Fitou a amiga, pensativa. Pediu ajuda a copo e garfo para resposta meditada. Repetir a pergunta comprou-lhe mais uns segundos.
- Se é o princípio do fim?
A biografia de Winston Churchill no escritório do Pai, leitor compulsivo e amante da frase elegante e certeira. (Como o Paulo...). Um título através das brumas da memória, e se apenas a Nação fosse imortal?:(.
- Não digo tanto...
O silêncio dele quando o deixara - resignado, quase pacífico; invadindo já o futuro.
- ... Mas talvez seja o fim do princípio.
Calou o arrepio da alma com um golo terapêutico, não saboreado. A amiga escondeu a surpresa condoída num entusiasmo falso pelo caril de gambas.
O resto do jantar foi normal.
terça-feira, abril 27, 2010
quarta-feira, abril 21, 2010
Serão.
Simon and Garfunkel em fundo - "Preserve your memories, they're all that's left you". O sorriso abrindo a porta ao murmúrio - "easier said than done". As fotografias arvoradas em muletas. Os sons do silêncio. Que é ambicioso!, tenciona invadir-lhe o espírito.
Quem for vivo e lúcido verá...
Quem for vivo e lúcido verá...
quinta-feira, abril 08, 2010
A heresia:(.
1 - Que os rapazes perdessem, era uma hipótese.
2 - Que as perninhas cedessem também. E provável!
3 - Depois de Marselha, ver o pobre do Júlio César petrificado não foi uma surpresa.
4 - Que à tristeza se misture o alívio é lógico, a megalomania podia - e ainda pode... - levar-nos a perder o campeonato.
5 - Mas discordar de algumas das opções de Jesus faz-me recear pela salvação da minha alma benfiquista:(.
2 - Que as perninhas cedessem também. E provável!
3 - Depois de Marselha, ver o pobre do Júlio César petrificado não foi uma surpresa.
4 - Que à tristeza se misture o alívio é lógico, a megalomania podia - e ainda pode... - levar-nos a perder o campeonato.
5 - Mas discordar de algumas das opções de Jesus faz-me recear pela salvação da minha alma benfiquista:(.
quarta-feira, abril 07, 2010
Qui se taquine...
Peguilhar contigo, tão sério como os políticos quando prometem. Ver-te sorrir, negociar, dar-me desconto, compreender o dia que (não) tive, lançar as agruras do teu para trás das costas em prol de um jantar descontraído e namoradeiro. Subir a parada. A ligeira crispação dos teus lábios que contagia os olhos e põe os lábios em movimento – “não estou a gostar desta pseudo-conversa”. O toque final, artístico e na corda bamba – “nem eu”. Os dois centímetros que ganhas empertigada inocentes, é do alto de uma absoluta inocência e autoridade moral que disparas em tiro raso para me colocar de joelhos e ao ciúme fingido mas verdadeiro – “estás a ser ridículo e ofensivo, sugiro…”. Provavelmente que utilize os neurónios para variar, eu prefiro escancarar o riso e abrir os braços, tu abanas os teus, desalentada, furiosa por já não sentires fúria, desconfio que aliviada por ainda guardar dentro de mim uma réstia de adolescência – “caio sempre…”. Ah, esse doce pragmatismo!, que te faz reabilitar a queda e invadir-me o colo faminto:).
terça-feira, abril 06, 2010
O horror, escreveu Conrad. A cada um o seu...
Os geniais Monty diziam-nos, do alto das cruzes em A Vida de Brian, que era preciso olhar sempre para o lado brilhante da vida. Aos sessenta, e com dois Pais demenciados, não é difícil fazê-lo perante esta notícia:), os meus filhos já não tremerão a cada esquecimento ou repetição. Como eu e alguns de vocês...
Alzheimer terá tratamento eficaz em até 10 anos, diz cientista inglês
Publicidade
da Efe, em Barcelona
O médico inglês David Wilkinson, um dos maiores especialistas no mal de Alzheimer, afirmou que em um prazo de dez anos estará disponível um tratamento combinado de remédios que controlará o avanço da doença.
Como acontece atualmente com o tratamento contra a Aids, Wilkinson que a combinação de diversos remédios e, sobretudo, a prevenção também serão decisivas para a cura do Alzheimer.
"Não acho que nunca teremos um tratamento único contra o Alzheimer, mas quatro ou cinco diferentes. Talvez combinaremos uma vacina com inibidor de colinesterase com uma droga de memantina e antioxidantes ou antiinflamatórios, o que permitirá uma administração correta da doença", afirmou.
Wilkinson, diretor do Centro de Pesquisa e Avaliação da Memória do Hospital Moorgreen, em Southampton, no Reino Unido, afirma que dentro de "uns cinco ou dez anos" estará disponível o primeiro tratamento combinado que cure ou pelo menos detenha o progresso da doença, que afeta entre 6% e 10% da população dos países desenvolvidos.
Disgnóstico
Atualmente não existe nenhum remédio que detenha o mal de Alzheimer, mas há vários que conseguem desacelerar a evolução.
Para o cientista, tão importante quanto achar uma cura é que a doença seja detectada a tempo. A experiência demonstra que "quanto mais rápido se diagnostica e se trata, melhores são os resultados obtidos a longo prazo".
O problema, segundo Wilkinson, é que na Europa como um todo se demora em média mais de um ano desde os primeiros sintomas da doença até os pacientes recorrerem ao médico para conhecer as causas provocadas pela perda grave de memória, pela desorientação e pelos constantes descuidos.
