quarta-feira, setembro 29, 2010

O princípio da realidade.

Hoje, Sócrates e Jesus visitaram o planeta Terra. Presumo que antes da meia-noite Woody Allen emita um comunicado em que reconheça ter filmado com Carla Bruni por luxúria e não por ela saber representar:).

sexta-feira, setembro 24, 2010

Ensanduichado.

De um lado a gravitas de Cavaco; do outro a ladainha vitimizada de Sócrates. Passos Coelho vai estrebuchar, mas - passo a passo!:) - acabará por se refugiar na sua lura. A bem do país...

Lua cheia em Cantelães. Fim do Verão, para onde fugiram as gargalhadas juvenis? Quantas me serão ainda concedidas?

quarta-feira, setembro 22, 2010

Circular informativa.

A RTPN informou-me ontem que a versão televisiva de O Amor é... arrancará a 4 de Outubro. Quase literalmente a bem da República:).

domingo, setembro 19, 2010

À moda antiga, carago:).

Maria,

Os rapazes reviveram o passado. Não em Brideshead, na Luz, e eu vou dormir melhor:). Tomei uma das decisões importantes que estavam na sala de espera. É tão estranho fazê-lo sem a asa da tua opinião...

terça-feira, setembro 14, 2010

Boa noite, maralhal.

O Guilherme veio arriscar comigo nova barraca do Benfica. E de repente o temido desgosto adicional empalideceu. Ele pediu o inevitável sushi, eu o surpreendente (?:)) bife grelhado, abrimos uma garrafa de vinho, só faltava o João para me sentir de regresso à adolescência deles, que tiveram a suprema gentileza de a viver à distância de uma carícia paterna. Depois foi vê-lo escolher livros e discos, "posso?". Pergunta retórica, sempre amei através das coisas, na esperança que ao encantarem os outros lhes segredassem as palavras que o freio de razão e timidez mantinham, gulosas, no meu coração. Prestei pouca atenção ao jogo, a estritamente necessária para simpatizar com o árbitro e piscar o olho ao miúdo aterrorizado que nos defende a baliza. De resto, gozei-lhe a companhia. Brindámos à vitória fora de horas do seu irmão adoptivo, Rafael Nadal. Os meus filhos sempre encararam com bonomia tais dislates afectivos do pai. Primeiro foi Pete Sampras, que vi chorar em pleno court, rapazito surpreendido pelo cancro que em breve lhe mataria treinador e amigo. Adoptei-o para a vida, como entendia o receio da perda de uma figura parental:(. Com esta mania de se jogar ténis ao abrigo de outros fusos horários, lembro-me de fazer noitadas para lhe seguir os jogos, eu gritava "sim!" e os rapazes dizam aos amigos "o Sampras ganhou". Seria incapaz de o esquecer ou substituir, mas Nadal foi o herdeiro, o preguiçoso inseguro dentro de mim rende-se, fascinado, à genica escondida por trás daquele sorriso tímido e humilde, o rapaz resistiu ao apelo dos holofotes e permanece fiel às raízes. Eu e o Guilherme recordámos jogadas, o fair play de Djokovic, fizemos planos para o "nosso" futuro. Entretanto o Benfica ganhou - não poderemos jogar o campeonato israelita? - e de um dos livros que me pediu emprestados caiu uma carta destinada a minha santa Mãe, que passava férias... em Maiorca, muito antes de Nadal nascer:))))). Li-me sem surpresa. Ia entrar na Universidade, confessava à matriarca o pânico de a envergonhar e a meu Pai. Passei a vida com medo, no meio da ponte - de um lado os Velhos, do outro os rapazes, a quem não desiludi? O Guilherme foi-se embora, depois de um abraço amigo entre dois homens, por acaso unidos pelo sangue. E eu, sozinho, fitei o corredor sombrio e sorri pelos fantasmas que nele passeiam - fraternos uns, sensuais outros, a solidão nada pode contra mim. Muito menos se dou corda à caixa de música de minha Mãe e me quedo, enternecido, perante o aprumo da bailarina que roda sobre o pano de fundo espelhado. Há gente que jamais permitirá que mergulhe em vale de lençóis a solo, regaços que não me deixam, por sempre alucinados:).

sexta-feira, setembro 10, 2010

Na paz de Cantelães.

