segunda-feira, março 30, 2009
O seu a seu dono.
Hoje, um puto de 24 anos obrigou o número um do ténis mundial a jogar muito perto do seu melhor para o derrotar. Sem Ferraris vermelhos, fanfarronadas, barba crescida, frases do género "há quem tenha a lata de apontar o dedo aos jogadores da selecção", doutoramentos honoris causa, ordenados milionários, etc... Amanhã receio que seja remetido para a sombra do último putativo reforço do Benfica, o Congresso leonino ou o aportuguesamento da equipa do FCP. O rapaz é um dos 70 melhores jogadores do mundo, mesmo sem bandeiras nas janelas, caramba! Haverá vida em Portugal para lá do futebol?
quinta-feira, março 26, 2009
Che.
Benicio del Toro compôe um Che convincente. Como hipocondríaco - e paridinho... - espanto-me com a teimosia do guerrilheiro, capaz de manter em respeito o asmático. Partes da sua entrevista utilizada no filme são de uma actualidade indesmentível. O pequeno burguês que sempre fui, admira o homem que perseguiu a revolução sonhada noutras paragens e nesse processo encontrou a morte, mas abana a cabeça com amargura perante o regime instalado em Cuba. Entre a alienação capitalista e o socialismo traído não existirá nada?
segunda-feira, março 23, 2009
Extraordinário país!
Crise? Mas que crise?
Duas equipas fizeram um jogo paupérrimo; um árbitro coleccionou asneiras sob o ponto de vista disciplinar e cometeu um erro técnico grave; um jogador atirou a medalha ao chão e ofereceu-a ao ladrão do árbitro; um treinador descobre um novo significado para o mais conhecido gesto indicando gamanço da nossa praça; os dirigentes, alimentados pelos media, ocupam a boca de cena há 48 horas e tencionam continuar. Etc...
Crise? mas que crise?
Ainda a propósito de cinema: em 24 horas vi "O Leitor" e o "Quem quer ser Milionário?". Só encontro uma justificação para a chuva de óscares que se abateu sobre o segundo - o mercado indiano. Suponho que o próximo laureado seja chinês...
Duas equipas fizeram um jogo paupérrimo; um árbitro coleccionou asneiras sob o ponto de vista disciplinar e cometeu um erro técnico grave; um jogador atirou a medalha ao chão e ofereceu-a ao ladrão do árbitro; um treinador descobre um novo significado para o mais conhecido gesto indicando gamanço da nossa praça; os dirigentes, alimentados pelos media, ocupam a boca de cena há 48 horas e tencionam continuar. Etc...
Crise? mas que crise?
Ainda a propósito de cinema: em 24 horas vi "O Leitor" e o "Quem quer ser Milionário?". Só encontro uma justificação para a chuva de óscares que se abateu sobre o segundo - o mercado indiano. Suponho que o próximo laureado seja chinês...
sexta-feira, março 20, 2009
Abençoados 78!
O último Eastwood é esplendoroso. Dir-se-ia a Paixão de um Dirty Harry que descobre a sageza e os outros:).
terça-feira, março 17, 2009
Continuando...
Uma das coisas que me continuam a impressionar nos mais velhos é a triste "eficácia" com que muitos ainda fazem suas imagens alheias. Não há pides tão severos como os que acarretamos dentro de nós e sussurram "o sexo é para os jovens, não sejas ridículo(a), como te atreves a empregar palavras como namoro, paixão ou desejo para o que te vai dentro? Já é uma sorte que não te decretem tão perverso nos afectos como analfabeto na informática e inútil na memória! ".
domingo, março 15, 2009
Números degradantes.
Sexualidade e Envelhecimento é já a conferência mais escolhida do meu "menu". Admitindo que as rugas próprias - de corpo e alma... - tenham algo a ver com tal sucesso, a razão principal é evidente - mesmo a custo, a sociedade vai-se aceitando que não nos tornamos assexuados por decreto do B.I. Mas quando leio que 230.000 portugueses, sobretudo idosos, já devem nas farmácias ou pagam a prestações, receio dissertar sobre um artigo de luxo:(.
domingo, março 08, 2009
O imperdoável desleixo.
Três dias na Madeira, a convite do Congresso de Medicina Interna. Trataram-me como um príncipe em todo o lado - no Congresso, na Câmara, onde fiz uma conferência, na rádio, onde gravei O Amor é... para a semana. Antigos alunos pararam-me nos corredores - "sou do ano...", um velho amigo de adolescência desaguou no hotel e pusemos a conversa (quase) em dia, os médicos "a sério" fizeram-me sentir um deles:).
E no entanto... Tudo o resto perdeu importância, quando comparado ao enorme gozo de reencontrar o Mário Espiga de Macedo e o Manuel Sobrinho Simões. O Mário é meu amigo há 47 anos, o Manel "só" há 41, mas a correria em que sempre andamos torna os encontros portuenses tão improváveis como raros:(. Foi preciso estarmos os três em trabalho a uma hora e meia de voo!
