segunda-feira, setembro 28, 2009

Breves.

1 - Sócrates ganhou, como seria inevitável, dada a alternativa. Não creio que tenha encarado seriamente a hipótese de nova maioria absoluta, mas acredito que aspirasse a um resultado a beijar os 40%. A governar em minoria, a partir desse "trampolim" e com uma vitimização bem feita no velho registo do "deixem-nos trabalhar".., quem sabe? Assim, o pulo parece maior do que a perna. Espero que descubra as virtudes da negociação parlamentar e resista a tentações de estabilidade contra natura para um Partido Socialista.

2 - Manuela Ferreira Leite colheu o que (não) semeou. Escrevi aqui acerca da minha estima pessoal por ela e do agrado com que lhe observei a ascensão à chefia do PSD. Surpreendeu-me que se tivesse "resignado" a esperar que o descontentamento popular com Sócrates lhe colocasse a vitória no regaço. Talvez pudesse ter acontecido sem a monumental e catárctica tareia das Europeias, mas mesmo assim duvido, o vazio da estratégia (?) laranja foi demasiado evidente. Embora algumas facas e vozes já tenham visto a luz dos holofotes, presumo que o lume permanecerá brando até ao dia seguinte às autárquicas.

3 - Portas é um profissional muito trabalhador. Tudo me separa dele politicamente, mas sei apreciar uma campanha eficaz, imune a "distracções" e ainda por cima potenciada pelo descalabro dos vizinhos. Falar depois de Sócrates foi o primeiro sinal do estatuto que persegue - alcançar o Poder, formal ou não. Se o PSD não ganhar juízo, a erosão pode continuar nas próximas eleições.

4 - O Bloco cresceu muito. E no entanto... O PP é um espinho atravessado, claro, mas os riscos são outros. Decretar consolidada a votação seria um erro monumental, negar o voto de amuado protesto pode ser o primeiro passo para o perder no futuro. E diga-se que ela poderia ter sido maior, Louçã foi trucidado por Sócrates na TV porque o subestimou, pensando que a conversa reproduziria os diálogos na Assembleia: ele ao ataque com casos pontuais - e na TV um dos ases na manga revelou-se um fiasco... - e Sócrates a exibir o seu escândalo perante a "demagogia" e a "superioridade moral". Erro crasso, o Engenheiro Sócrates sabia que a melhor defesa era o ataque. Precisamente por causa do sucesso, a "adolescência política" faz parte do passado, o Bloco vai ter de responder pelas suas propostas e lidar com notícias como a do Expresso sobre os PPR e em ambas as situações Louçã tremeu.

5 - Jerónimo é o campeão da simpatia pessoal, o homem preenche todas as condições para ser recebido de braços abertos em Cantelães, pois se até joga bem a sueca!:). É verdade que a CDU tem mais um deputado e - creio... - dez mil votos, mas quem ouviu Ruben de Carvalho percebeu - é na rua que o PC tenciona provar que se está nas tintas para o top five da Assembleia.

6 - Entre abstenção e votos em branco e nulos o desencanto do eleitorado é evidente.

7 - Se o Presidente da República se sair bem da comunicação de amanhã tiro-lhe o chapéu, porque não consigo imaginar como...

8 - Apesar de algumas provocações risonhas, considerei que declarar o meu sentido de voto poderia ser entendido como um apelo à mobilização dos murcónicos:). Limitei-me, assim, a esboçar a geografia eleitoral que desejava para ontem à noite. Mas hoje, não gostaria que os velhos "accionistas" do Murcon e as mais recentes "aquisições" pensassem que cultivo a ambiguidade - o tipo que já votou branco, PC, Bloco e - na maioria das vezes... - PS, ontem (and the winner was!:)) pôs a cruzinha no Bloco.

9 - Em verdade vos digo que, com esta declaração solene, que me veda as portas do próximo Governo (snif, snif), dou por terminada a minha incursão pelas entediantes veredas eleitorais, razão pelas qual reafirmo desde já o meu voto em Elisa Ferreira nas autárquicas e fecho a loja até às presidenciais!:).

quinta-feira, setembro 24, 2009

Les jeux sont faits.

