quinta-feira, julho 26, 2012

Estado alimentar da Nação Murcónica!

Gente,
Recebi vários mails e as datas sugeridas não encaixam. Seria mais fácil se apontássemos para a última semana de Agosto no Porto?

segunda-feira, julho 23, 2012

Na mesma rua.

Maria,

Ou os tempos vão mais difíceis ou os neurónios saltaram para o eléctrico das articulações:(. Morreram amigos que o eram, outros que o não eram invadiram a boca de cena, podiam ter esperado que morresse eu; acreditando... Mais o gasganete talhado, a próstata a enfiar-me o credo na boca, esta vergonha pela falta dela nos outros que o Pai me ensinou. Conheces-me como ninguém - apesar da angústia crescente, imito a pedra. E de repente saio desarvorado, algo acontece. Lembras-te da tua descrição de Cantelães? - "é uma varanda disfarçada de casa". Pois segura-te - aluguei uma varanda no Porto, afinal não posso (ainda) viver lá em cima, protegido pela árvore dos meus queridos Velhos. Tu dirias "finalmente!". Eu sei, devia tê-lo feito há anos. Eu sei, tu sorririas, mudo-me para cem metros daqui. A minha resistência a mudanças e perdas, afinal por que te escrevo, longe como estás, em quilómetros e afectos? Mas mudo-me! Na varanda lobrigo o mar, acolho o sol; fecho os olhos para (me) ver. O resto da casa é bonito, sei que aprovarias. Sobretudo a sala!, aguentará música antiga e decibéis modernos. Mas tudo não passa de um apêndice, dama de honor daquela varanda - debruçada sobre o mar; o sol; a tua recordação; a minha melancolia. (Já não é mau contemplá-la de cima...).

Bruscamente no Verão actual:)

E quem alinha numa almoçarada na Mindinha na primeira semana de Agosto?

sexta-feira, julho 20, 2012

Confrangedor:(.

Ardem terra e alma das gentes. Este fogo não purifica; destrói. Resiste a boa consciência dos políticos, imune a diferenças de temperatura e políticas de prevenção:(.

quarta-feira, julho 18, 2012

Boa noite.

As mãos

Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.

Eugénio de Andrade.

Esclarecimento.

Terão reparado que o vídeo familiar mais recente desapareceu. Vocês, como sempre, têm direito a uma explicação - atendendo à sua presença no Youtube, parti do princípio que a sua colocação aqui seria pacífica. Não o foi para uma das personagens, pelo que fiz o meu dever - expliquei o meu raciocínio, pedi desculpa e retirei o vídeo.
Adiante.

segunda-feira, julho 16, 2012

Humor divino.

Ele ajoelhou e repetiu fórmula de infância.
- Senhor, eu não sou digno que entreis na minha morada.
Deus, levemente nauseado,
- Já o inverso não é verdadeiro.
E chamou-o para junto de Si.

domingo, julho 15, 2012

Queriiiiiias!:).

E de repente o Gaspar,
- Avô Júlio, por que tens mais amigos no Facebook do que eu?
- Sou velhinho, queres trocar?
O riso dele. Não há negócio:).

quinta-feira, julho 12, 2012

Porque sim.

A minha casa é um caos, como posso perder tantas coisas num T2? Mesmo assim fui a determinada gaveta, empurrado por uma recordação nevoenta. E lá estavam - trabalhos do Mestrado em Sexologia da Universidade Lusófona, do qual fiz parte durante vários anos, leccionando Antropologia da Sexualidade. Guardei-os porque eram bons, outros apenas visavam o dez da praxe (não é pecado:)))))). Esta gente merece que lhes deixe uma palavra de solidariedade, estão tristes ao verem o furacão que varre a "casa" em que estudaram e receiam ser brindados com palavra alheia a um ensino sério, a qualquer nível do processo educativo - facilitismo.
Aqui lhes deixo o meu abraço.

quarta-feira, julho 11, 2012

Jesus!


Uma mãe japonesa deixou o filho, de 19 meses, morrer enquanto conversava num fórum na Internet. A polícia já prendeu a mulher e investiga o caso.

Yumiko Takahashi, 29 anos, deixou o filho, Neo de 19 meses, morrer enquanto conversava num fórum na Internet. A mulher esteve com o filho na tarde do dia 24 de junho quando este já se encontrava doente. Ainda assim, Yumiko ignorou os sinais de febre do bebé e deixou-o sozinho no quarto.

O autópsia realizada ao corpo da criança indica que morreu na madrugada do dia 26 de junho e que esteve quase um dia morto até a mãe se aperceber do sucedido. A polícia já fez saber que prendeu a mulher por suspeitas de negligência e que agora decorrem as "necessárias investigações".

Yumiko já tinha perdido dois filhos anteriormente: um pouco depois de nascer, por razões que não são conhecidas, e outro devido a uma queda da varanda do seu apartamento. "Procurava consolo na Internet há mais de três anos porque entrei em depressão depois de perder os meus dois filhos", justificou-se.

Este caso não é inédito. Em 2010, um casal sul-coreano também deixou o seu filho de três meses morrer porque estiveram mais de 12 horas seguidas a "cuidar" do filho virtual num jogo na internet.

segunda-feira, julho 09, 2012

O concurso.

Em Vieira do Minho os meus "pais adoptivos" exibem um sólido optimismo acerca das hipóteses de ganhar as Sete Maravilhas com o Ermal:). E eu dou comigo a fazer figas - e a votar! - na esperança de que tal aconteça, quem recebe como eles receberam um citadino inveterado e caridosos o decretam "filho da terra" merece a salvação eterna, por que não um concurso televisivo pelo caminho?:).

domingo, julho 08, 2012

Peregrinação a solo.

Meus pais, escondendo a custo a desilusão - "os rapazes e os petizes?". E eu, armado em vítima - "não puderam, vim eu". O sorriso, disfarçado de folhas dançando à brisa - "mas tu estás cá sempre, menino". É verdade, amiúde tenho a sensação de que sombra minha se passeia pelo mundo, mas o espírito já repousa aqui com eles.


P.S. A pedido de numerosas famílias aderi ao facebook. Mas desde já aviso que todo o processo me pareceu uma selva densa, densa, não prometo funcionamento decente! É triste - sessenta e dois anos de vida e ainda não tenho equivalência a tecnologia básica:(. 

sábado, julho 07, 2012

Playing with words.

Maria,

Luz apagada, Cohen, Live in London. You live in London. When will you leave London? Before the Autumn leaves? Cohen com um ponto de interrogação - Am I your man?

quarta-feira, julho 04, 2012

Boa noite.

Foi um dia longo, vou acabar o último Zafón - que me parece melhor do que o penúltimo... - e dormir. Não seria justo fazê-lo sem vos dizer uma coisa - o que aconteceu hoje no Murcon deixou-me estarrecido. E compensou largamente o silêncio de pessoas cujas sms - pelo menos... - dava por garantidas e de um clube que é a paixão mais antiga e constante da minha vida. Obrigado gente e fiquem bem.


Adenda.

No Comunicado aventei a hipótese da minha saída do Trio se ter ficado a dever a queda de audiências. Acabo de ler no Correio da Manhã a justificação dada pelo Director de Informação, Nuno Santos: "estes programas precisam de renovação".

Comunicado.

Porque há assuntos difíceis de abordar em minuto e meio de directo e o Murcon sempre foi o meu "Diário da República", passo a expor o seguinte:

1 - Ontem ao fim da tarde fui contactado telefonicamente pelo Director de Informação da RTP, Nuno Santos. Pediu-me desculpa por o fazer no dia do programa, mas julgava ainda ir o Trio para o ar na próxima semana.

2 - Disse-me que o programa iria ser reestruturado em Agosto e que nesse contexto eu abandonaria o painel. Já que lhe pertencera a ideia de para ele me convidar, considerava responsabilidade sua informar-me dessa decisão a tempo de me despedir dos espectadores. Gentil, acrescentou que pessoalmente apreciara bastante a minha prestação durante os dez meses transcorridos.

3 - Não me adiantou qualquer explicação para a decisão tomada, nem eu a solicitei. Por duas razões simples: não ser desejado chega e sobra para não querer integrar o Trio e, atendendo à opinião favorável de Nuno Santos, só resta uma explicação possível - a Instituição RTP estava a ser prejudicada, leia-se, o meu estilo de intervenção prejudicou as audiências. Faço televisão há 23 anos, contra (esse) facto não há argumentos. Qualquer outra hipótese resvalaria para a teoria da cabala e eu recuso-me a entrar nesses jogos de sombras.

4 - Agradeci, primeiro, aos benfiquistas. Porque ao longo destes meses me apoiaram ao vivo e através das diversas tecnologias, por vezes queixando-se do meu estilo soft:), mas jamais duvidando da minha paixão pelo clube. Encontrar-nos-emos em bancadas de estádios e cafés com TV, roendo as unhas pelo Glorioso.

5 - Mas também agradeci aos adeptos de outros clubes, que me abordaram quotidianamente, para dizerem que discordavam de uma afirmação ou apenas da minha opção clubística, mas apreciavam a minha tentativa de ser isento e aplicar ao Benfica os critérios aplicados aos adversários (e não inimigos). Fiquei-lhes especialmente grato, pois continuo a pensar que é impossível sermos lúcidos em relação aos outros se o não formos no que nos diz respeito. Nunca estive no programa para defender o Benfica sem critério, cegamente, arriscando o ridículo que, na minha opinião, mancharia a imagem de um clube - qualquer clube! - que se diz casa de gente livre. E o Benfica tem uma longa tradição de liberdade, mesmo em tempos difíceis... Procurei, simplesmente, ser um benfiquista que pensava o futebol inserido num contexto mais vasto, as "coutadas privadas" com regras próprias não me agradam.  