O Benfica perdeu hoje o campeonato. Embora não surpreendido, devo aos murcónicos um pedido de desculpas - previ que tal pudesse acontecer à décima jornada, errei por mais de cinquenta por cento! Significa isto que branqueio a arbitragem de Olegário Benquerença y sus muchachos? De modo algum!, bastará dizer que excederam as minhas (piores) expectativas:(. Mas o facto de Jorge Jesus ter repetido que somos os melhores - como antes da final da supertaça... - e as justas queixas de Rui Costa e Luís Filipe Vieira não anulam a triste realidade: o Benfica é uma sombra do que foi o ano passado. Por circunstâncias que nos escaparam, mas também por desleixo na manutenção do nível da equipa e arrogância, tenho a desagradável impressão de que apenas chegaram investimentos para o futuro - Domingo aterra mais um... - e não reforços para o presente:(. Como se explica que Balboa tenha tido uma oportunidade e Urreta não? Ninguém previu a saída de Ramires? A um outro nível - alguém alertou LFV para o assalto ao poder na Liga ou pura e simplesmente ele ignorou os avisos? E, por favor!, não venham com a ladainha dos tiros no pé por fazer perguntas e exprimir perplexidades, hoje espera-me a insónia do costume, os meus meninos perderam. Por culpa própria e de um senhor que brilha nas competições europeias desde que uma das equipas não seja comandada por José Mourinho, mas não só - esta época foi mal planificada e tal não podia acontecer. Porque LFV tem razão - as grandes equipas não se limitam a ganhar um campeonato de vez em quando:(.

quarta-feira, setembro 08, 2010

A sombra.

A sombra que te não seguiu, faz figura de parente pobre. Com razão!, mergulho nela e não tropeço em olhar enevoado, mãos peregrinas, coxas firmes e suplicantes. Mas ficou, adormece e acorda feliz a meu lado, não me pergunta pela sua Peter Pan.
E isso conta, minha querida, isso conta...

segunda-feira, setembro 06, 2010

Para o meu Velho.

Feliz aniversário, querido.

quarta-feira, setembro 01, 2010

O Outono chegou mais cedo.

A primeira semana de Setembro é casa de aniversários. A sombra de minha Mãe partiu, o homem dela nasceu. Por coincidência, nestes dois dias em Lisboa, cada vez que fiz zapping tropecei em gente a perorar sobre o pensamento positivo, incluindo num episódio de Anatomia de Grey! A tristeza tornou-se obscena:(. E para equilibrar a minha, construo uma intuição optimista, politicamente correcta, "socrática" - a sombra de minha Mãe decidiu abrilhantar o aniversário de meu Pai, de quem herdei a absoluta indiferença por tal data, festejo-a pela ternura que a tribo me desperta. Faço as contas e chego a conclusão científica - a viagem até ao paraíso dos amantes demora cinco dias. Chegará para evitar o exílio, numa sociedade que abomina a angústia e a degola à força de pastilhas?

domingo, agosto 29, 2010

A caminho.

Na véspera da estrada o nervoso miudinho faz as malas comigo. A preguiça também... São velhos conhecidos. Como o imponente porteiro do hotel, "prazer em tê-lo connosco outra vez". Do serviço de quartos virá pergunta risonha, "o costume?". Sou um tipo previsível , rotineiro e meticuloso, que dispensaria a ansiedade se pudesse trabalhar sem ela. Não posso, a adrenalina põe-me em guarda e capaz de enfrentar o mais impiedoso dos críticos - o que já saliva dentro de mim. Nunca lhe arranquei uma salva de palmas, já a não espero. Basta-me um quase imperceptível aceno aprovador...

segunda-feira, agosto 23, 2010

The remains of the day ( eu sei, título roubado...).

