Zeca,
Fiz toda a estrada a ouvir a homenagem que a TSF te dedicou. Uma saudade imensa dos versos, da música, dos sonhos. Que envelhecem mal, pintaram-nos de cinzento a liberdade:(.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
História simples de uma derrota que complica muito o futuro.
Vamos ser justos: os jogadores foram medíocres e perderam no campo, mas Jesus começou a perder antes, quando resolveu ser genial e deixar Witsel de fora. Com Javi o Benfica sofre sempre um golito - de preferência numa bola parada... -, imagine-se com Matic no seu lugar e Pablito ao lado! Enfim, os desígnios do Senhor e de Jesus são imperscrutáveis...:). Parabéns ao Vitória que se bateu muitíssimo bem!
P. S. Acabo de ver a entrevista de JJ. Errar? Eu?????:))))).
P. S. Acabo de ver a entrevista de JJ. Errar? Eu?????:))))).
domingo, fevereiro 19, 2012
Spin doctors.
No meio da contestação - e da segurança... - em Gouveia, Passos Coelho recusou-se a opinar sobre o comportamento do Presidente da República. Não precisa, as imagens fazem-no por si, numa sociedade em que a "caixa mágica" constrói a realidade - ele deu a cara, Cavaco não. Não sei que assessor aconselhou a meia-volta da comitiva quando se dirigia a uma escola onde um protesto de alunos aguardava o "Provedor dos portugueses", mas não justificou o seu cheque de Fevereiro. Limitou-se a agudizar a gaffe da reforma insuficiente...
domingo, fevereiro 12, 2012
Jornal das oito.
Como tantos outros, fui vítima e culpado de um verdadeiro processo de dessensibilização televisiva, acho que já vi de (quase) tudo sem interromper o movimento do garfo rumo à boca. E contudo o estertor grego acentua um humor já sombrio, aposto que muitos de vocês partilham tal sentimento. Visitei a Grécia uma vez e não tenciono regressar, o presente poeirento embaciava um passado cujo brilho reverencio. (Ocasiões houve, de resto, em que o mesmo me aconteceu em Itália.) Quando olho para trás não vejo o Paraíso, longe disso! Mas é difícil surpreender no presente réstia de grandeza, sobretudo nos poderosos. Os que cerram os dentes para sobreviver, esses, não perdem tempo a adjectivar-se e desconhecem palavras como heroísmo ou resiliência. Teimam, como diria a minha querida Mindinha:(.
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
Entre psis.
Sempre chefiei equipas com mais psicólogos do que médicos. Nunca me deixaram ficar mal... Ao longo dos anos, por via do meu estilo de comunicação e receituário anémico, fui procurado por gente que procurava um psicólogo e não poucos jornais me chamaram isso. Se no primeiro caso esclareci sempre o engano, jamais o fiz no segundo, para grande escândalo de alguns colegas. Razão? Sou um membro da tribo dos psis, não reivindico hierarquias baseadas na possibilidade de receitar nem me considero superior por ter Asclépio como "santo padroeiro":). E por isso acolho com satisfação a circular sobre o I Congresso da Ordem dos Psicólogos, é um indiscutível passo em frente. Mas confesso que o respectivo vídeo me deixou atónito - a publicidade é prima direita da Psicologia, não houve ideias melhores do que uma alegoria cavernícola mal amanhada? Mais valia pagar os direitos de autor e utilizar a de Platão:). Dito isto - que seja um êxito!
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Os filhos queridos da Vitória. (Seria Massena benfiquista?).
Integrar a equipa do Trio d'Ataque teve repercussões curiosas no meu quotidiano. De um momento para o outro, passei de sexólogo a adepto benfiquista! Alguém me dizia - "vai deixar de ser consensual...". Consensual? Ainda me lembro de ser ameaçado de morte por chamar "casal" a dois homossexuais seropositivos! Irritantemente português foi o abanar de cabeça de outros - "um professor universitário a discutir a bola...". Há colegas que olham a vida ex-cathedra, lembro-me de frase dita - com assinalável honestidade intelectual! - no fim de uma das minhas conferências - "não imaginava que conseguisse expor a este nível, acho-o demasiado simples na televisão". Demasiado simples, leia-se, simplista:). Ao longo da vida usei a margem de liberdade que possuía, paguei o preço por isso, não estou arrependido. Quando apoiei o Engenheiro Guterres na sua primeira campanha, foi-me pedido para discursar numa cerimónia com alguma cobertura mediática. Eu sorri e disse que não desejava prejudicar o candidato. Mesmo calado, no dia seguinte um título de jornal rezava mais ao menos assim - "Machado Vaz trata do sexo dos socialistas". Menos mal que com Sampaio não aconteceu o mesmo... Muitos anos depois desaguei num noticiário para comentar a actualidade e estranhei a duração da entrevista. No fim perguntei o que se passara e foi-me respondido que estava a correr bem, porquê interromper? E um sorriso cúmplice acompanhou esta delícia - "não sabia que o professor também era analista político!". Bref, o sexólogo sempre engoliu o cidadão sem problemas de maior:).
Mas não o benfiquista! Hoje em dia as perguntas e sugestões são sobre o Glorioso e não o sexo, o que não deixa de ser refrescante. Mesmo os adversários, que reconhecem o velho e fiel tripeiro, me tratam com bonomia. Esta semana sucumbi à gripe e faltei ao programa. E algo de reconfortante aconteceu - alguns correligionários que não escondem a sua desaprovação pelo meu estilo, na sua opinião insuficientemente assertivo na defesa de honra e interesses benfiquistas, juntaram-se aos que mo perdoam ou até apoiam no desejo de melhoras. Fico grato. Significa que sob o desacordo quanto à forma existe um laço à prova de qualquer suspeita - todos vivemos suspensos do voo da águia:).
Mas não o benfiquista! Hoje em dia as perguntas e sugestões são sobre o Glorioso e não o sexo, o que não deixa de ser refrescante. Mesmo os adversários, que reconhecem o velho e fiel tripeiro, me tratam com bonomia. Esta semana sucumbi à gripe e faltei ao programa. E algo de reconfortante aconteceu - alguns correligionários que não escondem a sua desaprovação pelo meu estilo, na sua opinião insuficientemente assertivo na defesa de honra e interesses benfiquistas, juntaram-se aos que mo perdoam ou até apoiam no desejo de melhoras. Fico grato. Significa que sob o desacordo quanto à forma existe um laço à prova de qualquer suspeita - todos vivemos suspensos do voo da águia:).
segunda-feira, janeiro 30, 2012
A Madonna dos olhos verdes.
Mãe,
A surpresa dos teus machos em face das tuas palavras - "vou-me deitar, tenho uma dorzita de cabeça". Nem um ponto dado? Nem uma página de Veríssimo relida? Nem a Antena 2 no rádio de pilhas - a propósito, adoravas o Veloso e o Tê... -, fazendo desabrochar o sorriso e cerrar os olhos? Por uma vez eu e o Pai firmes perante olhos verdes que nos fuzilavam - "Não é nada". Ambos recordados que já fôramos clínicos, o brilho deles permanecia inigualável, mas era diverso, rápida visita ao termómetro - 39,5! (Eu e ele éramos iguais, ao roçar os trinta e oito já não nos segurávamos de pé...). Como gerações e gerações de mulheres, não te oferecias luxos desses, olhar em redor, tudo em ordem, "vou-me deitar...". E nós em procissão atarantada rumo ao quarto, impossível, tu à mercê da doença? Eu na ombreira, ele afagando-te a mão e tu a sossegares os dois, "não é nada". E adormeceste.
Um silêncio pesado na sala. "A Senhora sua Mãe é a razão de ser desta família", disse. Mais uma vez... Nunca me ofendeu, ciúmes tinha, mas fui-me apercebendo do privilégio que tinha sido ver-vos lado a lado. Os homens morrem mais cedo, ele era catorze anos mais velho..., lérias!, foi primeiro porque jamais saberia viver sem ti.
A surpresa dos teus machos em face das tuas palavras - "vou-me deitar, tenho uma dorzita de cabeça". Nem um ponto dado? Nem uma página de Veríssimo relida? Nem a Antena 2 no rádio de pilhas - a propósito, adoravas o Veloso e o Tê... -, fazendo desabrochar o sorriso e cerrar os olhos? Por uma vez eu e o Pai firmes perante olhos verdes que nos fuzilavam - "Não é nada". Ambos recordados que já fôramos clínicos, o brilho deles permanecia inigualável, mas era diverso, rápida visita ao termómetro - 39,5! (Eu e ele éramos iguais, ao roçar os trinta e oito já não nos segurávamos de pé...). Como gerações e gerações de mulheres, não te oferecias luxos desses, olhar em redor, tudo em ordem, "vou-me deitar...". E nós em procissão atarantada rumo ao quarto, impossível, tu à mercê da doença? Eu na ombreira, ele afagando-te a mão e tu a sossegares os dois, "não é nada". E adormeceste.
Um silêncio pesado na sala. "A Senhora sua Mãe é a razão de ser desta família", disse. Mais uma vez... Nunca me ofendeu, ciúmes tinha, mas fui-me apercebendo do privilégio que tinha sido ver-vos lado a lado. Os homens morrem mais cedo, ele era catorze anos mais velho..., lérias!, foi primeiro porque jamais saberia viver sem ti.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
Os setenta anos de Eusébio.
Como português amante de futebol estou grato a Eusébio, como português amante de futebol e benfiquista, compreenderão que ainda mais:). Mas hoje, memórias diversas e egoístas me assaltam, Eusébio foi várias vezes álibi para a nostalgia paroquial de aventura de um adolescente tripeiro. Porque eu o invocava quando pedia a minha Mãe que afrouxasse a rédea curta omnipresente no seu conceito de educação - "Mãe, deixa-me ir ver o Benfica e o Eusébio". E ela levava-me às Devesas, repetia as instruções, o filho demandava o Estádio da Luz como se de o Novo Mundo se tratasse. "Dei" cinco ao Real, "levei" outros tantos do Manchester, vi, estupefacto, mulheres ajoelhadas ao pé de mim, rezando por êxito e segurança de uma determinada viagem à Hungria.
(Muitos anos depois voltei lá com filhos e "sobrinho", o Rui Águas fez explodir o Estádio e os Machadinhos saltavam abraçados enquanto eu me sentava, preso de vertigem apetitosa para um honesto hipocondríaco.)
Mas o adolescente, uma noite, perdeu-se em festejos na rua da velha Sede e de tão perdido na euforia... perdeu o comboio! Sem telemóveis foi complicado tranquilizar a matriarca, que com sageza guardou o puxão de orelhas para depois de me ver chegar são e salvo e deu as suas ordens. E eu, morcão dos morcões, vivi a heróica aventura de dormir nos bancos de Santa Apolónia, anos antes de o fazer por essa Europa fora, emigrante e peregrino estival, crente em milagre sob a forma de loiras nórdicas.
E não é que elas diziam extraordinária frase? - "Portugal? Oh, yes, Eusibio!" Mas of course, eu era compatriota, amigo, irmão dele. E ao abrigo da sua asa protectora entrávamos nessas extraordinárias discotecas britânicas em que a música era um espanto, mas não se dançava slows de corpos enlaçados :(. Imagine-se!, os autóctones iam lá só para dançar, tinham outros espaços e tempos para aflorar desejo e amor. Enquanto os Beatles cantavam Paperback writer e Clapton se via declarado Deus nas paredes do metro.
O Porto era um bocadinho diferente...
(Muitos anos depois voltei lá com filhos e "sobrinho", o Rui Águas fez explodir o Estádio e os Machadinhos saltavam abraçados enquanto eu me sentava, preso de vertigem apetitosa para um honesto hipocondríaco.)
Mas o adolescente, uma noite, perdeu-se em festejos na rua da velha Sede e de tão perdido na euforia... perdeu o comboio! Sem telemóveis foi complicado tranquilizar a matriarca, que com sageza guardou o puxão de orelhas para depois de me ver chegar são e salvo e deu as suas ordens. E eu, morcão dos morcões, vivi a heróica aventura de dormir nos bancos de Santa Apolónia, anos antes de o fazer por essa Europa fora, emigrante e peregrino estival, crente em milagre sob a forma de loiras nórdicas.
