domingo, novembro 05, 2006

Em homenagem à sua Teresa, este fds de visita a Cantelães.

O homem do silêncio doce


E de repente aparece/um silêncio entretecido/em que já nada apetece./Em que tudo tem sentido. (Pedro Tamen).



O Zé Gabriel morreu.
Em 1989, o Aurélio Gomes desafiou-me para um programa na Rádio Nova. Nasceu assim O Sexo dos Anjos, projecto para três meses que durou oito anos. O diálogo, inicialmente direccionado para a educação sexual, cedo descambou – o Aurélio perguntou-me que livro trazia debaixo do braço, eu respondi A Insustentável Leveza do Ser e nunca mais parámos de falar sobre tudo. O João Gobern disse-o melhor do que ninguém – tratava-se de uma clara erotização da palavra.
E no entanto esse delírio verbal de trapezistas amadores jogava pelo seguro; bem ou mal, voávamos a coberto da rede que o silêncio do Zé Gabriel estendia. Aquele homem doce jamais procurou o crescente protagonismo que nós e os ouvintes lhe impusemos. Dedicava-se ao que amava apaixonadamente – o som. Aguentando com bom humor as nossas provocações, raramente acedendo a fazer um comentário no ar, aturando com estoicismo a minha incapacidade para estar quieto à frente de um microfone. E sendo ele próprio nos intervalos.
Aos poucos, reparei que lhe buscava o apoio do polegar virado para cima quando emitia uma opinião controversa, dava comigo a pedir-lhe conselho sobre as cartas a abordar, ouvia-me sistematicamente perguntar “e tu que achas?”. Ele achava muito e bem, mas sobretudo de um modo carinhoso. Lembro-me de dia triste e eu com canção do Sérgio Godinho debaixo do braço, “O que há-de ser de nós?”. À saída, abraçou-me sem perguntas e disse: “bela música. Vai ser o hino do programa” (tinha razão, acabámo-lo ao som dela). Recordo o seu prognóstico risonho – “nunca vá a África, doutor, olhe que não volta!”. Era um elogio, porque ele amava a sua Angola, as distâncias oferecidas aos olhos, o tempo recusando a pressa estéril, o erotismo da dança que, paciente, me ensinava. Enquanto o Aurélio, perdido de riso, dizia aos ouvintes que cenas menos próprias se passavam no estúdio!
Tornámo-nos amigos de infância que se conheceram já adultos. Atrasos que acontecem... Também as mulheres podem chegar atrasadas e ainda a tempo, a rapariguinha que um dia pediu para assistir à gravação não foi de modas – encheu-lhe o silêncio com as palavras de amor que nele pressentia. E eu acabei todo enfarpelado e padrinho de casamento!
Mas a doença chegara. E as perguntas dos ouvintes, que rapidamente se aperceberam de que lhes mentíamos a eles na tentativa de nos enganarmos também. Revejo o Zé no corredor do Hospital de Santo António, soro a reboque, não desejava receber-nos na cama. Orgulhoso, nunca lhe ouvi um queixume, só dizia “eu volto”. Com efeito. Para ser soterrado pelas cartas de boas vindas chegadas de todo o país. Que ele juntou às outras, a salvo da minha distracção, argumentando que eu deveria escrever a partir delas. Entretanto o programa acabou, o Aurélio procurara outros desafios e a Nova decidiu – bem! - não o substituir. Cerca de dois anos depois, após avanços e recuos vários, fui convidado a regressar. Tivemos uma longa conversa. Disse-lhe que podia estar enganado, mas achava que a minha presença não era pacífica para todos, previ o fim do programa na primeira esquina. E ele respondeu: “não lhe apetece fazer rádio comigo? Enquanto durar é bom”. Eu acertei, mas ele tinha razão - cada minuto foi uma festa, sob o olhar da Marta Santos, indecisa sobre a idade mental daqueles cinquentões. Quando, por sua vez, ela voou para outras paragens, foi-nos dito que o programa seria suspenso até à elaboração da nova grelha. Da qual, obviamente!, faríamos parte. O telefone jamais tocou. E devia, ao menos por simples educação, “desculpem lá, mas...”. Disse-o cara a cara a quem de direito, sem rancor: o Zé, ainda por cima a caminho do fim, não merecia tal desfeita.
Nos últimos tempos vimo-nos pouco. Se eu protestava, respondia sempre o mesmo: iríamos jantar quando melhorasse. Contrariado, aceitei-lhe religiosamente o pudor. Levou-o ao extremo, morrendo comigo em férias. A notícia chegou e sentei-me numa praça de Granada; pensando, egoísta, que já perdi dois amigos íntimos e é muito duro viver sem eles. Mas ao Zé, se houver um Juízo Final, tenho a certeza de revê-lo. Quando o anjo de serviço se dirigir ao microfone para anunciar os veredictos, fatalmente perguntará a alguém – “fazemos ensaio de som?”. E eu só precisarei de descobrir a nuvem de que se levantará um polegar, seguramente embalado por trauteio de música africana!

sexta-feira, novembro 03, 2006

De regresso à vida real:(.

"Há doentes que são amarrados e dopados em lares e hospitais"Alexandra Inácio, Bruno Simões Castanheira
A demência é assustadora mesmo para os médicos.
Maria do Rosário Reis, presidente da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes com Alzheimer (APFADA), não tem dúvidas em Portugal são "raríssimos" os técnicos especializados e até mesmo médicos sensibilizados para o tratamento de doentes com Alzheimer. A maioria dos lares, denuncia, não recebe este tipo de pacientes e os que o fazem tratam-nos mal. Hoje faz cem anos que a doença foi descrita pela primeira vez pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer. Em Portugal, apesar de não existirem estatísticas, as extrapolações apontam para mais de 70 mil pacientes com este mal. No Mundo são mais de 25 milhões."Há doentes que são amarrados às camas em lares e hospitais" públicos, denunciou ao JN. Erika Marcelino, uma das psicólogas da APFADA, acrescentando que a falta de preparação do pessoal técnico conduz muitas das vezes ao "excesso de medicação". "A forma mais fácil de controlarem os doentes é entupi-los de medicamentos", afirma.Uma maior comparticipação nos medicamentos ou medidas a pensar nos cuidadores, como a redução de horário, são alterações legislativas pelas quais há muito luta. Maria do Rosário contentava-se, no entanto, se os hospitais permitissem a entrada de acompanhantes com estes doentes. É que alguns, afirma, já chegaram a abandonar as unidades ficando perdidos depois. "O meu pai é capaz de gastar milhares de euros por mês para dar à minha mãe qualidade de vida", confessa Maria do Rosário. Os custos com a doença são enormes. No primeiro semestre de 2005, o Serviço Nacional de Saúde gastou mais de 5,6 milhões de euros em fármacos com indicação para Alzheimer. Em 2004 gastou 9,5. Os doentes pagaram quase onze milhões e mais de 18,6 nos mesmos períodos de acordo com dados do Infarmed.As comparticipações dos medicamentos rondam os 40% e as receitas têm de ser prescritas por neurologistas ou psiquiatras, o que é mais um entrave, alega Maria Rosário. Há poucos especialistas nessas áreas. "Um paciente que vá a um médico privado gasta na consulta o que poupa na comparticipação", afirma. Depois há imensos produtos essenciais que não são comparticipados, como as fraldas ou cremes."Só em medicamentos e fraldas são mais de 300 euros por mês. É sempre a somar". O paciente pode ainda fazer sessões de fisioterapia ou aulas de natação e se frequentar um dos poucos centro de dia existentes no país as despesas aumentam substancialmente (ler texto rodapé). Há ainda o sistema de ajudantes familiares. Formadas nos cursos da associação são consideradas cuidadoras profissionais. E numa fase mais adiantada da doença são necessárias três dessas técnicas para garantirem a vigilância dos pacientes de dia, à noite e aos fins-de-semana.

P.S. Recém-chegado da Mindinha, pasmo em face do luar de Cantelães. É como se Deus me tentasse a acreditar Nele.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Comunicado.

A Comissão Disciplinar faz saber o seguinte:

1 - A falta em causa é grave, ignorar o nosso amado líder pôe em causa os fundamentos da causa murcónica.
2 - Assim, e por deliberação unânime, a ré será obrigada a contentar-se com pão e água no próximo jantar.
3 - Mais lhe serão fornecidos todos os comentários feitos pelo Noise desde o início do blog, os quais deverá recitar sobre um fundo de música sacra tocada pelos Fading Commission.
4 - E AINDA... - caber-lhe-á abrir e fechar as portas do Murcon todos os dias, mesmo que tais momentos sucedam durante a noite ou o funcionamento seja de 24 sobre 24 horas.
Ponto único - Não acatar qualquer dos pontos anteriores implicará morte por esquartejamento, maçã na boca, batatinhas assadas à volta e "posição central" no próximo repasto murcónico. Os restos serão distribuídos pelos convivas em tupperwares, de modo a poderem levar para casa e alimentar os bichanos.

Proceda-se.

"Ó SOUSA, comunique a sentença à acusada no seu covil de Gaya City".

quarta-feira, novembro 01, 2006

Chico.

Maria,
Fui ao Chico. Lera que agora se sente confortável em palco. Talvez, mas preferia-o quando tinha de emborcar whisky antes de enfrentar as pessoas para lá do biombo de um projector. Nesses tempos achava-o menos hirto, a timidez invadia-o todo e não apenas o sorriso de menino que conserva. Esquece, não é importante. O público adora-o, já o tinha no coração desde o primeiro disco, o primeiro cartaz nas paredes do Porto, o primeiro acorde, a festa no Coliseu era para ele, não por causa dele. Conheces-me, paguei para ver. E as cartas iniciais não me deixaram optimista, foi preciso ouvi-lo ciciar "Te Perdoo..." para sentir o arrepio que o homem sempre me provocou. Só voltei a tremer no Bye-bye Brasil, mas o cérebro continuou ao volante, quase imperturbável. E de repente, nos encores, desaguou em Tanto Mar... Um soluço inesperado. A necessidade absoluta de saber - mais alguém notava a diferença? Fixei o olhar na sua parceira responsável pelos sintetizadores; órgão; whatever! Ao longo do concerto exibira uma compostura doce, entre a admiração por ele e a solidariedade com a música brasileira em geral. Agora estava diferente. Todo o corpo ensaiando um balanço que o projectava, ondulante, para fora de si mesmo. Ela também preferia as nossas canções, amor! Abri garganta e olhos ao soluço com alívio. Mesmo a tempo, o maroto fez pontaria ao meu coração e disparou - "Agora eu era o herói/e o meu cavalo só falava inglês..." Desfiz-me encostado à parede.
Maria, Sexta chegou mais um avião à cunha de Londres. Desesperadoramente vazio, minha querida. Não aguento, vou mudar de táctica para te convencer a demandares a Inbicta. Sabes como? Liga o telemóvel. Assinarei o próximo sms com nome equestre - Silver, como nos filmes de cow-boys da minha juventude; Blue Diamond, the third, como os pobres bichos que, além de correr, aturam os emproados de Ascot;Mister Ed, como o cavalo falante da série televisiva da minha infância. Acrescentarei bbbrrr e hhiiiiii para dar cor e som locais. E o texto rezará - como eu... - um simples "I love you, will you please come home?"
Por favor, antes de responderes ouve o Chico, recorda-nos e ao Chico, pensa nas mulheres longínquas e esquivas que cantou - Bárbara, Ana de Amsterdam, Carolina - e não faças como elas; vem.
Com adoçante e com afecto,
Júlio.

Ponto da situação.

Maralhal,
O porta-voz da Comissão Disciplinar informa-me que as vossas opiniões estão a ser compiladas, de modo a poderem vir a desempenhar o seu papel no processo de decisão. A reunião da Comissão continua e não se prevê hora para o anúncio das medidas disciplinares, sobretudo depois de terem sido vistas a entrar travessas de scones, croissants, chá e caipirinhas:).

Adivinha.

Quem foi que esteve no jantar do Murcon, saiu do espectáculo do Chico e passou por mim SEM ME CUMPRIMENTAR???
A Comissão Disciplinar Murcónica decidirá em breve a punição exemplar a ser aplicada:).

terça-feira, outubro 31, 2006

Em que equipa jogava ele?

Sporting: Paulo Bento cita Nietzsche
[ 2006/10/31 14:19 ] Redacção MaisFutebol
Paulo Bento: «O que não nos mata torna-nos mais fortes»
Na conferência de segunda-feira, em Munique, Paulo Bento utilizou a frase «o que não nos mata, deixa-nos mais fortes» para sintetizar o que sentia o Sporting depois do empate em Aveiro e antes do jogo desta terça-feira, frente ao Bayern, para a Liga dos Campeões.
Na altura, Paulo Bento atribuiu a frase a um jogador. É possível que a tenha ouvido, ou lido, de alguém ligado ao futebol. Mas é aceite que o autor de «o que não me mata, deixa-me mais forte» é Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão do século XIX.
Seja como for, a ideia é boa e logo à tarde o Sporting terá oportunidade de provar se, neste caso, é assim mesmo.

segunda-feira, outubro 30, 2006

O prejudicado por não ser arquitecto.