Tais desleixos são imperdoáveis. Sobretudo em médicos, especialistas na precariedade, para variar trocámos notícias tristes acerca de gente amiga... Por isso os olhei com ternura culpada durante o jantar de sexta. Como se o carinho que me invadia trouxesse a responsabilidade de não permitir nunca mais desencontros preguiçosos de workaholics, privando-nos de gargalhadas como as madeirenses, tão espontâneas e imaculadas que o coração, incrédulo e divertido, fita o bilhete de identidade e aconselha-o a procurar ajuda médica por diagnóstico fácil - sofre de obsessão pelo tempo dos relógios.
E no entanto... Tudo o resto perdeu importância, quando comparado ao enorme gozo de reencontrar o Mário Espiga de Macedo e o Manuel Sobrinho Simões. O Mário é meu amigo há 47 anos, o Manel "só" há 41, mas a correria em que sempre andamos torna os encontros portuenses tão improváveis como raros:(. Foi preciso estarmos os três em trabalho a uma hora e meia de voo!
Tais desleixos são imperdoáveis. Sobretudo em médicos, especialistas na precariedade, para variar trocámos notícias tristes acerca de gente amiga... Por isso os olhei com ternura culpada durante o jantar de sexta. Como se o carinho que me invadia trouxesse a responsabilidade de não permitir nunca mais desencontros preguiçosos de workaholics, privando-nos de gargalhadas como as madeirenses, tão espontâneas e imaculadas que o coração, incrédulo e divertido, fita o bilhete de identidade e aconselha-o a procurar ajuda médica por diagnóstico fácil - sofre de obsessão pelo tempo dos relógios.
domingo, março 01, 2009
Trabalho e ecrã.
Maria,
Não fui para Cantelães. Conheces-me: a hipótese de levar à Madeira uma apresentação já preparada espicaçou esta culpabilidade judaico-cristã de agnóstico nostálgico; fiz outra. Mas com a televisão ligada...
O Congresso do PS fluiu como previsto. António José Seguro contribuiu para o debate estando presente, João Soares idem aspas; Manuel Alegre aceitou ser da Comissão de Honra, mas não pôs lá os pés; Vera Jardim levantou questões mais do que pertinentes e embrulhou-as num par de elogios, Ana Gomes surgiu no Eixo do Mal em 33 rotações no que às críticas habituais diz respeito, ambos ficaram a anos-luz da adjectivação ditirâmbica de outros... Resultado? Os grandes momentos de "heterodoxia" ficaram a dever-se a um delegado que nunca viu um galo apaixonar-se por outro galo, a outro que declamou versos dedicados à Dra. Edite Estrela - com a devida permissão da esposa! - e aos inevitáveis excursionistas, alguns dos quais responsabilizaram as televisões pelo apagão de Sábado á noite...
Lembrei-me de uma frase tua: "és cínico por convicção e ingénuo por fraqueza". Devo confessar que desde a separação ainda me irrita mais dar-te razão, mas... Imagina que fantasiei o enfado de Sócrates em face de tanto - como é a frase? - culto da personalidade. Eu sei, ele instiga-o e chama um figo às oportunidades de vitimização que lhe oferecem. Tenho pena, sabes? Nos últimos tempos o político vem-me desiludindo, na substância bastantes vezes, quase sempre na forma, sua ou dos "pretorianos" de serviço. Mas não deixei de gostar do homem.
A propósito, o duplo-padrão continua de boa saúde. Quando a Hillary se comoveu, não faltaram as vozes a dizerem que se tratava de manobra estratégica, Sócrates "abanou" e mesmo os comentadores mais agressivos se limitaram a estranhar a brecha na habitual armadura. Tivesse eu os últimos meses que lhe aterraram no colo e desconfio que me atribuiriam lugar cativo na Unidade Coronária! Mas tudo se paga, não me pareceu em boa forma. Os discursos foram medianos e a concentração do fogo sobre o Bloco de Esquerda um erro, na minha modesta opinião.
Como é evidente, Louçã capitalizou-o. Mas, para te falar com franqueza, não estou seguro que o Bloco perceba os perigos que se escondem por trás das generosas sondagens. Alegre não rompe, está bom de ver, por natureza e cálculo. O Bloco disputará com a abstenção uma larga fatia de eleitorado de esquerda, indisponível para decretar como únicas hipóteses a maioria absoluta do PS ou o caos neste jardim à beira-mar plantado. Mas se acontecer uma subida clara de votação no contexto de outra amuada maioria relativa do PS, os tempos de adolescência chegarão ao fim - ninguém exigirá ao Bloco alianças estruturadas, mas o apoio a medidas pontuais será cuidadosamente escrutinado. E se a imagem resultante do exame for a de uma oposição sistemática "porque sim", um ocaso à la PRD não é de excluir, há uma enorme diferença entre o voto reactivo e o consolidado.
