância perante as opções sexuais do ofendido e perante as diferenças fisionómicas". E, em contrapartida, assume que as agressões aconteceram "por razões que não se conseguiram aqui apurar".
O próprio juiz-presidente, Carlos Portela, reconheceu, no final da leitura do acórdão, a sua perplexidade por não terem sido encontrados os motivos objectivos das agressões com paus, pedradas e ao pontapé - o que, aliás, foi assumindo ao longo das sessões iniciadas a 3 de Julho passado.
Funeral em grupo
Num processo em que a prova assentou sobretudo nas confissões e versões dos menores, estes, quando interrogados, apenas respondiam não saber enumerar razões que justifiquem os factos. O máximo que alguns assumiram foi o facto de estarem "em grupo".
Terá sido em grupo (pelo menos seis), também, que resolveram encenar um funeral para Gisberta, num momento em que a julgavam já morta. De acordo com a versão dos menores, o "funeral" propriamente dito era não deixar a vítima apodrecer naquele local. Atirá-la ao fundo do poço - três deles usaram luvas e sacos de plástico para transportar o "cadáver" ao longo de 100 metros - no prédio inacabado na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto, foi uma alternativa a um enterro num cemitério, que serviria em simultâneo para a ocultar a responsabilidade do grupo no sucedido.
A ideia do fenómeno de grupo viria, aliás, a ser reforçada pelo depoimento de testemunhas com formação em psicologia e sociologia.
Elementos ligados à instituição "Qualificar para Incluir", que colaboravam com as Oficinas de São José, adiantaram ainda que este local de acolhimento da maioria dos jovens era palco de vários problemas.
Denunciaram a "existência de grupos organizados de outros jovens ali institucionalizados que exercem uma pressão e uma influência muito negativa sobre os mais novos, onde se incluem muitos dos que estão neste processo". E atribuíram a esta "cultura" da instituição a causa do sucedido nas agressões ao transexual. Cultura esta que, asseguraram, "nunca foi colocada em causa pelos responsáveis máximos da instituição".
O teor destes três depoimentos, conjugado com um outro que refere a existência de queixas, por parte dos menores - quanto à forma como são tratados pelos "mais velhos e pelos tutores" -, está na origem da extracção de uma certidão para o Departamento de Investigação e Acção Penal do Ministério Público do Porto, tal como noticiou ontem o JN. Tudo com vista a apurar a eventual responsabilidade penal dos responsáveis das Oficinas de São José, no Porto.
Durante o dia de ontem, o JN tentou contactar responsáveis da das Oficinas, mas foi informado de que todos os membros da Direcção se encontram "de férias" até ao final do mês.
Amizade e agressões
Outra interrogação do colectivo de juízes expressa no acórdão prende-se com a mudança de comportamento de três jovens que inicialmente mantinham relações de amizade e ajudavam o transexual, já debilitado em consequência de doenças como sida e tuberculose.
"Ainda nos intriga a razão pela qual numa primeira fase três deles [...], chegaram a levar-lhe [a Gisberto] géneros alimentares e a confeccionar-lhes refeições, nomeadamente arroz no local onde 'vivia', para, de um momento para o outro, passarem a ser também parte dos que o começaram a agredir", questionam-se os juízes, admitindo a mesma dúvida perante a "maior parte da sociedade". Apesar de considerarem não ter sido encontrada resposta cabal para as motivações do crime - cujas agressões, recorde-se, acabaram por não ser tidas como causa directa da morte da vítima, já em estado de grande fraqueza por causa da doença, tal como revelou o relatório da autópsia e o perito médico-legal -, o colectivo de juízes foi muito crítico para com o sistema de protecção de menores.
"A instituição ou instituições onde cada um deles estava protegido, pensava o comum dos cidadãos, não lhes soube transmitir os mais elevados valores morais e regras de vivência social que muito certamente teriam evitado este tipo de comportamento", consideram, censurando, depois, o facto de muitos jovens serem colocados em instituições a centenas de quilómetros das famílias, o que só se justifica nos casos em que as famílias os maltratam ou negligenciam. No caso deste processo, vários dos rapazes têm a família em Lisboa, ou outras zonas distantes do Porto, tal como explicado, nestas páginas, no perfil de cada um dos jovens.
quarta-feira, agosto 02, 2006
Adeus francesinhas e cervejola. Restam os tremoços:(.
Obesidade aumenta risco de cancro da próstata
2006/08/02 | 17:46
Investigadores portugueses apontam os factores de perigo
A obesidade associada a uma vida sedentária poderá estar relacionada com o aparecimento do cancro da próstata, doença que todos os anos apresenta mais dois a três mil novos casos, aponta uma investigação hoje apresentada, citada pela agência Lusa.
O estudo foi desenvolvido por um grupo de especialistas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e do Instituto português de Oncologia do Porto (IPO) e publicado numa revista norte-americana da especialidade.
Em declarações à agência Lusa, Rui Medeiros, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, explicou que a investigação pretendeu demonstrar que «a exposição ao longo da vida a factores ambientais associados a variações do genoma humano predispõe para a obesidade, aumentando o risco do cancro da próstata, sobretudo a forma mais agressiva».
O grupo de investidores demonstrou assim que os indivíduos com maior obesidadee, simultaneamente, portadores da variante genética no gene da leptina (hormona responsável por informar o cérebro sobre o estado das reservas energéticas de gordura), apresentam maior proliferação de células cancerígenas da próstata e facilitação de metastização.
Concluiu-se, desta forma, que os conselhos para uma «boa alimentação, associada a uma vida ao ar livre e a exercício físico» são válidos também para diminuir o risco de aparecimento de cancro na próstata.
O cancro da próstata é uma doença muito frequente nos homens com idades a partir dos 45 anos e responsável por uma elevada taxa de mortalidade. De acordo com Rui Medeiros, surgem todos os anos entre 2.000 e 3.000 novos casos de homens com esta doença.
2006/08/02 | 17:46
Investigadores portugueses apontam os factores de perigo
A obesidade associada a uma vida sedentária poderá estar relacionada com o aparecimento do cancro da próstata, doença que todos os anos apresenta mais dois a três mil novos casos, aponta uma investigação hoje apresentada, citada pela agência Lusa.
O estudo foi desenvolvido por um grupo de especialistas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e do Instituto português de Oncologia do Porto (IPO) e publicado numa revista norte-americana da especialidade.
Em declarações à agência Lusa, Rui Medeiros, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, explicou que a investigação pretendeu demonstrar que «a exposição ao longo da vida a factores ambientais associados a variações do genoma humano predispõe para a obesidade, aumentando o risco do cancro da próstata, sobretudo a forma mais agressiva».
O grupo de investidores demonstrou assim que os indivíduos com maior obesidadee, simultaneamente, portadores da variante genética no gene da leptina (hormona responsável por informar o cérebro sobre o estado das reservas energéticas de gordura), apresentam maior proliferação de células cancerígenas da próstata e facilitação de metastização.
Concluiu-se, desta forma, que os conselhos para uma «boa alimentação, associada a uma vida ao ar livre e a exercício físico» são válidos também para diminuir o risco de aparecimento de cancro na próstata.
O cancro da próstata é uma doença muito frequente nos homens com idades a partir dos 45 anos e responsável por uma elevada taxa de mortalidade. De acordo com Rui Medeiros, surgem todos os anos entre 2.000 e 3.000 novos casos de homens com esta doença.
terça-feira, agosto 01, 2006
Sinistro.
Blogs encerrados por motivos políticos
2006/08/01 | 14:01
Obra de poetisa tibetana está censurada na China. Jornalistas protestam
Os «blogs» da poetisa tibetana Woeser, cuja obra está censurada na China, foram repentinamente encerrados na passada sexta-feira, informou esta terça-feira a organização Repórteres sem fronteiras (RSF). A notícia é avançada pela Agência Lusa.
Num comunicado, o grupo expressa indignação por este acto censório e reclama a reabertura dos «blogs», lembrando que a poesia de Woeser «está proibida na China» e «as suas páginas pessoais (na Internet) são o único meio que tem de expressar-se».
Acusando as autoridades chinesas de quererem reduzir a cultura tibetana a «simples folclore turístico», a RSF chama a atenção para o facto de Pequim estar a aplicar uma controlo informativo cada vez mais férreo.
Há dias, Pequim ordenou o encerramento do portal «Dijing- democracy.net», do marido da poetisa, o escritor chinês Wang Lixiong, e bem assim o do «Century China», muito popular nos círculos intelectuais do país.
«Uma vez mais pedimos às autoridades que respeitem a liberdade de expressão, um direito garantido pela Constituição», diz a RSF.
A poetisa, conhecida também como Oser e Wei Se, em chinês, tinha dois «blogs» - http://oser.tibelcult.nete http://blog.daiqi.com/weise-, através dos quais divulgava poemas da sua autoria, ensaios sobre a cultura tibetana e artigos do marido.
Segundo responsáveis das páginas, a decisão governamental fundamentou-se nos temas tratados, que incluíam comentários sobre o problema da SIDA no Tibete, o impacto que terá sobre o povo tibetano a recente inauguração do comboio Pequim-Lhasa e uma mensagem de parabéns ao Dalai Lama pelo seu aniversário.
Woeser é uma das poucas escritoras tibetanas que utilizam o mandarim como veículo de expressão. Segundo a RSF, a maioria dos visitantes das suas páginas eram estudantes apostados em não perder a sua identidade cultural.
O seu livro «Notas sobre o Tibete» foi censurado em 2004, por falar em termos positivos do Dalai Lama - ousadia que lhe valeu o despedimento e ter de escrever uma carta de auto-censura a reconhecer os seus «erros políticos».
P.S. O título deste post seria o mesmo se me referisse ao começo de época do Benfica. A diferença é que aceitaria um :) à frente...
2006/08/01 | 14:01
Obra de poetisa tibetana está censurada na China. Jornalistas protestam
Os «blogs» da poetisa tibetana Woeser, cuja obra está censurada na China, foram repentinamente encerrados na passada sexta-feira, informou esta terça-feira a organização Repórteres sem fronteiras (RSF). A notícia é avançada pela Agência Lusa.
Num comunicado, o grupo expressa indignação por este acto censório e reclama a reabertura dos «blogs», lembrando que a poesia de Woeser «está proibida na China» e «as suas páginas pessoais (na Internet) são o único meio que tem de expressar-se».
Acusando as autoridades chinesas de quererem reduzir a cultura tibetana a «simples folclore turístico», a RSF chama a atenção para o facto de Pequim estar a aplicar uma controlo informativo cada vez mais férreo.
Há dias, Pequim ordenou o encerramento do portal «Dijing- democracy.net», do marido da poetisa, o escritor chinês Wang Lixiong, e bem assim o do «Century China», muito popular nos círculos intelectuais do país.
«Uma vez mais pedimos às autoridades que respeitem a liberdade de expressão, um direito garantido pela Constituição», diz a RSF.
A poetisa, conhecida também como Oser e Wei Se, em chinês, tinha dois «blogs» - http://oser.tibelcult.nete http://blog.daiqi.com/weise-, através dos quais divulgava poemas da sua autoria, ensaios sobre a cultura tibetana e artigos do marido.
Segundo responsáveis das páginas, a decisão governamental fundamentou-se nos temas tratados, que incluíam comentários sobre o problema da SIDA no Tibete, o impacto que terá sobre o povo tibetano a recente inauguração do comboio Pequim-Lhasa e uma mensagem de parabéns ao Dalai Lama pelo seu aniversário.
Woeser é uma das poucas escritoras tibetanas que utilizam o mandarim como veículo de expressão. Segundo a RSF, a maioria dos visitantes das suas páginas eram estudantes apostados em não perder a sua identidade cultural.
O seu livro «Notas sobre o Tibete» foi censurado em 2004, por falar em termos positivos do Dalai Lama - ousadia que lhe valeu o despedimento e ter de escrever uma carta de auto-censura a reconhecer os seus «erros políticos».
P.S. O título deste post seria o mesmo se me referisse ao começo de época do Benfica. A diferença é que aceitaria um :) à frente...
segunda-feira, julho 31, 2006
Eu pecador...
