terça-feira, março 29, 2011

Maré vaza.

Furiosa, virou-lhe as costas. E ele, das catacumbas do receio de a perder, saboreou o privilégio - imerecido... - de assistir aquele ondear.

quarta-feira, março 23, 2011

Quando a poeira assentar...

... veremos:

1 - Que Sócrates disputará eleições no timing que mais lhe convinha e com a banda sonora preferida: lutei sozinho pelo País contra os que desejam o poder pelo poder, não apresentam alternativas e trazem o FMI no bolso.

2 - Que os planos de Passos Coelho, já que a maioria absoluta parece irrealista, passam por um Governo com o CDS e um PS "pós-socrático", encabeçado por António José Seguro ou Francisco Assis. De modo a que todos permaneçam amarrados às medidas adicionais "sugeridas" pela Senhora Merkel. Em nome do interesse nacional...

segunda-feira, março 21, 2011

Dia da poesia.

O Silêncio

Eugénio de Andrade

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.

quinta-feira, março 17, 2011

Sopa do pobre:).

Maria,

A corrigir provas. Conheces-me - interromper trabalhos que abomino e desejo acabar o mais depressa possível drives me nuts (é assim que se diz?). Vai daí... Exacto!, o tabuleiro num equilíbrio precário no braço do sofá. Como é aquela frase popular?, um olho no burro, outro no cigano, receio-a politicamente incorrecta:(. So - um olho no ecrã, outro na malga de sopa. A vista controla as oscilações, a boca prepara o Credo, nenhuma delas mede a temperatura, muito menos à distância e sem fumo denunciante. Terá o meu microondas entrado em auto-gestão? Ou tenho pé leve no acelerador do carro e dedo pesado no raio do electrodoméstico? Certo é que fervia, a sopinha de "bages", irra! Depois do ajustado, habitual e portuense palavrão, a memória trouxe a gargalhada enternecida. A irremediável diferença entre nós - eu, como minha Mãe, adepto dela quente; tu comendo-a quase fria, "tépida", nas tuas palavras risonhamente ofendidas. E certa noite eu chegara estourado e a morrer de fome, atacado de estranha miopia não li o teu desejo:(. A mesa posta. As sopas. A minha quase fria, a tua fumegante... Essa voz, uma oitava enrouquecida abaixo - "trocamos? Não me importo de esperar que arrefeça!" E como tantas outras vezes o desejo espreguiçou-se, varreu cansaço enorme e (outro) apetite voraz, abracei-te e lembro-me de pensar - "cá por mim, espero que a outra aqueça por combustão espontânea".
Como nós...

terça-feira, março 15, 2011

Estratégia de sobrevivência.

Amanhã vou sugerir aos Condomínios dos três blocos a transformação do relvado das traseiras em campo de golfe, com as inerentes vantagens ao nível do IVA. Se a proposta for aceite, pedirei ao Guilherme que retire os meus netos da Escola. Defendo que um se torne caddie e o outro leve aos jogadores - estrangeiros... - bolos dessa extraordinária infraestrutura golfística que é a Padaria Ribeiro. Para que os beneméritos alemães e americanos se sintam acarinhados e dispostos a regressar ao equivalente nortenho do Allgarve comprometo-me a permanecer à varanda e a gritar nice shot a intervalos regulares.
Portugal e São João da Foz têm futuro!

sábado, março 12, 2011

A Polícia não diz quantos, bom sinal!

Mais Portugal do que pensei na rua. À rasca...:(. E no entanto com humor e um saudável cheiro a desorganização, que sugere a ausência das máquinas partidárias e das suas camionetas estacionadas a duzentos metros. À espera dos que aproveitaram para ver o Jardim Zoológico, gozar a merenda e baralhar-se todos, risonhos, no momento de dizer quem fala no palanque.

A recordação de meu Pai. Ele gostaria de saber que pelo menos um dos netos lá ciranda. E a sua voz paciente, eu apelidara de anárquica uma barafunda qualquer, "a anarquia não é isso, meu filho". E o professor que era, vinte e quatro horas por dia, pedia a cena ao burguês e falava não da ausência de Governo, mas da sua inutilidade. Depois a voz fugia na direcção de tema favorito, eis-nos na peugada dos anarquistas catalães da Guerra Civil Espanhola, enquanto faziam plenários os Mouros de Franco e os aviões alemães de Guernica não perdiam tempo:(. Ouvi-lo foi um dos maiores privilégios da minha vida, a um outro nível escutar Ferré também.