Às vezes penso que sou injusto com o João. É verdade que os Fading e os Azeitonas constam do Murcon, mas quantas referências aqui fiz à ternura subjacente ao covil de Cantelães, made in Guilherme? Milhentas! E mais do que justas... O caçula é engenheiro, em vias de se tornar psicólogo. E músico. (Não nas horas vagas - nas preferidas:).) E por isso os presentes dele são outros, como estas gravações que deixaram o seu velho enternecido. Beatles forever! Na guitarra do João pelo meu aniversário:).

domingo, outubro 29, 2006

O Senhor João já me disse que gostou da malta:).

Aos que estiveram no jantar, representando todos os que não puderam vir - na vossa companhia é muito mais fácil ver o Benfica perder:). Obrigado.

Lobices,

Seu maroto!, você sabe muito bem que me piro sempre cedo.

sábado, outubro 28, 2006

Deus+Helton+Fernando Santos+ Defesa - 3 - Benfica -2.

Eu explico:

1 - Um golo de ressalto e outro no poste a ressaltar para dentro.
2 - Duas enormes defesas de Helton na primeira parte.
3 - Uma equipa que não lembra ao Diabo nos primeiros quarenta e cinco minutos, com Nuno Gomes à deriva no meio-campo (?).
4 - A balda do costume nos descontos.
5 - Obrigado à equipa pela segunda parte.
6 - Parabéns ao Presidente por assumir o erro de deixar a equipa sozinha no Dragão.
7 - Uma palavra de espanto pelo amadorismo que deixou os benfiquistas sem bilhetes.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Colisão.

Maria,
Hoje, dois javardos inconscientes entraram pela traseira do táxi onde eu seguia. A acelerar, Maria, a acelerar! A porra da fila estava parada e eles enfiaram-nos uma trancada que me transformou a cabeça num relógio de pêndulo. Saíram do carro enfastiados, nem sequer perguntaram a nenhum de nós se estávamos bem, debruçaram-se com ternura egoísta sobre a frente do carro deles. "Temos a declaração amigável", disseram. E isso apaga tudo, Maria? Assinar um papel e perder um prémio de seguro permite conduzir (?) assim? Fiquei zonzo. E o motorista preocupou-se, "está bem, doutor?". Chamou um colega, não queria aceitar dinheiro pela corrida interrompida, meti-lhe o dinheiro na mão. O outro chegou e não se fez rogado - "não vai à Urgência? Olhe o Seguro, já vi porradas dessas darem para o torto, os gajos ficam a rir-se, vá por mim..." E eu fui. A jovem colega disse o óbvio - "vou chamar um ortopedista". Depois abriu um sorriso e declarou-se minha aluna no Abel Salazar. Pedi-lhe desculpa por não recordar face e nome e ela soltou riso largo, como poderia eu recordar tantas faces no escuro dos anfiteatros? É verdade, Maria, ensino há trinta e quatro anos. Cada vez mais tropeço em gente que me trata com a deferência que se reserva a um velho conhecido. E o "conhecido" leva a palma ao "velho", instalo-me nos colos deles com gratidão.
Maria, estamos no fim de Outubro e o anfiteatro já se veste de ausências nas minhas aulas. Mas os que ficam sorriem, enlevados, quando lhes recito Ramos Rosa ou Amalia Bautista. Como tu, quando nos conhecemos. Nas suas faces, ávidas de cultura e não apenas do conhecimento necessário para o triste exame, revejo a tua. E nela, estampado até ao ridículo, o meu desejo envelhecido, que transformaste num amor de meia-idade que não envergonhava a juventude que irradiavas. Quantos dias me ouviste no escuro antes de entrar na minha vida? Ah, Maria, nem os dias felizes que vieram depois me farão perdoar-te os desperdiçados antes; tu sabias.
Maldita sejas por adiares um amor inevitável, definitivo.

P.S. A que horas chega o teu avião na Sexta, querida?

Até os gatos devem ter ficado arrepiados:(.

Mulheres sem véu incitam ao crime sexual, diz líder islâmico
O principal religioso muçulmano na Austrália, o xeque Taj Aldin al Hilali, está a causar uma forte polémica no país depois de ter afirmado que as mulheres que não usam véu são como «carne descoberta» e incitam assim aos crimes sexuais.
«Se vocês colocam a carne na rua, no jardim ou no parque sem a cobrir, os gatos aparecem para a comer (...). Quem tem a culpa, os gatos ou a carne ao ar livre?», disse perante 500 fiéis, segundo o jornal The Australian.
«A carne ao ar livre, aí está o problema. Se ela tivesse permanecido no seu quarto, na sua casa, vestindo o seu véu, não teria ocorrido qualquer problema», acrescentou o líder religioso muçulmano.
Aquelas declarações desencadearam uma forte polémica, tendo mesmo a representante do governo australiano na Comissão de Luta Contra a Discriminação, Pru Goward, pedido que o líder religioso renuncie e seja expulso do país.
«É uma incitação ao crime (...) Jovens muçulmanos violarão mulheres para defender as suas declarações», considerou.
«Penso que está na hora de pedir que saia e convido as autoridades a questionar se devemos permitir que um homem que incita jovens muçulmanos ao crime permaneça em território» nacional, disse.
A responsável não adiantou se o religioso, de origem egípcia e que chegou à Austrália em 1982, possui ou não a nacionalidade australiana.
Taj Aldin al Hilali defendeu-se explicando que se referia apenas às prostitutas, mas segundo o The Australian tal não foi especificado no sermão que proferiu.
Numerosas mulheres islâmicas em cargos dirigentes já repudiaram as declarações de al Hilali, considerando-as repulsivas e ofensivas.
Também o primeiro-ministro australiano, John Howard, condenou as declarações, afirmando: «A ideia de que as mulheres são culpadas de serem violadas é grotesca».
26-10-2006 12:04:06

quarta-feira, outubro 25, 2006

Eu também autorizaria, mas psicologicamente vai ser duro. E não apenas para os próprios...

Londres: Autorizado o primeiro transplante completo de rosto
Uma equipa de cirurgiões britânicos recebeu hoje autorização para realizar o primeiro transplante completo de rosto no mundo, que poderá ser feito em alguns meses.
O comité de ética do Royal Free Hospital de Londres acedeu ao pedido de uma equipa liderada pelo professor Peter Butler.
Butler, especialista em cirurgia reconstrutiva, trabalha no projecto há quase 14 anos neste mesmo hospital do norte de Londres.
Em Dezembro de 2005, havia obtido autorização para realizar uma pré-selecção de pacientes capazes psicologicamente de suportar semelhante operação.
Até agora, dois pacientes foram submetidos a um transplante parcial de rosto: Isabelle Dinoire, na França, em Novembro de 2005, e Li Guoxing, um chinês de 30 anos, em Abril deste ano.
25-10-2006 11:26:41

terça-feira, outubro 24, 2006

É esta a hora...

É esta a hora perfeita em que se cala
O confuso murmurar das gentes
E dentro de nós finalmente fala
A voz grave dos sonhos indolentes.
...

É esta a hora em que o tempo é abolido
E nem sequer conheço a minha face.

Sophia.

segunda-feira, outubro 23, 2006

O analfabeto funcional.

http://multimedia.rtp.pt/index.php?prog=2403

http://multimedia.rtp.pt/index.php?prog=1032



Diz-me um amigo que estes são os links para O Amor é... Não sei colocá-los na faixa lateral do Murcon:(.

domingo, outubro 22, 2006

Muro das lamentações com fim feliz (acho...).

1 - Telefone avariado. Chamada para a PT. "Na Segunda vemos isso". Mas eu pago chamadas ao fim-de-semana...
2 - Chovia que Deus a dava. Para não telefonar ensopado e ver o guarda-chuva voar, meti-me no carro e fui para o meio do terreno, à procura de cobertura da Optimus. Encontrei-a junto ao riacho.
3 - Quando acabei o "giro comunicativo" disse para mim mesmo, "rápido, a lareira espera!".
4 - O carro estava atolado.
5 - Primeiro apareceu um vizinho solidário com um tractor. Népia.
6 - Depois chamei o ACP. Quando chegaram, viram logo a cena - tentavam ajudar-me e ficavam lá também.
7 - Telefonaram a um amigo que veio com um tractor king size.
8 - Safou-me.
9 - Mas não de quatro horas de espera...
10 - Explicação óbvia para o calvário: a Casa do Vale experimenta o meu afecto! Quando se convencer da constância dele, nunca mais acontecerão estes dramas campestres:).

sexta-feira, outubro 20, 2006

Pois, mas o receio de desagradar ao Engenheiro Guterres era demasiado grande:(.

Referendo, aborto e lei de Murphy Ana Sá Lopesana.s.lopes@dn..pt

Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma resultar em catástrofe, então alguém a fará. A primeira lei de Murphy, que se aplica a muita coisa da natureza em geral, também já está (que admiração!) a sobrevoar o processo de referendo sobre o aborto em curso. Estão, mais uma vez, reunidas todas as condições para a catástrofe. Vitalino Canas empenhou-se em contribuir para a possibilidade quando declarou que o PS respeitará os resultados de um referendo não vinculativo onde o "não" seja maioritário (como aconteceu em 1998).Para o porta-voz socialista, mesmo que os portugueses se estejam nas tintas para decidir, valem os votos que apareçam (que não tenha sido por acaso que os constitucionalistas colocaram a necessidade de haver mais de 50 por cento para um referendo ser vinculativo não interessa aos novos juristas do regime).Como ninguém quis retirar uma das mais importantes lições do referendo anterior - a de que o povo maioritário não quer decidir sobre isto e agradece a quem o fizer por si - o porta-voz do PS trouxe esta semana um contributo para o esclarecimento do instituto do referendo em geral e do futuro da despenalização do aborto em particular. Segundo Vitalino Canas, é preciso cumprir a "tradição" de dar um pontapé na Constituição no que respeita à importância do vínculo dos referendos, obrigando-se o Parlamento a ficar amarrado aos resultados, mesmo que tenham sido três cidadãos a votar. Ganhando o "sim", o Governo utiliza a legitimidade parlamentar para fazer avançar a lei da despenalização; ganhando o "não", o PS manda às malvas a convicção dos seus responsáveis "despenalizadores" e - à margem da Constituição, convenhamos - deita ao lixo o poder legislativo que lhe foi dado. Se for um "não" não vinculativo a afogar a legitimidade parlamentar, talvez alguém faça pagar caro a catástrofe ao PS. Quanto a José Sócrates, ser-lhe-á reservado um lugar ao lado de Guterres no altar dos primeiros-ministros que desperdiçaram maiorias de esquerda sem conseguir levar a cabo uma reforma básica (de direitos humanos).

quinta-feira, outubro 19, 2006

Como era previsível. E desejável...

Pais já não vão avaliar professores

2006/10/19 19:38 Marta Sofia Ferreira

Negociações param se protestos continuarem, ameaça Ministério

Os pais já não vão avaliar os professores. A alteração dos critérios de avaliação dos docentes foi uma das mudanças propostas pelo Ministério da Educação (ME) na quarta, e última versão, da proposta de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), que a tutela apresentou esta quinta-feira aos sindicatos.
O Governo propõe que os pais só participem no processo de avaliação de um professor se este assim o desejar. No entanto, os encarregados de educação continuam a fazer parte dos conjunto de entidades que vão avaliar a qualidade das escolas.

PortugalDiário

quarta-feira, outubro 18, 2006

O velho Séneca.

"A vida divide-se em três épocas: o que foi, o que é e o que será. Das três, a que vivemos é curta; a que viveremos, duvidosa; a que já vivemos, certa."..."Eis o que escapa às pessoas ocupadas; porque não têm tempo para olhar o passado, e se o tivessem, ser-lhes-ia desagradável recordar o que lhes deveria provocar remorsos."..."Ninguém, salvo aquele que submete os seus actos à sua própria censura, sempre infalível, faz de bom grado o regresso ao passado."

A Brevidade da Vida.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Back to oldies, a pedido do Noise.