Tu vais-te embora. E da soberba chuva desse cabelo restam apenas gotas do meu suor. Fatigadas; e contudo escrevendo a mesma pergunta em cada centímetro deste corpo agradecido - quando choverá outra vez?

Há vida para além do campeonato:).

Não contem comigo para desancar o puto de 24 anos e olhar aterrorizado que sofre horrores na baliza do Benfica, ao longo dos anos vi aquela expressão, ele já passeia pelo Inferno sem a minha ajuda:(. Por isso lhe desejo que tenha entrado em casa, feito zapping e tropeçado em O Amor Acontece pela enésima vez. Espero que aprenda mais novo do que eu a não sentir vergonha por curtir um happy end enroscado no sofá. Irra!, valham-nos os filmes:).

sexta-feira, agosto 20, 2010

Sextas.

À Sexta, quando chego a Cantelães, vou jantar à Mindinha. Mas se estiver por aqui de férias, à Sexta... vou à Mindinha:). Muito antes de ensinar Antropologia Médica já me apercebera da importância dos rituais - dão-nos uma sensação inigualável de segurança, pertença, calor humano. É, no meu caso, difícil estabelecer a diferença entre o ritual securizante e a rotina do murcon incorrigível? Concedo sem discussão. Mas não arrisco um milímetro para simular uma flexibilidade que não possuo - invariavelmente regresso a locais e pessoas que me fizeram sentir aconchegado. Por egoísmo enternecido:).

terça-feira, agosto 17, 2010

Bloqueio.

Amarfanhou a página e e ofereceu-a à lareira. As palavras interrogaram-no - doridas; silenciosas; por escrever. Murmurou - "não consigo, prefiro o silêncio a ofender-vos". E elas partiram, em busca de quem conseguisse fazê-las dançar. Ficaram as lágrimas, por definição clandestinas em discurso macho, logo, sem nada a perder. E que não precisam da escrita, apenas da solidão, para verem a luz do dia...

domingo, agosto 15, 2010

Na segunda parte massacrámos, trá-lá-lá..., pardais ao ninho:).

É pá, assim vai ser fácil comentar os jogos do meu Benfica, antes de mais uma insónia pintada de asneiras vermelhas. Jesus disse que não haveria desculpas, o que me facilita a tarefa, limito-me a fazer copy/paste do que opinei sobre o jogo contra o FCP - a exibição foi uma vergonha:(. E escreveria o mesmo em caso de empate ou vitória milagrosa de carambola ao minuto 94, os três pontos não apagariam o que (não) vi, por exemplo, em Peixoto, Sidnei, Cardozo ou Aimar. A jogar assim, o Benfica pode estar afastado da luta pelo título à décima jornada... Engolir o que acabo de escrever? Meninos, se for caso disso, fá-lo-ei deliciado:))))))))).

quinta-feira, agosto 12, 2010

50 anos.

Pois, os Beatles..., esses amigos íntimos que não me conheciam:). No Cabedelo, durante a actuação dos Azeitonas, o João e o Miguel solavam deliciados e o Guilherme - não menos deliciado... - berrava-me ao ouvido - "AC/DC". Também eu ondeava, mas à espera da cereja em cima do bolo. Os breves acordes e a minha vez de inundar a orelha do mais velho - "Beatles, Ticket to Ride". Ele sorriu, compreensivo mas alheio ao ritual, a religião que partilhamos é o Benfica. O caçula, saiba-o ou não - e eu acho que sabe... -, quando lhes toca a música, não se limita a curti-la, com um dos sorrisos enlevados que apenas surgem às cavalitas da guitarra. Também redime o adolescente sem talento que assassinou All my Loving, em dueto com paciente amiga sueca, num palco de Folkestone; o quarentão que se deixou cair no sofá para chorar Lennon; e tantos outros Júlios que viveram ao ritmo deles. Por isso, o alinhamento do reportório dos Azeitonas continuou, imperturbável, mas, clandestino na multidão, um sexagenário cantarolava, não menos imperturbável - "she said that living with me, was bringing her down, yeah...".
Hum, será que o meu péssimo feitio influenciou uma letra dos Beatles?:).

terça-feira, agosto 10, 2010

A caixinha mágica.

