...Em meados do ano passado tive um sonho. Era a continuação, eu e ele estávamos a acabar a bancada da oficina. As mãos dele eram mesmo as mãos dele, fortes, morenas, dedos compridos e nas palmas as linhas eram fundas. Nesse dia acordei com a ideia de acabar a bancada. Estava decidido o meu novo projecto: resolver o antigo. Fui comprando material, tomadas, parafusos, dobradiças.. Nas férias grandes construí a bancada, pintei-a com uma tinta de epoxy, organizei as ferramentas, pintei o tecto e as paredes, instalei umas luzes novas. No fim faltava o torno, igual ao dele que eu parti com uma investida de marreta enquanto me armava em serralheiro. Talvez um dia compre, quando estiver mais folgado. Acho que ele ia gostar do resultado final, no entanto só lhe ia sacar um "Tiveste bem, moço!" :)
Thora.
domingo, dezembro 26, 2010
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Ritual privado.
Meu Pai desespera com os noticiários fotocopiados. Solta o olhar pelos livros em exagerada liberdade e vacila entre o alívio de os notar gastos e a desaprovação pela falta de compostura. Vence o primeiro, "há que ler, há que ler", nele a frase não abriga réstia do spleen de Jacinto, traduz uma filosofia de vida.
Minha Mãe guarda-o, campânula que sem esforço renova oxigénio e carinho, "tens frio? Vou-te buscar a manta." A Michelle não a larga por um momento, desafia-a com o mesmo empenho que a faz descrever círculo gordo para lhe evitar o marido, desde o primeiro dia farejou a reticência do medo sem esperança de ponto final.
A Avó Sorgue desceu à Ribeiro, menos por guloseima do que pela baixa perigosa dos níveis de contacto humano, regressa de lá com novas amizades e um aceno aprovador para as convicções políticas do Senhor Álvaro, "o teu Avô já dizia o mesmo, isto precisa de uma grande volta". No fundo não acredita na raça diletante dos intelectuais, cala o diagnóstico por amor à filha, mas cita-a com volúpia, "tu e o teu Pai só servem para estudar".
O Pierre vocifera no outro extremo do arco político, embora neste momento o faça ao telefone, jura que não baixa um cêntimo ao preço enquanto os olhos nórdicos riem a bandeiras despregadas, a margem de lucro deve ser obscena. Do outro lado a voz não paga para ver o bluff, mas sim para lhe engordar a conta bancária, desliga e resmunga contra o frio, "Júlio, vens quinze dias para o anexo do jardim e eu arranjo quem transforme esta pocilga num arremedo de casa, irra!, já é masoquismo". Reprova aos intelectuais não saberem ganhar dinheiro e gozar a vida, mas não os mete todos no mesmo saco, "pelo menos o teu Pai respira classe". O querido maroto não resiste a picar-me...
O Zé Gabriel cerra o punho deliciado, a avaria do meu leitor de CDs rende-se com orgulho ao mestre do som. De imediato lança mãos à obra, a sala é invadida por ritmos dolentes e sinuosos, órfãos de corpos enlaçados que lhes façam as honras, ondula ele sozinho, é de olhos semi-cerrados que me lança aviso tantas vezes repetido, "não vá a África, doutor, garanto que não volta".
O relógio força-me a abandonar o regaço das nítidas sombras, em questões de memória Natal é mesmo quando um homem quer - e até quando não quer! -, estarão aqui amanhã, "tenho de ir...". Meu Pai e dialecto esquecido, "dê um beijo aos petizes, diga-lhes que as saudades doem"; minha Avó e a psicopatia amorosa, "não podes dizer que estás doente e ficar connosco?"; o Pierre e a amizade pragmática, "que não se metam em aventuras, o dinheirinho longe da Bolsa"; o Zé e o eterno amor, "uma boa colecção de jazz na FNAC e nada cara"; minha Mãe oferecendo a asa livre, "estás agasalhado?".
E aproveitando a quadra eu retenho-a com desculpa de armistício de cores entre jeans e camisola, a pergunta a medo que já desagua no terror, "estou perdoado?". Aqueles imensos lagos verdes, por natureza avessos à mentira, cravados nos meus, "não, mil vezes não, tinhas o dever de pôr fim aquele horror". Os dedos afloram-me o rosto, "rega as plantas, amo-te muito".
