segunda-feira, abril 25, 2011
25 de Abril.
O Zeca na RTP. "O Povo é quem mais ordena..." cantou naquela noite. Burguês e céptico, nunca cheguei a acreditar. Mas ordenar tão pouco, anos e anos depois, confesso que nunca me ocorreu:(.
quinta-feira, abril 21, 2011
Empate técnico no Bloco Central.
Leio os números da última sondagem e levanto os olhos para a fotografia de meu Pai. Creio já o ter escrito aqui - não era um admirador dos Festivais da Canção. Todos os anos me telefonava depois do espectáculo e dizia: "incrível, meu filho, foi pior do que o último!" Sobe o PS, desce o PSD, juro que vislumbro um sorriso irónico, é um homem obcecado por jornais e noticiários, lá onde repousa vem acompanhando as declarações dos candidatos, a feitura das listas, o vazio dos programas, o oportunismo, as purgas... E em pano de fundo, sobre o qual se recorta Van Morrison, o diagnóstico faz-se ouvir: "incrível, meu filho, a campanha eleitoral vai ser pior do que a anterior, é preciso talento, irra!" (Está bem disposto, pergunto-me se não lhe terá escapado a nostalgia de Otelo por "um homem honesto como Salazar, sem o fascismo à italiana...).
quarta-feira, abril 20, 2011
Isto começa a tornar-se um (mau) hábito:).
Parabéns aos murcónicos portistas. Espero que os responsáveis benfiquistas resistam à tentação de reduzir tudo ao fora-de-jogo de Hulk e à não expulsão de Rodríguez. Seria um erro grave... Com uma equipa que não "descansou" no Domingo o FCP dominou por completo a segunda parte e aconteceu o que temia - um golo bastou para o Benfica entrar em pânico a céu aberto. Porque o medo estava lá, enroscadinho, desde o princípio:(.
domingo, abril 17, 2011
O que aprendi na entrevista do Dr. Fernando Nobre.
1 - O Dr. Passos Coelho é arrojado. 2 - O Dr. Fernando Nobre disse o que constava da entrevista ao Expresso, mas não se expressou bem. De qualquer forma, assume sempre os seus erros. 3 - Aliás, como o Dr. Passos Coelho, salvo erro aquando do PEC2... 4 - Se não for "nomeado" - ó delicioso lapso freudiano:) - Presidente da Assembleia da República avaliará em que posição poderá ser mais útil aos portugueses, não sendo (nada) certo que seja no hemiciclo. 5 - O Dr. Passos Coelho não é neo-liberal. 6 - O convite não lhe foi feito pelo telefone, mas no seguimento de duas ou três conversas, que lhe permitiram conhecer a pessoa. Na realidade, fosse outro o candidato do PSD e provavelmente o convite não teria sido aceite. 7 - O Dr. Passos Coelho está preocupado com os portugueses. 8 - Os comentários desiludidos com a sua opção nascem, em grande parte, de uma cabala cujas origens muito bem conhece. De resto, dois terços da sua máquina de campanha concordam com a sua decisão. 9 - Há duas razões que justificam o desconhecimento do programa do PSD: primeiro, ele não existe, só verá a luz do dia em meados de Maio. Depois... 10 - A confiança na pessoa do (providencial) Dr. Passos Coelho chega. O adjectivo "providencial" é meu... 11 - O Dr. Fernando Nobre mantém-se rigorosamente igual a si próprio, logo, em absoluto livre. Mas agora não opina sobre o Senhor Presidente da República porque terá de manter com ele um bom relacionamento institucional. 12 - O Dr. Fernando Nobre desbravou os livros de Medicina, não será o Regimento da Assembleia a travá-lo. Nas suas próprias palavras, aprende depressa. 13 - Posso testemunhar que sim:(.
quarta-feira, abril 13, 2011
Boa noite.
O Nome da Rosa no Hollywood. Ainda hoje o citei nas gravações. O riso como tremenda ameaça às ortodoxias. O canastrão que fazia de 007 transformado em magnífico actor. E os ecos dos meus amados cátaros em pano de fundo:).
terça-feira, abril 12, 2011
Avaliação do défice!
Maria, Lembras-te? Lovin' Spoonful, Summer in the City. "... Running up the stairs, gonna meet you on the rooftop...". Pensando bem, na minha idade... Aceitas-me a passo no rés-do-chão:))))))?
domingo, abril 10, 2011
Política à portuguesa.
1 - O período de nojo do candidato rigorosamente apartidário Fernando Nobre durou três meses. Ou muito me engano ou Jaime Gama navega em sentido contrário, para se apresentar como um socialista equidistante dos Partidos... 2 - António José Seguro move-se com tanta segurança que corre o risco de ficar seguro na linha de partida para a sucessão a José Sócrates. Se tal competição existir... Mesmo perdendo, o camarada Zé pode não encarar a reforma de Secretário Geral com um sorriso nos lábios e limitar-se a enviar outros para o Governo de Submissão Nacional que se adivinha. 3 - Nenhuma novidade no Congresso. A culpa foi todinha da oposição, que agora vai negociar o que chumbou. Pelo menos as televisões não transmitiram ensaios de imagem:). 4 - Idem aspas por parte do PSD, nada de novo. Não são as medidas a tomar o problema e sim quem as vai executar. Resta a premonição de Jardim, que se sentiu a dialogar com o Primeiro-Ministro. 5 - Ou seja: as Legislativas transformadas num referendo à figura de José Sócrates, já que propostas políticas nem vê-las!
quarta-feira, abril 06, 2011
Porque sim.
Como é inevitável em cidade pequena e rotineira tropeçaram um no outro meses depois. Pelo sim, pelo não, ele perguntou, não tivesse a marota perdido o jeito estranho de lhe decifrar os olhos. - Porquê? O sobrolho pediu reforços, toda a carita se lhe juntou. - Porque sim. Surpreendido, - Isso diz-se às crianças. Sorriso largo dela. - Exactamente. Ele subiu a parada e rebentou numa gargalhada à moda antiga. Ela meteu a cave. Ele pagou (o jantar) para ver. Diz-se que ainda hoje, deliciados!, cumprem pena por jogo ilegal na via pública...
domingo, abril 03, 2011
Do estádio para o quotidiano.
Um abraço de parabéns para todos os murcónicos portistas, título e vitória de hoje merecidos:). O jogo... foi o que vocês viram. Penso ser justo dizer que o Benfica esteve mal táctica, técnica e disciplinarmente. E isso entristece-me; sobretudo o último item, por evitável:(. Adiante! Os números sobre a aplicação da Lei sobre a IVG dão que pensar. Como é óbvio, a descida verificada agrada-me, embora o tempo seja curto para falar de uma tendência firme. Mas devo dizer que partilho o desagrado e as preocupações do Miguel Oliveira e Silva e outros colegas em face de abortos repetidos e faltas sistemáticas às consultas de Planeamento Familiar. Um erro básico deve ser evitado: considerar homogéneo esse grupo de mulheres. É importante estudar narrativas de vida, dificuldades pessoais e culturais, motivações, falsas crenças, mecanismos conscientes e inconscientes de racionalização e negação, desleixos oportunistas puros e duros, e assim dispor de dados que permitam uma intervenção séria e, na medida do possível, eficaz. No que me diz respeito, não invocarei o destino dos meus impostos, embora aceite que outros o façam. Como aqui escrevi, não encaro o aborto com a mesma paz de espírito que a eutanásia, em dois referendos nunca neguei que considero existir um conflito de interesses entre uma vida real e outra potencial. Por isso tantas vezes citei a frase do meu velho amigo Pacheco Pereira: defendi, defendo e defenderei o "sim", apesar das perplexidades que o tópico me provoca. Mas é chocante que algumas dessas mulheres transformem a IVG numa espécie de "pílula do dia seguinte institucional". A contracepção eficaz não é um luxo ou um capricho, trata-se de um dever, simétrico dos direitos conferidos pela cidadania plena a que todos aspiramos. E que, a outros níveis, parece cada vez mais utópica:(. Durmam bem.
terça-feira, março 29, 2011
Maré vaza.
Furiosa, virou-lhe as costas. E ele, das catacumbas do receio de a perder, saboreou o privilégio - imerecido... - de assistir aquele ondear.
quarta-feira, março 23, 2011
Quando a poeira assentar...
... veremos:
1 - Que Sócrates disputará eleições no timing que mais lhe convinha e com a banda sonora preferida: lutei sozinho pelo País contra os que desejam o poder pelo poder, não apresentam alternativas e trazem o FMI no bolso.
2 - Que os planos de Passos Coelho, já que a maioria absoluta parece irrealista, passam por um Governo com o CDS e um PS "pós-socrático", encabeçado por António José Seguro ou Francisco Assis. De modo a que todos permaneçam amarrados às medidas adicionais "sugeridas" pela Senhora Merkel. Em nome do interesse nacional...
1 - Que Sócrates disputará eleições no timing que mais lhe convinha e com a banda sonora preferida: lutei sozinho pelo País contra os que desejam o poder pelo poder, não apresentam alternativas e trazem o FMI no bolso.
2 - Que os planos de Passos Coelho, já que a maioria absoluta parece irrealista, passam por um Governo com o CDS e um PS "pós-socrático", encabeçado por António José Seguro ou Francisco Assis. De modo a que todos permaneçam amarrados às medidas adicionais "sugeridas" pela Senhora Merkel. Em nome do interesse nacional...
segunda-feira, março 21, 2011
Dia da poesia.
O Silêncio
Eugénio de Andrade
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
quinta-feira, março 17, 2011
Sopa do pobre:).
Maria,
A corrigir provas. Conheces-me - interromper trabalhos que abomino e desejo acabar o mais depressa possível drives me nuts (é assim que se diz?). Vai daí... Exacto!, o tabuleiro num equilíbrio precário no braço do sofá. Como é aquela frase popular?, um olho no burro, outro no cigano, receio-a politicamente incorrecta:(. So - um olho no ecrã, outro na malga de sopa. A vista controla as oscilações, a boca prepara o Credo, nenhuma delas mede a temperatura, muito menos à distância e sem fumo denunciante. Terá o meu microondas entrado em auto-gestão? Ou tenho pé leve no acelerador do carro e dedo pesado no raio do electrodoméstico? Certo é que fervia, a sopinha de "bages", irra! Depois do ajustado, habitual e portuense palavrão, a memória trouxe a gargalhada enternecida. A irremediável diferença entre nós - eu, como minha Mãe, adepto dela quente; tu comendo-a quase fria, "tépida", nas tuas palavras risonhamente ofendidas. E certa noite eu chegara estourado e a morrer de fome, atacado de estranha miopia não li o teu desejo:(. A mesa posta. As sopas. A minha quase fria, a tua fumegante... Essa voz, uma oitava enrouquecida abaixo - "trocamos? Não me importo de esperar que arrefeça!" E como tantas outras vezes o desejo espreguiçou-se, varreu cansaço enorme e (outro) apetite voraz, abracei-te e lembro-me de pensar - "cá por mim, espero que a outra aqueça por combustão espontânea".
Como nós...
A corrigir provas. Conheces-me - interromper trabalhos que abomino e desejo acabar o mais depressa possível drives me nuts (é assim que se diz?). Vai daí... Exacto!, o tabuleiro num equilíbrio precário no braço do sofá. Como é aquela frase popular?, um olho no burro, outro no cigano, receio-a politicamente incorrecta:(. So - um olho no ecrã, outro na malga de sopa. A vista controla as oscilações, a boca prepara o Credo, nenhuma delas mede a temperatura, muito menos à distância e sem fumo denunciante. Terá o meu microondas entrado em auto-gestão? Ou tenho pé leve no acelerador do carro e dedo pesado no raio do electrodoméstico? Certo é que fervia, a sopinha de "bages", irra! Depois do ajustado, habitual e portuense palavrão, a memória trouxe a gargalhada enternecida. A irremediável diferença entre nós - eu, como minha Mãe, adepto dela quente; tu comendo-a quase fria, "tépida", nas tuas palavras risonhamente ofendidas. E certa noite eu chegara estourado e a morrer de fome, atacado de estranha miopia não li o teu desejo:(. A mesa posta. As sopas. A minha quase fria, a tua fumegante... Essa voz, uma oitava enrouquecida abaixo - "trocamos? Não me importo de esperar que arrefeça!" E como tantas outras vezes o desejo espreguiçou-se, varreu cansaço enorme e (outro) apetite voraz, abracei-te e lembro-me de pensar - "cá por mim, espero que a outra aqueça por combustão espontânea".
Como nós...
terça-feira, março 15, 2011
Estratégia de sobrevivência.
Amanhã vou sugerir aos Condomínios dos três blocos a transformação do relvado das traseiras em campo de golfe, com as inerentes vantagens ao nível do IVA. Se a proposta for aceite, pedirei ao Guilherme que retire os meus netos da Escola. Defendo que um se torne caddie e o outro leve aos jogadores - estrangeiros... - bolos dessa extraordinária infraestrutura golfística que é a Padaria Ribeiro. Para que os beneméritos alemães e americanos se sintam acarinhados e dispostos a regressar ao equivalente nortenho do Allgarve comprometo-me a permanecer à varanda e a gritar nice shot a intervalos regulares.
Portugal e São João da Foz têm futuro!
Portugal e São João da Foz têm futuro!
sábado, março 12, 2011
A Polícia não diz quantos, bom sinal!
Mais Portugal do que pensei na rua. À rasca...:(. E no entanto com humor e um saudável cheiro a desorganização, que sugere a ausência das máquinas partidárias e das suas camionetas estacionadas a duzentos metros. À espera dos que aproveitaram para ver o Jardim Zoológico, gozar a merenda e baralhar-se todos, risonhos, no momento de dizer quem fala no palanque.
A recordação de meu Pai. Ele gostaria de saber que pelo menos um dos netos lá ciranda. E a sua voz paciente, eu apelidara de anárquica uma barafunda qualquer, "a anarquia não é isso, meu filho". E o professor que era, vinte e quatro horas por dia, pedia a cena ao burguês e falava não da ausência de Governo, mas da sua inutilidade. Depois a voz fugia na direcção de tema favorito, eis-nos na peugada dos anarquistas catalães da Guerra Civil Espanhola, enquanto faziam plenários os Mouros de Franco e os aviões alemães de Guernica não perdiam tempo:(. Ouvi-lo foi um dos maiores privilégios da minha vida, a um outro nível escutar Ferré também.