P.S. À direita, como diria Remarque, nada de novo. Remarque? Margarida Rebelo Pinto? Dan Brown? Camões? Desculpa, mas depois de toda a discussão acerca da obra do Sartre que Pedro Passos Coelho leu (?) e com os sessenta anos ao virar da esquina, a memória parece cada vez mais traiçoeira:(.
Fica bem.
Não fui para Cantelães. Conheces-me: a hipótese de levar à Madeira uma apresentação já preparada espicaçou esta culpabilidade judaico-cristã de agnóstico nostálgico; fiz outra. Mas com a televisão ligada...
O Congresso do PS fluiu como previsto. António José Seguro contribuiu para o debate estando presente, João Soares idem aspas; Manuel Alegre aceitou ser da Comissão de Honra, mas não pôs lá os pés; Vera Jardim levantou questões mais do que pertinentes e embrulhou-as num par de elogios, Ana Gomes surgiu no Eixo do Mal em 33 rotações no que às críticas habituais diz respeito, ambos ficaram a anos-luz da adjectivação ditirâmbica de outros... Resultado? Os grandes momentos de "heterodoxia" ficaram a dever-se a um delegado que nunca viu um galo apaixonar-se por outro galo, a outro que declamou versos dedicados à Dra. Edite Estrela - com a devida permissão da esposa! - e aos inevitáveis excursionistas, alguns dos quais responsabilizaram as televisões pelo apagão de Sábado á noite...
Lembrei-me de uma frase tua: "és cínico por convicção e ingénuo por fraqueza". Devo confessar que desde a separação ainda me irrita mais dar-te razão, mas... Imagina que fantasiei o enfado de Sócrates em face de tanto - como é a frase? - culto da personalidade. Eu sei, ele instiga-o e chama um figo às oportunidades de vitimização que lhe oferecem. Tenho pena, sabes? Nos últimos tempos o político vem-me desiludindo, na substância bastantes vezes, quase sempre na forma, sua ou dos "pretorianos" de serviço. Mas não deixei de gostar do homem.
A propósito, o duplo-padrão continua de boa saúde. Quando a Hillary se comoveu, não faltaram as vozes a dizerem que se tratava de manobra estratégica, Sócrates "abanou" e mesmo os comentadores mais agressivos se limitaram a estranhar a brecha na habitual armadura. Tivesse eu os últimos meses que lhe aterraram no colo e desconfio que me atribuiriam lugar cativo na Unidade Coronária! Mas tudo se paga, não me pareceu em boa forma. Os discursos foram medianos e a concentração do fogo sobre o Bloco de Esquerda um erro, na minha modesta opinião.
Como é evidente, Louçã capitalizou-o. Mas, para te falar com franqueza, não estou seguro que o Bloco perceba os perigos que se escondem por trás das generosas sondagens. Alegre não rompe, está bom de ver, por natureza e cálculo. O Bloco disputará com a abstenção uma larga fatia de eleitorado de esquerda, indisponível para decretar como únicas hipóteses a maioria absoluta do PS ou o caos neste jardim à beira-mar plantado. Mas se acontecer uma subida clara de votação no contexto de outra amuada maioria relativa do PS, os tempos de adolescência chegarão ao fim - ninguém exigirá ao Bloco alianças estruturadas, mas o apoio a medidas pontuais será cuidadosamente escrutinado. E se a imagem resultante do exame for a de uma oposição sistemática "porque sim", um ocaso à la PRD não é de excluir, há uma enorme diferença entre o voto reactivo e o consolidado.
P.S. À direita, como diria Remarque, nada de novo. Remarque? Margarida Rebelo Pinto? Dan Brown? Camões? Desculpa, mas depois de toda a discussão acerca da obra do Sartre que Pedro Passos Coelho leu (?) e com os sessenta anos ao virar da esquina, a memória parece cada vez mais traiçoeira:(.
Fica bem.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
Breves.
Maria,
1 - 70.000 novos desempregados em Janeiro.
2 - 5.000 euros de multa por corrupção activa provada.
3 - Uma gentil menina perguntou-me se a borracha insuflável será a solução para o crescente isolamento sexual.
4 - Penn ganhou o Óscar e um crítico encontrou a expressão certa - ele dissolveu-se no personagem.
5 - A Elisa esteve bem na Alfândega, ao discurso de grande solidez que lhe conhecia juntou um sorriso de genuína comoção. Vai precisar de ambos... (A propósito: ao contrário do que gostavas de insinuar, o PM sempre teve por ela a maior admiração. Até pelo seu mau génio!)
6 - No top ten dos heróis americanos, Obama ultrapassou Jesus Cristo. Pobre Lennon, que foi crucificado por dizer que era mais conhecido...