Variações sobre Tonight de Elton John




Esta noite não, por favor! Discussões a mais, estou tão cansado, dormir, por que não é gentil e apaga a luz? Não para evitar o assunto, como poderia eu!?, já decidiu partir de novo à desfilada. Entregue à raiva, pressinto-a antes dele, nos silêncios ameaçadores, na sua cabeça a bonança precede a tempestade. Sempre a mesma, de resto, hoje seria igual à de ontem e à da semana passada, continua à procura do arco-íris e não do ouro que se esconde na terra onde pousa; é a perfeição que persegue. Não lha posso dar, faltam-me tempo e sentidos ágeis, pensei mil vezes explicar-lho numa canção minha, sem a sua ajuda, mas teclas e palavras parecem todas iguais e baças. Não consigo... Ah, não fazer nada, deixar-me correr as cortinas em silêncio e entregar-se, nada de olhares oblíquos, não lhe peço o mundo ou grandes declarações - apenas um sorriso. Amanhã não sei, mas esta noite chegaria. A ele não. Horas de massacre, “porque o fizeste?” Cada nova pergunta me empurra um pouco mais contra a parede, esborrachado como o insecto que nos proíbe o sono, “não gostavas de mim”. É falso. Não como Judas, também esse amava Cristo, mas à vista desarmada admito que traí.
Minhas ou a partir dos outros, as grilhetas nunca cessaram de existir, sorte dele se as não sentiu. O espanto solitário de ver a malta louca atrás de um beijo de rapariga e eu descobrindo o desejo em sonhos onde elas não entravam. O medo, contar a quem? As piadas sujas sobre “esses gajos”, riso amarelo, consciência negra, “desconfio que sou um deles”. Namoros falsos e rápidos, fugir antes de…, “é um pinga-amor”, uma vez tentei, álcool à mistura, ela entristecida, “não te agrado?” Não desse modo, o corpo só acordava junto a quem não devia.
Um tipo deita mão a tudo, o padre jurou que se não matasse o Demónio Lhe faria companhia depois de morto, cada coisa a seu tempo, era o resto da minha vida terrena a preocupar-me. O piano por refúgio, como o deserto para os santos, melodias nuas de versos mas não de sentimentos, amores sem destinatários oficiais, qual é a trilogia?: pensamentos, palavras e obras. Bom, dois terços de mim permaneciam limpos.
Sei que meus pais conversavam, a mãe não tinha pressa, essas galdérias, o meu menino, tão engraçado ao piano, os pés não chegavam ao chão, deixar correr o tempo. Que não, dizia meu pai abanando a cabeça, se não vive agora..., ainda desperta já chefe de família, é preciso que os homens vivam antes para depois não morrerem os casamentos. E eu vivia, mas coisas estranhas. É bizarro apaixonarmo-nos pelo colega de carteira e sofrer quando ele cobiça tranças, pernas e seios espalhados pela sala. Eu ria alto e dobrava a parada, em mim o eco do seu desejo pelas mulheres, só para o manter a meu lado comprei o silêncio de prostitutas, “grande noite pá, temos de vir outra vez, até amanhã nas aulas”. Nunca lhe disse e fiz bem, pai de família, nove às cinco, jardinagem ao fim da tarde, já foi entrevistado pela MTV, “sim, sim, amigos de adolescência, fui o primeiro a intuir o sucesso”.
Enganava-se, ninguém é amigo de bom grado quando deseja mais. Agora sou, já não interessa, quando o encontrar vou convidá-lo para o pub da esquina, a não ser que a moral se lhe encabrite. Quem viaja calmamente no grosso da manada não imagina o que é crescer sem autorização social para namorar – já bastam as negaças próprias do amor -, obrigado a inventar razões cretinas para lágrimas por paixões perdidas e nem sequer jogadas, a normalidade indiscutível por todo o lado, ninguém para nos dizer “comigo foi assim...”; se até inventaram lojas para canhotos, porque não arranjam espaço nas cabeças para tipos como eu?
E um dia este chegou com sons que se enroscaram nas minhas notas, desejei o abismo até ao desespero, “gosto de ti, eu também”, mas seria assim tão simples? Vertigem de queda e surpresa pela calma subsequente, está feito, bem ou mal, chegou a hora da aventura, no singular porque éramos só dois e nos amávamos, as canções estão aí para o provar. E estragar!, com elas vieram êxito e palco, os holofotes não o encontravam mas fizeram de mim um palhaço, o medo atacado a óculos extravagantes, pastilhas e whisky.
Queria parar, “tu que achas?”, a decisão era minha, “porquê?”, “és tu a vedeta”, já não brilhavam os olhos dele nos bastidores, o meu(?) sucesso subira-lhe à cabeça como o mercúrio nos termómetros em dias de calor, concedia-me a liberdade e afiava a guilhotina. Fiel a mim próprio, decidi não decidir nada, the show must go on, sei hoje que esperava pedido ou ordem, um sinal, “vamos pensar em nós”. Até o jornalista ficou surpreso, acho que fez a pergunta por desfastio, outros a tinham posto com ferocidade e rira-me nas suas caras, mas naquele momento confessei o pecado por aproximação, cheio de cansaço, solidão e arrogância, é verdade, jogo para os dois lados, o quarto de banho é a primeira porta à esquerda, caso queira desinfectar-se.
Para o Inferno com público e imprensa, mas ele... Sabia, é evidente, mas sem saber. Das digressões contava-lhe o que esperava ouvir, refastelado em Inglaterra, eu pelas sete partes do mundo, é estranho, passei a conseguir estar com mulheres, sem prazer mas com ternura, protegido, era uma forma de lhe ser fiel. Seguramente também pintava a manta na minha ausência, discreto, não resistiu ao pretexto, eis-me único culpado das águas turvas entre nós, “maldito exibicionista, já não consegues deixar o palco por um segundo”. Furioso, quatro anos de zanga com as justificações habituais no meio, seguir cada um o seu caminho, experimentar coisas novas, amigos como dantes. Quatro anos. Profissionalmente um empate, nenhum de nós conseguiu fazer nada de jeito, os abutres exigiram que caíssemos nos braços um do outro, o encanto desaparecera.
Não olhem para trás, dizia Dylan - casei. À procura de calma, família, almoços de domingo, vida no campo à la McCartney. Ele acelerou à sua maneira, nem sequer nos víamos, mandava-me as letras pelo correio e eu musicava-as como um funcionário público, em série, não sou um génio, mas também não gosto de sentir vergonha do meu trabalho. Ela pressentia-o e calava-se, à espera de melhores noites. Quando se chega ao fundo do poço a única saída é para cima, fui eu a procurá-lo, “já não temos vinte e quatro anos, deixei-a, magoámo-nos muito, é pior sem ti, volta”.
Sinto-me uma aberração - enganei-o com mulher legítima, não na cama, perante o mundo de que nos escondíamos. Deixei-a e para ele não valeu a pena, tivesse ficado e seria também um pulha, nada o satisfaz porque não aceita o passado, teríamos sido felizes se eu não tivesse feito e dito isto ou aquilo, apresenta facturas de despesas pelas quais também foi responsável, estou cansado, nunca me perdoou tê-la e mantê-la, mas viu no divórcio um prenúncio, “primeiro eu, agora ela, deixas toda a gente, vai acontecer outra vez”.
Sou o que está sempre a caminho da porta, mesmo que durma do lado da parede não mereço confiança. E contudo, nunca partirei, é o meu homem. O padre estava enganado - o Inferno deve ser isto e vai continuar. Ao menos esta noite queria sorrir-lhe antes de fechar a luz e adormecer-lhe nos braços, sem discussões, o arco-íris de que fala ainda possível, estou gordo e calvo, mas se me deixar ainda lhe posso compôr uma canção que o satisfaça, carícia sua e mesmo cheio de sono faço-o esta noite.
Finalmente percebi como me enganei em 1976, não sou bissexual, estive com pessoas dos dois sexos, é diferente. Não gosto que me definam pelo sexo de quem partilha o meu leito, se tanto precisam de rótulos, digam então que sou o seu amante. É injusto, também sou músico, adepto de futebol, inglês, de meia-idade. O sexo hipnotiza essa gente, já fui assim, mas hoje nem preciso de tirar a roupa, basta que não expluda e me deixe sorrir. Amanhã trucidar-nos-emos, mas esta noite é nossa.

57 d.j.

Maralhal,
Obrigado pelos parabéns, mas sobretudo pela companhia ao longo deste percurso. Já houve morte, zanga, riso, abandono, reconciliação, enfim!, tudo o que nos permite dizer que estamos vivos e juntos, no respeito absoluto da liberdade de cada um. Fiquem bem.

domingo, outubro 15, 2006

Públicas "virtudes"...:).

Um em cada três deputados italianos droga-se
2006/10/09 23:51

«Se cão polícia entrasse no Congresso ficava com o nariz entupido»
Um em cada três deputados italianos consome algum tipo de estupefacientes, como o haxixe e a cocaína, segundo uma investigação de programa de televisão que vai para o ar terça-feira, noticia a agência Lusa.
A informação foi adiantada hoje por responsáveis do programa satírico «Le Iene», que é emitido em Itália 1, canal do grupo Mediaset, propriedade do chefe da oposição de centro-direita italiana, Sílvio Berlusconi.
Le Iene apanhou cinquenta deputados com um teste de consumo de droga disfarçado de produto de maquilhagem que se revelou positivo em 16 deles.
A pretexto de interrogar os deputados sobre o projecto de Orçamento em discussão no Parlamento, os animadores do programa limparam-lhes a testa com um produto químico que revela a presença do estupefaciente no suor.
Cinquenta deputados prestaram-se à «armadilha» do programa sem desconfiar de nada e 16 testes deram positivo: para 12 deles tratava-se de cannabis, e os outros quatro de cocaína, dois produtos cujo uso é proibido em Itália.
A investigação baseia-se numa prova conhecida como o «drug wipe», que os responsáveis do programa asseguram ser fiável em cem por cento.
Todavia, alguns peritos médicos consultados pelos media locais que divulga ram a notícia, salientaram que o teste é preliminar, pois permite saber se uma p essoa consumiu alguma droga nas últimas 36 horas, embora essa fiabilidade tenha de ser confirmada depois com outros testes.
«Le Iene» assegura que a investigação permite estabelecer a percentagem dos deputados italianos que usam drogas, 32 por cento.
A emissão, que vai para o ar terça-feira à noite, preservará o anonimato dos culpados, assegurou o seu realizador, Matteo Viviani.
A notícia foi conhecida depois de este ano o Parlamento ter endurecido as penas pelo consumo de drogas.
A informação gerou de imediato reacções, desde haver quem tenha pedido que sejam divulgados os nomes dos deputados cujos testes deram positivo, àqueles que asseguram que é uma violação do direito à privacidade.
Interrogado pela agência Ansa, o toxicólogo Piergiorgio Zuccaro assegurou que o teste é «cientificamente sério», embora tenha apenas um valor indicativo.
Paolo Cento, um representante do partido «Os Verdes» favorável à despenalização do uso da droga denunciou imediatamente «a hipocrisia de uma parte do mundo político que vota leis atentatórias da liberdade enquanto snifa cocaína».
Já o secretário-geral dos Radicais, Daniele Capezzone, ironizou: «se entrasse no Congresso um cão da polícia especializado na detecção de drogas, ficava com o nariz entupido».


P.S. Meu Deus, porque não mostras mais vezes este Benfica aos nossos olhos pecadores?

quinta-feira, outubro 12, 2006

On n'est pas sérieux quand on a dix-sept - ou cinquante-sept:)? - ans.

Maria,
Aí vai o texto. Fiquei enternecido por ainda te lembrares dele, escrevi-o há tanto tempo! Mas ainda mais por dizeres que tens saudades do maroto que te ensinei a ouvir. Também eu. Muitas, sabes? De o ver no Rivoli, furioso por as luzes fraquejarem - "je travaille, merde!" -, mas logo terno como um miúdo para os cabelos brancos de Maria na plateia. Anos depois, tu sorrindo, o CD na mão, o dedo em riste - "esta falará de nós enquanto eu estiver em Londres...". Tinhas razão. Porque por mail, carta ou sms, a mensagem será sempre a mesma Quand tu me liras - sem ti, cambaleio como um Bateau Ivre. Fica bem.








