quinta-feira, outubro 28, 2010

Londres.

Maria,

Pousar em Heathrow e correr para tua casa num desses magníficos táxis britânicos. A bonomia - paga... - do condutor perante capricho habitual, "vamos por Abbey Road". A célebre passadeira, a tua peregrinação divertida e o feitiozinho autoritário, "atravessa e eu fotografo, pôes o poster no teu quarto". Lá me esperava ao deitar, via os marotos enquanto me imaginava a sacudir o teu ferrolho, esse rosto menineiro encantado, a private joke, "um momento, vou atirar o outro pela janela". O sofá. Tu instalada no meu colo, "conta". Muitas palavras e outros tantos silêncios cúmplices depois a tua cama de solteira, "se me visitares mais vezes compro uma de casal". Para quê, doce?, metade amanheceria virgem...
Era assim. E agora, essa delicada confiança no meu instinto, "mudei de apartamento". Evidentemente, nunca sujeitarias um novo amor ao peso da minha sombra. Acredita, ele agradece. E eu compreendo. Let it be...

terça-feira, outubro 26, 2010

Circular.

O O Amor é... já está disponível na net. Basta entrar no site da RTP, avançar para os multimédia e desaguar na RTPN, lista dos programas. E antes do fim das conversações PS/PSD:).

segunda-feira, outubro 25, 2010

Boa noite.

Fim-de-semana em Baião, a convite da Sociedade Portuguesa de Psicodrama. Pretexto? A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. A satisfação de trabalhar com velhos amigos, mas sobretudo o enlevo por receber o abraço de antigos alunos e colaboradores ou de simples companheiros de viagem nas minhas tropelias radiofónicas. Há mais de vinte anos que sou um privilegiado, conto pelos (meus) dedos os casos de agressividade ou ingratidão.

Testamento vital na RTP1. As consequências devastadoras de uma Sociedade em geral ter "roubado" a morte à vida - de que é parte integrante... - e de a Medicina a sentir como uma derrota humilhante e ignorar que a prática clínica começa e termina - OBRIGATORIAMENTE! - numa relação médico-doente baseada no escrupuloso respeito por dois Sujeitos.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Estou a precisar de gotinhas:(.

Ontem, ao ouvir Jesus sobre a exibição do Benfica, lembrei-me dos discursos do Engenheiro Sócrates acerca do país. E pensei: eles vêem mundos que eu não vejo, mas são dois! Logo..., vai ao psiquiatra, Júlio.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Não deviam ser necessárias petições...

Exma/os Senhora/es: Ministra da Educação, Dra. Isabel Alçada Ministro de Estado e das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, Dr. António José Seguro

Actualmente existe um consenso generalizado na União Europeia quanto ao impacto positivo dos psicólogos no contexto escolar, nomeadamente nas seguintes áreas de acção/intervenção: - saúde mental global da comunidade educativa; - efectiva educação para a saúde; - melhoria das aprendizagens; - prevenção do abandono, da insegurança e da indisciplina; - gestão de conflitos entre pares, entre alunos e professores e entre diversos agentes educativos; - promoção de competências transversais; - processo de tomada de decisão vocacional; - integração de alunos com necessidades educativas especiais e melhoria das suas aprendizagens; - integração de minorias étnicas e melhoria das suas aprendizagens; - promoção da igualdade de género; - aproximação dos encarregados de educação à escola; - melhoria da saúde mental dos professores; - formação do pessoal docente e não docente. Estes ganhos traduzem-se em menor abandono e absentismo escolares, menor número de retenções, aumento qualitativo de resultados, menos processos disciplinares, menor absentismo docente, maior comunicação com os serviços de saúde e de apoio social, maior sinergia de recursos (logo, menores gastos), menor indecisão vocacional (logo, menores transferências/ abandono nos cursos de secundário/ profissionais), mais e melhor saúde sexual e reprodutiva, menor consumo de substâncias psicotrópicas, maior participação dos diversos agentes educativos (logo, maior celeridade na resolução dos problemas), melhor preparação e adequação aos modelos de aprendizagem ao longo da vida e, logo, maior produtividade. Em Portugal, os psicólogos a trabalhar no contexto escolar têm, nos últimos anos, constituído vínculo profissional precário e sem possibilidade de carreira. Além disso, a existência de Serviços de Psicologia efectivos nas escolas é ainda (e cada vez mais) uma realidade distante no nosso país, inviabilizando ou constrangendo desde logo a consecução dos ganhos referidos. Deste modo, vimos requerer a Vossas Excelências que, no âmbito das vossas funções, promovam a contratação efectiva e digna de psicólogos para trabalhar no contexto escolar, de modo a que todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas do país possam brevemente ter em funcionamento os seus Serviços de Psicologia.

O casaco.

