segunda-feira, outubro 15, 2012
segunda-feira, outubro 08, 2012
Mestre e amigo.
Partiu Nuno Grande.
Lembro ralhetes carinhosos pelos corredores do ICBAS - "você nunca me fez a vontade...". Com efeito, amei o Ensino em abstracto e os alunos em particular, mas a Cátedra não me atraiu. Ele teve caminho atribulado a caminho da sua, vejo-o a preparar uma Lição - e nunca a palavra se justificou tanto... - em casa de meus Pais, sem me aperceber do que o seu brilho faria das notas breves, tomadas em amena cavaqueira. E o Anfiteatro rendeu-lhe a primeira homenagem ouvindo-o num silêncio religioso, para depois rebentar numa salva de palmas entusiástica, quem decretou a Medicina alheia à Cultura? A política universitária é conservadora, todos sabíamos que não ficaria à frente de outro distinto professor, Pinto Machado, a quem devo amizade e paciência evangélica no exame de Anatomia, até o cadáver tinha os nervos em franja..., perante o triste espectáculo dos meus:). Portanto, no que ao mérito relativo dizia respeito, estávamos conversados. Mas, para enorme surpresa indignada, houve votos contra em mérito absoluto. Cheguei a casa e explodi à mesa, o meu querido Velho sorriu com amargura e disparou - "aquele aplauso não ajudou nada...". Ah, as delícias do voto secreto, permite abraçar o candidato que há minutos, com mesquinhez, se maltratou! Momentos e gente houve que, a posteriori, me fazem abastardar o título do programa dos Gatos - "Dizem que é uma espécie de Universidade:(."
Professor Nuno - dê um abraço ao Pai e guarde outro para si. Apertado e grato...
Lembro ralhetes carinhosos pelos corredores do ICBAS - "você nunca me fez a vontade...". Com efeito, amei o Ensino em abstracto e os alunos em particular, mas a Cátedra não me atraiu. Ele teve caminho atribulado a caminho da sua, vejo-o a preparar uma Lição - e nunca a palavra se justificou tanto... - em casa de meus Pais, sem me aperceber do que o seu brilho faria das notas breves, tomadas em amena cavaqueira. E o Anfiteatro rendeu-lhe a primeira homenagem ouvindo-o num silêncio religioso, para depois rebentar numa salva de palmas entusiástica, quem decretou a Medicina alheia à Cultura? A política universitária é conservadora, todos sabíamos que não ficaria à frente de outro distinto professor, Pinto Machado, a quem devo amizade e paciência evangélica no exame de Anatomia, até o cadáver tinha os nervos em franja..., perante o triste espectáculo dos meus:). Portanto, no que ao mérito relativo dizia respeito, estávamos conversados. Mas, para enorme surpresa indignada, houve votos contra em mérito absoluto. Cheguei a casa e explodi à mesa, o meu querido Velho sorriu com amargura e disparou - "aquele aplauso não ajudou nada...". Ah, as delícias do voto secreto, permite abraçar o candidato que há minutos, com mesquinhez, se maltratou! Momentos e gente houve que, a posteriori, me fazem abastardar o título do programa dos Gatos - "Dizem que é uma espécie de Universidade:(."
Professor Nuno - dê um abraço ao Pai e guarde outro para si. Apertado e grato...
quinta-feira, outubro 04, 2012
5 de Outubro.
Maezinha,
Mais um aniversário sem ti. O tempo não cura nada, até a bailarina da caixa de música roda mais devagar e sorumbática. A árvore no jardim cresce, magnífica, mas parece perguntar-me quando me junto a ti e ao Pai. Não estou deprimido; amo a vida; aceito o meu dever como patriarca da tribo. Mas tenho saudades vossas. E procuro-te entre as mulheres! Se te encontrasse o reflexo numa delas, bastaria uma só palavra e a minha alma seria salva. E o Pai diria, sorrindo, maroto - vá em paz e que a Senhora o acompanhe. Não per omnia, etc...!, só até me juntar a vocês em Cantelães.
Mais um aniversário sem ti. O tempo não cura nada, até a bailarina da caixa de música roda mais devagar e sorumbática. A árvore no jardim cresce, magnífica, mas parece perguntar-me quando me junto a ti e ao Pai. Não estou deprimido; amo a vida; aceito o meu dever como patriarca da tribo. Mas tenho saudades vossas. E procuro-te entre as mulheres! Se te encontrasse o reflexo numa delas, bastaria uma só palavra e a minha alma seria salva. E o Pai diria, sorrindo, maroto - vá em paz e que a Senhora o acompanhe. Não per omnia, etc...!, só até me juntar a vocês em Cantelães.
sábado, setembro 29, 2012
Triste polémica:(.
COMUNICADO
DO CNE da ORDEM DOS MÉDICOS
O perverso parecer do 64/CNECV/2012CNECV
sobre racionamento em Saúde, encomendado pelo Ministério da Saúde, não contou
com a participação e audição da Ordem dos Médicos.
A Ordem dos Médicos verifica que todo o
parecer é uma tendenciosa construção que visa tentar justificar eticamente o
racionamento em Saúde, sem limites definidos, o que é uma inultrapassável
contradição ética.
Neste perigoso e desumano parecer é sempre deliberadamente
utilizada a palavra racionamento e UMA ÚNICA VEZ a palavra racionalização. O
que significa que os subscritores sabem bem a diferença entre racionamento e
racionalização e optaram conscientemente pela palavra racionamento.