6 - Quero agradecer as palavras do Hugo Gilberto, do Miguel Guedes e do Rui Oliveira e Costa antes do programa, se o tempo o permitisse não tenho dúvidas que as repetiriam em directo. Desejo-lhes tudo de bom, bem assim como ao benfiquista que me substituir.

7 - A vocês, um enorme obrigado pelo privilégio de sempre terem aceite os diversos números do "Diário da República" como passíveis de conterem erros, mas não falsidades deliberadas.

domingo, julho 01, 2012

O teste.

Velhos,

Pois duvidais de mim? Neguei-vos três vezes, como esse Judas que julgámos tão apressadamente? Trinta moedas por alguém que amava? Quem acredita nessa história de carochinha longe da janela? E contudo, hoje senti-vos por trás de cada armadilha. A falta de ar que me assusta; a avaria na piscina que entristece os miúdos e me pôe louco; a partida de todos os outros, que me deixam saudades, a tribo vem  mirrando, quem lhe (me?) permanece fiel torna-se ainda mais precioso. Às 16.15 seria arrogante decretar a prova terminada, mas ainda cá estou, queridos. De pé, afagando os ramos da vossa árvore. A brisa é amável, o sol cálido, as flores brancas e amarelas, o riacho fiel. Estamos os três. Como um dia ficaremos, se os cães me sobreviverem como desejo, estou farto de vestir de negro o coração e branco sujo os dentes, a cada telefonema pergunto-me quem é agora. Velha dama risonha, por favor!, abraça quem te aprouver, mas os meus bichinhos não, se cada ano deles vale sete dos nossos por alguma razão deve ser, não achas? Exactamente. No seu olhar não há vislumbre de traição, novelas, sinais exteriores de riqueza ou quinze minutos de fama, apenas ternura incondicional. Ternura incondicional? Os meus colegas veterinários devem estar enganados, egoístas como nos tornámos sete para um é obsceno, se recorrerem ao Tribunal dos Direitos Humanos arriscamo-nos a pena de prisão perpétua! Num qualquer canil perto de si... 
 

quinta-feira, junho 28, 2012

O pesadelo.

Maria,
Água nos degraus de Cantelães... Oito anos e n empreitadas depois, o problema da humidade não se resolve. E se a minha teimosia já saiu caríssima, forçoso é admitir que não estará ao alcance dos rapazes o sorvedoiro em que esta casa se tornou. Pior!, existe o perigo de Cantelães gerar conflitos entre eles. Pela primeira vez encaro a hipótese de vender. Imaginas o que sinto... Sempre me culpabilizei por a não construir a tempo de de ver os Pais à cabeceira da mesa, como admitir abandonar a árvore onde repousam e me esperam? Nem os cães entenderiam, habituados como estão a saudar a minha passagem tardia no corredor com um abanar de cauda solidário. Mas que fazer? A cabeça num torno, o coração apertado, wish you were here...

segunda-feira, junho 25, 2012

Apesar da variada sobremesa.

O jantar de homenagem aos voluntários a quem a Comunidade Paulo Vallada (também) deve manter as portas abertas deixou-me com um travo amrgo no espírito. Ao ver as nossas meninas/mães agradecerem a dedicação de tanta gente e entregar-nos um texto que acaba com "Muitos beijinhos das meninas cá da casa" perguntei-me, como os responsáveis de outras valências idênticas!, quanto tempo aguentaremos nas actuais circunstâncias. E o que acontecerá às miúdas se e quando...

segunda-feira, junho 18, 2012

Só para me contrariar!

Segunda de manhã. SMS do João - Macca faz setenta anos! Mail doce do Guilherme. A lenda familiar assegurada. E ainda há parvalhões a dizer - e escrever! - que tal dia é rotineiro:).

domingo, junho 17, 2012

Domingo à noite.

Domingo à noite o presente é escravo do futuro próximo. O corpo demanda o quarto, mas a cabeça não repousa na almofada; vê nela a ante-estreia do rotineiro filme de Segunda-Feira. 

quarta-feira, junho 13, 2012

Para o João Cutileiro.

Porque a exposição já foi inaugurada, aqui deixo o texto que o João teve a gentileza de me pedir.


Serão os espelhos Medusas angelicais?

Chegam trazidos por mãos calejadas e risos abertos – “onde os quer?” - ,  aceitam paredes e avessos de armário sem azedume. Ou são  hóspedes antigos,  em plena crise pedem asilo não político a coberto de memórias, um cálice de vinho ou saudade e regressa  o tempo em que fitávamos, olhos nos olhos,  cinturas adultas. Faces amadas, perdidas e achadas, substituem  a nossa, os ouvidos juntam-se à cabala,  vozes doces… - “como estás, menino?”. “Sem vocês”, respondemos. E polimos os sacanas como Aladino a  lâmpada, na louca nostalgia de uma nova aparição. Desconfiados? Nem por sombras! Eles exibem obediência e fidelidade caninas;  reflectem sem pensar. Viramos costas e oferecemos flancos sem medo, estamos portas e ferrolhos adentro, quem precisa de pontes levadiças?

Puro engano; esperam. Um dia, moldura ante moldura, deixam réplicas holográficas para – neste caso… - português (se) ver e invadem-nos com terramotos à arreata. Afinam a mão apontando maus fígados ou bons corações. Depois, enchem o peito e sufocam o nosso, tomam de assalto as ameias da alma e sussurram, “lembra-te do que fazíamos nas feiras - eras gordo e magro, alto e baixo, tudo em vertigem risonha, brincamos outra vez?…”. Pergunta retórica e anestésica, sem resposta prevista, muito menos livre. Medos, culpas e desejos enlouquecem –  tanto trabalho  para os manter aferrolhados… -, a cabeça estoura. Corpos há muito ausentes da cama bailam pelo corredor; voltam, alucinados, murmúrios enrouquecidos e cabelos que nos choviam sobre o peito antes de inundarem coxas; Senhor por que inventaste paixão sem cruz ou maiúscula para os irmãos do Teu Filho?

Logo…, serão os espelhos Medusas infernais?

Tal agonia corre montanha acima e desagua no mar esquivo da lucidez. A tortura arrancou-nos a verdade, não a ferros mas a vidros, “aquilo” somos nós. A céu aberto e Céu perdido,  Deus que o perdoasse não teria perdão.  O velho Sartre o intuiu e se enganou – o Inferno são os outros. Não!, somos nós - petrificados por tantos, tantos nós, que marinheiro algum os conseguiria dar, quanto mais desatar.

Trabalho feito, os espelhos regressam a paredes e armários.  Por amor os estilhaçamos antes de chegarem os amigos, por ódio os  oferecemos a quem nos magoou, por desespero os colocamos  à lapela, como os antigos gregos nos escudos, muito antes dos euros  contornarem as Termópilas. Mas a vidinha da gente não muda, triste e baço mundo este, nem sequer autoriza morte em combate honroso. Parte-se à míngua, rodeados por ostentação.   

 Um tipo fica assim – não granítico, como o velho Afonso da Maia ou a cascata da Pena Ventosa,  apenas bovinamente parado. Na varanda pousam gaivotas de olhar fixo. Em terra, mas sem borrasca ou água nos bicos. Abutres disfarçados, pressentem que a lucidez é doença fatal.  

(E contudo permite-nos cair de pé...)

Com tal parênteses nos seus currículos e porta-fólios, a contragosto exausto lhes faço justiça - os espelhos são Medusas ferozes, mas seminais.


sábado, junho 09, 2012

O espectador monástico.

Um tipo vê o jogo sozinho em casa para poder comentar "à moda do Porto". (Bom, na companhia de croquetes da Ribeiro e uma garrafa de Soalheiro...). Pelo meio ainda segue o Benfica-Porto em hóquei num canal que não sabia existir e funciona aos soluços:(. (Seremos campeões se ganharmos aos tigres de Almeirim, não os conheço, espero que sejam fraquinhos ou benfiquistas...). Resultado? Mais uma vitória moral, ainda por cima contra a Alemanha da senhora Merkel, padroeira das traves. (Claro que o Dr. Passos Coelho lhe vai dizer que a vitória foi merecidíssima...). Comentar à moda do Porto? Ó gente inculta! - Pi que os concebeu, uma sorte do pi, o pi do Ronaldo nunca nos deixa de boca aberta na selecção, somos uns pi sem sorte nenhuma, como é possível o pi do Gomez saltar com o João Pereira no golo... Perceberam? O Porto é uma cidade do pi, carago:))))))))).

sexta-feira, junho 08, 2012

Canal 58, já!

BBC Entertainment, concerto em Buckingham para festejar o Jubileu. Um mar de gente. E este amor por Londres, que a idade só aguçou:).

quinta-feira, junho 07, 2012

Os outros fiéis depositários.

Feira do Livro. Chego a resmungar e saio agradecido, as pessoas são de uma gentileza enternecedora. Mas hoje..., we have a winner! Ele ficou ali, de sorriso nos lábios, recordando minha Mãe. Que todos os dias parava na Casa Moreda, bebia uma taça de rosé, comia um rissol - de vez em quando cedia ao charme de um pastel de nata:) - e conversava. Não foi o único a pedir licença para me falar dela. E eu dou comigo a recear o tempo em que ninguém me voltará a chamar "o filho da Clarinha"... 

domingo, junho 03, 2012

Zapping.

