terça-feira, agosto 11, 2009

Mais valem duas vidas na mão do que uma felicidade a voar.

Enquanto os dados rolam, as gentes sustêm a respiração, esbanjam dinheiro por ganhar, sofrem desilusões por acontecer, agradecem a sorte e esconjuram o azar; esperam. E no processo deixam a vida que não depende do acaso entre parênteses. Estranho desperdício de mortais...

quarta-feira, agosto 05, 2009

Auto-retrato.

Alguém morreu. Depois de negar aos amigos uma última visita. Seria arrogante decretar que "teve razão". Limiro-me a dizer que compreendo e acho que faria - ei? - o mesmo: se não podemos evitar deixá-los, ao menos que nos seja concedido o privilégio de escolher o tipo de recordações que lhes deixamos.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Para lá das fotografias.

Admito que haja no pensamento uma faceta perversa, mas reivindico a existência de outra, barrada a doçura - à medida que o tempo passa e afunila sinto-me a viver as futuras recordações de gente que amo. E percebo o extraordinário privilégio concedido a quem só acredita nesse tipo de imortalidade:).

terça-feira, julho 28, 2009

Once upon a time.

E eu lá expliquei - confessei? - pacientemente que a geração de 60 no Porto não usava flores no cabelo, mal conhecia os Jefferson Airplane e praticava o amor livre..., depois do casamento:).
Outra mão levantando-se, teimosa, entre mim e o regresso a casa.
- As festas de garagem eram assim tão boas? Os meus pais quase choram no ombro um do outro se falam nelas!
Rosto miúdo, vestido menineiro, olhos atentos, voz firme, o namorado devia andar a toque de caixa...
Como eu andava:). Mas nas festas de garagem, se não havia pecados por julgar, tu abrigavas o rosto no colo do meu pescoço e ao longo dele subia a voz rouca que os outros desconheciam e eu lembrava de madrugada, não se pode ter tudo, a recordação abria o riso nervoso dos neurónios de par em par mas fechava-lhes a porta do sono ou transformava-o em desdobramento apimentado, credo!, como se pode acordar tão deliciosamente exausto?
Tu dizias que tinhas de estar cedo em casa, dobravas a cabeça para trás, "vamos?". A beira-rio. A tua mão na minha face, "vem cá". E eu, de tão obediente!, quase me antecipava à ordem e procurava-te os lábios...
A rapariguinha, severa e à espera. Mas explicar-lhe como? Por descargo de consciência,
- Ainda se dança slows nas discotecas?
(Porque não a valsa, Júlio? O fandango, o quick step? Por amor de Deus...).´
- Eram fixes.
E pirei-me.

sábado, julho 25, 2009

Nem só no futebol...

Na discussão sobre a oferta de um lugar no aparelho de Estado a Joana Amaral Dias alguém mente. Mas o simples convite para integrar uma lista de candidatos à Assembleia da República demonstra, na minha opinião, um erro de julgamento por parte do PS - não basta "pescar" alguns nomes à esquerda para provocar um dilúvio de votos úteis ou dissolver o amuo de quem se refugiou noutros partidos ou na abstenção nas europeias. Mas, then again - como dizem os anglo-saxónicos:) - que percebo eu de política?

sexta-feira, julho 17, 2009

Pergunta: vivemos no primeiro ou quarto mundo?

Dicas:



1 - O PSD -pela enésima vez! - não comenta os dislates de Alberto João Jardim.



2 - O Ministério da Saúde proíbe os homossexuais masculinos de doarem sangue.



Quem acertar terá direito a uma viagem ao Funchal, com entrada gratuita na conferência subordinada ao tema "O Coordenador Nacional da Luta contra a Sida é um incompetente porque diz não existirem grupos de risco". No intervalo serão servidos cocktails e salgadinhos por heterossexuais que não trocaram de parceiro(a) nos últimos seis meses.

segunda-feira, julho 13, 2009

Pedra de toque.

Há no desejo uma violência cândida que namora o preto e branco. Os afectos não, passeiam risos desdenhosos pelo arco-íris, "qual sou eu?". Com o passar dos anos e da vida, minha e dos outros, habituei-me a traçar uma linha na areia - quando a tristeza de alguém a atravessa, agradece pena, solidariedade ou escuta, mas lhes sobrevive e se instala no meu coração - embora não deseje cobri-lo de sombra! -, pouco importa o nome do sentimento; vivo-o e ponto final.

segunda-feira, julho 06, 2009

Promessa.

1 - Vi corninhos de ministro.