... me confesso: estou a ver pela enésima vez o Cyrano de Bergerac! Se algum de vocês precisar de um especialista em discurso amoroso acho que já consigo dar umas dicas. Mediante pagamento, claro! Eu levo o arbusto e o meu empregador a escada. Presumo que a donzela forneça a varanda:).
domingo, julho 30, 2006
"Gerontofobia".
Programa na SIC-Notícias sobre a discriminação dos mais velhos na procura de emprego. O "truque de investigação" habitual: dois currículos semelhantes, excepto no que à idade diz respeito. A "desempregada" mais velha - uma geronte de 39 anos! - era chamada para entrevistas três vezes menos do que a sua "irmã gémea", na casa dos vinte. Podem imaginar o que disseram alguns desempregados de cinquenta e tal... Esta equação simplista e totalitária entre envelhecimento e ineficácia é pura e simplesmente falsa em grande parte dos casos, o declínio de algumas capacidades vive paredes meias com um património de experiência muitas vezes insubstituível. Os anúncios de empregos com limites de idade serão ilegais até ao fim do ano. Em Inglaterra...
sexta-feira, julho 28, 2006
Não há piores cegos...
Polícia alemã confirma autenticidade do Diário de Anne Frank
A polícia judiciária federal alemã (BKA) confirmou esta semana, após muitas solicitações, a autenticidade do Diário de Anne Frank, contestada por neonazis, com base numa peritagem feita em 1980.
O Centro Anne Frank, em Berlim, foi uma das instituições que voltou a exigir recentemente uma tomada de posição clara da BKA sobre o referido parecer, depois de ter processado vários neonazis por terem posto em causa a autenticidade do Diário.
Satisfeito com o esclarecimento da BKA, o director do Centro, Thomas Heppener, disse esperar que fiquem agora «dissipadas todas as dúvidas» sobre a autenticidade do livro.
No seu Diário, Anne Frank, uma menina judia que morreu de tifo, em Fevereiro/Março de 1945, com apenas 15 anos, (a data exacta da sua morte não é conhecida), em Bergen-Belsen, poucas semanas antes de este campo de concentração nazi ser libertado por tropas norte-americanas, descreve como a família se escondeu numa casa em Amesterdão, na Holanda, até ser deportada para Auschwitz-Birkenau.
O livro, que faz parte de muitos programas escolares em todo o mundo, é um símbolo da educação democrática e antifascista do pós- guerra, e serviu já para consciencializar milhões de jovens.
Num comunicado à imprensa datado de quarta-feira, a BKA sublinha que a peritagem feita em 1980 pelo seu Instituto de Técnica Criminal «não pode ser invocada para pôr em causa a autenticidade do Diário de Anne Frank».
O parecer em questão foi elaborado no âmbito de um julgamento que decorreu em Hamburgo, mas segundo a BKA «não se destinava a pôr em causa a autoria do Diário, e sim a apurar se o material usado, papel e lápis, já existia durante a II Guerra Mundial, o que os especialistas, aliás, confirmaram».
No mesmo parecer, apenas se refere também que algumas correcções, sem se especificar quais, foram feitas com pasta de esferográfica só existente a partir de 1951.
Um artigo publicado em 1980 no semanário «der Spiegel», com base na referida peritagem, e em que se afirmava que «o que emocionou o mundo não foi escrito pela mão de Anne Frank», serviu, no entanto, de pretexto a neonazis para passarem a falar de uma falsificação.
Na verdade, segundo David Barnoyuw, do Instituto Holandês da Documentação de Guerra, considerado o maior especialista na matéria, os escritos de Anne Frank apenas foram resumidos e compilados pelo pai e pelos leitores da editora que publicou o Diário.
O próprio Barnouw publicou, em 1986,a versão integral do Diário, criticada e comentada, e garantiu repetidamente que só a paginação de uma parte do manuscrito foi mais tarde acrescentada a esferográfica.
Além disso, segundo o mesmo perito, há dois fragmentos de papel que não provêm da mão de Anne Frank, e foram mais tarde apensos ao Diário. «Se eu encontrar a Magna Carta e escrever nela alguma coisa a esferográfica, não deixa de ser a Magna Carta», resumiu Barnouw, em declarações ao jornal Frankfurter Allgemeine.
O Diário de Anne Frank foi encontrado já depois do fim da II Guerra Mundial por trabalhadores de uma firma no prédio de Amesterdão onde a família se escondeu dos nazis, e publicado em livro pelo pai, Otto Frank (1889-1980), único membro da família que sobreviveu ao Holocausto.
Logo a seguir à publicação do Diário, em 1947, círculos neonazis puseram em causa a sua autenticidade, e Otto Frank moveu vários processos judiciais por calúnia e difamação contra os autores de tais afirmações.
Há duas semanas, em meados de Julho, simpatizantes neonazis queimaram um exemplar do Diário de Anne Frank e outros livros de escritores antifascistas em Pretzien, no leste da Alemanha, imitando assim a famosa queima de livros de escritores democráticos levada a cabo pelos nazis em várias cidades alemãs, a 10 de Maio de 1933.
O incidente em Pretzien, que só foi revelado dias depois, mas causou grande indignação nos meios democráticos alemães, está a ser investigado pelo Ministério Público de Magdeburgo.
Na altura, o caso foi registado pela polícia local como simples «perturbação da ordem pública».
Diário Digital / Lusa
28-07-2006 12:33:00
A polícia judiciária federal alemã (BKA) confirmou esta semana, após muitas solicitações, a autenticidade do Diário de Anne Frank, contestada por neonazis, com base numa peritagem feita em 1980.
O Centro Anne Frank, em Berlim, foi uma das instituições que voltou a exigir recentemente uma tomada de posição clara da BKA sobre o referido parecer, depois de ter processado vários neonazis por terem posto em causa a autenticidade do Diário.
Satisfeito com o esclarecimento da BKA, o director do Centro, Thomas Heppener, disse esperar que fiquem agora «dissipadas todas as dúvidas» sobre a autenticidade do livro.
No seu Diário, Anne Frank, uma menina judia que morreu de tifo, em Fevereiro/Março de 1945, com apenas 15 anos, (a data exacta da sua morte não é conhecida), em Bergen-Belsen, poucas semanas antes de este campo de concentração nazi ser libertado por tropas norte-americanas, descreve como a família se escondeu numa casa em Amesterdão, na Holanda, até ser deportada para Auschwitz-Birkenau.
O livro, que faz parte de muitos programas escolares em todo o mundo, é um símbolo da educação democrática e antifascista do pós- guerra, e serviu já para consciencializar milhões de jovens.
Num comunicado à imprensa datado de quarta-feira, a BKA sublinha que a peritagem feita em 1980 pelo seu Instituto de Técnica Criminal «não pode ser invocada para pôr em causa a autenticidade do Diário de Anne Frank».
O parecer em questão foi elaborado no âmbito de um julgamento que decorreu em Hamburgo, mas segundo a BKA «não se destinava a pôr em causa a autoria do Diário, e sim a apurar se o material usado, papel e lápis, já existia durante a II Guerra Mundial, o que os especialistas, aliás, confirmaram».
No mesmo parecer, apenas se refere também que algumas correcções, sem se especificar quais, foram feitas com pasta de esferográfica só existente a partir de 1951.
Um artigo publicado em 1980 no semanário «der Spiegel», com base na referida peritagem, e em que se afirmava que «o que emocionou o mundo não foi escrito pela mão de Anne Frank», serviu, no entanto, de pretexto a neonazis para passarem a falar de uma falsificação.
Na verdade, segundo David Barnoyuw, do Instituto Holandês da Documentação de Guerra, considerado o maior especialista na matéria, os escritos de Anne Frank apenas foram resumidos e compilados pelo pai e pelos leitores da editora que publicou o Diário.
O próprio Barnouw publicou, em 1986,a versão integral do Diário, criticada e comentada, e garantiu repetidamente que só a paginação de uma parte do manuscrito foi mais tarde acrescentada a esferográfica.
Além disso, segundo o mesmo perito, há dois fragmentos de papel que não provêm da mão de Anne Frank, e foram mais tarde apensos ao Diário. «Se eu encontrar a Magna Carta e escrever nela alguma coisa a esferográfica, não deixa de ser a Magna Carta», resumiu Barnouw, em declarações ao jornal Frankfurter Allgemeine.
O Diário de Anne Frank foi encontrado já depois do fim da II Guerra Mundial por trabalhadores de uma firma no prédio de Amesterdão onde a família se escondeu dos nazis, e publicado em livro pelo pai, Otto Frank (1889-1980), único membro da família que sobreviveu ao Holocausto.
Logo a seguir à publicação do Diário, em 1947, círculos neonazis puseram em causa a sua autenticidade, e Otto Frank moveu vários processos judiciais por calúnia e difamação contra os autores de tais afirmações.
Há duas semanas, em meados de Julho, simpatizantes neonazis queimaram um exemplar do Diário de Anne Frank e outros livros de escritores antifascistas em Pretzien, no leste da Alemanha, imitando assim a famosa queima de livros de escritores democráticos levada a cabo pelos nazis em várias cidades alemãs, a 10 de Maio de 1933.
O incidente em Pretzien, que só foi revelado dias depois, mas causou grande indignação nos meios democráticos alemães, está a ser investigado pelo Ministério Público de Magdeburgo.
Na altura, o caso foi registado pela polícia local como simples «perturbação da ordem pública».
Diário Digital / Lusa
28-07-2006 12:33:00
quinta-feira, julho 27, 2006
Primeiras impressões.
Perder nesta altura da época não é grave. Mas apanhar um banho táctico e ver uma equipa com menos tempo de preparação chegar primeiro a todas as bolas..., não anuncia nada de bom!
Edificante...
Tratar homossexuais com desprezo «é correcto»
2006/07/26 | 12:57
Esta é a opinião de 25 por cento dos jovens de Madrid. Mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença.
Um em cada quatro jovens espanhóis consideram correcto tratar com desprezo os homossexuais, e mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença, de acordo com um estudo revelado esta quarta-feira, citado pela agência Lusa.
O estudo, realizado pelo Colectivo de Lésbicas, Gays, Transsexuais e Bissexuais de Madrid (COGAM) em conjunto com a Universidade Autónoma de Madrid demonstra que cerca de 25 por cento dos jovens na capital espanhola consideram que casais homossexuais não devem mostrar afecto em público.
A análise revela que os rapazes são muito menos tolerantes que as raparigas, e quase todos acabam por adoptar posturas de homofobia, num ou noutro caso, como explica Octávio Moreno, o autor do estudo.
A organização responsável pelo estudo dá conta de vários casos de ataques de grupos de jovens contra indivíduos ou casais homossexuais em Madrid.
O estudo foi divulgado dias depois de um casal de homossexuais ter sido espancado por um grupo de jovens, a maioria menores, depois de terem trocado um beijo numa piscina em Madrid.
2006/07/26 | 12:57
Esta é a opinião de 25 por cento dos jovens de Madrid. Mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença.
Um em cada quatro jovens espanhóis consideram correcto tratar com desprezo os homossexuais, e mais de 28 por cento consideram a homossexualidade uma doença, de acordo com um estudo revelado esta quarta-feira, citado pela agência Lusa.
O estudo, realizado pelo Colectivo de Lésbicas, Gays, Transsexuais e Bissexuais de Madrid (COGAM) em conjunto com a Universidade Autónoma de Madrid demonstra que cerca de 25 por cento dos jovens na capital espanhola consideram que casais homossexuais não devem mostrar afecto em público.
A análise revela que os rapazes são muito menos tolerantes que as raparigas, e quase todos acabam por adoptar posturas de homofobia, num ou noutro caso, como explica Octávio Moreno, o autor do estudo.
A organização responsável pelo estudo dá conta de vários casos de ataques de grupos de jovens contra indivíduos ou casais homossexuais em Madrid.
O estudo foi divulgado dias depois de um casal de homossexuais ter sido espancado por um grupo de jovens, a maioria menores, depois de terem trocado um beijo numa piscina em Madrid.
quarta-feira, julho 26, 2006
Declaração.