Les Anarchistes.
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart Espagnols allez savoir pourquoi
Faut croire qu'en Espagne on ne les comprend pas
Les anarchistes
Ils ont tout ramassé
Des beignes et des pavés
Ils ont gueulé si fort
Qu'ils peuv'nt gueuler encor
Ils ont le cur devant
Et leurs rêves au mitan
Et puis l'âme toute rongée
Par des foutues idées
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart fils de rien ou bien fils de si peu
Qu'on ne les voit jamais que lorsqu'on a peur d'eux
Les anarchistes
Ils sont morts cent dix fois
Pour que dalle et pourquoi ?
Avec l'amour au poing
Sur la table ou sur rien
Avec l'air entêté
Qui fait le sang versé
Ils ont frappé si fort
Qu'ils peuv'nt frapper encor
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et s'il faut commencer par les coups d' pied au cul
Faudrait pas oublier qu' ça descend dans la rue
Les anarchistes
Ils ont un drapeau noir
En berne sur l'Espoir
Et la mélancolie
Pour traîner dans la vie
Des couteaux pour trancherLe pain de l'Amitié
Et des armes rouillées
Pour ne pas oublier
Qu'y'en a pas un sur cent et qu' pourtant ils existent
Et qu'ils se tiennent bien bras dessus bras dessous
Joyeux et c'est pour ça qu'ils sont toujours debout
De braço dado e alegres e é por isso que continuam de pé. Belos versos, caramba... À rasca sim, mas não de joelhos! Seria uma boa legenda para o que vejo no ecrã:).
A recordação de meu Pai. Ele gostaria de saber que pelo menos um dos netos lá ciranda. E a sua voz paciente, eu apelidara de anárquica uma barafunda qualquer, "a anarquia não é isso, meu filho". E o professor que era, vinte e quatro horas por dia, pedia a cena ao burguês e falava não da ausência de Governo, mas da sua inutilidade. Depois a voz fugia na direcção de tema favorito, eis-nos na peugada dos anarquistas catalães da Guerra Civil Espanhola, enquanto faziam plenários os Mouros de Franco e os aviões alemães de Guernica não perdiam tempo:(. Ouvi-lo foi um dos maiores privilégios da minha vida, a um outro nível escutar Ferré também.
Les Anarchistes.
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart Espagnols allez savoir pourquoi
Faut croire qu'en Espagne on ne les comprend pas
Les anarchistes
Ils ont tout ramassé
Des beignes et des pavés
Ils ont gueulé si fort
Qu'ils peuv'nt gueuler encor
Ils ont le cur devant
Et leurs rêves au mitan
Et puis l'âme toute rongée
Par des foutues idées
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart fils de rien ou bien fils de si peu
Qu'on ne les voit jamais que lorsqu'on a peur d'eux
Les anarchistes
Ils sont morts cent dix fois
Pour que dalle et pourquoi ?
Avec l'amour au poing
Sur la table ou sur rien
Avec l'air entêté
Qui fait le sang versé
Ils ont frappé si fort
Qu'ils peuv'nt frapper encor
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et s'il faut commencer par les coups d' pied au cul
Faudrait pas oublier qu' ça descend dans la rue
Les anarchistes
Ils ont un drapeau noir
En berne sur l'Espoir
Et la mélancolie
Pour traîner dans la vie
Des couteaux pour trancherLe pain de l'Amitié
Et des armes rouillées
Pour ne pas oublier
Qu'y'en a pas un sur cent et qu' pourtant ils existent
Et qu'ils se tiennent bien bras dessus bras dessous
Joyeux et c'est pour ça qu'ils sont toujours debout
De braço dado e alegres e é por isso que continuam de pé. Belos versos, caramba... À rasca sim, mas não de joelhos! Seria uma boa legenda para o que vejo no ecrã:).
sexta-feira, março 11, 2011
Para que conste.
Atendendo às provocações por mail que recebi de alguns murcónicos, venho por este meio comunicar que Sua Excelência o Presidente da República não se referia a mim quando "facebookou" que as suas declarações tinham sido vítimas de interpretações abusivas.
(O que não significa que os diferentes protagonistas do Poder não nos leiam avidamente...).
Ambrósio!, apetecia-me algo, talvez umas gotinhas de neuroléptico:))))))
(O que não significa que os diferentes protagonistas do Poder não nos leiam avidamente...).
Ambrósio!, apetecia-me algo, talvez umas gotinhas de neuroléptico:))))))
quarta-feira, março 09, 2011
Breves.
1 - É de mim ou o Professor Cavaco Silva apelou à malta para encher as ruas, indignada? Quem será mais mobilizador, ele ou Carvalho da Silva?:). Aparentemente o Dr. Passos Coelho não esperava tanto, ficou mudo mas não quedo...
2 - Em face de algumas queixas, esclareço que também não consigo escrever comentários, o raio da máquina manda-me criar um blog! Deve detestar o meu:(.
3 - Depois de ver as imagens que a Sporttv se esqueceu (?) de transmitir, peço desculpa por mais um erro de apreciação, daquele ângulo pareceu-me que o bom do Javi tinha "soltado o braço". O árbitro ganhou uma jornada de férias. Presumo que o iluminado fiscal-de-linha o aproveite para filmar um anúncio à MultiOpticas:). Qualquer coisa do género "quando é o Benfica vejo tudo vermelho, truba-se-me a bista e asneio, mas acho que já me posso tratar".
2 - Em face de algumas queixas, esclareço que também não consigo escrever comentários, o raio da máquina manda-me criar um blog! Deve detestar o meu:(.
3 - Depois de ver as imagens que a Sporttv se esqueceu (?) de transmitir, peço desculpa por mais um erro de apreciação, daquele ângulo pareceu-me que o bom do Javi tinha "soltado o braço". O árbitro ganhou uma jornada de férias. Presumo que o iluminado fiscal-de-linha o aproveite para filmar um anúncio à MultiOpticas:). Qualquer coisa do género "quando é o Benfica vejo tudo vermelho, truba-se-me a bista e asneio, mas acho que já me posso tratar".
domingo, março 06, 2011
No rescaldo...
Como se lembrarão, pitonísico:), decretei que o Benfica perdeu o campeonato à quarta jornada. Por esse facto, a derrota de hoje chateia, mas deixa em paz cabelos e vestes. Para falar com franqueza, acho que o Benfica "ofereceu" o jogo, com uma expulsão escusada e um frango, para além de ter muitas dúvidas no lance interrompido a Jara, mas preocupa-me mais como vão os meninos chegar fisicamente ao Paris St. Germain. Hoje, o que verdadeiramente me impressionou foi o ambiente de hostilidade no estádio. Fartei-me de ver o Benfica em Braga e chegava a ser divertido porque havia gente a festejar os golos dos dois clubes!:). E agora bolas de golfe, moedas e amigos meus a enviarem sms lá do meio muuuuito pouco tranquilos, no Sábado fui a Adaúfe e vi tarjas que destilavam ódio:(. Fez-me pena...
segunda-feira, fevereiro 28, 2011
sábado, fevereiro 26, 2011
The quiet one. RIP...
George Harrison, um dos quatro famosos de Liverpool, nasceu a 25 de Fevereiro de 1943. Faria hoje 68 anos.
George Harrison nasceu a 25 de Fevereiro de 1943, em Liverpool, na Inglaterra, e faleceu a 29 de Novembro de 2001, em Los Angeles, vítima de cancro.
Apesar de nunca ter desfrutado de um mediatismo comparável a John Lennon ou Paul McCartney, George Harrison foi um músico de grande nível e uma peça fundamental dos "Fab Four", tendo assinado alguns temas marcantes da banda como "while my guitar gently weeps", ou "Something", entre muitos outros.
George Harrison nasceu a 25 de Fevereiro de 1943, em Liverpool, na Inglaterra, e faleceu a 29 de Novembro de 2001, em Los Angeles, vítima de cancro.
Apesar de nunca ter desfrutado de um mediatismo comparável a John Lennon ou Paul McCartney, George Harrison foi um músico de grande nível e uma peça fundamental dos "Fab Four", tendo assinado alguns temas marcantes da banda como "while my guitar gently weeps", ou "Something", entre muitos outros.
domingo, fevereiro 20, 2011
Boa noite.
Colin Firth é admirável em O Discurso do Rei. Imagino-lhe a satisfação, por se vir a afirmar como um actor que não está aprisionado a um género de filmes, Filadélfia deve ter tido o mesmo efeito em Tom Hanks. Além disso casou com a nossa Lúcia Moniz em O Amor Acontece, é um bocadinho tuga:).
Mas em verdade vos digo: controlasse eu os votos da Academia e o Óscar iria para Jeff Bridges em Indomável. Admito o fraquinho que sempre tive por ele desde o Great Lebowsky, mas este Marshall é um hino a alguma natureza humana, no que tem de assustador, terno, crepuscular e irredutível face ao rolo compressor da homogeneização. O bom do John Wayne deve estar a roer-se de inveja:).
P.S. O Dr. Passos Coelho tranquilizou a Nação - o PSD não tem pressa de ir ao pote. Nas próximas eleições estará do outro lado da barricada um Primeiro-Ministro que, se não me falha a memória, no Parlamento sussurrou ao circunspecto Dr. Louçã - "manso é a tua tia". Não sei se o pote continua no fim do arco-íris; não sei se ainda resta algum ouro; mas sei que ficará ao cuidado de quem se move no registo popularucho como peixe na água.
Recuso-me a acreditar que o FMI não leve isso em conta...:).
Mas em verdade vos digo: controlasse eu os votos da Academia e o Óscar iria para Jeff Bridges em Indomável. Admito o fraquinho que sempre tive por ele desde o Great Lebowsky, mas este Marshall é um hino a alguma natureza humana, no que tem de assustador, terno, crepuscular e irredutível face ao rolo compressor da homogeneização. O bom do John Wayne deve estar a roer-se de inveja:).
P.S. O Dr. Passos Coelho tranquilizou a Nação - o PSD não tem pressa de ir ao pote. Nas próximas eleições estará do outro lado da barricada um Primeiro-Ministro que, se não me falha a memória, no Parlamento sussurrou ao circunspecto Dr. Louçã - "manso é a tua tia". Não sei se o pote continua no fim do arco-íris; não sei se ainda resta algum ouro; mas sei que ficará ao cuidado de quem se move no registo popularucho como peixe na água.
Recuso-me a acreditar que o FMI não leve isso em conta...:).
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
O jornal ao balcão da manhã.
Como tantas outras vezes, li com prazer a crónica de Rui Tavares no Público. A sua análise do anúncio da moção de censura do BE parece-me correcta. Pouco me importa em que percentagens se misturaram os condimentos: antecipar-se ao PCP ou marcar distâncias com os (improváveis e dolorosos) compagnons de route na campanha presidencial, leia-se, o PS. O resultado em termos de imagem pública é catastrófico – tacticismo político puro e duro, em nada devedor ao exercício do mesmo “acto cívico” pela Direita, que só aguarda sondagens mais reconfortantes, revolta social aberta ou o jackpot de uma intervenção presidencial. Companheiro do BE em várias lutas, seu votante “oportunista” nas últimas Legislativas, por enfado com um PS que não jogou limpo, prevejo-lhe um futuro difícil, a maturidade tarda. Iniciativas como esta dão armas a quem nota a ausência de uma estratégia global e cola o Bloco a “meras” iniciativas parcelares, por mais justas e necessárias que tenham sido. (E foram!) Os sinais de desconforto interno são evidentes. O modo como serão resolvidos, e a resultante programática do confronto das diversas opiniões, dirão muito sobre a capacidade de auto-crítica de quem é mais igual do que os outros e terá reflexos na fixação de eleitorado. Porque um dia o PS pode lembrar-se que é um partido de esquerda e agir em conformidade – eu sei, eu sei, pareço um John Lennon de vão de escada e demenciado: you may say I’m a dreamer, but I’m the only one:)))) –, colocando o Bloco perante uma evidência - não é só ao Centro que existe eleitorado flutuante! Juntem-lhe o voto útil contra uma Direita unida e homogeneizada por lancinantes saudades do Poder e o espectro de um Partido do Táxi à esquerda é menos surrealista do que parece…
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Circular.
Como vocês sabem, o Murcon é o meu "Diário da República". Por isso não me imagino a agradecer e pedir desculpa noutro sítio. Agradecer, por centenas de pessoas terem "entupido" o site em que ontem respondi a questões sobre Sexologia; pedir desculpa por a informática não ter aguentado - apesar do esforço de tanta gente! - e muitos terem ficado sem resposta:(.
Mas nada substitui o face a face, gente, desculpem a caretice:))))))).
Mas nada substitui o face a face, gente, desculpem a caretice:))))))).
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Que majestoso ralhete...
"Não foi nenhum tipo de vocação que me fez, jovem rapariga, aceitar a austeridade do claustro, mas apenas a vossa ordem, e se não mereço gratidão por isso, podeis avaliar como os meus esforços foram em vão. Não posso esperar de Deus recompensa por eles, porque é certo que até agora nada fiz por amor Dele. Quando vos apressásteis na Sua direcção, segui-vos, na realidade, fui a primeira a tomar o véu - talvez estivésseis a pensar como a mulher de Lot olhou para trás quando me obrigásteis a vestir o hábito religioso e tomar os votos antes de vos oferecerdes a Deus. Esta vossa falta de confiança em mim, confesso, encheu-me de dor e vergonha. Eu não teria hesitado, sabe-o Deus, em seguir-vos, ou, a ordem vossa, ser a primeira dos dois a afrontar as chamas do Inferno... Peço-vos, pensai no que me deveis, escutai os meus apelos, e eu terminarei uma longa carta com um breve epílogo: adeus, meu único amor. "
Heloísa a Abelardo.
Heloísa a Abelardo.
domingo, fevereiro 06, 2011
A mulher que sabe demais, como diria o velho Alfred:).
Maria,
Estás pronta? E lembra-te - não vale pensar!
Domingo à noite...
Bach.
Saudades...
Cantelães.
Tu...
Interdito a menores de vinte e cinco anos.
Rendo-me, continuo a ser um livro escancarado para ti:).
Estás pronta? E lembra-te - não vale pensar!
Domingo à noite...
Bach.
Saudades...
Cantelães.
Tu...
Interdito a menores de vinte e cinco anos.
Rendo-me, continuo a ser um livro escancarado para ti:).
segunda-feira, janeiro 31, 2011
Naco de uma correspondência fascinante:).