7 - Em 24 horas uma graça ao Magalhães foi proibida, autorizada e satisfez todos os envolvidos pela publicidade que trouxe ao Carnaval de Torres. Acho bem, deve sair mais barato do que trazer estrelas de telenovelas. E contudo...
1 - 70.000 novos desempregados em Janeiro.
2 - 5.000 euros de multa por corrupção activa provada.
3 - Uma gentil menina perguntou-me se a borracha insuflável será a solução para o crescente isolamento sexual.
4 - Penn ganhou o Óscar e um crítico encontrou a expressão certa - ele dissolveu-se no personagem.
5 - A Elisa esteve bem na Alfândega, ao discurso de grande solidez que lhe conhecia juntou um sorriso de genuína comoção. Vai precisar de ambos... (A propósito: ao contrário do que gostavas de insinuar, o PM sempre teve por ela a maior admiração. Até pelo seu mau génio!)
6 - No top ten dos heróis americanos, Obama ultrapassou Jesus Cristo. Pobre Lennon, que foi crucificado por dizer que era mais conhecido...
7 - Em 24 horas uma graça ao Magalhães foi proibida, autorizada e satisfez todos os envolvidos pela publicidade que trouxe ao Carnaval de Torres. Acho bem, deve sair mais barato do que trazer estrelas de telenovelas. E contudo...
domingo, fevereiro 22, 2009
Da memória e outras raízes.
Frustração
Fútil viagem
de que restam
sílabas
que não latejam.
António Ramos Rosa, Estrias.
Fútil viagem
de que restam
sílabas
que não latejam.
António Ramos Rosa, Estrias.
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
A desatenção.
So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,Blue skies from pain
Can you tell a green fieldFrom a cold steel rail?
A smile from a veil?Do you think you can tell?
Did they get you to tradeYour heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?Did you exchange
A walk on part in the warFor a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost soulsSwimming in a fish bowl,Year after year,
Running over the same old ground.What have we found?
The same old fears
Wish you were here
Maria,
Uma vez mandaste o poema. Sem uma palavra tua como legenda ou bala ... E eu, cheio de fúria injusta e culpa honesta, aterrado por me ver ao espelho na triste doçura de canção favorita, parti e ceguei. Ou ao contrário... Certo é que me escapou um pormenor singular - o plural!
"We're just...". Acossado, soltei garras e velas, sem perceber que nunca abandonaras o navio, era também dos teus medos que falavas.
Aquele plural, mais a alma em que não acredito, o aquário claustrofóbico e os anos em sessão contínua poderiam ter-nos mantido juntos, se este umbigo medroso não me hipnotizasse:(.
De acordo, Maria, "os mesmos velhos medos...". Acredita, por favor, desejo de todo o coração que não seja hoje o caso. Por a vida em geral e um amor em particular terem estilhaçado os que te assombravam. Os meus? Wish they were gone...
So you think you can tell
Heaven from Hell,Blue skies from pain
Can you tell a green fieldFrom a cold steel rail?
A smile from a veil?Do you think you can tell?
Did they get you to tradeYour heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?Did you exchange
A walk on part in the warFor a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here
We're just two lost soulsSwimming in a fish bowl,Year after year,
Running over the same old ground.What have we found?
The same old fears
Wish you were here
Maria,
Uma vez mandaste o poema. Sem uma palavra tua como legenda ou bala ... E eu, cheio de fúria injusta e culpa honesta, aterrado por me ver ao espelho na triste doçura de canção favorita, parti e ceguei. Ou ao contrário... Certo é que me escapou um pormenor singular - o plural!
"We're just...". Acossado, soltei garras e velas, sem perceber que nunca abandonaras o navio, era também dos teus medos que falavas.
Aquele plural, mais a alma em que não acredito, o aquário claustrofóbico e os anos em sessão contínua poderiam ter-nos mantido juntos, se este umbigo medroso não me hipnotizasse:(.
De acordo, Maria, "os mesmos velhos medos...". Acredita, por favor, desejo de todo o coração que não seja hoje o caso. Por a vida em geral e um amor em particular terem estilhaçado os que te assombravam. Os meus? Wish they were gone...
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
TVC3.
James Dean. A Leste do Paraíso. E uma frase de Tyrone Power sobre ele: "Teve sorte, morreu sem conhecer o declínio". Talvez. Eu lembro-o com mais ternura do que a opulenta Marylin e os seus Kennedys e DiMaggio. "Too fast to live, too young to die", cantavam os Eagles.
Demasiado rebelde para não ser lembrado com saudade neste mundo cinzentão, digo eu...
Demasiado rebelde para não ser lembrado com saudade neste mundo cinzentão, digo eu...
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Milk...