E não é que elas diziam extraordinária frase? - "Portugal? Oh, yes, Eusibio!" Mas of course, eu era compatriota, amigo, irmão dele. E ao abrigo da sua asa protectora entrávamos nessas extraordinárias discotecas britânicas em que a música era um espanto, mas não se dançava slows de corpos enlaçados :(. Imagine-se!, os autóctones iam lá só para dançar, tinham outros espaços e tempos para aflorar desejo e amor. Enquanto os Beatles cantavam Paperback writer e Clapton se via declarado Deus nas paredes do metro.
O Porto era um bocadinho diferente...
terça-feira, janeiro 24, 2012
domingo, janeiro 22, 2012
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Em dia de aniversário.
O Silêncio
Eugénio de Andrade
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
Eugénio de Andrade
Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,
e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,
quando azuis irrompem
os teus olhos
e procuram
nos meus navegação segura,
é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,
pelo silêncio fascinadas.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
O contraste.
Ver jogar o Barcelona faz-me recordar uma canção "para encostar a cara na garagem" do meu tempo - poetry in motion:). Ver jogar (?) Pepe e alguns dos seus colegas a mando de Mourinho traz um filme à memória - The Dirty Dozen:(.
quinta-feira, janeiro 12, 2012
Mãos à obra!
Atravessava eu calmamente a Arrábida quando escutei a angústia do Álvaro: " Se foi possível um português construir um império mcdonaldsiano assente no frango de churrasco, o Nando's, por que não acontece o mesmo com as natas? São as natas inferiores aos frangos?" (mais palavra, menos palavra...).
Murcónicos, o exercício da cidadania convoca-vos e à tertúlia que com tanto brilho animais, é preciso ajudar o Álvaro! Serão realmente as natas inferiores aos frangos? Por que não invadem as papilas gustativas All(garve) over the world? No actual cenário de crise até seria mais simples encontrar frases sonantes, género - "are you having energetic problems? Just eat portuguese pastéis of na(f)ta!".
Just do it, murcónicos, Álvaro needs you:).
Murcónicos, o exercício da cidadania convoca-vos e à tertúlia que com tanto brilho animais, é preciso ajudar o Álvaro! Serão realmente as natas inferiores aos frangos? Por que não invadem as papilas gustativas All(garve) over the world? No actual cenário de crise até seria mais simples encontrar frases sonantes, género - "are you having energetic problems? Just eat portuguese pastéis of na(f)ta!".
Just do it, murcónicos, Álvaro needs you:).
quarta-feira, janeiro 11, 2012
O pormaior.
Maria,
Como nos riríamos se esperasses enroscada no sofá. Imagina!, eis-me em plena guerra de audiências... A TVI apostou na artilharia pesada e escolheu o Paulo Futre para "executar" o Trio d'Ataque. Que hipóteses temos de sobrevivência? Os outros não sei, eu sou incapaz de estar "concentradíssimo" e não tenho ilusões quanto à minha capacidade de mobilizar charters de chineses:). A SIC Notícias assegura o resto do cerco, oferece um ramalhete de QIs assustadores, encabeçado - que me perdoem os outros! - pelo Manel Sobrinho Simões. A casa de quem vou jantar amanhã... Literalmente vou cair, risonho, nos braços da "concorrência", como se diz nas televisões. Dois sexagenários que ao longo de mais de quarenta anos só competiram no carinho dedicado um ao outro:).
Resta mágoa única - não me esperas no sofá:(.
Como nos riríamos se esperasses enroscada no sofá. Imagina!, eis-me em plena guerra de audiências... A TVI apostou na artilharia pesada e escolheu o Paulo Futre para "executar" o Trio d'Ataque. Que hipóteses temos de sobrevivência? Os outros não sei, eu sou incapaz de estar "concentradíssimo" e não tenho ilusões quanto à minha capacidade de mobilizar charters de chineses:). A SIC Notícias assegura o resto do cerco, oferece um ramalhete de QIs assustadores, encabeçado - que me perdoem os outros! - pelo Manel Sobrinho Simões. A casa de quem vou jantar amanhã... Literalmente vou cair, risonho, nos braços da "concorrência", como se diz nas televisões. Dois sexagenários que ao longo de mais de quarenta anos só competiram no carinho dedicado um ao outro:).
Resta mágoa única - não me esperas no sofá:(.
sexta-feira, janeiro 06, 2012
O "traidor" perdoado.
Envelhecer tem vantagens. Ontem jantei com colegas de Paredes e fui tratado como um príncipe, ainda por cima em restaurante onde sempre sou mimado. Ninguém me pediu para "falar às massas", conversámos sobre a profissão e a Sexologia, mas em sentido lato, que a Clínica sofre de miopia. Ao volante, na viagem de regresso, pensei que nos anos mais recentes vem desaparecendo certa desconfiança reservada ao regente de Antropologia Médica. Momentos houve em que o vício - e obrigação... - de fazer (alguns) alunos pensarem a Medicina me saíram caros. Recordo uma campanha eleitoral e um amigo já avinhado, "parece que te esqueces de um facto simples - tu!, também és médico". Nunca o esqueci, eu, que desaguei na Medicina por amor aos meus velhos. E se me apaixonei primeiro pela Psiquiatria, depois percebi que toda a profissão se resumia a variações sobre tema apaixonante - a relação médico/doente. Pensá-la, com os seus tiques corporativos e ideologia arrogante, mas também com exemplos inigualáveis de compaixão e desprendimento, nunca traduziu virar de costas ou azedume, bem pelo contrário!, é uma tentativa de lhe chegar ao âmago e assim melhorar a vida de quem habita as duas faces das secretárias. Por isso a esculpi e dissequei com pequenos grupos de estudantes, os outros só queriam passar no exame. Ontem, duas delas fizeram questão de ir ao jantar e saudaram-me lembrando-o - "fui sua aluna". Qualquer professor, aposentado ou não, responderá o mesmo - "não imagina como lhe agradeço por se lembrar, o privilégio foi meu".
quarta-feira, janeiro 04, 2012
RIP.
Porque já publicado, é altura de guardar aqui um texto dedicado ao Zé González.
Mentir com a verdade é a coisa mais fácil do mundo. Suponhamos que escrevia: “O Dr. José González foi Chefe da Consulta Externa no CAT- Cedofeita no período em que presidi à respectiva Comissão Instaladora. Desempenhou essa tarefa com inexcedível competência, assinalável tacto e solidariedade exemplar, razões pelas quais a sua posterior ascensão à chefia da Instituição, mais do que justa, se tornou imperiosa.” Tudo verdade. Mas a anos-luz da vida real…
O José recebeu o convite que lhe dirigi com alguma surpresa; disse que ia pensar; voltou com muitas perguntas, olhos e ouvidos atentos, eu sorri para os meus botões – era o maroto a avaliar-me e não o contrário! Não em termos pessoais, decorreriam anos até lhe ouvir conselho sábio ou reprimenda suave. Queria saber como imaginava o funcionamento do CAT no arranque e no futuro, o que esperava das pessoas e dos diversos grupos profissionais, que tipo de relação tencionava manter com a tutela. O José não punha em causa a experiência do técnico, mas queria tomar o pulso ao chefe…
…Que para ele nunca fui. Com naturalidade, passou a integrar a estrutura decisória do CAT a todos os níveis. Era mais um ao redor da mesa, a sua opinião podia não prevalecer, mas rapidamente se tornou aberrante não a pedir e escutar. Dava-a no jeito tranquilo que às vezes lhe devia custar os olhos da cara, falava baixo e sem pressas, mas era homem de causas e vivia-as com paixão.
Por isso trabalhava mais do que o estatuto exigia, seguramente mais do que a saúde aconselhava, menos do que o cidadão José González considerava adequado. E falo de cidadania por ser um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Nós médicos somos amiúde acusados – e não injustamente… - de deslizarmos para o refúgio de casos clínicos e terapias. Alheados do mundo; numa preguiça atarefada que nos poupa às obrigações éticas decorrentes do interesse pelo estado e governo da Cidade.
Numa área como a Toxicodependência, irredutível a uma visão apenas biomédica – e que naco de vida real o não é? -, o olhar de cidadão é precioso. Para lá da Prevenção, do Tratamento, da Redução de Danos, da Prevenção e de outras contas do nosso rosário, o José pensava as drogas numa Sociedade que não desistira de ver mais justa, fiel a um imperativo de reflexão sobre a Res publica. Essa concepção global, política e humanista das drogas, mais ainda do que a competência quotidiana, valeram-lhe o respeito de quem coordenava estratégias a nível nacional - os meus velhos compagnons de route deixaram de ver o número dois do Porto e passaram a receber de braços e ouvidos abertos o José González.
O tempo voou, por razões pessoais decidi abandonar o CAT. Mas se a partida do Júlio não era grave, o Machado Vaz tinha obrigações por (tentar) cumpri. Eu e o José tivemos uma longa conversa, falei-lhe de problemas presentes e planos futuros. E pedi-lhe ajuda… Foi a primeira das únicas duas vezes em que opinou sobre a minha vida privada, o silêncio acolhedor era a sua forma preferida de solidariedade. Sabendo embora o peso adicional que o esperava, não pediu tempo para pensar – a partir desse dia eu tornei-me uma espécie de Ministro dos Negócios Estrangeiros, que continuava a pensar o metabolismo basal da Casa, mas só nele participava quando mo pedia. O que, com tocante carinho, raramente fez, desempenhando um papel muito ingrato – chefiar com outro chefe na sombra. A situação ideal para todo o género de clivagens em seu desfavor…
Quando abandonei o CAT, quem comandava o Ministério da Saúde teve a gentileza de me consultar sobre a sucessão. Limitei-me a dizer que uma alternativa ao José – que, de resto, não me foi apresentada – seria obscena, ele não era sequer um “príncipe herdeiro”, mas um líder já em funções. Imperou o bom senso. Mais tarde, voltei a ser ouvido, tratava-se da Direcção Regional. Disse da minha (e sua) justiça, preso de enorme ambivalência - o José assumia-se - de longe! - como a melhor escolha, mas eu previa tempos difíceis para quem ousasse manter a espinha direita. Só me enganei por defeito.
Ao longo dos anos fundáramos uma tertúlia a dois, almoços tranquilos à beira-rio em que falávamos de tudo e eu calava a preocupação pelo seu estado de saúde. Quando os sinais de alarme já não permitiam dúvidas, confesso que o aconselhei a bater com a porta, afligia-me sabê-lo a prazo por razões que abominavam palavras como rigor e competência. Também ele reconhecera os presságios, mas decidiu permanecer no seu posto até ao fim. Calava-me sempre com um “tu no meu lugar fazias o mesmo, é a nossa gente” que não correspondia à verdade.
E finalmente aconteceu: um Ministro deixou-se enredar em politiquices paroquiais e exonerou um Director Regional por ele defender os interesses e as políticas do Ministério! Não lhe ouvi uma queixa, mas cresceu nele uma amargura que não mais o abandonou. O José voltou ao CAT e de novo foi chefe pelo exemplo e não por simples decreto. Segundo sei, até em situações que uma saúde periclitante em absoluto desaconselhava. O que não o impediu de se preocupar com a minha, o segundo momento em que arriscou uma pergunta pessoal foi após a publicação de O Tempo dos Espelhos: pigarreou e disse, olhos no rio – “estás bem? Achei o livro tão triste…”
O contrário nunca aconteceu, ele preservava a sua intimidade de um modo gentil, mas firme. Sempre respeitei a sua distância de conforto e isso permitiu que gozasse ainda mais determinados momentos. Recordo-lhe sorriso doce e confissão de avô recente, “acertaste, apaixonei-me pelo miúdo!”. À medida que a saúde se deteriorava os almoços foram rareando. Embora penalizado, compreendi-lhe o pudor e ele sabia, nunca sentiu a obrigação de explicar o afastamento. Uma sms aqui e acolá provava o que ambos construíramos de precioso – o outro estava lá.