Les Anarchistes.

Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart Espagnols allez savoir pourquoi
Faut croire qu'en Espagne on ne les comprend pas
Les anarchistes
Ils ont tout ramassé
Des beignes et des pavés
Ils ont gueulé si fort
Qu'ils peuv'nt gueuler encor
Ils ont le cœur devant
Et leurs rêves au mitan
Et puis l'âme toute rongée
Par des foutues idées
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart fils de rien ou bien fils de si peu
Qu'on ne les voit jamais que lorsqu'on a peur d'eux
Les anarchistes
Ils sont morts cent dix fois
Pour que dalle et pourquoi ?
Avec l'amour au poing
Sur la table ou sur rien
Avec l'air entêté
Qui fait le sang versé
Ils ont frappé si fort
Qu'ils peuv'nt frapper encor
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et s'il faut commencer par les coups d' pied au cul
Faudrait pas oublier qu' ça descend dans la rue
Les anarchistes
Ils ont un drapeau noir
En berne sur l'Espoir
Et la mélancolie
Pour traîner dans la vie
Des couteaux pour trancherLe pain de l'Amitié
Et des armes rouillées
Pour ne pas oublier
Qu'y'en a pas un sur cent et qu' pourtant ils existent
Et qu'ils se tiennent bien bras dessus bras dessous
Joyeux et c'est pour ça qu'ils sont toujours debout

De braço dado e alegres e é por isso que continuam de pé. Belos versos, caramba... À rasca sim, mas não de joelhos! Seria uma boa legenda para o que vejo no ecrã:).

sexta-feira, março 11, 2011

Para que conste.

Atendendo às provocações por mail que recebi de alguns murcónicos, venho por este meio comunicar que Sua Excelência o Presidente da República não se referia a mim quando "facebookou" que as suas declarações tinham sido vítimas de interpretações abusivas.

(O que não significa que os diferentes protagonistas do Poder não nos leiam avidamente...).

Ambrósio!, apetecia-me algo, talvez umas gotinhas de neuroléptico:))))))

quarta-feira, março 09, 2011

Breves.

1 - É de mim ou o Professor Cavaco Silva apelou à malta para encher as ruas, indignada? Quem será mais mobilizador, ele ou Carvalho da Silva?:). Aparentemente o Dr. Passos Coelho não esperava tanto, ficou mudo mas não quedo...

2 - Em face de algumas queixas, esclareço que também não consigo escrever comentários, o raio da máquina manda-me criar um blog! Deve detestar o meu:(.

3 - Depois de ver as imagens que a Sporttv se esqueceu (?) de transmitir, peço desculpa por mais um erro de apreciação, daquele ângulo pareceu-me que o bom do Javi tinha "soltado o braço". O árbitro ganhou uma jornada de férias. Presumo que o iluminado fiscal-de-linha o aproveite para filmar um anúncio à MultiOpticas:). Qualquer coisa do género "quando é o Benfica vejo tudo vermelho, truba-se-me a bista e asneio, mas acho que já me posso tratar".

domingo, março 06, 2011

No rescaldo...

Como se lembrarão, pitonísico:), decretei que o Benfica perdeu o campeonato à quarta jornada. Por esse facto, a derrota de hoje chateia, mas deixa em paz cabelos e vestes. Para falar com franqueza, acho que o Benfica "ofereceu" o jogo, com uma expulsão escusada e um frango, para além de ter muitas dúvidas no lance interrompido a Jara, mas preocupa-me mais como vão os meninos chegar fisicamente ao Paris St. Germain. Hoje, o que verdadeiramente me impressionou foi o ambiente de hostilidade no estádio. Fartei-me de ver o Benfica em Braga e chegava a ser divertido porque havia gente a festejar os golos dos dois clubes!:). E agora bolas de golfe, moedas e amigos meus a enviarem sms lá do meio muuuuito pouco tranquilos, no Sábado fui a Adaúfe e vi tarjas que destilavam ódio:(. Fez-me pena...