Este parecer deixa para os “órgãos
governativos” a resolução “justa e legítima” do “desacordo moral”!!!... E a
fase de decisão política, a última, é assegurada por responsáveis do Ministério
que… “tomarão a decisão final.”…. Ou seja, os doentes ficariam submetidos à
arbitrariedade economicista de qualquer Ministro da Saúde.
O texto introduz insidiosamente “a avaliação
da permissibilidade de racionamento por idade”… Será que vamos assistir à
exclusão dos mais idosos?!
O parecer fala em medicamentos de duvidosa
eficácia, contrariando todas as regras em vigor para a aprovação científica e
fármaco-económica de medicamentos, colocando em causa o próprio Infarmed e a
Agência Europeia do Medicamento. Com que objetivos?!
O parecer sujeita as Normas de Orientação
Clínica, elaboradas pela Direcção Geral da Saúde e pela Ordem dos Médicos, às
decisões arbitrárias e prepotentes das “administrações hospitalares” que
passariam a poder alterá-las, o que é inconcebível e incompreensível!
Finalmente, sublinhe-se como o cumprimento do
Código Deontológico da Ordem dos Médicos já baliza todos os procedimentos e
comportamentos do Médico em situações limite, pelo que tornaria absolutamente
desnecessário este parecer se ele fosse inofensivo…
A Ordem dos Médicos nunca aceitará o conceito
de “racionamento ético” nem que os doentes mais desprotegidos sejam obrigados a
pagar a crise, quiçá com a própria vida.
Assumindo por inteiro a frontal rejeição do
parecer e por considerar que este fere o Código Deontológico da Ordem dos
Médicos e valores éticos intemporais, o Conselho Nacional Executivo decidiu
solicitar a abertura de um processo de averiguação aos Médicos que assinaram o
parecer do CNECV.
CNE, Lisboa, 28 de Setembro
de 2012
Venho acompanhando a
polémica, tristemente surpreendido. Ouvi as explicações do Miguel Oliveira e Silva,
companheiro de muitas lutas. E se quanto às intenções nada me permite duvidar,
sobre a forma não modificarei a minha opinião – é infelicíssima. Porque, por mais
voltas que lhe demos, a palavra “racionamento” está envenenada, como há meses a Dra. Manuela Ferreira Leite sentiu na
pele, e a – justificadíssima! - racionalização prima pela (quase) ausência;
pela mistura de patologias, com diferentes consequências, prognósticos e
imaginários; pelo exemplo dos “dois meses de vida”, que ouvi várias vezes e é
humana e cientificamente inaceitável; pelo odor – e sou generoso… - a aceitação
de discriminação dos mais idosos e desfavorecidos; pela rendição a decisores
externos à relação médico-doente, em geral mais sensíveis a outros argumentos
que não os resultantes do processo de decisão partilhada, característica do
acto médico entre dois Sujeitos plenos, um especialista em Doença, outro na “sua”
doença; por último, pelo alarme social que produziu, ao longo da A1 escutei a
angústia escandalizada de muitos portugueses, doentes, cuidadores, simples ouvintes. Como técnicos,
precisamos recordar que as pessoas vivem de acordo com a realidade como a
percepcionam e não como ela é(?). E por isso repito – estou disponível para ser
convencido de eventual excessiva severidade quanto à substância, embora a
tarefa se me afigure hercúlea. Mas não cedo quanto à forma – no mínimo,
considero-a leviana. No mínimo…
terça-feira, setembro 25, 2012
Volta Bush, estás perdoado:).
Romney indignado porque janelas dos
aviões não abrem
por Ana Meireles
Mitt Romney mostrou este fim de
semana o pouco que percebe de aeronáutica, quando deu largas à sua indignação
pelo facto de as janelas dos aviões não abrirem em caso de emergência. Tudo por
causa de um incêndio a bordo da aeronave que transportava a sua mulher e que
teve de aterrar de emergência.
"Fiquei contente por ela estar no solo, a salvo.
Acho que ela não sabe como ficámos preocupados. Quando há um incêndio num avião
não existe nenhum outro lugar para onde ir", declarou o candidato
republicano à presidência dos Estados Unidos.
Para Mitt Romney o maior problema num avião numa
situação de emergência deve-se ao facto de as janelas não abrirem. "Eu não
sei porque é que elas não abrem. É um problema real e muito perigoso",
disse.
"Não se consegue ir buscar oxigénio ao exterior
porque as janelas não abrem", acrescentou Romney ao Times, sugerindo que
se houvesse mais oxigénio na cabine o problema do incêndio no avião da mulher
teria sido menor.
DN.
segunda-feira, setembro 24, 2012
domingo, setembro 16, 2012
quarta-feira, setembro 12, 2012
Até aos poetas...
Os amantes sem dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro.
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto
que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade.
Maria,
Os poetas, esses
magníficos e preciosos loucos, estão inocentes. Afinal, encontram palavras que
comovem espelhos e os fazem reflectir sonhos antigos e não a realidade pura e
dura. Nos dois últimos anos, fizeram-me uma pergunta vezes sem conta – pode a crise
enferrujar o amor? (Antes também, claro, o pesadelo do fim do mês já atormentava
as noites de muita gente quando a Bolsa ainda parecia a árvore das patacas!).