"Não sei se se apercebeu da ligação secreta que existe entre "Análise pelos não-médicos" e"O Futuro de uma Ilusão". Num, quero proteger a Análise dos médicos, no outro dos padres. Gostaria de lhe proporcionar um estatuto que ainda não existe, o estatuto de pastores seculares de almas, que não teriam a necessidade de ser médicos nem o direito de ser padres".
Freud a Pfister, Novembro de 1928.
Freud a Pfister, Novembro de 1928.
quarta-feira, janeiro 26, 2011
A espera.
Maria,
Os Machado Vaz abraçados, de novo perante o destino, o intervalo foi curto:(. Faço o que está nas minhas mãos e não chega. Se cá estivesses!... O sol na tua sala, no nosso abraço, no meu coração. E o sussurro, "vai correr bem". Maria, amar-te é uma dádiva egoísta, o que (sh...!,ainda) te dou fica a anos-luz do que recebi...
Os Machado Vaz abraçados, de novo perante o destino, o intervalo foi curto:(. Faço o que está nas minhas mãos e não chega. Se cá estivesses!... O sol na tua sala, no nosso abraço, no meu coração. E o sussurro, "vai correr bem". Maria, amar-te é uma dádiva egoísta, o que (sh...!,ainda) te dou fica a anos-luz do que recebi...
domingo, janeiro 23, 2011
Breves.
1 - Regresso da mediocridade política à linha de base após o sobressalto eleitoral.
2 - Vitória pouco entusiástica de Cavaco Silva. Derrota muuuito light de José Sócrates, não acredito que seja noite de anti-ácidos. Tão light como o entusiasmo do suave e politicamente correcto Passos Coelho, os números e a personalidade do Presidente não indiciam a bomba atómica que ele próprio não deseja, mas os próximos boys exigem para ontem.
3 - O episódio terceiro-mundista dos cartões de cidadão e a comparação desadequada com a segunda vitória de Jorge Sampaio servirão para disfarçar o inexorável avanço do desencanto dos portugueses.
4 - Aceito que Manuel Alegre tenha pago um preço pelo apoio do Partido no Governo em tempos de vacas magras e espremidas. Mas a minha megalomania não chega ao ponto de me considerar o único português de esquerda que ficou chocado pelos "rituais de acasalamento político" a que se entregou com o Engenheiro Sócrates e pelos equilibrismos entre PS e BE.
5 - O meu estimável colega Fernando Nobre herdou muito do seu capital "anti-sistema" - para empregar a terminologia futeboleira -, mas receio que lhe siga os passos (perdidos) na interpretação optimista dos resultados.
2 - Vitória pouco entusiástica de Cavaco Silva. Derrota muuuito light de José Sócrates, não acredito que seja noite de anti-ácidos. Tão light como o entusiasmo do suave e politicamente correcto Passos Coelho, os números e a personalidade do Presidente não indiciam a bomba atómica que ele próprio não deseja, mas os próximos boys exigem para ontem.
3 - O episódio terceiro-mundista dos cartões de cidadão e a comparação desadequada com a segunda vitória de Jorge Sampaio servirão para disfarçar o inexorável avanço do desencanto dos portugueses.
4 - Aceito que Manuel Alegre tenha pago um preço pelo apoio do Partido no Governo em tempos de vacas magras e espremidas. Mas a minha megalomania não chega ao ponto de me considerar o único português de esquerda que ficou chocado pelos "rituais de acasalamento político" a que se entregou com o Engenheiro Sócrates e pelos equilibrismos entre PS e BE.
5 - O meu estimável colega Fernando Nobre herdou muito do seu capital "anti-sistema" - para empregar a terminologia futeboleira -, mas receio que lhe siga os passos (perdidos) na interpretação optimista dos resultados.
quinta-feira, janeiro 20, 2011
Boa noite.
Para alguns de nós, a amargura é um apeadeiro obrigatório no caminho para a lucidez. So be it. A alternativa é humilhante - embaciar o espelho e mentir. Não quero escandalizar ninguém, mas para mim a questão moral nem se chega a pôr, tal hipótese é esteticamente inaceitável.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
Dicas.
Últimas informações ABSOLUTAMENTE INDISPENSÁVEIS para decidir o sentido de voto:
1) A reforma da Primeira Dama é de 800 euros, o que a faz depender do trabalho do marido.
2) Manuel Alegre em nenhum momento do comício de Castelo Branco esteve em desacordo com o Engenheiro José Sócrates. (Cinco anos é muito tempo...).
3) O Dr. Passos Coelho não deseja o poder das mãos do Presidente da República, mas das dos portugueses. Suponho, portanto, que recusará ser Primeiro-Ministro por nomeação...
4) Segundo o candidato José Manuel Coelho, a Presidência da República portuguesa é mais cara do que a Casa Real espanhola. Mesmo sem iate...
1) A reforma da Primeira Dama é de 800 euros, o que a faz depender do trabalho do marido.
2) Manuel Alegre em nenhum momento do comício de Castelo Branco esteve em desacordo com o Engenheiro José Sócrates. (Cinco anos é muito tempo...).
3) O Dr. Passos Coelho não deseja o poder das mãos do Presidente da República, mas das dos portugueses. Suponho, portanto, que recusará ser Primeiro-Ministro por nomeação...
4) Segundo o candidato José Manuel Coelho, a Presidência da República portuguesa é mais cara do que a Casa Real espanhola. Mesmo sem iate...
domingo, janeiro 09, 2011
Boa noite.
Em verdade vos digo: pensava que a campanha nunca deixaria o registo sonolento. Enganei-me, ei-la merecedora de outro adjectivo - pífia. Soube o Professor Cavaco Silva que beneficiava de um "preço de amigo", privilégio recusado várias vezes pelo General Ramalho Eanes? Que meio de comunicação obterá o ambicionado exclusivo com a secretária de Manuel Alegre que levou o cheque ao BPP? (Não o primeiro, o segundo, pós-transferência bancária, que por isso acarretou a declaração em IRS).
Mas os portugueses, Senhor, porque os castigais?
Mas os portugueses, Senhor, porque os castigais?
segunda-feira, janeiro 03, 2011
sábado, janeiro 01, 2011
Como foi o primeiro dia?:).
Cortar o tempo
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, dezembro 26, 2010
Porque alguém pode não ler os comentários!
...Em meados do ano passado tive um sonho. Era a continuação, eu e ele estávamos a acabar a bancada da oficina. As mãos dele eram mesmo as mãos dele, fortes, morenas, dedos compridos e nas palmas as linhas eram fundas. Nesse dia acordei com a ideia de acabar a bancada. Estava decidido o meu novo projecto: resolver o antigo. Fui comprando material, tomadas, parafusos, dobradiças.. Nas férias grandes construí a bancada, pintei-a com uma tinta de epoxy, organizei as ferramentas, pintei o tecto e as paredes, instalei umas luzes novas. No fim faltava o torno, igual ao dele que eu parti com uma investida de marreta enquanto me armava em serralheiro. Talvez um dia compre, quando estiver mais folgado. Acho que ele ia gostar do resultado final, no entanto só lhe ia sacar um "Tiveste bem, moço!" :)
Thora.
Thora.
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Ritual privado.
Meu Pai desespera com os noticiários fotocopiados. Solta o olhar pelos livros em exagerada liberdade e vacila entre o alívio de os notar gastos e a desaprovação pela falta de compostura. Vence o primeiro, "há que ler, há que ler", nele a frase não abriga réstia do spleen de Jacinto, traduz uma filosofia de vida.
Minha Mãe guarda-o, campânula que sem esforço renova oxigénio e carinho, "tens frio? Vou-te buscar a manta." A Michelle não a larga por um momento, desafia-a com o mesmo empenho que a faz descrever círculo gordo para lhe evitar o marido, desde o primeiro dia farejou a reticência do medo sem esperança de ponto final.
A Avó Sorgue desceu à Ribeiro, menos por guloseima do que pela baixa perigosa dos níveis de contacto humano, regressa de lá com novas amizades e um aceno aprovador para as convicções políticas do Senhor Álvaro, "o teu Avô já dizia o mesmo, isto precisa de uma grande volta". No fundo não acredita na raça diletante dos intelectuais, cala o diagnóstico por amor à filha, mas cita-a com volúpia, "tu e o teu Pai só servem para estudar".
O Pierre vocifera no outro extremo do arco político, embora neste momento o faça ao telefone, jura que não baixa um cêntimo ao preço enquanto os olhos nórdicos riem a bandeiras despregadas, a margem de lucro deve ser obscena. Do outro lado a voz não paga para ver o bluff, mas sim para lhe engordar a conta bancária, desliga e resmunga contra o frio, "Júlio, vens quinze dias para o anexo do jardim e eu arranjo quem transforme esta pocilga num arremedo de casa, irra!, já é masoquismo". Reprova aos intelectuais não saberem ganhar dinheiro e gozar a vida, mas não os mete todos no mesmo saco, "pelo menos o teu Pai respira classe". O querido maroto não resiste a picar-me...
O Zé Gabriel cerra o punho deliciado, a avaria do meu leitor de CDs rende-se com orgulho ao mestre do som. De imediato lança mãos à obra, a sala é invadida por ritmos dolentes e sinuosos, órfãos de corpos enlaçados que lhes façam as honras, ondula ele sozinho, é de olhos semi-cerrados que me lança aviso tantas vezes repetido, "não vá a África, doutor, garanto que não volta".
O relógio força-me a abandonar o regaço das nítidas sombras, em questões de memória Natal é mesmo quando um homem quer - e até quando não quer! -, estarão aqui amanhã, "tenho de ir...". Meu Pai e dialecto esquecido, "dê um beijo aos petizes, diga-lhes que as saudades doem"; minha Avó e a psicopatia amorosa, "não podes dizer que estás doente e ficar connosco?"; o Pierre e a amizade pragmática, "que não se metam em aventuras, o dinheirinho longe da Bolsa"; o Zé e o eterno amor, "uma boa colecção de jazz na FNAC e nada cara"; minha Mãe oferecendo a asa livre, "estás agasalhado?".
E aproveitando a quadra eu retenho-a com desculpa de armistício de cores entre jeans e camisola, a pergunta a medo que já desagua no terror, "estou perdoado?". Aqueles imensos lagos verdes, por natureza avessos à mentira, cravados nos meus, "não, mil vezes não, tinhas o dever de pôr fim aquele horror". Os dedos afloram-me o rosto, "rega as plantas, amo-te muito".
Michelle seca esta lágrima que exige irmãs em altos berros e também mergulha no fundo de mim.
O único ainda escravo do ranger de portas...
Minha Mãe guarda-o, campânula que sem esforço renova oxigénio e carinho, "tens frio? Vou-te buscar a manta." A Michelle não a larga por um momento, desafia-a com o mesmo empenho que a faz descrever círculo gordo para lhe evitar o marido, desde o primeiro dia farejou a reticência do medo sem esperança de ponto final.
A Avó Sorgue desceu à Ribeiro, menos por guloseima do que pela baixa perigosa dos níveis de contacto humano, regressa de lá com novas amizades e um aceno aprovador para as convicções políticas do Senhor Álvaro, "o teu Avô já dizia o mesmo, isto precisa de uma grande volta". No fundo não acredita na raça diletante dos intelectuais, cala o diagnóstico por amor à filha, mas cita-a com volúpia, "tu e o teu Pai só servem para estudar".
O Pierre vocifera no outro extremo do arco político, embora neste momento o faça ao telefone, jura que não baixa um cêntimo ao preço enquanto os olhos nórdicos riem a bandeiras despregadas, a margem de lucro deve ser obscena. Do outro lado a voz não paga para ver o bluff, mas sim para lhe engordar a conta bancária, desliga e resmunga contra o frio, "Júlio, vens quinze dias para o anexo do jardim e eu arranjo quem transforme esta pocilga num arremedo de casa, irra!, já é masoquismo". Reprova aos intelectuais não saberem ganhar dinheiro e gozar a vida, mas não os mete todos no mesmo saco, "pelo menos o teu Pai respira classe". O querido maroto não resiste a picar-me...
O Zé Gabriel cerra o punho deliciado, a avaria do meu leitor de CDs rende-se com orgulho ao mestre do som. De imediato lança mãos à obra, a sala é invadida por ritmos dolentes e sinuosos, órfãos de corpos enlaçados que lhes façam as honras, ondula ele sozinho, é de olhos semi-cerrados que me lança aviso tantas vezes repetido, "não vá a África, doutor, garanto que não volta".
O relógio força-me a abandonar o regaço das nítidas sombras, em questões de memória Natal é mesmo quando um homem quer - e até quando não quer! -, estarão aqui amanhã, "tenho de ir...". Meu Pai e dialecto esquecido, "dê um beijo aos petizes, diga-lhes que as saudades doem"; minha Avó e a psicopatia amorosa, "não podes dizer que estás doente e ficar connosco?"; o Pierre e a amizade pragmática, "que não se metam em aventuras, o dinheirinho longe da Bolsa"; o Zé e o eterno amor, "uma boa colecção de jazz na FNAC e nada cara"; minha Mãe oferecendo a asa livre, "estás agasalhado?".
E aproveitando a quadra eu retenho-a com desculpa de armistício de cores entre jeans e camisola, a pergunta a medo que já desagua no terror, "estou perdoado?". Aqueles imensos lagos verdes, por natureza avessos à mentira, cravados nos meus, "não, mil vezes não, tinhas o dever de pôr fim aquele horror". Os dedos afloram-me o rosto, "rega as plantas, amo-te muito".
Michelle seca esta lágrima que exige irmãs em altos berros e também mergulha no fundo de mim.
O único ainda escravo do ranger de portas...
quinta-feira, dezembro 23, 2010
O reverso da medalha.
Um amigo triste depois de um jantar alegre. Porque não acredito no clássico "ano novo, vida nova"? Talvez por o conhecer bem demais:(.
domingo, dezembro 19, 2010
Cuidado com as generalizações:).
"Eu tinha 20 anos. Não consentirei que ninguém diga que é a idade mais bela da vida". Paul Nizan.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Ontem à noite...