Os abaixo assinados, à revelia do interessado, declaram o seguinte:
Celebramos hoje o Dia dos Avós, pessoas merecedoras do maior carinho, em especial os nossos próprios Avós maternos e Avó paterna. Quanto ao Avô Júlio, continua em período experimental, como o treinador italiano do Porto que acabou no olho da rua. Apesar das suas tentativas, ainda não atingiu os níveis mínimos de eficiência que nos permitiriam dar-lhe nota positiva, apesar de já lhe termos explicado pacientemente que o amor não chega, pressupõe acções que o confirmem e reforcem. E no terreno, pedra de toque da boa investigação etnográfica, o Avô falha demasiado - por distracção, preguiça e ignorância. A nossa ternura por ele permanecerá, portanto, vigilante. Se progressos notórios não forem observados a curto prazo, compraremos outro no El Corte Ingles de Gaia, enviando o Avô Júlio para o retiro de Cantelães, onde poderá viver em paz com as cabrinhas, os garranos e outros animais menos exigentes em termos de afecto, transportes e prendas do que nós. Pelo exposto, não o incluiremos na nossa ronda de hoje pelos outros, que terão direito a beijinhos e abraços.
OS NETOS A QUEM OS MERECE. A LUTA CONTINUA, SE FOR PRECISO..., AVÔ JÚLIO PARA A RUA!
Gaspar Minnemann Machado Vaz e Tiago Minnemann Machado Vaz, mais conhecidos pelos anjinhos da Foz.
Celebramos hoje o Dia dos Avós, pessoas merecedoras do maior carinho, em especial os nossos próprios Avós maternos e Avó paterna. Quanto ao Avô Júlio, continua em período experimental, como o treinador italiano do Porto que acabou no olho da rua. Apesar das suas tentativas, ainda não atingiu os níveis mínimos de eficiência que nos permitiriam dar-lhe nota positiva, apesar de já lhe termos explicado pacientemente que o amor não chega, pressupõe acções que o confirmem e reforcem. E no terreno, pedra de toque da boa investigação etnográfica, o Avô falha demasiado - por distracção, preguiça e ignorância. A nossa ternura por ele permanecerá, portanto, vigilante. Se progressos notórios não forem observados a curto prazo, compraremos outro no El Corte Ingles de Gaia, enviando o Avô Júlio para o retiro de Cantelães, onde poderá viver em paz com as cabrinhas, os garranos e outros animais menos exigentes em termos de afecto, transportes e prendas do que nós. Pelo exposto, não o incluiremos na nossa ronda de hoje pelos outros, que terão direito a beijinhos e abraços.
OS NETOS A QUEM OS MERECE. A LUTA CONTINUA, SE FOR PRECISO..., AVÔ JÚLIO PARA A RUA!
Gaspar Minnemann Machado Vaz e Tiago Minnemann Machado Vaz, mais conhecidos pelos anjinhos da Foz.
terça-feira, julho 25, 2006
Santa inconsciência...
Maioria das portuguesas esquece-se de tomar a pílula
A pílula é o contraceptivo mais usado pelas portuguesas entre os 16 e os 34 anos, mas a maioria esquece-se de a tomar diariamente e, em férias, revela pouca preocupação com a contracepção, indica um estudo apresentado hoje.
Intitulado «Summer Loving Survey», o estudo procurou avaliar a predisposição das mulheres portuguesas para o envolvimento sexual durante as férias e quais as formas mais utilizadas para evitar uma gravidez indesejável ou doenças sexualmente transmissíveis.
Realizado pelo laboratório farmacêutico Organon, com o apoio da Associação para o Planeamento da Família (APF), o trabalho inquiriu 601 mulheres residentes em Portugal Continental, entre 21 de Junho e 10 de Julho.
Os resultados revelam que quatro em cada dez portuguesas preocupa-se em organizar a contracepção para usar durante as férias, com a pílula a ser o contraceptivo mais usado (99% indicam- no como preferencial), mas 83% esquece-se «ocasionalmente» ou «com frequência» de a tomar.
Um valor muito superior ao que se verifica durante o dia-a-dia, em que 68% as mulheres afirmam esquecer-se de tomar este contraceptivo.
Ainda assim, 68% das inquiridas admite que «ter um contraceptivo» as faz sentir «confiantes».
Para o director da APF, Duarte Vilar, estes dados dizem que «não se pode estar descansado porque a esmagadora maioria das mulheres que usa contracepção usa a pílula», uma vez que elas «utilizam os contraceptivos com falhas».
Além do risco de uma gravidez indesejada, no caso do uso incorrecto da pílula, Duarte Vilar salienta que o uso incorrecto dos métodos de contracepção representa também uma maior possibilidade de contrair uma infecção sexualmente transmissível.
Para combater este cenário, o director da APF realçou a necessidade de a «educação sexual não ser só dirigida aos jovens e às escolas, mas também aos jovens adultos».
No que toca às principais preocupações das veraneantes portuguesas para os tempos de ócio, o estudo indica que a tabela é liderada pelo bom tempo (86%), a oportunidade de quebrar a rotina (75%) e a possibilidade de descansar (74%).
A possibilidade de se envolver num romance de férias é muito importante apenas para 32% e um terço pensa o mesmo em relação à existência de romance e intimidade física durante o descanso de Verão.
Quanto aos comportamentos que costumam ter antes de ir de férias, a maioria das mulheres dedica-se a organizar o dinheiro e a fazer compras (fato de banho, roupa, acessórios e cosmética) para esse período.
Aproveitar o tempo de férias para dar nova cor à sua vida sexual não faz parte dos planos das inquiridas para o período de veraneio, pois apenas 27% se declara mais sexualmente activa, enquanto 23% diz gostar mais de ter relações sexuais nesta altura.
Para a maioria (54%), o apetite sexual em férias é exactamente igual ao sentido durante os meses de trabalho e mais de metade das portuguesas entrevistadas nunca teve relações sexuais ocasionais.
Diário Digital / Lusa
25-07-2006 10:35:00
A pílula é o contraceptivo mais usado pelas portuguesas entre os 16 e os 34 anos, mas a maioria esquece-se de a tomar diariamente e, em férias, revela pouca preocupação com a contracepção, indica um estudo apresentado hoje.
Intitulado «Summer Loving Survey», o estudo procurou avaliar a predisposição das mulheres portuguesas para o envolvimento sexual durante as férias e quais as formas mais utilizadas para evitar uma gravidez indesejável ou doenças sexualmente transmissíveis.
Realizado pelo laboratório farmacêutico Organon, com o apoio da Associação para o Planeamento da Família (APF), o trabalho inquiriu 601 mulheres residentes em Portugal Continental, entre 21 de Junho e 10 de Julho.
Os resultados revelam que quatro em cada dez portuguesas preocupa-se em organizar a contracepção para usar durante as férias, com a pílula a ser o contraceptivo mais usado (99% indicam- no como preferencial), mas 83% esquece-se «ocasionalmente» ou «com frequência» de a tomar.
Um valor muito superior ao que se verifica durante o dia-a-dia, em que 68% as mulheres afirmam esquecer-se de tomar este contraceptivo.
Ainda assim, 68% das inquiridas admite que «ter um contraceptivo» as faz sentir «confiantes».
Para o director da APF, Duarte Vilar, estes dados dizem que «não se pode estar descansado porque a esmagadora maioria das mulheres que usa contracepção usa a pílula», uma vez que elas «utilizam os contraceptivos com falhas».
Além do risco de uma gravidez indesejada, no caso do uso incorrecto da pílula, Duarte Vilar salienta que o uso incorrecto dos métodos de contracepção representa também uma maior possibilidade de contrair uma infecção sexualmente transmissível.
Para combater este cenário, o director da APF realçou a necessidade de a «educação sexual não ser só dirigida aos jovens e às escolas, mas também aos jovens adultos».
No que toca às principais preocupações das veraneantes portuguesas para os tempos de ócio, o estudo indica que a tabela é liderada pelo bom tempo (86%), a oportunidade de quebrar a rotina (75%) e a possibilidade de descansar (74%).
A possibilidade de se envolver num romance de férias é muito importante apenas para 32% e um terço pensa o mesmo em relação à existência de romance e intimidade física durante o descanso de Verão.
Quanto aos comportamentos que costumam ter antes de ir de férias, a maioria das mulheres dedica-se a organizar o dinheiro e a fazer compras (fato de banho, roupa, acessórios e cosmética) para esse período.
Aproveitar o tempo de férias para dar nova cor à sua vida sexual não faz parte dos planos das inquiridas para o período de veraneio, pois apenas 27% se declara mais sexualmente activa, enquanto 23% diz gostar mais de ter relações sexuais nesta altura.
Para a maioria (54%), o apetite sexual em férias é exactamente igual ao sentido durante os meses de trabalho e mais de metade das portuguesas entrevistadas nunca teve relações sexuais ocasionais.
Diário Digital / Lusa
25-07-2006 10:35:00
segunda-feira, julho 24, 2006
O texto do abaixo-assinado (www.juntosnorivoli.com).
Os abaixo-assinados, cidadãos do Porto, cidadãos do Mundo, incapazes de aceitar passivamente a prepotência e a mais preocupante cegueira política, opõem-se veementemente à decisão recentemente comunicada pelo Presidente da Câmara Municipal do Porto de concessionar a «exploração» do Rivoli Teatro Municipal a entidades privadas. Quando, há quase dez anos, o Rivoli Teatro Municipal reabriu as suas portas, fazia-o com um objectivo muito preciso: dar finalmente corpo, na cidade do Porto, à ideia de um Teatro Municipal contemporâneo, de vocação multi-disciplinar, aberto à inteligência, motor de conhecimento e criatividade, capaz de ajudar a caracterizar o Porto como cidade cosmopolita, como uma das grandes cidades europeias.
Um espaço para onde convergiram as diferentes linguagens, todos os tipos de públicos, os maiores nomes, bem como os novos artistas, os principais festivais da cidade, motores de toda uma dinâmica que se pretendia continuar e desenvolver, envolvendo mais e mais vozes e protagonistas. O papel insubstituível do Estado – seja o estado central seja a administração autárquica – na criação e manutenção de espaços de crescimento e afirmação das artes performativas (por definição, as mais sociais das artes) é um dado civilizacional de base que não é questionado em nenhum país ocidental. Tal como, de resto, o papel das artes e das correlativas actividades culturais na afirmação de maturidade de uma comunidade, ou ainda na sua afirmação plena nos contextos nacional e internacional. Não é pois possível aceitar que a decisão unilateral de um edil – uma decisão que equivale, pelo absurdo, à de arrasar todas as árvores da cidade, invocando o respectivo, necessariamente elevadíssimo custo de manutenção (porque os números, como sabemos, são sempre muito facilmente manipuláveis) – comprometa irremediavelmente um equipamento que, pela sua pertença à cidade, é público por natureza. Numa altura em que o esforço de todo o País deve, como condição de sobrevivência, orientar-se para a educação e para a qualificação, numa altura em que a invenção e a afirmação de uma consciência cidadã são factores críticos de desenvolvimento de uma sociedade que enfrenta desafios novos, esta decisão do Presidente da Câmara Municipal do Porto é inaceitável por razões cívicas e culturais básicas, é medíocre enquanto decisão política e é sinal de uma prática política definida pela arrogância de impor uma curteza de vistas pessoal a toda uma comunidade. No preciso momento em que a rede de Teatros Municipais cresce por todo o País e em que se torna imperioso definir e estabilizar um quadro de cooperação entre os níveis nacional e local que lhes permita serem eficazes na sua missão, o exemplo dado pela segunda cidade do país é desastroso e envergonha quem vê a cidade como algo mais do que uma paróquia. Por estas e muitas outras razões que poderíamos aqui avocar, exigimos a simples anulação desta decisão e o lançamento imediato de uma discussão pública sobre as formas de gestão, financiamento, programação e mediação cultural de um Teatro Municipal digno desse nome e à altura de uma cidade como o Porto
Um espaço para onde convergiram as diferentes linguagens, todos os tipos de públicos, os maiores nomes, bem como os novos artistas, os principais festivais da cidade, motores de toda uma dinâmica que se pretendia continuar e desenvolver, envolvendo mais e mais vozes e protagonistas. O papel insubstituível do Estado – seja o estado central seja a administração autárquica – na criação e manutenção de espaços de crescimento e afirmação das artes performativas (por definição, as mais sociais das artes) é um dado civilizacional de base que não é questionado em nenhum país ocidental. Tal como, de resto, o papel das artes e das correlativas actividades culturais na afirmação de maturidade de uma comunidade, ou ainda na sua afirmação plena nos contextos nacional e internacional. Não é pois possível aceitar que a decisão unilateral de um edil – uma decisão que equivale, pelo absurdo, à de arrasar todas as árvores da cidade, invocando o respectivo, necessariamente elevadíssimo custo de manutenção (porque os números, como sabemos, são sempre muito facilmente manipuláveis) – comprometa irremediavelmente um equipamento que, pela sua pertença à cidade, é público por natureza. Numa altura em que o esforço de todo o País deve, como condição de sobrevivência, orientar-se para a educação e para a qualificação, numa altura em que a invenção e a afirmação de uma consciência cidadã são factores críticos de desenvolvimento de uma sociedade que enfrenta desafios novos, esta decisão do Presidente da Câmara Municipal do Porto é inaceitável por razões cívicas e culturais básicas, é medíocre enquanto decisão política e é sinal de uma prática política definida pela arrogância de impor uma curteza de vistas pessoal a toda uma comunidade. No preciso momento em que a rede de Teatros Municipais cresce por todo o País e em que se torna imperioso definir e estabilizar um quadro de cooperação entre os níveis nacional e local que lhes permita serem eficazes na sua missão, o exemplo dado pela segunda cidade do país é desastroso e envergonha quem vê a cidade como algo mais do que uma paróquia. Por estas e muitas outras razões que poderíamos aqui avocar, exigimos a simples anulação desta decisão e o lançamento imediato de uma discussão pública sobre as formas de gestão, financiamento, programação e mediação cultural de um Teatro Municipal digno desse nome e à altura de uma cidade como o Porto
Sou contra, mas espero sinceramente enganar-me, seria bom para o Porto.