Não basta citar Neil Young e dizer que a ferrugem nunca dorme, querida, explico
a pessoas assustadas e surpreendidas que “pão, amor e uma cabana” é frase de
quem nunca fitou mãos calejadas ou revirou bolsos em busca de uma derradeira
moeda.
O amor pode
resistir a tudo, mas não indemne ou mesmo escarninho. Se me pedisses frase popular que descreva as
histórias ouvidas, dar-te-ia o velho “em
casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. As pessoas sofrem,
aguentam, receiam e o amor não vive em neurónios à prova de angústia. De
acordo, muitas vezes as agruras da vida juntam mais o casal. De acordo, uma
relação que já exibia – ou escondia… - fissuras é mais frágil. Mas negar a
influência do torno cruel que espreme o quotidiano das gentes sobre os afectos
seria ingénuo.
A visão do amor
como algo de etéreo, imune às rasteiras do mundo, pertence ao discurso de uma
minoria social privilegiada. (E digo discurso porque a vejo também na prática
tropeçar, a conta no banco nada pode contra determinadas catástrofes bem pouco
naturais. Mas se o dinheiro não dá felicidade, pelo menos evita preocupações
básicas…). Sim, a crise facilita que a ferrugem namore muitos amores. E as
pessoas murmuram que dói. É verdade. De uma forma ou de outra, mais dia menos
dia, com crise ou sem ela, acontece a todos.
Até aos poetas!
terça-feira, setembro 11, 2012
Vocês não lhes dão valor...:(
Governo cria
linguagem para justificar medidas de austeridade
Em quatro folhas A4, constam os ensinamentos dirigidos aos
gabinetes ministeriais. São normas para responder às perguntas, da
imprensa sobretudo, sobre as medidas de austeridade anunciadas.
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Ana Sofia Santos (www.expresso.pt)
13:40 Segunda feira, 10 de setembro de 2012
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(clique na imagem para
ver o documento em formato PDF)
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O documento, que ensina os ministérios a justificarem medidas de
austeridade, foi enviado logo na sexta-feira, dia do anúncio pelo primeiro-ministro,
e dá instruções aos assessores de como lidar com a pergunta "é um novo
aumento de impostos?".
A encabeçar a lista de argumentos que os ministérios devem reproduzir para
justificar as mexidas na Taxa Social Única, o Governo privilegia "o
combate" ao desemprego. Fruto da melhoria das condições de tesouraria das
empresas.
Além disso, os responsáveis pelo 'passa a palavra' devem também salientar o
facto do aumento da TSU para os trabalhadores "reequilibra as contas para
a Segurança Social, preservando o futuro, pensões, reformas, acesso aos mais
desprotegidos da sociedade, e reforço de verbas para o desemprego".
Apesar de não apresentar contas sobre o verdadeiro impacto das medidas, o
Governo mostra trabalho de casa ao comparar vários países no que toca às
contribuições para a segurança social por parte dos patrões.
"As empresas deixam de ter a seu cargo a maior fatia das contribuições
da segurança social", à semelhança do que se passa na Alemanha.
Se a questão incidir sobre a "insensibilidade social" das
medidas, deve ser dito que "os trabalhadores do sector privado e do sector
publico de menores rendimentos serão protegidos por um crédito fiscal em sede
de IRS, por intermédio do qual terão ou uma redução do imposto a pagar, ou uma
devolução maior" e que "os parceiros sociais terão um contributo
muito importante a dar na definição do esquema mais adequado".
E há a instrução para recusar a medida como um novo aumento de impostos. O
que deve ser dito é que "as contribuições dos trabalhadores sobem, mas as
contribuições das empresas descem. Como um todo, a economia não fica mais
sobrecarregada com impostos/contribuições. Isso é que é importante
salvaguardar".
Expresso
online.
Alguns de vocês, línguas viperinas e preconceituosas, dirão que se trata
de uma espécie de catecismo. Nada mais falso! A isto chama-se homogeneização do
discurso para facilitar a sua compreensão pelas massas menos esclarecidas. De
resto, fontes geralmente bem informadas, revelaram-me que o esforço dos membros
do Governo para trabalharem em conjunto de modo afinado não se fica por aqui.
Até em Conselho de Ministros ensaiam para empolgar a Nação. Querem ver?
quinta-feira, setembro 06, 2012
terça-feira, setembro 04, 2012
Os "diferentes".
Uma palavra - atrasada... - de admiração para os nossos atletas e os Jogos Paralímpicos em geral, que, segundo leio, se têm revestido de um brilho inusitado. Um psi sabe melhor do que ninguém que é impossível prever a reacção das gentes perante a adversidade, mas sempre tive uma fantasia deprimente a meu respeito, vejo-me entregue à auto-piedade e ao isolamento. Também por isso lhes rendo a minha homenagem. Com ou sem medalhas...
sábado, setembro 01, 2012
sexta-feira, agosto 31, 2012
Nas vossas costas:).
Maria,
Escrevo-te no Facebook para eles não saberem e não me acusarem de pieguice. Eles quem???? Mas eu disse-te, valham-me Deus e o Diabo – fui jantar com os murcónicos! Uns vieram, outros telefonaram, houve quem mandasse sms e mails. Sete anos é muito tempo, querida. Bem sei que hoje em dia sou um pretexto para a amizade que os une, mas por que não deveria o grão de areia ficar orgulhoso da péro...