O Pierre tinha um casaco dos marines. E eu, pacifista por convicção e receio, adorava-o. Entretanto o Pierre comia e deixou de caber nele. Herdei-o. O cancro do pulmão roubou-me o amigo e foi a minha vez de engordar. O João herdou o casaco e vi-o partir com ambivalência - satisfeito por o ver no rapaz, triste por deixar de lhe sentir o calor, que me lembrava o da amizade. Em Londres vi um - demasiado grande, eu emagrecera... Quase fiquei com ele, só para o ter no armário, odiei-me por ouvir a razão. Em Amesterdão entrei loja dentro, decidido a comprar até um XL! O Senhor e o Acaso perceberam e entregaram-me um do tamanho certo. O frio chegou. Vesti o casaco. Lá em cima o Pierre sorriu, meneando a cabeça, e murmurou - "aquele eterno pateta...".
... Recorda-o todos os dias.


P.S. Asseguram-me que em breve o O Amor é... da RTPN estará disponível em podcast (?).

sábado, outubro 16, 2010

Definitivamente sexagenário:).

Gente,

Grato pela lembrança de alguns, mas não lamentem a ausência de "festa" no blog. Admito que encaro hoje os aniversários com um franzir de sobrolho, pela contagem decrescente que traduzem, mas nunca os vivi como dias "privilegiados". Por isso vos agradeço o espreitar quotidiano, os diálogos que mantêm, a crítica e o apoio episódicos. Há muito que o Murcon deixou de ser novidade ou moda, mas sobrevive. Como o amor tranquilo que sucede à paixão turbulenta...

terça-feira, outubro 12, 2010

A boa gente que me adoptou.

Em verdade vos digo, a luta dos vieirenses pelo SAP é justa. Não sou dos que vivem mais longe!..., e se me dá um treco em Cantelães chego à Urgência de Braga pronto para vestir um sobretudo de madeira:(.

sábado, outubro 09, 2010

Aniversário.

O velho Lennon faria 70 anos. Imagine o que teria composto:).

terça-feira, outubro 05, 2010

5 de Outubro.

Aniversário de minha Mãe. Quando era puto, meu Pai declarava, solene: "Veja, feriado nacional em honra da Senhora sua Mãe". E o amor feroz e ingénuo que em criança por Ela tinha, fazia da marota brincadeira a verdade mais granítica que o não menos granítico Porto já presenciara. O afecto não diminuiu, apenas os adjectivos que o escoltam - a vida apontou os holofotes sobre "culpado" e "saudoso". E a velhice, que me namora antes do que desejaria, justiça lhe seja feita...: poupa - afaga mesmo! -, a teimosia infantil que cá dentro sobrevive, para implantar a República, os revoltosos escolheram, como prova de carinho e admiração, o Dia de minha Mãe:).

quarta-feira, setembro 29, 2010

O princípio da realidade.

Hoje, Sócrates e Jesus visitaram o planeta Terra. Presumo que antes da meia-noite Woody Allen emita um comunicado em que reconheça ter filmado com Carla Bruni por luxúria e não por ela saber representar:).

sexta-feira, setembro 24, 2010

Ensanduichado.

De um lado a gravitas de Cavaco; do outro a ladainha vitimizada de Sócrates. Passos Coelho vai estrebuchar, mas - passo a passo!:) - acabará por se refugiar na sua lura. A bem do país...

Lua cheia em Cantelães. Fim do Verão, para onde fugiram as gargalhadas juvenis? Quantas me serão ainda concedidas?

quarta-feira, setembro 22, 2010

Circular informativa.

A RTPN informou-me ontem que a versão televisiva de O Amor é... arrancará a 4 de Outubro. Quase literalmente a bem da República:).

domingo, setembro 19, 2010

À moda antiga, carago:).

Maria,

Os rapazes reviveram o passado. Não em Brideshead, na Luz, e eu vou dormir melhor:). Tomei uma das decisões importantes que estavam na sala de espera. É tão estranho fazê-lo sem a asa da tua opinião...

terça-feira, setembro 14, 2010

Boa noite, maralhal.

O Guilherme veio arriscar comigo nova barraca do Benfica. E de repente o temido desgosto adicional empalideceu. Ele pediu o inevitável sushi, eu o surpreendente (?:)) bife grelhado, abrimos uma garrafa de vinho, só faltava o João para me sentir de regresso à adolescência deles, que tiveram a suprema gentileza de a viver à distância de uma carícia paterna. Depois foi vê-lo escolher livros e discos, "posso?". Pergunta retórica, sempre amei através das coisas, na esperança que ao encantarem os outros lhes segredassem as palavras que o freio de razão e timidez mantinham, gulosas, no meu coração. Prestei pouca atenção ao jogo, a estritamente necessária para simpatizar com o árbitro e piscar o olho ao miúdo aterrorizado que nos defende a baliza. De resto, gozei-lhe a companhia. Brindámos à vitória fora de horas do seu irmão adoptivo, Rafael Nadal. Os meus filhos sempre encararam com bonomia tais dislates afectivos do pai. Primeiro foi Pete Sampras, que vi chorar em pleno court, rapazito surpreendido pelo cancro que em breve lhe mataria treinador e amigo. Adoptei-o para a vida, como entendia o receio da perda de uma figura parental:(. Com esta mania de se jogar ténis ao abrigo de outros fusos horários, lembro-me de fazer noitadas para lhe seguir os jogos, eu gritava "sim!" e os rapazes dizam aos amigos "o Sampras ganhou". Seria incapaz de o esquecer ou substituir, mas Nadal foi o herdeiro, o preguiçoso inseguro dentro de mim rende-se, fascinado, à genica escondida por trás daquele sorriso tímido e humilde, o rapaz resistiu ao apelo dos holofotes e permanece fiel às raízes. Eu e o Guilherme recordámos jogadas, o fair play de Djokovic, fizemos planos para o "nosso" futuro. Entretanto o Benfica ganhou - não poderemos jogar o campeonato israelita? - e de um dos livros que me pediu emprestados caiu uma carta destinada a minha santa Mãe, que passava férias... em Maiorca, muito antes de Nadal nascer:))))). Li-me sem surpresa. Ia entrar na Universidade, confessava à matriarca o pânico de a envergonhar e a meu Pai. Passei a vida com medo, no meio da ponte - de um lado os Velhos, do outro os rapazes, a quem não desiludi? O Guilherme foi-se embora, depois de um abraço amigo entre dois homens, por acaso unidos pelo sangue. E eu, sozinho, fitei o corredor sombrio e sorri pelos fantasmas que nele passeiam - fraternos uns, sensuais outros, a solidão nada pode contra mim. Muito menos se dou corda à caixa de música de minha Mãe e me quedo, enternecido, perante o aprumo da bailarina que roda sobre o pano de fundo espelhado. Há gente que jamais permitirá que mergulhe em vale de lençóis a solo, regaços que não me deixam, por sempre alucinados:).