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Ritmo circadiano.

A noite incendeia a paixão. E contudo é a manhã a garantir o amor.

sábado, fevereiro 26, 2011

The quiet one. RIP...

George Harrison, um dos quatro famosos de Liverpool, nasceu a 25 de Fevereiro de 1943. Faria hoje 68 anos.
George Harrison nasceu a 25 de Fevereiro de 1943, em Liverpool, na Inglaterra, e faleceu a 29 de Novembro de 2001, em Los Angeles, vítima de cancro.
Apesar de nunca ter desfrutado de um mediatismo comparável a John Lennon ou Paul McCartney, George Harrison foi um músico de grande nível e uma peça fundamental dos "Fab Four", tendo assinado alguns temas marcantes da banda como "while my guitar gently weeps", ou "Something", entre muitos outros.

domingo, fevereiro 20, 2011

Boa noite.

Colin Firth é admirável em O Discurso do Rei. Imagino-lhe a satisfação, por se vir a afirmar como um actor que não está aprisionado a um género de filmes, Filadélfia deve ter tido o mesmo efeito em Tom Hanks. Além disso casou com a nossa Lúcia Moniz em O Amor Acontece, é um bocadinho tuga:).
Mas em verdade vos digo: controlasse eu os votos da Academia e o Óscar iria para Jeff Bridges em Indomável. Admito o fraquinho que sempre tive por ele desde o Great Lebowsky, mas este Marshall é um hino a alguma natureza humana, no que tem de assustador, terno, crepuscular e irredutível face ao rolo compressor da homogeneização. O bom do John Wayne deve estar a roer-se de inveja:).

P.S. O Dr. Passos Coelho tranquilizou a Nação - o PSD não tem pressa de ir ao pote. Nas próximas eleições estará do outro lado da barricada um Primeiro-Ministro que, se não me falha a memória, no Parlamento sussurrou ao circunspecto Dr. Louçã - "manso é a tua tia". Não sei se o pote continua no fim do arco-íris; não sei se ainda resta algum ouro; mas sei que ficará ao cuidado de quem se move no registo popularucho como peixe na água.
Recuso-me a acreditar que o FMI não leve isso em conta...:).

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

O jornal ao balcão da manhã.

Como tantas outras vezes, li com prazer a crónica de Rui Tavares no Público. A sua análise do anúncio da moção de censura do BE parece-me correcta. Pouco me importa em que percentagens se misturaram os condimentos: antecipar-se ao PCP ou marcar distâncias com os (improváveis e dolorosos) compagnons de route na campanha presidencial, leia-se, o PS. O resultado em termos de imagem pública é catastrófico – tacticismo político puro e duro, em nada devedor ao exercício do mesmo “acto cívico” pela Direita, que só aguarda sondagens mais reconfortantes, revolta social aberta ou o jackpot de uma intervenção presidencial. Companheiro do BE em várias lutas, seu votante “oportunista” nas últimas Legislativas, por enfado com um PS que não jogou limpo, prevejo-lhe um futuro difícil, a maturidade tarda. Iniciativas como esta dão armas a quem nota a ausência de uma estratégia global e cola o Bloco a “meras” iniciativas parcelares, por mais justas e necessárias que tenham sido. (E foram!) Os sinais de desconforto interno são evidentes. O modo como serão resolvidos, e a resultante programática do confronto das diversas opiniões, dirão muito sobre a capacidade de auto-crítica de quem é mais igual do que os outros e terá reflexos na fixação de eleitorado. Porque um dia o PS pode lembrar-se que é um partido de esquerda e agir em conformidade – eu sei, eu sei, pareço um John Lennon de vão de escada e demenciado: you may say I’m a dreamer, but I’m the only one:)))) –, colocando o Bloco perante uma evidência - não é só ao Centro que existe eleitorado flutuante! Juntem-lhe o voto útil contra uma Direita unida e homogeneizada por lancinantes saudades do Poder e o espectro de um Partido do Táxi à esquerda é menos surrealista do que parece…

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Circular.