Escrevo-te no Facebook para eles não saberem e não me acusarem de pieguice. Eles quem???? Mas eu disse-te, valham-me Deus e o Diabo – fui jantar com os murcónicos! Uns vieram, outros telefonaram, houve quem mandasse sms e mails. Sete anos é muito tempo, querida. Bem sei que hoje em dia sou um pretexto para a amizade que os une, mas por que não deveria o grão de areia ficar orgulhoso da péro...
la que o abraça? É gente minha. Mesmo os que partiram amuados, desiludidos, furiosos; todos. A esta hora invadem a noite portuense, imagino-lhes as gargalhadas, os braços pelas costas, o “até para o ano em Lisboa”. Não pedem nada, não devem nada, ofereceram-me a sua lealdade. Que lhes posso dar em troca? Tens razão, como sempre, vou procurar no Youtube, já não me lembro de ouvir essa canção. Dorme bem, menininha, não imaginas o gozo que me daria relembrar a noite nos teus braços.
Antes de…
Antes de…
quarta-feira, agosto 29, 2012
Na Castanheira.
Amanhã há jantar do Murcon. Nem sequer sei quantos somos, não importa. Passaram sete anos e ainda nos reunimos. O resto é silêncio, escreveu alguém:).
domingo, agosto 26, 2012
sábado, agosto 25, 2012
O maná segundo Borges:).
Depois de laboriosa leitura de
alguns textos que se debruçam sobre a hipótese favorita do Dr. António Borges
para a privatização/concessão da RTP, rendi-me à evidência – o negócio é da
China, mesmo que o grupo vencedor não seja o da EDP. O Estado paga, nós pagamos
e algum privado enche os bolsos. Sei que tudo estará decidido a curto prazo,
mas não iríamos a tempo de criar uma empresa com uns milhares de desempregados
e entregar-lhes tal árvore das patacas? Melhoravam as estatísticas e, como já
tinham passado pela experiência, talvez não falassem com tanta ligeireza dos
despedimentos que aí vêm e dos espectadores da 2 como membros de uma tribo
exótica e caprichosa em vias de extinção… Vá lá, não sejam preconceituosos – os
números da execução orçamental, os empates dos vossos clubes na semana passada,
agora este golpe de génio, já tinham presenciado uma tal chuva de boas notícias
em plena silly season?
domingo, agosto 19, 2012
Nós os três.
Da árvore de meus Pais chega queixa silenciosa; apelo envergonhado; promessa de paz interior. Pouco importa se alucino, vejo a partida como traição:(.
quarta-feira, agosto 15, 2012
Nas mãos do anticiclone dos Açores:).
Maria,
Por fim uma réstia de sol! Os
magos da meteorologia, definitivos – amanhã chega o Verão. E eu olho os miúdos
e desejo-lhes piscina, digestões optimistas para regressarem ao banho, peles
roxas, “com frio, eu? Ná…”. É confrangedor vê-los pela casa, debicando livros,
hipnotizados por desenhos animados estridentes,
de pata dada com cães tão enfastiados como eles. E a pergunta, plangente
– “Avô Júlio, quando…?”. Não sei; não posso; não consigo. E se admiti-lo nunca
me causou engulhos profissionais – já sei, nem sempre é resposta amiga de quem
nos ama… -, ver-me impotente perante a frustração dos miúdos é um tormento. Olham-nos
de baixo e esperam o milagre, a omnipotência, o estalar dos dedos que pinta de
azul o céu. E o patriarca, em dia santo, rende-se, humilde, à prece; recorre,
em fúria, à imprecação; joga, esperançoso, na roleta do acaso.
Tudo por sorriso aberto nas
caritas deles. Que emoldure a recordação do teu…
segunda-feira, agosto 13, 2012
Ámen.
Se por acaso morrer durante o sono
Não quero que te preocupes inutilmente.
Será apenas uma noite sucedendo-se
a outra noite interminavelmente.
Se a doença me tolher na cama
e a morte aí me for buscar,
beija Amor, com a força
de quem ama,
estes olhos cansados,
no último instante.
Se, pela triste monotonia do entardecer,
me encontrarem estendido e morto,
quero que me venhas ver
e tocar o frio e sangue do corpo.
Se, pelo contrário, morrer na guerra
e ficar perdido no
gelo de qualquer Coreia,
quero que saibas, Amor, quero que saibas,
pelo cérebro rebentado, pela seca veia,
pela pólvora e pelas balas entranhadas
na dura carne gelada,
que morri sim, que me não repito,
mas que ecoo inteiro na força do meu grito.
Rui Knopfli.
domingo, agosto 12, 2012
E no entanto, olhando em volta, receio que nos venhamos tornando em pessoas e cidadãos cada vez mais adiados:(.
(Não posso adiar o
amor para outro século)
Não posso adiar o amor para outro
século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na
garganta
Ainda que o ódio estale e crepite
e arda
Sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos
sobre as costas
e a aurora indensa demore
não posso adiar para outro século
a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa.
quinta-feira, agosto 09, 2012
Nascidos para...
Maria,
Pois tu estavas lá? Eu sei que és
portuguesa, mulher!, mas podias ter escolhido a vela ou o hipismo. Ah, o sexto
sentido feminino… Sei. O que te fazia olhar-me e decretar “estás preocupado”,
pese embora negativas e riso (amarelo) que colocava entre mim e a sistemática
confissão. Já no teu colo, tu ouvias; esses dedos longos em passeio pelos meus
cabelos, a ética inegociável, “faz o que tens a fazer”.