sexta-feira, setembro 10, 2010

Na paz de Cantelães.

O Benfica perdeu hoje o campeonato. Embora não surpreendido, devo aos murcónicos um pedido de desculpas - previ que tal pudesse acontecer à décima jornada, errei por mais de cinquenta por cento! Significa isto que branqueio a arbitragem de Olegário Benquerença y sus muchachos? De modo algum!, bastará dizer que excederam as minhas (piores) expectativas:(. Mas o facto de Jorge Jesus ter repetido que somos os melhores - como antes da final da supertaça... - e as justas queixas de Rui Costa e Luís Filipe Vieira não anulam a triste realidade: o Benfica é uma sombra do que foi o ano passado. Por circunstâncias que nos escaparam, mas também por desleixo na manutenção do nível da equipa e arrogância, tenho a desagradável impressão de que apenas chegaram investimentos para o futuro - Domingo aterra mais um... - e não reforços para o presente:(. Como se explica que Balboa tenha tido uma oportunidade e Urreta não? Ninguém previu a saída de Ramires? A um outro nível - alguém alertou LFV para o assalto ao poder na Liga ou pura e simplesmente ele ignorou os avisos? E, por favor!, não venham com a ladainha dos tiros no pé por fazer perguntas e exprimir perplexidades, hoje espera-me a insónia do costume, os meus meninos perderam. Por culpa própria e de um senhor que brilha nas competições europeias desde que uma das equipas não seja comandada por José Mourinho, mas não só - esta época foi mal planificada e tal não podia acontecer. Porque LFV tem razão - as grandes equipas não se limitam a ganhar um campeonato de vez em quando:(.

quarta-feira, setembro 08, 2010

A sombra.

A sombra que te não seguiu, faz figura de parente pobre. Com razão!, mergulho nela e não tropeço em olhar enevoado, mãos peregrinas, coxas firmes e suplicantes. Mas ficou, adormece e acorda feliz a meu lado, não me pergunta pela sua Peter Pan.
E isso conta, minha querida, isso conta...

segunda-feira, setembro 06, 2010

Para o meu Velho.

Feliz aniversário, querido.

quarta-feira, setembro 01, 2010

O Outono chegou mais cedo.

A primeira semana de Setembro é casa de aniversários. A sombra de minha Mãe partiu, o homem dela nasceu. Por coincidência, nestes dois dias em Lisboa, cada vez que fiz zapping tropecei em gente a perorar sobre o pensamento positivo, incluindo num episódio de Anatomia de Grey! A tristeza tornou-se obscena:(. E para equilibrar a minha, construo uma intuição optimista, politicamente correcta, "socrática" - a sombra de minha Mãe decidiu abrilhantar o aniversário de meu Pai, de quem herdei a absoluta indiferença por tal data, festejo-a pela ternura que a tribo me desperta. Faço as contas e chego a conclusão científica - a viagem até ao paraíso dos amantes demora cinco dias. Chegará para evitar o exílio, numa sociedade que abomina a angústia e a degola à força de pastilhas?

domingo, agosto 29, 2010

A caminho.

Na véspera da estrada o nervoso miudinho faz as malas comigo. A preguiça também... São velhos conhecidos. Como o imponente porteiro do hotel, "prazer em tê-lo connosco outra vez". Do serviço de quartos virá pergunta risonha, "o costume?". Sou um tipo previsível , rotineiro e meticuloso, que dispensaria a ansiedade se pudesse trabalhar sem ela. Não posso, a adrenalina põe-me em guarda e capaz de enfrentar o mais impiedoso dos críticos - o que já saliva dentro de mim. Nunca lhe arranquei uma salva de palmas, já a não espero. Basta-me um quase imperceptível aceno aprovador...