Michelle seca esta lágrima que exige irmãs em altos berros e também mergulha no fundo de mim.
O único ainda escravo do ranger de portas...
Minha Mãe guarda-o, campânula que sem esforço renova oxigénio e carinho, "tens frio? Vou-te buscar a manta." A Michelle não a larga por um momento, desafia-a com o mesmo empenho que a faz descrever círculo gordo para lhe evitar o marido, desde o primeiro dia farejou a reticência do medo sem esperança de ponto final.
A Avó Sorgue desceu à Ribeiro, menos por guloseima do que pela baixa perigosa dos níveis de contacto humano, regressa de lá com novas amizades e um aceno aprovador para as convicções políticas do Senhor Álvaro, "o teu Avô já dizia o mesmo, isto precisa de uma grande volta". No fundo não acredita na raça diletante dos intelectuais, cala o diagnóstico por amor à filha, mas cita-a com volúpia, "tu e o teu Pai só servem para estudar".
O Pierre vocifera no outro extremo do arco político, embora neste momento o faça ao telefone, jura que não baixa um cêntimo ao preço enquanto os olhos nórdicos riem a bandeiras despregadas, a margem de lucro deve ser obscena. Do outro lado a voz não paga para ver o bluff, mas sim para lhe engordar a conta bancária, desliga e resmunga contra o frio, "Júlio, vens quinze dias para o anexo do jardim e eu arranjo quem transforme esta pocilga num arremedo de casa, irra!, já é masoquismo". Reprova aos intelectuais não saberem ganhar dinheiro e gozar a vida, mas não os mete todos no mesmo saco, "pelo menos o teu Pai respira classe". O querido maroto não resiste a picar-me...
O Zé Gabriel cerra o punho deliciado, a avaria do meu leitor de CDs rende-se com orgulho ao mestre do som. De imediato lança mãos à obra, a sala é invadida por ritmos dolentes e sinuosos, órfãos de corpos enlaçados que lhes façam as honras, ondula ele sozinho, é de olhos semi-cerrados que me lança aviso tantas vezes repetido, "não vá a África, doutor, garanto que não volta".
O relógio força-me a abandonar o regaço das nítidas sombras, em questões de memória Natal é mesmo quando um homem quer - e até quando não quer! -, estarão aqui amanhã, "tenho de ir...". Meu Pai e dialecto esquecido, "dê um beijo aos petizes, diga-lhes que as saudades doem"; minha Avó e a psicopatia amorosa, "não podes dizer que estás doente e ficar connosco?"; o Pierre e a amizade pragmática, "que não se metam em aventuras, o dinheirinho longe da Bolsa"; o Zé e o eterno amor, "uma boa colecção de jazz na FNAC e nada cara"; minha Mãe oferecendo a asa livre, "estás agasalhado?".
E aproveitando a quadra eu retenho-a com desculpa de armistício de cores entre jeans e camisola, a pergunta a medo que já desagua no terror, "estou perdoado?". Aqueles imensos lagos verdes, por natureza avessos à mentira, cravados nos meus, "não, mil vezes não, tinhas o dever de pôr fim aquele horror". Os dedos afloram-me o rosto, "rega as plantas, amo-te muito".
Michelle seca esta lágrima que exige irmãs em altos berros e também mergulha no fundo de mim.
O único ainda escravo do ranger de portas...
quinta-feira, dezembro 23, 2010
O reverso da medalha.
Um amigo triste depois de um jantar alegre. Porque não acredito no clássico "ano novo, vida nova"? Talvez por o conhecer bem demais:(.
domingo, dezembro 19, 2010
Cuidado com as generalizações:).
"Eu tinha 20 anos. Não consentirei que ninguém diga que é a idade mais bela da vida". Paul Nizan.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Ontem à noite...