Câmara do Porto espera Rivoli com mais público depois de concessão a privados
24.07.2006 - 20h06 Lusa
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse hoje esperar que o Rivoli - Teatro Municipal venha a ter mais público depois da concessão a privados.
"O Rivoli não vai fechar. Vai continuar aberto e vai até ter muito mais pessoas", disse Rui Rio, à margem de uma visita do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, à Casa da Música.
Rui Rio leva à reunião de amanhã do executivo camarário do Porto propostas de concessão a privados da gestão do Teatro Rivoli e do Pavilhão Rosa Mota, mantendo-se os dois edifícios propriedade do município.
O autarca reafirmou que "a receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", estando a autarquia a canalizar para o teatro 7500 euros por dia, o que corresponde ao dobro do investimento do município na reabilitação de escolas.
Rui Rio salientou que só a partir de amanhã, depois de aprovada a proposta na câmara, irá iniciar a consulta às companhias de teatro portuguesas, propondo-lhes que assumam a gestão do Rivoli por quatro anos, mediante as condições estabelecidas pela autarquia.
Destas condições, o autarca destacou o mínimo de 300 dias de espectáculo por ano, frisando que a manifestação de interesse na gestão do Rivoli é aberta a todos os interessados, mesmo que não venham a receber um contacto prévio da autarquia.
As propostas serão recebidas até ao final de Setembro, comprometendo-se a câmara a escolher uma até ao fim de Outubro.
Rui Rio desvalorizou as críticas à privatização da gestão do Rivoli, nomeadamente da oposição ao executivo PSD/CDS-PP e de vários agentes culturais da cidade, realçando que "quem tem de tomar a decisão é quem foi eleito".
O presidente da câmara salientou que o contrato de concessão será de apenas quatro anos, permitindo a um próximo executivo, se o entender, assumir de novo a gestão pública do Rivoli, o que contrasta com a situação que "herdou" no caso do Teatro do Campo Alegre, uma parceria entre a Câmara e a Universidade do Porto.
"No Teatro do Campo Alegre, herdei um contrato até 2014", afirmou Rui Rio.
24.07.2006 - 20h06 Lusa
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, disse hoje esperar que o Rivoli - Teatro Municipal venha a ter mais público depois da concessão a privados.
"O Rivoli não vai fechar. Vai continuar aberto e vai até ter muito mais pessoas", disse Rui Rio, à margem de uma visita do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, à Casa da Música.
Rui Rio leva à reunião de amanhã do executivo camarário do Porto propostas de concessão a privados da gestão do Teatro Rivoli e do Pavilhão Rosa Mota, mantendo-se os dois edifícios propriedade do município.
O autarca reafirmou que "a receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", estando a autarquia a canalizar para o teatro 7500 euros por dia, o que corresponde ao dobro do investimento do município na reabilitação de escolas.
Rui Rio salientou que só a partir de amanhã, depois de aprovada a proposta na câmara, irá iniciar a consulta às companhias de teatro portuguesas, propondo-lhes que assumam a gestão do Rivoli por quatro anos, mediante as condições estabelecidas pela autarquia.
Destas condições, o autarca destacou o mínimo de 300 dias de espectáculo por ano, frisando que a manifestação de interesse na gestão do Rivoli é aberta a todos os interessados, mesmo que não venham a receber um contacto prévio da autarquia.
As propostas serão recebidas até ao final de Setembro, comprometendo-se a câmara a escolher uma até ao fim de Outubro.
Rui Rio desvalorizou as críticas à privatização da gestão do Rivoli, nomeadamente da oposição ao executivo PSD/CDS-PP e de vários agentes culturais da cidade, realçando que "quem tem de tomar a decisão é quem foi eleito".
O presidente da câmara salientou que o contrato de concessão será de apenas quatro anos, permitindo a um próximo executivo, se o entender, assumir de novo a gestão pública do Rivoli, o que contrasta com a situação que "herdou" no caso do Teatro do Campo Alegre, uma parceria entre a Câmara e a Universidade do Porto.
"No Teatro do Campo Alegre, herdei um contrato até 2014", afirmou Rui Rio.
domingo, julho 23, 2006
Saudades.
Taxi Driver. Quando se aburguesou de Niro? Satisfá-lo-ão as comédias com Billy Cristal? Ou este fogo ainda se esconde algures no fundo, à espera de um bom argumento para consumir o ecrã? Duvido:(.
sexta-feira, julho 21, 2006
A Ana tem razão.
A minha opinião é negar a obsessão
Ana Sá Lopes
Há dias perguntaram a Pedro Silva Pereira, porta-voz do Governo, o que ele pensava sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. Tal como Jerónimo de Sousa num célebre debate antes das Presidenciais de 1996, Pedro Silva Pereira respondeu que tinha que ouvir "o partido". A opinião pessoal de Pedro Silva Pereira é curta e incisiva - é a de que "o PS deve discutir na altura própria". Na entrevista dada ao Público e à Renascença, percebeu-se que o porta-voz do Governo opinião pessoal não tem, ou, por uma razão ou por outra, não a quer revelar.
Mas o que decorre do "pensamento" do porta-voz do PS expresso naquela entrevista é que o partido não vai querer revelar qualquer opinião sobre este assunto nos tempos mais próximos e, provavelmente, durante o resto da legislatura. Qual é hoje, afinal, o principal problema do porta-voz oficial do Governo? Negar, à exaustão, que o Governo esteja preocupado com determinado tipo de assuntos. Não é pedir desculpa, lamentar, reconhecer a dificuldade, o que quer que seja. Não: a preocupação obsessiva é desmentir uma "imagem errada" de que o PS "tem uma obsessão por uma qualquer agenda fracturante". São garantias sobre garantias: "A preocupação do Governo está muito longe de ser dominada por essa agenda" ou "estou muito longe de achar que o nosso final do ano venha a ser dominado pela agenda das questões fracturantes."
Ora o final do ano é para onde foi parar o grande desígnio socialista do referendo para a despenalização do aborto. Ainda que Silva Pereira afirme que, como cidadão e dirigente do PS, participará na campanha, as precauções que o ministro coloca - e o seu terror com a "obsessão fracturante" - suscitam as piores desconfianças sobre qual o empenhamento do Governo na campanha para a despenalização.
Há 50 maneiras de participar na campanha: a pior forma de contribuir para a despenalização do aborto é a marcação de presença por noblesse oblige à semelhança do que José Sócrates fez na campanha presidencial de Mário Soares. Se assim for, por medo da "imagem da obsessão da agenda fracurante", a coisa vai correr mal.
P.S. E eu acrescento: porque utilizar o espantalho do adjectivo "fracturante" à defesa de posições de princípio? Os outros defenderão as suas e ponto final. Tudo o que rodeia a sexualidade parece provocar aos políticos o pânico de uma guerra civil. Parece... Porque não é esse que os atormenta:)))).
Ana Sá Lopes
Há dias perguntaram a Pedro Silva Pereira, porta-voz do Governo, o que ele pensava sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. Tal como Jerónimo de Sousa num célebre debate antes das Presidenciais de 1996, Pedro Silva Pereira respondeu que tinha que ouvir "o partido". A opinião pessoal de Pedro Silva Pereira é curta e incisiva - é a de que "o PS deve discutir na altura própria". Na entrevista dada ao Público e à Renascença, percebeu-se que o porta-voz do Governo opinião pessoal não tem, ou, por uma razão ou por outra, não a quer revelar.
Mas o que decorre do "pensamento" do porta-voz do PS expresso naquela entrevista é que o partido não vai querer revelar qualquer opinião sobre este assunto nos tempos mais próximos e, provavelmente, durante o resto da legislatura. Qual é hoje, afinal, o principal problema do porta-voz oficial do Governo? Negar, à exaustão, que o Governo esteja preocupado com determinado tipo de assuntos. Não é pedir desculpa, lamentar, reconhecer a dificuldade, o que quer que seja. Não: a preocupação obsessiva é desmentir uma "imagem errada" de que o PS "tem uma obsessão por uma qualquer agenda fracturante". São garantias sobre garantias: "A preocupação do Governo está muito longe de ser dominada por essa agenda" ou "estou muito longe de achar que o nosso final do ano venha a ser dominado pela agenda das questões fracturantes."
Ora o final do ano é para onde foi parar o grande desígnio socialista do referendo para a despenalização do aborto. Ainda que Silva Pereira afirme que, como cidadão e dirigente do PS, participará na campanha, as precauções que o ministro coloca - e o seu terror com a "obsessão fracturante" - suscitam as piores desconfianças sobre qual o empenhamento do Governo na campanha para a despenalização.
Há 50 maneiras de participar na campanha: a pior forma de contribuir para a despenalização do aborto é a marcação de presença por noblesse oblige à semelhança do que José Sócrates fez na campanha presidencial de Mário Soares. Se assim for, por medo da "imagem da obsessão da agenda fracurante", a coisa vai correr mal.
P.S. E eu acrescento: porque utilizar o espantalho do adjectivo "fracturante" à defesa de posições de princípio? Os outros defenderão as suas e ponto final. Tudo o que rodeia a sexualidade parece provocar aos políticos o pânico de uma guerra civil. Parece... Porque não é esse que os atormenta:)))).
quinta-feira, julho 20, 2006
Mais do que provável.
Estudo: Classe social condiciona ritmo de envelhecimento
Segundo um estudo hoje divulgado, a classe e os níveis de stress associados ao estatuto social influenciam o ritmo do envelhecimento, independentemente da saúde, dieta e maus hábitos.
20/07/2006
(13:30) Ao estudarem 1.552 irmãs gémeas britânicas, com idades entre 18 e 75 anos, os investigadores constataram que um nível socioeconómico mais baixo, tanto devido ao trabalho como ao estatuto social do cônjuge, acrescenta sete anos à idade biológica da mulher.