2 - Escutei a coprolalia do ex-presidente da Assembleia Geral do Glorioso.

3 - Maria João Pires vai ser brasileira.

4 - Miguel Sousa Tavares acompanha-a, mas apenas como emigrante.

5 - Governo e Oposição disputam ferozmente as PMEs.

6 - O PS descobriu as incompatibilidades eleitorais e o PSD - finalmente? - as virtudes de ganhadora da Dra. Manuela Ferreira Leite.

7 - E eu sobrevivo sem uma queixa:(.

8 - Mas em verdade vos digo - uma imagem mais de Cristiano Ronaldo; uma sílaba mais do seu portunhol, ao dizer que vale cada euro que custou; uma apreciação ex-cathedra mais dos nossos jornalistas; um apelo mais ao casamento do rapaz; uma graça mais sobre os seus fins-de-semana com Paris Hilton; uma declaração mais sobre o quão famosos somos por todo o mundo pela mão dos seus pés...

9 - ... e eu rogo uma praga de tal dimensão e raiva que o Barcelona será campeão de Espanha e da Europa nos próximos dez anos, carago!

quinta-feira, julho 02, 2009

Boa noite.

Maria,

O meu Benfica em bolandas e eu sem crescer o suficiente para não sofrer com isso:(. O zapping. A primeira noite. Imberbe, o velho Dustin:). Mas sobretudo a banda sonora, Simon e Garfunkel, "and here's to you, Mrs. Robinson...". Apresentei-te à música deles e à de tantos outros... O teu horror aos Grateful Dead, "quem se lembraria de um nome desses? É sinistro!". Mas de Simon e Garfunkel gostaste logo, dizias, brincando, que eles cantavam o som do meu silêncio e assim me obrigavas a sorrir e quebrá-lo. Mas não te disse tudo, nem mesmo ao partires. Porque para além do desejo exasperado que em mim despertavas, foste algo de precioso e estranho - a ponte sobre as minhas águas turbulentas. Que sem ti, me deram tréguas exageradas, sabes? Vejo-as mais pantanosas a cada dia que passa e...
Aí está ele:) - "Elaine, Elaine, Elaine!" Vão fugir e ser felizes, querida, a cruz trancando a porta da Igreja. Ámen!

domingo, junho 28, 2009

Back in the USSR..., perdão!, Portugal-sur-mer:).

Na Suíça houve chuva e quilómetros a mais. Valeram a florida ponte de madeira em Lucerna e os empregados portugueses nos restaurantes:). A ponte esteve à altura de uma recordação muito idealizada, o que nunca é fácil. E os nossos compatriotas foram de uma gentileza cândida que enterneceu, chegando ao ponto de dirigir a minha trôpega e assustada navegação por menus orgulhosa e exclusivamente em alemão!

Dois dias de Portugal chegaram para o cinquentão se espreguiçar no conforto das suas rotinas e o psiquiatra sorrir - reina por aí uma versão política e social da história em que um miúdo gritou a evidência: "o rei vai nu!". Uma chusma de portugueses descobriu que o PS - leia-se José Sócrates... - afinal podia perder uma eleição. Mal refeitos de tão extraordinária revelação, foram presenteados com uma sondagem que alimenta dúvida excruciante - poderá perder segunda? E "a sério", para a Assembleia e não o Parlamento Europeu? As hipóteses torram os neurónios: quantos abstencionistas regressarão às urnas?; serão basicamente socialistas?; estarão menos amuados, dispostos a perdoar para evitar uma vitória do PSD?; o evidente enfado com o voto útil, que eterniza o Bloco Central, sobreviverá em Setembro?

Uma coisa é certa, o deprimente padrão português mantém-se, a oposição não ganha eleições, é o partido do Governo a perdê-las. Não se conquista o poder pela força de ideias próprias, ele é herdado através de um voto contra desiludido, cansado e com pouca esperança. Quando a líder da oposição, embora remoçada pelas europeias, quase resume o debate político à pergunta "querem ou não tirá-lo de lá?" e o Primeiro-Ministro, que compreendeu a mensagem dos eleitores!, se declara muito satisfeito consigo mesmo, que fazer?

Talvez votar...

quinta-feira, junho 18, 2009

Diário de bordo.

Viena continua a mesma - imperial, elegante, a espaços desdenhosa. Klimt e Schiele num diálogo fascinante, mas quando as forças já escasseiam é na música que procuro refúgio. Strauss e a plateia de turistas - esses novos peregrinos! - em alegria maravilhada. E Mozart... Que é de outra dimensão. Como se Deus, envergonhado, precisasse dele para nos dar a conhecer a música que se entretém a compor quando o Diabo recusa uma boa partida de xadrez:).

domingo, junho 14, 2009

Diário de bordo.