O especialista considera que é positivo comunicar o diagnóstico da doença ao paciente, por sua vez destaca a importância de que pessoas famosas que sofrem da doença assumam em público.
Alzheimer terá tratamento eficaz em até 10 anos, diz cientista inglês
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da Efe, em Barcelona
O médico inglês David Wilkinson, um dos maiores especialistas no mal de Alzheimer, afirmou que em um prazo de dez anos estará disponível um tratamento combinado de remédios que controlará o avanço da doença.
Como acontece atualmente com o tratamento contra a Aids, Wilkinson que a combinação de diversos remédios e, sobretudo, a prevenção também serão decisivas para a cura do Alzheimer.
"Não acho que nunca teremos um tratamento único contra o Alzheimer, mas quatro ou cinco diferentes. Talvez combinaremos uma vacina com inibidor de colinesterase com uma droga de memantina e antioxidantes ou antiinflamatórios, o que permitirá uma administração correta da doença", afirmou.
Wilkinson, diretor do Centro de Pesquisa e Avaliação da Memória do Hospital Moorgreen, em Southampton, no Reino Unido, afirma que dentro de "uns cinco ou dez anos" estará disponível o primeiro tratamento combinado que cure ou pelo menos detenha o progresso da doença, que afeta entre 6% e 10% da população dos países desenvolvidos.
Disgnóstico
Atualmente não existe nenhum remédio que detenha o mal de Alzheimer, mas há vários que conseguem desacelerar a evolução.
Para o cientista, tão importante quanto achar uma cura é que a doença seja detectada a tempo. A experiência demonstra que "quanto mais rápido se diagnostica e se trata, melhores são os resultados obtidos a longo prazo".
O problema, segundo Wilkinson, é que na Europa como um todo se demora em média mais de um ano desde os primeiros sintomas da doença até os pacientes recorrerem ao médico para conhecer as causas provocadas pela perda grave de memória, pela desorientação e pelos constantes descuidos.
O especialista considera que é positivo comunicar o diagnóstico da doença ao paciente, por sua vez destaca a importância de que pessoas famosas que sofrem da doença assumam em público.
sábado, abril 03, 2010
Boa Páscoa, gente.
Simone Weil disse um dia que não acreditava em Deus, mas sim nos que acreditavam Nele. É uma frase belíssima, veio-me ao espírito quando lia o Papa -"Liberta nossa inteligência da pretensão equivocada e um pouco ridícula de poder dominar o mistério que nos circunda ". Tudo porque "recusamos a necessidade de Deus". Aos sessenta anos, admito que este tipo de arrogância ainda me entristece, os padres que ajudaram meus Pais a educar-me jamais a apoiariam. Mesmo antes de a psiquiatria ter reforçado a minha consciência desse mistério, nunca o pretendi dominar, muito menos confiei na Ciência para o fazer, aceito-o fora e dentro de mim. Como aceito que milhões lhe encontrem explicação no conceito de Deus como causa última. Muitos, suponho, nem chegaram a Ele por "necessidade", mas porque a sua busca de transcendência desembocou na Fé ou, grata, a acolheu.
Compreendo que o Vaticano se sente acossado, reina, aliás, alguma confusão - a vozes que pedem abertura total e expressam arrependimento por práticas "corporativas" que desdenharam o sofrimento, contrapôem outras uma visão paranóide que chega ao cúmulo de comparar o que se passa ao anti-semitismo! Respeitando as palavras, os padres que me educaram diziam que o cristianismo era uma prática. Ao alcance de todos... S. Paulo, contra quem tantas vezes "rosno" por causa da visão deprimente - e bem pouco cristã... - sobre a sexualidade, não espalhou pelo mundo greco-romano que as diferenças baseadas em credo e sexo terminavam sob a égide de Jesus? Sem comunhão ou baptismo no currículo, os meus amigos explicaram-me que isso não era álibi para ignorar a mensagem do Nazareno. Cumpri-a de forma satisfatória? Claro que não. Aceito-a como ideal utópico a perseguir? Sim, não encontro razão válida para negar pedido tão "megalómano" - amar o próximo como a si mesmo.
Para mim, Jesus foi um sonhador e um homem bom (perdoarão que não discuta a última teoria sumarenta, segundo a qual seria gay, nem me atarde sobre a angustiante (?) questão do seu aspecto físico). Viveu e morreu de acordo com aquilo em que acreditava, ou seja, em absoluta e sofrida paz consigo próprio. Incitou-nos a fazer o mesmo, não apenas como indivíduos, mas de um modo fraternal, solidário. E por isso, este agnóstico pensa nele com um enorme orgulho e deseja que amanhã ressuscite de novo simbolicamente para alegria de tantos, mas viva o ano inteiro nas práticas quotidianas e escolhas éticas de muitos mais. Para o bem de todos...
Compreendo que o Vaticano se sente acossado, reina, aliás, alguma confusão - a vozes que pedem abertura total e expressam arrependimento por práticas "corporativas" que desdenharam o sofrimento, contrapôem outras uma visão paranóide que chega ao cúmulo de comparar o que se passa ao anti-semitismo! Respeitando as palavras, os padres que me educaram diziam que o cristianismo era uma prática. Ao alcance de todos... S. Paulo, contra quem tantas vezes "rosno" por causa da visão deprimente - e bem pouco cristã... - sobre a sexualidade, não espalhou pelo mundo greco-romano que as diferenças baseadas em credo e sexo terminavam sob a égide de Jesus? Sem comunhão ou baptismo no currículo, os meus amigos explicaram-me que isso não era álibi para ignorar a mensagem do Nazareno. Cumpri-a de forma satisfatória? Claro que não. Aceito-a como ideal utópico a perseguir? Sim, não encontro razão válida para negar pedido tão "megalómano" - amar o próximo como a si mesmo.