 Amadeus. Nunca gostei do riso idiota que lhe inventaram e da sugestão de que o seu talento era Heaven sent, como os Beatles cantavam em Lady Madonna. Acerca de dinheiro...:). A interpretação de Murray Abraham valeu bem o Óscar obtido, aquele Salieri é capaz da inveja, da adoração, do arrependimento e da loucura lúcida que o torna ´"santo padroeiro dos medíocres". E vogando sobre tudo e todos, a música. Essa música tão genial que até eu consigo seguir-lhe os passos, adivinhar-lhe o futuro próximo, recordá-la quando se desvaneceu. Quando vi o filme, não imaginava que um dia, assustadíssimo, mergulharia nas biografias para escrever uma conferência sobre Mozart nos Encontros da Casa da Música. E o velho Milos tem razão - todos os caminhos iam dar ao pai Mozart, a intensidade psicológica da correspondência entre os dois é de cortar a respiração.
Está bem, confesso - e para um psi a tentação irresistível de nela mergulhar e construir uma narrativa relacional que nem a morte interrompeu. Próxima do que realmente se passou entre os dois? Da "verdade dos factos"? E isso existe, no mundo dos afectos?

sábado, junho 02, 2012

O "complicómetro".

Serralves. A Invenção da Alma, do Jaime Milheiro. O desconhecido acarreta a ideia securizante de Deus. A cultura formata-nos numa das religiões. E a base de tudo isto sofre de injustiça - por que razão desvalorizamos a "simples" razão emoldurada pelos afectos?

quarta-feira, maio 30, 2012

Nota de rodapé.

A indignação de Ricardo Costa no telejornal das oito pareceu-me genuína. E justificada...

domingo, maio 27, 2012

Lost in adolescent translation:).

Os olhos chispando fúria.
- Não foi isso que disseste!!!!!!
Braços apertados contra o peito, as bochechas em lume nada brando..., nada na manga, vinha aí birra monumental:(.
Ligeira hesitação, o canto de sereia da cobardia preguiçosa, "saio porta fora e a mãe lida com esta adolescência inflamada...", o fundo suspiro envergonhado, a superficial serenidade,
- Não foi isso que tu ouviste, minha querida; é diferente.
Como um disco rachado...
- Não foi isso que disseste!!!!!!
E desarvorou rumo ao quarto, porta fechada com estrondo. Seguramente para o denunciar ao mundo no  facebook... 

sábado, maio 26, 2012

Já não basta a erotização de crianças?

Uma senhora inglesa descobriu nova fonte de receita - casamentos de animais de estimação. E a Inês Menezes sorriu perante a minha mal disfarçada irritação. Deus conserve a filha da loira Albion e a sua conta bancária, mas ouvir dizer que os animais têm direito a cerimónia, bolo e Mozart agrava o meu fundo alérgico. Imagino os cães, correndo no relvado de Cantelães; preguiçosos nos sofás, mas com abanar de cauda garantido à nossa passagem; pétreos, de olhos fixos no portão, quando membros da tribo demandam a vila e tardam. Não é "apenas" o amor incondiconal que nos dedicam a maravilhar-me, há neles uma dignidade, indiferente a caprichos e injustiças humanos, que me recorda frase de amigo: "gosto muito de bichos de quatro patas, dos de duas bastante menos". Mesmo compreendendo a escassez e o excesso de libras, preferia que a senhora e o novo-riquismo dos donos os deixassem em paz:(.

segunda-feira, maio 21, 2012

From S. Paulo with love.

Meu Pai teve dois filhos: um biológico, este vosso humilde servidor; e uma espiritual, minha prima Elzira, que mantém acesa a memória do Avô Bernardino e por arrasto a dele. Hoje enviou-me duas preciosidades - cartas de minha Mãe para a sogra, perdão!, a segunda figura maternal. E numa delas, enviada de S. Paulo em 1953, pode ler-se: "Esta separação é para mim bastante penosa, mas não me julgo com direito de atirar fora uma oportunidade que não se repetirá de poder ajudar o Júlio a melhorar o nosso futuro".
Como ela amava o maroto! Sempre o fez - ele mergulhava nos livros e ela na vida. Para o preservar das preocupações prosaicas que inevitavelmente acarreta...

domingo, maio 20, 2012

A prova dos nove.

- E não quer tirar isso a limpo?
(Eu tinha grossas dúvidas, mas não tive tempo de as expressar, os jovens fazem perguntas retóricas e (re)agem...).
Fez o que tinha a fazer, nothing personal; por mim. Fiquei sem as dúvidas que nunca tivera, mas preferira abrigar, a ingratidão é um dos espectáculos que justificam frase triste e suspirada por meu Pai - "ainda por cima sinto vergonha por eles".
Não vou tão longe, desço no apeadeiro do embaraço... 

domingo, maio 13, 2012

A lenda familiar.

Os meus netos cavalgando as ondas, sob o olhar atento  do Guilherme. Onze e nove anos..., para onde fugiu o tempo? Beijo rápido, "olha para mim Avô Júlio", água! E o Avô olha, em nome dele e dos que repousam em Cantelães, a lenda familiar tecida em silêncio, quem precisa de fotografias quando o soluço ainda espreita? O jantar com o João no Senhor Armando, em Massarelos, à beira-rio, é todo um ritual. Desde logo a negociação do famigerado "pica pau", o meu filho gosta da carne com alho e picante, eu também, mas receio as consequências nocturnas, o anfitrião resolve a questão - "menos alho e menos picante". Tudo para mimar o benfiquista que os acérrimos dragões tratam bem por duas razões: é pai do João e não lhe negam o estatuto de tripeiro furioso. (É claro que o Porto ter ganho o campeonato também ajuda à bonomia... Júlio!, que ingratidão:(). A noite vai caindo, nas mesas próximas estrangeiros e músicos - que Deus te ouça, Bernardo! -, o sino da igrejinha enlouquece, já anuncia a procissão. De repente a miúda à beira-mesa, "dá-me um autógrafo?". Não a mim!, ao "Azeitona". E eu lembrei minha Santa Mãe, deliciada e risonha, "agora é a ti que pedem. E são os mais novos, Julinho, os mais novos". Na altura não a percebi, aquilo parecia-me tão herético! (E era...). Mas hoje compreendo - a miudinha de papel estendido e o João atrapalhado fazem parte do render da guarda que manterá os Machado Vaz em movimento como clã. Amo muito a vida, mas a lenda familiar já não estaria em risco se decidisse - ou o Acaso por mim... - recolher mais cedo do que o previsto ao relvado de Cantelães.

sexta-feira, maio 11, 2012

O Congresso número...

Guimarães continua bela. Fui tratado como família. Há quem pense - e pratique! - a Medicina como a sonhei. Mas estou tão farto de quartos de hotel...

domingo, maio 06, 2012

Só não acontece a quem lá não anda, diz-se no futebol:).

O Público de hoje atribui-me a declaração segundo a qual Fernando Savater teria desferido golpe mortal no conceito de instinto maternal. Não é verdade, o telefone é um "tradutor" perigoso, como é óbvio mencionei Elizabeth Badinter. Bom dia da Mãe, gente. Para mim são todos...

quarta-feira, maio 02, 2012

A palavra aos neurocirurgiões.

Não conheço pessoalmente Miguel Esteves Cardoso. Há quase vinte anos escrevi-lhe, grato por um texto sobre seu Pai que abrigava ecos do meu. Depois de ler a crónica no Público, desejo-lhe que os  minutos de hoje com a Maria João se desdobrem em horas, dias e anos, como é devido ao amor que os une.  

terça-feira, abril 24, 2012

Para chegar a tempo...

Só estive com o Miguel Portas em campanha, mas gostei dele à primeira gargalhada no Piolho. Presumo que tenha partido hoje para celebrar - ou perseguir? - ainda e sempre o 25 de Abril.

domingo, abril 22, 2012

Ensino pós-graduado.

O médico estranhou-lhe o silêncio e interrompeu-o,
- Bom, estamos então combinados. Assim que as análises de rotina estiverem prontas marcamos a operação.
Havia uma candura envergonhada naquele olhar...
- Desculpe, doutor, mas não.
Algo crispado, quase ofendido,
- Talvez não me tenha explicado bem. Se não operarmos...
Com um sorriso doce,
- Pelo contrário, doutor, foi cristalino. Mas eu não quero.
(Isto dos direitos dos doentes virou a profissão de pernas para o ar:().
- Prefere morrer?
Como o sorriso...
- Não, prefiro estar vivo até morrer. E ser recordado assim pelos que amo.
Viu-o sair, pensativo. "Estar vivo até morrer...". Não o tinham preparado para tal exigência na Faculdade.

quarta-feira, abril 11, 2012

Chamavam-lhe génio.

Maria,

Morreu o Teixeira da Silva, o filho espiritual de meu Pai. Minha Mãe ficava escandalizada por a fotografia do miúdo dele estar na secretária da Faculdade e a minha não. Nunca senti ciúmes. O Teixeira da Silva era o menino de ouro, o discípulo; eu não. Por isso lhe deixou a toga que nunca usei... Fico aliviado por termos rido juntos há umas semanas, ser-me-ia insuportável que me pensasse indiferente. Foi tão triste:(. Ver aquele homem, superiormente dotado, bater-se por uma simples lufada de ar... Tinha pensado fazer-lhe uma surpresa, trazer-lhe dos Pirinéus uma garrafa da água em que pescava trutas, "você ama os castelos e eu os riachos", dizia. Sabes o que rezava o relatório dele quando fiz o exame prático de Bacteriologia? - "Só estuda o que gosta". E eu detestava bactérias, vírus e quejandos, nunca poderia suceder ao Velho no laboratório, desaguei, aliviado, em Psiquiatria. Morreu mais um naco do meu Pai, Maria. E quando voltar aos castelos e aos riachos sentir-lhe-ei a falta, ele entendia o meu fascínio por aquelas paragens.
Como tu...

sábado, abril 07, 2012

Abraço.