Agora ele só permanece aqui, na eternidade a prazo da minha memória. Sem idealizações, ofensivas por nascerem da morte, o José tinha os seus defeitos. E a ternura nunca o levou a ignorar os meus… Prefiro assim, estamos para além do risco de nos desiludirmos. Quando o tempo melhorar levo-o ao rio.
Mentir com a verdade é a coisa mais fácil do mundo. Suponhamos que escrevia: “O Dr. José González foi Chefe da Consulta Externa no CAT- Cedofeita no período em que presidi à respectiva Comissão Instaladora. Desempenhou essa tarefa com inexcedível competência, assinalável tacto e solidariedade exemplar, razões pelas quais a sua posterior ascensão à chefia da Instituição, mais do que justa, se tornou imperiosa.” Tudo verdade. Mas a anos-luz da vida real…
O José recebeu o convite que lhe dirigi com alguma surpresa; disse que ia pensar; voltou com muitas perguntas, olhos e ouvidos atentos, eu sorri para os meus botões – era o maroto a avaliar-me e não o contrário! Não em termos pessoais, decorreriam anos até lhe ouvir conselho sábio ou reprimenda suave. Queria saber como imaginava o funcionamento do CAT no arranque e no futuro, o que esperava das pessoas e dos diversos grupos profissionais, que tipo de relação tencionava manter com a tutela. O José não punha em causa a experiência do técnico, mas queria tomar o pulso ao chefe…
…Que para ele nunca fui. Com naturalidade, passou a integrar a estrutura decisória do CAT a todos os níveis. Era mais um ao redor da mesa, a sua opinião podia não prevalecer, mas rapidamente se tornou aberrante não a pedir e escutar. Dava-a no jeito tranquilo que às vezes lhe devia custar os olhos da cara, falava baixo e sem pressas, mas era homem de causas e vivia-as com paixão.
Por isso trabalhava mais do que o estatuto exigia, seguramente mais do que a saúde aconselhava, menos do que o cidadão José González considerava adequado. E falo de cidadania por ser um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Nós médicos somos amiúde acusados – e não injustamente… - de deslizarmos para o refúgio de casos clínicos e terapias. Alheados do mundo; numa preguiça atarefada que nos poupa às obrigações éticas decorrentes do interesse pelo estado e governo da Cidade.
Numa área como a Toxicodependência, irredutível a uma visão apenas biomédica – e que naco de vida real o não é? -, o olhar de cidadão é precioso. Para lá da Prevenção, do Tratamento, da Redução de Danos, da Prevenção e de outras contas do nosso rosário, o José pensava as drogas numa Sociedade que não desistira de ver mais justa, fiel a um imperativo de reflexão sobre a Res publica. Essa concepção global, política e humanista das drogas, mais ainda do que a competência quotidiana, valeram-lhe o respeito de quem coordenava estratégias a nível nacional - os meus velhos compagnons de route deixaram de ver o número dois do Porto e passaram a receber de braços e ouvidos abertos o José González.
O tempo voou, por razões pessoais decidi abandonar o CAT. Mas se a partida do Júlio não era grave, o Machado Vaz tinha obrigações por (tentar) cumpri. Eu e o José tivemos uma longa conversa, falei-lhe de problemas presentes e planos futuros. E pedi-lhe ajuda… Foi a primeira das únicas duas vezes em que opinou sobre a minha vida privada, o silêncio acolhedor era a sua forma preferida de solidariedade. Sabendo embora o peso adicional que o esperava, não pediu tempo para pensar – a partir desse dia eu tornei-me uma espécie de Ministro dos Negócios Estrangeiros, que continuava a pensar o metabolismo basal da Casa, mas só nele participava quando mo pedia. O que, com tocante carinho, raramente fez, desempenhando um papel muito ingrato – chefiar com outro chefe na sombra. A situação ideal para todo o género de clivagens em seu desfavor…
Quando abandonei o CAT, quem comandava o Ministério da Saúde teve a gentileza de me consultar sobre a sucessão. Limitei-me a dizer que uma alternativa ao José – que, de resto, não me foi apresentada – seria obscena, ele não era sequer um “príncipe herdeiro”, mas um líder já em funções. Imperou o bom senso. Mais tarde, voltei a ser ouvido, tratava-se da Direcção Regional. Disse da minha (e sua) justiça, preso de enorme ambivalência - o José assumia-se - de longe! - como a melhor escolha, mas eu previa tempos difíceis para quem ousasse manter a espinha direita. Só me enganei por defeito.
Ao longo dos anos fundáramos uma tertúlia a dois, almoços tranquilos à beira-rio em que falávamos de tudo e eu calava a preocupação pelo seu estado de saúde. Quando os sinais de alarme já não permitiam dúvidas, confesso que o aconselhei a bater com a porta, afligia-me sabê-lo a prazo por razões que abominavam palavras como rigor e competência. Também ele reconhecera os presságios, mas decidiu permanecer no seu posto até ao fim. Calava-me sempre com um “tu no meu lugar fazias o mesmo, é a nossa gente” que não correspondia à verdade.
E finalmente aconteceu: um Ministro deixou-se enredar em politiquices paroquiais e exonerou um Director Regional por ele defender os interesses e as políticas do Ministério! Não lhe ouvi uma queixa, mas cresceu nele uma amargura que não mais o abandonou. O José voltou ao CAT e de novo foi chefe pelo exemplo e não por simples decreto. Segundo sei, até em situações que uma saúde periclitante em absoluto desaconselhava. O que não o impediu de se preocupar com a minha, o segundo momento em que arriscou uma pergunta pessoal foi após a publicação de O Tempo dos Espelhos: pigarreou e disse, olhos no rio – “estás bem? Achei o livro tão triste…”
O contrário nunca aconteceu, ele preservava a sua intimidade de um modo gentil, mas firme. Sempre respeitei a sua distância de conforto e isso permitiu que gozasse ainda mais determinados momentos. Recordo-lhe sorriso doce e confissão de avô recente, “acertaste, apaixonei-me pelo miúdo!”. À medida que a saúde se deteriorava os almoços foram rareando. Embora penalizado, compreendi-lhe o pudor e ele sabia, nunca sentiu a obrigação de explicar o afastamento. Uma sms aqui e acolá provava o que ambos construíramos de precioso – o outro estava lá.
Agora ele só permanece aqui, na eternidade a prazo da minha memória. Sem idealizações, ofensivas por nascerem da morte, o José tinha os seus defeitos. E a ternura nunca o levou a ignorar os meus… Prefiro assim, estamos para além do risco de nos desiludirmos. Quando o tempo melhorar levo-o ao rio.
domingo, janeiro 01, 2012
De Cantelães.
Quem por aqui ronda há algum tempo sabe que o hábito de o cortar às fatias e tornar a seguinte mais doce à base de champanhe e uvas passas não me diz nada. Mas vocês dizem:). E por isso vos desejo um 2012 tão bom quanto possível.
sábado, dezembro 31, 2011
Variações em tristeza maior.
E embora triste, tristemente se viu obrigado a reconhecer que o seu amor era triste. Mas tristemente encarou o triste facto de não ter outro amor - menos triste! - que tomasse o triste lugar daquele. Triste, mas verdadeiro. E triste se deitou, sem esperança de menos triste acordar, tristemente reconfortado pela certeza que um amor triste deixa a perder de vista a triste ausência do amor.
quarta-feira, dezembro 28, 2011
Projecto de futuro.
A paixão ignora olimpicamente as desilusões. O amor sobrevive-lhes a custo, mas de olhos fechados é difícil escutar a mesma canção, dizia o Tê.
sábado, dezembro 24, 2011
Gente...
Que o vosso Natal seja galgo ou tartaruga e Segunda alívio ou saudade. Fiquem bem. E tenham cuidado na estrada...
segunda-feira, dezembro 19, 2011
Estranho Portugal.
Antigamente emigrávamos a salto, a coberto da noite, o credo na boca, a prisão ao virar da esquina, a guerra e/ou a fome nas costas. Agora espera-se que emigremos a pedido caridoso do Poder...
segunda-feira, dezembro 12, 2011
Da noite para o dia.
Adormeceu feliz; acordou triste. Bateu a porta e suspirou - se Deus é eterno, porquê tanta pressa a equilibrar os pratos da balança?
quinta-feira, dezembro 01, 2011
A terminação.
Maria,
Abrandar. Por fim tempo para regressar aos (outros) livros, à música, ao remanso do jardim que exigias da almofada, "não feches a persiana". A luz ténue, que afaga o quarto e estranha a ausência da timidez gulosa, mãe de olheiras gratas matinais, o teu exagero risonho, "aposto que adivinham!" Sabes?, vou procurá-los e perguntar! E se tinhas razão, se confirmarem que notavam e riam nas tuas costas de bocejos sonhadores, volto para casa e adormeço embalado pela certeza que aconteceu. À míngua de ti no ombro...
Abrandar. Por fim tempo para regressar aos (outros) livros, à música, ao remanso do jardim que exigias da almofada, "não feches a persiana". A luz ténue, que afaga o quarto e estranha a ausência da timidez gulosa, mãe de olheiras gratas matinais, o teu exagero risonho, "aposto que adivinham!" Sabes?, vou procurá-los e perguntar! E se tinhas razão, se confirmarem que notavam e riam nas tuas costas de bocejos sonhadores, volto para casa e adormeço embalado pela certeza que aconteceu. À míngua de ti no ombro...
quarta-feira, novembro 23, 2011
A céu aberto.
A solidão é o mais fiel dos espelhos. Sublinha a nossa imagem e reduz a dos outros ao exílio das recordações. E assim corta as goelas a preguiçosos álibis...
sábado, novembro 19, 2011
Fim-de-semana e de vida.
Maria,
Cantelães. As saudades da árvore de meus Pais, que se entretém a crescer enquanto me espera, impaciente. E eu, sempre megalómano!, aspiro ainda a um vislumbre do raio verde antes de mergulhar no repouso do crepúsculo.
Cantelães. As saudades da árvore de meus Pais, que se entretém a crescer enquanto me espera, impaciente. E eu, sempre megalómano!, aspiro ainda a um vislumbre do raio verde antes de mergulhar no repouso do crepúsculo.
quinta-feira, novembro 17, 2011
Os amigos.
Maria,
Fui gravar o Hotel Babilónia com o João Gobern e o Pedro Rolo Duarte. Cansado, como vem sendo habitual. Mas primeiro encontrei a Madalena Balsa, que já não via há um ror de tempo e se me pendurou no pescoço, gentil, "Professor...". E os dois patifes, Maria! A fadiga desapareceu num ápice, os três partilhamos amor longo - a rádio. Sempre tive uma relação muito boa com o Pedro, "assombrada" por outra, anterior e muito querida - com a Mãe dele. Que acreditou estar eu à altura de um programa tão exigente como o "Carlos Cruz Quarta-Feira", o Sexualidades começou nessa tarde. Os Rolo Duarte são gente cá de casa, como diria o Bénard. O João... O João definiu como ninguém o objectivo utópico de O Sexo dos Anjos, chamou-lhe um dia "a erotização da Palavra". Sem o sabermos, os três aspirávamos a isso - não a falar de sexo, mas a transformar cada triálogo numa experiência de prazer global, epidérmico, repetidamente irrepetível. Lembro-me de o (não) ver na redacção do Sete, escondido por montanhas de discos, sabedor da minha paixão por Neil Young, "já ouviu o Unplugged?". O olhar entre o escandalizado e o condoído, "ouça, tem uma versão espantosa de Like a Hurricane". E eu saí disparado mas sem dúvidas, opinião dele nunca esbarrara em desacordo meu, a canção despida de electricidade era... electrizante! Foi tão bom, Maria. Para ser perfeito só faltou encontrar o sorriso doce e o espetado polegar do Zé Gabriel à saída. E poder contar-te a gratidão que lhes dedico de viva voz...