Aportei em Munique com a cidade em festa. E gostei - nunca tinha visto tanta cerveja, salsicha e doçaria junta! Num dos lugares mais carismáticos do centro, a cantoria misturava-se ao pesado tilintar das canecas, as faces passavam de coradas a púrpuras, os corpos estavam ainda separados, mas os olhos baços traíam uma irmandade que baloiçava perigosamente entre a alegria e o embrutecimento. Imaginei as convulsões sociais, o desemprego, os caprichos dos políticos, a ressaca da guerra e por um momento percebi como um pequeno "ariano" de bigode fez quase toda uma nação mergulhar no abismo atrás de si.

Dachau foi uma homenagem a meu Pai. Tudo que sei e esqueci acerca da Segunda Guerra Mundial foi-me dado por ele, não ir seria uma traição. O mais impressionante é a incapacidade para sequer imaginar o que ali aconteceu. Durante três horas, as palavras de Conrad, citadas em Apocalypse Now, perseguiram-me - o horror, o horror. Mas de uma forma intelectualizada, sabia que acontecera, mas nem os filmes das tropas americanas que ali chegaram conseguiram diluir por completo uma espécie de incredulidade perante a normalização do monstruoso. O horror existe em nós; à espera - da socialização da culpa, do álibi das ordens, da cobardia que acarreta o desejo de sobrevivência a todo o custo, do ódio escondido que faz dobrar as costas.

Salzburg dormita ao colo da fama do seu mais célebre filho. E se para mim este pacífico ambiente de sesta colectiva foi um alívio, imagino como deve ter exasperado o irrequieto Wolferl e o ambicioso Pai:). Dir-se-ia que Mozart sempre soube que não teria muito tempo...

domingo, junho 07, 2009

Também quero ser comentador político:).

Há cerca de dois anos, em pleno auge socrático, pediram-me numa entrevista para escolher um defeito e qualidade do Primeiro-Ministro. Económico e verdadeiro, escolhi a teimosia para ambas as faces da moeda. E acrescentei que se a teimosia/defeito "reinasse", crispada, as urnas dar-lhe-iam resposta. Aí está ela. Eu sei, há uma sondagem "para as legislativas" que dá ao PS 39%. Talvez... Mas a insistência de Sócrates sobre a governabilidade no discurso desta noite faz-me recear mais do mesmo - somos coerentes, defendemos o melhor para o País, pulverizem os votos e será impossível manter rumo e leme firmes. Desde já aviso que não alinho nesse discurso, voluptuosamente apaixonado pelo umbigo - nós ou o caos!
Não fiquei fã, por razões ideológicas óbvias, da maioria absoluta do PSD no passado, o que o PS fez da que me bati para lhe oferecer desiludiu-me profundamente. Não tenho uma visão catastrofista dos governos minoritários, porque Diabo não há-de um partido ser obrigado a negociar com outros em vez de impor a força dos números - e há quem não passe disso... - da bancada que o apoia?
Em Outubro veremos, mas não tenciono festejar os meus sessenta anos vergado ao melancólico jugo do voto "útil" (?). Se o quiserem, convençam-me. Será difícil, quanto se pode mudar em três meses? A atitude bem pouco educada com que a Ministra da Educação presenteou os jornalistas no Altis parece-me simbólica - o PS continua cheio de razão, é o País que teima em não ver a luz:(.

sexta-feira, junho 05, 2009

Portuguese prayer à la Jim Morrison:).

Meu Deus,

Grato por ter acabado a campanha eleitoral. Se as próximas duas afinarem pelo mesmo - baixíssimo! - diapasão, importas-te de fazer copy e paste nas minhas costas? No caso de ser pedir muito à tua impolada omnipotência, estou pronto a colaborar, meto uns drunfos ou vários copos daquela droga legal alentejana, que não posso mencionar para não fazer publicidade. (E aqui socorro-me da tua não menos anunciada omnisciência...). Mas estes sound bytes ocos outra vez não, olha que me passo e legalizo um partido de voto em branco!
Sh, no pasa nada, just kidding. Se deixasse virgem o boletim, o meu velho escapulia-se pelas (tuas) traseiras e vinha-me puxar as orelhas. Lá estarei. A votar contra e não a favor, o que deixa um sabor amargo na boca...

terça-feira, junho 02, 2009

Na Baixa.