Um bom Domingo de Páscoa para todos e cuidado na estrada! Espremido entre um Poder que age na clandestinidade e o pesar de ferida que mão humana rasgou na floresta, aliviou-me a imobilidade granítica de um cão à espera do dono.

quinta-feira, abril 05, 2012

Epifania pascal.

O ano de 2015 é o imediatamente consecutivo a 2014.

Ministro das Finanças dixit.

quarta-feira, abril 04, 2012

Aos jogadores, equipa técnica e adeptos em Londres.

Muito obrigado. E desculpem - não pensei que fossem capazes de tanto!

sexta-feira, março 30, 2012

Um degrau de cada vez.

Cama de casal é uma expressão enganosa, siginifica apenas que acomoda duas pessoas. (Ou uma, confortavelmente esparramada...). É mais seguro construir o casal em cama de solteiro e partir depois para a conquista de espaço (não) vital, pese embora a sonoridade nazi da frase:).

domingo, março 25, 2012

Sábado à tarde.

Ontem, Serralves foi uma delícia! É claro que não faltou uma das minhas distracções, o menu era tão saudável que nem me dei ao trabalho de perguntar - vi garrafinhas de água de braço dado com o salmão e o pato e peguei numa, triste racionalização em punho, "melhor, às 14.30 é preciso deitar mãos à obra, nada de preguiça pós-prandial!" Cinco metros adiante tropecei em mesa de bebidas menos inócuas e matizei tão admirável intenção com desculpa esfarrapada - "bebo vinho verde, é mais fraquinho:)".
Da amena cavaqueira, retirei, de novo, um tema em particular - a frequência com que os meus colegas referem queixas de desejo sexual diminuído - ou ausente... - em mulheres muito jovens, preocupadas com a reacção do(a) parceiro(a), pois não detectam murchar do amor, mas temem que seja essa a interpretação do(a) outro(a). O Chico Allen tem razão - vivemos tempos de problemas de desejo. A discussão das razões levar-nos-ia longe...

quinta-feira, março 22, 2012

Sábado em Serralves...

... estarei com médicos pela segunda vez em quinze dias. O tempo parece ter esmaecido algumas reticências ao meu trabalho por parte de alguns colegas. Eu era o regente de uma disciplina que muitos consideravam inútil e "agressiva" para a Medicina, por se obstinar em reflectir sobre as práticas, teorias - e ideologias... - da profissão. É reconfortante ver o cenário mudar, pois a conjuntura, uma sociedade capitalista de consumo e os dilemas bioéticos com que nos defrontamos não perdoariam a inércia de profissionais cujos quotidianos transbordam de situações-limite. Assim os Poderes compreendam que a eficácia desses quotidianos não depende apenas da competência e idiossincrasias das pessoas, mas também dos contextos que lhes são proporcionados. E aos doentes...

segunda-feira, março 19, 2012

Dia do Pai.

Pai,
Se me telefonasses hoje à noite dizia que estava tudo resolvido. Antibiótico para trás das costas, penso no lixo, cicatriz fechada sem balanço, edema em (lentas) vias de extinção. Dos amigos nada a referir, tudo a agradecer, iguais a si mesmos: o Carlos trinchou o meu pescoço de peru megalómano, o Manel, se possível!, acelerou a máquina afinada do IPATIMUP e presenteou-me com adjectivo cada vez mais cobiçado nos dias de hoje com 24 horas de antecedência - benigno.
Dir-te-ia que tratei da coisa na maior clandestinidade possível e tu concordarias, também te horrorizava ver a angústia estampada em rostos amados. Feito; anunciado; ouvi protestos que em situação inversa seriam os meus e respondi com a verdade - fazia tudo outra vez.
Há dezasseis (?) anos que não era anestesiado, sabes como detesto a experiência, eu!, sempre revoltado contra a descarada insónia que teima em (não) dormir comigo. O silêncio do Hospital, a pergunta da miúda - "como gosta que o tratem?" - e a sua decisão perante o silêncio que me invadia, de mãos dadas com resposta inadequada - "bem." -, fica "senhor Júlio".
O senhor Júlio acordou às cinco da manhã e pensou em ti e na Mãe. Da outra vez, na Trindade, tu e ela foram visitar-me no dia seguinte. Visitar-me..., que optimismo:(. Tu já te passeavas numa twilight zone, não abriste a boca, olhar perdido na parede. A Mãe preocupava-se com todas as ameaças à tua saúde, da corrente de ar ao atraso para o jantar, foi das primeiras vezes que percebi o grau da sua própria deterioração. Agora, como vocês não vinham, tive de vos alucinar com um prazer doloroso, tu levavas-me os sacrossantos jornais e ela zurzia-me por não ter dito nada, a acusação soava sempre orgulhosa, "vocês são iguais".
Se me telefonasses hoje à noite, Pai, seria para agradecer - "e à Senhora sua Mãe" - o magnífico e inesperado jantar, datas não eram contigo. E gabarias a beleza e inteligência dos petizes, agora o Gaspar e o Tiago, e dos rapazes, o Guilherme e o João, trintões, imagina tu! Mas depois haveria privilégio só meu, "vá descansar, meu filho". Como seria mais simples fazê-lo com vocês ainda na Rua do Bolhão, meu querido:(. Dá um beijo grande à Mãe, num curto intervalo dos teus. No próximo fim-de-semana trabalho, mas no seguinte vou-me sentar junto à nossa árvore em Cantelães.

segunda-feira, março 05, 2012

Diálogo ao fim da tarde.

E o miúdo perguntou ao velho,
- O que é o futuro?
Sem abrir os olhos, gozando sol e relva à beira-rio,
- O sumo do presente meditado.
O miúdo murmurou,
- Mas ninguém parece muito interessado em reflectir!
O velho, encolhendo os ombros,
- E por isso lá irão buscar o passado ao congelador. Talvez se engasguem...

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Ergue-te ao sol de Inverno.

Zeca,

Fiz toda a estrada a ouvir a homenagem que a TSF te dedicou. Uma saudade imensa dos versos, da música, dos sonhos. Que envelhecem mal, pintaram-nos de cinzento a liberdade:(.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

História simples de uma derrota que complica muito o futuro.

Vamos ser justos: os jogadores foram medíocres e perderam no campo, mas Jesus começou a perder antes, quando resolveu ser genial e deixar Witsel de fora. Com Javi o Benfica sofre sempre um golito - de preferência numa bola parada... -, imagine-se com Matic no seu lugar e Pablito ao lado! Enfim, os desígnios do Senhor e de Jesus são imperscrutáveis...:). Parabéns ao Vitória que se bateu muitíssimo bem!

P. S. Acabo de ver a entrevista de JJ. Errar? Eu?????:))))).

domingo, fevereiro 19, 2012

Spin doctors.

No meio da contestação - e da segurança... - em Gouveia, Passos Coelho recusou-se a opinar sobre o comportamento do Presidente da República. Não precisa, as imagens fazem-no por si, numa sociedade em que a "caixa mágica" constrói a realidade - ele deu a cara, Cavaco não. Não sei que assessor aconselhou a meia-volta da comitiva quando se dirigia a uma escola onde um protesto de alunos aguardava o "Provedor dos portugueses", mas não justificou o seu cheque de Fevereiro. Limitou-se a agudizar a gaffe da reforma insuficiente...

domingo, fevereiro 12, 2012

Jornal das oito.

Como tantos outros, fui vítima e culpado de um verdadeiro processo de dessensibilização televisiva, acho que já vi de (quase) tudo sem interromper o movimento do garfo rumo à boca. E contudo o estertor grego acentua um humor já sombrio, aposto que muitos de vocês partilham tal sentimento. Visitei a Grécia uma vez e não tenciono regressar, o presente poeirento embaciava um passado cujo brilho reverencio. (Ocasiões houve, de resto, em que o mesmo me aconteceu em Itália.) Quando olho para trás não vejo o Paraíso, longe disso! Mas é difícil surpreender no presente réstia de grandeza, sobretudo nos poderosos. Os que cerram os dentes para sobreviver, esses, não perdem tempo a adjectivar-se e desconhecem palavras como heroísmo ou resiliência. Teimam, como diria a minha querida Mindinha:(.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Entre psis.

Sempre chefiei equipas com mais psicólogos do que médicos. Nunca me deixaram ficar mal... Ao longo dos anos, por via do meu estilo de comunicação e receituário anémico, fui procurado por gente que procurava um psicólogo e não poucos jornais me chamaram isso. Se no primeiro caso esclareci sempre o engano, jamais o fiz no segundo, para grande escândalo de alguns colegas. Razão? Sou um membro da tribo dos psis, não reivindico hierarquias baseadas na possibilidade de receitar nem me considero superior por ter Asclépio como "santo padroeiro":). E por isso acolho com satisfação a circular sobre o I Congresso da Ordem dos Psicólogos, é um indiscutível passo em frente. Mas confesso que o respectivo vídeo me deixou atónito - a publicidade é prima direita da Psicologia, não houve ideias melhores do que uma alegoria cavernícola mal amanhada? Mais valia pagar os direitos de autor e utilizar a de Platão:). Dito isto - que seja um êxito!

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Os filhos queridos da Vitória. (Seria Massena benfiquista?).