... fui ver o caçula tocar com Os Azeitonas no Sá da Bandeira. Que tantas vezes demandei com minha Mãe, ansiosa por reencontrar os amados companheiros de cena, à qual fora subtraída pela paixão por e de meu Pai. Mas antes abanquei no Buraco, o senhor Manuel fizera empadão e trouxas de batata em honra deste Machado Vaz fugidio, mas nunca ingrato. Acabara de cumprimentar os anfitriões e já pulava da mesa para abraçar o Alexandre Alves Costa. Sentei-me e novo pulo, era o Sérgio Fernandes. Chegaram as trouxas, de oito sobravam seis, o Alexandre invocara uma ida tormentosa ao dentista para roubar duas em trânsito! Os sms com o Rui Veloso, "depois do espectáculo...". Que começou com um atraso finérrimo e de mau agoiro, a dor de cabeça de hoje perfilava-se no horizonte. Não fosse eu o ouvido mais duro da cidade e do clube de fãs e já estaria pronto a substituir qualquer um dos Azeitonas (com excepção da garota coleante...). O João e o sorriso enlevado que apenas adivinho nestas circunstâncias. O Rui, sempre solidário, a curtir uma jam session com os seus protégés. E no fim a invasão pacífica do palco, naquela multidão um andar que afiançam jovem e elástico, mas - tirando isso...:( - igual ao meu, ali estava o Guilherme em dueto com o irmão, fazendo uma perninha na percussão. Foi uma delícia vê-los assim:). Quarenta anos depois da primeira aula teórica, ainda não me convenci que passei dois terços da vida em palco, maravilho-me com quem dá prazer ao público e com ele o partilha. E voltei para casa agradecido por outra razão - à entrada caíra nos braços do Carlos Prata, cúmplice de meio-século, e ao ensonado pedido de desculpas o Rui respondeu "fica para a próxima, pá". Não sou apenas o Pai babado de dois tipos encantadores e talentosos; tenho amigos que os podem guiar nas suas áreas profissionais, gostar deles por eles!, mas também por serem filhos de um compincha. Cuidá-los, se, antes do que gostaria, encontrar nalguma esquina a old laughing lady do velho Neil Young. A quem - noblesse oblige... - brindaria com um sorriso amarelo, antes de perguntar - "miúda, quem és tu?":).
domingo, dezembro 12, 2010
Acho injusto, com esta crise o que não faltam é portugueses tesos:(.
Sócrates visto como um "líder teso"
por Dn.ptHoje
A Embaixada dos EUA em Lisboa descreve Sócrates como um político carismático, que é "pragmaticamente eficaz" e um "líder teso", que resiste a tomar medidas que possam parecer uma cedência à pressão da opinião pública.
Os diplomatas americanos, segundo o telegrama com data de Setembro de 2007 e que foi divulgado pelo 'El País', agradecem ao Primeiro-Ministro português ter "permitido aos EUA usar a base das Lajes nos Açores para repatriar detidos de Guantánamo", "uma decisão difícil que nunca foi tornada pública".
por Dn.ptHoje
A Embaixada dos EUA em Lisboa descreve Sócrates como um político carismático, que é "pragmaticamente eficaz" e um "líder teso", que resiste a tomar medidas que possam parecer uma cedência à pressão da opinião pública.
Os diplomatas americanos, segundo o telegrama com data de Setembro de 2007 e que foi divulgado pelo 'El País', agradecem ao Primeiro-Ministro português ter "permitido aos EUA usar a base das Lajes nos Açores para repatriar detidos de Guantánamo", "uma decisão difícil que nunca foi tornada pública".
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Estamos salvos, uf:).
Senhor,
Poupaste-me às pragas por não considerar a luta ao défice equitativamente distribuída e debicar as revelações da WikiLeaks sobre a transparente Democracia global. Mil obrigados, receava sobretudo moscas e piolhos:(, nhac... Mas Tu foste mais longe, à ausência de punição juntaste uma benesse caída dos Céus, verdadeira dica para o futuro. Entendi-Te - o fim da crise para os portugueses virá pela mão do "metal" angolano!
Poupaste-me às pragas por não considerar a luta ao défice equitativamente distribuída e debicar as revelações da WikiLeaks sobre a transparente Democracia global. Mil obrigados, receava sobretudo moscas e piolhos:(, nhac... Mas Tu foste mais longe, à ausência de punição juntaste uma benesse caída dos Céus, verdadeira dica para o futuro. Entendi-Te - o fim da crise para os portugueses virá pela mão do "metal" angolano!
sexta-feira, dezembro 03, 2010
O frio lá fora (?).
Maria,
Um frio de rachar. Mantê-lo fora não é simples, ronda-me, o patife!, apaixonado pela humidade que sente na casa, pudesse eu e atirava-lha das ameias com uma asma alérgica de brinde. A ladainha da Avó Sorgue: "fechem portas e janelas...". O medo que nunca lhe confessei e me punha holofotes no cérebro, a insónia também envelheceu, agora adormeço bem e acordo de madrugada:(. Deixemos isso para mais logo, shall we, darling? Verifico as persianas em busca de abraço menos entusiasta de algum par de ripas, tudo acima, mergulho abaixo, ou as uno ou encravo a geringonça, será isto viver perigosamente para um pequeno-burguês tripeiro?
A tua voz no corredor - "abre-a". O maroto a esfregar as mãos de antecipada alegria, eu a soprar na janela e a escrever, "a persiana, mafarrico". Tudo acima devagar, não por cuidado, por gozo de Tântalo. A porta do quarto abrindo alas. E esse corpo que jamais deixavas cair na esparrela da nudez apressada, eu agradecia, despir-te era um ritual improvável entre o cambaleio dos meus dedos e a firmeza que os esperava por baixo de saia e blusa. A luz da noite e das girafas metálicas do jardim ignorando-me, e com razão!, o mundo a convergir para o centro do mundo - tu. Por incrível que pareça, quando chegava eu, sacudiras o pó das estrelas e a lama da Terra, nada mais existia, "vem".
Maria, porque está mudo o corredor e enregelado o meu sentir?
Um frio de rachar. Mantê-lo fora não é simples, ronda-me, o patife!, apaixonado pela humidade que sente na casa, pudesse eu e atirava-lha das ameias com uma asma alérgica de brinde. A ladainha da Avó Sorgue: "fechem portas e janelas...". O medo que nunca lhe confessei e me punha holofotes no cérebro, a insónia também envelheceu, agora adormeço bem e acordo de madrugada:(. Deixemos isso para mais logo, shall we, darling? Verifico as persianas em busca de abraço menos entusiasta de algum par de ripas, tudo acima, mergulho abaixo, ou as uno ou encravo a geringonça, será isto viver perigosamente para um pequeno-burguês tripeiro?
A tua voz no corredor - "abre-a". O maroto a esfregar as mãos de antecipada alegria, eu a soprar na janela e a escrever, "a persiana, mafarrico". Tudo acima devagar, não por cuidado, por gozo de Tântalo. A porta do quarto abrindo alas. E esse corpo que jamais deixavas cair na esparrela da nudez apressada, eu agradecia, despir-te era um ritual improvável entre o cambaleio dos meus dedos e a firmeza que os esperava por baixo de saia e blusa. A luz da noite e das girafas metálicas do jardim ignorando-me, e com razão!, o mundo a convergir para o centro do mundo - tu. Por incrível que pareça, quando chegava eu, sacudiras o pó das estrelas e a lama da Terra, nada mais existia, "vem".
Maria, porque está mudo o corredor e enregelado o meu sentir?
segunda-feira, novembro 29, 2010
Já escrevi metáforas piores:).
A distância é piedosamente enganadora - faz-nos crer que amamos as pessoas e não apenas o amor que tecemos à volta delas. Como a pérola, abraçada ao corpo estranho que a encanta e ameaça. Beleza prisioneira de concha própria...
domingo, novembro 28, 2010
Ao espelho.
Maria,
O meu Velho, dizia, quando ainda navegava a todo o pano, que a velhice era um naufrágio. Sempre encarei a frase num registo individual - os anos desgastariam "este barco" a nível mental e físico. Puro engano, o afundar dos outros deixa-me o travo amargo da impotência em boca e espírito - sou um patriarca malgré moi e ineficaz:(.
O meu Velho, dizia, quando ainda navegava a todo o pano, que a velhice era um naufrágio. Sempre encarei a frase num registo individual - os anos desgastariam "este barco" a nível mental e físico. Puro engano, o afundar dos outros deixa-me o travo amargo da impotência em boca e espírito - sou um patriarca malgré moi e ineficaz:(.
sexta-feira, novembro 26, 2010
Anselmo Braamcamp.
Maria,
O João vive agora a duzentos metros da casa em que nasci. Passei por ela ao deixá-lo. Talvez seja bom haver um Machado Vaz nas redondezas que a pode olhar sem os fantasmas acoitados dentro de mim. E cirandar à sua volta, fazê-la sentir-se admirada; rejuvenescida; importante. "O resto é silêncio...".
O João vive agora a duzentos metros da casa em que nasci. Passei por ela ao deixá-lo. Talvez seja bom haver um Machado Vaz nas redondezas que a pode olhar sem os fantasmas acoitados dentro de mim. E cirandar à sua volta, fazê-la sentir-se admirada; rejuvenescida; importante. "O resto é silêncio...".
quarta-feira, novembro 24, 2010
Espírito natalício.
Como já devem ter notado, o Benfica dá prendas a todos os necessitados. Qualquer equipa que esteja em crise, desmoralizada, de rastos, desabrocha contra nós. Por isso, pensamento positivo!:): se jogássemos contra palestinianos tínhamos levado seis...
P.S. Agora a sério: o grave é escutar as declarações de Jesus, que não tenciono crucificar - o homem não percebeu nada do que se passou:(. E quando bons amigos meus dizem que merecíamos ter goleado, sinto um arrepio na espinha, porque com racionalizações destas vem aí outro largo período de jejum...
P.S. Agora a sério: o grave é escutar as declarações de Jesus, que não tenciono crucificar - o homem não percebeu nada do que se passou:(. E quando bons amigos meus dizem que merecíamos ter goleado, sinto um arrepio na espinha, porque com racionalizações destas vem aí outro largo período de jejum...
terça-feira, novembro 23, 2010
O presente.
Maria,
Obrigado pelo disco. Já a "ordem", mesmo risonha, ofende saudade e inteligência - claro que vou dançar com a tua sombra!, porque raio me presentearias com slows?:).
Obrigado pelo disco. Já a "ordem", mesmo risonha, ofende saudade e inteligência - claro que vou dançar com a tua sombra!, porque raio me presentearias com slows?:).
domingo, novembro 21, 2010
Chamavam-lhe Caroline.
Maria,
Um filmezito de Domingo à noite sobre as rádios piratas dos anos sessenta. Um puto a sair de Charing Cross, a voz de Macca, Frère Jacques em pano de fundo, Paperback Writer:)))))). O rock, meu doce, já namorado em Portugal, irrompia na minha vida para não mais a deixar. E agora, sexagenário, estou grato por quase cinquenta anos de companhia fiel, os discos sorriem-me da estante. E mandam-te um beijo saudoso de boa noite.
Um filmezito de Domingo à noite sobre as rádios piratas dos anos sessenta. Um puto a sair de Charing Cross, a voz de Macca, Frère Jacques em pano de fundo, Paperback Writer:)))))). O rock, meu doce, já namorado em Portugal, irrompia na minha vida para não mais a deixar. E agora, sexagenário, estou grato por quase cinquenta anos de companhia fiel, os discos sorriem-me da estante. E mandam-te um beijo saudoso de boa noite.
quarta-feira, novembro 17, 2010
E eu ia lá estragar o dia a pessoa tão gentil?
Tratado com muito carinho em Lisboa. Mas ninguém me aqueceu a alma como o responsável da cantina da Faculdade de Letras. Que não só ouvia o programa!, também se declarou - a súplica minha... - em absoluto ofendido se eu não provasse o arroz doce:).
quinta-feira, novembro 11, 2010
Continuando...
Estou de acordo, há por aí muita "coragem" que não passa de inconsciência. Ou fuga para a frente!, alguns heróis de guerra assim o fizeram e ai de quem se lhes atravessou no caminho... O medo é um mecanismo adaptativo eficaz. Idealmente deveríamos determinar se é justificado ou não e agir em conformidade, mas essa avaliação depende das narrativas de vida individuais e possíveis factores biológicos. É preciso suportá-lo e à girândola de sintomas neuro-vegetativos que por vezes o acompanham. Mais do que vencê-lo, aprender a viver com ele, sem deixar que nos paralise.
Mas falar e escrever é fácil:).
Mas falar e escrever é fácil:).
Perplexidade.
Maria,
O medo não passa de uma dolorosa celebração da vida. Porque raio não ajuda e basta sabê-lo?
O medo não passa de uma dolorosa celebração da vida. Porque raio não ajuda e basta sabê-lo?
domingo, novembro 07, 2010
Andebol: Benfica 31 - Porto 30! Futebol???? Que desporto é esse?:).
Agora a sério - um abraço de parabéns aos murcónicos portistas, pela vitória de hoje e pelo campeonato que merecidamente vão ganhar. Aos benfiquistas sugiro que não fiquem hipnotizados pela humilhação desta noite ou se refugiem nas inovações tácticas de Jesus, a fazerem lembrar - pelo menos em termos de resultado:) - as que Jesualdo Ferreira guardava na manga para as visitas a Inglaterra. A dimensão do resultado não pode fazer esquecer que uma derrota no Dragão nunca espanta. Grave é chegar lá à décima jornada com sete pontos de atraso, tendo ganho ao Sporting e ao Braga; grave é em termos de intensidade de jogo esta equipa se assemelhar a uma versão geriátrica da do ano passado; grave é ter a sensação que o treinador desceu à Terra - se o Outro decidisse fazer o mesmo, receio que ficasse desiludido e não me refiro ao futebol... - no seguimento de entrevistas em que anunciou a intenção de ser campeão da Europa, declarou que na Supertaça se veria qual era a melhor equipa e que vitórias na Alemanha e em França seriam resultados normais; grave, por fim, é não perceber se a política de aquisições visa reforçar a equipa agora!, de modo a readquirir o hábito de ganhar com regularidade, ou investir em miúdos prometedores que se valorizem a médio prazo. Porque Gaitán, Jara, Salvio, Kardec e o "britânico" Rodrigo têm tanto direito a amadurecer como Di Maria teve, caramba! Entretanto um dos melhores defesas-esquerdos da Europa não joga no seu lugar e um dos melhores defesas centrais também não, Ruben Amorim faz perninhas como defesa-direito e no meio-campo ninguém chegou para fazer lembrar - muito menos esquecer... - Ramires.