NO SEU ENTERRO


LÉO FERRÉ

(Variações sobre À mon enterrement)

Um fracasso, o enterro do velho leão. De resto previsível, não lembra ao Diabo compor o próprio funeral, ficamos sujeitos a qualquer pequeno contratempo, a má-língua ao fundo do cortejo, “eu não dizia?, enganou-se em toda a linha”. Mesmo assim há limites, foi humilhante até para quem não passava de mirone, “ah, sim!, o cantor, vestido de preto, cabelos brancos, cheio de tiques, já devia ter uma idadezita”. Não acertou em nada. Potros azuis? Nem vê-los!; e não me venham com a história da cor, liberdades de poeta, negros teriam sido bem mais adequados. O certo é que não apareceram, correndo livres por planícies não toscanas. Fizeram bem; os homens não resistem a domesticar beleza e movimento para os mostrar a visitas dominicais ou públicas ululantes; fizeram bem.
Mas…, e os pops? Onde se meteram as guitarras? Já nem digo flores libertas de espartilhos de coroas, raio de ideia, arranjos estereotipados para celebrar experiência única - nascemos sós mas não notamos, de qualquer modo passamos para o lado de cá, sussurros e carapins cedo nos integram; a morte, essa, põe-nos verdadeiramente ao espelho unidireccional, quem espia através dele, verme ou divindade? Não vieram e deviam, tocaram juntos e correu bem, flirt descarado entre poesia e electricidade, momentos breves, como convém a futuras recordações. É preciso resistir à tentação de mudar secantes em círculos sobrepostos, separam-se como os arcos dos ilusionistas, “senhoras e senhores vou pedir a esta menina da primeira fila que os experimente”, (“aqui há truque, será filha dele?”.
Mulheres de passe também não. Muito menos rapariguinhas de doze anos que o ultraje encheu, talvez nem sequer existam - o homem era um provocador… - em Itália ou França, perdão!, na CEE. Pouco lógico que alguém o conhecesse nas Filipinas e se desse ao trabalho de vir, mesmo aí não é certo, as cadeias de televisão são capazes de tudo por uma boa reportagem, nada nos garante que não sejam mais velhas. E as outras? Seguramente a dormir após noite dura ou amuadas por ele ter abandonado Paris e escolhido quinta mulher única, facto é que não vieram. O cangalheiro nada tem a ver com o previsto, não admira, quem já viu um cangalheiro de dezoito anos e com seis de vagabundagem? Melhor assim, suponhamos que por artes diabólicas cumpria a promessa, comitiva aterrorizada, o cadáver de súbito a estoirar de vida e a fazer amor com o miúdo, trajecto interrompido, “porque parámos?, não olhes, uma vergonha”. Não teve até ao fim um coração de ferro, asseguram os médicos, desde o João Semana da aldeia (grande apreciador do seu vinho) até aos especialistas do hospital; se fez sozinho o troço derradeiro, seguramente não foi de táxi, quanto ao Inferno…, adiante.
E não berrou, senhores, não berrou, embora fosse das profecias a mais esperada, até da morte se duvidava que tivesse coragem para calar o desbragado e os seus verbos activos. (Chamava-lhes poesia, um homem para quem o estilo se abrigava em cu de mulher não devia ter direito a empregar a palavra.) Teve bons mestres: Baudelaire, Rimbaud, Apollinaire, não por acaso apelidados de malditos. Ele sempre a desculpá-los, pior!, a incensá-los, falinhas mansas para os meter pelos nossos ouvidos dentro quando falava de Saint-Germain-des-Prés, até o turismo se pode ressentir de tais coisas. Sempre a falar de ordenadores e cartões perfurados, e as imagens…, melhor fora, um rio é um rio, desagua na foz e pronto, que ideia mais infeliz supor o mar enjoado por ver chegar outras águas, silencioso por decoro. O rio não tem culpa, profundas carências científicas (até um miúdo sabe que a responsabilidade é da Lua), o vento sopra e pára, mas não se estatela em pedras.
E como poderia, por definição, um morto ver? Outros mortos, ideia macabra. Se algo viu, e ninguém jamais o saberá, foram vivos e poucos. Alguns por obrigação, alguns por devoção, mas nada de pintores ou artistas. Silêncio nem pensar – é caso raro no mundo de hoje – e o Sol pregou-lhe a partida, brilhava intensamente, o negro que desejava por todo o lado era apenas uma pequena mancha que se arrastava através do carro (cinzento), perdida no meio da paisagem, as cores da Toscânia não cedem o seu lugar para satisfazer os caprichos de uma anarquista de Mercedes. Quanto a considerar tudo aquilo a última metáfora da ofensa… , talvez se julgasse ao abrigo das leis da vida, se todos recebemos o mesmo veredicto, por que não ele? Em suma: fiasco horrível, as primeiras das suas últimas vontades desrespeitadas em frente de todos, a família nada pôde fazer.
Maria, a seu lado o mais velho, Mathieu, as raparigas mais atrás, é natural, promovido a chefe de família, foi ele que o ensinou a lidar com as crianças, precisava de ter as coisas para as amar. Fim da tarde, a Itália não é a América, cemitérios pequenos mais eriçados, desconhecem o hábito de negar a morte, relvados para passeios e piqueniques de domingo, bandeira ao meio, a terra por baixo fervilhando de vida morta, o american way of life. O sol espreita ainda por trás dos jazigos a poente, muitas pessoas partiram com alívio, quilómetros a fazer, os amigos sabem que é hora de solidão.
Maria olha em volta – inútil ofender alguém! -, para o lixo com toda a hortaliça, como ele dizia no fim dos espectáculos, pedra lisa sem mais nada, amanhã começará a vir de vez em quando, sem dia certo para não cair nas malhas do ritual, sentada ao pé do seu homem, a propósito de homem, quem é aquele? Esguio, de pé à cabeceira da campa, silencioso, de um negro que, esse sim, parecia querer cegar, ficou para trás ou chega agora?

- Maria.

E ela de estremecer, além de mulher é espanhola, aquela voz, desumana de tão doce, recorda-lhe algo, o choro baixo de crianças pelas ruas esburacadas de Barcelona, os pássaros de ventre assassino já partiram, cada corpo é virado com uma prece, Senhor faz com que não seja. Ele já ali, ao pé dela e dos miúdos, olhos estranhos, azul de céu, cabelos brancos como os de…

- Maria, vim buscá-lo.

O espanto dos garotos não surpreende, os garotos!, que arrogância, Mathieu vai nos vinte e quatro, Maria nos dezanove, Manuela nos quinze, homem feito e mulherzinhas. Isto apesar desse hábito das mulheres crescerem mais depressa, como se soubessem que terão de olhar pelos homens, ocupados a provar(-se) que o são, só crescem quando param de o tentar à viva força. Foi difícil deixar de os tratar pelo diminutivos, eles ofendidos, pior seria se soubessem de luzes acesas até passos ressoarem no empedrado do jardim, Léo dizia à mulher, preocupada, que o tempo deve ser gasto a viver, entrava nela docemente, ria baixinho, tinha graça se ficasses à espera de outro à espera deles, tolo, sabes a minha idade?, não acredito nisso, a vida é um milagre e não um favor de hormonas, chhh…, que já chegaram. E daí talvez surpreenda, o pai ensinou-lhes que acarretamos a transcendência dentro de nós, chamar-lhe Deus ou outra coisa é indiferente, admirava-o mais a certeza dos ateus - mas existe disso no mundo? -, talvez gente que perdeu a fé no conteúdo mas continua escrava da forma e da forma, pois se não existem outras à mão… Mas foi um dia longo e triste, se milagre esperaram foi no hospital, tudo o resto chega atrasado, os olhos viram-se para Maria.

- Eu sei.

E a certeza da resposta só pode chocar quem a não conhecer, viveu muito, de Espanha a guerra, viu desfilar os estrangeiros, nem uma palavra do seu idioma sabiam mas chegavam, alguns mortos de medo, é preciso, apenas o principio, ganhar aqui será evitar o resto, ao contrário do teatro, se o ensaio geral correr bem não haverá espectáculo. Bem para os amigos dela, não para os outros que também traziam estrangeiros, cor morena e vestes longas, de Marrocos vinham os defensores da civilização ocidental, comandados por um general hesitante que a morte de outro atirara para a ribalta. Maria assistiu a tudo, os anarquistas em marcha para salvar Madrid e parando para voltar, que a pressa era muita mas não suficiente para enterrar princípios, saiu caro, nos exércitos vencedores raramente as ordens são discutidas, muito menos se alteram, a prova está aí, reproduções pelas paredes, Guernica agonizante, a Pasionaria enganou-se, passaram mesmo. E quem viu isso já viu tudo, sabe que no Céu ou Inferno não existe surpresa que chegue ao porquê em face de crianças mortas, praças de touros convertidas em cemitérios. Nem sequer resta a certeza de antanho, também amigos dela sujaram mãos, lá em baixo, nesse país que ele amava e nos faz tremer pela violência de amores e ódios, se um general grita “viva la muerte!” é natural que haja um Lorca a tombar. Maria tranquilizou os filhos, carimbando a frase do estranho, ele vem buscar o pai. Aos quinze anos o medo e a estranheza rapidamente cedem a passo à curiosidade, Manuela não resistiu,

- És um anjo?

Ele sorriu, divertido, os olhos azuis faziam contraste nítido com os cabelos brancos, jovens de mais para eles, e para jovens foi a resposta – quem não jogou assim um dia? - , calor e frio ao leme, podes tentar outra vez.

- Quente, Manuela, quente.

E a miúda, plácida, vá de tirar a conclusão lógica da resposta, não admira, os computadores não a assustam, o pai não fazia disso finca-pé, os tempos modernos, desde que mantenha a distância saudável cabeça e coração… Ela assim faz, lógica quanto baste, esconde paixão assolapada pelo filho de um arquitecto de Milão – conheceu-o quando Léo decidiu dirigir orquestra a sério, a sério não o levaram mas levou a dele avante -, só o cinzento da cidade a preocupa, tudo o resto lhe parece claro, é o adolescente da sua vida.

- Então és Deus.

Olhar entre triste e enfastiado,

- De certo modo, sim.

Mathieu explodiu, disposto a perdoar a mentira, jamais a heresia.

- Manuela, pois não vês que se diverte à tua custa? E você, desapareça.

Para si próprio, com uma ponta de orgulho, pensou que se alguém viesse pelo pai teria de ser o Diabo, mesmo em dia triste o sorriso iluminou-lhe o rosto, pois não era evidente? Diabólico seria o homem(?), pareceu adivinhar-lhe o pensamento.

- Não deixas de ter razão, Mathieu. Também de certo modo. E compreendo as tuas dúvidas, não se pode acreditar no primeiro que aparece e diz coisas dos outro mundo. Preferes o Diabo? Pois seja.

Só os olhos mudaram, ma a ninguém lembraria de o acusar de preguiça ou ineficácia, azuis eram e azuis ficaram, a expressão… Sem maldade ou ameaça, pior, uma labareda terrível de frieza, arrepio geral e passo atrás, Maria, baixo, mas firmemente,

- Não os assustes.

Vergonha de garoto em falta.

- Desculpa.

E foi Mathieu a salvá-lo do embaraço, mais cordato, a curiosidade da irmã, enorme, acabava de engolir outra vítima.

- És os dois ao mesmo tempo?

- Inevitavelmente.

- Inevitalvelmente? Mas…

E ele sentou-se junto à campa, os miúdos – e é que não consigo tratá-los de outra forma! – fizeram o mesmo, nem se consultaram com o olhar, à sua volta, conta, só Maria ficou de pé, dir-se-ia que já conhece a história.

- Sabem vocês, quando os homens descobriram a morte ficaram assustados. Não só por saberem que iam morrer, a espera tornava-se insuportável, podia ser hoje, amanhã, depois… Mas a vida também não era assim tão alegre, dúvidas e medos, toda a gente à procura de segurança e muito poucos com alguma para partilhar. Não vos aborreço com os pormenores, inventaram-me a mim.

E evitando embora grandes detalhes explicou-lhes como de filho da angústia deles passara a pai bondoso ou severo conforme as circunstâncias, mas sempre fonte de alívio por estar “lá” e ser possível chamá-lo, até de formas estranhas, como o insulto ou a indiferença. Falou-lhes de adoradores fanáticos que o atavam ao mais insignificante acontecimento, mãos no peito logo abertas esperando benesses e, com mais ternura, de gente humilde à cata de um pouco de sorte neste mundo e não no outro, mas em surdina, não fosse a revolta notar-se. Mostrou-se complacente para os que juravam a sua inexistência com tanto ardor que viviam agarrados a si como lapas e admitiu um fraquinho especial pelos que não discutiam o assunto e mantinham a secreta esperança de estarem sempre a tempo de rever posições, depois se vê.

E Maria, a filha, atreveu-se, em tom de ralhete afectuoso,

- Manuela tinha razão, és Deus e quiseste pregar um susto a Mathieu.

- Mas não conseguiu – resmungou o irmão.

O estranho sorriu.

- Já vos disse que os homens me inventaram, mas não nasci para ser escravo, tenho direitos, saio a meus pais, sou humano. O Diabo, como vo-lo ensinaram, é um subordinado revoltoso, mau como as cobras, desejando o meu lugar, aliciando almas para acções que as levariam direitinhas para o Inferno, local, aliás, aparentemente bem mais divertido do que o Céu que me tinham destinado. Mas as pessoas alucinam o que já existe dentro delas, o que o homem juntou ninguém pode separar, Deus e o Diabo são as duas faces do seu criador.

Decididamente a conversa tornava-se enfadonha para a caçula, a sua costela lógica fazia-a pensar nas mortes pelo mundo e no velho que filosofava com os irmãos, Manuela pasmava com o número de idas e vindas, paciência verdadeiramente divina.