Integrar a equipa do Trio d'Ataque teve repercussões curiosas no meu quotidiano. De um momento para o outro, passei de sexólogo a adepto benfiquista! Alguém me dizia - "vai deixar de ser consensual...". Consensual? Ainda me lembro de ser ameaçado de morte por chamar "casal" a dois homossexuais seropositivos! Irritantemente português foi o abanar de cabeça de outros - "um professor universitário a discutir a bola...". Há colegas que olham a vida ex-cathedra, lembro-me de frase dita - com assinalável honestidade intelectual! - no fim de uma das minhas conferências - "não imaginava que conseguisse expor a este nível, acho-o demasiado simples na televisão". Demasiado simples, leia-se, simplista:). Ao longo da vida usei a margem de liberdade que possuía, paguei o preço por isso, não estou arrependido. Quando apoiei o Engenheiro Guterres na sua primeira campanha, foi-me pedido para discursar numa cerimónia com alguma cobertura mediática. Eu sorri e disse que não desejava prejudicar o candidato. Mesmo calado, no dia seguinte um título de jornal rezava mais ao menos assim - "Machado Vaz trata do sexo dos socialistas". Menos mal que com Sampaio não aconteceu o mesmo... Muitos anos depois desaguei num noticiário para comentar a actualidade e estranhei a duração da entrevista. No fim perguntei o que se passara e foi-me respondido que estava a correr bem, porquê interromper? E um sorriso cúmplice acompanhou esta delícia - "não sabia que o professor também era analista político!". Bref, o sexólogo sempre engoliu o cidadão sem problemas de maior:).
Mas não o benfiquista! Hoje em dia as perguntas e sugestões são sobre o Glorioso e não o sexo, o que não deixa de ser refrescante. Mesmo os adversários, que reconhecem o velho e fiel tripeiro, me tratam com bonomia. Esta semana sucumbi à gripe e faltei ao programa. E algo de reconfortante aconteceu - alguns correligionários que não escondem a sua desaprovação pelo meu estilo, na sua opinião insuficientemente assertivo na defesa de honra e interesses benfiquistas, juntaram-se aos que mo perdoam ou até apoiam no desejo de melhoras. Fico grato. Significa que sob o desacordo quanto à forma existe um laço à prova de qualquer suspeita - todos vivemos suspensos do voo da águia:).

segunda-feira, janeiro 30, 2012

A Madonna dos olhos verdes.

Mãe,

A surpresa dos teus machos em face das tuas palavras - "vou-me deitar, tenho uma dorzita de cabeça". Nem um ponto dado? Nem uma página de Veríssimo relida? Nem a Antena 2 no rádio de pilhas - a propósito, adoravas o Veloso e o Tê... -, fazendo desabrochar o sorriso e cerrar os olhos? Por uma vez eu e o Pai firmes perante olhos verdes que nos fuzilavam - "Não é nada". Ambos recordados que já fôramos clínicos, o brilho deles permanecia inigualável, mas era diverso, rápida visita ao termómetro - 39,5! (Eu e ele éramos iguais, ao roçar os trinta e oito já não nos segurávamos de pé...). Como gerações e gerações de mulheres, não te oferecias luxos desses, olhar em redor, tudo em ordem, "vou-me deitar...". E nós em procissão atarantada rumo ao quarto, impossível, tu à mercê da doença? Eu na ombreira, ele afagando-te a mão e tu a sossegares os dois, "não é nada". E adormeceste.
Um silêncio pesado na sala. "A Senhora sua Mãe é a razão de ser desta família", disse. Mais uma vez... Nunca me ofendeu, ciúmes tinha, mas fui-me apercebendo do privilégio que tinha sido ver-vos lado a lado. Os homens morrem mais cedo, ele era catorze anos mais velho..., lérias!, foi primeiro porque jamais saberia viver sem ti.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Os setenta anos de Eusébio.

Como português amante de futebol estou grato a Eusébio, como português amante de futebol e benfiquista, compreenderão que ainda mais:). Mas hoje, memórias diversas e egoístas me assaltam, Eusébio foi várias vezes álibi para a nostalgia paroquial de aventura de um adolescente tripeiro. Porque eu o invocava quando pedia a minha Mãe que afrouxasse a rédea curta omnipresente no seu conceito de educação - "Mãe, deixa-me ir ver o Benfica e o Eusébio". E ela levava-me às Devesas, repetia as instruções, o filho demandava o Estádio da Luz como se de o Novo Mundo se tratasse. "Dei" cinco ao Real, "levei" outros tantos do Manchester, vi, estupefacto, mulheres ajoelhadas ao pé de mim, rezando por êxito e segurança de uma determinada viagem à Hungria.
(Muitos anos depois voltei lá com filhos e "sobrinho", o Rui Águas fez explodir o Estádio e os Machadinhos saltavam abraçados enquanto eu me sentava, preso de vertigem apetitosa para um honesto hipocondríaco.)
Mas o adolescente, uma noite, perdeu-se em festejos na rua da velha Sede e de tão perdido na euforia... perdeu o comboio! Sem telemóveis foi complicado tranquilizar a matriarca, que com sageza guardou o puxão de orelhas para depois de me ver chegar são e salvo e deu as suas ordens. E eu, morcão dos morcões, vivi a heróica aventura de dormir nos bancos de Santa Apolónia, anos antes de o fazer por essa Europa fora, emigrante e peregrino estival, crente em milagre sob a forma de loiras nórdicas.
E não é que elas diziam extraordinária frase? - "Portugal? Oh, yes, Eusibio!" Mas of course, eu era compatriota, amigo, irmão dele. E ao abrigo da sua asa protectora entrávamos nessas extraordinárias discotecas britânicas em que a música era um espanto, mas não se dançava slows de corpos enlaçados :(. Imagine-se!, os autóctones iam lá só para dançar, tinham outros espaços e tempos para aflorar desejo e amor. Enquanto os Beatles cantavam Paperback writer e Clapton se via declarado Deus nas paredes do metro.
O Porto era um bocadinho diferente...

terça-feira, janeiro 24, 2012

Aggiornamento de ditado popular.

Grande nau, grande tormenta.

Grande reforma, grande despesa.

domingo, janeiro 22, 2012

Confúcio da Pasteleira dixit.

Não invejes os pássaros, fatiga as pernas.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Em dia de aniversário.

O Silêncio
Eugénio de Andrade

Quando a ternura
parece já do seu ofício fatigada,

e o sono, a mais incerta barca,
inda demora,

quando azuis irrompem
os teus olhos

e procuram
nos meus navegação segura,

é que eu te falo das palavras
desamparadas e desertas,

pelo silêncio fascinadas.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

O contraste.

Ver jogar o Barcelona faz-me recordar uma canção "para encostar a cara na garagem" do meu tempo - poetry in motion:). Ver jogar (?) Pepe e alguns dos seus colegas a mando de Mourinho traz um filme à memória - The Dirty Dozen:(.

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Mãos à obra!

Atravessava eu calmamente a Arrábida quando escutei a angústia do Álvaro: " Se foi possível um português construir um império mcdonaldsiano assente no frango de churrasco, o Nando's, por que não acontece o mesmo com as natas? São as natas inferiores aos frangos?" (mais palavra, menos palavra...).
Murcónicos, o exercício da cidadania convoca-vos e à tertúlia que com tanto brilho animais, é preciso ajudar o Álvaro! Serão realmente as natas inferiores aos frangos? Por que não invadem as papilas gustativas All(garve) over the world? No actual cenário de crise até seria mais simples encontrar frases sonantes, género - "are you having energetic problems? Just eat portuguese pastéis of na(f)ta!".
Just do it, murcónicos, Álvaro needs you:).

quarta-feira, janeiro 11, 2012

O pormaior.

Maria,

Como nos riríamos se esperasses enroscada no sofá. Imagina!, eis-me em plena guerra de audiências... A TVI apostou na artilharia pesada e escolheu o Paulo Futre para "executar" o Trio d'Ataque. Que hipóteses temos de sobrevivência? Os outros não sei, eu sou incapaz de estar "concentradíssimo" e não tenho ilusões quanto à minha capacidade de mobilizar charters de chineses:). A SIC Notícias assegura o resto do cerco, oferece um ramalhete de QIs assustadores, encabeçado - que me perdoem os outros! - pelo Manel Sobrinho Simões. A casa de quem vou jantar amanhã... Literalmente vou cair, risonho, nos braços da "concorrência", como se diz nas televisões. Dois sexagenários que ao longo de mais de quarenta anos só competiram no carinho dedicado um ao outro:).
Resta mágoa única - não me esperas no sofá:(.

sexta-feira, janeiro 06, 2012

O "traidor" perdoado.

Envelhecer tem vantagens. Ontem jantei com colegas de Paredes e fui tratado como um príncipe, ainda por cima em restaurante onde sempre sou mimado. Ninguém me pediu para "falar às massas", conversámos sobre a profissão e a Sexologia, mas em sentido lato, que a Clínica sofre de miopia. Ao volante, na viagem de regresso, pensei que nos anos mais recentes vem desaparecendo certa desconfiança reservada ao regente de Antropologia Médica. Momentos houve em que o vício - e obrigação... - de fazer (alguns) alunos pensarem a Medicina me saíram caros. Recordo uma campanha eleitoral e um amigo já avinhado, "parece que te esqueces de um facto simples - tu!, também és médico". Nunca o esqueci, eu, que desaguei na Medicina por amor aos meus velhos. E se me apaixonei primeiro pela Psiquiatria, depois percebi que toda a profissão se resumia a variações sobre tema apaixonante - a relação médico/doente. Pensá-la, com os seus tiques corporativos e ideologia arrogante, mas também com exemplos inigualáveis de compaixão e desprendimento, nunca traduziu virar de costas ou azedume, bem pelo contrário!, é uma tentativa de lhe chegar ao âmago e assim melhorar a vida de quem habita as duas faces das secretárias. Por isso a esculpi e dissequei com pequenos grupos de estudantes, os outros só queriam passar no exame. Ontem, duas delas fizeram questão de ir ao jantar e saudaram-me lembrando-o - "fui sua aluna". Qualquer professor, aposentado ou não, responderá o mesmo - "não imagina como lhe agradeço por se lembrar, o privilégio foi meu".

quarta-feira, janeiro 04, 2012

RIP.