Tu estavas lá. E viste o triunfo
dos miúdos, a um sexagenário é permitido tratá-los assimJ. Que bom! Sabes, ao ouvir um
deles referir-se à família da canoagem – eu sei, fiz figura de parvo no
facebook ao chamar-lhe remo… - lembrei-me de Anselmo Braamcamp. Eu chegava das
aulas, fazia os deveres (TPC?) e com alívio guloso dava conhecimento do facto a
minha santa Mãe, que pronunciava as palavras mágicas – “vai para a rua brincar”.
A rua, Maria… A rua e os amigos
do peito que habitavam as “ilhas” tão portuenses, o Migalha, o Gabriel, o
Orlando, o Neca, o filho do barbeiro e por aí fora. Na casa de todos fui
recebido e ensinado, porque o dinheiro era escasso mas a solidariedade muita,
havia beijos e pão para o filho da Clarinha. E o ténis de mesa no Mocidade Invicta. Às
vezes equipava-mo-nos na própria sala de
jogo, o treinador segurava uma espécie de cortinado para salvaguardar senhoras risonhas daquela nudez adolescente e
tímida, éramos nós a ficar vermelhos, perdão!, nesse tempo dizia-se encarnado,
para não alimentar as paranóias do Messias de Santa Comba. Quando ganhámos o
campeonato regional o Presidente fez um discurso inflamado e deu um pacote de
bolachas e uma cerveja a todos os elementos da equipa. Eu tinha catorze anos,
foi o mais próximo que estive de um shot na adolescência, sobre a Faculdade e
as patuscadas é melhor não falar, mesmo a posteriori tu franzias o sobrolho.
Também ali se poderia falar de
família. Sabes como adoro futebol e a paixão desesperada – mas não cega e
surda… - que nutro pelo Benfica. Mas há tantas nuvens em tudo aquilo! Dinheiro
e dívidas a mais (supremo paradoxo), endeusamentos ridículos, negócios
duvidosos, violência física pronta a saltar, verbal sete dias por semana, parece que o relvado se tornou ilha minúscula
em gigantesco arquipélago de interesses. Não, não creio que se possa falar da
família do futebol, a não ser para decidir a que terapeuta a enviar para
loooongo tratamento de prognóstico reservadoL.
Por isso, ao ver a alegria
esfusiante dos miúdos, fantasiei-lhe uma dimensão selvagem de revolta, o que
poderiam fazer, eles e outros, com uma parcela modesta do investimento
reservado ao futebol? Sim, outros. O rapazinho que ficou em nono no triatlo, a
rapariga que caiu e recusou desculpas e lamúrias, ergueu-se e partiu para
qualificação e record, as meninas da maratona, os velejadores. Por que razão é
tão grande a assimetria de meios? São filhos de um deus menor? (Lembras-te do
filme e daquela cena, tu riste da minha interpretação, disseste “connosco não foi assim” e eu…
Adiante!).
A verdade é que, apesar de todas
as dificuldades, fazem as coisas acontecer. Rasteira? A que te referes, menina?
Ah, nem notei… Pronto, é verdade, quis verificar se ainda te lembravas de verso
e canção que te ensinei. Compraste o disco em Londres… E isso é bom ou mau? Foi
em nossa honra ou para mostrares a ti mesma que já não precisas do meu
emprestado?
O teu silêncio. A minha estante.
O disco. Nascemos para quê?
terça-feira, agosto 07, 2012
segunda-feira, agosto 06, 2012
A propósito de Ryan Adams.
Maria,
Esse feitiozinho… Ralhas-me por
te ralhar quando o não fiz. Hesito entre fúria e auto-piedade, eis que a esperança abandona
famosa e grega caixa, “funcionará em espelho e eco?”. Pelo sim pelo não, envio
a sms – “desejo-te”. Desligo o telemóvel, assustado, melhor deixar para amanhã
o que posso penar hoje. E meto uma cunha aos deuses no facebookJ.
domingo, agosto 05, 2012
Este país não é para velhos. E para os outros...
Mais de 40 mil idosos da Grande Lisboa deixaram de comprar o
passe terceira idade no primeiro semestre deste ano, , quando deixaram de
usufruir de desconto, segundo dados enviados à Agência Lusa pela Carris.
De acordo com a empresa, no primeiro semestre do ano passado,
242.717 pessoas compraram o passe Navegante Urbano 3ª idade (Carris, Metro e CP
na zona urbana), um número que nos primeiros seis meses deste ano desceu para
200.876, correspondendo a uma redução de mais de 17 por cento.
Além dos vários aumentos de preços que os tarifários sofreram no
último ano, em fevereiro o Governo decidiu diminuir o desconto que os idosos
beneficiavam na compra do passe social, que passou dos 50 para os 25 por cento.
Além dos idosos, também os restantes utentes estão a reduzir a
utilização dos transportes públicos, tendo a Carris perdido mais de 26 milhões
de passageiros no primeiro semestre deste ano, comparativamente com o mesmo
período de 2011.
Segundo dados da empresa, no ano passado foram registados
125.422.560 passageiros, enquanto este ano esse número caiu para 99.370.330 (-
20,8 por cento).
Por seu lado, o Metropolitano de Lisboa registou uma redução de
11.500 milhões de passageiros, tendo passado dos 92.174.086 registados nos
primeiros seis meses de 2011 para os 80.662.283 registados este ano.
Na Transtejo, a queda foi menos acentuada: menos 1.630.799
passageiros.