Para mim a vitória do PS é um dado adquirido, como previa. A campanha do PSD e o apelo ao voto útil podem torná-la bem mais robusta do que pensei. Neste momento a minha curiosidade é outra - qual a relação de forças dos outros partidos e os seus resultados absolutos? Porque já afirmei desejar um Governo minoritário forçado - palavra triste... - a acordos pontuais à esquerda. Mas com os números das sondagens e a habitual superação do PP um fantasma começa a desenhar-se - a maioria PS/PP, que abomino. Ou alguém ignora a maleabilidade pragmática e programática de Paulo Portas quando se trata do "superior interesse do País" (leia-se, partilha do Poder)?

terça-feira, setembro 22, 2009

Breves.

1 - Os termos em que Mário Soares se referiu a Manuela Ferreira Leite são - no mínimo... - infelizes.

2 - A presença de Jerónimo de Sousa nos Gatos confirmou a minha impressão - de todos os líderes, seria a ele que convidaria para uma "excursão punitiva" aos meus restaurantes favoritos:).

3 - Tantos notáveis do PSD à volta de Manuela Ferreira Leite pedindo uma "vitória clara" fazem pensar em noite de velório e facas longas, não de vitória.

4 - Se o fosso entre PS e PSD nas sondagens aumentar, o apelo ao voto útil por parte de Sócrates tropeçará em maiores resistências.

5 - A demissão do assessor do Presidente sem qualquer tipo de explicação - pese embora os apelos do meu velho amigo Pacheco Pereira:) - é mais uma peça no vitral exótico da política portuguesa.

6 - Porque milagre ficam os políticos sem rugas nos cartazes que polvilham a cidade?

7 - Participei ontem numa iniciativa do Bloco no Porto. Devo acrescentar que fui convidado para ir à Convenção do PS e propus um depoimento gravado, não podendo deslocar-me a Lisboa por questões familiares. Depois disso, e no seguimento de um segundo e amável telefonema que recebi, coloquei-me à disposição do PS para qualquer intervenção no Porto. A razão é simples - sou independente, não mudo o discurso de acordo com os meus anfitriões e jamais recusei a minha opinião... a quem verdadeiramente a deseje ouvir:).

terça-feira, setembro 15, 2009

O referendo.

Um bom amigo do PS perguntava-(se/me): "mas tu consegues imaginar o eleitorado a querer um Governo chefiado por aquela Senhora?". Esta angústia existencial pressupôe uma chaveta que não considero correcta - no dia 27 as pessoas decidiriam entre PS e PSD, salvo as que se lançassem no que agora se apelida de "franjas". Da minha varanda o cenário parece outro: sem ofensa para os eleitores-laranja convictos, a situação faz-me lembrar um referendo. Na realidade até poderíamos roubar a sigla do último e falar de IVG, leia-se, Interrupção Voluntária da Governação:). Porque o resultado se jogará à esquerda, no diálogo entre o ressentimento pela governação do PS e o voto útil contra a Direita por parte de eleitores temporariamente (?) vacinados contra maiorias absolutas de qualquer origem. Por alguma razão as sondagens retratam o PS como um verdadeiro mãos-largas, distribuindo votos. Qual noiva, de costas lançando o bouquet para mãos ávidas que se estendem no ar... Depois de dia 27 veremos se haverá noivo e casamento ou amizades coloridas pontuais:).

quarta-feira, setembro 09, 2009

Continuemos...