Experiência esotérica: uma sessão de autógrafos com os livros perdidos pelo caminho ou simplesmente atrasados:). O habitual desenrascanço português, "assine-me este, doutor". E eu dei comigo a assinar livros com fórmula curiosa, "um abraço para... e um pedido de desculpas a...", que os autores e Deus me perdoem!
Estava na Baixa à hora de jantar, coisa rara. As oportunidades devem ser aproveitadas, demandei o Buraco e os braços do Senhor Manuel, que me acolheu com ternura imerecida, há muito que lhe devia a visita. As recordações de meu Pai e da sua tertúlia. A gratidão devida - ensinaram-me a ouvir e conversar. (Ao que parece, vem a caminho placa na parede com os nomes dos convivas daqueles almoços ao Sábado.) O meu velho acariciando com o garfo o empadão - definido como prato favorito por já mastigado:) -, antes de brandir humor com tanto de afiado como de terno, os outros aceitavam o desafio com enorme gozo; eu aprendia. Aparentemente, nos intervalos da cavaqueira com o Senhor Manuel, jantei sozinho. Mas não é verdade, senti-lhes o aceno aprovador. Não a todos... Sou psi, as minhas paranóias moldam realidade e fantasmas, quase podia jurar ter ouvido a voz de meu Pai, gentil e firme, como sempre - "já não era sem tempo, meu filho". Com razão, mas a saudade transforma cada visita num prazer doloroso. Vocês sabem, não é?
Chegado a casa, assisti ao desespero de clientes de um Banco, exasperados por terem abusado da sua confiança e agora também da paciência. Salvo as devidas comparações, esses amargos de boca não me são desconhecidos. O último exemplo foi paradigmático de um determinado tipo de sociedade. Um senhor que nunca vira propôs-me um programa de televisão em nome de uma empresa chamada Capital Mix. A hipótese agradou-me e à Ana Mesquita, ao prazer da conversa juntava-se a habitual gentileza de Serralves, que punha jardins e exposições nas nossas mãos. Quanto a condições materiais, aceitei as propostas e ponto final.
Mergulhei no programa e abstraí de tudo o resto. Semana após semana ouvia dizer que o contrato seria assinado na seguinte. Foram passando... E chegámos à última gravação sem um euro pago ou papel assinado, as mulheres pensam melhor e mais rápido, a Ana foi transparente - "sem contrato não gravo". E um outro senhor chegou de Lisboa, nosso admirador de imediato confesso, não menos rápido a culpar terceiros, quartos e quintos pelo atraso do preto no branco, em punho um contrato ainda virgem mas já com uma adenda que atrasava os pagamentos, a Capital Mix era vítima e não algoz. Adenda aceite.
Primeiro pagamento sem problemas, segundo incompleto, inexistente o último. E as responsabilidades de novo distribuídas por quem sabíamos ter cumprido as suas. O que pacientemente salientei. Ainda recordo a resposta: "só lamento que outros não cumpram e seja eu a passar por mentiroso". Exausto, rendi-me à evidência e entreguei o caso ao meu advogado. Que gastou latim e cordialidade. Para receber silêncio em troca. Tribunal e mais silêncio. Acção ganha, como seria inevitável. Vocês adivinham o episódio seguinte da telenovela - tentativa de penhora, nada passível de ser penhorado... Passaram quinze meses e uns milhares de euros, destinados a pagar o meu trabalho, acoitaram-se em outros bolsos que não os meus.
Talvez sejam estes comportamentos a justificar triste frase - o mundo é dos espertos. Devo confessar que a palavra me parece... raquítica:(.
Vou repetir - salvo as devidas comparações!, porque vi pessoas desesperadas no ecrã e esse não é o meu caso. Desejo-lhes justiça. Mas talvez precisem também de sorte e influência política...

sábado, maio 30, 2009

Sábado à noite.

Maria,

A vila em festa, o Vieirense subiu de divisão!!!!!!! Resultado - tive 15 pessoas na conferência:). Indubitável sinal de sageza, quem se interessa pela sexualidade dos gerontes quando pode gritar de alegria, abençoado por um sol cozinhado a trinta graus?

Maria de Belém Roseira demarcou-se do estilo trauliteiro da campanha do PS. (Tens razão, o mesmo partido que se vitimiza por qualquer referência ao caso Freeport...). A guarda pretoriana habitual caiu-lhe em cima. Presumo que já tenha colocado tão previsível facto no seu CV.