... é um tributo magnificente ao homem e à luta. E no entanto..., com os seus "perigos". Já ouvi os elogios ditirâmbicos - e merecidos... - ao desempenho de Penn desaguarem no horror pelo que ainda podia acontecer "naquele tempo", afinal "só passaram trinta anos".
Tenho más notícias, péssimas notícias!, para as nossas alvas consciências - uma nórdica lésbica no Poder não assegura a Primavera da aceitação, sobra caminho por andar:(.
Tenho más notícias, péssimas notícias!, para as nossas alvas consciências - uma nórdica lésbica no Poder não assegura a Primavera da aceitação, sobra caminho por andar:(.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
Soltas.
Maria,
Notícias da nossa querida parvónia:
1 - O senhor Stanley Ho teve prejuízos na ordem dos 90%. Resultado catastrófico - passou da posição 89 para a 113 na lista dos mais ricos do mundo. Um dia destes está na sopa dos pobres:(.
2 - Trabalhadores da Amorim foram despedidos. Notícia de alguns jornais: o português mais rico também despede. Acho incrível que estes trabalhadores manchem assim uma reputação!
3 - O Augusto Santos Silva entusiasmou-se e disse que gostava de malhar na Oposição. Depois explicou que era uma questão de contexto. A todo o momento se espera um esclarecimento sobre os locais em que utilizaria os verbos zurzir e debater...
4 - Manuel Alegre desancou-o - não sei se o verbo é o correcto... - e Augusto Santos Silva declarou-se um pigmeu perante ele.
5 - Aproveitando este bom ambiente no PS, o PSD apressou-se a ultrapassá-lo na descida nas sondagens. Há quem diga que o Dr. Luís Filipe Menezes se verá obrigado - mais uma vez... - a romper o silêncio que jurara depois da sua demissão.
6 - Surpreendentemente, o CDS prepara-se para apoiar Santana Lopes na corrida por Lisboa. As más línguas dizem que, para compensar esse afastamento de uma rigorosa equidistância, o Dr. Paulo Portas só pôe uma condição para se aliar a um Governo PS minoritário - ser convidado.
7 - Vamos ter chips nos carros, mas ainda não é público quem vai lucrar com a decisão.
8 - Afinal parece que toda a gente no universo BPN conhecia a existência do Banco Insular. Talvez até aquele senhor que em Novembro declarou na televisão que não era um homem rico e depois afirmou que detinha seis milhões de euros em acções...
9 - Está frio.
10 - Sinto-me frio. E não é do frio...
Notícias da nossa querida parvónia:
1 - O senhor Stanley Ho teve prejuízos na ordem dos 90%. Resultado catastrófico - passou da posição 89 para a 113 na lista dos mais ricos do mundo. Um dia destes está na sopa dos pobres:(.
2 - Trabalhadores da Amorim foram despedidos. Notícia de alguns jornais: o português mais rico também despede. Acho incrível que estes trabalhadores manchem assim uma reputação!
3 - O Augusto Santos Silva entusiasmou-se e disse que gostava de malhar na Oposição. Depois explicou que era uma questão de contexto. A todo o momento se espera um esclarecimento sobre os locais em que utilizaria os verbos zurzir e debater...
4 - Manuel Alegre desancou-o - não sei se o verbo é o correcto... - e Augusto Santos Silva declarou-se um pigmeu perante ele.
5 - Aproveitando este bom ambiente no PS, o PSD apressou-se a ultrapassá-lo na descida nas sondagens. Há quem diga que o Dr. Luís Filipe Menezes se verá obrigado - mais uma vez... - a romper o silêncio que jurara depois da sua demissão.
6 - Surpreendentemente, o CDS prepara-se para apoiar Santana Lopes na corrida por Lisboa. As más línguas dizem que, para compensar esse afastamento de uma rigorosa equidistância, o Dr. Paulo Portas só pôe uma condição para se aliar a um Governo PS minoritário - ser convidado.
7 - Vamos ter chips nos carros, mas ainda não é público quem vai lucrar com a decisão.
8 - Afinal parece que toda a gente no universo BPN conhecia a existência do Banco Insular. Talvez até aquele senhor que em Novembro declarou na televisão que não era um homem rico e depois afirmou que detinha seis milhões de euros em acções...
9 - Está frio.
10 - Sinto-me frio. E não é do frio...
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Boa noite.
Maria,
O teu riso. E a insegurança que me tomava na alvorada de nós - "de que te ris?". O olhar severo, ao arrepio da voz, perigosamente doce - "de prazer, Júlio, de prazer. Não te agrada?". A vergonha macha, eu fantasiava gemidos e esgares hollywoodescos em resposta a uma arte que sabia não dominar. Mas o riso..., o riso surpreendia-me, de tão humilhante para ego frágil; "com outros era melhor...".
"Agrada e muito!". O teu sorriso, cavalgando o meu rubor. Sabias; perdoavas; e esse corpo em arco, anunciando de novo a gargalhada, espasmódica e não solitária, porque a ela se juntava...