Segundo o estudo, hoje citado pelo diário "The Guardian", pertencer a estratos sociais mais baixos aumenta a insegurança, sobretudo no trabalho, e baixa a auto-estima. Isso faz subir os níveis de stress, o que por sua vez pode aumentar os danos a nível celular e acelerar o processo natural de envelhecimento, dizem os cientistas.
A descoberta poderá explicar grandes diferenças nos índices de mortalidade entre as diferentes classes sociais, os quais não podem ser atribuídos apenas a diferenças nos estilos de vida.
Segundo um estudo hoje divulgado, a classe e os níveis de stress associados ao estatuto social influenciam o ritmo do envelhecimento, independentemente da saúde, dieta e maus hábitos.
20/07/2006
(13:30) Ao estudarem 1.552 irmãs gémeas britânicas, com idades entre 18 e 75 anos, os investigadores constataram que um nível socioeconómico mais baixo, tanto devido ao trabalho como ao estatuto social do cônjuge, acrescenta sete anos à idade biológica da mulher.
Segundo o estudo, hoje citado pelo diário "The Guardian", pertencer a estratos sociais mais baixos aumenta a insegurança, sobretudo no trabalho, e baixa a auto-estima. Isso faz subir os níveis de stress, o que por sua vez pode aumentar os danos a nível celular e acelerar o processo natural de envelhecimento, dizem os cientistas.
A descoberta poderá explicar grandes diferenças nos índices de mortalidade entre as diferentes classes sociais, os quais não podem ser atribuídos apenas a diferenças nos estilos de vida.
quarta-feira, julho 19, 2006
Haja respeito! Ou respeitinho?
T-shirt não entra
2006/07/19 | 17:35
Nem jeans rotos. Por causa do prestígio do Parlamento da Madeira
A Assembleia Legislativa da Madeira, onde esta semana seis jornalistas foram impedidos de entrar por estarem vestidos de t-shirt, está a preparar um regulamento de indumentária para os profissionais da informação.
Uma fonte parlamentar disse à Agência Lusa que este regulamento vai substituir as regras avulsas que estão a ser transmitidas - por ordem do presidente da Assembleia Legislativa, Miguel Mendonça - aos jornalistas pelos funcionários da segurança do hemiciclo.
Não foram revelados mais pormenores sobre este novo regulamento.
Segundo as regras, não podem entrar na Assembleia Legislativa jornalistas com calças de ganga rotas (na moda há vários anos), pólos, t-shirts ou que usem sapatilhas, alegando Miguel Mendonça com o prestígio da instituição parlamentar.
Estas directivas têm sido seguidas pelos funcionários do parlamento madeirense, ao ponto de seis jornalistas - do Diário de Noticias da Madeira, RTP, RDP e TSF - terem sido impedidos de entrar no hemiciclo.
Face a esta situação, o Sindicato de Jornalistas (SJ) manifestou a sua preocupação pelo facto dos jornalistas destacados para a Assembleia estarem a ser «alvo de excesso de zelo em relação ao seu vestuário por parte do presidente do parlamento madeirense».
A Direcção Regional da Madeira do SJ «vê estas atitudes de humilhação para com os profissionais da comunicação social como uma forma de desviar as atenções de vários atropelos e violações que se verificam na Assembleia Legislativa: violações ao Regimento, linguagem ofensiva e até ameaças físicas entre deputados».
O sindicato adianta ainda que na Assembleia da República - «a alma mater da democracia parlamentar em Portugal» - os jornalistas não são proibidos de entrar por causa do calçado «nem ninguém anda a olhar-lhes para os pés ou a ver se estão de t-shirt ou camisa de marca».
2006/07/19 | 17:35
Nem jeans rotos. Por causa do prestígio do Parlamento da Madeira
A Assembleia Legislativa da Madeira, onde esta semana seis jornalistas foram impedidos de entrar por estarem vestidos de t-shirt, está a preparar um regulamento de indumentária para os profissionais da informação.
Uma fonte parlamentar disse à Agência Lusa que este regulamento vai substituir as regras avulsas que estão a ser transmitidas - por ordem do presidente da Assembleia Legislativa, Miguel Mendonça - aos jornalistas pelos funcionários da segurança do hemiciclo.
Não foram revelados mais pormenores sobre este novo regulamento.
Segundo as regras, não podem entrar na Assembleia Legislativa jornalistas com calças de ganga rotas (na moda há vários anos), pólos, t-shirts ou que usem sapatilhas, alegando Miguel Mendonça com o prestígio da instituição parlamentar.
Estas directivas têm sido seguidas pelos funcionários do parlamento madeirense, ao ponto de seis jornalistas - do Diário de Noticias da Madeira, RTP, RDP e TSF - terem sido impedidos de entrar no hemiciclo.
Face a esta situação, o Sindicato de Jornalistas (SJ) manifestou a sua preocupação pelo facto dos jornalistas destacados para a Assembleia estarem a ser «alvo de excesso de zelo em relação ao seu vestuário por parte do presidente do parlamento madeirense».
A Direcção Regional da Madeira do SJ «vê estas atitudes de humilhação para com os profissionais da comunicação social como uma forma de desviar as atenções de vários atropelos e violações que se verificam na Assembleia Legislativa: violações ao Regimento, linguagem ofensiva e até ameaças físicas entre deputados».
O sindicato adianta ainda que na Assembleia da República - «a alma mater da democracia parlamentar em Portugal» - os jornalistas não são proibidos de entrar por causa do calçado «nem ninguém anda a olhar-lhes para os pés ou a ver se estão de t-shirt ou camisa de marca».
terça-feira, julho 18, 2006
Já a Comissão de que fiz parte em 98 o recomendava (por maioria...).
Comissão: Peritos nomeados pelo Governo recomendam
Troca de seringas nas prisões
Carlos Barroso
A Comissão de peritos nomeada por despacho conjunto dos ministros da Justiça e da Saúde em Janeiro deste ano para o combate à propagação de doenças infecto-contagiosas em meio prisional vai recomendar a adopção de programas de troca de seringas, efectuada por técnicos de saúde em todas as prisões portuguesas, apurou o CM.
Paralelamente, a mesma comissão proporá ainda três ou quatro programas-piloto de troca de seringas por máquinas (põe-se uma seringa usada, sai uma nova) estando ainda por definir quais os estabelecimentos prisionais em que será proposta esta segunda fórmula.
As prisões em que será sugerida a troca por máquinas deverão ser definidas na próxima quinta-feira, 20 de Julho, última reunião de trabalho da Comissão antes de entregar as recomendações aos dois ministros.
Publicado em ‘Diário da República’ no passado dia 24 de Janeiro, o despacho ministerial conjunto que constituiu o grupo de trabalho deu aos respectivos membros um “prazo de 180 dias” para “apresentar as propostas”, cujas linhas gerais o CM hoje antecipa.
Depois de ouvidos representantes dos vários sectores ligados ao meio prisional, incluindo o Sindicato do Corpo de Guardas Prisionais, o grupo de trabalho vai propor que sejam disponibilizados “programas de troca de seringas nos postos clínicos de todos os estabelecimentos prisionais do País”.
A troca passa pela disponibilização ao recluso toxicodependente, portador de uma seringa usada, de um ‘kit’ de consumo asséptico, a exemplo do que sucede nas farmácias normais.
Serão ainda recomendados três ou quatro programas-pilotos, a reavaliar no prazo de um ano, de troca de seringas efectuada em máquina. Semelhante às máquinas de venda de cigarros, bebidas e produtos alimentares, estes equipamentos não funcionam com moedas, mas por troca directa de seringas: põe-se uma velha, sai uma nova.
A coordenadora da Comissão, Graça Poças, explica que “o objectivo é não discriminar os reclusos face ao meio externo”, acrescentando que é essencial a “integração dos presidiários no Serviço Nacional de Saúde”. Mais, defende que, “se há um Plano Nacional para a Tuberculose, não se percebe porque não são os reclusos abrangidos por ele”.
As recomendações não são vinculativas, mas os peritos foram escolhidos pelos ministros da Justiça e da Saúde. Dois membros do grupo de trabalho (João Goulão e Nuno Miguel) fizeram parte da Comissão para a Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga em 1999, que, nomeada pelo então ministro Adjunto e actual primeiro-ministro, José Sócrates, deu origem à descriminalização do consumo de drogas.
DA ABERTURA LEGAL À REALIDADE ACTUAL
A possibilidade de programas de troca de seringas em meio prisional foi aberta com a Lei n.º 170/99, que descriminalizou o consumo de drogas. À data responsável por esta tutela, o então secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Vitalino Canas, liderou, em 2001, uma delegação portuguesa para tomar conhecimento de experiências em curso nas prisões de Espanha e da Suíça (Berna). Apesar de algumas posições favoráveis, como João Goulão e Elza Pais, e reservas de outros, como Celso Manata (ex-director- -geral dos Serviços Prisionais), o processo não conheceu qualquer evolução legal. Das eleições seguintes resultou uma maioria PSD/CDS-PP, sendo a ministra da Justiça, Celeste Cardona, frontalmente contra aquela possibilidade. Agora, face à elevada percentagem de presos toxicodependentes e infectados por uma ou mais doenças infecto-contagiosas (34,9% sofre de hepatite), os ministros da Justiça e da Saúde nomearam uma comissão para elaborar um plano de acção com vista ao combate às doenças infecto-contagiosas em meio prisional.
AS OUTRAS PROPOSTAS
Além da possibilidade da troca de seringas pelo pessoal de saúde em todos os estabelecimentos prisionais e da criação de três ou quatro programas-piloto de troca por máquina, a Comissão propõe um conjunto alargado de intervenções em meio prisional. Incluem-se o alargamento dos programas terapêuticos livres de drogas, dos programas de substituição por metadona e a integração dos reclusos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Passa a caber às Administrações Regionais de Saúde, em conjunto com o Instituto das Drogas e Toxicodependência, integrar os presos nos respectivos serviços, incluindo o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose.
REALIDADE EM NÚMEROS
12 728: Era o total de reclusos existentes nas cadeias portuguesas a 31 de Dezembro de 2005.
1152: É o total de presos positivos para o VIH/sida, dos quais 658 fazem terapia anti-retroviral.
9,03%: Percentagem de reclusos infectados pelo VIH/sida. No total, 1093 são homens e 56 mulheres.
34,9%: Percentagem de reclusos com hepatites. Destes, 2500 têm hepatite C, 433 têm hepatite B e 240 têm ambas.
250: Euros por semana, por recluso, é quanto custa o tratamento, com ‘interferão’, para a hepatite C.
'SISTEMA PRISIONAL SEM CONDIÇÕES' (Fernando Negrão, Deputado eleito pelo PSD)
“Instalações inadequadas, excesso de reclusos, falta de guardas e sistema de saúde indefinido marcam o nosso meio prisional. Enquanto assim for, creio não haver condições. Se, por hipótese, todos os outros problemas estivessem resolvidos, o modelo que eu preferiria era o que assegurasse a confidencialidade para evitar retaliações.”
'É UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA' (Carlos Poiares, Professor de Psicologia Criminal)
“Enquanto houver consumo nas cadeias, é uma questão de saúde pública. Sai mais barato uma seringa do que uma doença infecto-contagiosa. Os consumidores condenados a uma pena não são condenados a uma doença. Acho que os reclusos devem sentir-se mais à vontade frente a uma máquina do que frente ao profissional de saúde.”
Rui Arala Chaves
P.S. Já referi que concordo com a medida, mas um dos comentários à notícia fez-me sorrir. Perguntava um dos leitores - "Mas de onde vem a droga?". Pois. Se ela não entrasse:))))). Ora aí está um tema que é um vespeiro...
Troca de seringas nas prisões
Carlos Barroso
A Comissão de peritos nomeada por despacho conjunto dos ministros da Justiça e da Saúde em Janeiro deste ano para o combate à propagação de doenças infecto-contagiosas em meio prisional vai recomendar a adopção de programas de troca de seringas, efectuada por técnicos de saúde em todas as prisões portuguesas, apurou o CM.
Paralelamente, a mesma comissão proporá ainda três ou quatro programas-piloto de troca de seringas por máquinas (põe-se uma seringa usada, sai uma nova) estando ainda por definir quais os estabelecimentos prisionais em que será proposta esta segunda fórmula.