... fui ver o caçula tocar com Os Azeitonas no Sá da Bandeira. Que tantas vezes demandei com minha Mãe, ansiosa por reencontrar os amados companheiros de cena, à qual fora subtraída pela paixão por e de meu Pai. Mas antes abanquei no Buraco, o senhor Manuel fizera empadão e trouxas de batata em honra deste Machado Vaz fugidio, mas nunca ingrato. Acabara de cumprimentar os anfitriões e já pulava da mesa para abraçar o Alexandre Alves Costa. Sentei-me e novo pulo, era o Sérgio Fernandes. Chegaram as trouxas, de oito sobravam seis, o Alexandre invocara uma ida tormentosa ao dentista para roubar duas em trânsito! Os sms com o Rui Veloso, "depois do espectáculo...". Que começou com um atraso finérrimo e de mau agoiro, a dor de cabeça de hoje perfilava-se no horizonte. Não fosse eu o ouvido mais duro da cidade e do clube de fãs e já estaria pronto a substituir qualquer um dos Azeitonas (com excepção da garota coleante...). O João e o sorriso enlevado que apenas adivinho nestas circunstâncias. O Rui, sempre solidário, a curtir uma jam session com os seus protégés. E no fim a invasão pacífica do palco, naquela multidão um andar que afiançam jovem e elástico, mas - tirando isso...:( - igual ao meu, ali estava o Guilherme em dueto com o irmão, fazendo uma perninha na percussão. Foi uma delícia vê-los assim:). Quarenta anos depois da primeira aula teórica, ainda não me convenci que passei dois terços da vida em palco, maravilho-me com quem dá prazer ao público e com ele o partilha. E voltei para casa agradecido por outra razão - à entrada caíra nos braços do Carlos Prata, cúmplice de meio-século, e ao ensonado pedido de desculpas o Rui respondeu "fica para a próxima, pá". Não sou apenas o Pai babado de dois tipos encantadores e talentosos; tenho amigos que os podem guiar nas suas áreas profissionais, gostar deles por eles!, mas também por serem filhos de um compincha. Cuidá-los, se, antes do que gostaria, encontrar nalguma esquina a old laughing lady do velho Neil Young. A quem - noblesse oblige... - brindaria com um sorriso amarelo, antes de perguntar - "miúda, quem és tu?":).
domingo, dezembro 12, 2010
Acho injusto, com esta crise o que não faltam é portugueses tesos:(.
Sócrates visto como um "líder teso"
por Dn.ptHoje
A Embaixada dos EUA em Lisboa descreve Sócrates como um político carismático, que é "pragmaticamente eficaz" e um "líder teso", que resiste a tomar medidas que possam parecer uma cedência à pressão da opinião pública.
Os diplomatas americanos, segundo o telegrama com data de Setembro de 2007 e que foi divulgado pelo 'El País', agradecem ao Primeiro-Ministro português ter "permitido aos EUA usar a base das Lajes nos Açores para repatriar detidos de Guantánamo", "uma decisão difícil que nunca foi tornada pública".
por Dn.ptHoje
A Embaixada dos EUA em Lisboa descreve Sócrates como um político carismático, que é "pragmaticamente eficaz" e um "líder teso", que resiste a tomar medidas que possam parecer uma cedência à pressão da opinião pública.
Os diplomatas americanos, segundo o telegrama com data de Setembro de 2007 e que foi divulgado pelo 'El País', agradecem ao Primeiro-Ministro português ter "permitido aos EUA usar a base das Lajes nos Açores para repatriar detidos de Guantánamo", "uma decisão difícil que nunca foi tornada pública".
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Estamos salvos, uf:).
Senhor,
Poupaste-me às pragas por não considerar a luta ao défice equitativamente distribuída e debicar as revelações da WikiLeaks sobre a transparente Democracia global. Mil obrigados, receava sobretudo moscas e piolhos:(, nhac... Mas Tu foste mais longe, à ausência de punição juntaste uma benesse caída dos Céus, verdadeira dica para o futuro. Entendi-Te - o fim da crise para os portugueses virá pela mão do "metal" angolano!
Poupaste-me às pragas por não considerar a luta ao défice equitativamente distribuída e debicar as revelações da WikiLeaks sobre a transparente Democracia global. Mil obrigados, receava sobretudo moscas e piolhos:(, nhac... Mas Tu foste mais longe, à ausência de punição juntaste uma benesse caída dos Céus, verdadeira dica para o futuro. Entendi-Te - o fim da crise para os portugueses virá pela mão do "metal" angolano!
sexta-feira, dezembro 03, 2010
O frio lá fora (?).