Se continuo não consigo adormecer:(.
Boa noite, querida.
O teu riso. E a insegurança que me tomava na alvorada de nós - "de que te ris?". O olhar severo, ao arrepio da voz, perigosamente doce - "de prazer, Júlio, de prazer. Não te agrada?". A vergonha macha, eu fantasiava gemidos e esgares hollywoodescos em resposta a uma arte que sabia não dominar. Mas o riso..., o riso surpreendia-me, de tão humilhante para ego frágil; "com outros era melhor...".
"Agrada e muito!". O teu sorriso, cavalgando o meu rubor. Sabias; perdoavas; e esse corpo em arco, anunciando de novo a gargalhada, espasmódica e não solitária, porque a ela se juntava...
Se continuo não consigo adormecer:(.
Boa noite, querida.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Boa noite.
Maria,
O cansaço, como a doença e a velhice, tem o condão de pôr a vida em perspectiva. (Talvez por com elas partilhar uma certa melancolia distanciada). Por isso me quedo a desejar-te, baixo-relevo cravado no silêncio da casa. E dos dois sou eu o fantasma precário, assombrando a tua memória, granítica por eterna. Como o amor...
O cansaço, como a doença e a velhice, tem o condão de pôr a vida em perspectiva. (Talvez por com elas partilhar uma certa melancolia distanciada). Por isso me quedo a desejar-te, baixo-relevo cravado no silêncio da casa. E dos dois sou eu o fantasma precário, assombrando a tua memória, granítica por eterna. Como o amor...
domingo, janeiro 18, 2009
Feliz aniversário, Eugénio!
Os joelhos
Considerai os joelhos com doçura:
vereis a noite arder mas não queimar
a boca onde beijo a beijo foi acesa.
Considerai os joelhos com doçura:
vereis a noite arder mas não queimar
a boca onde beijo a beijo foi acesa.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
Se bem me lembro, S.Francisco de Assis falava do "irmão lobo", mas não neste registo:(.
Cardeal Patriarca alerta jovens portuguesas para «montes de sarilhos» de casarem com muçulmanos
O Cardeal Patriarca de Lisboa surpreendeu na noite de terça-feira o auditório do Casino da Figueira da Foz ao advertir as jovens portuguesas para o «monte de sarilhos» de se casarem com muçulmanos
Falando na tertúlia «125 minutos com Fátima Campos Ferreira», que decorreu no Casino da Figueira da Foz, D. José Policarpo deixou um conselho às jovens portuguesas quanto a eventuais relações amorosas com muçulmanos, afirmando: «Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam».
Questionado por Fátima Campos Ferreira se não estava a ser intolerante perante a questão do casamento das jovens com muçulmanos, D. José Policarpo disse que não.
«Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá» , ripostou D. José Policarpo à jornalista e anfitriã da tertúlia, manifestando conhecer «casos dramáticos» que, no entanto, não especificou.
Na sua intervenção, o Cardeal Patriarca de Lisboa considerou «muito difícil» o diálogo com os muçulmanos em Portugal, observando que o diálogo serve para a comunidade muçulmana demarcar os seus espaços num país maioritariamente católico.
«Só é possível dialogar com quem quer dialogar, por exemplo com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil» , disse D. José Policarpo durante a tertúlia.
Respondendo a uma pergunta da anfitriã sobre se o diálogo inter-religioso em Portugal tem estado bem acautelado, o Cardeal Patriarca sublinhou que, no caso da comunidade muçulmana, «estão-se a dar os primeiros passos».
«Mas é muito difícil porque eles não admitem sequer [encarar a crítica de que pensam] que a verdade deles é única e é toda» , sustentou.
Sublinhou ainda que o diálogo serve para os muçulmanos, num país maioritariamente católico, «como fazem os lobos na floresta, demarcarem os seus espaços e terem os espaços que eu lhes respeito».
Mais tarde, quase no final de mais de duas horas de conversa e respondendo, na altura, a uma pergunta da assistência sobre a presença muçulmana na Europa, lembrou que a comunidade muçulmana de Lisboa representa cerca de 100 mil fiéis «centrados à volta de três grandes mesquitas» e definindo as relações com o Patriarcado como «habitualmente boas e muito simpáticas».
No entanto, e noutro registo, alertou para a necessidade de existir «respeito e conhecimento» sobre a religião muçulmana enquanto "primeira atitude fundamental" para o diálogo.
«Nós somos muito ignorantes, queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão?» , inquiriu.
«Se queremos dialogar com muçulmanos temos de saber o bê-a-bá da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar» , acrescentou D. José Policarpo.
Outra atitude a praticar na relação com os muçulmanos, sublinhou o Cardeal Patriarca é «não ser ingénuo», afirmação que ilustrou com a visão que alegadamente possuem de que o sítio onde se reúnem para rezar «fica sempre deles».