As prisões em que será sugerida a troca por máquinas deverão ser definidas na próxima quinta-feira, 20 de Julho, última reunião de trabalho da Comissão antes de entregar as recomendações aos dois ministros.
Publicado em ‘Diário da República’ no passado dia 24 de Janeiro, o despacho ministerial conjunto que constituiu o grupo de trabalho deu aos respectivos membros um “prazo de 180 dias” para “apresentar as propostas”, cujas linhas gerais o CM hoje antecipa.
Depois de ouvidos representantes dos vários sectores ligados ao meio prisional, incluindo o Sindicato do Corpo de Guardas Prisionais, o grupo de trabalho vai propor que sejam disponibilizados “programas de troca de seringas nos postos clínicos de todos os estabelecimentos prisionais do País”.
A troca passa pela disponibilização ao recluso toxicodependente, portador de uma seringa usada, de um ‘kit’ de consumo asséptico, a exemplo do que sucede nas farmácias normais.
Serão ainda recomendados três ou quatro programas-pilotos, a reavaliar no prazo de um ano, de troca de seringas efectuada em máquina. Semelhante às máquinas de venda de cigarros, bebidas e produtos alimentares, estes equipamentos não funcionam com moedas, mas por troca directa de seringas: põe-se uma velha, sai uma nova.
A coordenadora da Comissão, Graça Poças, explica que “o objectivo é não discriminar os reclusos face ao meio externo”, acrescentando que é essencial a “integração dos presidiários no Serviço Nacional de Saúde”. Mais, defende que, “se há um Plano Nacional para a Tuberculose, não se percebe porque não são os reclusos abrangidos por ele”.
As recomendações não são vinculativas, mas os peritos foram escolhidos pelos ministros da Justiça e da Saúde. Dois membros do grupo de trabalho (João Goulão e Nuno Miguel) fizeram parte da Comissão para a Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga em 1999, que, nomeada pelo então ministro Adjunto e actual primeiro-ministro, José Sócrates, deu origem à descriminalização do consumo de drogas.
DA ABERTURA LEGAL À REALIDADE ACTUAL
A possibilidade de programas de troca de seringas em meio prisional foi aberta com a Lei n.º 170/99, que descriminalizou o consumo de drogas. À data responsável por esta tutela, o então secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Vitalino Canas, liderou, em 2001, uma delegação portuguesa para tomar conhecimento de experiências em curso nas prisões de Espanha e da Suíça (Berna). Apesar de algumas posições favoráveis, como João Goulão e Elza Pais, e reservas de outros, como Celso Manata (ex-director- -geral dos Serviços Prisionais), o processo não conheceu qualquer evolução legal. Das eleições seguintes resultou uma maioria PSD/CDS-PP, sendo a ministra da Justiça, Celeste Cardona, frontalmente contra aquela possibilidade. Agora, face à elevada percentagem de presos toxicodependentes e infectados por uma ou mais doenças infecto-contagiosas (34,9% sofre de hepatite), os ministros da Justiça e da Saúde nomearam uma comissão para elaborar um plano de acção com vista ao combate às doenças infecto-contagiosas em meio prisional.
AS OUTRAS PROPOSTAS
Além da possibilidade da troca de seringas pelo pessoal de saúde em todos os estabelecimentos prisionais e da criação de três ou quatro programas-piloto de troca por máquina, a Comissão propõe um conjunto alargado de intervenções em meio prisional. Incluem-se o alargamento dos programas terapêuticos livres de drogas, dos programas de substituição por metadona e a integração dos reclusos no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Passa a caber às Administrações Regionais de Saúde, em conjunto com o Instituto das Drogas e Toxicodependência, integrar os presos nos respectivos serviços, incluindo o Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose.
REALIDADE EM NÚMEROS
12 728: Era o total de reclusos existentes nas cadeias portuguesas a 31 de Dezembro de 2005.
1152: É o total de presos positivos para o VIH/sida, dos quais 658 fazem terapia anti-retroviral.
9,03%: Percentagem de reclusos infectados pelo VIH/sida. No total, 1093 são homens e 56 mulheres.
34,9%: Percentagem de reclusos com hepatites. Destes, 2500 têm hepatite C, 433 têm hepatite B e 240 têm ambas.
250: Euros por semana, por recluso, é quanto custa o tratamento, com ‘interferão’, para a hepatite C.
'SISTEMA PRISIONAL SEM CONDIÇÕES' (Fernando Negrão, Deputado eleito pelo PSD)
“Instalações inadequadas, excesso de reclusos, falta de guardas e sistema de saúde indefinido marcam o nosso meio prisional. Enquanto assim for, creio não haver condições. Se, por hipótese, todos os outros problemas estivessem resolvidos, o modelo que eu preferiria era o que assegurasse a confidencialidade para evitar retaliações.”
'É UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA' (Carlos Poiares, Professor de Psicologia Criminal)
“Enquanto houver consumo nas cadeias, é uma questão de saúde pública. Sai mais barato uma seringa do que uma doença infecto-contagiosa. Os consumidores condenados a uma pena não são condenados a uma doença. Acho que os reclusos devem sentir-se mais à vontade frente a uma máquina do que frente ao profissional de saúde.”
Rui Arala Chaves
P.S. Já referi que concordo com a medida, mas um dos comentários à notícia fez-me sorrir. Perguntava um dos leitores - "Mas de onde vem a droga?". Pois. Se ela não entrasse:))))). Ora aí está um tema que é um vespeiro...
segunda-feira, julho 17, 2006
Isto é que é moralização, caramba!
Carmona limita salários de assessores
2006/07/17 | 18:10
Depois de polémica na passada semana, câmara de Lisboa altera regras do jogo
A Câmara de Lisboa vai criar um tecto de 30 mil euros para as avenças dos assessores contratados, e, naqueles que não ultrapassam este montante, diminuindo em 5 ou 10 por cento o valor dos contratos, noticia esta segunda-feira o Correio da Manhã.
Os avençados e assessores requisitados à Funcão Pública verão salário reduzido, uma vez que passam a ser proibidos de dobrar o vencimento com horas extraordinárias.
Como o vice-presidente anunciou em conferência de imprensa, há contratos que não serão renovados.
2006/07/17 | 18:10
Depois de polémica na passada semana, câmara de Lisboa altera regras do jogo
A Câmara de Lisboa vai criar um tecto de 30 mil euros para as avenças dos assessores contratados, e, naqueles que não ultrapassam este montante, diminuindo em 5 ou 10 por cento o valor dos contratos, noticia esta segunda-feira o Correio da Manhã.
Os avençados e assessores requisitados à Funcão Pública verão salário reduzido, uma vez que passam a ser proibidos de dobrar o vencimento com horas extraordinárias.
Como o vice-presidente anunciou em conferência de imprensa, há contratos que não serão renovados.
sábado, julho 15, 2006
Associação livre.
O Expresso. O artigo sobre a Guerra Civil Espanhola. Claro que o lado republicano não era tão angelical como meu Pai jurava. Mas como comparar? As Brigadas Internacionais e a aura romântica que justamente as acompanhou. Badajoz - e tudo o resto... - com a cumplicidade salazarista. Malraux e A Esperança. Esses magníficoa anarquistas, fora do tempo, fora da disciplina necessária para ganhar uma guerra, mas dentro de um sonho que me maravilha. O meu Pai, definitivo - a Anarquia não é a ausência de Governo, é a sua inutilidade. O laboratório da Alemanha e da Itália. A cobardia da França e da Inglaterra. Guernica. O uivo dos stukas. O exílio de tantos e a morte de muitos mais. Lorca encostado à parede. Unamuno revoltado com o "Viva la muerte". Franco e os mortos que construíram o Vale dos Caídos. Meu Bisavô, no exílio, empurrado para França. Chamberlain, patético - "Paz nos nossos tempos". Quando aprenderemos que os fascismos não interpretam as concessões como provas de conciliação, mas sim de fraqueza? No pasarán, dizia a Pasionaria. Passaram. Para nossa vergonha...
quinta-feira, julho 13, 2006
A propósito da Inquisição e outros tribunais que acarretamos dentro de nós.
Acabo de ler um livro que termina com uma citação feliz de Pierre Bayle: "Os perseguidos não têm sempre razão, mas os perseguidores estão sempre errados".
quarta-feira, julho 12, 2006
Aniversário.
Maria,
Tenho um filho de 32 anos. Vou-te mandar a Atitude com a reportagem sobre Cantelães. O maroto não se limita a ser um óptimo arquitecto, escreve como eu nunca sonhei na sua idade! Mas 32... Já pensaste que, a prazo, serás uma viúva solteira?
Tenho um filho de 32 anos. Vou-te mandar a Atitude com a reportagem sobre Cantelães. O maroto não se limita a ser um óptimo arquitecto, escreve como eu nunca sonhei na sua idade! Mas 32... Já pensaste que, a prazo, serás uma viúva solteira?
terça-feira, julho 11, 2006
Mais um que adormece...
Syd Barrett morreu. Que dizer? Shine on you crazy diamond, wish you were here!
Sem comentários...
Isentar selecção de pagar IRS é «ridículo e inconstitucional»
[ 2006/07/11 | 12:01 ] EditorialPGM
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl disse ao «Jornal de Negócios» que tenciona pedir ao Executivo que os prémios que os jogadores da selecção receberam (50 mil euro cada) pela participação no Mundial de Futebol, sejam isentos de IRS.
O fiscalista Saldanha Sanches considera um «insulto» para quem paga impostos e ganha baixos salários esta eventual isenção de IRS. O especialista em assuntos fiscais disse à agência «Lusa» que a norma do Código do IRS que isenta do imposto os prémios atribuídos aos praticantes de alta competição por classificações relevantes é «escandalosa» e até «inconstitucional».
No seu entender, não tem cabimento discriminar a actuação dos desportistas, quando os profissionais de outras profissões relevantes para a sociedade e para o país pagam normalmente os impostos devidos pelos valores que auferem.
Por outro lado, frisou, «é insultuoso para quem tem baixos salários e paga os seus impostos».
Do mesmo modo, também o fiscalista Medina Carreira afirmou que «poupar trocos a quem ganha milhões» é «ridículo», recusando entrar num debate «idiota» sobre a isenção de IRS do prémio ganho pelos jogadores da Selecção no Mundial 2006.
Medina Carreira disse à agência «Lusa» recusar opinar sobre «coisas parvas», considerando «ridícula» a discussão à volta de um pedido de isenção para uma quantia que é «irrisória» para os bolsos dos futebolistas que jogam na Selecção.
«Essa é uma discussão sem alcance», afirmou, declarando a sua posição de princípio contrária a qualquer tipo de isenção fiscal, a não ser em casos «muito, muito excepcionais».
Neste caso, «seria sempre contra», afirmou.
«Poupar 5.000 euros ao Cristiano Ronaldo é ridículo quando ele ganha milhões», concluiu.
[ 2006/07/11 | 12:01 ] EditorialPGM
O presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl disse ao «Jornal de Negócios» que tenciona pedir ao Executivo que os prémios que os jogadores da selecção receberam (50 mil euro cada) pela participação no Mundial de Futebol, sejam isentos de IRS.
O fiscalista Saldanha Sanches considera um «insulto» para quem paga impostos e ganha baixos salários esta eventual isenção de IRS. O especialista em assuntos fiscais disse à agência «Lusa» que a norma do Código do IRS que isenta do imposto os prémios atribuídos aos praticantes de alta competição por classificações relevantes é «escandalosa» e até «inconstitucional».
No seu entender, não tem cabimento discriminar a actuação dos desportistas, quando os profissionais de outras profissões relevantes para a sociedade e para o país pagam normalmente os impostos devidos pelos valores que auferem.
Por outro lado, frisou, «é insultuoso para quem tem baixos salários e paga os seus impostos».
Do mesmo modo, também o fiscalista Medina Carreira afirmou que «poupar trocos a quem ganha milhões» é «ridículo», recusando entrar num debate «idiota» sobre a isenção de IRS do prémio ganho pelos jogadores da Selecção no Mundial 2006.