Para mim, Jesus foi um sonhador e um homem bom (perdoarão que não discuta a última teoria sumarenta, segundo a qual seria gay, nem me atarde sobre a angustiante (?) questão do seu aspecto físico). Viveu e morreu de acordo com aquilo em que acreditava, ou seja, em absoluta e sofrida paz consigo próprio. Incitou-nos a fazer o mesmo, não apenas como indivíduos, mas de um modo fraternal, solidário. E por isso, este agnóstico pensa nele com um enorme orgulho e deseja que amanhã ressuscite de novo simbolicamente para alegria de tantos, mas viva o ano inteiro nas práticas quotidianas e escolhas éticas de muitos mais. Para o bem de todos...
domingo, março 28, 2010
Porque foi publicado no Expresso de ontem, já o posso "guardar" aqui.
A férrea doçura de minha Mãe transformou os Machado Vaz em satélites agradecidos. Marido, filho e netos habituaram-se à opinião firme e não cortante, a apoio certo mas jamais incondicional, ao colo acolhedor e contudo sempre temporário, ela não permitia que a sua força atrasasse o futuro de ninguém. Quando o primeiro bisneto nasceu, embalou-o com o enlevo que reservava a todas as crianças, mas já não o reconheceu como herdeiro e fiel depositário da lenda familiar.
O meu Pai sofreu o primeiro enfarte e a Mãe disse, com envergonhada firmeza: “se morrer, apenas fico por tua causa e dos meninos, a vida sem ele não faz sentido. Desculpa”. Abracei-a em silêncio, nada havia a desculpar - eu fora testemunha, fruto e voyeur invejoso de um árduo amor perfeito durante cinquenta anos. Quando a velha dama risonha cantada por Neil Young tentou de novo seduzir meu Pai, a vida dela rendeu-se ao horror permanente de o perder: vigiava-lhe passos, queixas, esgares e mesmo a sesta, inventava pretextos para o acordar porque lhe parecera demasiado quieto e a cabeça, derrotada, pendia sobre o peito. Como a fina inteligência!, após o segundo enfarte ele baloiçava entre a venerada lucidez e um estado confusional embrutecido, que o deixava frente à televisão em permanente e cego zapping. Enquanto o jornal amado permanecia virgem ao alcance da mão, de súbito analfabeta….
Eu abria a porta e perguntava como se sentia ela, que de imediato me chamava à (sua) realidade com um “como achas o Pai?” sem réplica possível. Entretanto, e sem eu saber, começara a perder-se na rua e a gerir o quotidiano à custa de papelinhos e aflitos regressos a super-mercados, oficialmente decretados meros esquecimentos. E o filho psiquiatra, obediente, observava-o a ele… Até que um dia reparei no seu cabelo e percebi que minha Mãe mudara, a palavra desleixo não constava no seu vocabulário. Ofereci-me para a levar ao cabeleireiro – “ele fica sozinho”…, “estou cá eu, um dos rapazes leva-te”…”não, deixa-me”. Aos gritos de raiva, face escondida nas mãos, choro convulsivo, como pudera ser tão néscio?
E à terceira foi de vez, o seu homem partiu; num sofrimento que envergonhou a Medicina, ela aconchegava-lhe os lençóis, “o Pai ainda se constipa…”. Quando lhe dei a notícia, uma calma estranha invadiu o quarto e expulsou o delírio em que vivia, disfarçou a ordem de pedido, “levas-me?”. Perante o meu olhar atónito beijou-lhe a testa e velou-o com a minha entre as suas mãos, afiançando-me que ambos trataríamos de tudo “para proteger os meninos”.
Todos fomos sendo esquecidos, talvez pelo esforço titânico para o manter a ele algures. E um dia as costas endireitaram-se, nos olhos faiscou de novo aquele verde que me assustava e enternecia, “por favor, ajuda-me a acabar com isto”. Pedia auxílio e consentimento, era incapaz de trair, “fico por tua causa e dos meninos…”. Não consegui e ela regressou às catacumbas do cérebro. O corpo resistiu doze anos, o espírito há muito que se juntara a meu Pai. Agora, espera-me em Cantelães. Onde lhe reencontrarei o colo. E bálsamo para a culpa não culpada que ainda sinto. Só ela o pode fazer, “vem, menino”. Abrindo sorriso e braços, lá onde repousa - no meio das (outras) flores.
O meu Pai sofreu o primeiro enfarte e a Mãe disse, com envergonhada firmeza: “se morrer, apenas fico por tua causa e dos meninos, a vida sem ele não faz sentido. Desculpa”. Abracei-a em silêncio, nada havia a desculpar - eu fora testemunha, fruto e voyeur invejoso de um árduo amor perfeito durante cinquenta anos. Quando a velha dama risonha cantada por Neil Young tentou de novo seduzir meu Pai, a vida dela rendeu-se ao horror permanente de o perder: vigiava-lhe passos, queixas, esgares e mesmo a sesta, inventava pretextos para o acordar porque lhe parecera demasiado quieto e a cabeça, derrotada, pendia sobre o peito. Como a fina inteligência!, após o segundo enfarte ele baloiçava entre a venerada lucidez e um estado confusional embrutecido, que o deixava frente à televisão em permanente e cego zapping. Enquanto o jornal amado permanecia virgem ao alcance da mão, de súbito analfabeta….