«Os muçulmanos têm uma visão na sua religião que o sítio onde se reúnem para rezar fica na posse deles, é o sítio onde Alá se encontrou com eles portanto mais ninguém pode rezar naquele sítio» , disse D. José Policarpo.
Lembrou, a propósito, um «problema sério» ocorrido na Catedral de Colónia, na Alemanha, cedida pelo Cardeal da cidade à comunidade muçulmana local para uma cerimónia no Ramadão.
«Depois consideravam a Catedral posse deles, foi preciso a intervenção da polícia para resolver aquilo (...) Não sejamos ingénuos na maneira de trabalhar com eles» , argumentou.
Lusa / SOL
O Cardeal Patriarca de Lisboa surpreendeu na noite de terça-feira o auditório do Casino da Figueira da Foz ao advertir as jovens portuguesas para o «monte de sarilhos» de se casarem com muçulmanos
Falando na tertúlia «125 minutos com Fátima Campos Ferreira», que decorreu no Casino da Figueira da Foz, D. José Policarpo deixou um conselho às jovens portuguesas quanto a eventuais relações amorosas com muçulmanos, afirmando: «Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam».
Questionado por Fátima Campos Ferreira se não estava a ser intolerante perante a questão do casamento das jovens com muçulmanos, D. José Policarpo disse que não.
«Se eu sei que uma jovem europeia de formação cristã, a primeira vez que vai para o país deles é sujeita ao regime das mulheres muçulmanas, imagine-se lá» , ripostou D. José Policarpo à jornalista e anfitriã da tertúlia, manifestando conhecer «casos dramáticos» que, no entanto, não especificou.
Na sua intervenção, o Cardeal Patriarca de Lisboa considerou «muito difícil» o diálogo com os muçulmanos em Portugal, observando que o diálogo serve para a comunidade muçulmana demarcar os seus espaços num país maioritariamente católico.
«Só é possível dialogar com quem quer dialogar, por exemplo com os nossos irmãos muçulmanos o diálogo é muito difícil» , disse D. José Policarpo durante a tertúlia.
Respondendo a uma pergunta da anfitriã sobre se o diálogo inter-religioso em Portugal tem estado bem acautelado, o Cardeal Patriarca sublinhou que, no caso da comunidade muçulmana, «estão-se a dar os primeiros passos».
«Mas é muito difícil porque eles não admitem sequer [encarar a crítica de que pensam] que a verdade deles é única e é toda» , sustentou.
Sublinhou ainda que o diálogo serve para os muçulmanos, num país maioritariamente católico, «como fazem os lobos na floresta, demarcarem os seus espaços e terem os espaços que eu lhes respeito».
Mais tarde, quase no final de mais de duas horas de conversa e respondendo, na altura, a uma pergunta da assistência sobre a presença muçulmana na Europa, lembrou que a comunidade muçulmana de Lisboa representa cerca de 100 mil fiéis «centrados à volta de três grandes mesquitas» e definindo as relações com o Patriarcado como «habitualmente boas e muito simpáticas».
No entanto, e noutro registo, alertou para a necessidade de existir «respeito e conhecimento» sobre a religião muçulmana enquanto "primeira atitude fundamental" para o diálogo.
«Nós somos muito ignorantes, queremos dialogar com muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber o que é que eles são. Quem é que em Portugal já leu o Alcorão?» , inquiriu.
«Se queremos dialogar com muçulmanos temos de saber o bê-a-bá da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar» , acrescentou D. José Policarpo.
Outra atitude a praticar na relação com os muçulmanos, sublinhou o Cardeal Patriarca é «não ser ingénuo», afirmação que ilustrou com a visão que alegadamente possuem de que o sítio onde se reúnem para rezar «fica sempre deles».
«Os muçulmanos têm uma visão na sua religião que o sítio onde se reúnem para rezar fica na posse deles, é o sítio onde Alá se encontrou com eles portanto mais ninguém pode rezar naquele sítio» , disse D. José Policarpo.
Lembrou, a propósito, um «problema sério» ocorrido na Catedral de Colónia, na Alemanha, cedida pelo Cardeal da cidade à comunidade muçulmana local para uma cerimónia no Ramadão.
«Depois consideravam a Catedral posse deles, foi preciso a intervenção da polícia para resolver aquilo (...) Não sejamos ingénuos na maneira de trabalhar com eles» , argumentou.
Lusa / SOL
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Crianças em fundo branco.
Maria,
O sofá do corredor gozando o sol aberto, alheio ao frio que reinava para lá do vidro, mas se via desafiado, mesmo portas afora, pelo gozo dos miúdos. Os cães, filosoficamente enroscados junto a mim, a sesta preguiçosa nem um pouco impressionada pelos caprichos meteorológicos. Cantelães vestida de um branco único de tão espesso, imagina que me abraçava os tornozelos! O livro cambaleante nas minhas mãos, sem remorso contagiadas pela modorra canina. O pensamento em nevoenta roda livre - o silêncio morno e aconchegado de aquário é herança tua. Que me obrigaste a cultivar o ócio tribal até reconhecer a evidência - morrer é não parar.