Fui gravar o Hotel Babilónia com o João Gobern e o Pedro Rolo Duarte. Cansado, como vem sendo habitual. Mas primeiro encontrei a Madalena Balsa, que já não via há um ror de tempo e se me pendurou no pescoço, gentil, "Professor...". E os dois patifes, Maria! A fadiga desapareceu num ápice, os três partilhamos amor longo - a rádio. Sempre tive uma relação muito boa com o Pedro, "assombrada" por outra, anterior e muito querida - com a Mãe dele. Que acreditou estar eu à altura de um programa tão exigente como o "Carlos Cruz Quarta-Feira", o Sexualidades começou nessa tarde. Os Rolo Duarte são gente cá de casa, como diria o Bénard. O João... O João definiu como ninguém o objectivo utópico de O Sexo dos Anjos, chamou-lhe um dia "a erotização da Palavra". Sem o sabermos, os três aspirávamos a isso - não a falar de sexo, mas a transformar cada triálogo numa experiência de prazer global, epidérmico, repetidamente irrepetível. Lembro-me de o (não) ver na redacção do Sete, escondido por montanhas de discos, sabedor da minha paixão por Neil Young, "já ouviu o Unplugged?". O olhar entre o escandalizado e o condoído, "ouça, tem uma versão espantosa de Like a Hurricane". E eu saí disparado mas sem dúvidas, opinião dele nunca esbarrara em desacordo meu, a canção despida de electricidade era... electrizante! Foi tão bom, Maria. Para ser perfeito só faltou encontrar o sorriso doce e o espetado polegar do Zé Gabriel à saída. E poder contar-te a gratidão que lhes dedico de viva voz...
segunda-feira, novembro 14, 2011
A outra almofada.
Maria,
Que o meu ombro viaje para Inglaterra e nele adormeças segura, menininha. Boa noite.
P.S. Apesar do Álvaro garantir que em 2012 teremos o princípio do fim da crise, mandei-o pela Ryanair. O dinheiro está caro e gosto de pensar que o exigirás mais vezes...
Que o meu ombro viaje para Inglaterra e nele adormeças segura, menininha. Boa noite.
P.S. Apesar do Álvaro garantir que em 2012 teremos o princípio do fim da crise, mandei-o pela Ryanair. O dinheiro está caro e gosto de pensar que o exigirás mais vezes...
domingo, novembro 13, 2011
Melancólico...
... é o alívio de presenciar a saída (?) de cena deste inenarrável Berlusconi. Como foi possível, numa democracia, serem os mercados e não os votos a afastá-lo?:(.
quarta-feira, novembro 09, 2011
Um adeus civilizado.
E o coração dela não disparou ao ouvi-lo dizer que viria. Sempre fora pessoa de decisões fáceis mas confrontos difíceis, não lhe apeteceu separação falada e sofrida, pela primeira vez compreendeu quem antes criticava - por sms é menos doloroso. Jamais lho faria... Tomar a decisão, mas deixar-lhe a responsabilidade de fechar portas e bocas - conhecia-o tão bem! - prezava a Estética tanto como a Ética. Nessa noite recebeu-o de pijama e pantufas, deu férias às lentes de contacto e poupou ao lume as batatas, que endureceram como o seu coração. Ele chegou, viu e calou. Nunca mais apareceu. E ela cumprimentou-se - por escolher homem errado, mas inteligente.
segunda-feira, novembro 07, 2011
Ressaca.
Maria,
Outubro foi tão pesado que acabou a cinco de Novembro... E no dia seguinte, quase a medo, supersticioso, arrisquei comprar um romance. Meia-dúzia de páginas lidas, prazer da leitura reencontrado depois de tantos meses, palavras tuas, desalentadas, regressam a casa - "chega-te não morrer nessas maratonas, desgraçado, pensa no que fica por viver!".
Sem ti...
Outubro foi tão pesado que acabou a cinco de Novembro... E no dia seguinte, quase a medo, supersticioso, arrisquei comprar um romance. Meia-dúzia de páginas lidas, prazer da leitura reencontrado depois de tantos meses, palavras tuas, desalentadas, regressam a casa - "chega-te não morrer nessas maratonas, desgraçado, pensa no que fica por viver!".
Sem ti...
sábado, outubro 29, 2011
O José.
O José morreu, não voltaremos a almoçar na Portugália, à beira-rio. Era um homem bom, a competência é importante, mas não vale a bondade. Trabalhámos ombro a ombro, sem nenhuma dúvida sobre quão leal seria o outro em qualquer situação. Que ele me substituísse foi o único pedido que fiz à tutela quando abandonei o CAT de Cedofeita. Não me arrependi, claro. Subiu por mérito próprio, por mérito próprio acabou por ser achincalhado pelos políticos. E alguns colegas... Quando o alertei, a resposta veio pronta - "é a nossa gente, Júlio". E essa curta resposta resume tudo, diferentes como fomos, tal objectivo uniu-nos sempre - defender a nossa gente e as suas condições de trabalho. Chefiar também é proteger.
sexta-feira, outubro 28, 2011
A desconfiança divina.
O Senhor deu-lhe a vida, mas ele pediu mais - um sentido para a viagem. O silêncio pareceu de mau agoiro, "exagerei...". Seguramente. E no entanto, por uma vez Deus aceitou a reputação de infinita bondade que tanto O irritava e criou a Paixão.
- Obrigado.
- Por amor de Mim, não sejas tão politicamente correcto, limita-te a não a desperdiçar.
E partiu. Não fosse o Diabo tecê-las - passe a força de expressão! - começou a esculpir a saudade...
- Obrigado.
- Por amor de Mim, não sejas tão politicamente correcto, limita-te a não a desperdiçar.
E partiu. Não fosse o Diabo tecê-las - passe a força de expressão! - começou a esculpir a saudade...
sábado, outubro 22, 2011
O ritual.
Eu telefonava antes. E perguntava - "É o senhor Carlos Ferreira, adepto do Belenenses?". E ele respondia - "Quem fala?". "Júlio Machado Vaz, orgulhosamente benfiquista!". A sua gargalhada, imune à ferrugem dos anos - "Ju, vens a Lisboa?". (Mais ninguém me tratava assim.) E eu ia, antes mesmo de aterrar no hotel passava lá por casa e ficávamos à conversa. Quando eu era puto e cliente do Sud-Express ele dava-me números de amigas dele "just in case". Eu sorria e ele fingia-se ofendido - "só amigas, conheci-as quando lá estava em serviço da Pan American". Acabou, o Tio Carlos morreu. Mãe, o teu irmão vai a caminho:). Pergunta-lhe, se tens dúvidas, falávamos sempre de ti, saudades à compita, entre irmão e filho venha o Amor e escolha, não importa. Toma bem conta dele, trabalhou cedo para tu poderes cantar. E abriu os braços ao sobrinho, que cambaleava sem o teu ombro. À minha volta as sombras são já mais do que as gentes de carne e osso...
domingo, outubro 16, 2011
O meu a seus donos.
Maralhal,
Seis anos é obra, sessenta e dois no lombo já me deixam mais ambivalente:). Não quero distinguir entre veteranos e "caloiros", apenas agradecer visitas e ternura. Júlio, the real Murcon.
Seis anos é obra, sessenta e dois no lombo já me deixam mais ambivalente:). Não quero distinguir entre veteranos e "caloiros", apenas agradecer visitas e ternura. Júlio, the real Murcon.
sábado, outubro 15, 2011
Palavra?????????? E ainda há quem diga que os sacrifícios não são para todos:(.
O Governo confirmou esta sexta-feira à Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) que os cortes dos subsídios de Natal e de férias anunciados quinta-feira pelo primeiro-ministro serão aplicados aos governantes e aos elementos dos seus gabinetes.«Perguntámos ao ministro das Finanças se os cortes anunciados iriam ser aplicados aos membros do Governo e aos elementos dos seus gabinetes que não são funcionários públicos e ele confirmou que sim», disse o secretário-coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, aos jornalistas à saída de uma reunião negocial no Ministério das Finanças.A reunião realizou-se no âmbito do processo negocial anual mas, segundo o dirigente da FESAP (UGT), serviu sobretudo para o ministro das Finanças esclarecer as novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro.
domingo, outubro 09, 2011
A epifania de um escravo do pensamento funcional.
Ela disse,
- És a minha casa.
O júbilo grato dele viveu pouco tempo a solo, os pontos de interrogação precipitaram-se numa Blitzkrieg que lhe cercava os neurónios com pergunta matraqueada sem descanso, "como se responde a isto?"
("Isto" era o seu talento para convencer a poesia a tocá-lo, mesmo sabendo-o tristemente imune ao arco-íris das palavras...).
Talvez o humor, podia responder "e com o empréstimo já pago, querida!"
(Jesus!).
E de repente deixou de pensar e reviveu-lhe sorrisos, afagos, despertares, a cabeça no seu ombro, mas sobretudo como lhe transformara a vida pelo simples facto de existir, a ele!, que não lera Pessoa e muito menos o outro lá em Paris.
Vai daí,
- E tu a minha arquitecta.
O nevoeiro que tanto o fascinava enroscou-se nos olhos dela...
- És a minha casa.
O júbilo grato dele viveu pouco tempo a solo, os pontos de interrogação precipitaram-se numa Blitzkrieg que lhe cercava os neurónios com pergunta matraqueada sem descanso, "como se responde a isto?"
("Isto" era o seu talento para convencer a poesia a tocá-lo, mesmo sabendo-o tristemente imune ao arco-íris das palavras...).
Talvez o humor, podia responder "e com o empréstimo já pago, querida!"
(Jesus!).
E de repente deixou de pensar e reviveu-lhe sorrisos, afagos, despertares, a cabeça no seu ombro, mas sobretudo como lhe transformara a vida pelo simples facto de existir, a ele!, que não lera Pessoa e muito menos o outro lá em Paris.
Vai daí,
- E tu a minha arquitecta.
O nevoeiro que tanto o fascinava enroscou-se nos olhos dela...
sábado, outubro 01, 2011
Esclarecimento do não existente Departamento Técnico.
Recebi queixas por dificuldade em colocar comentários, algumas delas aventando hipóteses sobre teclas em que teria carregado inadvertidamente e outros pecados informáticos. Eu??????????? Vocês deviam conhecer melhor a ignorância reverencial e paralítica com que abordo o computador:).
quarta-feira, setembro 28, 2011
O aprendiz.
Maria,
Faz barco da minha mão e da tua leme. Abriga o mar no teu corpo e navega a todo o pano. Eu? Fico em terra. Maravilhado; invejoso; e - confesso... - um pouco ufano:).
Faz barco da minha mão e da tua leme. Abriga o mar no teu corpo e navega a todo o pano. Eu? Fico em terra. Maravilhado; invejoso; e - confesso... - um pouco ufano:).
terça-feira, setembro 27, 2011
Os pragmáticos.
Sexta os Machadinhos assistiram ao seu primeiro clássico pela mão dos Pais. Foram vestidos a rigor e à F.C.P., dois pequenos dragões prontos para esturricarem a águia lazarenta do Avô. E eu fiquei preocupado, o futebol drena cada vez mais frustrações, o golo puxa a palavra e esta o murro, pronto, confesso - no fim quis saber o estado da Nação:). Ainda por cima num dilema inusitado, "e se os putos ficaram desolados por o FCP não ter ganho? Ainda acabo a sentir-me culpado por empatar...".
Enorme erro de avaliação daquelas mentes tortuosas... Tinham adorado! Tanto, que havia um pedido a fazer ao Avô, "levas-nos à Luz na segunda volta?". E o verso dos Beatles veio-me à memória, talvez por o Sérgio ter editado novo disco - step on the gas and wipe that tear away.
Lá terá de ser!
Enorme erro de avaliação daquelas mentes tortuosas... Tinham adorado! Tanto, que havia um pedido a fazer ao Avô, "levas-nos à Luz na segunda volta?". E o verso dos Beatles veio-me à memória, talvez por o Sérgio ter editado novo disco - step on the gas and wipe that tear away.
Lá terá de ser!
segunda-feira, setembro 19, 2011
Talvez com uma petição...
O que aconteceu na Madeira não se repetirá, assegurou o Ministro das Finanças. Na Região ou no País? No segundo caso acho injusto, por que não temos nós, cubanos rectangulares presididos pelo senhor Silva, direito a esquecer umas dividazitas em legítima defesa, como fez o Dr. Jardim?
segunda-feira, setembro 12, 2011
O Alexandre.