Porque já publicado, é altura de guardar aqui um texto dedicado ao Zé González.


Mentir com a verdade é a coisa mais fácil do mundo. Suponhamos que escrevia: “O Dr. José González foi Chefe da Consulta Externa no CAT- Cedofeita no período em que presidi à respectiva Comissão Instaladora. Desempenhou essa tarefa com inexcedível competência, assinalável tacto e solidariedade exemplar, razões pelas quais a sua posterior ascensão à chefia da Instituição, mais do que justa, se tornou imperiosa.” Tudo verdade. Mas a anos-luz da vida real…
O José recebeu o convite que lhe dirigi com alguma surpresa; disse que ia pensar; voltou com muitas perguntas, olhos e ouvidos atentos, eu sorri para os meus botões – era o maroto a avaliar-me e não o contrário! Não em termos pessoais, decorreriam anos até lhe ouvir conselho sábio ou reprimenda suave. Queria saber como imaginava o funcionamento do CAT no arranque e no futuro, o que esperava das pessoas e dos diversos grupos profissionais, que tipo de relação tencionava manter com a tutela. O José não punha em causa a experiência do técnico, mas queria tomar o pulso ao chefe…
…Que para ele nunca fui. Com naturalidade, passou a integrar a estrutura decisória do CAT a todos os níveis. Era mais um ao redor da mesa, a sua opinião podia não prevalecer, mas rapidamente se tornou aberrante não a pedir e escutar. Dava-a no jeito tranquilo que às vezes lhe devia custar os olhos da cara, falava baixo e sem pressas, mas era homem de causas e vivia-as com paixão.
Por isso trabalhava mais do que o estatuto exigia, seguramente mais do que a saúde aconselhava, menos do que o cidadão José González considerava adequado. E falo de cidadania por ser um dos traços mais marcantes da sua personalidade. Nós médicos somos amiúde acusados – e não injustamente… - de deslizarmos para o refúgio de casos clínicos e terapias. Alheados do mundo; numa preguiça atarefada que nos poupa às obrigações éticas decorrentes do interesse pelo estado e governo da Cidade.
Numa área como a Toxicodependência, irredutível a uma visão apenas biomédica – e que naco de vida real o não é? -, o olhar de cidadão é precioso. Para lá da Prevenção, do Tratamento, da Redução de Danos, da Prevenção e de outras contas do nosso rosário, o José pensava as drogas numa Sociedade que não desistira de ver mais justa, fiel a um imperativo de reflexão sobre a Res publica. Essa concepção global, política e humanista das drogas, mais ainda do que a competência quotidiana, valeram-lhe o respeito de quem coordenava estratégias a nível nacional - os meus velhos compagnons de route deixaram de ver o número dois do Porto e passaram a receber de braços e ouvidos abertos o José González.
O tempo voou, por razões pessoais decidi abandonar o CAT. Mas se a partida do Júlio não era grave, o Machado Vaz tinha obrigações por (tentar) cumpri. Eu e o José tivemos uma longa conversa, falei-lhe de problemas presentes e planos futuros. E pedi-lhe ajuda… Foi a primeira das únicas duas vezes em que opinou sobre a minha vida privada, o silêncio acolhedor era a sua forma preferida de solidariedade. Sabendo embora o peso adicional que o esperava, não pediu tempo para pensar – a partir desse dia eu tornei-me uma espécie de Ministro dos Negócios Estrangeiros, que continuava a pensar o metabolismo basal da Casa, mas só nele participava quando mo pedia. O que, com tocante carinho, raramente fez, desempenhando um papel muito ingrato – chefiar com outro chefe na sombra. A situação ideal para todo o género de clivagens em seu desfavor…
Quando abandonei o CAT, quem comandava o Ministério da Saúde teve a gentileza de me consultar sobre a sucessão. Limitei-me a dizer que uma alternativa ao José – que, de resto, não me foi apresentada – seria obscena, ele não era sequer um “príncipe herdeiro”, mas um líder já em funções. Imperou o bom senso. Mais tarde, voltei a ser ouvido, tratava-se da Direcção Regional. Disse da minha (e sua) justiça, preso de enorme ambivalência - o José assumia-se - de longe! - como a melhor escolha, mas eu previa tempos difíceis para quem ousasse manter a espinha direita. Só me enganei por defeito.
Ao longo dos anos fundáramos uma tertúlia a dois, almoços tranquilos à beira-rio em que falávamos de tudo e eu calava a preocupação pelo seu estado de saúde. Quando os sinais de alarme já não permitiam dúvidas, confesso que o aconselhei a bater com a porta, afligia-me sabê-lo a prazo por razões que abominavam palavras como rigor e competência. Também ele reconhecera os presságios, mas decidiu permanecer no seu posto até ao fim. Calava-me sempre com um “tu no meu lugar fazias o mesmo, é a nossa gente” que não correspondia à verdade.
E finalmente aconteceu: um Ministro deixou-se enredar em politiquices paroquiais e exonerou um Director Regional por ele defender os interesses e as políticas do Ministério! Não lhe ouvi uma queixa, mas cresceu nele uma amargura que não mais o abandonou. O José voltou ao CAT e de novo foi chefe pelo exemplo e não por simples decreto. Segundo sei, até em situações que uma saúde periclitante em absoluto desaconselhava. O que não o impediu de se preocupar com a minha, o segundo momento em que arriscou uma pergunta pessoal foi após a publicação de O Tempo dos Espelhos: pigarreou e disse, olhos no rio – “estás bem? Achei o livro tão triste…”
O contrário nunca aconteceu, ele preservava a sua intimidade de um modo gentil, mas firme. Sempre respeitei a sua distância de conforto e isso permitiu que gozasse ainda mais determinados momentos. Recordo-lhe sorriso doce e confissão de avô recente, “acertaste, apaixonei-me pelo miúdo!”. À medida que a saúde se deteriorava os almoços foram rareando. Embora penalizado, compreendi-lhe o pudor e ele sabia, nunca sentiu a obrigação de explicar o afastamento. Uma sms aqui e acolá provava o que ambos construíramos de precioso – o outro estava lá.
Agora ele só permanece aqui, na eternidade a prazo da minha memória. Sem idealizações, ofensivas por nascerem da morte, o José tinha os seus defeitos. E a ternura nunca o levou a ignorar os meus… Prefiro assim, estamos para além do risco de nos desiludirmos. Quando o tempo melhorar levo-o ao rio.

domingo, janeiro 01, 2012

De Cantelães.

Quem por aqui ronda há algum tempo sabe que o hábito de o cortar às fatias e tornar a seguinte mais doce à base de champanhe e uvas passas não me diz nada. Mas vocês dizem:). E por isso vos desejo um 2012 tão bom quanto possível.

sábado, dezembro 31, 2011

Variações em tristeza maior.

E embora triste, tristemente se viu obrigado a reconhecer que o seu amor era triste. Mas tristemente encarou o triste facto de não ter outro amor - menos triste! - que tomasse o triste lugar daquele. Triste, mas verdadeiro. E triste se deitou, sem esperança de menos triste acordar, tristemente reconfortado pela certeza que um amor triste deixa a perder de vista a triste ausência do amor.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Projecto de futuro.

A paixão ignora olimpicamente as desilusões. O amor sobrevive-lhes a custo, mas de olhos fechados é difícil escutar a mesma canção, dizia o Tê.

sábado, dezembro 24, 2011

Gente...

Que o vosso Natal seja galgo ou tartaruga e Segunda alívio ou saudade. Fiquem bem. E tenham cuidado na estrada...

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Estranho Portugal.

Antigamente emigrávamos a salto, a coberto da noite, o credo na boca, a prisão ao virar da esquina, a guerra e/ou a fome nas costas. Agora espera-se que emigremos a pedido caridoso do Poder...

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Da noite para o dia.

Adormeceu feliz; acordou triste. Bateu a porta e suspirou - se Deus é eterno, porquê tanta pressa a equilibrar os pratos da balança?

quinta-feira, dezembro 01, 2011

A terminação.

Maria,

Abrandar. Por fim tempo para regressar aos (outros) livros, à música, ao remanso do jardim que exigias da almofada, "não feches a persiana". A luz ténue, que afaga o quarto e estranha a ausência da timidez gulosa, mãe de olheiras gratas matinais, o teu exagero risonho, "aposto que adivinham!" Sabes?, vou procurá-los e perguntar! E se tinhas razão, se confirmarem que notavam e riam nas tuas costas de bocejos sonhadores, volto para casa e adormeço embalado pela certeza que aconteceu. À míngua de ti no ombro...

quarta-feira, novembro 23, 2011

A céu aberto.

A solidão é o mais fiel dos espelhos. Sublinha a nossa imagem e reduz a dos outros ao exílio das recordações. E assim corta as goelas a preguiçosos álibis...

sábado, novembro 19, 2011

Fim-de-semana e de vida.

Maria,

Cantelães. As saudades da árvore de meus Pais, que se entretém a crescer enquanto me espera, impaciente. E eu, sempre megalómano!, aspiro ainda a um vislumbre do raio verde antes de mergulhar no repouso do crepúsculo.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Os amigos.