O sofá do corredor gozando o sol aberto, alheio ao frio que reinava para lá do vidro, mas se via desafiado, mesmo portas afora, pelo gozo dos miúdos. Os cães, filosoficamente enroscados junto a mim, a sesta preguiçosa nem um pouco impressionada pelos caprichos meteorológicos. Cantelães vestida de um branco único de tão espesso, imagina que me abraçava os tornozelos! O livro cambaleante nas minhas mãos, sem remorso contagiadas pela modorra canina. O pensamento em nevoenta roda livre - o silêncio morno e aconchegado de aquário é herança tua. Que me obrigaste a cultivar o ócio tribal até reconhecer a evidência - morrer é não parar.
terça-feira, janeiro 06, 2009
De partida.
Maria,
A estrada. O nervoso miudinho, há trinta e sete anos que entra nos anfiteatros empoleirado no meu ombro. E contudo... Antigamente deixava-os a tricotar dúvidas monótonas: gostaram?; aprenderam alguma coisa?; fui simples e não simplista? Hoje, o público mais severo acoita-se dentro de mim. Acontece terminar uma conferência e ouvir, espantado, elogios. Pois não perceberam - como eu! - que discurso e pensamento avançavam (?) aos solavancos?
Quando estavas e ficavas... Eu dizia não me apetecer partir e buscava esse colo, ao mesmo tempo maternal e excitante. O sorriso; a mão à solta pelos meus cabelos; o beijo na testa, que fugi aos meus lábios, ansiosos por atraso, desculpa de última hora, recuo, desfazer do saco que tu supervisionavas para eu não me passear disfarçado de mendigo.
"Quando voltares, para mim e para o Porto...", dizias. E eu apontava à estrada, calando o ciúme pelo arquitecto que te arrastava a asa quando me sabia ausente e não só, eu forçado a admitir que fosses tu minha filha e to aconselharia em vez de mim, péssimo partido e duvidoso amante; impróprio para consumo, até em sociedade que nele se lança de olhos fechados e carteiras escancaradas.
Espero que a A1 me devolva ao Porto. Mas sei que me receberá de braços abertos e sobrolho franzido, "e ela?". Porque sempre me vê partir com a firme convicção de que a única boa razão para o deixar és tu - disposta, por fim, a regressar. E como não duvida do teu amor, volta ao granítico cinzento com a certeza de quem é o culpado do vosso divórcio. É verdade, conheço-te. Saia eu da cidade - ou em definitivo da tua cabeça... - e voltarás.
Quase me apetece buscar refúgio em Gaia, diluir-me na paisagem, sacar dos binóculos e esperar. Pois não fazem assim os amantes das aves?
A estrada. O nervoso miudinho, há trinta e sete anos que entra nos anfiteatros empoleirado no meu ombro. E contudo... Antigamente deixava-os a tricotar dúvidas monótonas: gostaram?; aprenderam alguma coisa?; fui simples e não simplista? Hoje, o público mais severo acoita-se dentro de mim. Acontece terminar uma conferência e ouvir, espantado, elogios. Pois não perceberam - como eu! - que discurso e pensamento avançavam (?) aos solavancos?
Quando estavas e ficavas... Eu dizia não me apetecer partir e buscava esse colo, ao mesmo tempo maternal e excitante. O sorriso; a mão à solta pelos meus cabelos; o beijo na testa, que fugi aos meus lábios, ansiosos por atraso, desculpa de última hora, recuo, desfazer do saco que tu supervisionavas para eu não me passear disfarçado de mendigo.
"Quando voltares, para mim e para o Porto...", dizias. E eu apontava à estrada, calando o ciúme pelo arquitecto que te arrastava a asa quando me sabia ausente e não só, eu forçado a admitir que fosses tu minha filha e to aconselharia em vez de mim, péssimo partido e duvidoso amante; impróprio para consumo, até em sociedade que nele se lança de olhos fechados e carteiras escancaradas.
Espero que a A1 me devolva ao Porto. Mas sei que me receberá de braços abertos e sobrolho franzido, "e ela?". Porque sempre me vê partir com a firme convicção de que a única boa razão para o deixar és tu - disposta, por fim, a regressar. E como não duvida do teu amor, volta ao granítico cinzento com a certeza de quem é o culpado do vosso divórcio. É verdade, conheço-te. Saia eu da cidade - ou em definitivo da tua cabeça... - e voltarás.
Quase me apetece buscar refúgio em Gaia, diluir-me na paisagem, sacar dos binóculos e esperar. Pois não fazem assim os amantes das aves?
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