O Encontro da Casa da Música correu bem. Na realidade, preferi o formato deste ano - menos conferências com mais tempo para diálogo(s), todo o programa na mesma sala, intervalos longos que permitiram recuperar atrasos. Quando me perguntaram quem gostaria de ter comigo da área da arquitectura, o nome do Alexandre Alves Costa saiu-me de rajada. Por duas razões - ia falar de uma época que ele analisaria na perfeição; e porque gosto muito dele!:) - dos congressos à casa que para mim desenhou a meias com o Sérgio, passando pelos encontros no restaurante do senhor Manuel, trilhámos um caminho de solidariedade firme e risonha. Ele aceitou o convite. E uns dias depois disse que não lhe apetecia nada falar daquilo. Ao que respondi, no problemo, fala do que te der na gana. Assim foi, o Alexandre brindou-nos com uma reflexão brilhante sobre os anos 60, sua música e arte. Mas ainda teve tempo para se virar na minha direcção quando os primeiros acordes de The Times they are a'changing Bob Dylan se fizeram ouvir. E por baixo de um sorriso agarotado, que eu, um pouco mais novo, não desdenharia sorrir, sugiu um polegar levantado que de imediato contagiou o meu. Talvez os tempos não tenham mudado como Dylan e muitos de nós sonhavam na altura, mas a cumplicidade, essa, não está à venda nem receia as agências de rating:).
terça-feira, setembro 06, 2011
Aniversário.
Pai,
Parabéns. (Já sei, já sei, é um dia como os outros, alegra-te com este pensamento - estejas onde estiveres não vais aturar Mãe e filho a esvaziar-te uma taça de champanhe goela abaixo:)!). "Estejas onde estiveres", a nostalgia de ao menos ter direito à dúvida... Estás em Cantelães e na memória saudosa de muitos, ponto final. Domingo pensei (mais) em ti. Fui à RTPN e permitiram que deixasse o sexólogo na maquilhagem. Uma raridade, como sabes... Quando regressava a casa interroguei-me sobre o que dirias ao telefone, conheço-te, jamais te quedarias por uma sms, conversar é preciso, viver não é preciso:). Não te imagino a discordar da substância, mas acredito que subtilmente provasses poder ter sido... mais subtil! E terias razão, mas... Gosto de acreditar que não traí os valores cultivados na minha educação, coisa diferente é pensar que herdei/aprendi o teu estilo florentino. A esse nível, meu querido, alguém te partiu o molde ao nasceres. E acho que fez bem:))))).
Parabéns. (Já sei, já sei, é um dia como os outros, alegra-te com este pensamento - estejas onde estiveres não vais aturar Mãe e filho a esvaziar-te uma taça de champanhe goela abaixo:)!). "Estejas onde estiveres", a nostalgia de ao menos ter direito à dúvida... Estás em Cantelães e na memória saudosa de muitos, ponto final. Domingo pensei (mais) em ti. Fui à RTPN e permitiram que deixasse o sexólogo na maquilhagem. Uma raridade, como sabes... Quando regressava a casa interroguei-me sobre o que dirias ao telefone, conheço-te, jamais te quedarias por uma sms, conversar é preciso, viver não é preciso:). Não te imagino a discordar da substância, mas acredito que subtilmente provasses poder ter sido... mais subtil! E terias razão, mas... Gosto de acreditar que não traí os valores cultivados na minha educação, coisa diferente é pensar que herdei/aprendi o teu estilo florentino. A esse nível, meu querido, alguém te partiu o molde ao nasceres. E acho que fez bem:))))).
sábado, setembro 03, 2011
Um dia destes num jornal perto de si...
Problemas conjugais? Dificuldades perante a concorrência na vida profissional? Ansioso por ajustar contas com o tipo que lhe dava uns cachaços na escola? Vítima de síndrome de curiosidade obsessiva e inespecífica? Temos a solução e à custa do erário público - contactos nos Serviços de Informação da República. Telefone já! (Para não ser escutado marque cardinal...).
segunda-feira, agosto 29, 2011
Nos últimos dias...
... jantei com os meus dois filhos separadamente. E por razões que me pertencem vi-os partir com a ternura grata devida a quem dá ao pai o melhor dos presentes - a possibilidade de um envelhecimento tranquilo quanto ao futuro da tribo.
quinta-feira, agosto 25, 2011
Lá foi a dieta outra vez:(.
Como o Zé Álvaro Pacheco Pereira não vem ao Murcon posso dizê-lo: SLB, SLB:))))))))). (Mais vale aproveitar enquanto posso, não é legal jogarmos no campeonato holandês?...).
segunda-feira, agosto 22, 2011
O descalabro alimentar...
Uma semana em Cantelães é um albergue minhoto, cabe lá tudo: os amigos, as crianças, os cães, os matrecos, a feira na Vila, os garranos, a águia, aquele céu... Consequência mais palpável e angustiante? Engordo:(. Depois chego ao Porto e tasquinho saladas até as calças deixarem de sufocar o pneu... Mas quem resiste ao canto de sereia do Guilherme, sozinho na cidade, a trabalhar como um negro, faminto de mimo paterno? Ninguém, decreto eu! E lá se foi a dieta:).
quinta-feira, agosto 18, 2011
À noite.
À noite o corredor de Cantelães vive da luz do céu. Gosto assim, entre a cozinha e a sala reina a Cabreira, a longa janela é um vestido transparente. Criminoso despi-lo, no amor os dedos viajam à boleia dos olhos. E esperam...
segunda-feira, agosto 15, 2011
O celeiro transformado em Feira do Livro.
Sábado fui à Marmeleira, a convite do meu velho amigo José Álvaro Pacheco Pereira. O reencontro teve vários bónus - o Pai dele, que tive o privilégio de abraçar cinquenta anos depois, a ternurenta anfitriã, extraordinária animadora cultural da comunidade, a sageza bem disposta de uma jovem de noventa anos; e o fascínio por aquela espantosa girândola de livros...! Quanto à sessão nocturna - o "trabalho"... - foi muito especial. Primeiro, por alguém ter a gentil lembrança de me receber ao som da voz de minha Mãe! Depois, porque o Zé não exagerara nada - aquela gente é uma delícia, estava mesmo lá para amena cavaqueira. Lembram-se da teoria dos vasos comunicantes do liceu? - saí para a estrada com a voz desfeita e o coração grato. Bref, um bom negócio:).
sexta-feira, agosto 12, 2011
quarta-feira, agosto 10, 2011
O jantar.
O massacre esperou as costas deferentes do chefe e serviu de anfitrião às entradas. (Aquele preço mereciam a pompa de outro baptismo - o couvert.) Emoldurou bolos de bacalhau, presunto, pâté de atum, azeitonas recheadas e meia-dúzia de camarões mínimos que teimavam em não abandonar as cascas. Subiu a bordo das colheres de sopa, ensaiou a Paixão nos dentes dos garfos, fez equilibrismo nos gumes das facas, pôs-lhe a cabeça (mais) à roda pela mão de um honesto branco.
E de repente um silêncio improvável, gozado com a volúpia que reservamos aos milagres breves, assim o afirma o narrador e não se engana, de trás da lista de sobremesas surgiu a primeira interrogação da noite, ou talvez ordem disfarçada de pergunta, verdade é que soou a estalo de chicote beijando as patas de cavalo amestrado,
- Então?
Dizer o quê? "Tocaste variações em educação menor do discurso de sempre nos últimos tempos"? "A que racionalização foste buscar tanta autoridade moral?" "Já te ocorreu falar comigo e não de mim?"
Sorriso afável,
- Conheces-me, aqui não resisto ao bolo de chocolate.
Sílabas marteladas,
- Não faças de mim parvo, sou o teu melhor amigo.
O sorriso desaguou num esgar em que o azedume ombreava com a saudade,
- Magnífica e única razão para te poupar à resposta que mereces.
Para o chefe, irreprensivelmente surdo,
- Dois garfos e um bolo de chocolate, há que vigiar as calorias!
Fizeram-no em silêncio.
A amizade suspirou, engoliu um café, pagou o preço mas não a conta e desapareceu na noite.
E de repente um silêncio improvável, gozado com a volúpia que reservamos aos milagres breves, assim o afirma o narrador e não se engana, de trás da lista de sobremesas surgiu a primeira interrogação da noite, ou talvez ordem disfarçada de pergunta, verdade é que soou a estalo de chicote beijando as patas de cavalo amestrado,
- Então?
Dizer o quê? "Tocaste variações em educação menor do discurso de sempre nos últimos tempos"? "A que racionalização foste buscar tanta autoridade moral?" "Já te ocorreu falar comigo e não de mim?"
Sorriso afável,
- Conheces-me, aqui não resisto ao bolo de chocolate.
Sílabas marteladas,
- Não faças de mim parvo, sou o teu melhor amigo.
O sorriso desaguou num esgar em que o azedume ombreava com a saudade,
- Magnífica e única razão para te poupar à resposta que mereces.
Para o chefe, irreprensivelmente surdo,
- Dois garfos e um bolo de chocolate, há que vigiar as calorias!
Fizeram-no em silêncio.
A amizade suspirou, engoliu um café, pagou o preço mas não a conta e desapareceu na noite.
segunda-feira, agosto 08, 2011
Circular.
Alguns de vocês terão encontrado por aí o primeiro número de uma revista chamada The Printed Blog. Impôe-se um esclarecimento. O primeiro texto anunciado é "Amante de Júlio Machado Vaz". Acontece que me foi pedida autorização para utilizar um post do Murcon, solicitação a que acedi. Pese embora o estado miserável da minha memória, o título "Amante" não me dizia nada. Verifiquei no Murcon e até no Aqui entre Nós. No primeiro o título era o omnipresente e monótono "Boa noite", no segundo "Quem??? Eu???". Ou seja - alguém decidiu apimentar a prosa com um título sugestivo... Considero esse tipo de procedimento intelectualmente desonesto e oportunista, no passado já deixei de colaborar com uma revista por um episódio semelhante. Não descortino qualquer justificação para não o voltar a fazer agora. Boa noite.
sábado, agosto 06, 2011
Halfway, diziam os Black Eyed Peas.
Maria,
Sabes como fico depois das vitórias do Benfica - no dialecto que aí se fala, mellow:). Giro pelos canais, enquanto esperava a palavra de Jesus. E de súbito os acordes, "aqueles" acordes, os óculos do velho Orbison, a sua amizade com o velho Harrison, Julia Roberts e o teu olhar de soslaio - "vocês, homens" -, as memórias navegam comigo rumo à cozinha, por precaução inútil e burguesa espreito o campo varrido pelos holofotes e ensaio passo de dança, estalar de dedos, voz roufenha - Pretty woman, walking down the street, pretty woman, the kind I like to...
Há palavras obscenas longe de ti:(.
Sabes como fico depois das vitórias do Benfica - no dialecto que aí se fala, mellow:). Giro pelos canais, enquanto esperava a palavra de Jesus. E de súbito os acordes, "aqueles" acordes, os óculos do velho Orbison, a sua amizade com o velho Harrison, Julia Roberts e o teu olhar de soslaio - "vocês, homens" -, as memórias navegam comigo rumo à cozinha, por precaução inútil e burguesa espreito o campo varrido pelos holofotes e ensaio passo de dança, estalar de dedos, voz roufenha - Pretty woman, walking down the street, pretty woman, the kind I like to...
Há palavras obscenas longe de ti:(.
segunda-feira, agosto 01, 2011
Boa? Só se fosse para a Agricultura:)))).
O tempo faz negaças e eu, no aconchego da minha indiferença à praia, recuo no irmão maiúsculo. Há mais de trinta anos, em S.Xenxo, acordávamos apreensivos, os caprichos meteorológicos das Rias Bajas são famosos... E se chovia às escâncaras ou morrinhava à traição, a voz alegre da Cuca Sarmento anunciava o desastre - "Meninas, sol ni berlo, vai uma excursão ao Corte Inglês?" Estranho, não é? A água que caía do céu secava carteiras terrenas!
terça-feira, julho 26, 2011
Da liberdade.
Se existe, o Senhor é refém de certezas eternas. Não O invejo, prefiro os riscos de escolha, recompensa e cutelo. Serei como a raposa? Talvez. Mas ao menos posso fantasiar sobre o que me espera atrás de porta, sorriso e olhar. E assim viver o futuro com o espanto e reconhecimento que Lhe estão vedados. Imagino a Sua melancolia entediada...
sábado, julho 23, 2011
A sombra afável que te embala.