Como vocês sabem, o Murcon é o meu "Diário da República". Por isso não me imagino a agradecer e pedir desculpa noutro sítio. Agradecer, por centenas de pessoas terem "entupido" o site em que ontem respondi a questões sobre Sexologia; pedir desculpa por a informática não ter aguentado - apesar do esforço de tanta gente! - e muitos terem ficado sem resposta:(.
Mas nada substitui o face a face, gente, desculpem a caretice:))))))).

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Que majestoso ralhete...

"Não foi nenhum tipo de vocação que me fez, jovem rapariga, aceitar a austeridade do claustro, mas apenas a vossa ordem, e se não mereço gratidão por isso, podeis avaliar como os meus esforços foram em vão. Não posso esperar de Deus recompensa por eles, porque é certo que até agora nada fiz por amor Dele. Quando vos apressásteis na Sua direcção, segui-vos, na realidade, fui a primeira a tomar o véu - talvez estivésseis a pensar como a mulher de Lot olhou para trás quando me obrigásteis a vestir o hábito religioso e tomar os votos antes de vos oferecerdes a Deus. Esta vossa falta de confiança em mim, confesso, encheu-me de dor e vergonha. Eu não teria hesitado, sabe-o Deus, em seguir-vos, ou, a ordem vossa, ser a primeira dos dois a afrontar as chamas do Inferno... Peço-vos, pensai no que me deveis, escutai os meus apelos, e eu terminarei uma longa carta com um breve epílogo: adeus, meu único amor. "

Heloísa a Abelardo.

domingo, fevereiro 06, 2011

A mulher que sabe demais, como diria o velho Alfred:).

Maria,

Estás pronta? E lembra-te - não vale pensar!

Domingo à noite...
Bach.
Saudades...
Cantelães.
Tu...
Interdito a menores de vinte e cinco anos.

Rendo-me, continuo a ser um livro escancarado para ti:).

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Naco de uma correspondência fascinante:).

"Não sei se se apercebeu da ligação secreta que existe entre "Análise pelos não-médicos" e"O Futuro de uma Ilusão". Num, quero proteger a Análise dos médicos, no outro dos padres. Gostaria de lhe proporcionar um estatuto que ainda não existe, o estatuto de pastores seculares de almas, que não teriam a necessidade de ser médicos nem o direito de ser padres".

Freud a Pfister, Novembro de 1928.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

A espera.

Maria,

Os Machado Vaz abraçados, de novo perante o destino, o intervalo foi curto:(. Faço o que está nas minhas mãos e não chega. Se cá estivesses!... O sol na tua sala, no nosso abraço, no meu coração. E o sussurro, "vai correr bem". Maria, amar-te é uma dádiva egoísta, o que (sh...!,ainda) te dou fica a anos-luz do que recebi...

domingo, janeiro 23, 2011

Breves.

1 - Regresso da mediocridade política à linha de base após o sobressalto eleitoral.

2 - Vitória pouco entusiástica de Cavaco Silva. Derrota muuuito light de José Sócrates, não acredito que seja noite de anti-ácidos. Tão light como o entusiasmo do suave e politicamente correcto Passos Coelho, os números e a personalidade do Presidente não indiciam a bomba atómica que ele próprio não deseja, mas os próximos boys exigem para ontem.

3 - O episódio terceiro-mundista dos cartões de cidadão e a comparação desadequada com a segunda vitória de Jorge Sampaio servirão para disfarçar o inexorável avanço do desencanto dos portugueses.

4 - Aceito que Manuel Alegre tenha pago um preço pelo apoio do Partido no Governo em tempos de vacas magras e espremidas. Mas a minha megalomania não chega ao ponto de me considerar o único português de esquerda que ficou chocado pelos "rituais de acasalamento político" a que se entregou com o Engenheiro Sócrates e pelos equilibrismos entre PS e BE.

5 - O meu estimável colega Fernando Nobre herdou muito do seu capital "anti-sistema" - para empregar a terminologia futeboleira -, mas receio que lhe siga os passos (perdidos) na interpretação optimista dos resultados.

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Boa noite.

Para alguns de nós, a amargura é um apeadeiro obrigatório no caminho para a lucidez. So be it. A alternativa é humilhante - embaciar o espelho e mentir. Não quero escandalizar ninguém, mas para mim a questão moral nem se chega a pôr, tal hipótese é esteticamente inaceitável.