Maria,

Fui gravar o Hotel Babilónia com o João Gobern e o Pedro Rolo Duarte. Cansado, como vem sendo habitual. Mas primeiro encontrei a Madalena Balsa, que já não via há um ror de tempo e se me pendurou no pescoço, gentil, "Professor...". E os dois patifes, Maria! A fadiga desapareceu num ápice, os três partilhamos amor longo - a rádio. Sempre tive uma relação muito boa com o Pedro, "assombrada" por outra, anterior e muito querida - com a Mãe dele. Que acreditou estar eu à altura de um programa tão exigente como o "Carlos Cruz Quarta-Feira", o Sexualidades começou nessa tarde. Os Rolo Duarte são gente cá de casa, como diria o Bénard. O João... O João definiu como ninguém o objectivo utópico de O Sexo dos Anjos, chamou-lhe um dia "a erotização da Palavra". Sem o sabermos, os três aspirávamos a isso - não a falar de sexo, mas a transformar cada triálogo numa experiência de prazer global, epidérmico, repetidamente irrepetível. Lembro-me de o (não) ver na redacção do Sete, escondido por montanhas de discos, sabedor da minha paixão por Neil Young, "já ouviu o Unplugged?". O olhar entre o escandalizado e o condoído, "ouça, tem uma versão espantosa de Like a Hurricane". E eu saí disparado mas sem dúvidas, opinião dele nunca esbarrara em desacordo meu, a canção despida de electricidade era... electrizante! Foi tão bom, Maria. Para ser perfeito só faltou encontrar o sorriso doce e o espetado polegar do Zé Gabriel à saída. E poder contar-te a gratidão que lhes dedico de viva voz...

segunda-feira, novembro 14, 2011

A outra almofada.

Maria,

Que o meu ombro viaje para Inglaterra e nele adormeças segura, menininha. Boa noite.

P.S. Apesar do Álvaro garantir que em 2012 teremos o princípio do fim da crise, mandei-o pela Ryanair. O dinheiro está caro e gosto de pensar que o exigirás mais vezes...

domingo, novembro 13, 2011

Melancólico...

... é o alívio de presenciar a saída (?) de cena deste inenarrável Berlusconi. Como foi possível, numa democracia, serem os mercados e não os votos a afastá-lo?:(.

quarta-feira, novembro 09, 2011

Um adeus civilizado.

E o coração dela não disparou ao ouvi-lo dizer que viria. Sempre fora pessoa de decisões fáceis mas confrontos difíceis, não lhe apeteceu separação falada e sofrida, pela primeira vez compreendeu quem antes criticava - por sms é menos doloroso. Jamais lho faria... Tomar a decisão, mas deixar-lhe a responsabilidade de fechar portas e bocas - conhecia-o tão bem! - prezava a Estética tanto como a Ética. Nessa noite recebeu-o de pijama e pantufas, deu férias às lentes de contacto e poupou ao lume as batatas, que endureceram como o seu coração. Ele chegou, viu e calou. Nunca mais apareceu. E ela cumprimentou-se - por escolher homem errado, mas inteligente.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Ressaca.

Maria,

Outubro foi tão pesado que acabou a cinco de Novembro... E no dia seguinte, quase a medo, supersticioso, arrisquei comprar um romance. Meia-dúzia de páginas lidas, prazer da leitura reencontrado depois de tantos meses, palavras tuas, desalentadas, regressam a casa - "chega-te não morrer nessas maratonas, desgraçado, pensa no que fica por viver!".

Sem ti...

sábado, outubro 29, 2011

O José.

O José morreu, não voltaremos a almoçar na Portugália, à beira-rio. Era um homem bom, a competência é importante, mas não vale a bondade. Trabalhámos ombro a ombro, sem nenhuma dúvida sobre quão leal seria o outro em qualquer situação. Que ele me substituísse foi o único pedido que fiz à tutela quando abandonei o CAT de Cedofeita. Não me arrependi, claro. Subiu por mérito próprio, por mérito próprio acabou por ser achincalhado pelos políticos. E alguns colegas... Quando o alertei, a resposta veio pronta - "é a nossa gente, Júlio". E essa curta resposta resume tudo, diferentes como fomos, tal objectivo uniu-nos sempre - defender a nossa gente e as suas condições de trabalho. Chefiar também é proteger.

sexta-feira, outubro 28, 2011

A desconfiança divina.

O Senhor deu-lhe a vida, mas ele pediu mais - um sentido para a viagem. O silêncio pareceu de mau agoiro, "exagerei...". Seguramente. E no entanto, por uma vez Deus aceitou a reputação de infinita bondade que tanto O irritava e criou a Paixão.
- Obrigado.
- Por amor de Mim, não sejas tão politicamente correcto, limita-te a não a desperdiçar.
E partiu. Não fosse o Diabo tecê-las - passe a força de expressão! - começou a esculpir a saudade...

sábado, outubro 22, 2011

O ritual.

Eu telefonava antes. E perguntava - "É o senhor Carlos Ferreira, adepto do Belenenses?". E ele respondia - "Quem fala?". "Júlio Machado Vaz, orgulhosamente benfiquista!". A sua gargalhada, imune à ferrugem dos anos - "Ju, vens a Lisboa?". (Mais ninguém me tratava assim.) E eu ia, antes mesmo de aterrar no hotel passava lá por casa e ficávamos à conversa. Quando eu era puto e cliente do Sud-Express ele dava-me números de amigas dele "just in case". Eu sorria e ele fingia-se ofendido - "só amigas, conheci-as quando lá estava em serviço da Pan American". Acabou, o Tio Carlos morreu. Mãe, o teu irmão vai a caminho:). Pergunta-lhe, se tens dúvidas, falávamos sempre de ti, saudades à compita, entre irmão e filho venha o Amor e escolha, não importa. Toma bem conta dele, trabalhou cedo para tu poderes cantar. E abriu os braços ao sobrinho, que cambaleava sem o teu ombro. À minha volta as sombras são já mais do que as gentes de carne e osso...

domingo, outubro 16, 2011

O meu a seus donos.

Maralhal,

Seis anos é obra, sessenta e dois no lombo já me deixam mais ambivalente:). Não quero distinguir entre veteranos e "caloiros", apenas agradecer visitas e ternura. Júlio, the real Murcon.

sábado, outubro 15, 2011

Palavra?????????? E ainda há quem diga que os sacrifícios não são para todos:(.

O Governo confirmou esta sexta-feira à Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) que os cortes dos subsídios de Natal e de férias anunciados quinta-feira pelo primeiro-ministro serão aplicados aos governantes e aos elementos dos seus gabinetes.«Perguntámos ao ministro das Finanças se os cortes anunciados iriam ser aplicados aos membros do Governo e aos elementos dos seus gabinetes que não são funcionários públicos e ele confirmou que sim», disse o secretário-coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, aos jornalistas à saída de uma reunião negocial no Ministério das Finanças.A reunião realizou-se no âmbito do processo negocial anual mas, segundo o dirigente da FESAP (UGT), serviu sobretudo para o ministro das Finanças esclarecer as novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro.

domingo, outubro 09, 2011

A epifania de um escravo do pensamento funcional.

Ela disse,
- És a minha casa.
O júbilo grato dele viveu pouco tempo a solo, os pontos de interrogação precipitaram-se numa Blitzkrieg que lhe cercava os neurónios com pergunta matraqueada sem descanso, "como se responde a isto?"
("Isto" era o seu talento para convencer a poesia a tocá-lo, mesmo sabendo-o tristemente imune ao arco-íris das palavras...).
Talvez o humor, podia responder "e com o empréstimo já pago, querida!"
(Jesus!).
E de repente deixou de pensar e reviveu-lhe sorrisos, afagos, despertares, a cabeça no seu ombro, mas sobretudo como lhe transformara a vida pelo simples facto de existir, a ele!, que não lera Pessoa e muito menos o outro lá em Paris.
Vai daí,
- E tu a minha arquitecta.
O nevoeiro que tanto o fascinava enroscou-se nos olhos dela...

sábado, outubro 01, 2011

Esclarecimento do não existente Departamento Técnico.

Recebi queixas por dificuldade em colocar comentários, algumas delas aventando hipóteses sobre teclas em que teria carregado inadvertidamente e outros pecados informáticos. Eu??????????? Vocês deviam conhecer melhor a ignorância reverencial e paralítica com que abordo o computador:).

quarta-feira, setembro 28, 2011

O aprendiz.

Maria,

Faz barco da minha mão e da tua leme. Abriga o mar no teu corpo e navega a todo o pano. Eu? Fico em terra. Maravilhado; invejoso; e - confesso... - um pouco ufano:).

terça-feira, setembro 27, 2011

Os pragmáticos.

Sexta os Machadinhos assistiram ao seu primeiro clássico pela mão dos Pais. Foram vestidos a rigor e à F.C.P., dois pequenos dragões prontos para esturricarem a águia lazarenta do Avô. E eu fiquei preocupado, o futebol drena cada vez mais frustrações, o golo puxa a palavra e esta o murro, pronto, confesso - no fim quis saber o estado da Nação:). Ainda por cima num dilema inusitado, "e se os putos ficaram desolados por o FCP não ter ganho? Ainda acabo a sentir-me culpado por empatar...".
Enorme erro de avaliação daquelas mentes tortuosas... Tinham adorado! Tanto, que havia um pedido a fazer ao Avô, "levas-nos à Luz na segunda volta?". E o verso dos Beatles veio-me à memória, talvez por o Sérgio ter editado novo disco - step on the gas and wipe that tear away.
Lá terá de ser!

segunda-feira, setembro 19, 2011

Talvez com uma petição...