Eu abria a porta e perguntava como se sentia ela, que de imediato me chamava à (sua) realidade com um “como achas o Pai?” sem réplica possível. Entretanto, e sem eu saber, começara a perder-se na rua e a gerir o quotidiano à custa de papelinhos e aflitos regressos a super-mercados, oficialmente decretados meros esquecimentos. E o filho psiquiatra, obediente, observava-o a ele… Até que um dia reparei no seu cabelo e percebi que minha Mãe mudara, a palavra desleixo não constava no seu vocabulário. Ofereci-me para a levar ao cabeleireiro – “ele fica sozinho”…, “estou cá eu, um dos rapazes leva-te”…”não, deixa-me”. Aos gritos de raiva, face escondida nas mãos, choro convulsivo, como pudera ser tão néscio?
E à terceira foi de vez, o seu homem partiu; num sofrimento que envergonhou a Medicina, ela aconchegava-lhe os lençóis, “o Pai ainda se constipa…”. Quando lhe dei a notícia, uma calma estranha invadiu o quarto e expulsou o delírio em que vivia, disfarçou a ordem de pedido, “levas-me?”. Perante o meu olhar atónito beijou-lhe a testa e velou-o com a minha entre as suas mãos, afiançando-me que ambos trataríamos de tudo “para proteger os meninos”.
Todos fomos sendo esquecidos, talvez pelo esforço titânico para o manter a ele algures. E um dia as costas endireitaram-se, nos olhos faiscou de novo aquele verde que me assustava e enternecia, “por favor, ajuda-me a acabar com isto”. Pedia auxílio e consentimento, era incapaz de trair, “fico por tua causa e dos meninos…”. Não consegui e ela regressou às catacumbas do cérebro. O corpo resistiu doze anos, o espírito há muito que se juntara a meu Pai. Agora, espera-me em Cantelães. Onde lhe reencontrarei o colo. E bálsamo para a culpa não culpada que ainda sinto. Só ela o pode fazer, “vem, menino”. Abrindo sorriso e braços, lá onde repousa - no meio das (outras) flores.
sexta-feira, março 19, 2010
Dia do Pai.
Releio A Cidade e as Serras e em em cada esquina das palavras sussurra a voz de meu Pai: o diagnóstico do velho Grilo - "Sua Excelência sofre de fartura"; Sua Alteza de partida, incitando o anfitrião do 202 - "O peixe, Jacinto, desencalha o peixe!"; Efraim e o capitalismo selvagem explicado numa frase - "esmeraldas! Está claro que há esmeraldas!... Há sempre esmeraldas desde que haja accionistas!"; Jacinto em desesperada busca do natural - "Vamos ao Jardim das Plantas, ver a girafa!".
Meu Pai amava Eça, de quem dizia, num contentamento educativo - "está lá tudo". E as suas citações favoritas arvoram-se em banda sonora da saudade que não esmaece. Se tivesse de escolher uma para legenda de memória nossa, iria buscá-la a este livro. Porque quase até ao fim da vida, raras foram as vezes em que meu Pai tropeçou no filho embrenhado no desafio do Verbo e não murmurou, enquanto aflorava com dedos tímidos a minha nuca - "faz bem, lembre-se do Jacinto - há que ler, há que ler...".
Mas "Quase até ao fim" traduz aceitação reflexa - logo não meditada, o que sobremaneira o escandalizaria! - de um conceito de vida que a vida me foi fazendo recusar com redobrado vigor: a sua identificação a funções vitais necessárias mas não suficientes. "Até ao fim", deveria ter escrito. Porque o meu Velho só deixou de assim me exortar à leitura quando já não desdobrava o jornal que minha Mãe religiosamente colocava a seu lado todas as manhãs.
E a partir desse momento, testemunha que sou do brilho e eterna curiosidade da sua inteligência, seria de lamentável mau gosto dizê-lo vivo. A ninguém ocorre chamar ainda navio aos destroços que salpicam as águas depois do naufrágio:(.
Meu Pai amava Eça, de quem dizia, num contentamento educativo - "está lá tudo". E as suas citações favoritas arvoram-se em banda sonora da saudade que não esmaece. Se tivesse de escolher uma para legenda de memória nossa, iria buscá-la a este livro. Porque quase até ao fim da vida, raras foram as vezes em que meu Pai tropeçou no filho embrenhado no desafio do Verbo e não murmurou, enquanto aflorava com dedos tímidos a minha nuca - "faz bem, lembre-se do Jacinto - há que ler, há que ler...".
Mas "Quase até ao fim" traduz aceitação reflexa - logo não meditada, o que sobremaneira o escandalizaria! - de um conceito de vida que a vida me foi fazendo recusar com redobrado vigor: a sua identificação a funções vitais necessárias mas não suficientes. "Até ao fim", deveria ter escrito. Porque o meu Velho só deixou de assim me exortar à leitura quando já não desdobrava o jornal que minha Mãe religiosamente colocava a seu lado todas as manhãs.
E a partir desse momento, testemunha que sou do brilho e eterna curiosidade da sua inteligência, seria de lamentável mau gosto dizê-lo vivo. A ninguém ocorre chamar ainda navio aos destroços que salpicam as águas depois do naufrágio:(.
quinta-feira, março 11, 2010
Quase...
Rabugento, quase adormecer-te no colo. As crianças resistem, negam, fazem birra, nós sorrimos e comentamos - "está perdido de sono". Talvez, mas dormir parece-lhes um crime desleixado, antes mesmo de o saberem já consideram obsceno passar um terço da vida fora dela, sonhar?, não é a mesma coisa!, quem precisa de alucinar outros com brinquedos de carne e osso no quarto ao lado?