Maria,
Hoje pensei (mais) em ti. Entrei na famigerada Ribeiro e um coco definhava, esmagado por bolas de Berlim. A esta hora já deve ter expirado... Se cá estivesses ter-to-ia oferecido. A ti e a Ele... Meu Pai devorava-os, com o mesmo gozo que eu reservo aos tremoços, a um de nós sempre faltou classe:). E tu aceitavas (doce...) prova de amor e (amarga...) saudade, dois em um nas tuas mãos, que me rodeavam a face. A tua voz - "eu sei." Seguramente, desenhava-vos em moldura comum. E o resto? Eu digo.Um dia ofereceste-me As Velas ardem até ao Fim e o diálogo crepuscular entre aqueles dois homens bateu forte. Tanto por dizer entre mim e Ele... Tu, por exemplo. Ouvir-me-ia em silêncio. E depois a pergunta sacramental - "o que lê? O velho Sandor? Bom sinal, cuide-a!" E eu cuido. A posteriori...
Hoje pensei (mais) em ti. Entrei na famigerada Ribeiro e um coco definhava, esmagado por bolas de Berlim. A esta hora já deve ter expirado... Se cá estivesses ter-to-ia oferecido. A ti e a Ele... Meu Pai devorava-os, com o mesmo gozo que eu reservo aos tremoços, a um de nós sempre faltou classe:). E tu aceitavas (doce...) prova de amor e (amarga...) saudade, dois em um nas tuas mãos, que me rodeavam a face. A tua voz - "eu sei." Seguramente, desenhava-vos em moldura comum. E o resto? Eu digo.Um dia ofereceste-me As Velas ardem até ao Fim e o diálogo crepuscular entre aqueles dois homens bateu forte. Tanto por dizer entre mim e Ele... Tu, por exemplo. Ouvir-me-ia em silêncio. E depois a pergunta sacramental - "o que lê? O velho Sandor? Bom sinal, cuide-a!" E eu cuido. A posteriori...
quarta-feira, julho 20, 2011
Dúvidas excruciantes do país.
O que disse realmente o PM?
1 - Dívida (xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx) colossal.
ou
2 - Dívida colossal.
Quem o cita correctamente?
1 - O pontual, didáctico, exausto, bem educado e suavemente irónico Ministro das Finanças
ou
2 - O Povo Livre.
Qual a influência do esclarecimento da dúvida no futuro da dívida?
1 - Dívida (xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx) colossal.
ou
2 - Dívida colossal.
Quem o cita correctamente?
1 - O pontual, didáctico, exausto, bem educado e suavemente irónico Ministro das Finanças
ou
2 - O Povo Livre.
Qual a influência do esclarecimento da dúvida no futuro da dívida?
segunda-feira, julho 18, 2011
sexta-feira, julho 15, 2011
Escrever de ouvido.
Maria,
Lembras-te daquele paleio terrorista e irónico sobre os homens, "quando têm 37.5 de febre tornam-se uns paridinhos em busca de colo de mulher"? Não digas aos herdeiros do News of the World - é verdade:(. Assaltou-me uma otite e não imaginas os equilibrismos que tenho de fazer para derramar umas míseras gotas no ouvido sem falhar o alvo! Imagino-te o sorriso, o meneio de cabeça, a ordem suave - "no meu colo." A face no teu ventre, à espera do depois. Que regateias, marota - "não estás doente?..." Eu, Maria? Deve ser a minha otite ou a tua miopia, não vês que o meu desejo sara as maleitas do corpo? Ouço-te ao longe? E depois? Olhos e mãos garantem que os teus lábios roçam o ouvido coxo e fazem correr a imaginação. Vem e sacia-lhe fome de anos. Não me obrigues a buscar abrigo no torpor de um qualquer anti-histamínico:(.
Lembras-te daquele paleio terrorista e irónico sobre os homens, "quando têm 37.5 de febre tornam-se uns paridinhos em busca de colo de mulher"? Não digas aos herdeiros do News of the World - é verdade:(. Assaltou-me uma otite e não imaginas os equilibrismos que tenho de fazer para derramar umas míseras gotas no ouvido sem falhar o alvo! Imagino-te o sorriso, o meneio de cabeça, a ordem suave - "no meu colo." A face no teu ventre, à espera do depois. Que regateias, marota - "não estás doente?..." Eu, Maria? Deve ser a minha otite ou a tua miopia, não vês que o meu desejo sara as maleitas do corpo? Ouço-te ao longe? E depois? Olhos e mãos garantem que os teus lábios roçam o ouvido coxo e fazem correr a imaginação. Vem e sacia-lhe fome de anos. Não me obrigues a buscar abrigo no torpor de um qualquer anti-histamínico:(.
quarta-feira, julho 13, 2011
Aniversário.
Maria,
Tenho um filho de 37 anos. (O que acarreta outro de 34...). Os tempos são outros, costumavas dizer. É verdade. Passei a noite deliciado, à conversa com o namorado de minha ex-mulher, velho amigo. E isso é bom - um casamento acaba, mas não a tribo, que acolhe novos membros de pleno direito. Só faltou mail ou sms teus - "Dá um beijo ao Guilherme e diverte-te. Com juízo...". Em verdade te digo - nunca pensei ter saudades de mulher ciumenta:(.
Tenho um filho de 37 anos. (O que acarreta outro de 34...). Os tempos são outros, costumavas dizer. É verdade. Passei a noite deliciado, à conversa com o namorado de minha ex-mulher, velho amigo. E isso é bom - um casamento acaba, mas não a tribo, que acolhe novos membros de pleno direito. Só faltou mail ou sms teus - "Dá um beijo ao Guilherme e diverte-te. Com juízo...". Em verdade te digo - nunca pensei ter saudades de mulher ciumenta:(.
domingo, julho 10, 2011
Balanço.
O jantar foi uma delícia. Perfeito!, se não tivesse sido obrigado a pagar a cadeira que a Andorinha destruiu:(. Snif...
quinta-feira, julho 07, 2011
Conclusão melancólica: Maria, escolhida para abraçar no ventre o Filho de Deus, jamais poderia aspirar ao sacerdócio...
Lisboa, 06 jul 2011 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa emitiu hoje um “esclarecimento” às suas declarações à revista da Ordem dos Advogados sobre a ordenação sacerdotal de mulheres, convidando a “a acatar o Magistério” da Igreja Católica, que reserva o sacerdócio aos homens.
D. José Policarpo admite que as reações à entrevista, na qual disse que “teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental” à ordenação feminina (ver notícia relacionada), o obrigaram a “olhar para o tema com mais cuidado”.
“Verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reações”, admite, falando mesmo em “indignação” por parte de algumas pessoas
O patriarca de Lisboa cita o texto do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica ‘Ordinatio Sacerdotalis’, no qual se pode ler: “Declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
“O não conferir a mulheres o sacerdócio apostólico, através da ordenação sacerdotal, é uma tradição que radica no Novo Testamento, no próprio Jesus Cristo e na maneira como lançou as bases da sua Igreja”, explica D. José Policarpo.
O cardeal-patriarca considera que “a questão da ordenação de mulheres para o ministério do sacerdócio apostólico surge recentemente, sobretudo nos países ocidentais e explica-se por fatores diversos”, como “os movimentos de promoção da mulher” ou a “compreensão do sacerdócio ministerial como um direito e um poder”, entre outros.
Este responsável sublinha que “a diferença de ministério não diminui a dignidade da missão” para as mulheres e que a impossibilidade de ordenação sacerdotal “não significa uma minimização da mulher, mas a busca daquela complementaridade entre masculino e feminino, plenamente realizada na relação de Cristo com Maria”.
“Somos, assim, convidados a acatar o Magistério do Santo Padre, na humildade da nossa fé e continuarmos a aprofundar a relação do sacerdócio ministerial com a qualidade sacerdotal de todo o Povo de Deus e a descobrir a maneira feminina de construir a Igreja, no papel decisivo da missão das nossas irmãs mulheres”, indica.
D. José Policarpo diz que lhe seria “doloroso” gerar confusão na “adesão à Igreja e à palavra do Santo Padre”.
“Creio que vos tenho mostrado bem que a comunhão com o Santo Padre é uma atitude absoluta no exercício do meu ministério”, conclui, endereçando-se diretamente aos católicos da diocese de Lisboa.
D. José Policarpo admite que as reações à entrevista, na qual disse que “teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental” à ordenação feminina (ver notícia relacionada), o obrigaram a “olhar para o tema com mais cuidado”.
“Verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reações”, admite, falando mesmo em “indignação” por parte de algumas pessoas
O patriarca de Lisboa cita o texto do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica ‘Ordinatio Sacerdotalis’, no qual se pode ler: “Declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
“O não conferir a mulheres o sacerdócio apostólico, através da ordenação sacerdotal, é uma tradição que radica no Novo Testamento, no próprio Jesus Cristo e na maneira como lançou as bases da sua Igreja”, explica D. José Policarpo.
O cardeal-patriarca considera que “a questão da ordenação de mulheres para o ministério do sacerdócio apostólico surge recentemente, sobretudo nos países ocidentais e explica-se por fatores diversos”, como “os movimentos de promoção da mulher” ou a “compreensão do sacerdócio ministerial como um direito e um poder”, entre outros.
Este responsável sublinha que “a diferença de ministério não diminui a dignidade da missão” para as mulheres e que a impossibilidade de ordenação sacerdotal “não significa uma minimização da mulher, mas a busca daquela complementaridade entre masculino e feminino, plenamente realizada na relação de Cristo com Maria”.
“Somos, assim, convidados a acatar o Magistério do Santo Padre, na humildade da nossa fé e continuarmos a aprofundar a relação do sacerdócio ministerial com a qualidade sacerdotal de todo o Povo de Deus e a descobrir a maneira feminina de construir a Igreja, no papel decisivo da missão das nossas irmãs mulheres”, indica.
D. José Policarpo diz que lhe seria “doloroso” gerar confusão na “adesão à Igreja e à palavra do Santo Padre”.
“Creio que vos tenho mostrado bem que a comunhão com o Santo Padre é uma atitude absoluta no exercício do meu ministério”, conclui, endereçando-se diretamente aos católicos da diocese de Lisboa.
quarta-feira, julho 06, 2011
O desviante.
Mãe,
A bailarina da caixa de música roda, incansável; a fotografia com o Pai na Apúlia não desbota; muito menos a saudade... Mas o teu exemplo não me infecta, continuo intransigente face à ingratidão:(. Dorme bem.
A bailarina da caixa de música roda, incansável; a fotografia com o Pai na Apúlia não desbota; muito menos a saudade... Mas o teu exemplo não me infecta, continuo intransigente face à ingratidão:(. Dorme bem.
segunda-feira, julho 04, 2011
Ámen!
"Teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental à ordenação das mulheres". D. José Policarpo ao Boletim da Ordem dos Advogados.
sexta-feira, julho 01, 2011
segunda-feira, junho 27, 2011
S. João.
O Tiago de rompante pela sala do pequeno-almoço,
- Aqui estou, pronto para vos moer a cabeça!
E eu tive a certeza que fora uma boa ideia apresentar os meus netos a Barcelona:).
- Aqui estou, pronto para vos moer a cabeça!
E eu tive a certeza que fora uma boa ideia apresentar os meus netos a Barcelona:).
segunda-feira, junho 20, 2011
O profissional.
Segui a votação na AR com curiosidade. Não tinha dúvidas que Paulo Portas manteria distâncias na primeira ronda. Mas..., e na segunda? Seria "magnânimo" em nome do interesse nacional, da pressa a que o momento obrigava, trá-lá-lá? Não caiu na esparrela e fez bem. Passos Coelho estava contra a parede, não podia recuar, a não ser que Fernando Nobre tivesse tido a sensibilidade política para o fazer. Assim, apostaram tudo numa segunda votação, meteram a cave, como se diz no póquer. Portas pagou para ver, de braço dado com mais um "livre pensador" do PSD. E pôde reclamar-se da coerência, salientar que a votação não fazia parte do acordo, lembrar que o PSD abriga outros candidatos, susceptíveis de merecer consenso. No fundo, deixar claro que não aceita o estatuto de muleta dúctil do PSD. Conseguiu.
sexta-feira, junho 17, 2011
O outro.