Medina Carreira disse à agência «Lusa» recusar opinar sobre «coisas parvas», considerando «ridícula» a discussão à volta de um pedido de isenção para uma quantia que é «irrisória» para os bolsos dos futebolistas que jogam na Selecção.
«Essa é uma discussão sem alcance», afirmou, declarando a sua posição de princípio contrária a qualquer tipo de isenção fiscal, a não ser em casos «muito, muito excepcionais».
Neste caso, «seria sempre contra», afirmou.
«Poupar 5.000 euros ao Cristiano Ronaldo é ridículo quando ele ganha milhões», concluiu.
segunda-feira, julho 10, 2006
Mimado pelos mouros:).
A minha ida a Lisboa ficou marcada pelas gentilezas de que fui alvo. Recebido de braços abertos na Faculdade de Ciências Médicas, o Nuno Monteiro Pereira tinha-me reservado uma surpresa tocante - num anfiteatro cheio, deu-se ao trabalho de responder às dúvidas que em Fevereiro aqui deixei quanto ao conceito de Medicina Sexual. Não menos do que a preocupação transdisciplinar da sua exposição, sossegou-me o público, oriundo das mais diversas áreas e instituições. Nada o obrigava a fazê-lo, sou apenas um lobo solitário fiel aos seus amigos, não represento qualquer espécie de ortodoxia sexológica ou "Conselho de Sábios Anciãos":)))))). Tranquilo quanto ao principal - a prática nossa de cada dia! -, mantenho reservas semânticas. O Nuno foi claro: a Sexologia é a árvore que tudo o resto acolhe à sua sombra, incluindo a também multidisciplinar Medicina Sexual. Mas o que significa o adjectivo "sexual"? Não seria mais lógico falar de Sexologia Médica? Sim, porque sempre cauteloso quanto às tentações hegemónicas da Medicina, não serei eu a negar-lhe o direito a um estatuto privilegiado aos níveis da prevenção, da terapia, da investigação. Sexologia Médica seria até uma expressão mais abrangente do que Sexologia Clínica, por menos acorrentada à nostalgia do tratamento. O adjectivo sexual que acrescenta à Medicina? Dá a entender que existe Medicina assexual? Nem pensar!, das doenças às terapias, tudo se relaciona com a sexualidade, e por uma razão simples - ela faz parte integrante da Pessoa, centro de toda a prática médica digna desse nome. Ao debruçarem-se sobre a vertente da sexualidade mereceriam o mesmo adjectivo a Antropologia, a Psicologia, a História? Não me parece: Antropologia Sexual? Psicologia Sexual? História Sexual? Não soa bem, pois não?
Um dia, a vertente sexual não será esquecida na formação médica pré-graduada e a Medicina deixará de ser culpada de negligência grave. Depois, reforçar-se-ão as pós-graduações na área, elas sim necessitando de adjectivos que as distingam.
Mas, como tive o cuidado de sublinhar, estas dúvidas vêm de trás, sempre me entristeceu que a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica não se chamasse apenas de Sexologia. Porque as árvores de copas mais largas proporcionam sombra a todos, mesmo que grupinhos se formem, unidos por diversas paixões ou afinidades metodológicas. Já os arbustos, arriscam-se a deixar de fora alguns de nós. E olhem que em Portugal todos não somos demais...
Enfim, divagações. Resta o fundamental, como já disse: a gratidão pela ternura recebida e o alívio pelo "arco-íris intelectual" do anfiteatro:). Quando assim é, tudo é possível.
Um dia, a vertente sexual não será esquecida na formação médica pré-graduada e a Medicina deixará de ser culpada de negligência grave. Depois, reforçar-se-ão as pós-graduações na área, elas sim necessitando de adjectivos que as distingam.
Mas, como tive o cuidado de sublinhar, estas dúvidas vêm de trás, sempre me entristeceu que a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica não se chamasse apenas de Sexologia. Porque as árvores de copas mais largas proporcionam sombra a todos, mesmo que grupinhos se formem, unidos por diversas paixões ou afinidades metodológicas. Já os arbustos, arriscam-se a deixar de fora alguns de nós. E olhem que em Portugal todos não somos demais...
Enfim, divagações. Resta o fundamental, como já disse: a gratidão pela ternura recebida e o alívio pelo "arco-íris intelectual" do anfiteatro:). Quando assim é, tudo é possível.
sábado, julho 08, 2006
Uf!...
Devo confessar que vejo chegar o fim do Mundial com um certo alívio. A obsessão dos portugueses - ou dos media? - pelo evento atingiu laivos de ridículo. (E receio que amanhã ainda tenhamos de aturar um "grand final", com a Nação a exprimir a sua eterna gratidão pelo quarto lugar obtido.) Somos tão exagerados:))))). Reportagens sobre a saída do hotel, a entrada no estádio, o fica não fica de Scolari, a perseguição dos árbitros, o "já ganhámos" dos políticos, as campanhas dos jornais ingleses, a opinião de todo o português à mão de semear antes, durante e depois dos jogos. Ficámos em quarto e foi bom, ponto final. Houve alegria, tristeza, credos na boca, é o futebol. Hoje, mais do que a derrota esperada - uma equipa que não consegue marcar golos tem o destino traçado -, pesou-me ver Cristiano Ronaldo a simular faltas e Pauleta a pedir penaltis inexistentes. Estamos a construir uma reputação lamentável, mas justificada, de equipa espertalhona e/ou queixinhas. Não é bom:(.
P.S. Aquele rapaz, o Nuno Gomes, marcou um belo golo. Chegou só hoje à Alemanha? Ou não reza à Senhora de Caravaggio?
P.S. Aquele rapaz, o Nuno Gomes, marcou um belo golo. Chegou só hoje à Alemanha? Ou não reza à Senhora de Caravaggio?
quinta-feira, julho 06, 2006
A surpresa.
Leio o Público de hoje e pasmo - PS e CDU entendem que o Porto Feliz, programa municipal de combate à exclusão, deve ser avaliado por uma entidade externa à Câmara do Porto. Sublinho uma frase do Dr. Manuel Pizarro, Deputado e Vereador do PS na Câmara: "O Dr.Rui Rio reconheceu a inexistência dos mecanismos de avaliação. E nem o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), que financia o programa, consegue avaliá-lo porque o programa se furta a essa avaliação".
Vamos por partes. Quando o Porto Feliz foi iniciado, em rotura com o defunto Projecto Cidade, escrevi no JN que não percebia a lógica de tal comportamento. O anterior Programa podia perfeitamente ser melhorado nas áreas em que apresentasse deficiências, ainda por cima porque vários dos especialistas do Porto Feliz nele se tinham empenhado. As dúvidas colocadas e a solidariedade expressa ao Dr.José Gonzalez, então Director Regional do IDT e posteriormente vítima de um saneamento político vergonhoso por defender a honra do Ministério da Saúde, valeram-me o epíteto de porta-voz do PS por parte do ideólogo do Porto Feliz. (Aliás, tão seguro das "novas" metodologias a empregar que prometeu demitir-se um ano depois se o êxito não fosse o anunciado de forma estentórea. Não foi. Mas teve de ser o próprio PSD a não o convidar para as listas autárquicas seguintes...).
Tive então o cuidado de recusar todas as solicitações que me fizeram para opinar sobre o Porto Feliz do ponto de vista técnico. Seria um erro e uma deselegância. Uma coisa é afirmar-me convencido das motivações políticas da substituição de uma estratégia e hierarquia dirigente por outras, diverso é debitar opiniões sem os dados científicos na mão. A todos respondi o mesmo - ouvi colegas meus anunciarem a futura publicação de metodologias, resultados e intenções, nessa altura talvez possa pronunciar-me. Se tal aconteceu, escapou-me. O que não seria surpreendente, atendendo ao meu afastamento dos centros de decisão e avaliação.
E agora "isto". O Dr.Rui Rio vai à Assembleia e divulga um punhado de números que nada explicam. Entendamo-nos: a avaliação científica pressupõe o diálogo entre técnicos credenciados e experientes. Surpreende-me que o Dr.Rui Rio não se tenha feito acompanhar por nenhum, capaz de responder às perguntas que aparentemente o deixaram num silêncio talvez não obrigatório, quem sabe?
Mas a frase do Dr. Manuel Pizarro merece-me um comentário frontal e destinado ao IDT, Serviço a abarrotar de velhos amigos meus: se o IDT concorda que o Porto Feliz "se furta" à avaliação, o seu dever é suspender qualquer tipo de apoio até a situação estar clarificada. A desejável variedade das intervenções por parte dos muitos actores nos diferentes cenários locais não significa funcionar à revelia do Serviço responsável pela execução e (!!!!!) avaliação da Estratégia Global para a Toxicodependência.
Esta exigência não traduz centralismo, apenas dever cumprido.
Vamos por partes. Quando o Porto Feliz foi iniciado, em rotura com o defunto Projecto Cidade, escrevi no JN que não percebia a lógica de tal comportamento. O anterior Programa podia perfeitamente ser melhorado nas áreas em que apresentasse deficiências, ainda por cima porque vários dos especialistas do Porto Feliz nele se tinham empenhado. As dúvidas colocadas e a solidariedade expressa ao Dr.José Gonzalez, então Director Regional do IDT e posteriormente vítima de um saneamento político vergonhoso por defender a honra do Ministério da Saúde, valeram-me o epíteto de porta-voz do PS por parte do ideólogo do Porto Feliz. (Aliás, tão seguro das "novas" metodologias a empregar que prometeu demitir-se um ano depois se o êxito não fosse o anunciado de forma estentórea. Não foi. Mas teve de ser o próprio PSD a não o convidar para as listas autárquicas seguintes...).
Tive então o cuidado de recusar todas as solicitações que me fizeram para opinar sobre o Porto Feliz do ponto de vista técnico. Seria um erro e uma deselegância. Uma coisa é afirmar-me convencido das motivações políticas da substituição de uma estratégia e hierarquia dirigente por outras, diverso é debitar opiniões sem os dados científicos na mão. A todos respondi o mesmo - ouvi colegas meus anunciarem a futura publicação de metodologias, resultados e intenções, nessa altura talvez possa pronunciar-me. Se tal aconteceu, escapou-me. O que não seria surpreendente, atendendo ao meu afastamento dos centros de decisão e avaliação.
E agora "isto". O Dr.Rui Rio vai à Assembleia e divulga um punhado de números que nada explicam. Entendamo-nos: a avaliação científica pressupõe o diálogo entre técnicos credenciados e experientes. Surpreende-me que o Dr.Rui Rio não se tenha feito acompanhar por nenhum, capaz de responder às perguntas que aparentemente o deixaram num silêncio talvez não obrigatório, quem sabe?
Mas a frase do Dr. Manuel Pizarro merece-me um comentário frontal e destinado ao IDT, Serviço a abarrotar de velhos amigos meus: se o IDT concorda que o Porto Feliz "se furta" à avaliação, o seu dever é suspender qualquer tipo de apoio até a situação estar clarificada. A desejável variedade das intervenções por parte dos muitos actores nos diferentes cenários locais não significa funcionar à revelia do Serviço responsável pela execução e (!!!!!) avaliação da Estratégia Global para a Toxicodependência.
Esta exigência não traduz centralismo, apenas dever cumprido.
quarta-feira, julho 05, 2006
O parolo desce à capital do Império.
De novo a caminho de Lisboa. Ambivalente. O prazer do trabalho, do reencontro de antigos alunos e do carinho que me proporcionam os meus colaboradores acaba sempre "cercado" pela nostalgia do sossego de Cantelães. Sei que umas dezenas de rostos jovens espicaçarão o professor que nunca deixarei de ser e uma boa jantarada com a minha gente acordará o javardo que sempre fui, mas... Não quererão a Sociedade Portuguesa de Sexologia e a Sociedade de Medicina Sexual abrir delegações em Vieira do Minho? Para quando a descentralização sexual?:).
O comentário anunciado.