Maria,
Um frio de rachar. Mantê-lo fora não é simples, ronda-me, o patife!, apaixonado pela humidade que sente na casa, pudesse eu e atirava-lha das ameias com uma asma alérgica de brinde. A ladainha da Avó Sorgue: "fechem portas e janelas...". O medo que nunca lhe confessei e me punha holofotes no cérebro, a insónia também envelheceu, agora adormeço bem e acordo de madrugada:(. Deixemos isso para mais logo, shall we, darling? Verifico as persianas em busca de abraço menos entusiasta de algum par de ripas, tudo acima, mergulho abaixo, ou as uno ou encravo a geringonça, será isto viver perigosamente para um pequeno-burguês tripeiro?
A tua voz no corredor - "abre-a". O maroto a esfregar as mãos de antecipada alegria, eu a soprar na janela e a escrever, "a persiana, mafarrico". Tudo acima devagar, não por cuidado, por gozo de Tântalo. A porta do quarto abrindo alas. E esse corpo que jamais deixavas cair na esparrela da nudez apressada, eu agradecia, despir-te era um ritual improvável entre o cambaleio dos meus dedos e a firmeza que os esperava por baixo de saia e blusa. A luz da noite e das girafas metálicas do jardim ignorando-me, e com razão!, o mundo a convergir para o centro do mundo - tu. Por incrível que pareça, quando chegava eu, sacudiras o pó das estrelas e a lama da Terra, nada mais existia, "vem".
Maria, porque está mudo o corredor e enregelado o meu sentir?
Um frio de rachar. Mantê-lo fora não é simples, ronda-me, o patife!, apaixonado pela humidade que sente na casa, pudesse eu e atirava-lha das ameias com uma asma alérgica de brinde. A ladainha da Avó Sorgue: "fechem portas e janelas...". O medo que nunca lhe confessei e me punha holofotes no cérebro, a insónia também envelheceu, agora adormeço bem e acordo de madrugada:(. Deixemos isso para mais logo, shall we, darling? Verifico as persianas em busca de abraço menos entusiasta de algum par de ripas, tudo acima, mergulho abaixo, ou as uno ou encravo a geringonça, será isto viver perigosamente para um pequeno-burguês tripeiro?
A tua voz no corredor - "abre-a". O maroto a esfregar as mãos de antecipada alegria, eu a soprar na janela e a escrever, "a persiana, mafarrico". Tudo acima devagar, não por cuidado, por gozo de Tântalo. A porta do quarto abrindo alas. E esse corpo que jamais deixavas cair na esparrela da nudez apressada, eu agradecia, despir-te era um ritual improvável entre o cambaleio dos meus dedos e a firmeza que os esperava por baixo de saia e blusa. A luz da noite e das girafas metálicas do jardim ignorando-me, e com razão!, o mundo a convergir para o centro do mundo - tu. Por incrível que pareça, quando chegava eu, sacudiras o pó das estrelas e a lama da Terra, nada mais existia, "vem".
Maria, porque está mudo o corredor e enregelado o meu sentir?
segunda-feira, novembro 29, 2010
Já escrevi metáforas piores:).
A distância é piedosamente enganadora - faz-nos crer que amamos as pessoas e não apenas o amor que tecemos à volta delas. Como a pérola, abraçada ao corpo estranho que a encanta e ameaça. Beleza prisioneira de concha própria...
domingo, novembro 28, 2010
Ao espelho.
Maria,
O meu Velho, dizia, quando ainda navegava a todo o pano, que a velhice era um naufrágio. Sempre encarei a frase num registo individual - os anos desgastariam "este barco" a nível mental e físico. Puro engano, o afundar dos outros deixa-me o travo amargo da impotência em boca e espírito - sou um patriarca malgré moi e ineficaz:(.
O meu Velho, dizia, quando ainda navegava a todo o pano, que a velhice era um naufrágio. Sempre encarei a frase num registo individual - os anos desgastariam "este barco" a nível mental e físico. Puro engano, o afundar dos outros deixa-me o travo amargo da impotência em boca e espírito - sou um patriarca malgré moi e ineficaz:(.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Anselmo Braamcamp.
Maria,
O João vive agora a duzentos metros da casa em que nasci. Passei por ela ao deixá-lo. Talvez seja bom haver um Machado Vaz nas redondezas que a pode olhar sem os fantasmas acoitados dentro de mim. E cirandar à sua volta, fazê-la sentir-se admirada; rejuvenescida; importante. "O resto é silêncio...".