- E vens tu próprio buscar todas as pessoas?

- Não me ouviste dizer que sou humano? Só os meus favoritos. Para os outros existe pessoal competente. Angelical, como tu dirias.

- E porquê o pai?

Mathieu não adivinhava o pensamento, mas era filho prestas a viver com recordações e fotografias, discos também, elogios vindos de tão estranho personagem dariam mais força à imagem que guardava dentro de si.

- Conheces bem as canções dele?

- Bom…

Ele riu a bom rir, as miúdas também, raparigas, estudos e rock deixavam pouco tempo a Mathieu, conhecia as mais importantes.

- É suficiente. Algumas são belas, outras duras, já para não falar daquele senso de humor ácido, o papa, por exemplo, não é propriamente fã do teu pai. Não te escondo também que fui sujeito a pressões, lá onde venho, os poetas que musicou, Allende – prometeu ir acordá-lo um dia -, homens de negro a quem compôs um hino, uma senhora também de negro vestida e chamada Piaf. Tudo isso conta, mas bastaria uma só canção para me fazer vir. Sabes qual é?

Mathieu olhou-o com malícia.

- A solidão.

E ele acusou o toque,

- Essa não acrescentou nada ao que eu já sabia. Não, meu rapaz, a Idade Dourada bastaria para me fazer vir pessoalmente.

O leãozinho fez um esforço, recordou-se e estranhou, pois não era uma canção bem mais de esperança para os homens cá em baixo? A mãe, risonha, Léo, é a utopia!, mas claro, minha querida, como se pode viver sem ela? No lugar do outro roer-se-ia de inveja se o pai acertasse e um dia viessem pão e vinho, sangue a correr por veias adormecidas, segundas-feiras transformadas em domingos. Leitos de areia, frutos de quintais vizinhos, pássaros em terra. Mar e estrelas ombro a ombro, cigarras cantando no Inverno. O amor misturado aos problemas e todos os discursos terminando por “amo-te”, o pai tinha razão, se fosse assim…, que viesse a Idade Dourada.

- Não percebo.

E ele, que lhe acompanhara os pensamentos, fez-lhe uma carícia no rosto e explicou,

- Quando tudo isso acontecer, talvez percebam e me deixem em paz, voltarei para dentro deles, nunca de lá devia ter saído. Porque tudo está nos homens, Mathieu: bem e mal, liberdade e solidão, sou apenas um pretexto para não olhar o espelho. Vão ficando comigo, justos e pecadores (são palavras deles), sem elogio ou reprimenda, até ao dia em que finalmente ganhem juízo.

A expressão era triste e cansada, o olhar vagueou pela montanha atrás da qual se escondera o sol, ergueu-se lentamente, são horas, a vossa mãe que conte o resto. Ou não… Dirigiu-se a Maria e segredou-lhe algo ao ouvido, pôs-lhe o braço pelos ombros, nem sequer fitou a campa e partiu sem espalhafato pelo caminho, passo lento, um velho como tantos outros, os miúdos voltaram a ter dúvidas quanto ao seu estado mental, cabeça e mãos inquietas, parecia falar com alguém, cabelos brancos parecidos com os de…
Mathieu e uma ternura súbita, resolveu brincar com ele, o grito,

- Thank you Satan.

E a estrada ressoou com duas gargalhadas, uma delas era conhecida, atroava a quinta ainda há pouco tempo, camisa negra e lenço vermelho, os miúdos viraram-se para a mãe - ela tinha o braço levantado e acenava, como nas estações de comboios, cabeças à janela, até à vista, já morro de saudades, tranquilizou-os,

- O pai está bem, já vão a discutir.

quarta-feira, outubro 11, 2006

É por isso que nós homens falamos pouco de amor - acendemos:)!

Amor Mudo

Ardendo de amor, as cigarras
cantam: mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!

Herberto Helder.

terça-feira, outubro 10, 2006

É justo.

Em cada mulher existe uma morte silenciosa.

Herberto Helder.

sábado, outubro 07, 2006

É a vida!, como diria o primeiro:).

Sócrates em defesa do aborto
2006/10/06 23:59

Líder socialista apresentou moção ao congresso e diz que partido «não é neutro». Por isso, deve fazer campanha no referendo em defesa da despenalização da interrupção voluntária da gravidez

A moção política que José Sócrates subscreve no XV Congresso do PS defende que o partido «não é neutro» na questão do aborto e deve fazer campanha no referendo em defesa da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, escreve a agência Lusa.
«Neste referendo o PS não é neutro e tem uma posição clara» garante o texto, no qual se recorda que a consulta popular a realizar em 2007 nasceu de uma iniciativa socialista.
O documento defende que «o PS deve continuar a defender a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, desde que efectuada até às dez semanas e em estabelecimento legalmente autorizado».
«O PS deve, pois, participar na mobilização social para a despenalização e contribuir para uma vitória do SIM no referendo», refere a moção, que se manifesta «contra a ameaça de prisão das mulheres e contra o aborto clandestino».


P.S. (que adequado...) - Ainda bem que Sócrates não deixou margem para dúvidas, o contrário ter-me-ia surpreendido. Mas muitos que se mantiveram quietinhos e em silêncio para agradarem a um engenheiro, vão agora devorar quilómetros em devota militância para satisfazerem outro. As voltas que o mundo e as consciências dão...

sexta-feira, outubro 06, 2006

Mais do que justo!

Gulbenkian rendeu-se a Anne Sofie von Otter

2006/10/05 11:19

Sueca, cujo reportório vai da ópera barroca ao pop, foi aplaudida de pé

Uma série de prolongados aplausos e três extras coroaram a actuação da meia-soprano sueca Anne Sofie von Otter em Lisboa, quarta-feira à noite, na abertura da nova temporada de música da Fundação Gulbenkian, noticia a agência Lusa.
Depois de ter interpretado as vinte canções do programa, acompanhada por um conjunto de nove instrumentistas, Anne Sofie von Otter voltou ao palco três vezes, para cantar mais três temas, um dos quais sem microfone, e ao despedir-se do público, comentou: «Foi uma noite maravilhosa».
Anne Sofie von Otter, 51 anos, é uma das mais aclamadas cantoras líricas da actualidade e com um reportório que vai da ópera barroca às canções pop.
«É um verdadeiro camaleão, capaz de cantar tudo, da música pré-histórica até aos Beatles», disse o maestro Marc Minkowsky acerca de Anne Sofie von Otter.
Quarta-feira à noite, von Otter cantou várias músicas dos Abba, o mais famoso grupo pop sueco, muito popular no final dos anos setenta, e canções de Kurt Weil, Elvis Costello e Charles Trenet.
O espectáculo, esgotado há várias semanas, chamava-se «I Let The Music Speak», que é também o título do seu último disco.
A nova temporada de música da Gulbenkian, que decorre até Junho de 2007, é uma das mais importantes de sempre, com 128 concertos e um ciclo de piano que trará a Lisboa os principais intérpretes mundiais.

PortugalDiário.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Um trovador anticlerical.

Les clercs se donnent pour des bergers
et ce sont des assassins
sous des airs de sainteté.
Quand je les vois se vêtir
il me souvient de messire
Ysengrin qui voulut un jour
entrer dans une bergerie
mais par crainte des chiens
il endossa une peau de mouton
et trompa leur surveillance
puis il dévora par trahison
les bêtes qui lui plurent.

Peire Cardenal (1205-1272).

Ai o calor da vida no campo!

Alfândega russa descobre pipeline de vodka para a LetóniaAs autoridades alfandegárias russas descobriram um pipeline com mais de 1,5 kms usado por contrabandistas para enviar vodka para a Letónia.
O oleoduto de vodka foi descoberto quando funcionários da câmara municipal de Buholovo, localidade russa junto à fronteira, estavam a plantar árvores.
«O esquema poderia funcionar durante décadas se não fosse termos aberto buracos para plantar as árvores», referiu um responsável policial russo.
As autoridades estão agora a investigar o caso após terem descoberto que o pipeline ligava duas casas arrendadas que se encontravam vazias aquando das rusgas policiais.
04-10-2006 9:58:55
DiárioDigital

terça-feira, outubro 03, 2006

Esclarecimento.

1 - As azeitonas assassinam-me a vesícula.
2 - Mas estas são musicais e gente simpática.
3 - O meu filho João toca com elas de quando em vez.
4 - Uma das vezes é no tema Sílvia Alberto.
5 - Por coincidência decidi meter o link no Murcon.
6 - Não consigo localizar a dita Sílvia Alberto nas minhas recordações.
7 - Razão pela qual não decidi ainda se acompanho Os Azeitonas em paixão tão fulgurante que lhes chega a entrecortar as vozes (Si-si-si...).

segunda-feira, outubro 02, 2006

A pedido de várias famílias:).

Children who are born to or adopted by 1 member of a same-sex couple deserve the security of 2 legally recognized parents. Therefore, the American Academy of Pediatrics supports legislative and legal efforts to provide the possibility of adoption of the child by the second parent or coparent in these families.

Children deserve to know that their relationships with both of their parents are stable and legally recognized. This applies to all children, whether their parents are of the same or opposite sex. The American Academy of Pediatrics recognizes that a considerable body of professional literature provides evidence that children with parents who are homosexual can have the same advantages and the same expectations for health, adjustment, and development as can children whose parents are heterosexual.19 When 2 adults participate in parenting a child, they and the child deserve the serenity that comes with legal recognition.

Children born or adopted into families headed by partners who are of the same sex usually have only 1 biologic or adoptive legal parent. The other partner in a parental role is called the "coparent" or "second parent." Because these families and children need the permanence and security that are provided by having 2 fully sanctioned and legally defined parents, the Academy supports the legal adoption of children by coparents or second parents. Denying legal parent status through adoption to coparents or second parents prevents these children from enjoying the psychologic and legal security that comes from having 2 willing, capable, and loving parents.

Several states have considered or enacted legislation sanctioning second-parent adoption by partners of the same sex. In addition, legislative initiatives assuring legal status equivalent to marriage for gay and lesbian partners, such as the law approving civil unions in Vermont, can also attend to providing security and permanence for the children of those partnerships.
Many states have not yet considered legislative actions to ensure the security of children whose parents are gay or lesbian. Rather, adoption has been decided by probate or family courts on a case-by-case basis. Case precedent is limited. It is important that a broad ethical mandate exist nationally that will guide the courts in providing necessary protection for children through coparent adoption.

Coparent or second-parent adoption protects the child’s right to maintain continuing relationships with both parents. The legal sanction provided by coparent adoption accomplishes the following:

Guarantees that the second parent’s custody rights and responsibilities will be protected if the first parent were to die or become incapacitated. Moreover, second-parent adoption protects the child’s legal right of relationships with both parents. In the absence of coparent adoption, members of the family of the legal parent, should he or she become incapacitated, might successfully challenge the surviving coparent’s rights to continue to parent the child, thus causing the child to lose both parents.

Protects the second parent’s rights to custody and visitation if the couple separates. Likewise, the child’s right to maintain relationships with both parents after separation, viewed as important to a positive outcome in separation or divorce of heterosexual parents, would be protected for families with gay or lesbian parents.

Establishes the requirement for child support from both parents in the event of the parents’ separation.

Ensures the child’s eligibility for health benefits from both parents.

Provides legal grounds for either parent to provide consent for medical care and to make education, health care, and other important decisions on behalf of the child.

Creates the basis for financial security for children in the event of the death of either parent by ensuring eligibility to all appropriate entitlements, such as Social Security survivors benefits.

On the basis of the acknowledged desirability that children have and maintain a continuing relationship with 2 loving and supportive parents, the Academy recommends that pediatricians do the following:

Be familiar with professional literature regarding gay and lesbian parents and their children.
Support the right of every child and family to the financial, psychologic, and legal security that results from having legally recognized parents who are committed to each other and to the welfare of their children.

Advocate for initiatives that establish permanency through coparent or second-parent adoption for children of same-sex partners through the judicial system, legislation, and community education.

COMMITTEE ON PSYCHOSOCIAL ASPECTS OF CHILD AND FAMILY HEALTH, 2000–2001
Joseph F. Hagan, Jr, MD, Chairperson
William L. Coleman, MD
Jane M. Foy, MD
Edward Goldson, MD
Barbara J. Howard, MD
Ana Navarro, MD
J. Lane Tanner, MD
Hyman C. Tolmas, MD
LIAISONS
F. Daniel Armstrong, PhD
Society of Pediatric Psychology
David R. DeMaso, MD
American Academy of Child and Adolescent Psychiatry
Peggy Gilbertson, RN, MPH, CPNP
National Association of Pediatric Nurse Practitioners
Sally E. A. Longstaffe, MD
Canadian Paediatric Society
CONSULTANTS
George J. Cohen, MD
Ellen C. Perrin, MD
STAFF
Karen Smith

domingo, outubro 01, 2006

Mais um passo...