Devo dizer que o meu desejo para a "geografia política" pós-eleitoral, ao contrário do sentido de voto, está perfeitamente definido - maioria relativa do PS e reforço dos partidos à sua esquerda. Na minha opinião, o PS não resistiu melhor do que no passado o PSD à vertigem do poder da maioria absoluta. Nos momentos de maior conflitualidade crispou-se e confundiu, por exemplo, duas atitudes bem diversas - não ceder à rua e não escutar a rua. E não me refiro apenas a manifestações gigantescas para a nossa dimensão, mas também ao motorista de táxi, à senhora do autocarro, à incomparável peixeira do Bolhão, ao tisnado agricultor. Em determinados casos, à posição política juntou-se outra questão - a personalidade dos intervenientes. Na política, idealmente, é preciso manter as costas direitas, mas tal não pode traduzir-se pela agressividade bem pouco encapotada na postura e no discurso, algumas intervenções da Senhora Ministra da Educação no Parlamento exemplificaram tal confusão. Adiante...
Pois, maioria relativa. E devo dizer que a angústia do PS, atendendo à oposição em absoluto lamentável, silenciosa, quase patética com que se vem deparando por parte do PSD, diz muito da desilusão de largas fatias do eleitorado. O reforço à sua esquerda acarretaria a necessidade de acordos pontuais, de negociação, de política, irra! Mas aqui a chaveta do Thora ocupa a boca de cena - como jogar pelo seguro? Fazemos um plenário com todos os indecisos, pedimos ajuda a quem de números percebe e organizamos as hostes?: tantos mil votam PS para garantir a vitória e os outros... exerçam a sua liberdade como entenderem. Já agora com um enorme piquenique, a reunião seria longa, eu juntava-lhe duas ou três bandas rock para descomprimir:). Não dá, gente:(. Como cantaria Sandy Denny, se ressuscitasse e por lá aparecesse - ain't life a solo? Não sei, espero que não mais vezes do que as necessárias, mas a decisão de voto é.

Porque escrevo no dia seguinte ao debate Sócrates-Louçã, aí vai a minha opinião: o PM ganhou-o. Foi eficaz na estratégia de encostar as propostas do BE a uma política fiscal que penaliza a classe média e Louçã fez uma defesa algo pastosa das nacionalizações e do papel da CGD. Sócrates não desdenharia resultado semelhante com Manuela Ferreira Leite, creio. O problema é que o "eleitorado flutuante" de esquerda não se preocupa muito com o que o Bloco ou o PC fariam se... tivessem eles próprios maioria absoluta:). Não os imagina a governar em vez do PS, mas sim a influenciar-lhe a governação. E por isso, sobretudo para o Bloco, a próxima legislatura será muuuuito delicada - claro que algum do seu crescimento se deve a "voto consolidado", mas também há ali muito voto de protesto. E esse baterá as asas em novas eleições se as pessoas considerarem que o Bloco não assumiu as suas responsabilidades nos acordos pontuais de que acima falei.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Voto útil.

Um certo sabor a redundância... Pois, não é o voto sempre útil? Bom, no sentido de eficaz, apenas se a Democracia funcionar, lembro-me de votações para a Presidência da República em que o inenarrável Almirante Américo Tomaz entusiasmava de tal modo os apoiantes - estrategicamente colocados... - que acabava a ganhar por 110% em não poucas mesas de voto:). Mas quando não existem tais "excessos de zelo em defesa da pátria" não se justifica a pergunta?


Útil para quem ou quê? Parece-me consensual que o partido beneficiado por "aquele" boletim o considera muuuito útil, afinal a voto dado não se olha ao dente! Mas a expressão tornou-se um êxito de bilheteira por traduzir uma realidade diversa - o voto útil resulta da análise fria das possíveis geografias pós-eleitorais e de uma decisão que não coincide com o primeiro e espontâneo movimento da alma que comanda a mão, patroa da esferográfica cuja tinta vai colorir um anémico quadradinho, ao abrigo de uma cortina que já viu melhores e mais limpos dias.


Ou seja: alguém que se inclina para a abstenção, o voto em branco ou em determinado partido, molha o dedo em água ou cuspo e averigua de onde e para onde sopram os ventos políticos; franze o sobrolho; cofia a barba ou acaricia pele lisa; suspira; e decide que valores mais altos se alevantam.


Em geral, o episódio não prima pela originalidade - trata-se de evitar que a vitória bafeje quem não a merece ou - sobretudo... - ameaça transformá-la numa realidade mais penalizante do que a actual; algo do género "para melhor está bem, está bem, para pior já basta assim". Mas também pode tratar-se de uma avaliação dos votos necessários para eleger mais um deputado por este ou aquele partido da nossa área política, à luz dos resultados das últimas eleições. Neste caso ouve-se muito a expressão "não desperdiçar o voto".