Por isso resisto a essa mão pelos meus cabelos, aos olhos enevoados e à promessa de ouro de lei - "depois...". Não, querida, agora, o cansaço vem de dentro e longe, não se renderá a duas ou três horas de sono inquieto. Agora. E depois... Depois... Depois pedimos meças aos contorcionistas do circo da minha infância, entalados entre palhaços deprimentes e leões deprimidos, e adormecemos no colo um do outro:).
Por isso resisto a essa mão pelos meus cabelos, aos olhos enevoados e à promessa de ouro de lei - "depois...". Não, querida, agora, o cansaço vem de dentro e longe, não se renderá a duas ou três horas de sono inquieto. Agora. E depois... Depois... Depois pedimos meças aos contorcionistas do circo da minha infância, entalados entre palhaços deprimentes e leões deprimidos, e adormecemos no colo um do outro:).
segunda-feira, março 08, 2010
TVC1
O processo de Eichmann. A ladainha clássica - "obedeci a ordens"... "Hitler"... Quando visitei Dachau recordei as experiências feitas com universitários americanos, que administravam (teóricos) choques eléctricos a actores implorando misericórdia. Porque tinham recebido ordens para o fazer... O Mal como visão ontológica é um mito que nos protege de um espelho perturbador - os maiores crimes podem ser cometidos por gente banal. Adjectivá-la de monstruosa não a transforma em extra-terrestre. Por muito que nos custe, o horror de que falava Conrad é, pelo contrário, simplesmente humano:(.
domingo, fevereiro 28, 2010
Domingo à noite.
Gostei de Whatever works, do velho Woody. Estou de acordo com a maioria dos críticos: o maroto foi buscar um "capanga" capaz de ser mais credível no azedume e agressividade, sem perder a ternura. A mensagem parece traduzir a prioridade que resiste - ou surge... - após um trajecto de vida: estamos sozinhos "cá em baixo" e o caos é a ordem reinante, logo, cada réstia de céu azul relacional deve ser aproveitada enquanto dura... Nada de novo em Allen, o fim de Annie Hall ia na mesma direcção. Claro que as combinações apresentadas no filme porão os cabelos em pé a muitos, que as decretarão sinais de um intolerável relativismo ético. Para gáudio dele, desconfio:).
Este fim-de-semana revisitei Shadowlands com Hopkins e Debra Winger. Continuo a ter aquela sensação estranha de que certos actores - lembro-me de Olivier, Gielgud e Burton, por exemplo... - nos fizeram um enorme favor não se limitando ao teatro. Claro que não foi assim, não resistiram a Hollywood. Mas ver Hopkins para lá do enorme sucesso de O Silêncio dos Inocentes é um privilégio raro, Despojos do Dia parece-me outro espectáculo fabuloso de representação "ferozmente ascética". E não deixa de ser curioso que a mensagem é muito semelhante: viver o aqui e agora, aceitando que o sofrimento futuro faz parte da felicidade actual.
P.S. Tive uma epifania - sou sportinguista desde pequenino:).
Este fim-de-semana revisitei Shadowlands com Hopkins e Debra Winger. Continuo a ter aquela sensação estranha de que certos actores - lembro-me de Olivier, Gielgud e Burton, por exemplo... - nos fizeram um enorme favor não se limitando ao teatro. Claro que não foi assim, não resistiram a Hollywood. Mas ver Hopkins para lá do enorme sucesso de O Silêncio dos Inocentes é um privilégio raro, Despojos do Dia parece-me outro espectáculo fabuloso de representação "ferozmente ascética". E não deixa de ser curioso que a mensagem é muito semelhante: viver o aqui e agora, aceitando que o sofrimento futuro faz parte da felicidade actual.
P.S. Tive uma epifania - sou sportinguista desde pequenino:).
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Vão espreitar!
Peter Sellers no TVC2, Bem-vindo Mr. Chance. Uma alegoria genial à sociedade de aparências que já então se desenhava. E o epílogo ideal para o meu dia:).
domingo, fevereiro 21, 2010
Projecto de vida.
Subir ainda uma vez a Quéribus e esperar. Porque é estúpido procurar respostas neste frenesim acéfalo. Subir a Quéribus e esperar. Não por Deus, romano ou cátaro; por mim.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
O filho da Mãe.
Por vezes, ao longo dos anos, houve momentos ou breves minutos durante aulas em que senti uma paz "cósmica", que me fazia bordejar a transcendência, se a expressão me é permitida. Ouvia-me dizer exactamente o que desejava da forma que desejava e a dúvida gania - "não vai durar". Com efeito, o encanto era de vida breve:(. Ficava a esperança... Como se mulher muito querida me afagasse o cabelo garantisse, quase coquette - "eu volto". Sorrio perante a comparação. Ela traduz uma profunda idealização da figura feminina e minha Mãe está-lhe na origem, como é óbvio. Acredito que neste deserto cinzento, são as mulheres a saber por trás de que dunas se escondem os oásis.
Mas só guiam quem lhes dá na real gana, as marotas:).
Mas só guiam quem lhes dá na real gana, as marotas:).
terça-feira, fevereiro 02, 2010
A violação.