O João vive agora a duzentos metros da casa em que nasci. Passei por ela ao deixá-lo. Talvez seja bom haver um Machado Vaz nas redondezas que a pode olhar sem os fantasmas acoitados dentro de mim. E cirandar à sua volta, fazê-la sentir-se admirada; rejuvenescida; importante. "O resto é silêncio...".
quarta-feira, novembro 24, 2010
Espírito natalício.
Como já devem ter notado, o Benfica dá prendas a todos os necessitados. Qualquer equipa que esteja em crise, desmoralizada, de rastos, desabrocha contra nós. Por isso, pensamento positivo!:): se jogássemos contra palestinianos tínhamos levado seis...
P.S. Agora a sério: o grave é escutar as declarações de Jesus, que não tenciono crucificar - o homem não percebeu nada do que se passou:(. E quando bons amigos meus dizem que merecíamos ter goleado, sinto um arrepio na espinha, porque com racionalizações destas vem aí outro largo período de jejum...
P.S. Agora a sério: o grave é escutar as declarações de Jesus, que não tenciono crucificar - o homem não percebeu nada do que se passou:(. E quando bons amigos meus dizem que merecíamos ter goleado, sinto um arrepio na espinha, porque com racionalizações destas vem aí outro largo período de jejum...
terça-feira, novembro 23, 2010
O presente.
Maria,
Obrigado pelo disco. Já a "ordem", mesmo risonha, ofende saudade e inteligência - claro que vou dançar com a tua sombra!, porque raio me presentearias com slows?:).
Obrigado pelo disco. Já a "ordem", mesmo risonha, ofende saudade e inteligência - claro que vou dançar com a tua sombra!, porque raio me presentearias com slows?:).
domingo, novembro 21, 2010
Chamavam-lhe Caroline.
Maria,
Um filmezito de Domingo à noite sobre as rádios piratas dos anos sessenta. Um puto a sair de Charing Cross, a voz de Macca, Frère Jacques em pano de fundo, Paperback Writer:)))))). O rock, meu doce, já namorado em Portugal, irrompia na minha vida para não mais a deixar. E agora, sexagenário, estou grato por quase cinquenta anos de companhia fiel, os discos sorriem-me da estante. E mandam-te um beijo saudoso de boa noite.
Um filmezito de Domingo à noite sobre as rádios piratas dos anos sessenta. Um puto a sair de Charing Cross, a voz de Macca, Frère Jacques em pano de fundo, Paperback Writer:)))))). O rock, meu doce, já namorado em Portugal, irrompia na minha vida para não mais a deixar. E agora, sexagenário, estou grato por quase cinquenta anos de companhia fiel, os discos sorriem-me da estante. E mandam-te um beijo saudoso de boa noite.
quarta-feira, novembro 17, 2010
E eu ia lá estragar o dia a pessoa tão gentil?
Tratado com muito carinho em Lisboa. Mas ninguém me aqueceu a alma como o responsável da cantina da Faculdade de Letras. Que não só ouvia o programa!, também se declarou - a súplica minha... - em absoluto ofendido se eu não provasse o arroz doce:).
quinta-feira, novembro 11, 2010
Continuando...
Estou de acordo, há por aí muita "coragem" que não passa de inconsciência. Ou fuga para a frente!, alguns heróis de guerra assim o fizeram e ai de quem se lhes atravessou no caminho... O medo é um mecanismo adaptativo eficaz. Idealmente deveríamos determinar se é justificado ou não e agir em conformidade, mas essa avaliação depende das narrativas de vida individuais e possíveis factores biológicos. É preciso suportá-lo e à girândola de sintomas neuro-vegetativos que por vezes o acompanham. Mais do que vencê-lo, aprender a viver com ele, sem deixar que nos paralise.
Mas falar e escrever é fácil:).
Mas falar e escrever é fácil:).
Perplexidade.
Maria,
O medo não passa de uma dolorosa celebração da vida. Porque raio não ajuda e basta sabê-lo?
O medo não passa de uma dolorosa celebração da vida. Porque raio não ajuda e basta sabê-lo?
domingo, novembro 07, 2010
Andebol: Benfica 31 - Porto 30! Futebol???? Que desporto é esse?:).