A empresa teve no primeiro semestre do ano passado 14.082.619
passageiros, número que caiu para os 12.451.820 este ano.
À Lusa, fonte da Carris atribui a “acentuada quebra de
passageiros” à “recessão” e ao “aumento do desemprego, que se verificam em
Portugal”, frisando que também há uma “diminuição do transporte particular”.
Porque o Murcon será sempre o arquivo oficial:).
Maria,
A conselho médico sou o nada
entusiasta dono de uma cadeira. Se não for heresia chamar-lhe assim!, não imaginas a
complexidade do monstro, são tantas as variantes de posição que receio enjoo de
mar revolto invadindo a paz de Cantelães. Fui ensinado a manter as costas
direitas pelos amantes que repousam no jardim, aparentemente esqueci-me de o fazer em sentido
literal, há um preço a pagar. Seria desprezível comparar os meus achaques a
tanto sofrimento que por aí vai, mas são óbvios sinais de declínio e o primeiro
pensamento vai para ti, apelo mudo que
mira a porta de soslaio, numa esperança de milagre. O primeiro… Porque depois
chega o alívio, triste mas alívio. Conheço-te – amar-me-ias no matter what, como por essa olímpica
Londres se diz. Conheces-me – se o futuro trouxer o castigo de sobreviver a mim
próprio, que o mundo inteiro se aperceba. Tu não, minha querida; tu não.
Só o negam os olhos, que não
conseguem levantar voo da porta…
sexta-feira, agosto 03, 2012
Com ou sem razão... Dúvida excruciante do Tribunal:).
A partir de agora é crime na Itália dizer a um homem
que este "não tem testículos". A norma foi aplicada judicialmente no
mais importante tribunal italiano.
A decisão vem pôr fim a uma disputa entre um advogado
e um primo seu, juiz de paz, que o insultou em pleno tribunal, dizendo que este
"não tinha testículos".
"Fora a vulgaridade dos termos utilizados, a
expressão é injuriosa", diz a sentença, que acrescenta que o insulto não
só "insinua uma falta de virilidade do destinatário, como uma fraqueza de
caráter, uma falta de determinação, de competência e de coerência, virtudes
que, com ou sem razão, são identificadas como pertencentes ao género masculino".
O tribunal ainda não decidiu qual será o montante da
multa a aplicar.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Um delicioso poeta burilando a prosa:).
Coisas sólidas e verdadeiras.
O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede
a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no
divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz
Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre
solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de
todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!
Por isso, decidi hoje falar de algo realmente
importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já
suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam
horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do
muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho,
sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.
Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a
vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes
pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os
observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se
se perguntassem: "E estes, quem serão?"
Em breve nos abandonarão e procurarão outro
território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não,
nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos
veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida.
Manuel António Pina no JN.
segunda-feira, julho 30, 2012
quinta-feira, julho 26, 2012
Dia dos Avós
Pouco original, tive quatro. E no
entanto…
O Avô Ângelo era – como eu… -
hipocondríaco, mas naquele tempo esse farejar ansioso do corpo ainda me era
desconhecidoJ.
Vai daí, ofendia-me que durante as minhas gripes me acenasse da porta do quarto
e se pusesse ao fresco. Guardo a recordação de um homem pequenino, escrevendo
em pé a sua crónica de jornal, aureolado pela luz do fim da tarde na Rua Alves
da Veiga. Eu ia chamá-lo para jantar e descíamos à conversa, mas faltava-lhe
calor em palavras e gestos, treinou-me os neurónios e deixou o coração a cargo
de outros.
E outras… A Avó Manuela era um
doce! Tinha ensurdecido durante a gravidez de meu Pai, ele acarretava uma
enorme culpa injustificada pelo facto. Lembro as mulheres da família em
adoração da velha telefonia, que exalava a primeira novela, custeada pelo
célebre Tide. A heroína sofria de um qualquer problema, ainda por cima
enxertado numa pobreza atroz, para alívio de todas o amor de um rapaz descrito
como esbelto e solidariamente rico derrubava todas as fronteiras e a igreja
acolhia-os, antes do ritual banho de arroz. Menos comovido do que as tias e a
protectora Maria da Glória, eterna cozinheira da família, eu encarregava-me de
gritar as peripécias do enredo a minha Avó, que acenava, aprovadora. Já
ignorante das coisas do amor, pasmava por meu Pai chegar do consultório e dirigir-lhe palavras bem menos ricas em
decibéis, emolduradas por mãos tímidas no afago, excepto para ela e minha Mãe.
E a Avó Manuela sorria e respondia, certeira. Levei muitos anos a perceber que
ela ouvia os meus gritos, mas escutava as palavras dele, é diferente.
A Avó Sorgue deixou sempre claro
que não aceitava comparações. Vigiara de muuuito perto o namoro de meus Pais e
aterrou lá em casa uma semana depois do casamento para nunca mais sair. Perante
a bonomia do genro, que lhe chamava a Rainha Mãe e se divertia com imagem
vinícola no que a Avó e neto dizia respeito, chamava-nos o Casal Garcia, vinho
verde crismava dois desesperados benfiquistas! Força da natureza é uma
descrição anémica, a Avó Sorgue era telúrica sem nunca ter lido Torga,
manipuladora sem conhecer Maquiavel. O seu amor absoluto ria-se de angústias
éticas, mas não de receios pragmáticos, quando na Aguda eu recolhia à cama
depois de mais uma noitada de poker, ela perguntava – “então?”. E eu sabia a
resposta adequada, verdadeira ou não – “ganhei”. Para lhe escutar o suspiro,
que já se enroscava – “ao menos! Se a tua Mãe sabe que te deixo jogar a
dinheiro, mata-me”.