A política portuguesa é deprimente a vários níveis, escolhamos um - raramente o poder é conquistado pela sedução exercida por um programa político, oposição bem feita ao longo de uma legislatura ou mesmo a confiança despertada por um líder. Em Portugal, o mais das vezes, não se ganham eleições, os outros perdem-nas. Tal facto explica a postura expectante e silenciosa da oposição, no fundo perguntando simplesmente "não estão fartos deles? Nós somos a alternativa!".


(Em vários períodos ao longo dos últimos trinta e cinco anos a palavra "alternativa" aplicada ao PS e PSD justificaria uma análise mais aprofundada...).


Como funciona então o discurso apelativo? Mais ou menos assim - "só o PS e o PSD podem formar Governo, gente, isto é entre nós e eles!". (Uma formulação mais económica e narcísica da questão leva a reduzir as eleições à escolha de um Primeiro-Ministro...). "Alguns de vocês não gostam do que fizemos no Poder ou do que nos propomos fazer com ele, mas já imaginaram a consequência do vosso amuo se traduzir em voto alheio? "Eles" ganham! E por culpa vossa...".



Deixemos a evidente tonalidade chantagista do discurso e concentremo-nos nas consequências: se acontece navegarmos nas águas de um dos dois maiores partidos, as possibilidades de escolha são inexistentes. (Poderão contrapor que as angústias também:)). Se aplaudimos a sua prática votamos neles porque merecem; se estamos afectados pelo célebre amuo também votamos, para impedir a vitória do outro. No limite, chega a ser um desperdício caro e fatigante a existência dos outros partidos, da abstenção e do voto em branco! Tudo se poderia reduzir a um tête-à-tête entre o PS e o PSD, melhor dizendo entre o Engenheiro Sócrates e a Dra. Manuela Ferreira Leite, imagem que me delicia:).



Nesta argumentação surgem palavras como estabilidade, governabilidade, arco do poder, etc..., que seguramente voltaremos a encontrar. A basezinha, creio, é a seguinte: um voto de acordo com a nossa consciência também pode ser muuuito útil. Para quem? Para nós:). Que também contamos!, é bom não esquecer que fazemos parte do povo que todos os políticos juram ser quem mais ordena, nunca o Zeca imaginou ter coro tão afinado a acompanhá-lo:(. Dos dois principais partidos, o que perder melhor faria em pôr-se ao espelho, em vez de culpar a irresponsabilidade de quem nele não votou.

P.S. O Gonçalo tem razão, o PS sempre foi a referência familiar, desde o meu Avô. Mas eu esperneio mesmo muito e por isso já votei em branco e noutros partidos, só a abstenção me está vedada:). Quando isso aconteceu, fiquei triste. Mas sem remorsos...

Da próxima vez falarei de cenários pós-eleitorais.

quinta-feira, setembro 03, 2009

Agradecimento e fim de férias.

Gente,

Obrigado. Minha Mãe já repousa entre as flores de Cantelães.

Segunda estarei de regresso à rádio e durante o fim-de-semana abrirei a campanha eleitoral no Murcon. Porque ser independente de esquerda não é fácil neste momento. A não ser que consideremos independentes os que votam sempre da mesma forma - quantas vezes por razões afectivas que respeito - e se limitam à não filiação em determinado Partido. Não sou assim, tenho muito que ruminar até dia 27. Devo esclarecer que só não apresento as minhas ruminações sobre a matéria no Coliseu dos Recreios no próximo Domingo, atendendo a que o PS me convidou para participar na Convenção, porque não me posso deslocar a Lisboa e, segundo depreendi, não haverá depoimentos gravados. Como quem me convidou teve a gentileza de reconhecer, nos últimos doze anos sempre disse o que pensava ao Engenheiro Sócrates olhos nos olhos, não iria mudar a um mês de completar sessenta anos:).

Começarei por associar livremente sobre uma expressão famosa - o voto útil.

terça-feira, agosto 11, 2009

Mais valem duas vidas na mão do que uma felicidade a voar.