Maria,

Comecei as gravações para a televisão. Lembras-te da frase que o meu Pai gostava de citar? - "um bom improviso leva muito tempo a preparar". Já não bastam os holofotes, a maquilhagem, as mãos "amarradas" para não entrarem em planos que não são meus, ainda surgem os barulhos inesperados, as falhas do material, o tempo espremido para uns incríveis quatro minutos que parecem implorar simples chavetas:(. Este O Amor é... nunca será o O Amor é... da rádio, falta-lhe o jejum visual que acarreta a celebração da palavra. Resta o óptimo ambiente da equipa e a boa onda que eu e a Inês continuamos a surfar:). Mas falta a tua opinião, lembras-te do Sexualidades? Os meus velhotes ignoravam, risonhos, qualquer réstia de isenção, mas tu vias, ouvias e criticavas. (Construtivamente, como agora se diz...). A verdade é que acertavas sempre, "Júlio, aceito que estivesses cansado e ansioso pela estrada durante a gravação, mas o programa de ontem foi um bocado preguiçoso...". O teu sorriso - "não que me desagrade imaginar-te ansioso pela estrada!". E eu mentia, dizendo que já estava a caminho do hotel e pendurava-me na tua campainha a horas de sair em busca de pão quente, mas na esperança de matar larica e frio no calor dos teus braços.

sábado, agosto 07, 2010

Perder é sempre uma hipótese...

... mas de pois desta exibição aos níveis anímico, técnico, táctico e disciplinar... é uma vergonha!

sexta-feira, agosto 06, 2010

O Credo e o sorriso na boca.

Cantelães dormita, aconchegada no vale. Mas para lá dos montes o fumo espreita, parece divertir-se a mudar de localização e rumo, vejo as crianças na piscina com um sorriso enternecido e cercado... Ontem os castelos de nuvens negras eram impressionantes e teimosos, o vento não pressagiava nada de bom. Telefonema para a D.Irene,´"é perto?". E a surpresa quase ofendida, "se fosse perto já estava aí". É verdade, ela e o marido combateram o fogo a poucos metros da casa há um par de anos, enquanto esperavam os bombeiros. De arbustos em punho chicotearam a besta, mas não esconderam a crueza dos factos - "se o vento soprasse ao contrário...".
Cantelães é um Paraíso ameaçado pelas chamas. E não são as do Inferno...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Reconfortante.

Um bom artigo no Público do Juiz Desembargador Narciso Machado sobre o Vaticano e o sacerdócio da mulher. Gostei sobretudo do entrelaçar de uma cultura de igualdade actual e da vertente histórica, que, apoiada nos textos sagrados, indubitavelmente prova o importante papel das mulheres nas primeiras comunidades cristãs. E para além da morte e ressurreição de Jesus, a Sua vida, claro! Com elas privou e falou, escutando-lhes e até aceitando os argumentos, como no episódio da mulher cananeia. Naquele banho cultural era em absoluto revolucionário... Por isso me entristece que tantas passagens da Bíblia sejam hoje apresentadas em função do contexto histórico e no que às mulheres diz respeito ele desapareça e a eterna ladainha dos apóstolos homens assuma o estatuto de Verdade imune a tempo e espaço. Trata-se de uma mistificação urdida por homens que citam S. Paulo, mas reservam o "não há homem nem mulher..." para consumo externo. Santa Teresa de Ávila tinha razão quando sotto voce exprimia ao Senhor o seu desencanto face à gritante desigualdade entre os sexos:(.