Morto estava o marido há muito
tempo, nunca o conheci. Minha Mãe, que o teve apenas durante quatro anos,
esquecia o ateísmo não militante e rezava-lhe, descobri-o na sua
correspondência. Dele ouvi as histórias de trabalhador honesto que tivera morte
fulminante a caminho de casa, desse dia fatídico, descrito ao mais ínfimo pormenor pela Avó Sorgue,
nasceu a minha sólida desconfiança do coração, celebrei os vinte e seis anos
num misto de surpresa, alívio e culpa por sobreviver ao Avô Guilherme.
Que era amigo do segundo marido
de minha Avó, guardião feroz da sua memória. Mas manso perante aquela mulher
arrasadora, que lhe concedia o favor de alguns telefonemas para Lisboa. E no
entanto, hoje, no Dia dos Avós, é para ele que coração e memória correm,
escrevi-o mais de uma vez – o Paulitos foi uma figura parental inesquecível
para mim. Ensinou-me palavras cruzadas, explicava como o esperanto uniria todos
os povos, conseguia que uma meia de leite e uma torrada se transformassem numa
celebração da cumplicidade entre Avô e neto. Nunca me deito sem um relance
aquele homem magro e triste, segurando – inseguro… - ao colo um puto sisudo, as
crianças desconhecem a tirania dos sorrisos de plástico para mundo ver. Aquele
sou mesmo eu, o miúdo na foto ao lado, sorridente na farda de marinheiro, era
já um farsante, vendido ao politicamente correcto. Ele nunca se vendeu e partiu
à sua moda – discreto, sem incomodar ninguém. Felizmente alguém o amara nos
últimos anos como minha Avó não fora capaz. Indiferente ao burocrático sangue,
chorei-o com amargura e um profundo sentimento de abandono desamparado.
O esperanto, esse, foi outro
sonho falhado…L.
Estado alimentar da Nação Murcónica!
Gente,
Recebi vários mails e as datas sugeridas não encaixam. Seria mais fácil se apontássemos para a última semana de Agosto no Porto?
Recebi vários mails e as datas sugeridas não encaixam. Seria mais fácil se apontássemos para a última semana de Agosto no Porto?
segunda-feira, julho 23, 2012
Na mesma rua.
Maria,
Ou os tempos vão mais difíceis ou os neurónios saltaram para o eléctrico das articulações:(. Morreram amigos que o eram, outros que o não eram invadiram a boca de cena, podiam ter esperado que morresse eu; acreditando... Mais o gasganete talhado, a próstata a enfiar-me o credo na boca, esta vergonha pela falta dela nos outros que o Pai me ensinou. Conheces-me como ninguém - apesar da angústia crescente, imito a pedra. E de repente saio desarvorado, algo acontece. Lembras-te da tua descrição de Cantelães? - "é uma varanda disfarçada de casa". Pois segura-te - aluguei uma varanda no Porto, afinal não posso (ainda) viver lá em cima, protegido pela árvore dos meus queridos Velhos. Tu dirias "finalmente!". Eu sei, devia tê-lo feito há anos. Eu sei, tu sorririas, mudo-me para cem metros daqui. A minha resistência a mudanças e perdas, afinal por que te escrevo, longe como estás, em quilómetros e afectos? Mas mudo-me! Na varanda lobrigo o mar, acolho o sol; fecho os olhos para (me) ver. O resto da casa é bonito, sei que aprovarias. Sobretudo a sala!, aguentará música antiga e decibéis modernos. Mas tudo não passa de um apêndice, dama de honor daquela varanda - debruçada sobre o mar; o sol; a tua recordação; a minha melancolia. (Já não é mau contemplá-la de cima...).
Ou os tempos vão mais difíceis ou os neurónios saltaram para o eléctrico das articulações:(. Morreram amigos que o eram, outros que o não eram invadiram a boca de cena, podiam ter esperado que morresse eu; acreditando... Mais o gasganete talhado, a próstata a enfiar-me o credo na boca, esta vergonha pela falta dela nos outros que o Pai me ensinou. Conheces-me como ninguém - apesar da angústia crescente, imito a pedra. E de repente saio desarvorado, algo acontece. Lembras-te da tua descrição de Cantelães? - "é uma varanda disfarçada de casa". Pois segura-te - aluguei uma varanda no Porto, afinal não posso (ainda) viver lá em cima, protegido pela árvore dos meus queridos Velhos. Tu dirias "finalmente!". Eu sei, devia tê-lo feito há anos. Eu sei, tu sorririas, mudo-me para cem metros daqui. A minha resistência a mudanças e perdas, afinal por que te escrevo, longe como estás, em quilómetros e afectos? Mas mudo-me! Na varanda lobrigo o mar, acolho o sol; fecho os olhos para (me) ver. O resto da casa é bonito, sei que aprovarias. Sobretudo a sala!, aguentará música antiga e decibéis modernos. Mas tudo não passa de um apêndice, dama de honor daquela varanda - debruçada sobre o mar; o sol; a tua recordação; a minha melancolia. (Já não é mau contemplá-la de cima...).