Enquanto os dados rolam, as gentes sustêm a respiração, esbanjam dinheiro por ganhar, sofrem desilusões por acontecer, agradecem a sorte e esconjuram o azar; esperam. E no processo deixam a vida que não depende do acaso entre parênteses. Estranho desperdício de mortais...

quarta-feira, agosto 05, 2009

Auto-retrato.

Alguém morreu. Depois de negar aos amigos uma última visita. Seria arrogante decretar que "teve razão". Limiro-me a dizer que compreendo e acho que faria - ei? - o mesmo: se não podemos evitar deixá-los, ao menos que nos seja concedido o privilégio de escolher o tipo de recordações que lhes deixamos.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Para lá das fotografias.

Admito que haja no pensamento uma faceta perversa, mas reivindico a existência de outra, barrada a doçura - à medida que o tempo passa e afunila sinto-me a viver as futuras recordações de gente que amo. E percebo o extraordinário privilégio concedido a quem só acredita nesse tipo de imortalidade:).

terça-feira, julho 28, 2009

Once upon a time.

E eu lá expliquei - confessei? - pacientemente que a geração de 60 no Porto não usava flores no cabelo, mal conhecia os Jefferson Airplane e praticava o amor livre..., depois do casamento:).
Outra mão levantando-se, teimosa, entre mim e o regresso a casa.
- As festas de garagem eram assim tão boas? Os meus pais quase choram no ombro um do outro se falam nelas!
Rosto miúdo, vestido menineiro, olhos atentos, voz firme, o namorado devia andar a toque de caixa...
Como eu andava:). Mas nas festas de garagem, se não havia pecados por julgar, tu abrigavas o rosto no colo do meu pescoço e ao longo dele subia a voz rouca que os outros desconheciam e eu lembrava de madrugada, não se pode ter tudo, a recordação abria o riso nervoso dos neurónios de par em par mas fechava-lhes a porta do sono ou transformava-o em desdobramento apimentado, credo!, como se pode acordar tão deliciosamente exausto?
Tu dizias que tinhas de estar cedo em casa, dobravas a cabeça para trás, "vamos?". A beira-rio. A tua mão na minha face, "vem cá". E eu, de tão obediente!, quase me antecipava à ordem e procurava-te os lábios...
A rapariguinha, severa e à espera. Mas explicar-lhe como? Por descargo de consciência,
- Ainda se dança slows nas discotecas?
(Porque não a valsa, Júlio? O fandango, o quick step? Por amor de Deus...).´
- Eram fixes.
E pirei-me.

sábado, julho 25, 2009

Nem só no futebol...

Na discussão sobre a oferta de um lugar no aparelho de Estado a Joana Amaral Dias alguém mente. Mas o simples convite para integrar uma lista de candidatos à Assembleia da República demonstra, na minha opinião, um erro de julgamento por parte do PS - não basta "pescar" alguns nomes à esquerda para provocar um dilúvio de votos úteis ou dissolver o amuo de quem se refugiou noutros partidos ou na abstenção nas europeias. Mas, then again - como dizem os anglo-saxónicos:) - que percebo eu de política?

sexta-feira, julho 17, 2009

Pergunta: vivemos no primeiro ou quarto mundo?

Dicas:



1 - O PSD -pela enésima vez! - não comenta os dislates de Alberto João Jardim.



2 - O Ministério da Saúde proíbe os homossexuais masculinos de doarem sangue.



Quem acertar terá direito a uma viagem ao Funchal, com entrada gratuita na conferência subordinada ao tema "O Coordenador Nacional da Luta contra a Sida é um incompetente porque diz não existirem grupos de risco". No intervalo serão servidos cocktails e salgadinhos por heterossexuais que não trocaram de parceiro(a) nos últimos seis meses.

segunda-feira, julho 13, 2009

Pedra de toque.

Há no desejo uma violência cândida que namora o preto e branco. Os afectos não, passeiam risos desdenhosos pelo arco-íris, "qual sou eu?". Com o passar dos anos e da vida, minha e dos outros, habituei-me a traçar uma linha na areia - quando a tristeza de alguém a atravessa, agradece pena, solidariedade ou escuta, mas lhes sobrevive e se instala no meu coração - embora não deseje cobri-lo de sombra! -, pouco importa o nome do sentimento; vivo-o e ponto final.

segunda-feira, julho 06, 2009

Promessa.