“Meu querido,
Não te digo metade (a metade graaaande:) ) do que penso, quando penso em ti . E é muito!, porque moras em todos os meus pensamentos. Pelo menos os bons… Gostava de te guardar no bolso e partir à (nossa) descoberta here, there and everywhere, de Porto Covo a Berlim. Quando alucino uma casinha – eu sei, tresanda a XutosJ -, ela tem um sofá inundado pelo sol onde te enroscas e ao qual eu me encosto, livros espalhados pelo chão e os cabelos pelos teus dedos. Assustadora a fantasia, de tão “conjugal”? Estás enganado, acontece que te levo sempre comigo, das caminhadas na Ericeira aos jantares com amigos no Bairro Alto, os sítios e as pessoas ficam mais bonitos porque vistos por olhos que te procuram e recordam. Se estivesses a meu lado falaríamos de tudo – eu, pelo menos, falaria de tudo! -, não escapavas a poema, notícia ou até coscuvilhice – credo… - escutada, lida ou pressentida. E com razão me decretarias chata, mas com um requebro doce na voz.
Não sei o que o futuro nos reserva; gosto de ti; tenho medo(s)... Principalmente o medo de não saber o que poderia fazer melhor por e para nósL. Gostava de estar nos teus braços e explorar mais de perto esse cheiro por trás do perfume que prefiro acreditar escolhido por amiga de peito...; de ter a certeza que me escutas e não apenas ouves; de te acolher os segredos, os beijos cegos e as mãos em abençoada vagabundagem, talvez um riso infantil e grato em face das prendas ridículas – agora cheira a Pessoa… - com que me imagino a inundar-te.
A verdade é que não te digo metade da metade da metade…, ah!, basta dizer(-te) que adormeço a pensar em nós e tal abraço não é opcional. Boa noite, um beijo grande. Amanhã dir-te-ei bom dia num qualquer corredor e o beijo que trocaremos, acredita!, não passará de uma versão a preto e branco e burocrática deste, mesmo a solo.”
Fechou o diário, à culpa juntava-se um remorso pungente, sem fim à vista. De volta à sala e ao marido, cujos receios exibiam agora a moldura da impaciência.
- Então?
E ela admitiu para si mesma que fora cúmplice da devassa. A rapariga sozinha em Lisboa, as notas a baixarem, as olheiras húmidas, as fugas para o quarto em fins-de-semana, “vão vocês”. O medo deles como álibi, mas sem justificar absolvição. Em voz surda,
- Não são drogas, é doença de amor.
O alívio optimista e amnésico dele,
- Óptimo, isso desaparece com a idade.
A teoria do aquecimento global em definitivo descartada, jorrou de coração e lábios gelo suficiente para uma vida inteira.
- A doença ou o amor?
Ele já regressara ao telejornal.
Não te digo metade (a metade graaaande:) ) do que penso, quando penso em ti . E é muito!, porque moras em todos os meus pensamentos. Pelo menos os bons… Gostava de te guardar no bolso e partir à (nossa) descoberta here, there and everywhere, de Porto Covo a Berlim. Quando alucino uma casinha – eu sei, tresanda a XutosJ -, ela tem um sofá inundado pelo sol onde te enroscas e ao qual eu me encosto, livros espalhados pelo chão e os cabelos pelos teus dedos. Assustadora a fantasia, de tão “conjugal”? Estás enganado, acontece que te levo sempre comigo, das caminhadas na Ericeira aos jantares com amigos no Bairro Alto, os sítios e as pessoas ficam mais bonitos porque vistos por olhos que te procuram e recordam. Se estivesses a meu lado falaríamos de tudo – eu, pelo menos, falaria de tudo! -, não escapavas a poema, notícia ou até coscuvilhice – credo… - escutada, lida ou pressentida. E com razão me decretarias chata, mas com um requebro doce na voz.
Não sei o que o futuro nos reserva; gosto de ti; tenho medo(s)... Principalmente o medo de não saber o que poderia fazer melhor por e para nósL. Gostava de estar nos teus braços e explorar mais de perto esse cheiro por trás do perfume que prefiro acreditar escolhido por amiga de peito...; de ter a certeza que me escutas e não apenas ouves; de te acolher os segredos, os beijos cegos e as mãos em abençoada vagabundagem, talvez um riso infantil e grato em face das prendas ridículas – agora cheira a Pessoa… - com que me imagino a inundar-te.
A verdade é que não te digo metade da metade da metade…, ah!, basta dizer(-te) que adormeço a pensar em nós e tal abraço não é opcional. Boa noite, um beijo grande. Amanhã dir-te-ei bom dia num qualquer corredor e o beijo que trocaremos, acredita!, não passará de uma versão a preto e branco e burocrática deste, mesmo a solo.”
Fechou o diário, à culpa juntava-se um remorso pungente, sem fim à vista. De volta à sala e ao marido, cujos receios exibiam agora a moldura da impaciência.
- Então?
E ela admitiu para si mesma que fora cúmplice da devassa. A rapariga sozinha em Lisboa, as notas a baixarem, as olheiras húmidas, as fugas para o quarto em fins-de-semana, “vão vocês”. O medo deles como álibi, mas sem justificar absolvição. Em voz surda,
- Não são drogas, é doença de amor.
O alívio optimista e amnésico dele,
- Óptimo, isso desaparece com a idade.
A teoria do aquecimento global em definitivo descartada, jorrou de coração e lábios gelo suficiente para uma vida inteira.
- A doença ou o amor?
Ele já regressara ao telejornal.
quarta-feira, janeiro 27, 2010
Flashback.
Os saltos (mais) altos e a mini que corrias a abraçar entre o dia de trabalho e o meu olhar, tão ávido como enternecido. O "gira lá para dentro", dito por mim, exigido em silêncio por ti. O amor, que não se faz, mas sente. A tua cabeça no meu ombro, a minha recente paz no teu colo. O caminho inesperado entre desejo e gratidão. As saudades, que entravam antes de saíres. E me davam certeza agridoce - se um dia não voltasses, aceitava; mas nem Deus, nem amo, como diria o velho Ferré, me obrigariam a concordar.
domingo, janeiro 17, 2010
Faz-me tanta pena:(.