Os erros pagam-se, pior é quando não aprendemos com eles. Resta ao Benfica perceber a importância de ganhar o campeonato pela segunda posição e assim aceder às eliminatórias da Liga dos Campeões. E ir ganhando os jogos que puder nas outras competições. E a nós - nem todos:( - saborear a tristeza, deitá-la para trás das costas e acordar amanhã conscientes do enorme privilégio que é ter um emprego e pessoas que nos amam.
Os erros pagam-se, pior é quando não aprendemos com eles. Resta ao Benfica perceber a importância de ganhar o campeonato pela segunda posição e assim aceder às eliminatórias da Liga dos Campeões. E ir ganhando os jogos que puder nas outras competições. E a nós - nem todos:( - saborear a tristeza, deitá-la para trás das costas e acordar amanhã conscientes do enorme privilégio que é ter um emprego e pessoas que nos amam.
terça-feira, novembro 02, 2010
Úm país lamentavelmente original...
Quem ouça e veja PS e PSD engalfinhados no andar -3 da Política é obrigado a perguntar se o calendário eleitoral não foi alterado. Porque na contagem decrescente para o início as Presidenciais, damos connosco soterrados pelas Legislativas que os oráculos afirmam primaveris. Ou seja: mais uma vez a Cidade e os seus problemas, quando muito...!, servem de pano de fundo a uma rasteira luta pelo Poder.
segunda-feira, novembro 01, 2010
Os que vivem cá dentro.
Mãe,
A saudade inunda os cemitérios. Também eu visitei um, impotente para evitar as lágrimas sofridas de amiga de mais de quarenta anos, a Mãe dela recebia-me como um filho, "e o Júlio o que quer lanchar?". Mais uma sombra luminosa que vem habitar este mundo interior que amiúde me distrai do outro, tantas vezes desprovido de qualquer interesse, "morto" ambulante e acéfalo:(. Toda esta gente, honrando os que fundaram e teceram as suas tribos, me merece um carinho respeitoso. Mas tínhamos razão, sabes? - é um extraordinário privilégio honrar-te por simplesmente aflorar o prado de Cantelães. Hoje, como todos os dias...
A saudade inunda os cemitérios. Também eu visitei um, impotente para evitar as lágrimas sofridas de amiga de mais de quarenta anos, a Mãe dela recebia-me como um filho, "e o Júlio o que quer lanchar?". Mais uma sombra luminosa que vem habitar este mundo interior que amiúde me distrai do outro, tantas vezes desprovido de qualquer interesse, "morto" ambulante e acéfalo:(. Toda esta gente, honrando os que fundaram e teceram as suas tribos, me merece um carinho respeitoso. Mas tínhamos razão, sabes? - é um extraordinário privilégio honrar-te por simplesmente aflorar o prado de Cantelães. Hoje, como todos os dias...
quinta-feira, outubro 28, 2010
Londres.
Maria,
Pousar em Heathrow e correr para tua casa num desses magníficos táxis britânicos. A bonomia - paga... - do condutor perante capricho habitual, "vamos por Abbey Road". A célebre passadeira, a tua peregrinação divertida e o feitiozinho autoritário, "atravessa e eu fotografo, pôes o poster no teu quarto". Lá me esperava ao deitar, via os marotos enquanto me imaginava a sacudir o teu ferrolho, esse rosto menineiro encantado, a private joke, "um momento, vou atirar o outro pela janela". O sofá. Tu instalada no meu colo, "conta". Muitas palavras e outros tantos silêncios cúmplices depois a tua cama de solteira, "se me visitares mais vezes compro uma de casal". Para quê, doce?, metade amanheceria virgem...
Era assim. E agora, essa delicada confiança no meu instinto, "mudei de apartamento". Evidentemente, nunca sujeitarias um novo amor ao peso da minha sombra. Acredita, ele agradece. E eu compreendo. Let it be...
Pousar em Heathrow e correr para tua casa num desses magníficos táxis britânicos. A bonomia - paga... - do condutor perante capricho habitual, "vamos por Abbey Road". A célebre passadeira, a tua peregrinação divertida e o feitiozinho autoritário, "atravessa e eu fotografo, pôes o poster no teu quarto". Lá me esperava ao deitar, via os marotos enquanto me imaginava a sacudir o teu ferrolho, esse rosto menineiro encantado, a private joke, "um momento, vou atirar o outro pela janela". O sofá. Tu instalada no meu colo, "conta". Muitas palavras e outros tantos silêncios cúmplices depois a tua cama de solteira, "se me visitares mais vezes compro uma de casal". Para quê, doce?, metade amanheceria virgem...
Era assim. E agora, essa delicada confiança no meu instinto, "mudei de apartamento". Evidentemente, nunca sujeitarias um novo amor ao peso da minha sombra. Acredita, ele agradece. E eu compreendo. Let it be...
terça-feira, outubro 26, 2010
Circular.
O O Amor é... já está disponível na net. Basta entrar no site da RTP, avançar para os multimédia e desaguar na RTPN, lista dos programas. E antes do fim das conversações PS/PSD:).
segunda-feira, outubro 25, 2010
Boa noite.
Fim-de-semana em Baião, a convite da Sociedade Portuguesa de Psicodrama. Pretexto? A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. A satisfação de trabalhar com velhos amigos, mas sobretudo o enlevo por receber o abraço de antigos alunos e colaboradores ou de simples companheiros de viagem nas minhas tropelias radiofónicas. Há mais de vinte anos que sou um privilegiado, conto pelos (meus) dedos os casos de agressividade ou ingratidão.
Testamento vital na RTP1. As consequências devastadoras de uma Sociedade em geral ter "roubado" a morte à vida - de que é parte integrante... - e de a Medicina a sentir como uma derrota humilhante e ignorar que a prática clínica começa e termina - OBRIGATORIAMENTE! - numa relação médico-doente baseada no escrupuloso respeito por dois Sujeitos.
Testamento vital na RTP1. As consequências devastadoras de uma Sociedade em geral ter "roubado" a morte à vida - de que é parte integrante... - e de a Medicina a sentir como uma derrota humilhante e ignorar que a prática clínica começa e termina - OBRIGATORIAMENTE! - numa relação médico-doente baseada no escrupuloso respeito por dois Sujeitos.
quinta-feira, outubro 21, 2010
Estou a precisar de gotinhas:(.
Ontem, ao ouvir Jesus sobre a exibição do Benfica, lembrei-me dos discursos do Engenheiro Sócrates acerca do país. E pensei: eles vêem mundos que eu não vejo, mas são dois! Logo..., vai ao psiquiatra, Júlio.
quarta-feira, outubro 20, 2010
Não deviam ser necessárias petições...
Exma/os Senhora/es: Ministra da Educação, Dra. Isabel Alçada Ministro de Estado e das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, Dr. António José Seguro
Actualmente existe um consenso generalizado na União Europeia quanto ao impacto positivo dos psicólogos no contexto escolar, nomeadamente nas seguintes áreas de acção/intervenção: - saúde mental global da comunidade educativa; - efectiva educação para a saúde; - melhoria das aprendizagens; - prevenção do abandono, da insegurança e da indisciplina; - gestão de conflitos entre pares, entre alunos e professores e entre diversos agentes educativos; - promoção de competências transversais; - processo de tomada de decisão vocacional; - integração de alunos com necessidades educativas especiais e melhoria das suas aprendizagens; - integração de minorias étnicas e melhoria das suas aprendizagens; - promoção da igualdade de género; - aproximação dos encarregados de educação à escola; - melhoria da saúde mental dos professores; - formação do pessoal docente e não docente. Estes ganhos traduzem-se em menor abandono e absentismo escolares, menor número de retenções, aumento qualitativo de resultados, menos processos disciplinares, menor absentismo docente, maior comunicação com os serviços de saúde e de apoio social, maior sinergia de recursos (logo, menores gastos), menor indecisão vocacional (logo, menores transferências/ abandono nos cursos de secundário/ profissionais), mais e melhor saúde sexual e reprodutiva, menor consumo de substâncias psicotrópicas, maior participação dos diversos agentes educativos (logo, maior celeridade na resolução dos problemas), melhor preparação e adequação aos modelos de aprendizagem ao longo da vida e, logo, maior produtividade. Em Portugal, os psicólogos a trabalhar no contexto escolar têm, nos últimos anos, constituído vínculo profissional precário e sem possibilidade de carreira. Além disso, a existência de Serviços de Psicologia efectivos nas escolas é ainda (e cada vez mais) uma realidade distante no nosso país, inviabilizando ou constrangendo desde logo a consecução dos ganhos referidos. Deste modo, vimos requerer a Vossas Excelências que, no âmbito das vossas funções, promovam a contratação efectiva e digna de psicólogos para trabalhar no contexto escolar, de modo a que todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas do país possam brevemente ter em funcionamento os seus Serviços de Psicologia.
Actualmente existe um consenso generalizado na União Europeia quanto ao impacto positivo dos psicólogos no contexto escolar, nomeadamente nas seguintes áreas de acção/intervenção: - saúde mental global da comunidade educativa; - efectiva educação para a saúde; - melhoria das aprendizagens; - prevenção do abandono, da insegurança e da indisciplina; - gestão de conflitos entre pares, entre alunos e professores e entre diversos agentes educativos; - promoção de competências transversais; - processo de tomada de decisão vocacional; - integração de alunos com necessidades educativas especiais e melhoria das suas aprendizagens; - integração de minorias étnicas e melhoria das suas aprendizagens; - promoção da igualdade de género; - aproximação dos encarregados de educação à escola; - melhoria da saúde mental dos professores; - formação do pessoal docente e não docente. Estes ganhos traduzem-se em menor abandono e absentismo escolares, menor número de retenções, aumento qualitativo de resultados, menos processos disciplinares, menor absentismo docente, maior comunicação com os serviços de saúde e de apoio social, maior sinergia de recursos (logo, menores gastos), menor indecisão vocacional (logo, menores transferências/ abandono nos cursos de secundário/ profissionais), mais e melhor saúde sexual e reprodutiva, menor consumo de substâncias psicotrópicas, maior participação dos diversos agentes educativos (logo, maior celeridade na resolução dos problemas), melhor preparação e adequação aos modelos de aprendizagem ao longo da vida e, logo, maior produtividade. Em Portugal, os psicólogos a trabalhar no contexto escolar têm, nos últimos anos, constituído vínculo profissional precário e sem possibilidade de carreira. Além disso, a existência de Serviços de Psicologia efectivos nas escolas é ainda (e cada vez mais) uma realidade distante no nosso país, inviabilizando ou constrangendo desde logo a consecução dos ganhos referidos. Deste modo, vimos requerer a Vossas Excelências que, no âmbito das vossas funções, promovam a contratação efectiva e digna de psicólogos para trabalhar no contexto escolar, de modo a que todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas do país possam brevemente ter em funcionamento os seus Serviços de Psicologia.
O casaco.
O Pierre tinha um casaco dos marines. E eu, pacifista por convicção e receio, adorava-o. Entretanto o Pierre comia e deixou de caber nele. Herdei-o. O cancro do pulmão roubou-me o amigo e foi a minha vez de engordar. O João herdou o casaco e vi-o partir com ambivalência - satisfeito por o ver no rapaz, triste por deixar de lhe sentir o calor, que me lembrava o da amizade. Em Londres vi um - demasiado grande, eu emagrecera... Quase fiquei com ele, só para o ter no armário, odiei-me por ouvir a razão. Em Amesterdão entrei loja dentro, decidido a comprar até um XL! O Senhor e o Acaso perceberam e entregaram-me um do tamanho certo. O frio chegou. Vesti o casaco. Lá em cima o Pierre sorriu, meneando a cabeça, e murmurou - "aquele eterno pateta...".
... Recorda-o todos os dias.
P.S. Asseguram-me que em breve o O Amor é... da RTPN estará disponível em podcast (?).
... Recorda-o todos os dias.
P.S. Asseguram-me que em breve o O Amor é... da RTPN estará disponível em podcast (?).
sábado, outubro 16, 2010
Definitivamente sexagenário:).
Gente,
Grato pela lembrança de alguns, mas não lamentem a ausência de "festa" no blog. Admito que encaro hoje os aniversários com um franzir de sobrolho, pela contagem decrescente que traduzem, mas nunca os vivi como dias "privilegiados". Por isso vos agradeço o espreitar quotidiano, os diálogos que mantêm, a crítica e o apoio episódicos. Há muito que o Murcon deixou de ser novidade ou moda, mas sobrevive. Como o amor tranquilo que sucede à paixão turbulenta...
Grato pela lembrança de alguns, mas não lamentem a ausência de "festa" no blog. Admito que encaro hoje os aniversários com um franzir de sobrolho, pela contagem decrescente que traduzem, mas nunca os vivi como dias "privilegiados". Por isso vos agradeço o espreitar quotidiano, os diálogos que mantêm, a crítica e o apoio episódicos. Há muito que o Murcon deixou de ser novidade ou moda, mas sobrevive. Como o amor tranquilo que sucede à paixão turbulenta...
terça-feira, outubro 12, 2010
A boa gente que me adoptou.
Em verdade vos digo, a luta dos vieirenses pelo SAP é justa. Não sou dos que vivem mais longe!..., e se me dá um treco em Cantelães chego à Urgência de Braga pronto para vestir um sobretudo de madeira:(.
sábado, outubro 09, 2010
terça-feira, outubro 05, 2010
5 de Outubro.
Aniversário de minha Mãe. Quando era puto, meu Pai declarava, solene: "Veja, feriado nacional em honra da Senhora sua Mãe". E o amor feroz e ingénuo que em criança por Ela tinha, fazia da marota brincadeira a verdade mais granítica que o não menos granítico Porto já presenciara. O afecto não diminuiu, apenas os adjectivos que o escoltam - a vida apontou os holofotes sobre "culpado" e "saudoso". E a velhice, que me namora antes do que desejaria, justiça lhe seja feita...: poupa - afaga mesmo! -, a teimosia infantil que cá dentro sobrevive, para implantar a República, os revoltosos escolheram, como prova de carinho e admiração, o Dia de minha Mãe:).
quarta-feira, setembro 29, 2010
O princípio da realidade.
Hoje, Sócrates e Jesus visitaram o planeta Terra. Presumo que antes da meia-noite Woody Allen emita um comunicado em que reconheça ter filmado com Carla Bruni por luxúria e não por ela saber representar:).
sexta-feira, setembro 24, 2010
Ensanduichado.