1 - Vi corninhos de ministro.

2 - Escutei a coprolalia do ex-presidente da Assembleia Geral do Glorioso.

3 - Maria João Pires vai ser brasileira.

4 - Miguel Sousa Tavares acompanha-a, mas apenas como emigrante.

5 - Governo e Oposição disputam ferozmente as PMEs.

6 - O PS descobriu as incompatibilidades eleitorais e o PSD - finalmente? - as virtudes de ganhadora da Dra. Manuela Ferreira Leite.

7 - E eu sobrevivo sem uma queixa:(.

8 - Mas em verdade vos digo - uma imagem mais de Cristiano Ronaldo; uma sílaba mais do seu portunhol, ao dizer que vale cada euro que custou; uma apreciação ex-cathedra mais dos nossos jornalistas; um apelo mais ao casamento do rapaz; uma graça mais sobre os seus fins-de-semana com Paris Hilton; uma declaração mais sobre o quão famosos somos por todo o mundo pela mão dos seus pés...

9 - ... e eu rogo uma praga de tal dimensão e raiva que o Barcelona será campeão de Espanha e da Europa nos próximos dez anos, carago!

quinta-feira, julho 02, 2009

Boa noite.

Maria,

O meu Benfica em bolandas e eu sem crescer o suficiente para não sofrer com isso:(. O zapping. A primeira noite. Imberbe, o velho Dustin:). Mas sobretudo a banda sonora, Simon e Garfunkel, "and here's to you, Mrs. Robinson...". Apresentei-te à música deles e à de tantos outros... O teu horror aos Grateful Dead, "quem se lembraria de um nome desses? É sinistro!". Mas de Simon e Garfunkel gostaste logo, dizias, brincando, que eles cantavam o som do meu silêncio e assim me obrigavas a sorrir e quebrá-lo. Mas não te disse tudo, nem mesmo ao partires. Porque para além do desejo exasperado que em mim despertavas, foste algo de precioso e estranho - a ponte sobre as minhas águas turbulentas. Que sem ti, me deram tréguas exageradas, sabes? Vejo-as mais pantanosas a cada dia que passa e...
Aí está ele:) - "Elaine, Elaine, Elaine!" Vão fugir e ser felizes, querida, a cruz trancando a porta da Igreja. Ámen!

domingo, junho 28, 2009

Back in the USSR..., perdão!, Portugal-sur-mer:).

Na Suíça houve chuva e quilómetros a mais. Valeram a florida ponte de madeira em Lucerna e os empregados portugueses nos restaurantes:). A ponte esteve à altura de uma recordação muito idealizada, o que nunca é fácil. E os nossos compatriotas foram de uma gentileza cândida que enterneceu, chegando ao ponto de dirigir a minha trôpega e assustada navegação por menus orgulhosa e exclusivamente em alemão!

Dois dias de Portugal chegaram para o cinquentão se espreguiçar no conforto das suas rotinas e o psiquiatra sorrir - reina por aí uma versão política e social da história em que um miúdo gritou a evidência: "o rei vai nu!". Uma chusma de portugueses descobriu que o PS - leia-se José Sócrates... - afinal podia perder uma eleição. Mal refeitos de tão extraordinária revelação, foram presenteados com uma sondagem que alimenta dúvida excruciante - poderá perder segunda? E "a sério", para a Assembleia e não o Parlamento Europeu? As hipóteses torram os neurónios: quantos abstencionistas regressarão às urnas?; serão basicamente socialistas?; estarão menos amuados, dispostos a perdoar para evitar uma vitória do PSD?; o evidente enfado com o voto útil, que eterniza o Bloco Central, sobreviverá em Setembro?

Uma coisa é certa, o deprimente padrão português mantém-se, a oposição não ganha eleições, é o partido do Governo a perdê-las. Não se conquista o poder pela força de ideias próprias, ele é herdado através de um voto contra desiludido, cansado e com pouca esperança. Quando a líder da oposição, embora remoçada pelas europeias, quase resume o debate político à pergunta "querem ou não tirá-lo de lá?" e o Primeiro-Ministro, que compreendeu a mensagem dos eleitores!, se declara muito satisfeito consigo mesmo, que fazer?