Dezasseis anos depois de ter sido criada, a Fundação Eugénio de Andrade está em vias de extinção.
Confrontado com uma situação financeira insustentável, o Conselho Directivo da fundação enviou ao Governo, em meados de Dezembro, um pedido de extinção. A questão estará a ser analisada pela Presidência do Conselho de Ministros. De acordo com o jornal Público, a Fundação começou a receber, em 1997, um subsídio do Ministério da Cultura (era ministro Manuel Maria Carrilho) através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca, que terá oscilado entre os 12 mil e 19 mil euros anuais. No entanto, em 2005, quando a ministra Isabel Pires de Lima tomou posse, percebeu que não havia qualquer protocolo assinado e que o subsídio seria, então, ilegal. O cancelamento deste apoio veio contribuir para estrangular ainda mais a situação financeira da fundação que já se encontrava debilitada pela falência sucessiva dos distribuidores e do co-editor das obras do escritor falecido em 2005. A verdade é que a instituição tinha apenas direito a uma pequena percentagem dos direitos de autor e, uma vez que não tem qualquer outra fonte de rendimento para além do apoio da Câmara do Porto, a instituição encontra-se na falência.
Tags: Artes DN.
Confrontado com uma situação financeira insustentável, o Conselho Directivo da fundação enviou ao Governo, em meados de Dezembro, um pedido de extinção. A questão estará a ser analisada pela Presidência do Conselho de Ministros. De acordo com o jornal Público, a Fundação começou a receber, em 1997, um subsídio do Ministério da Cultura (era ministro Manuel Maria Carrilho) através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca, que terá oscilado entre os 12 mil e 19 mil euros anuais. No entanto, em 2005, quando a ministra Isabel Pires de Lima tomou posse, percebeu que não havia qualquer protocolo assinado e que o subsídio seria, então, ilegal. O cancelamento deste apoio veio contribuir para estrangular ainda mais a situação financeira da fundação que já se encontrava debilitada pela falência sucessiva dos distribuidores e do co-editor das obras do escritor falecido em 2005. A verdade é que a instituição tinha apenas direito a uma pequena percentagem dos direitos de autor e, uma vez que não tem qualquer outra fonte de rendimento para além do apoio da Câmara do Porto, a instituição encontra-se na falência.
Tags: Artes DN.
terça-feira, janeiro 12, 2010
O capitalismo é pragmático:). Por isso alguns escreveram que a (r)evolução sexual dos anos 60 era inevitável.
"Uma lufada de ar fresco." É isso que a aprovação da união entre pessoas do mesmo sexo pode significar para a "indústria dos casamentos", admite o director da Exponoivos, António Brito. Por isso, as empresas presentes na feira deste ano, que começa hoje em Lisboa, "estão já preparadas para surpreender os casais homossexuais", com opções para este "nicho de mercado", acrescenta.
António Brito prefere não "levantar o véu" sobre as novidades para estes casais, mas diz que as empresas estão a tentar antecipar tendências para chegar a este nicho de mercado, que pode ser criado hoje se o Parlamento aprovar o acesso dos homossexuais ao casamento civil (mais informação nas páginas 1 e 2).
Aliás, esse é um dos motivos que levam as empresas do sector a ter "expectativas muito positivas para 2010". Até porque se trata de "pessoas que estão há muito tempo à espera por esta hipótese e geralmente têm poder de compra", conclui.
O responsável não duvida de que "os casamentos entre pessoas do mesmo sexo vão ser uma mais--valia para o sector", tal como aconteceu em Espanha, sobretudo depois de dois anos complicados.
É que em 2008, e sobretudo em 2009, a crise acabou por afectar também as bodas. Por um lado, as pessoas casam-se cada vez menos. O número de novos matrimónios tem descido de forma constante - enquanto em 2002 houve 56 457; em 2008, apenas 43 228. Por outro, as empresas sentiram que quem se casou teve mais contenção nos gastos. "Há uns anos era mais comum um casamento ter 200, 300 convidados. Agora, os noivos convidam 120, 130", explica António Brito. Isso afecta sobretudo as empresas que alugam salões para banquetes e as quintas que organizam os copos-d'água, mas também as floristas, cabeleireiros e muitos dos negócios que giram à volta de um casamento.
Há cerca de 200 empresas na Exponoivos deste ano, mas o director da feira estima que existam De 2000 a 3000 empresas directamente ligadas a este negócio. Na maioria, microempresas, que criam De 20 a 30 mil postos de trabalho. "Há mais de 45 subprodutos que estão associados à festa", acrescenta. Do vestido de noiva à lua-de-mel, passando pelas prendas, música, decoração, cabeleireiro, entre outros, que quem nunca casou dificilmente se lembrará sozinho.
E há também instituições de crédito para quem precisar de ajuda para pagar a festa. Afinal, em média, cada casal gasta cerca de 20 mil euros - para um casamento com cem convidados -, diz o director da Exponoivos. Sem pensar em extravagâncias, como as que começam a ser importadas de outras partes do mundo. "No México a moda é criar e libertar borboletas, como símbolo de felicidade e de fertilidade. Começam a aparecer pedidos deste tipo", conta. E empresas para os satisfazer. Até domingo, algumas vão estar no Centro de Congressos de Lisboa.
António Brito prefere não "levantar o véu" sobre as novidades para estes casais, mas diz que as empresas estão a tentar antecipar tendências para chegar a este nicho de mercado, que pode ser criado hoje se o Parlamento aprovar o acesso dos homossexuais ao casamento civil (mais informação nas páginas 1 e 2).