Casal homossexual adopta criança
2006/09/30 23:57
PortugalDiário
Primeiro caso em Espanha. Maioria dos pedidos é de casais masculinos

Um casal homossexual de Barcelona conseguiu adoptar uma criança, o primeiro caso em Espanha, ao abrigo da nova lei, que dá aos casais homossexuais os mesmos direitos do que os heterossexuais, avançam os órgãos de comunicação social espanhóis.
Segundo Carme Figueras, conselheira do bem-estar e da família da Catalunha, 28 casais homossexuais tinham efectuado a inscrição para adoptar de acordo com a nova lei. A maioria dos pedidos é de casais do sexo masculino.
Já existem casos em Espanha de casais homossexuais que se tornaram pais legais de crianças de um dos homens, mas esta é a primeira vez que a adopção é concedida a um casal sem laços sanguíneos com a criança.
«O mais importante na adopção é que a criança seja a beneficiada, que ele ou ela seja amada, cuidada, respeitada e não maltratada», disse Carme Figueras.
A legalização do casamento «gay» foi uma das medidas introduzidas pelo primeiro-ministro socialista José Luiz Rodriguez Zapatero quando assumiu o poder em 2004.


P.S. O Murcon tornou-se um pouco o meu Diário da República:). Alguns de vocês podem, por casualidade, ter ouvido um comentário meu na Antena1 a propósito do Dia da Música. Nele falava de uma investigação levada a cabo por um colega do Porto sobre tipos de música jovem, as drogas que lhes estão preferencialmente associadas e as perspectivas sociológicas a retirar desses fenómenos. Por incúria, esqueci-me de referir o nome do autor do estudo. A Antena1 prometeu fazê-lo, mas nunca se sabe o que acontece na lufa-lufa da edição. Portanto, aqui fica o seu a seu dono - referia-me ao Mestre Victor Silva da Comunidade Terapêutica do Norte.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Aves nocturnas.

Ontem trabalhei até tarde. E num intervalo de referências bibliográficas, slides e requebros de Power-Point dei comigo a fitar o telefone a horas em que o receamos - "o que terá acontecido e a quem?". Não foi difícil puxar o rabo da nostalgia escondida com ele de fora, era do meu Velho que desejava escutar a voz. Também ele ave nocturna, falava a horas obscenas com um entusiasmo juvenil - "então que tal o dia, meu querido filho?". Ouvia distraído e arrastava-me para a sua amada política. Esteja onde estiver - e eu penso que não está em lugar nenhum, a não ser em alguns neurónios que migraram para corações que o amavam... -, ainda bem que não ligou. Porque lhe falaria de angústias que o deixariam aflito e eu não gostava de o saber assim. Nas poucas vezes em que o fiz, o silêncio era tão pesado que eu mordia a língua, arrependido. Lá do fundo, sem artifícios que me ofenderiam, a voz saía-lhe triste e meiga, "veja se ao menos descansa".
Ainda bem que não ligou.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Três milhões...

"A excisão, como o cinto de castidade, é o medo que o homem tem da mulher" (Entrevista a Khady Koita, activista)



Três milhões de meninas são excisadas a cada ano. Na chamada África Negra, mas também na Indonésia, no Egipto e até na Europa. Há entre 130 e 150 milhões de mulheres no mundo a quem o clitóris foi cortado e esta senegalesa muçulmana a viver na Bélgica é uma delas. Em Lisboa para promover o seu livro e participar num seminário, fala deste crime e de como combatê-lo.Conta no seu livro como foi excisada, aos sete anos, "de surpresa": o clitóris "serrado" a sangue frio com uma lâmina velha enquanto três mulheres a seguravam, a dor, o sangue, o silêncio dos adultos. Quando é que alguém lhe explicou o que tinha acontecido e porquê?Nunca. Ninguém me explicou porque, suponho, quem faz isso também não sabe porque o faz. E eu também não fiz perguntas. Mas quando começamos a investigar, quando se lê sobre isso e se fala com os "velhos", temos várias respostas: faz-se para que a rapariga possa chegar virgem ao casamento, para que a mulher seja fiel ao marido; outros dizem que é preciso tirar "aquilo" porque se o marido lhe tocar morre, ou então é o bebé ao nascer que pode morrer... A maioria dir-lhe-á que é feito para agradar ao marido. Em nome da honra e dignidade do homem. Para que a mulher não seja demasiado gulosa por sexo...A origem da prática está identificada? É costume associá-la ao islamismo e a África. Sabe-se que já no tempo dos faraós se fazia a infibulação, que é a forma de excisão mais brutal, em que se corta tudo e se cose a vagina à mulher - foram encontradas múmias assim. Aliás no Egipto, ainda hoje, 97% das mulheres são excisadas. Em África faz-se no Iémen, no Djbuti, na Eritreia, na Somália. Mas faz-se também na Indonésia e no Curdistão iraquiano - não é uma prática só africana. E não é feita só pelos muçulmanos. Também os cristãos e os animistas a praticam. Não há uma religião específica dos que a fazem nem textos religiosos - não está no Corão nem na Bíblia - a preconizá-la. Mas como as mulheres de um modo geral não sabiam ler, disseram- -lhes que era um preceito religioso, e elas acreditaram que tinha de ser feito. Sobretudo porque foram educadas na ideia de que se não fossem excisadas não casavam, e se não casassem, não existiam. Por isso, a luta contra a excisão passa também por alfabetizar as mulheres. Desde que possam ler e escrever, começam a reflectir. Mas se alguém acredita num deus que teria feito tudo o que existe, e portanto as mulheres tal como nascem, como defender que teria criado todas as mulheres "com defeito"?Claro: se Deus fez as mulheres com clitóris, é porque acha que faz falta. É por isso que digo aos homens: "São vocês que instigam isto; é uma ideia vossa". É como o cinto de castidade que foi inventado na Europa, como quando os médicos europeus queimavam o clitóris das raparigas para, supostamente, lhes curar a histeria. O propósito é o mesmo: controlar a sexualidade da mulher. Vem do medo que os homens têm das mulheres .Quando é que começou a questionar-se sobre isso?Já adulta. Bastante tempo depois de ir viver para França. Escreve que as relações sexuais eram penosas e dolorosas com o seu primeiro marido. É possível ter prazer sendo excisada?Em todo o lado - talvez à excepção da Europa actual - espera-se que o homem tenha prazer no sexo, mas a mulher não, e menos ainda quando casada contra vontade, como no meu caso. Eu nem sequer participava no acto. Quanto à dor, depende da forma como se foi excisada. Umas mulheres têm-na, outras não. Mas mesmo sem clitóris é possível ter prazer sexual - depende do parceiro. E hoje em dia há médicos que reconstroem o clitóris. Resulta em alguns casos. Fala também de problemas no parto devido à mutilação. Aquela zona está cicatrizada, perdeu a elasticidade, o que implica que as mulheres fiquem todas rasgadas e tenham dores horríveis. Mas nos primeiros partos eu não sabia que isso se devia à excisão, ninguém me disse "você foi mutilada e vai ter este e aquele problema". Nenhum dos médicos que me seguiu mencionou sequer o assunto. Isto em França! Tinha 15 anos quando dei à luz pela primeira vez e a médica que me viu não me fez uma única observação sobre a cicatriz que viu no lugar do clitóris. Só depois da morte de três meninas, em França, nos anos 80, é que isso começou a mudar. A mais mediatizada foi a de uma bebé do Mali, de três meses, em 1982. Na sequência disso começou a haver formação nessa área entre os médicos e o pessoal da assistência social.Três das suas filhas foram excisadas em França, nos anos setenta, por uma amiga sua, que nem sequer lhe pediu permissão. Mas escreve que se ela tivesse perguntado, teria assentido...Nessa época, o meu espírito não estava preparado para criticar, ou mesmo para questionar a prática. Nunca me tinha perguntado se estava bem ou mal. Era normal e era preciso fazê-lo. Foi muito mais tarde, quando comecei a envolver-me, como intérprete, na luta contra a violência sobre as mulheres que conheci, nos hospitais, uma associação que combate a excisão e da qual fazem parte muitas médicas, que me explicaram as consequências nefastas da excisão. Como vê, hoje, a atitude dos médicos que se calaram?É o relativismo cultural, aquela ideia "É a cultura deles, não temos nada a ver com isso". Mas há cultura e cultura! A mutilação sexual feminina tem de ser vista no contexto dos direitos humanos. E aí não há cores nem culturas. Não se pode fazer discriminação em termos de direitos humanos, dizer que são só para alguns. Mas são também as comunidades imigrantes que dizem: "vivemos aqui mas não queremos ser como vocês, não queremos adoptar os vossos valores". E aí há um conflito, como no caso da interdição do véu muçulmano nas escolas públicas francesas. Eu sou muçulmana e não uso véu. No meu país não se usa. E acho que se deve respeitar o direito da escola. Se são essas as regras da escola laica, se eu a frequento devo respeitá-las. Tal como, se estou num país, tenho de respeitar os seus valores, adaptar-me. Claro que há conflitos. Mas penso que nos países em que os imigrantes não vivem todos ao molho, em gueto, as coisas funcionam melhor. Que devem os países europeus fazer?Não é essencial fazer leis específicas contra a excisão: creio que em nenhum lugar da Europa é permitido mutilar qualquer parte do corpo. O que é preciso é ter atenção a essa realidade. Por exemplo, em França, todas as crianças dos zero aos seis anos são examinadas, incluindo o sexo, nas consultas pediátricas, e tudo é anotado na ficha respectiva. E explica-se à família tudo o que há a explicar sobre a excisão em termos de saúde, sublinhando que é uma prática interdita, ilegal, e que se a criança aparecer excisada o médico será obrigado a comunicar o facto ao ministério público. Em França há mais de 30 processos por esse motivo. E na Suécia houve um processo contra um pai que fez excisar a filha de 13 anos na Somália.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Não necessariamente a física...

Jogos para adiar a morte

Descobrir em outro
a palavra precisa,
a desolada matéria do sonho,
imóvel, fixa sobre o papel.
Palavra que nomeia fantasmas
mas também labaredas de vida
e - ao fundo - o eco do mar,
a sua perdurável presença momentânea,
ondas e horas, sílabas e símbolos.
Tudo o que nos resta, tudo e nada:
jogos para adiar a morte.

Juan Luis Panero, Poemas.

Ele chamou isso ao Petit??????:)))))).

Gays ingleses exigem pedido de desculpas a Scholes por comentário feito no jogo com o Benfica
[ 2006/09/27 15:58 ] Redacção MaisFutebol
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A comunidade gay inglesa exige que Paul Scholes apresente um pedido de desculpas, depois de um alegado comentário homofóbico feito esta terça-feira, no jogo da Liga dos Campeões com o Benfica.
Tudo aconteceu logo aos dez minutos de jogo. O médio do Manchester United cometeu uma falta sobre Petit e foi admoestado com o cartão amarelo pelo árbitro belga Frank de Bleeckere. Terá sido então que Scholes soltou a expressão «fucking poof».
O comentário não agradou aos gays ingleses, que não só exigem um pedido de desculpas do jogador, como pretendem que a UEFA actue contra estes casos da mesma forma que faz com o racismo.
«Os comentários homofóbicos são tão inaceitáveis quanto os racistas. É chocante que a UEFA não tenha agido face ao comentário do Scholes. Se tivesse sido um comentário racista, a UEFA ou a federação inglesa agiam logo disciplinarmente. Exigimos que o Paul Scholes peça desculpa», disse o activista Peter Tatchell.

terça-feira, setembro 26, 2006

A saga continua.

Mesmo levando em conta o futebol praticado desde o início da época, a segunda parte do Benfica no jogo de hoje só justifica um adjectivo: degradante. Quanto à estratégia de substituições de Fernando Santos, ela define um treinador deprimente. O Manchester? Veio para empatar e saiu-lhe a lotaria. Demonstrou por que razão Mourinho será de novo campeão lá para Novembro:).

O embaixador.

Não fosse cá o meco e em Outubro não havia tacho para ninguém, ó maralhal! As datas são todas péssimas, vai daí expliquei ao patraozinho que trabalhando à tarde e indo ao jantar do Murcon à noite empochava mais um álibi para se pirar cedo. Como de costume, rendeu-se à minha lógica (não de ferro, mas granítica, estamos no Puoorto, carago!). Anuncio portanto ao maralhal interessado que estaremos disponíveis (nós os dois, ainda não falo em plural majestático...) a 28 de Outubro. A Gertrudes não vai, prefere o sossego de Cantelães. (Começo a pensar se não estará acabadota para um homem tão cheio de vida como eu... Sim, porque depois de levar o patraozinho a casa, vou para a noite!)

segunda-feira, setembro 25, 2006

Perguntar não ofende.