Talvez votar...

quinta-feira, junho 18, 2009

Diário de bordo.

Viena continua a mesma - imperial, elegante, a espaços desdenhosa. Klimt e Schiele num diálogo fascinante, mas quando as forças já escasseiam é na música que procuro refúgio. Strauss e a plateia de turistas - esses novos peregrinos! - em alegria maravilhada. E Mozart... Que é de outra dimensão. Como se Deus, envergonhado, precisasse dele para nos dar a conhecer a música que se entretém a compor quando o Diabo recusa uma boa partida de xadrez:).

domingo, junho 14, 2009

Diário de bordo.

Aportei em Munique com a cidade em festa. E gostei - nunca tinha visto tanta cerveja, salsicha e doçaria junta! Num dos lugares mais carismáticos do centro, a cantoria misturava-se ao pesado tilintar das canecas, as faces passavam de coradas a púrpuras, os corpos estavam ainda separados, mas os olhos baços traíam uma irmandade que baloiçava perigosamente entre a alegria e o embrutecimento. Imaginei as convulsões sociais, o desemprego, os caprichos dos políticos, a ressaca da guerra e por um momento percebi como um pequeno "ariano" de bigode fez quase toda uma nação mergulhar no abismo atrás de si.

Dachau foi uma homenagem a meu Pai. Tudo que sei e esqueci acerca da Segunda Guerra Mundial foi-me dado por ele, não ir seria uma traição. O mais impressionante é a incapacidade para sequer imaginar o que ali aconteceu. Durante três horas, as palavras de Conrad, citadas em Apocalypse Now, perseguiram-me - o horror, o horror. Mas de uma forma intelectualizada, sabia que acontecera, mas nem os filmes das tropas americanas que ali chegaram conseguiram diluir por completo uma espécie de incredulidade perante a normalização do monstruoso. O horror existe em nós; à espera - da socialização da culpa, do álibi das ordens, da cobardia que acarreta o desejo de sobrevivência a todo o custo, do ódio escondido que faz dobrar as costas.

Salzburg dormita ao colo da fama do seu mais célebre filho. E se para mim este pacífico ambiente de sesta colectiva foi um alívio, imagino como deve ter exasperado o irrequieto Wolferl e o ambicioso Pai:). Dir-se-ia que Mozart sempre soube que não teria muito tempo...

domingo, junho 07, 2009

Também quero ser comentador político:).

Há cerca de dois anos, em pleno auge socrático, pediram-me numa entrevista para escolher um defeito e qualidade do Primeiro-Ministro. Económico e verdadeiro, escolhi a teimosia para ambas as faces da moeda. E acrescentei que se a teimosia/defeito "reinasse", crispada, as urnas dar-lhe-iam resposta. Aí está ela. Eu sei, há uma sondagem "para as legislativas" que dá ao PS 39%. Talvez... Mas a insistência de Sócrates sobre a governabilidade no discurso desta noite faz-me recear mais do mesmo - somos coerentes, defendemos o melhor para o País, pulverizem os votos e será impossível manter rumo e leme firmes. Desde já aviso que não alinho nesse discurso, voluptuosamente apaixonado pelo umbigo - nós ou o caos!
Não fiquei fã, por razões ideológicas óbvias, da maioria absoluta do PSD no passado, o que o PS fez da que me bati para lhe oferecer desiludiu-me profundamente. Não tenho uma visão catastrofista dos governos minoritários, porque Diabo não há-de um partido ser obrigado a negociar com outros em vez de impor a força dos números - e há quem não passe disso... - da bancada que o apoia?
Em Outubro veremos, mas não tenciono festejar os meus sessenta anos vergado ao melancólico jugo do voto "útil" (?). Se o quiserem, convençam-me. Será difícil, quanto se pode mudar em três meses? A atitude bem pouco educada com que a Ministra da Educação presenteou os jornalistas no Altis parece-me simbólica - o PS continua cheio de razão, é o País que teima em não ver a luz:(.