Maria,
Não nos podias resumir melhor - ele obriga-te a comprar mais jarras, eu escrevo quando calha. Nem que mailasse todos os dias, querida, como poderia bater-me com quem acaricia as flores? Velhas memórias - vermelho/paixão; amarelo/desespero; verde/esperança. Saber (?) coxo por teórico:(. Se ele as afaga e escolhe e te "servem" como blusa e calças justas, obscenas noutra silhueta, o amigo afasta o ex-amante ciumento e segreda - magnífica ideia, transformar-te a casa em jardim e esperar que desabroche o teu sorriso!
Não nos podias resumir melhor - ele obriga-te a comprar mais jarras, eu escrevo quando calha. Nem que mailasse todos os dias, querida, como poderia bater-me com quem acaricia as flores? Velhas memórias - vermelho/paixão; amarelo/desespero; verde/esperança. Saber (?) coxo por teórico:(. Se ele as afaga e escolhe e te "servem" como blusa e calças justas, obscenas noutra silhueta, o amigo afasta o ex-amante ciumento e segreda - magnífica ideia, transformar-te a casa em jardim e esperar que desabroche o teu sorriso!
quarta-feira, junho 15, 2011
Troquei o Eco pelos cátaros. Traduzidos...:).
E Dieus devalec del cel ab XII apostols e adombrec se en sancta Maria.
Grossa heresia, quem é o primeiro a apontá-la? Podem copiar!, aqui também vai tudo corrido a dez:).
Grossa heresia, quem é o primeiro a apontá-la? Podem copiar!, aqui também vai tudo corrido a dez:).
segunda-feira, junho 13, 2011
O Cemitério de Praga.
"Debato-me" com o último Umberto Eco. Não tenho ilusões - a minha paixão por O Nome da Rosa tornou difíceis novas encantamentos. Mas há outra razão para abordagem tão parcimoniosa - adoro romances históricos e contudo detesto sentir que as pessoas se "dissolvem" no pano de fundo e se transformam em pretextos para descrições do caldo cultural/político ou da deliciosa expertise culinária:). Como dizem nuestros hermanos - a ver, a ver...
quinta-feira, junho 09, 2011
Aos que estiveram e não estiveram nos lançamentos.
Obrigado, vocês são a parte mais viva do Murcon. Quanto a ontem, foi estranhíssimo ler-me, nunca tinha acontecido:).
terça-feira, junho 07, 2011
À porta.
Pedro barrou-lhe a entrada, voz e mão gentis mas firmes.
- Meu filho, as lágrimas não chegam.
E ele,
- Pois não lavam a alma?
Pedro franziu o cenho.
- Não invoques a voz do povo como os políticos, a tua ficha diz "profissional de saúde". E não confundas alma e consciência...
Lamentoso,
- Resta-me então o Inferno...
O sagrado porteiro ofereceu-se, por coincidência, o luxo de um esgar satânico.
- O Vaticano declarou-o inexistente, meu caro. Um espelho chega!
- Meu filho, as lágrimas não chegam.
E ele,
- Pois não lavam a alma?
Pedro franziu o cenho.
- Não invoques a voz do povo como os políticos, a tua ficha diz "profissional de saúde". E não confundas alma e consciência...
Lamentoso,
- Resta-me então o Inferno...
O sagrado porteiro ofereceu-se, por coincidência, o luxo de um esgar satânico.
- O Vaticano declarou-o inexistente, meu caro. Um espelho chega!
segunda-feira, junho 06, 2011
Confissão.
Meu Deus,
Perdoa a intromissão, habitualmente dirijo-me ao Acaso e ao Maligno. Acontece que o Acaso - por mero acaso... - não se encontra disponível e o Maligno acaba de me decretar indigno da Sua atenção por raquítica psicopatia. Claro que tenciono esperar pelo primeiro e recorrer da decisão do segundo, mas sabes como o inesperado se compraz em ademanes de mulher mundana e a Justiça portuguesa tarda! Restas Tu... Ou não existes, e a minha voz se cala, órfã de eco reconfortante, ou me escutas e a ausência de Fé seria pífio álibi para me brindares com orelhas moucas. Preciso de me confessar, mas compreendo que estejas sobrecarregado e eu próprio não aprecio ladainhas intermináveis por exaustivas. Busco um pecado-padrão, que resuma e simbolize todos os outros, bonomia para com ele significará generalada caritativa, " vai e não voltes a pecar" disse o Teu Filho; ir vou, promessas não faço. E de passado e alma surge falta monstruosa e negligente - ignorar tristeza de mulher e assim nos condenar a sexo melancólico. Perdão? Compreendo. Take your time. Eu espero. Ela? Partiu há muito. Ah, isso... Condenou-me para todo o sempre, no Teu vocabulário acho que se diz Eternidade. Se não recuar e Tu existires, fica o alívio de lhe sentir o olhar ternamente severo pousado em mim per omnia... Desculpa, não tenho o direito de anexar o dialecto dos teus burocratas:(.
Perdoa a intromissão, habitualmente dirijo-me ao Acaso e ao Maligno. Acontece que o Acaso - por mero acaso... - não se encontra disponível e o Maligno acaba de me decretar indigno da Sua atenção por raquítica psicopatia. Claro que tenciono esperar pelo primeiro e recorrer da decisão do segundo, mas sabes como o inesperado se compraz em ademanes de mulher mundana e a Justiça portuguesa tarda! Restas Tu... Ou não existes, e a minha voz se cala, órfã de eco reconfortante, ou me escutas e a ausência de Fé seria pífio álibi para me brindares com orelhas moucas. Preciso de me confessar, mas compreendo que estejas sobrecarregado e eu próprio não aprecio ladainhas intermináveis por exaustivas. Busco um pecado-padrão, que resuma e simbolize todos os outros, bonomia para com ele significará generalada caritativa, " vai e não voltes a pecar" disse o Teu Filho; ir vou, promessas não faço. E de passado e alma surge falta monstruosa e negligente - ignorar tristeza de mulher e assim nos condenar a sexo melancólico. Perdão? Compreendo. Take your time. Eu espero. Ela? Partiu há muito. Ah, isso... Condenou-me para todo o sempre, no Teu vocabulário acho que se diz Eternidade. Se não recuar e Tu existires, fica o alívio de lhe sentir o olhar ternamente severo pousado em mim per omnia... Desculpa, não tenho o direito de anexar o dialecto dos teus burocratas:(.
domingo, junho 05, 2011
Diário da República murcónica.
O referendo a Sócrates terminou como era inevitável. Eu votei útil para mim mesmo, ou seja, em consciência - branco. Se, a partir de amanhã, o PS desejar discutir com o povo de esquerda como reconstruir uma alternativa tenho a certeza que não será apenas o meu telemóvel a estar ligado.
sábado, junho 04, 2011
Reflexão depois de uma campanha lamentável:(.
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And I have become
Comfortably numb.
(Gilmour/Waters).
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And I have become
Comfortably numb.
(Gilmour/Waters).
quinta-feira, junho 02, 2011
Fim de dia.
Maria,
Estou cansado. Mas não resisto a ouvir Obama na cerimónia de consagração do Souto Moura. Imagino o prazer com que o Siza assiste à consagração do "seu menino", troquei datas com ele na Faculdade de Arquitectura para que pudesse estar presente. Imaginas como me senti pequeno falando para uma audiência de artistas, não passo de um técnico que adora espreitar os "jardins" dos outros. Fizeste-me falta. Um sorriso, um assentimento imperceptível e ficaria mais tranquilo. Quem sabe? Até capaz de dormir descansado...
Estou cansado. Mas não resisto a ouvir Obama na cerimónia de consagração do Souto Moura. Imagino o prazer com que o Siza assiste à consagração do "seu menino", troquei datas com ele na Faculdade de Arquitectura para que pudesse estar presente. Imaginas como me senti pequeno falando para uma audiência de artistas, não passo de um técnico que adora espreitar os "jardins" dos outros. Fizeste-me falta. Um sorriso, um assentimento imperceptível e ficaria mais tranquilo. Quem sabe? Até capaz de dormir descansado...
segunda-feira, maio 30, 2011
É que há diferenças...
Maria,
Achas má ideia tomar uma decisão sofrível em boa companhia? Ainda me lembro das tuas palavras - "os adjectivos são degraus". De acordo, querida, mas sobem ou descem?
Achas má ideia tomar uma decisão sofrível em boa companhia? Ainda me lembro das tuas palavras - "os adjectivos são degraus". De acordo, querida, mas sobem ou descem?
domingo, maio 29, 2011
Não há pequenos-almoços grátis!
O alegado pequeno-almoço "extra campanha" que reuniria o Engenheiro Sócrates e os arquitectos Siza Vieira, Eduardo Souto Moura e Alcino Soutinho só surpreende pela candura dos convidados:).
quinta-feira, maio 26, 2011
Dicionário eleitoral.
Molho de brócolos: sucessão de declarações de Passos Coelho sobre a Lei do Aborto.
terça-feira, maio 24, 2011
Vantagens da idade:).
Há vinte anos teria medo de ser mal interpretado. Não é para vender livros, dar-me-ia realmente prazer se alguns de vocês aparecessem no lançamento do livro em Serralves, Quinta-Feira às 18.30.
A escolha...
As camionetas, as merendas, o passeio a Évora. Do outro lado, média de uma gaffe por dia. E ainda faltam catorze...
quinta-feira, maio 19, 2011
O "outro eu".
Hoje na RTP mostraram-me a minha "página não oficial" no Facebook. E eu fiquei consternado, porque embora a informação lá esteja, vários textos demonstram sem margem para dúvidas que os autores acreditam que eles serão lidos por mim e talvez suscitem uma eventual resposta. Sem qualquer responsabilidade no espaço ou ressentimento para com quem o criou, não deixei de sentir um bem pouco vago desconforto:(.
quarta-feira, maio 18, 2011
Contagem decrescente.
Maria,
Uma decisão difícil para tomar. E eu vagueio pelos corredores, à procura da sala de reuniões do teu regaço.
Uma decisão difícil para tomar. E eu vagueio pelos corredores, à procura da sala de reuniões do teu regaço.
terça-feira, maio 17, 2011
Da minha varanda.
A parte final do debate de hoje foi penosa para Passos Coelho. A tentativa de "maquilhar" o sound byte sobre a legitimação da ignorância dos portugueses nas Nova Oportunidades foi tudo menos convincente; o lendário receio dos líderes do PSD de desagradar a Alberto João Jardim também nele está presente; e quanto à "moralização" dos desempregados, só faltou dizer que as três tardes de trabalho seriam às Segundas, Quartas e Sextas para - solidariamente! - não estragar o fim-de-semana a ninguém:).
segunda-feira, maio 16, 2011
A sombra.
Sábado fui à Casa Museu Bernardino Machado em Famalicão. Tertúlia agradável, com muitos Machados na assistência:). A fotografia do Bisavô nas minhas costas não as vergou sob o peso da responsabilidade. Mas a sombra de meu Pai, que de certa forma "construiu" grande parte da exposição permanente e dos arquivos, pairou a noite toda. Quando ali o representei, pouco tempo depois da sua morte, senti como a vida pode ser cruel - não viveu o suficiente para assistir ao nascimento da obra que mais ambicionara. Por isso, ao consultá-los sobre o convite que me tinha sido endereçado, as respostas de meus filhos foram imediatas e semelhantes - "vai em nome do Avô Júlio". E eu fui. Orgulhosamente humilde - não lhe chegarei nunca aos calcanhares.
sexta-feira, maio 13, 2011
Posso estar enganado, mas...
... não foi com o debate de hoje que Passos Coelho estancou a fuga de votos para Paulo Portas. O cenário da maioria à direita favorece Portas, o eleitor sente-se livre para votar no que lhe parece mais sólido e maduro.
segunda-feira, maio 09, 2011
Estará encontrada também a explicação para a decadência das lideranças políticas?:).