Não prometo marés vivas, já fugiu o meu Agosto - terás praia encharcada, ventre seco e dunas rijas. Trago o peito carcomido, o vento mudado em brisa - ofereço vela enfunada, casco podre e mão ladina. Queres-me até aparecer o príncipe encantado?

domingo, setembro 24, 2006

Domingo de chuva.

Maria,
Domingo de chuva. Conheces-me - trabalho espojado no tapete. As armadilhas da memória. Tu no sofá, um "degrau" acima. Lendo o jornal, preguiçosa e marota, ave de rapina abençoada por este lagarto de sangue já frescote:(. A tua voz, neutra e falsa; como o olhar, perdido no trigésimo quarto suplemento do semanário - "vão sendo horas...". Os amigos à espera e nós contentes por isso, que bom desejá-los pela companhia e não para disfarçarem silêncios fúnebres que tivessem invadido a relação. Igualar o teu bluff, "tens razão, vamos lá". Esse riso, tão vivo ainda que o alucino, ei-lo no ecrã, espera!, pronto - também no computador és o wallpaper da minha vida. Vamos lá, dizia eu; mas não, vinhas tu. Escorregavas do sofá e disfarçavas o teu desejo de esmola ao meu, "acho que te vou abrir o apetite". Os nossos corpos, exasperados. A televisão em fundo; a porta da vizinha; o relógio honesto mas benevolente. A pressa descomposta. Os olhos procurando-se no carro. A minha mão risonha na tua coxa, à revelia do cansaço mole que me encanta a preguiça e entristece a gula, dedo ante dedo..., "está quieto", a voz trémula desautorizava a ordem. O restaurante. A malta. O dono, ele próprio velho amigo. E, como de costume!, eu dava a alma à tua palmatória - de tão saciado, morria de fome:).

sexta-feira, setembro 22, 2006

É o mesmo por todo o lado:(.

Tem 31 anos? É velho demais
2006/09/22 | 16:45 || Tatiana Alegria
Para ser comissário de bordo da TAP o limite é 30 anos. Na British Airways pode candidatar-se até aos 65. A Iberia não impõe limite máximo. Empregadores podem excluir os candidatos «mais maduros»? Juristas dizem que se trata de uma «zona cinzenta»

Tem 31 anos? Então é velho demais para ser comissário de bordo da TAP. Os candidatos ao cargo não podem ter mais de 30 anos, lê-se no site da companhia aérea.

Qual o fundamento desta limitação? «Trata-se de uma prática internacional, justificada pelo tipo de funções exercidas e pelo equilíbrio que tem de existir entre experiência e juventude», explica o porta-voz da TAP, António Monteiro, ao PortugalDiário.

No entanto, esta «prática internacional» não é aplicada na British Airways. «A idade limite para recrutamento de comissários de bordo da British Airways é de 55 anos, mas a lei laboral no Reino Unido está a mudar neste momento e, a partir de 1 de Outubro, a idade máxima será de 65 anos», esclarece o gabinete de imprensa da empresa ao PortugalDiário.

Já na companhia de aviação Iberia não existe um limite máximo de idade nestas candidaturas, adianta a assessoria de imprensa da empresa espanhola. Mas aos 55 anos os comissários de bordo podem pedir para trabalhar em terra, acrescenta o porta-voz da Iberia.

Por vezes o limite máximo de idade não existe no papel, mas aplica-se na prática. «Muitas companhias não aceitam comissários de bordo com mais de 26 anos», conta um funcionário de uma companhia aérea internacional, contactado pelo PortugalDiário. «No início de carreira, os comissários de bordo chegam a fazer sete escalas por dia. É muito stressante e eles só querem jovens», descreve o trabalhador.

Mas nem todos aceitam que a fasquia etária seja tão baixa. Paulo Pintassilgo tem 31 anos e não se considera «velho demais» para o cargo de comissário de bordo. Trabalha actualmente na British Airways «onde não existem discriminações», mas sente-se indignado por saber que estas limitações são impostas na TAP, onde vários amigos nem sequer tiveram oportunidade de apresentar uma candidatura.

«Podem sempre levar a questão aos tribunais europeus, mas muitos não estão para se chatear», desabafa. Paulo Pintassilgo conta ao PortugalDiário que no ano passado o mesmo concurso discriminava em função do sexo. «Impunha uma altura mínima de 170 cm para os homens e 160cm para as mulheres. Levei a questão à Comissão Europeia e este ano a empresa corrigiu este requisito da candidatura».

A TAP está a discriminar em função da idade ao impor um limite máximo de idade? Especialistas em direito laboral contactados pelo PortugalDiário defendem tratar-se de uma «zona cinzenta», mas sublinham que qualquer critério de exclusão tem de ser muito bem fundamentado. «A experiência laboral pode ser critério de avaliação mas nunca um critério de exclusão», afirma o advogado Rui Assis ao PortugalDiário.

A discriminação em função da idade «a mais» é um tema muito actual, defende o jurista. Por um lado, a sociedade está cada vez mais competitiva, por outro, as «almofadas» das pré-reformas estão a desaparecer, argumenta.

Candidatos internos podem ser «mais maduros»

Mas nem todos os «trintões» estão excluídos da candidatura ao cargo de comissário de bordo da TAP. Os funcionários da própria companhia não estão sujeitos a este limite máximo de idade «porque os instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho a tal obrigam a empresa e porque a política da empresa vai no sentido da mobilidade interna aproveitando conhecimentos e capacidades já revelados ao seu serviço», explica António Monteiro, porta-voz da TAP, ao PortugalDiário.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Sem dúvida! Ainda ontem comi um. Não no Império, mas na capital do mesmo:).

Da relevância do bife



Ruben de Carvalho
Jornalista rubencarvalho@mail.telepac.pt

Para que se não critique o carácter aparentemente prosaico do tema desta crónica, invoquemos em defesa o facto de ter sido ele nos idos de 60 objecto de um celebrado ensaio de Roland Barthes nas suas Mitologias: trata-se do... bife.

Em rigor, o bife até é relativamente acessório no tocante às conclusões que se pretende apresentar, mas pode dizer-se que, de facto, ao princípio era o bife! Em concreto, o bife à café, inventado ao que consta nas cozinhas do oitocentista café Marrare. Como se sabe, a esmagadora maioria dos cafés alfacinhas foi sucumbindo, as saudosas frigideiras dando lugar a cofres fortes bancários, secretárias e arquivos, aprestos todos eles incompatíveis com bifes e respectivos molhos. Resistiu um - o Império.

Há alguns meses os lisboetas foram confrontados com a perspectiva desse último baluarte do lombo e da vazia passar a adjacência da IURD.

Verificou-se aquilo a que é hábito chamar um sobressalto colectivo, sendo de elementar justiça sublinhar que papel determinante foi desempenhado pelos trabalhadores da casa, ali profissionais há anos e anos de casa e com aquela ligação ao "seu sítio", que é um dos mais fascinantes traços de identidade humana dessas pessoas que acabam a fazer parte da nossa vida, ali ao lado das mesas onde nos habituamos a jantar e almoçar.

Moções na câmara, artigos nos jornais, gente do património, enfim, alguma coisa se conseguiu. A IURD lá terá recuado e o Império foi anunciado como salvo. Fizeram obras.

Pode ter-se dúvidas sobre uns neons que andam por lá, mas as soluções de cozinha foram inteligentes; o grande ecrã é uma opção que a alguns desagradará, mas o mobiliário é agradável. E, sobretudo, o bife lá está - e o Império.

Isto já seriam tudo boas notícias, mas há melhor. É que, segundo tudo indica, a reabertura foi um êxito, excedeu todas as expectativas, já foi necessário admitir mais pessoal e, na realidade, 15 dias depois de reaberto o café até já adquiriu o ar de normalidade de sempre lá ter estado!

Nestes tempos em que preocupações se acumulam, uma vitória, mesmo no bife - ora pois andávamos a precisar disto.

Até porque, leia-se Roland Barthes, o bife é mitologicamente relevante...

terça-feira, setembro 19, 2006

Poema para fim de dia cansativo.

Completas


A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina.


P.S. E eu sem saber que em Cantelães, do outro lado do riacho, havia bombas...

segunda-feira, setembro 18, 2006

A Aspásia é linguareira:).

Pronto, confesso:

1) Fui a um casamento.
2) (Não era o meu.)
3) Usei fato e gravata.
4) (Eram meus porque os comprei de propósito.)
5) Quando me ia pirar a horas decentes para regressar a Cantelães fui interceptado pela minha nora.
6) (Nunca discuto as "sugestões" dela.)
7) Fui dançar (?) twist e rock.
8) (Como de costume, fi-lo mal e porcamente.)
9) Diverti-me imenso e pulei como um desalmado.
10)(No dia seguinte as minhas pernas eram autênticas vítimas de violência doméstica praticada por esta cabeça desmiolada.)
11) Enterneceu-me ver a geração dos meus filhos sorrir, complacente, perante o desatino galhofeiro da velhada:).

sexta-feira, setembro 15, 2006

Volver.

Vi o último Almodóvar. E lembrei-me do que aqui disse sobre o Ney - gostei muito deste Almodóvar, com menos "plumas". Não duvido que o argumento seja dele, mas a impressão que o filme dá é a de alguém que observa, maravilhado, o mundo das mulheres. Ou como diz uma das protagomistas - "são coisas nossas". É verdade. Por isso esperarei sempre por Maria, sabendo que nunca "voltará":).

quinta-feira, setembro 14, 2006

"Não existem medicamentos contra o problema no mercado": a frase retrata uma civilização!

Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciaram ter comprovado a eficácia e a segurança do primeiro medicamento especialmente desenvolvido para tratar da ejaculação precoce.
Em um estudo publicado na revista médica The Lancet, o cientistas descrevem que a substância ativa da droga, a dapoxetina, aumenta de três a quatro vezes a duração de uma relação sexual.

A ejaculação precoce é um problema que afeta cerca de 30% dos homens, e não existem medicamentos contra o problema no mercado.

O tratamento normalmente envolve aconselhamento psicológico e o uso de antidepressivos da família da dapoxetina, os chamados inibidores seletivos de recaptação de serotonina (SSRI, na sigla em inglês).

Alguns especialistas, no entanto, já expressaram preocupação com o uso desses antidepressivos, por causa dos efeitos colaterais que eles provocam, como alteração no peso e reações cutâneas.

A dapoxetina não é tão forte quando os demais SSRI usados contra a depressão, e foi especialmente criada para tratar a ejaculação precoce.

Segundo os cientistas, ela pode ser usada cada vez que for necessária e dispensa a ingestão por um tempo prolongado.

Três minutos

Na pesquisa da Universidade de Minesotta, os estudiosos combinaram dois testes com o medicamento.

Foram analisados mais de 2,6 mil homens com problemas de ejaculação precoce em grau moderado a grave. Eles receberam dosagens de 30 mg ou 60 mg de dapoxetina, ou ainda um placebo.

No início do estudo, em média, esses homens ejaculavam menos de um minuto após a penetração.

Doze semanas depois, esse tempo subiu para 1min45 naqueles que tomaram placebo, 2min47 entre os que foram medicados com 30 mg de dapoxetina, e 3min19 nos que ingeriram 60 mg da droga.

"A dapoxetina também melhorou a percepção dos pacientes no controle da ejaculação e sua satisfação com a relação sexual", afirmou Jon Pryor, coordenador da pesquisa.

"Suas parceiras também se beneficiaram, sentindo-se mais satisfeitas com a relação sexual", explicou Pryor.

'Segura'

A dapoxetina foi desenvolvida pela Alza Corporation, uma afiliada da Johnson & Johnson, mas o uso da droga ainda não foi liberado em vários países.

Mesmo assim, em um editorial que acompanhou o artigo na The Lancet, o urologista italiano Francesco Montorsi afirmou que o medicamento se mostrou seguro e tolerável.

"A esperança é de que a dapoxetina se torne uma droga importante para oferecer aos pacientes que sofrem de ejaculação precoce", afirmou.

Organizações que lidam com a saúde masculina elogiaram os testes. "Realmente existem poucos tratamentos para o problema, então qualquer medicamento que ajude é bem-vindo", disse Peter Baker, do Forum para a Saúde do Homem.

"Mas temos que nos lembrar que um dos maiores obstáculos ao tratamento é convencer os homens a procurar ajuda", afirmou. "Muitos ainda se sentem envergonhados em falar com seus médicos sobre o assunto."

Vide in aqui

P.S. Peço desculpa por não ter referido o autor do post de ontem. Como a esmagadora maioria terá adivinhado, trata-se de uma citação da Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera.