Agora a sério - um abraço de parabéns aos murcónicos portistas, pela vitória de hoje e pelo campeonato que merecidamente vão ganhar. Aos benfiquistas sugiro que não fiquem hipnotizados pela humilhação desta noite ou se refugiem nas inovações tácticas de Jesus, a fazerem lembrar - pelo menos em termos de resultado:) - as que Jesualdo Ferreira guardava na manga para as visitas a Inglaterra. A dimensão do resultado não pode fazer esquecer que uma derrota no Dragão nunca espanta. Grave é chegar lá à décima jornada com sete pontos de atraso, tendo ganho ao Sporting e ao Braga; grave é em termos de intensidade de jogo esta equipa se assemelhar a uma versão geriátrica da do ano passado; grave é ter a sensação que o treinador desceu à Terra - se o Outro decidisse fazer o mesmo, receio que ficasse desiludido e não me refiro ao futebol... - no seguimento de entrevistas em que anunciou a intenção de ser campeão da Europa, declarou que na Supertaça se veria qual era a melhor equipa e que vitórias na Alemanha e em França seriam resultados normais; grave, por fim, é não perceber se a política de aquisições visa reforçar a equipa agora!, de modo a readquirir o hábito de ganhar com regularidade, ou investir em miúdos prometedores que se valorizem a médio prazo. Porque Gaitán, Jara, Salvio, Kardec e o "britânico" Rodrigo têm tanto direito a amadurecer como Di Maria teve, caramba! Entretanto um dos melhores defesas-esquerdos da Europa não joga no seu lugar e um dos melhores defesas centrais também não, Ruben Amorim faz perninhas como defesa-direito e no meio-campo ninguém chegou para fazer lembrar - muito menos esquecer... - Ramires.
Os erros pagam-se, pior é quando não aprendemos com eles. Resta ao Benfica perceber a importância de ganhar o campeonato pela segunda posição e assim aceder às eliminatórias da Liga dos Campeões. E ir ganhando os jogos que puder nas outras competições. E a nós - nem todos:( - saborear a tristeza, deitá-la para trás das costas e acordar amanhã conscientes do enorme privilégio que é ter um emprego e pessoas que nos amam.
Os erros pagam-se, pior é quando não aprendemos com eles. Resta ao Benfica perceber a importância de ganhar o campeonato pela segunda posição e assim aceder às eliminatórias da Liga dos Campeões. E ir ganhando os jogos que puder nas outras competições. E a nós - nem todos:( - saborear a tristeza, deitá-la para trás das costas e acordar amanhã conscientes do enorme privilégio que é ter um emprego e pessoas que nos amam.
terça-feira, novembro 02, 2010
Úm país lamentavelmente original...
Quem ouça e veja PS e PSD engalfinhados no andar -3 da Política é obrigado a perguntar se o calendário eleitoral não foi alterado. Porque na contagem decrescente para o início as Presidenciais, damos connosco soterrados pelas Legislativas que os oráculos afirmam primaveris. Ou seja: mais uma vez a Cidade e os seus problemas, quando muito...!, servem de pano de fundo a uma rasteira luta pelo Poder.
segunda-feira, novembro 01, 2010
Os que vivem cá dentro.
Mãe,
A saudade inunda os cemitérios. Também eu visitei um, impotente para evitar as lágrimas sofridas de amiga de mais de quarenta anos, a Mãe dela recebia-me como um filho, "e o Júlio o que quer lanchar?". Mais uma sombra luminosa que vem habitar este mundo interior que amiúde me distrai do outro, tantas vezes desprovido de qualquer interesse, "morto" ambulante e acéfalo:(. Toda esta gente, honrando os que fundaram e teceram as suas tribos, me merece um carinho respeitoso. Mas tínhamos razão, sabes? - é um extraordinário privilégio honrar-te por simplesmente aflorar o prado de Cantelães. Hoje, como todos os dias...
A saudade inunda os cemitérios. Também eu visitei um, impotente para evitar as lágrimas sofridas de amiga de mais de quarenta anos, a Mãe dela recebia-me como um filho, "e o Júlio o que quer lanchar?". Mais uma sombra luminosa que vem habitar este mundo interior que amiúde me distrai do outro, tantas vezes desprovido de qualquer interesse, "morto" ambulante e acéfalo:(. Toda esta gente, honrando os que fundaram e teceram as suas tribos, me merece um carinho respeitoso. Mas tínhamos razão, sabes? - é um extraordinário privilégio honrar-te por simplesmente aflorar o prado de Cantelães. Hoje, como todos os dias...
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