Os lagartos voltaram a Cantelães e amanhã chegam as crianças. Uma jornalista perguntou-me como tinha resistido ao vírus da política, sendo bisneto e filho de quem sou. Respondi-lhe que fiz política toda a vida, só recusei os antolhos interesseiros das juvenis manadas partidárias e os nacos distribuídos a certos independentes (?) pelos sucessivos Poderes.

quarta-feira, maio 27, 2009

Quinta cedinho.

Maria,

Ontem segui um pouco dos trabalhos da Comissão sobre o BPN. Além de ajustes de contas e águas fora dos capotes, que me deixaram indiferente por já estar dessenssibilizado, houve um pormenor (?) de interesse - a prostatite, quando sujeita ao stress de tentar salvar um banco, evolui para cancro! Foi a primeira vez que não invejei um bocadinho os banqueiros...

Em relação a impostos, o PS, como de costume, cobre todas as frentes: Almeida Santos aceita-os ao nível mundial, Vital Moreira ao nível europeu, Elisa Ferreira é contra e José Sócrates não se pronuncia. No que à Educação Sexual diz respeito, foi procurado um consenso no partido e na sociedade, que desaguou numa verdadeira "descentralização" de responsabilidades.

Já na violência doméstica não há margem para enganos ou interpretações - continua de vento em popa:(.

domingo, maio 24, 2009

Domingo à noite.

E não se pode inventar um cargo para Quique? Como treinador, ontem vi mais do mesmo - uma equipa a demonstrar como (não) se defende, putos a correr e Aimar lamuriento, o trejeito de Quique em face do terceiro golo, a trair agradável surpresa, quando devia ter mexido há séculos. Bref, o homem não se entende com o futebol cá do jardim à beira-mar plantado. Mas é um sinhôri, carago! Responsável pelas relações internacionais? Supervisor da comunicação de todos os membros do clube com o exterior? Presidente da Casa do Benfica em Madrid? A sério: se partir, desejo-lhe tudo de bom; se ficar, que abra os olhinhos cobiçados pelas minhas amigas:).

A campanha para as europeias não promete ser muito excitante. Sócrates suado, Vital crispado, Rangel inchado, Manuela aliviada, o Bloco Central reage às sondagens. Nuno Melo esmaga do alto dos cartazes, Jerónimo pôe 85.000 na rua sem ser patrão, Louçã não larga o ombro de Portas, que a memória visual conta muito. A abstenção espera e - ou muito me engano! - encolhe os ombros antes de se espreguiçar...

A raposa não voltou:(.

quarta-feira, maio 20, 2009

Curiosa equivalência.

Preparo aulas. E tropeço numa comparação deliciosa:). Partindo da obra A Teoria dos Sentimentos Morais, de Adam Smith, em que - aparentemente, sou leigo na matéria... - ele sublinha a importância da capacidade de nos pormos no lugar do Outro, única forma de moderar a cupidez no mercado, Laqueur demonstra como a masturbação era condenada por também ir para além do "egoísmo e luxo permissíveis" numa sociedade burguesa que mergulhava nas delícias do consumo. A masturbação, como a especulação, não seria geradora de qualquer bem comum.
E digo para os meus botões - estaríamos bem melhor se alguns financeiros, portugueses e estrangeiros, se entregassem mais ao auto-erotismo e e menos à actividade bolsista...

domingo, maio 17, 2009

Aqui entre nós, águias depenadas:).

1) O Benfica ganhou.

2) Jorge Jesus adivinhou a equipa adversária que ia jogar! Competência? Bruxedo? Ou milagre, como o nome parece indicar?:).

3) Quique manteve a elegância nas entrevistas - para não falar dos olhos que derretem todas as minhas amigas:) - e foi expulso. Devo admitir que depois da agressão sofrida por um jogador do Benfica, não sei o que disse, mas eu teria dito pior! Já a sua imagem sobre a época, deixou-me uma vez mais de boca aberta - um carro que avaria a cinco metros da meta????? A equipa nunca esteve perto da meta a nível exibicional e na classificação "durou" a crise outonal do Porto. E "exílios" como os de Cardozo e Urreta não têm explicação plausível.

4) Rui Costa, na minha opinião, cometeu um pecado (pouco) original - teve muita pressa. Quis ser campeão imediatamente e "meteu a cave" nas aquisições. Perdeu. Para satisfazer o treinador, sacrificou Diamantino e Chalana e fez mal, Quique pareceu um ET em muitos jogos do campeonato, sobretudo contra as equipas mais modestas (?). Veja-se os pontos perdidos contra quem agora se debate no fundo da tabela... É tempo de aprender e construir com bases sólidas. Seja quem for o treinador...