"O que temos sempre dito é que as mulheres não vão para a prisão, em resposta aos que promovem a liberalização do aborto e que colocam (esta hipótese) como o problema central. Não nos compete comentar a sentença. O que é preciso perceber é que (o aborto) não é a solução."
Pedro Líbano Monteiro, Juntos pela Vida, in Público.
Eu não dizia? ELAS NÃO SÃO PRESAS! (COMO ALGUNS APREGOAM PARA LIBERALIZAR O ABORTO...).
P.S. Os juízes têm razão - a solução é política e não esperar que os tribunais assobiem para o tecto.
Pedro Líbano Monteiro, Juntos pela Vida, in Público.
Eu não dizia? ELAS NÃO SÃO PRESAS! (COMO ALGUNS APREGOAM PARA LIBERALIZAR O ABORTO...).
P.S. Os juízes têm razão - a solução é política e não esperar que os tribunais assobiem para o tecto.
terça-feira, julho 04, 2006
E se calhar, à luz da lei, foi "justíssimo" ou ainda pouco!
Julgamento no Tribunal de Aveiro
Cinco condenados por aborto
O Tribunal de Aveiro condenou a diferentes penas de prisão um médico, a sua assistente e três mulheres suas clientes pelo crime de aborto, num julgamento em que foram absolvidos 12 arguidos.
O médico foi condenado em cúmulo jurídico a quatro anos e oito meses de prisão, com perdão de um ano. Uma sua colaboradora foi condenada como cúmplice a um ano e quatro meses de prisão, com pena suspensa por três anos, enquanto três mulheres, suas pacientes, foram condenadas pelo crime de aborto a seis meses de prisão, com pena suspensa por dois anos.
Estas cinco pessoas integravam um grupo de 17 arguidos, dos quais 12, na sua maioria mulheres e alguns companheiros, foram absolvidos.
O Tribunal de Aveiro refez um acórdão de 2004, cumprindo uma decisão do Tribunal da Relação de Coimbra, que declarou nula uma sentença proferida a 17 de Fevereiro desse ano, em que os 17 arguidos haviam sido absolvidos por falta de provas.
O Tribunal da Relação de Coimbra decidiu pela legalidade dos exames médicos feitos às arguidas, ignorados pelo colectivo de juizes do primeiro julgamento, na sequência de um requerimento apresentado pelos advogados de defesa. Os exames passaram a ser considerados como prova.
A defesa dispõe agora de um prazo de 15 dias para apresentar recurso, caso o entenda.
P.S. Presumo que o discurso de algumas pessoas vai mudar. De "pois se elas até saem sempre ilibadas!" passará a "ora, levam sempre pena suspensa!".
Cinco condenados por aborto
O Tribunal de Aveiro condenou a diferentes penas de prisão um médico, a sua assistente e três mulheres suas clientes pelo crime de aborto, num julgamento em que foram absolvidos 12 arguidos.
O médico foi condenado em cúmulo jurídico a quatro anos e oito meses de prisão, com perdão de um ano. Uma sua colaboradora foi condenada como cúmplice a um ano e quatro meses de prisão, com pena suspensa por três anos, enquanto três mulheres, suas pacientes, foram condenadas pelo crime de aborto a seis meses de prisão, com pena suspensa por dois anos.
Estas cinco pessoas integravam um grupo de 17 arguidos, dos quais 12, na sua maioria mulheres e alguns companheiros, foram absolvidos.
O Tribunal de Aveiro refez um acórdão de 2004, cumprindo uma decisão do Tribunal da Relação de Coimbra, que declarou nula uma sentença proferida a 17 de Fevereiro desse ano, em que os 17 arguidos haviam sido absolvidos por falta de provas.
O Tribunal da Relação de Coimbra decidiu pela legalidade dos exames médicos feitos às arguidas, ignorados pelo colectivo de juizes do primeiro julgamento, na sequência de um requerimento apresentado pelos advogados de defesa. Os exames passaram a ser considerados como prova.
A defesa dispõe agora de um prazo de 15 dias para apresentar recurso, caso o entenda.
P.S. Presumo que o discurso de algumas pessoas vai mudar. De "pois se elas até saem sempre ilibadas!" passará a "ora, levam sempre pena suspensa!".
segunda-feira, julho 03, 2006
Mandaram-me isto e lembrei-me logo de vocês, maralhal!
Perfume de Feromonios
Apaixonante - Atraia 75% mais mulheres ou Homens!!
Imagine um produto afrodisíaco natural aprovado cientificamente para atrair mulheres!
O nosso Concentrado de Feromônios
de Androstenona é exatamente isso!
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Recentemente cientistas
norte-americanos, conseguiram reproduzir sinteticamente este efeito afrodisíaco.
Quando o fizeram, as potencialidades dos feromônios sintéticos foram apresentados em todas as melhores publicações:
(Discovery Channel, 20/20, Hard Copy, ABC, Dateline NBC, The N.Y. Times).
Entre em nossa home page e comprove as estatísticas feitas por cientistas americanos em porcentagens!! e saiba mais sobre o produto de excelente qualidade!!
Único afrodisíaco natural!
Nosso produto enviado em uma caixa lacrada, totalmente discreto
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domingo, julho 02, 2006
O homem que dizia:"O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe."
Abel Salazar, desenhando sempre, compulsivamente
Maria João Pinto
São, muitos deles, estudos para pintura e, na sua larga maioria, inéditos. Duzentos, seleccionados de um mais vasto espólio de mil desenhos, irrompendo de papéis de apontamentos rasgados, do verso de bilhetes postais, ordens de serviço ou folhas de observação ao microscópio, da cartolina de caixas de sapatos, de folhas timbradas de hotel, envelopes e cartas. A lápis, tinta-da-china, carvão ou aguarela, em traço difuso ou mais carregado, retratam mulheres de todas as condições, apenas o rosto ou em corpo inteiro: mulheres que passam, mulheres que esperam; conversando no café, lendo na penumbra do seu quarto; ou, sem lugar para momentos de lazer, imersas num dia-a-dia de trabalho.
O fascínio de Abel Salazar (1889--1946) pelo universo feminino - e o tributo que a ele ergueu - é a mais forte imagem que se guarda da recém-inaugurada exposição que o Centro Cultural de Belém consagra a parte da sua obra plástica, sob o título Abel Salazar - O Desenhador Compulsivo. Exposição desenvolvida em oito núcleos - Estudos, Mulheres, Retratos, Coquettes, Interiores, Cenas de Rua, Trabalho, Paisagens -, que os organizadores esperam possa contribuir para resgatar do esquecimento o legado de um homem que fez da ciência, da arte e da intervenção cívica pilares da sua vida.
Passos prévios
Fruto de parceria entre a Fundação Mário Soares (FMS), Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar e Universidade do Porto, a mostra, que ficará patente até 17 de Setembro, tem uma outra dimensão, menos visível, mas não menos importante: o trabalho de conservação que acabou por estar na origem da sua realização. Trabalho que se prolongou por um ano, ao abrigo de protocolo celebrado, em Novembro de 2002, entre aquelas instituições, assumindo a FMS o compromisso de zelar pela "preservação, conservação e reprodução digital e fotográfica do acervo documental" da Casa- -Museu Abel Salazar.
Como escreve Vitória Mesquita em texto de catálogo, "a colecção encontrava-se gravemente fragilizada", nomeadamente pelas condições do suporte, de qualidade e densidade muito variáveis, dado que Abel Salazar (re)utilizava os mais diversos tipos de papel para desenhar. Como fumador (também compulsivo) que era, muitos desenhos têm, por outro lado, marcas de cinza de cigarro.
A esses acidentes de percurso aliar-se-iam outros, de acondicionamento, e a que o autor foi já alheio: "Todos os desenhos se apresentavam colados, precariamente, em cartolinas pretas", não apenas com colas lesivas, mas também "fita-cola e agrafos". Uma vez estudadas as causas de deterioração, o destacamento dos desenhos constituiu, assim, o passo "mais premente", a par da limpeza e estabilização das espécies.
A colecção foi, por outro lado, registada fotograficamente - trabalho que coube a José Pessoa -, em levantamento prévio à intervenção física de que foi objecto. A sua digitalização constituiu o passo seguinte, podendo a colecção ser, a partir de agora, mais facilmente estudada, sem implicar danos para os originais. À intervenção em apreço, que se revestiu de carácter preventivo, deverá seguir-se - lê-se ainda - "uma acção mais profunda e definitiva de conservação e restauro".
Maria João Pinto
São, muitos deles, estudos para pintura e, na sua larga maioria, inéditos. Duzentos, seleccionados de um mais vasto espólio de mil desenhos, irrompendo de papéis de apontamentos rasgados, do verso de bilhetes postais, ordens de serviço ou folhas de observação ao microscópio, da cartolina de caixas de sapatos, de folhas timbradas de hotel, envelopes e cartas. A lápis, tinta-da-china, carvão ou aguarela, em traço difuso ou mais carregado, retratam mulheres de todas as condições, apenas o rosto ou em corpo inteiro: mulheres que passam, mulheres que esperam; conversando no café, lendo na penumbra do seu quarto; ou, sem lugar para momentos de lazer, imersas num dia-a-dia de trabalho.
O fascínio de Abel Salazar (1889--1946) pelo universo feminino - e o tributo que a ele ergueu - é a mais forte imagem que se guarda da recém-inaugurada exposição que o Centro Cultural de Belém consagra a parte da sua obra plástica, sob o título Abel Salazar - O Desenhador Compulsivo. Exposição desenvolvida em oito núcleos - Estudos, Mulheres, Retratos, Coquettes, Interiores, Cenas de Rua, Trabalho, Paisagens -, que os organizadores esperam possa contribuir para resgatar do esquecimento o legado de um homem que fez da ciência, da arte e da intervenção cívica pilares da sua vida.
Passos prévios
Fruto de parceria entre a Fundação Mário Soares (FMS), Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar e Universidade do Porto, a mostra, que ficará patente até 17 de Setembro, tem uma outra dimensão, menos visível, mas não menos importante: o trabalho de conservação que acabou por estar na origem da sua realização. Trabalho que se prolongou por um ano, ao abrigo de protocolo celebrado, em Novembro de 2002, entre aquelas instituições, assumindo a FMS o compromisso de zelar pela "preservação, conservação e reprodução digital e fotográfica do acervo documental" da Casa- -Museu Abel Salazar.
Como escreve Vitória Mesquita em texto de catálogo, "a colecção encontrava-se gravemente fragilizada", nomeadamente pelas condições do suporte, de qualidade e densidade muito variáveis, dado que Abel Salazar (re)utilizava os mais diversos tipos de papel para desenhar. Como fumador (também compulsivo) que era, muitos desenhos têm, por outro lado, marcas de cinza de cigarro.
A esses acidentes de percurso aliar-se-iam outros, de acondicionamento, e a que o autor foi já alheio: "Todos os desenhos se apresentavam colados, precariamente, em cartolinas pretas", não apenas com colas lesivas, mas também "fita-cola e agrafos". Uma vez estudadas as causas de deterioração, o destacamento dos desenhos constituiu, assim, o passo "mais premente", a par da limpeza e estabilização das espécies.
A colecção foi, por outro lado, registada fotograficamente - trabalho que coube a José Pessoa -, em levantamento prévio à intervenção física de que foi objecto. A sua digitalização constituiu o passo seguinte, podendo a colecção ser, a partir de agora, mais facilmente estudada, sem implicar danos para os originais. À intervenção em apreço, que se revestiu de carácter preventivo, deverá seguir-se - lê-se ainda - "uma acção mais profunda e definitiva de conservação e restauro".
sábado, julho 01, 2006
A angústia de um povo antes dos penaltis. (E a sua alegria depois deles!)
Viver é como patinar em gelo fino. Tivéssemos perdido e poucos perdoariam a Scolari o seu horror a dois pontas de lança de raiz, mesmo em superioridade numérica. Ricardo, para além do trabalho árduo, claro!, continua a beneficiar de um pacto com os Deuses e uma nação inteira sorri de orelha a orelha. Como diria o Engenheiro Guterres - é a vida! Exactamente. No esplendor da sua incerteza:)))).
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