P.S.1 - Em 30 anos fartei-me de resolver ejaculações prematuras sem meter anti-depressivos ao barulho:).

quarta-feira, setembro 13, 2006

Porque na TVI se fala de swing:).

"Estava numa situação dr onde não havia saída: aos olhos das amantes, marcado pelo selo infamante do seu amor por Tereza; aos olhos de Tereza, pelos estigmas das suas aventuras com as amantes".

Continuo a achar que os triângulos são mais frequentes:).

segunda-feira, setembro 11, 2006

Fidbek imediato:).

Pede-me o patraozinho que informe o maralhal da sua disponibilidade para iniciar o complexo processo de negociações com vista a marcar o próximo jantar murcónico. Pela sua parte, poderá ser em Matosinhos-sur-Mer ou Porto-sur-la-rivière. Se o Benfica continuar a jogar assim, atreve-se a sugerir que a hora do repasto coincida com a do jogo da semana, para não se incomodar com a transmissão televisiva.


Souzá, le chauffeur, the butler, o amigo.

domingo, setembro 10, 2006

A rir-se de tudo e de todos aos 98? Que privilégio:).

El Pais: Filme de Oliveira é «decrépito, simpático e marciano»

«Belle Toujours», do realizador Manoel de Oliveira, é a película «mais trash, decrépita, simpática, descarada e marciana« exibida na edição deste ano da Mostra de Veneza, escreve esta sexta-feira o enviado do El Pais ao certame.

«Há que ter 98 anos e ser Manoel de Oliveira para realizar com dois duros e quatro amigos algo parecido com um epílogo de Belle de Jour, a conhecida obra de Luis Buñuel, e sair bem do intento», observa Enric González.

Na crónica sobre o novo filme do veterano realizador português enviada de Veneza, González lembra que Oliveira começou a filmar em 1931 e criou ao longo destes anos «um estilo próprio», cujo mérito «consiste na mistura de pincel fino e trincha gorda, na atenção aos pormenores importantes e no desinteresse pelo secundário, no humor quase libertino com que simula levar a sério as suas personagens».

Concretamente sobre «Belle Toujours», o crítico classifica-o como «uma obrazinha menor», um «entremez de pouco mais de uma hora» sobre o encontro de duas das personagens do filme de Buñuel- que Oliveira homenageia - 38 anos depois.

Ele (Michel Piccoli) - descreve González - é «um velho alcoólico» e ela (Bulle Ogier, porque Catherine Deneuve «se recusou a participar») é «uma senhora viúva, arrependida dos seus antigos entretenimentos masoquistas e desejosa de entrar num convento». Há ainda uma «personagem sentenciosa» (um criado) que explica a trama.

«Com velhos actores, móveis antigos, escassas luzes e câmaras estáticas - prossegue González - , a um director normal sairia, no melhor dos casos, um filme deprimente. Oliveira, pelo contrário, nem sequer se permite um momento de nostalgia crepuscular».

Oliveira, escreve a concluir, «lança mão a uns quantos fetiches buñuelianos (a caixa dentro da qual zumbe uma misteriosa mosca, o galo no hotel de luxo) e acaba a rir-se sadicamente, com o riso de Piccoli, de tudo e de todos».

«Belle Toujours» foi apresentado em Veneza fora de competição.

Diário Digital / Lusa

08-09-2006 15:01:00


P.S. O Benfica continua em pré-época. A vitória sobre os bons rapazes do Áustria foi um doce - e lucrativo... - sonho de noite de Verão. Receio que o resto da temporada também seja "shakespeareano":))))))).

sexta-feira, setembro 08, 2006

Outonal.

Maria,

Em Cantelães, o Verão já se esgueira para o riacho. À medida que o sigo, enroscado na varanda, noto que a encosta por trás do moinho vai mudando de toilette - o castanho, com doçura inexorável, empurra o amarelo para o próximo ano. Das gargalhadas dos miúdos resta o eco, divertido e amargo; e um hamburger virgem, astutamente escondido no sofá, "mãe, já comi!". Levanto-me. A sala e a Cabreira. Os moinhos, fantasmagóricos; obedecem a vento ou luar? O retrato. A blusa comprada na feira, dia de sol, a mulherzinha sorridente, "fica-lhe tão bem, menina!". É verdade. O que torna esta demora mais exasperante, promete que chegas com o Outono:(. Entretanto vou buscar um xaile para esses ombros, Maria. Corre uma aragem pela casa, pode arrepiar-te os ombros e apagar o sorriso...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Mais um passinho.

Alzheimer: descoberta «proteína da memória»
2006/09/07 | 17:49
Em Portugal, estima-se que mais de 50 mil pessoas sofrem da doença

Investigadores norte-americanos descobriram uma proteína com funções cruciais de mensageira química do cérebro, que proporciona a capacidade de reconhecer objectos e pessoas. A notícia é avançada pela Agência Lusa.

Quando os níveis dessa proteína se reduzem, o indivíduo começa a perder a memória e a apresentar sintomas semelhantes aos do mal de Alzheimer, uma doença neurológica progressiva e incurável.

Segundo os cientistas do Centro Médico da Universidade de Duke, a proteína recicla uma substancia chamada «acetilcolina», que transporta as mensagens entre os neurónios.

Num artigo publicado na revista Neuron, os cientistas revelam que os animais modificados geneticamente com defeitos nessa proteína demonstraram sintomas parecidos com os de Alzheimer, entre os quais a incapacidade de reconhecer caras familiares.

«Utilizando ratos geneticamente modificados como modelos para Alzheimer, podemos aprender mais acerca do circuito neuronal do cérebro», disse Marc Caron, professor de biologia celular do Centro Médico, que participou na investigação.

O investigador acrescentou que esta descoberta poderá conduzir ao desenvolvimento de novas formas de aliviar os sintomas da doença.

Segundo Marco Prado, professor de farmacologia da Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil) e outro dos investigadores, estes resultados poderão também ajudar na procura de medicamentos que melhorem a função da acetilcolina no cérebro.

«Isto é importante porque se acredita que a diminuição da acetilcolina reduz a função cognitiva nos idosos e está associada aos sintomas cognitivos e de conduta na doença de Alzheimer», afirmou.

Na sua imparável progressão, o mal de Alzheimer, que afecta principalmente homens e mulheres com mais de 65 anos, provoca a demência e por último a morte.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Nunca voltes a um restaurante onde foste feliz?:).

Antes da Marisa fui a um restaurante da minha juventude que não frequento há um ror de tempo. Correu tudo mal:( - a carne bem passada vinha mal passada, "aquele" prato não havia, a água natural pedida jorrou fresca, o vinho estava a "passar para o lado de lá", a manga entrara em plena terceira idade. E as pessoas de uma gentileza inexcedível, a cada pensamento desiludido ainda me sentia culpado por cima... Enquanto esperava pelo início do espectáculo fui pensando se não será melhor saborear as recordações em vez de as pôr em risco:).

terça-feira, setembro 05, 2006

King Mercury, como dizia Macca.

Mercury faria hoje sessenta anos. Sempre gostei mais de o ouvir do que de o ver, por vezes tantas coroas, mantos e microfones em riste faziam-me correr para o leitor de CDs. Mas Made in Heaven, por exemplo, está em permanência no meu carro. Porque é preciso enorme coragem e dignidade para gravar um disco daqueles a entrar e a sair de um hospital à espera do fim.

P.S. Vou descer ao povoado para ouvir Marisa Monte ao vivo. Espero não ficar com saudades dos CDs:).

segunda-feira, setembro 04, 2006

Isto é um bocado arrepiante...

Sexo desprotegido pode acelerar cancro
2006/09/01 | 14:20
Sémen contém substâncias que acerelam cancro cervical e do útero
As relações sexuais sem preservativo podem acelerar o avanço do cancro cervical e do útero, devido à elevada concentração no sémen de umas substâncias chamadas prostaglandinas, segundo uma investigação tornada pública esta sexta-feira no Reino Unido.
Uma equipa de cientistas do Conselho Britânico para a Investigação Médica, dirigido por Henry Jabbour, descobriu que os dois tumores se desenvolviam na presença dessas substâncias.
As prostaglandinas encontram-se em todos os tecidos dos mamíferos e líquidos biológicos e em quase todas as células do organismo, com excepção dos glóbulos vermelhos.
Estas substâncias também se encontram de forma natural nos órgãos reprodutores femininos, mas a sua presença é até mil vezes mais concentrada no sémen, revela o estudo, publicado hoje na revista médica «Journal of Endocrinology and Human Reproduction».
Os investigadores examinaram os efeitos das prostaglandinas no crescimento do tecido canceroso.
«O que demonstrámos é que os níveis dos receptores» - moléculas da superfície celular ou do citoplasma que encaixam noutras moléculas como uma chave na sua fechadura - «para a prostaglandina eram elevados nesses cancros. Esse elevado nível do receptor conduz ao crescimento do tumor», explicou Henry Jabbour.
«Mesmo que bloqueemos a síntese (produção) de prostaglandinas nos órgãos reprodutores, tal não impede a evolução do tumor, se a mulher tiver uma vida sexual activa», acrescentou.
Por isso, está demonstrado que é a prostaglandina presente no sémen que causa o crescimento do tumor.
O especialista recomenda às mulheres que possam sofrer este tipo de tumores que utilizem preservativos nas suas relações sexuais.

domingo, setembro 03, 2006

Ao lusco-fusco.

Nestes últimos dias Cantelães tem sido como eu sonhara - família e amigos entram e saem com as respectivas crias, barafunda e mesas cheias:). A outra face da moeda vivo-a agora, ao lusco-fusco, a cinza cai sobre a piscina, o céu permanece avermelhado sem que o sol tenha culpas no cartório e helicópteros passam de quando em vez. Olho em redor. O medo de ver destruído o que eu imaginei e o Guilherme realizou. Talvez uma noite longa em perspectiva, o meu pessimismo espreguiça-se e namora o acelerador. Pensar, como dizia Vergílio Ferreira. A importância de manter os rituais -tomar um banho e assumir a presidência da mesa, há faces risonhas e esfomeadas para cuidar:).


Sousa,
Assim estamos mal, homem! Então não me avisa que a Nova Gente já saiu?:(. Para que lhe pago, carago? (Sou um poeta...).

sexta-feira, setembro 01, 2006

Raios e coriscos!, há mais de 25 anos que ensino o contrário:).

Personalidade não interfere com o coração


As pessoas impacientes e irascíveis podem ter problemas de relacionamento com os outros, mas não correm mais risco de sofrer ataques cardíacos, revela um estudo inédito internacional, em que participou um investigador português.

Nesta investigação, os cientistas analisaram mais de seis mil pessoas entre os 14 e os 102 anos, estudaram a relação entre a personalidade e as doenças coronárias e concluíram que os calmos não estão mais a salvo de ter um ataque cardíaco do que os que se irritam facilmente.

Esta conclusão pode parecer surpreendente, na medida em que algumas pessoas sofrem ataques cardíacos quando fazem um esforço físico suplementar ou atravessam uma situação de tensão.

Porém, tal deve-se a problemas coronários já existentes e não ao facto de a pessoa ter uma natureza tranquila ou agitada, revela o estudo publicado na edição deste mês da revista norte-americana "Public Library of Science Genetics".

Assim, a investigação deve deixar mais aliviados os indivíduos com personalidade de "tipo A", caracterizada pela impaciência, competitividade e facilidade para o aborrecimento.

Após uma análise exaustiva da saúde e do comportamento de 6.148 pessoas, os investigadores concluíram que as pessoas às quais incham as veias e ferve o sangue quando estão presas nas filas de trânsito, quando a sua equipa de futebol perde ou quando são contrariadas não correm mais risco do que os calmos de ter uma paragem cardíaca.

"Uma pessoa que se chateia mais frequentemente não tem maior probabilidade de sofrer um ataque de coração", resume o investigador português Gonçalo Abecasis, professor da Universidade de Michigan, que participou na elaboração do estudo.

Os cientistas descobriram que os genes que exercem influência sobre o comportamento são diferentes dos que afectam as funções cardiovasculares, pelo que não existe um vínculo biológico entre ambos.

Esta conclusão contradiz alguns estudos anteriores, sobretudo um realizado nos anos 50, que define o tipo de personalidade A e lança a hipótese de que essa classe de pessoas tem mais probabilidades de sofrer um ataque de coração. Esses investigadores tentaram provar a sua tese através da análise de 166 homens de tipo A (os agressivos) e B (os tranquilos), mas as suas conclusões foram criticadas porque os A fumavam mais do que os B, e o tabaco é uma causa directa de problemas vasculares.

Estudos posteriores chegaram a resultados contraditórios, tendo o número de participantes sido sempre pequeno.

Neste estudo agora publicado, uma equipa de 20 cientistas escolheu quatro povos da ilha mediterrânica da Sardenha para analisar a influência dos genes na vida do ser humano.