"Se em casa manda a mulher dificilmente se é líder no jogo". Jorge Sousa, árbitro de futebol.
quinta-feira, maio 05, 2011
Sem (grande) surpresa.
Se dou os parabéns aos do FCP não os ia dar aos adeptos do Braga? Ná, ainda por cima trabalho na cidade há catorze anos e sempre fui tratado como um príncipe:). Marcaram - como toda a gente! - o obrigatório golo ao Benfica em não menos obrigatório erro defensivo, bateram-se, foram organizados e, atendendo aos orçamentos em presença, fizeram a melhor e mais surpreendente campanha europeia das três equipas portuguesas. Longe de mim duvidar da tristeza dos meus jogadores e do corpo técnico, mas entristece-me o discurso escolhido - "a bola não quis entrar", "o Braga não criou uma única oportunidade", "dominámos o jogo todo", etc. A verdade é que o Benfica, na minha humilde opinião, esteve mal física, técnica e tacticamente, como vem sendo hábito, mesmo com as férias no campeonato. Negar isso é tapar o sol com uma peneira. Ou muitas peneiras!, o que também é grave e preocupante:)))))). Haja saúde e (mais:() emprego, maralhal, tudo o resto é secundário.
quarta-feira, maio 04, 2011
No intervalo.
Eu sei que vocês são obscenamente jovens, mas talvez por um acaso de zapping possam compreender a minha associação livre. Quando escutava José Sócrates anunciar em campanha eleitoral tudo o que, graças a ele..., a troika não nos imporá e apreciei a solidariedade esfíngica de Teixeira dos Santos foi irresistível recordar o programa Museu do Cinema. Depois de o Primeiro Ministro nos comentar o filme, esperei ouvi-lo pedir/ordenar: " Ó Teixeira, diz boa noite". Não aconteceu, mas também é verdade que embora nos tenham dado música não havia piano. Houve Catroga a seguir, não menos comicieiro! Eu fugi para a chuva catalã e um gesto enternecedor - a festa dos jogadores do Barcelona ao companheiro e amigo que regressou aos relvados após ter sido operado, segundo creio, a um tumor hepático. Espero sinceramente que não tenha sido uma derradeira homenagem:(.
domingo, maio 01, 2011
Hoje.
Mãe,
Dizem que é o teu dia. Talvez. Mas juro que vasculhei corpo e espírito e não percebi memória, sentimento ou frémito recém-nascidos, alheios ao resto do ano. It's just another day, cantava o velho Macca. Without you, acrescento eu...
Dizem que é o teu dia. Talvez. Mas juro que vasculhei corpo e espírito e não percebi memória, sentimento ou frémito recém-nascidos, alheios ao resto do ano. It's just another day, cantava o velho Macca. Without you, acrescento eu...
sexta-feira, abril 29, 2011
A ressaca.
Maria,
Telefonema de Cantelães, o muro cambaleia e ameaça derribar o portão. Todo eu me afobo, em busca de reforço(s). Olho em volta e sorrio. A tua voz - "Júlio, vou dar um arranjo a este buraco". Nunca deixei. Por preguiça, desleixo e até claustrofobia afectiva? Seguramente. Mas também por enorme respeito pelo trabalho especializado!:). O teu nunca foi recauchutar-me o covil e sim iluminá-lo. Com uma intensidade que abrigava já a ressaca - o melancólico cinzento que me rodeia. Falasse eu das paredes...:(.
Telefonema de Cantelães, o muro cambaleia e ameaça derribar o portão. Todo eu me afobo, em busca de reforço(s). Olho em volta e sorrio. A tua voz - "Júlio, vou dar um arranjo a este buraco". Nunca deixei. Por preguiça, desleixo e até claustrofobia afectiva? Seguramente. Mas também por enorme respeito pelo trabalho especializado!:). O teu nunca foi recauchutar-me o covil e sim iluminá-lo. Com uma intensidade que abrigava já a ressaca - o melancólico cinzento que me rodeia. Falasse eu das paredes...:(.
quinta-feira, abril 28, 2011
Tarrafal.
Vejo, ouço e calo. Sobretudo proíbo-me qualquer comentário insultuoso, do género "imagino o que passaram". O imaginário não é omnipotente no que ao sofrimento diz respeito.
segunda-feira, abril 25, 2011
25 de Abril.
O Zeca na RTP. "O Povo é quem mais ordena..." cantou naquela noite. Burguês e céptico, nunca cheguei a acreditar. Mas ordenar tão pouco, anos e anos depois, confesso que nunca me ocorreu:(.
quinta-feira, abril 21, 2011
Empate técnico no Bloco Central.
Leio os números da última sondagem e levanto os olhos para a fotografia de meu Pai. Creio já o ter escrito aqui - não era um admirador dos Festivais da Canção. Todos os anos me telefonava depois do espectáculo e dizia: "incrível, meu filho, foi pior do que o último!" Sobe o PS, desce o PSD, juro que vislumbro um sorriso irónico, é um homem obcecado por jornais e noticiários, lá onde repousa vem acompanhando as declarações dos candidatos, a feitura das listas, o vazio dos programas, o oportunismo, as purgas... E em pano de fundo, sobre o qual se recorta Van Morrison, o diagnóstico faz-se ouvir: "incrível, meu filho, a campanha eleitoral vai ser pior do que a anterior, é preciso talento, irra!" (Está bem disposto, pergunto-me se não lhe terá escapado a nostalgia de Otelo por "um homem honesto como Salazar, sem o fascismo à italiana...).
quarta-feira, abril 20, 2011
Isto começa a tornar-se um (mau) hábito:).
Parabéns aos murcónicos portistas. Espero que os responsáveis benfiquistas resistam à tentação de reduzir tudo ao fora-de-jogo de Hulk e à não expulsão de Rodríguez. Seria um erro grave... Com uma equipa que não "descansou" no Domingo o FCP dominou por completo a segunda parte e aconteceu o que temia - um golo bastou para o Benfica entrar em pânico a céu aberto. Porque o medo estava lá, enroscadinho, desde o princípio:(.
domingo, abril 17, 2011
O que aprendi na entrevista do Dr. Fernando Nobre.
1 - O Dr. Passos Coelho é arrojado. 2 - O Dr. Fernando Nobre disse o que constava da entrevista ao Expresso, mas não se expressou bem. De qualquer forma, assume sempre os seus erros. 3 - Aliás, como o Dr. Passos Coelho, salvo erro aquando do PEC2... 4 - Se não for "nomeado" - ó delicioso lapso freudiano:) - Presidente da Assembleia da República avaliará em que posição poderá ser mais útil aos portugueses, não sendo (nada) certo que seja no hemiciclo. 5 - O Dr. Passos Coelho não é neo-liberal. 6 - O convite não lhe foi feito pelo telefone, mas no seguimento de duas ou três conversas, que lhe permitiram conhecer a pessoa. Na realidade, fosse outro o candidato do PSD e provavelmente o convite não teria sido aceite. 7 - O Dr. Passos Coelho está preocupado com os portugueses. 8 - Os comentários desiludidos com a sua opção nascem, em grande parte, de uma cabala cujas origens muito bem conhece. De resto, dois terços da sua máquina de campanha concordam com a sua decisão. 9 - Há duas razões que justificam o desconhecimento do programa do PSD: primeiro, ele não existe, só verá a luz do dia em meados de Maio. Depois... 10 - A confiança na pessoa do (providencial) Dr. Passos Coelho chega. O adjectivo "providencial" é meu... 11 - O Dr. Fernando Nobre mantém-se rigorosamente igual a si próprio, logo, em absoluto livre. Mas agora não opina sobre o Senhor Presidente da República porque terá de manter com ele um bom relacionamento institucional. 12 - O Dr. Fernando Nobre desbravou os livros de Medicina, não será o Regimento da Assembleia a travá-lo. Nas suas próprias palavras, aprende depressa. 13 - Posso testemunhar que sim:(.
quarta-feira, abril 13, 2011
Boa noite.
O Nome da Rosa no Hollywood. Ainda hoje o citei nas gravações. O riso como tremenda ameaça às ortodoxias. O canastrão que fazia de 007 transformado em magnífico actor. E os ecos dos meus amados cátaros em pano de fundo:).
terça-feira, abril 12, 2011
Avaliação do défice!
Maria, Lembras-te? Lovin' Spoonful, Summer in the City. "... Running up the stairs, gonna meet you on the rooftop...". Pensando bem, na minha idade... Aceitas-me a passo no rés-do-chão:))))))?
domingo, abril 10, 2011
Política à portuguesa.
1 - O período de nojo do candidato rigorosamente apartidário Fernando Nobre durou três meses. Ou muito me engano ou Jaime Gama navega em sentido contrário, para se apresentar como um socialista equidistante dos Partidos... 2 - António José Seguro move-se com tanta segurança que corre o risco de ficar seguro na linha de partida para a sucessão a José Sócrates. Se tal competição existir... Mesmo perdendo, o camarada Zé pode não encarar a reforma de Secretário Geral com um sorriso nos lábios e limitar-se a enviar outros para o Governo de Submissão Nacional que se adivinha. 3 - Nenhuma novidade no Congresso. A culpa foi todinha da oposição, que agora vai negociar o que chumbou. Pelo menos as televisões não transmitiram ensaios de imagem:). 4 - Idem aspas por parte do PSD, nada de novo. Não são as medidas a tomar o problema e sim quem as vai executar. Resta a premonição de Jardim, que se sentiu a dialogar com o Primeiro-Ministro. 5 - Ou seja: as Legislativas transformadas num referendo à figura de José Sócrates, já que propostas políticas nem vê-las!
quarta-feira, abril 06, 2011
Porque sim.
Como é inevitável em cidade pequena e rotineira tropeçaram um no outro meses depois. Pelo sim, pelo não, ele perguntou, não tivesse a marota perdido o jeito estranho de lhe decifrar os olhos. - Porquê? O sobrolho pediu reforços, toda a carita se lhe juntou. - Porque sim. Surpreendido, - Isso diz-se às crianças. Sorriso largo dela. - Exactamente. Ele subiu a parada e rebentou numa gargalhada à moda antiga. Ela meteu a cave. Ele pagou (o jantar) para ver. Diz-se que ainda hoje, deliciados!, cumprem pena por jogo ilegal na via pública...
domingo, abril 03, 2011
Do estádio para o quotidiano.
Um abraço de parabéns para todos os murcónicos portistas, título e vitória de hoje merecidos:). O jogo... foi o que vocês viram. Penso ser justo dizer que o Benfica esteve mal táctica, técnica e disciplinarmente. E isso entristece-me; sobretudo o último item, por evitável:(. Adiante! Os números sobre a aplicação da Lei sobre a IVG dão que pensar. Como é óbvio, a descida verificada agrada-me, embora o tempo seja curto para falar de uma tendência firme. Mas devo dizer que partilho o desagrado e as preocupações do Miguel Oliveira e Silva e outros colegas em face de abortos repetidos e faltas sistemáticas às consultas de Planeamento Familiar. Um erro básico deve ser evitado: considerar homogéneo esse grupo de mulheres. É importante estudar narrativas de vida, dificuldades pessoais e culturais, motivações, falsas crenças, mecanismos conscientes e inconscientes de racionalização e negação, desleixos oportunistas puros e duros, e assim dispor de dados que permitam uma intervenção séria e, na medida do possível, eficaz. No que me diz respeito, não invocarei o destino dos meus impostos, embora aceite que outros o façam. Como aqui escrevi, não encaro o aborto com a mesma paz de espírito que a eutanásia, em dois referendos nunca neguei que considero existir um conflito de interesses entre uma vida real e outra potencial. Por isso tantas vezes citei a frase do meu velho amigo Pacheco Pereira: defendi, defendo e defenderei o "sim", apesar das perplexidades que o tópico me provoca. Mas é chocante que algumas dessas mulheres transformem a IVG numa espécie de "pílula do dia seguinte institucional". A contracepção eficaz não é um luxo ou um capricho, trata-se de um dever, simétrico dos direitos conferidos pela cidadania plena a que todos aspiramos. E que, a outros níveis, parece cada vez mais utópica:(. Durmam bem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)