O que aconteceu na Madeira não se repetirá, assegurou o Ministro das Finanças. Na Região ou no País? No segundo caso acho injusto, por que não temos nós, cubanos rectangulares presididos pelo senhor Silva, direito a esquecer umas dividazitas em legítima defesa, como fez o Dr. Jardim?

segunda-feira, setembro 12, 2011

O Alexandre.

O Encontro da Casa da Música correu bem. Na realidade, preferi o formato deste ano - menos conferências com mais tempo para diálogo(s), todo o programa na mesma sala, intervalos longos que permitiram recuperar atrasos. Quando me perguntaram quem gostaria de ter comigo da área da arquitectura, o nome do Alexandre Alves Costa saiu-me de rajada. Por duas razões - ia falar de uma época que ele analisaria na perfeição; e porque gosto muito dele!:) - dos congressos à casa que para mim desenhou a meias com o Sérgio, passando pelos encontros no restaurante do senhor Manuel, trilhámos um caminho de solidariedade firme e risonha. Ele aceitou o convite. E uns dias depois disse que não lhe apetecia nada falar daquilo. Ao que respondi, no problemo, fala do que te der na gana. Assim foi, o Alexandre brindou-nos com uma reflexão brilhante sobre os anos 60, sua música e arte. Mas ainda teve tempo para se virar na minha direcção quando os primeiros acordes de The Times they are a'changing Bob Dylan se fizeram ouvir. E por baixo de um sorriso agarotado, que eu, um pouco mais novo, não desdenharia sorrir, sugiu um polegar levantado que de imediato contagiou o meu. Talvez os tempos não tenham mudado como Dylan e muitos de nós sonhavam na altura, mas a cumplicidade, essa, não está à venda nem receia as agências de rating:).

terça-feira, setembro 06, 2011

Aniversário.

Pai,

Parabéns. (Já sei, já sei, é um dia como os outros, alegra-te com este pensamento - estejas onde estiveres não vais aturar Mãe e filho a esvaziar-te uma taça de champanhe goela abaixo:)!). "Estejas onde estiveres", a nostalgia de ao menos ter direito à dúvida... Estás em Cantelães e na memória saudosa de muitos, ponto final. Domingo pensei (mais) em ti. Fui à RTPN e permitiram que deixasse o sexólogo na maquilhagem. Uma raridade, como sabes... Quando regressava a casa interroguei-me sobre o que dirias ao telefone, conheço-te, jamais te quedarias por uma sms, conversar é preciso, viver não é preciso:). Não te imagino a discordar da substância, mas acredito que subtilmente provasses poder ter sido... mais subtil! E terias razão, mas... Gosto de acreditar que não traí os valores cultivados na minha educação, coisa diferente é pensar que herdei/aprendi o teu estilo florentino. A esse nível, meu querido, alguém te partiu o molde ao nasceres. E acho que fez bem:))))).

sábado, setembro 03, 2011

Um dia destes num jornal perto de si...

Problemas conjugais? Dificuldades perante a concorrência na vida profissional? Ansioso por ajustar contas com o tipo que lhe dava uns cachaços na escola? Vítima de síndrome de curiosidade obsessiva e inespecífica? Temos a solução e à custa do erário público - contactos nos Serviços de Informação da República. Telefone já! (Para não ser escutado marque cardinal...).

segunda-feira, agosto 29, 2011

Nos últimos dias...

... jantei com os meus dois filhos separadamente. E por razões que me pertencem vi-os partir com a ternura grata devida a quem dá ao pai o melhor dos presentes - a possibilidade de um envelhecimento tranquilo quanto ao futuro da tribo.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Lá foi a dieta outra vez:(.

Como o Zé Álvaro Pacheco Pereira não vem ao Murcon posso dizê-lo: SLB, SLB:))))))))). (Mais vale aproveitar enquanto posso, não é legal jogarmos no campeonato holandês?...).

segunda-feira, agosto 22, 2011

O descalabro alimentar...

Uma semana em Cantelães é um albergue minhoto, cabe lá tudo: os amigos, as crianças, os cães, os matrecos, a feira na Vila, os garranos, a águia, aquele céu... Consequência mais palpável e angustiante? Engordo:(. Depois chego ao Porto e tasquinho saladas até as calças deixarem de sufocar o pneu... Mas quem resiste ao canto de sereia do Guilherme, sozinho na cidade, a trabalhar como um negro, faminto de mimo paterno? Ninguém, decreto eu! E lá se foi a dieta:).

quinta-feira, agosto 18, 2011

À noite.

À noite o corredor de Cantelães vive da luz do céu. Gosto assim, entre a cozinha e a sala reina a Cabreira, a longa janela é um vestido transparente. Criminoso despi-lo, no amor os dedos viajam à boleia dos olhos. E esperam...


segunda-feira, agosto 15, 2011

O celeiro transformado em Feira do Livro.

Sábado fui à Marmeleira, a convite do meu velho amigo José Álvaro Pacheco Pereira. O reencontro teve vários bónus - o Pai dele, que tive o privilégio de abraçar cinquenta anos depois, a ternurenta anfitriã, extraordinária animadora cultural da comunidade, a sageza bem disposta de uma jovem de noventa anos; e o fascínio por aquela espantosa girândola de livros...! Quanto à sessão nocturna - o "trabalho"... - foi muito especial. Primeiro, por alguém ter a gentil lembrança de me receber ao som da voz de minha Mãe! Depois, porque o Zé não exagerara nada - aquela gente é uma delícia, estava mesmo lá para amena cavaqueira. Lembram-se da teoria dos vasos comunicantes do liceu? - saí para a estrada com a voz desfeita e o coração grato. Bref, um bom negócio:).

sexta-feira, agosto 12, 2011

Envelhecer...

... é também ainda ficarmos magoados, mas já não surpreendidos.

quarta-feira, agosto 10, 2011

O jantar.

O massacre esperou as costas deferentes do chefe e serviu de anfitrião às entradas. (Aquele preço mereciam a pompa de outro baptismo - o couvert.) Emoldurou bolos de bacalhau, presunto, pâté de atum, azeitonas recheadas e meia-dúzia de camarões mínimos que teimavam em não abandonar as cascas. Subiu a bordo das colheres de sopa, ensaiou a Paixão nos dentes dos garfos, fez equilibrismo nos gumes das facas, pôs-lhe a cabeça (mais) à roda pela mão de um honesto branco.
E de repente um silêncio improvável, gozado com a volúpia que reservamos aos milagres breves, assim o afirma o narrador e não se engana, de trás da lista de sobremesas surgiu a primeira interrogação da noite, ou talvez ordem disfarçada de pergunta, verdade é que soou a estalo de chicote beijando as patas de cavalo amestrado,
- Então?
Dizer o quê? "Tocaste variações em educação menor do discurso de sempre nos últimos tempos"? "A que racionalização foste buscar tanta autoridade moral?" "Já te ocorreu falar comigo e não de mim?"
Sorriso afável,
- Conheces-me, aqui não resisto ao bolo de chocolate.
Sílabas marteladas,
- Não faças de mim parvo, sou o teu melhor amigo.
O sorriso desaguou num esgar em que o azedume ombreava com a saudade,
- Magnífica e única razão para te poupar à resposta que mereces.
Para o chefe, irreprensivelmente surdo,
- Dois garfos e um bolo de chocolate, há que vigiar as calorias!
Fizeram-no em silêncio.
A amizade suspirou, engoliu um café, pagou o preço mas não a conta e desapareceu na noite.



segunda-feira, agosto 08, 2011

Circular.

Alguns de vocês terão encontrado por aí o primeiro número de uma revista chamada The Printed Blog. Impôe-se um esclarecimento. O primeiro texto anunciado é "Amante de Júlio Machado Vaz". Acontece que me foi pedida autorização para utilizar um post do Murcon, solicitação a que acedi. Pese embora o estado miserável da minha memória, o título "Amante" não me dizia nada. Verifiquei no Murcon e até no Aqui entre Nós. No primeiro o título era o omnipresente e monótono "Boa noite", no segundo "Quem??? Eu???". Ou seja - alguém decidiu apimentar a prosa com um título sugestivo... Considero esse tipo de procedimento intelectualmente desonesto e oportunista, no passado já deixei de colaborar com uma revista por um episódio semelhante. Não descortino qualquer justificação para não o voltar a fazer agora. Boa noite.

sábado, agosto 06, 2011

Halfway, diziam os Black Eyed Peas.

Maria,

Sabes como fico depois das vitórias do Benfica - no dialecto que aí se fala, mellow:). Giro pelos canais, enquanto esperava a palavra de Jesus. E de súbito os acordes, "aqueles" acordes, os óculos do velho Orbison, a sua amizade com o velho Harrison, Julia Roberts e o teu olhar de soslaio - "vocês, homens" -, as memórias navegam comigo rumo à cozinha, por precaução inútil e burguesa espreito o campo varrido pelos holofotes e ensaio passo de dança, estalar de dedos, voz roufenha - Pretty woman, walking down the street, pretty woman, the kind I like to...
Há palavras obscenas longe de ti:(.

segunda-feira, agosto 01, 2011

Boa? Só se fosse para a Agricultura:)))).

O tempo faz negaças e eu, no aconchego da minha indiferença à praia, recuo no irmão maiúsculo. Há mais de trinta anos, em S.Xenxo, acordávamos apreensivos, os caprichos meteorológicos das Rias Bajas são famosos... E se chovia às escâncaras ou morrinhava à traição, a voz alegre da Cuca Sarmento anunciava o desastre - "Meninas, sol ni berlo, vai uma excursão ao Corte Inglês?" Estranho, não é? A água que caía do céu secava carteiras terrenas!