Aliás, esse é um dos motivos que levam as empresas do sector a ter "expectativas muito positivas para 2010". Até porque se trata de "pessoas que estão há muito tempo à espera por esta hipótese e geralmente têm poder de compra", conclui.
O responsável não duvida de que "os casamentos entre pessoas do mesmo sexo vão ser uma mais--valia para o sector", tal como aconteceu em Espanha, sobretudo depois de dois anos complicados.
É que em 2008, e sobretudo em 2009, a crise acabou por afectar também as bodas. Por um lado, as pessoas casam-se cada vez menos. O número de novos matrimónios tem descido de forma constante - enquanto em 2002 houve 56 457; em 2008, apenas 43 228. Por outro, as empresas sentiram que quem se casou teve mais contenção nos gastos. "Há uns anos era mais comum um casamento ter 200, 300 convidados. Agora, os noivos convidam 120, 130", explica António Brito. Isso afecta sobretudo as empresas que alugam salões para banquetes e as quintas que organizam os copos-d'água, mas também as floristas, cabeleireiros e muitos dos negócios que giram à volta de um casamento.
Há cerca de 200 empresas na Exponoivos deste ano, mas o director da feira estima que existam De 2000 a 3000 empresas directamente ligadas a este negócio. Na maioria, microempresas, que criam De 20 a 30 mil postos de trabalho. "Há mais de 45 subprodutos que estão associados à festa", acrescenta. Do vestido de noiva à lua-de-mel, passando pelas prendas, música, decoração, cabeleireiro, entre outros, que quem nunca casou dificilmente se lembrará sozinho.
E há também instituições de crédito para quem precisar de ajuda para pagar a festa. Afinal, em média, cada casal gasta cerca de 20 mil euros - para um casamento com cem convidados -, diz o director da Exponoivos. Sem pensar em extravagâncias, como as que começam a ser importadas de outras partes do mundo. "No México a moda é criar e libertar borboletas, como símbolo de felicidade e de fertilidade. Começam a aparecer pedidos deste tipo", conta. E empresas para os satisfazer. Até domingo, algumas vão estar no Centro de Congressos de Lisboa.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Mais um passo.
O debate não foi particularmente estimulante, convenhamos. Dei comigo a recuar 18 anos - credo... - e a recordar um determinado programa do Sexualidades. Dois homossexuais seropositivos de costas para a câmara e eu a pronunciar em on e off palavras proibidas: casal, família... O Diabo feito vaca, dizia-se no meu tempo! - ameaças de morte, insultos, um par de cumprimentos não retribuídos em restaurantes da Invicta. Nada de importante a médio prazo. Que eles não chegaram a viver:(. Hoje lembrei-me dessa tarde. Porque é tão lenta e acidentada a viagem entre a oblíqua tolerância e a fraternal aceitação?
terça-feira, janeiro 05, 2010
Ser homem e hetero compensa:). Ainda por cima, "cientificamente" falando...
A infidelidade masculina é boa para o casamento e deve ser praticada, garante uma das mais famosas psicólogas francesas, citada pela «BBC Brasil».
No livro «Les hommes, lamour, la fidélité («Os homens, o amor, a fidelidade»), que lançou recentemente, Maryse Vaillant refere que a maioria dos homens precisa do «seu próprio espaço» e que para eles «a infidelidade é quase inevitável».
De acordo com a autora, as mulheres podem viver uma experiência «libertadora» ao aceitarem que «os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais» e que a infidelidade é «essencial para o funcionamento psíquico» de muitos homens que não deixam por isso de amar as suas mulheres.
As declarações polémicas de Vaillant, divorciada há 20 anos, visam, segundo a própria, «resgatar a infidelidade», já que, assegura, «39 por cento dos homens franceses já foram infiéis às suas mulheres em algum momento da vida».
«A maioria dos homens não faz isso por não amar a sua mulher, eles simplesmente precisam de um espaço próprio», defende.
«Para estes homens, que são na verdade profundamente monogâmicos, a infidelidade é quase inevitável», sentencia.
A psicóloga vai mais longe ao afirmar que os homens que não têm casos extra-conjugais podem sofrer de «uma fraqueza de carácter».
«Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Estes homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem», conclui.
No livro «Les hommes, lamour, la fidélité («Os homens, o amor, a fidelidade»), que lançou recentemente, Maryse Vaillant refere que a maioria dos homens precisa do «seu próprio espaço» e que para eles «a infidelidade é quase inevitável».
De acordo com a autora, as mulheres podem viver uma experiência «libertadora» ao aceitarem que «os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais» e que a infidelidade é «essencial para o funcionamento psíquico» de muitos homens que não deixam por isso de amar as suas mulheres.
As declarações polémicas de Vaillant, divorciada há 20 anos, visam, segundo a própria, «resgatar a infidelidade», já que, assegura, «39 por cento dos homens franceses já foram infiéis às suas mulheres em algum momento da vida».
«A maioria dos homens não faz isso por não amar a sua mulher, eles simplesmente precisam de um espaço próprio», defende.
«Para estes homens, que são na verdade profundamente monogâmicos, a infidelidade é quase inevitável», sentencia.
A psicóloga vai mais longe ao afirmar que os homens que não têm casos extra-conjugais podem sofrer de «uma fraqueza de carácter».
«Eles são normalmente homens cujo pai era fisicamente ou moralmente ausente. Estes homens têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal. Não têm flexibilidade e são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem», conclui.
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