De um lado a gravitas de Cavaco; do outro a ladainha vitimizada de Sócrates. Passos Coelho vai estrebuchar, mas - passo a passo!:) - acabará por se refugiar na sua lura. A bem do país...
Lua cheia em Cantelães. Fim do Verão, para onde fugiram as gargalhadas juvenis? Quantas me serão ainda concedidas?
Lua cheia em Cantelães. Fim do Verão, para onde fugiram as gargalhadas juvenis? Quantas me serão ainda concedidas?
quarta-feira, setembro 22, 2010
Circular informativa.
A RTPN informou-me ontem que a versão televisiva de O Amor é... arrancará a 4 de Outubro. Quase literalmente a bem da República:).
domingo, setembro 19, 2010
À moda antiga, carago:).
Maria,
Os rapazes reviveram o passado. Não em Brideshead, na Luz, e eu vou dormir melhor:). Tomei uma das decisões importantes que estavam na sala de espera. É tão estranho fazê-lo sem a asa da tua opinião...
Os rapazes reviveram o passado. Não em Brideshead, na Luz, e eu vou dormir melhor:). Tomei uma das decisões importantes que estavam na sala de espera. É tão estranho fazê-lo sem a asa da tua opinião...
terça-feira, setembro 14, 2010
Boa noite, maralhal.
O Guilherme veio arriscar comigo nova barraca do Benfica. E de repente o temido desgosto adicional empalideceu. Ele pediu o inevitável sushi, eu o surpreendente (?:)) bife grelhado, abrimos uma garrafa de vinho, só faltava o João para me sentir de regresso à adolescência deles, que tiveram a suprema gentileza de a viver à distância de uma carícia paterna. Depois foi vê-lo escolher livros e discos, "posso?". Pergunta retórica, sempre amei através das coisas, na esperança que ao encantarem os outros lhes segredassem as palavras que o freio de razão e timidez mantinham, gulosas, no meu coração. Prestei pouca atenção ao jogo, a estritamente necessária para simpatizar com o árbitro e piscar o olho ao miúdo aterrorizado que nos defende a baliza. De resto, gozei-lhe a companhia. Brindámos à vitória fora de horas do seu irmão adoptivo, Rafael Nadal. Os meus filhos sempre encararam com bonomia tais dislates afectivos do pai. Primeiro foi Pete Sampras, que vi chorar em pleno court, rapazito surpreendido pelo cancro que em breve lhe mataria treinador e amigo. Adoptei-o para a vida, como entendia o receio da perda de uma figura parental:(. Com esta mania de se jogar ténis ao abrigo de outros fusos horários, lembro-me de fazer noitadas para lhe seguir os jogos, eu gritava "sim!" e os rapazes dizam aos amigos "o Sampras ganhou". Seria incapaz de o esquecer ou substituir, mas Nadal foi o herdeiro, o preguiçoso inseguro dentro de mim rende-se, fascinado, à genica escondida por trás daquele sorriso tímido e humilde, o rapaz resistiu ao apelo dos holofotes e permanece fiel às raízes. Eu e o Guilherme recordámos jogadas, o fair play de Djokovic, fizemos planos para o "nosso" futuro. Entretanto o Benfica ganhou - não poderemos jogar o campeonato israelita? - e de um dos livros que me pediu emprestados caiu uma carta destinada a minha santa Mãe, que passava férias... em Maiorca, muito antes de Nadal nascer:))))). Li-me sem surpresa. Ia entrar na Universidade, confessava à matriarca o pânico de a envergonhar e a meu Pai. Passei a vida com medo, no meio da ponte - de um lado os Velhos, do outro os rapazes, a quem não desiludi? O Guilherme foi-se embora, depois de um abraço amigo entre dois homens, por acaso unidos pelo sangue. E eu, sozinho, fitei o corredor sombrio e sorri pelos fantasmas que nele passeiam - fraternos uns, sensuais outros, a solidão nada pode contra mim. Muito menos se dou corda à caixa de música de minha Mãe e me quedo, enternecido, perante o aprumo da bailarina que roda sobre o pano de fundo espelhado. Há gente que jamais permitirá que mergulhe em vale de lençóis a solo, regaços que não me deixam, por sempre alucinados:).
sexta-feira, setembro 10, 2010
Na paz de Cantelães.
O Benfica perdeu hoje o campeonato. Embora não surpreendido, devo aos murcónicos um pedido de desculpas - previ que tal pudesse acontecer à décima jornada, errei por mais de cinquenta por cento! Significa isto que branqueio a arbitragem de Olegário Benquerença y sus muchachos? De modo algum!, bastará dizer que excederam as minhas (piores) expectativas:(. Mas o facto de Jorge Jesus ter repetido que somos os melhores - como antes da final da supertaça... - e as justas queixas de Rui Costa e Luís Filipe Vieira não anulam a triste realidade: o Benfica é uma sombra do que foi o ano passado. Por circunstâncias que nos escaparam, mas também por desleixo na manutenção do nível da equipa e arrogância, tenho a desagradável impressão de que apenas chegaram investimentos para o futuro - Domingo aterra mais um... - e não reforços para o presente:(. Como se explica que Balboa tenha tido uma oportunidade e Urreta não? Ninguém previu a saída de Ramires? A um outro nível - alguém alertou LFV para o assalto ao poder na Liga ou pura e simplesmente ele ignorou os avisos? E, por favor!, não venham com a ladainha dos tiros no pé por fazer perguntas e exprimir perplexidades, hoje espera-me a insónia do costume, os meus meninos perderam. Por culpa própria e de um senhor que brilha nas competições europeias desde que uma das equipas não seja comandada por José Mourinho, mas não só - esta época foi mal planificada e tal não podia acontecer. Porque LFV tem razão - as grandes equipas não se limitam a ganhar um campeonato de vez em quando:(.
quarta-feira, setembro 08, 2010
A sombra.
A sombra que te não seguiu, faz figura de parente pobre. Com razão!, mergulho nela e não tropeço em olhar enevoado, mãos peregrinas, coxas firmes e suplicantes. Mas ficou, adormece e acorda feliz a meu lado, não me pergunta pela sua Peter Pan.
E isso conta, minha querida, isso conta...
E isso conta, minha querida, isso conta...
segunda-feira, setembro 06, 2010
quarta-feira, setembro 01, 2010
O Outono chegou mais cedo.
A primeira semana de Setembro é casa de aniversários. A sombra de minha Mãe partiu, o homem dela nasceu. Por coincidência, nestes dois dias em Lisboa, cada vez que fiz zapping tropecei em gente a perorar sobre o pensamento positivo, incluindo num episódio de Anatomia de Grey! A tristeza tornou-se obscena:(. E para equilibrar a minha, construo uma intuição optimista, politicamente correcta, "socrática" - a sombra de minha Mãe decidiu abrilhantar o aniversário de meu Pai, de quem herdei a absoluta indiferença por tal data, festejo-a pela ternura que a tribo me desperta. Faço as contas e chego a conclusão científica - a viagem até ao paraíso dos amantes demora cinco dias. Chegará para evitar o exílio, numa sociedade que abomina a angústia e a degola à força de pastilhas?
domingo, agosto 29, 2010
A caminho.
Na véspera da estrada o nervoso miudinho faz as malas comigo. A preguiça também... São velhos conhecidos. Como o imponente porteiro do hotel, "prazer em tê-lo connosco outra vez". Do serviço de quartos virá pergunta risonha, "o costume?". Sou um tipo previsível , rotineiro e meticuloso, que dispensaria a ansiedade se pudesse trabalhar sem ela. Não posso, a adrenalina põe-me em guarda e capaz de enfrentar o mais impiedoso dos críticos - o que já saliva dentro de mim. Nunca lhe arranquei uma salva de palmas, já a não espero. Basta-me um quase imperceptível aceno aprovador...
segunda-feira, agosto 23, 2010
The remains of the day ( eu sei, título roubado...).
Tu vais-te embora. E da soberba chuva desse cabelo restam apenas gotas do meu suor. Fatigadas; e contudo escrevendo a mesma pergunta em cada centímetro deste corpo agradecido - quando choverá outra vez?
Há vida para além do campeonato:).
Não contem comigo para desancar o puto de 24 anos e olhar aterrorizado que sofre horrores na baliza do Benfica, ao longo dos anos vi aquela expressão, ele já passeia pelo Inferno sem a minha ajuda:(. Por isso lhe desejo que tenha entrado em casa, feito zapping e tropeçado em O Amor Acontece pela enésima vez. Espero que aprenda mais novo do que eu a não sentir vergonha por curtir um happy end enroscado no sofá. Irra!, valham-nos os filmes:).
sexta-feira, agosto 20, 2010
Sextas.
À Sexta, quando chego a Cantelães, vou jantar à Mindinha. Mas se estiver por aqui de férias, à Sexta... vou à Mindinha:). Muito antes de ensinar Antropologia Médica já me apercebera da importância dos rituais - dão-nos uma sensação inigualável de segurança, pertença, calor humano. É, no meu caso, difícil estabelecer a diferença entre o ritual securizante e a rotina do murcon incorrigível? Concedo sem discussão. Mas não arrisco um milímetro para simular uma flexibilidade que não possuo - invariavelmente regresso a locais e pessoas que me fizeram sentir aconchegado. Por egoísmo enternecido:).
terça-feira, agosto 17, 2010
Bloqueio.
Amarfanhou a página e e ofereceu-a à lareira. As palavras interrogaram-no - doridas; silenciosas; por escrever. Murmurou - "não consigo, prefiro o silêncio a ofender-vos". E elas partiram, em busca de quem conseguisse fazê-las dançar. Ficaram as lágrimas, por definição clandestinas em discurso macho, logo, sem nada a perder. E que não precisam da escrita, apenas da solidão, para verem a luz do dia...
domingo, agosto 15, 2010
Na segunda parte massacrámos, trá-lá-lá..., pardais ao ninho:).
É pá, assim vai ser fácil comentar os jogos do meu Benfica, antes de mais uma insónia pintada de asneiras vermelhas. Jesus disse que não haveria desculpas, o que me facilita a tarefa, limito-me a fazer copy/paste do que opinei sobre o jogo contra o FCP - a exibição foi uma vergonha:(. E escreveria o mesmo em caso de empate ou vitória milagrosa de carambola ao minuto 94, os três pontos não apagariam o que (não) vi, por exemplo, em Peixoto, Sidnei, Cardozo ou Aimar. A jogar assim, o Benfica pode estar afastado da luta pelo título à décima jornada... Engolir o que acabo de escrever? Meninos, se for caso disso, fá-lo-ei deliciado:))))))))).
quinta-feira, agosto 12, 2010
50 anos.
Pois, os Beatles..., esses amigos íntimos que não me conheciam:). No Cabedelo, durante a actuação dos Azeitonas, o João e o Miguel solavam deliciados e o Guilherme - não menos deliciado... - berrava-me ao ouvido - "AC/DC". Também eu ondeava, mas à espera da cereja em cima do bolo. Os breves acordes e a minha vez de inundar a orelha do mais velho - "Beatles, Ticket to Ride". Ele sorriu, compreensivo mas alheio ao ritual, a religião que partilhamos é o Benfica. O caçula, saiba-o ou não - e eu acho que sabe... -, quando lhes toca a música, não se limita a curti-la, com um dos sorrisos enlevados que apenas surgem às cavalitas da guitarra. Também redime o adolescente sem talento que assassinou All my Loving, em dueto com paciente amiga sueca, num palco de Folkestone; o quarentão que se deixou cair no sofá para chorar Lennon; e tantos outros Júlios que viveram ao ritmo deles. Por isso, o alinhamento do reportório dos Azeitonas continuou, imperturbável, mas, clandestino na multidão, um sexagenário cantarolava, não menos imperturbável - "she said that living with me, was bringing her down, yeah...".
Hum, será que o meu péssimo feitio influenciou uma letra dos Beatles?:).
Hum, será que o meu péssimo feitio influenciou uma letra dos Beatles?:).
terça-feira, agosto 10, 2010
A caixinha mágica.
Maria,
Comecei as gravações para a televisão. Lembras-te da frase que o meu Pai gostava de citar? - "um bom improviso leva muito tempo a preparar". Já não bastam os holofotes, a maquilhagem, as mãos "amarradas" para não entrarem em planos que não são meus, ainda surgem os barulhos inesperados, as falhas do material, o tempo espremido para uns incríveis quatro minutos que parecem implorar simples chavetas:(. Este O Amor é... nunca será o O Amor é... da rádio, falta-lhe o jejum visual que acarreta a celebração da palavra. Resta o óptimo ambiente da equipa e a boa onda que eu e a Inês continuamos a surfar:). Mas falta a tua opinião, lembras-te do Sexualidades? Os meus velhotes ignoravam, risonhos, qualquer réstia de isenção, mas tu vias, ouvias e criticavas. (Construtivamente, como agora se diz...). A verdade é que acertavas sempre, "Júlio, aceito que estivesses cansado e ansioso pela estrada durante a gravação, mas o programa de ontem foi um bocado preguiçoso...". O teu sorriso - "não que me desagrade imaginar-te ansioso pela estrada!". E eu mentia, dizendo que já estava a caminho do hotel e pendurava-me na tua campainha a horas de sair em busca de pão quente, mas na esperança de matar larica e frio no calor dos teus braços.
Comecei as gravações para a televisão. Lembras-te da frase que o meu Pai gostava de citar? - "um bom improviso leva muito tempo a preparar". Já não bastam os holofotes, a maquilhagem, as mãos "amarradas" para não entrarem em planos que não são meus, ainda surgem os barulhos inesperados, as falhas do material, o tempo espremido para uns incríveis quatro minutos que parecem implorar simples chavetas:(. Este O Amor é... nunca será o O Amor é... da rádio, falta-lhe o jejum visual que acarreta a celebração da palavra. Resta o óptimo ambiente da equipa e a boa onda que eu e a Inês continuamos a surfar:). Mas falta a tua opinião, lembras-te do Sexualidades? Os meus velhotes ignoravam, risonhos, qualquer réstia de isenção, mas tu vias, ouvias e criticavas. (Construtivamente, como agora se diz...). A verdade é que acertavas sempre, "Júlio, aceito que estivesses cansado e ansioso pela estrada durante a gravação, mas o programa de ontem foi um bocado preguiçoso...". O teu sorriso - "não que me desagrade imaginar-te ansioso pela estrada!". E eu mentia, dizendo que já estava a caminho do hotel e pendurava-me na tua campainha a horas de sair em busca de pão quente, mas na esperança de matar larica e frio no calor dos teus braços.
sábado, agosto 07, 2010
Perder é sempre uma hipótese...
... mas de pois desta exibição aos níveis anímico, técnico, táctico e disciplinar... é uma vergonha!
sexta-feira, agosto 06, 2010
O Credo e o sorriso na boca.
Cantelães dormita, aconchegada no vale. Mas para lá dos montes o fumo espreita, parece divertir-se a mudar de localização e rumo, vejo as crianças na piscina com um sorriso enternecido e cercado... Ontem os castelos de nuvens negras eram impressionantes e teimosos, o vento não pressagiava nada de bom. Telefonema para a D.Irene,´"é perto?". E a surpresa quase ofendida, "se fosse perto já estava aí". É verdade, ela e o marido combateram o fogo a poucos metros da casa há um par de anos, enquanto esperavam os bombeiros. De arbustos em punho chicotearam a besta, mas não esconderam a crueza dos factos - "se o vento soprasse ao contrário...".
Cantelães é um Paraíso ameaçado pelas chamas. E não são as do Inferno...
Cantelães é um Paraíso ameaçado pelas chamas. E não são as do Inferno...
segunda-feira, agosto 02, 2010
Reconfortante.
Um bom artigo no Público do Juiz Desembargador Narciso Machado sobre o Vaticano e o sacerdócio da mulher. Gostei sobretudo do entrelaçar de uma cultura de igualdade actual e da vertente histórica, que, apoiada nos textos sagrados, indubitavelmente prova o importante papel das mulheres nas primeiras comunidades cristãs. E para além da morte e ressurreição de Jesus, a Sua vida, claro! Com elas privou e falou, escutando-lhes e até aceitando os argumentos, como no episódio da mulher cananeia. Naquele banho cultural era em absoluto revolucionário... Por isso me entristece que tantas passagens da Bíblia sejam hoje apresentadas em função do contexto histórico e no que às mulheres diz respeito ele desapareça e a eterna ladainha dos apóstolos homens assuma o estatuto de Verdade imune a tempo e espaço. Trata-se de uma mistificação urdida por homens que citam S. Paulo, mas reservam o "não há homem nem mulher..." para consumo externo. Santa Teresa de Ávila tinha razão quando sotto voce exprimia ao Senhor o seu desencanto face à gritante desigualdade entre os sexos:(.
sexta-feira, julho 30, 2010
Sem as orelhas a arder!
Maria,
As vantagens de te escrever não escrevendo, o ralhete com que me brindarias...:). Porquê? Ora, o tema "proibido" - a morte. Que abominavas, por deslizar com facilidade para uma em particular; a minha. E tu recusando, teimosa, a evidência, eras uma viúva a prazo, com ou sem papéis assinados, "não gosto que fales disso". Este fim-de-semana outros falam e eu penso. O fim do António Feio na comunicação social. Gostava dele e respeitei a dignidade e o humor com que viveu o último ano e meio. Pai e Avô de amigos do peito aqui no Porto, os olhos marejados de lágrimas, nunca sei o que dizer, espero que tenham "ouvido" bem alto os meus abraços:(. Finalmente em marcha o processo de cremação do Velho, a angústia de o saber longe da sua Menina, como lhe chamava, vem-me roendo:(. Sabes?, à noite, em Cantelães, quando me ofereço uns minutos de recolhimento no corredor, uma sensação estranha aparece, de assustadora de início passou a reconfortante - (já) estou em casa. Um dia destes não fitarei o relvado, na esperança de ver surgir a minha raposita esfaimada, serei parte dele.
E a tribo crescerá, literalmente apoiada em mim:).
As vantagens de te escrever não escrevendo, o ralhete com que me brindarias...:). Porquê? Ora, o tema "proibido" - a morte. Que abominavas, por deslizar com facilidade para uma em particular; a minha. E tu recusando, teimosa, a evidência, eras uma viúva a prazo, com ou sem papéis assinados, "não gosto que fales disso". Este fim-de-semana outros falam e eu penso. O fim do António Feio na comunicação social. Gostava dele e respeitei a dignidade e o humor com que viveu o último ano e meio. Pai e Avô de amigos do peito aqui no Porto, os olhos marejados de lágrimas, nunca sei o que dizer, espero que tenham "ouvido" bem alto os meus abraços:(. Finalmente em marcha o processo de cremação do Velho, a angústia de o saber longe da sua Menina, como lhe chamava, vem-me roendo:(. Sabes?, à noite, em Cantelães, quando me ofereço uns minutos de recolhimento no corredor, uma sensação estranha aparece, de assustadora de início passou a reconfortante - (já) estou em casa. Um dia destes não fitarei o relvado, na esperança de ver surgir a minha raposita esfaimada, serei parte dele.
E a tribo crescerá, literalmente apoiada em mim:).
segunda-feira, julho 26, 2010
Dia dos Avós.
Maria,
Por mero acaso descobri que é o Dia dos Avós. E apercebi-me do verdadeiro efeito de "rolo compressor" que a morte de minha Mãe teve - ao desbloquear as suas memórias, enviou tantas outras que amo para os bastidores! A Avó Sorgue... E tu mentias:) - "não, nunca me contaste essa história". As tropelias daquela força da Natureza, com um neto sorumbático à arreata, a minha grande aventura resumia-se a não denunciar as dela e invejá-las:(. Não os factos!, o modo como os vivia: inteira; sem hesitação, arrependimento ou retorno. À distância, é evidente que o amor dela por mim tinha de ser claustrofóbico e opressivo, afinal eu substituía um marido morto aos vinte e poucos anos. E no entanto, sempre que chamo ao presente as pessoas de cuja afeição nunca duvidei, ela está na primeira fila. (Tu dirias: "primeira, única e anémica!". E depois: "contam-se pelos dedos das mãos".) Eu sei, querida, mas pensa comigo: nós psis, raciocinamos muito em termos de falha e compensação, de onde brota a dúvida metódica e por vezes assassina? Quem desiludiu, falhou, traiu? A outra face da moeda também exige consideração, quem estabeleceu padrões, termos de comparação inconscientes? Se eu tiver razão, e como dizem os anglo-saxónicos, a minha Avó Sorgue was a (first) tough act to follow!
E eu tornei-me um juiz muito exigente em causa própria...
Por mero acaso descobri que é o Dia dos Avós. E apercebi-me do verdadeiro efeito de "rolo compressor" que a morte de minha Mãe teve - ao desbloquear as suas memórias, enviou tantas outras que amo para os bastidores! A Avó Sorgue... E tu mentias:) - "não, nunca me contaste essa história". As tropelias daquela força da Natureza, com um neto sorumbático à arreata, a minha grande aventura resumia-se a não denunciar as dela e invejá-las:(. Não os factos!, o modo como os vivia: inteira; sem hesitação, arrependimento ou retorno. À distância, é evidente que o amor dela por mim tinha de ser claustrofóbico e opressivo, afinal eu substituía um marido morto aos vinte e poucos anos. E no entanto, sempre que chamo ao presente as pessoas de cuja afeição nunca duvidei, ela está na primeira fila. (Tu dirias: "primeira, única e anémica!". E depois: "contam-se pelos dedos das mãos".) Eu sei, querida, mas pensa comigo: nós psis, raciocinamos muito em termos de falha e compensação, de onde brota a dúvida metódica e por vezes assassina? Quem desiludiu, falhou, traiu? A outra face da moeda também exige consideração, quem estabeleceu padrões, termos de comparação inconscientes? Se eu tiver razão, e como dizem os anglo-saxónicos, a minha Avó Sorgue was a (first) tough act to follow!
E eu tornei-me um juiz muito exigente em causa própria...
quarta-feira, julho 21, 2010
Nota de rodapé.
Quando a nudez da impotência se torna demasiado angustiante, as vestes finas da racionalização transformam-na em realismo. E sobrevivemos. O que é manifestamente pouco...
quinta-feira, julho 15, 2010
A formatura.
O João formou-se hoje, passei a ter um filho arquitecto e outro engenheiro/psicólogo:). Ambos talentosos, se me perdoam a mais do que suspeita opinião. De regresso a casa recordei brincadeira favorita do meu Velho - depois do início do Sexualidades, quando saíamos os três e acontecia sermos apresentados a alguém, ele declarava, embevecido: "sou o marido e pai das vedetas". Um sedutor letal... Fosse ele vivo e depois do jantar o telefone soaria. "Sim?" (chegávamos a dizê-lo em coro...). Eu calar-me-ia. E o meu Velho explicaria como "os nossos rapazes" eram encantadores e brilhantes, a exemplo do Avô Presidente. Sem qualquer receio profetizaria o mesmo para os "petizes", depois dele nunca mais ouvi a palavra:(. E por fim, ele, que recuava, tímido, perante um abraço mais apertado, despedir-se-ia com enorme doçura na voz - "vá descansar, meu filho, achei-o fatigado. Um beijo da Senhora sua Mãe". Quando os lembro e vejo os rapazes, percebo a ternura que sempre nutri pelos Jáfumega - fui e sou uma ponte para a outra margem. Em momentos de tristeza e dúvida, receio que a ponte seja uma miragem...
Boa noite, gente.
Boa noite, gente.
terça-feira, julho 13, 2010
As pessoas "adquiridas".
Maria,
Hoje apetecia-me tão pouco andar a pé que levei andarilho, leia-se música. E no momento de escolher lembrei-me da clínica e do que tu dizias, sabes? "Tomamos as pessoas por dados adquiridos...". Há quanto tempo não ouvia o álbum branco dos Beatles? Foi como suspirar de alívio por confirmar uma paixão:). A batida de Back in the USSR, que poderia ter tido os Beach Boys a fazer os coros; Rocky Raccoon e os westerns da minha juventude; Julia e a neurose de abandono de Lennon que desaguaria em Mother; Blackbird e a consciência social que na altura eu não adivinhava em Macca; Piggies e a ironia corrosiva de Harrison; Happiness is a warm gun e o seu flirt com a heroína, consciente ou inconsciente; e While my Guitar Gently Weeps, a tua preferida. O choro de que só Clapton tinha o segredo:). Lembro-me de chegar a Londres aos dezasseis anos e ver escrito no metropolitano "Clapton is God". Apesar da estúpida morte do filho, não creio que o Senhor se tenha ofendido e ajustado contas. Porque uma guitarra tão plangente é "religiosa", tinhas razão. E contudo, agora, sabendo-te longe por decisão e quilómetros, é "I will" que oiço ao longo do rio, enquanto me interrogo - qual de nós dá o outro como adquirido e arrisca não lhe viver o colo se decidir ressuscitar o que tivemos?
Dorme bem.
Hoje apetecia-me tão pouco andar a pé que levei andarilho, leia-se música. E no momento de escolher lembrei-me da clínica e do que tu dizias, sabes? "Tomamos as pessoas por dados adquiridos...". Há quanto tempo não ouvia o álbum branco dos Beatles? Foi como suspirar de alívio por confirmar uma paixão:). A batida de Back in the USSR, que poderia ter tido os Beach Boys a fazer os coros; Rocky Raccoon e os westerns da minha juventude; Julia e a neurose de abandono de Lennon que desaguaria em Mother; Blackbird e a consciência social que na altura eu não adivinhava em Macca; Piggies e a ironia corrosiva de Harrison; Happiness is a warm gun e o seu flirt com a heroína, consciente ou inconsciente; e While my Guitar Gently Weeps, a tua preferida. O choro de que só Clapton tinha o segredo:). Lembro-me de chegar a Londres aos dezasseis anos e ver escrito no metropolitano "Clapton is God". Apesar da estúpida morte do filho, não creio que o Senhor se tenha ofendido e ajustado contas. Porque uma guitarra tão plangente é "religiosa", tinhas razão. E contudo, agora, sabendo-te longe por decisão e quilómetros, é "I will" que oiço ao longo do rio, enquanto me interrogo - qual de nós dá o outro como adquirido e arrisca não lhe viver o colo se decidir ressuscitar o que tivemos?
Dorme bem.
domingo, julho 11, 2010
E viva España!
Um dos Machado Vaz festeja em Madrid. (Seria melhor em Barcelona, mas é mais longe...). E este sorri, encantado. A Espanha em geral e a Galiza em particular são simplesmente "a outra margem do rio" para mim. Agora que penso nisso, não cruzo a ponte há demasiado tempo, a estrada chama. E a paella também:).
quinta-feira, julho 08, 2010
Como é habitual, uma mulher, neste caso Avó, segura as pontas...
Alegadamente, Cristiano Ronaldo terá confidenciado a um amigo que o dia em que pagou uma gravidez e a guarda exclusiva da respectiva criança foi o mais caro da sua vida. Foi e será, tanto quanto sei a maturidade ainda não se compra...
terça-feira, julho 06, 2010
Boa noite.
Maria,
O estrépito do fogo de artifício recorta o silêncio do fogo preso que nos gela:(. Dorme bem.
O estrépito do fogo de artifício recorta o silêncio do fogo preso que nos gela:(. Dorme bem.
terça-feira, junho 29, 2010
Dúvida.
Regou as plantas como a Mãe fazia. E, de súbito, a dúvida. Se o Pai fosse vivo... Assim, hesitou entre psiquiatra e padre. Decidiu-se por homem de Igreja, além de resposta ambicionava ombro e coração abertos, livres de preconceitos. Capela na sombra, voz acolhedora,
- Posso ajudar?
E ele,
- Se o choro lava a alma, porque não a vejo no estendal do jardim?
O padre em murmúrio cúmplice,
- A Deus agradam as almas lavadas, meu filho, mas horrorizam as que secam.
Regressou em paz à varanda solitária.
- Posso ajudar?
E ele,
- Se o choro lava a alma, porque não a vejo no estendal do jardim?
O padre em murmúrio cúmplice,
- A Deus agradam as almas lavadas, meu filho, mas horrorizam as que secam.
Regressou em paz à varanda solitária.
domingo, junho 27, 2010
Também fiz urgências, é uma irresponsabilidade total:(.
O conselho de administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão, deu ordens para que, a partir do próximo mês, as urgências funcionem apenas com um especialista de medicina interna, cirurgia e ortopedia. A escala de médicos passa a ser composta por apenas um clínico das 8h00 às 16h00. E a decisão, comunicada num ofício enviado aos directores de serviço a que o i teve acesso, é justificada como uma "forma de dar resposta ao plano de contenção para redução de despesas em horas extraordinárias".A ordem, que não é motivada pela falta de médicos, mas pela vontade de cortar nas despesas, está a criar um verdadeiro terremoto. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Ordem dos Médicos já manifestaram o seu "veemente protesto" junto da ministra da Saúde, Ana Jorge. E usam palavras como "irresponsabilidade", "gravidade", "desrespeito" e "violação das recomendações" de qualidade e segurança no atendimento aos doentes para descrever esta decisão.Numa altura em que o Algarve vê a sua população multiplicar-se devido às férias de Verão, a medida torna as urgência daquele hospital "tecnicamente inoperacionais". É que, em cirurgia, ortopedia e medicina geral, um médico a trabalhar sozinho nem sequer pode operar um doente urgente que lhe chegue às mãos. A urgência do Hospital de Portimão tem a categoria medico-cirurgica - um nível avançado de diferenciação, a seguir às urgências básicas. E ter apenas um médico de serviço viola os requisitos mínimos definidos para estes serviços.De acordo com a ordem assinada pelo presidente do conselho de administração da unidade de saúde, "em caso de necessidade de intervenção cirúrgica urgente" deve estar outro elemento designado para fazer equipa, que será chamado ao serviço. O médico especialista que estiver na urgência "acumula ainda com a reanimação numa parte significativa dos dias do mês, ficando a urgência sem especialista", critica o SIM. Tendo em conta que "está em risco a assistência condigna aos doentes", o SIM deu instruções aos clínicos do hospital para que se "abstenham de actos específicos sem que as equipas cumpram o determinado técnica e legalmente". E, por isso, os médicos são aconselhados a transferir todos os doentes que cheguem ao hospital a partir de 1 de Julho.Também a Ordem dos Médicos do Algarve aconselha os doentes a não irem àquele hospital devido "às deficientes e inaceitáveis condições em que passará a funcionar o serviço". "Assumidamente não estão reunidas as condições mínimas para a prestação de cuidados", conclui um comunicado assinado pelo presidente do conselho distrital, Martins dos Santos.O corte nas horas extraordinárias é uma das medidas decididas pelo governo para conter despesas na saúde. E as urgências são os serviços responsáveis pela maior fatia dos gastos com trabalho suplementar.
Fonte - Jornal i.
Fonte - Jornal i.
sexta-feira, junho 25, 2010
Os sacrifícios equitativamente distribuídos...
No final de 2009 havia 11 mil portugueses com fortunas superiores a um milhão de dólares, mais 5,5% do que em 2008
A crise em que mergulhou o País durante o ano passado não impediu que a lista de portugueses com uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares (815 mil euros) ganhasse 600 novos nomes. De acordo com o estudo World Wealth Report 2009, elaborado em conjunto pela Capgemini e Merrill Lynch, no final de 2009 havia em Portugal um total de 11 mil milionários, um número que representa um crescimento de 5,5% face aos 10 400 milionários registados no relatório de 2008.
Segundo o relatório da Capgemini e Merrill Lynch - que exclui da contabilização do património as casas e restantes bens consumíveis -, a subida do número de milionários em Portugal foi alimentada pelo aumento dos preços do imobiliário (em 0,2%) e pela forte descida das taxas de juro. Outro factor apontado no World Wealth Report para o crescimento de mais de 5% no número de milionários portugueses foi a valorização da Bolsa portuguesa, que cresceu 33,5% em relação a 2008. A valorização de muitos títulos - principalmente no terceiro trimestre do ano, quando o PSI-20 valorizou 19,2% - terá contribuído fortemente para o crescimento de fortunas no País, salienta o estudo.
Os 600 novos milionários portugueses juntam-se assim a uma lista que é encabeçada pelos empresários Américo Amorim (fortuna avaliada em 2,83 mil milhões de euros), Belmiro de Azevedo (1,09 mil milhões de euros) e Joe Berardo (618,2 milhões de euros). Juntos, estes três milionários têm uma fortuna avaliada em mais de 4,5 mil milhões de euros, equivalentes a 2,8% do PIB.
Para o crescimento das fortunas milionárias em Portugal pouco ou nada contaram os números da recessão da economia portuguesa, adianta o World Wealth Report. Recorde-se que em 2009 registou--se uma contracção de 2,7% do PIB, o recuo de 21,8% nas exportações e o decréscimo da produção industrial em 8,1%. Ao longo do ano passado, destacam ainda a Capgemini e a Merrill Lynch, há ainda a assinalar a queda do consumo interno em 10%.
Não foi só em Portugal que o número de milionários aumentou. O relatório ontem divulgado aponta para um crescimento de 17,1% em 2009, atingindo um total de 10 milhões de pessoas que possuem uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares. A Capgemini e a Merryl Lynch destacam ainda que, além do número de milionários ter aumentado, as suas fortunas também engordaram durante o ano passado. No final de 2009, a totalidade destas fortunas ascendia a 39 mil milhões de dólares (cerca de 31,8 mil milhões de euros).
Na apreciação que fizeram dos resultados deste estudo, os responsáveis pelo relatório referem que "os últimos anos têm sido relevantes para os investidores ricos". Segundo Sallie Krawcheck, do Global Wealth & Investment Management, "enquanto em 2008 a riqueza global dos milionários sofreu um declínio sem precedentes, um ano depois existem claros sinais de recuperação e em algumas áreas verifica-se mesmo o regresso aos níveis de riqueza e crescimento registados em 2007".
A crise em que mergulhou o País durante o ano passado não impediu que a lista de portugueses com uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares (815 mil euros) ganhasse 600 novos nomes. De acordo com o estudo World Wealth Report 2009, elaborado em conjunto pela Capgemini e Merrill Lynch, no final de 2009 havia em Portugal um total de 11 mil milionários, um número que representa um crescimento de 5,5% face aos 10 400 milionários registados no relatório de 2008.
Segundo o relatório da Capgemini e Merrill Lynch - que exclui da contabilização do património as casas e restantes bens consumíveis -, a subida do número de milionários em Portugal foi alimentada pelo aumento dos preços do imobiliário (em 0,2%) e pela forte descida das taxas de juro. Outro factor apontado no World Wealth Report para o crescimento de mais de 5% no número de milionários portugueses foi a valorização da Bolsa portuguesa, que cresceu 33,5% em relação a 2008. A valorização de muitos títulos - principalmente no terceiro trimestre do ano, quando o PSI-20 valorizou 19,2% - terá contribuído fortemente para o crescimento de fortunas no País, salienta o estudo.
Os 600 novos milionários portugueses juntam-se assim a uma lista que é encabeçada pelos empresários Américo Amorim (fortuna avaliada em 2,83 mil milhões de euros), Belmiro de Azevedo (1,09 mil milhões de euros) e Joe Berardo (618,2 milhões de euros). Juntos, estes três milionários têm uma fortuna avaliada em mais de 4,5 mil milhões de euros, equivalentes a 2,8% do PIB.
Para o crescimento das fortunas milionárias em Portugal pouco ou nada contaram os números da recessão da economia portuguesa, adianta o World Wealth Report. Recorde-se que em 2009 registou--se uma contracção de 2,7% do PIB, o recuo de 21,8% nas exportações e o decréscimo da produção industrial em 8,1%. Ao longo do ano passado, destacam ainda a Capgemini e a Merrill Lynch, há ainda a assinalar a queda do consumo interno em 10%.
Não foi só em Portugal que o número de milionários aumentou. O relatório ontem divulgado aponta para um crescimento de 17,1% em 2009, atingindo um total de 10 milhões de pessoas que possuem uma fortuna avaliada em mais de um milhão de dólares. A Capgemini e a Merryl Lynch destacam ainda que, além do número de milionários ter aumentado, as suas fortunas também engordaram durante o ano passado. No final de 2009, a totalidade destas fortunas ascendia a 39 mil milhões de dólares (cerca de 31,8 mil milhões de euros).
Na apreciação que fizeram dos resultados deste estudo, os responsáveis pelo relatório referem que "os últimos anos têm sido relevantes para os investidores ricos". Segundo Sallie Krawcheck, do Global Wealth & Investment Management, "enquanto em 2008 a riqueza global dos milionários sofreu um declínio sem precedentes, um ano depois existem claros sinais de recuperação e em algumas áreas verifica-se mesmo o regresso aos níveis de riqueza e crescimento registados em 2007".
segunda-feira, junho 21, 2010
Das agruras do desejo.
Há no desejo uma violência ingénua que nos remete para infância e terra. Claro que o podemos negar, carpir, sublimar, conter, mas a céu aberto ou nas profundezas dos neurónios exilados a que chamamos coração, ele resiste. E de tão espontâneo e fiel a si mesmo, em vida que a cultura não cessa de impregnar, merece respeito e cuidado. Ao contrário do prazer, que agradece a tantalização, por a adivinhar falsa e degrau para girândola final, ao desejo acontece mirar quem o atrai com gula já derrotada de criança e nariz pregados à montra de confeitaria proibida. E vai-se embora triste, é demasiado primitivo para se satisfazer com o window shopping:).
segunda-feira, junho 14, 2010
Na loira Albion.
A ternura de minha nora fez o milagre - os três Machado Vaz maiores de idade reuniram-se num típico pub londrino para verem o Mundial. Azarado, levei com uma inglesa no mínimo longilínea à minha frente. Pior!, devia ter andado tanto como eu durante o dia porque passava o peso de um pé para o outro, com o inevitável movimento pendular. Dela e meu, em sentido inverso, para ver qualquer coisinha... Mas o ambiente fez-me recuar a 66, quando adolescente segui a cavalgada de Eusébio e companhia. Tenho uma paixão sem remédio por estes pubs, a cerveja que não aprecio, o rugir da espremida multidão quando a bola namora os postes, os cânticos, o "excuse me" que brota das faces mais patibulares:). Não idealizo Inglaterra; mas sempre me senti cá bem, expliquei-a com sucesso aos meus filhos, a eles de o repetirem aos netos, "não há euros e os carros andam fora de mão porque os ingleses são europeus mas não continentais". E depois do jogo saímos os três em amena cavaqueira, há vinte e cinco anos mostrei-lhes Wimbledon depois de mendigar o favor a um guarda de coração mole e o Guilherme, extasiado, murmurou: "parece uma igreja". Nunca joguei ténis, quem sabe? Mas dessa altura até agora, os três Machado Vaz praticaram sem falhas a religião da cumplicidade solidária, venha o Julgamento Final ou o Nada e será o meu cartão de visita - it was worth it:).
sexta-feira, junho 11, 2010
À espreita do raio verde.
Maria,
A Igreja a fustigar as mulheres com o rótulo de tagarelas durante séculos e nós dois a torpedearmos o estereotipo. Eu a escrever pelos cotovelos e tu ascética na resposta - "ontem adormeci a ouvir música no teu ombro...". O assumir do que foi, a promessa do que virá, para mim sobra a inveja agradecida. O ombro espera-te. O sono também. Mas depois do teu!, há crepúsculos que nos enchem de sol o coração:).
A Igreja a fustigar as mulheres com o rótulo de tagarelas durante séculos e nós dois a torpedearmos o estereotipo. Eu a escrever pelos cotovelos e tu ascética na resposta - "ontem adormeci a ouvir música no teu ombro...". O assumir do que foi, a promessa do que virá, para mim sobra a inveja agradecida. O ombro espera-te. O sono também. Mas depois do teu!, há crepúsculos que nos enchem de sol o coração:).
terça-feira, junho 08, 2010
Boa noite.
Maria,
O corredor fica mais longo e escuro sem o teu passo ondeado, o olhar risonho de través, num desafio sem dúvidas quanto à resposta, para onde fugia o meu cansaço? Miúdo, assobiava em desespero na casa da Rua do Bolhão, resistindo à tentação do interruptor; num exorcismo desafinado que calava os fantasmas e amiúde trazia minha Mãe, sempre atenta como por acaso, nunca precisei de luz quando lhe sentia os dedos em viagem pelo meu cabelo. Mas agora? O medo - pelo menos o infantil... - desapareceu e a tristeza não se fez rogada - ocupou-lhe o vazio. Não penses que teria vergonha de assobiar! Mas para quê? Eu digo-te - para sentir a falta dela também:(. E assim vestir o corredor (?) de luto mais pesado...
O corredor fica mais longo e escuro sem o teu passo ondeado, o olhar risonho de través, num desafio sem dúvidas quanto à resposta, para onde fugia o meu cansaço? Miúdo, assobiava em desespero na casa da Rua do Bolhão, resistindo à tentação do interruptor; num exorcismo desafinado que calava os fantasmas e amiúde trazia minha Mãe, sempre atenta como por acaso, nunca precisei de luz quando lhe sentia os dedos em viagem pelo meu cabelo. Mas agora? O medo - pelo menos o infantil... - desapareceu e a tristeza não se fez rogada - ocupou-lhe o vazio. Não penses que teria vergonha de assobiar! Mas para quê? Eu digo-te - para sentir a falta dela também:(. E assim vestir o corredor (?) de luto mais pesado...
sábado, junho 05, 2010
As amarras.
O medo e a auto-piedade são criminosos refinados. Espalham o nevoeiro sobre as águas e nós ficamos na segurança do porto. Claro que a espera envelhece. Mas é a viagem por fazer que acaba por matar.
quinta-feira, junho 03, 2010
A última fronteira.
Este amor interesseiro que sinto por alguns amigos mais velhos. (Alguns, não todos, o facto merece reflexão aturada.) Protegem-me, são cercas de ternura farpada entre mim e a morte. Eu sei: os acidentes de viação às cavalitas do álcool ou dos telemóveis; os cancros - perdão!, doenças prolongadas... - tão previsíveis como as campainhas das slot machines; os quinze minutos de fama nos telejornais, porque alguém entrou num local que nem sequer frequentávamos e descarregou arma e raiva, etc... Não falo disso, mas do ciclo "natural" da vida. Oiço-lhes o riso e a vida parece eterna. Frustrante, mas eterna, pois não os vejo atacar tripas à moda do Porto e sangria, alheios ao mero pensamento de uma insónia enfartada? E contudo o amor sem adjectivos resiste ao oportunismo hipocondríaco. Deixo-os em casa e sorriso e aceno deles acompanham-me Boavista abaixo, não sei quem partirá primeiro, mas os que ficarem selarão um quarto nos seus corações.
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