Bruscamente no Verão actual:)
E quem alinha numa almoçarada na Mindinha na primeira semana de Agosto?
sexta-feira, julho 20, 2012
Confrangedor:(.
Ardem terra e alma das gentes. Este fogo não purifica; destrói. Resiste a boa consciência dos políticos, imune a diferenças de temperatura e políticas de prevenção:(.
quarta-feira, julho 18, 2012
Boa noite.
As mãos
Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.
Eugénio de Andrade.
Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.
Eugénio de Andrade.
Esclarecimento.
Terão reparado que o vídeo familiar mais recente desapareceu. Vocês, como sempre, têm direito a uma explicação - atendendo à sua presença no Youtube, parti do princípio que a sua colocação aqui seria pacífica. Não o foi para uma das personagens, pelo que fiz o meu dever - expliquei o meu raciocínio, pedi desculpa e retirei o vídeo.
Adiante.
Adiante.
segunda-feira, julho 16, 2012
Humor divino.
Ele ajoelhou e repetiu fórmula de infância.
- Senhor, eu não sou digno que entreis na minha morada.
Deus, levemente nauseado,
- Já o inverso não é verdadeiro.
E chamou-o para junto de Si.
- Senhor, eu não sou digno que entreis na minha morada.
Deus, levemente nauseado,
- Já o inverso não é verdadeiro.
E chamou-o para junto de Si.
domingo, julho 15, 2012
Queriiiiiias!:).
E de repente o Gaspar,
- Avô Júlio, por que tens mais amigos no Facebook do que eu?
- Sou velhinho, queres trocar?
O riso dele. Não há negócio:).
- Avô Júlio, por que tens mais amigos no Facebook do que eu?
- Sou velhinho, queres trocar?
O riso dele. Não há negócio:).
quinta-feira, julho 12, 2012
Porque sim.
A minha casa é um caos, como posso perder tantas coisas num T2? Mesmo assim fui a determinada gaveta, empurrado por uma recordação nevoenta. E lá estavam - trabalhos do Mestrado em Sexologia da Universidade Lusófona, do qual fiz parte durante vários anos, leccionando Antropologia da Sexualidade. Guardei-os porque eram bons, outros apenas visavam o dez da praxe (não é pecado:)))))). Esta gente merece que lhes deixe uma palavra de solidariedade, estão tristes ao verem o furacão que varre a "casa" em que estudaram e receiam ser brindados com palavra alheia a um ensino sério, a qualquer nível do processo educativo - facilitismo.
Aqui lhes deixo o meu abraço.
Aqui lhes deixo o meu abraço.
quarta-feira, julho 11, 2012
Jesus!
Uma mãe japonesa deixou o filho, de 19 meses, morrer
enquanto conversava num fórum na Internet. A polícia já prendeu a mulher e
investiga o caso.
Yumiko Takahashi, 29 anos, deixou o filho, Neo de 19
meses, morrer enquanto conversava num fórum na Internet. A mulher esteve com o
filho na tarde do dia 24 de junho quando este já se encontrava doente. Ainda
assim, Yumiko ignorou os sinais de febre do bebé e deixou-o sozinho no quarto.
O autópsia realizada ao corpo da criança indica que
morreu na madrugada do dia 26 de junho e que esteve quase um dia morto até a
mãe se aperceber do sucedido. A polícia já fez saber que prendeu a mulher por
suspeitas de negligência e que agora decorrem as "necessárias investigações".
Yumiko já tinha perdido dois filhos anteriormente: um
pouco depois de nascer, por razões que não são conhecidas, e outro devido a uma
queda da varanda do seu apartamento. "Procurava consolo na Internet há
mais de três anos porque entrei em depressão depois de perder os meus dois
filhos", justificou-se.
Este caso não é inédito. Em 2010, um casal sul-coreano
também deixou o seu filho de três meses morrer porque estiveram mais de 12
horas seguidas a "cuidar" do filho virtual num jogo na internet.
segunda-feira, julho 09, 2012
O concurso.
Em Vieira do Minho os meus "pais adoptivos" exibem um sólido optimismo acerca das hipóteses de ganhar as Sete Maravilhas com o Ermal:). E eu dou comigo a fazer figas - e a votar! - na esperança de que tal aconteça, quem recebe como eles receberam um citadino inveterado e caridosos o decretam "filho da terra" merece a salvação eterna, por que não um concurso televisivo pelo caminho?:).
domingo, julho 08, 2012
Peregrinação a solo.
Meus pais, escondendo a custo a desilusão - "os rapazes e os petizes?". E eu, armado em vítima - "não puderam, vim eu". O sorriso, disfarçado de folhas dançando à brisa - "mas tu estás cá sempre, menino". É verdade, amiúde tenho a sensação de que sombra minha se passeia pelo mundo, mas o espírito já repousa aqui com eles.
P.S. A pedido de numerosas famílias aderi ao facebook. Mas desde já aviso que todo o processo me pareceu uma selva densa, densa, não prometo funcionamento decente! É triste - sessenta e dois anos de vida e ainda não tenho equivalência a tecnologia básica:(.
P.S. A pedido de numerosas famílias aderi ao facebook. Mas desde já aviso que todo o processo me pareceu uma selva densa, densa, não prometo funcionamento decente! É triste - sessenta e dois anos de vida e ainda não tenho equivalência a tecnologia básica:(.
sábado, julho 07, 2012
Playing with words.
Maria,
Luz apagada, Cohen, Live in London. You live in London. When will you leave London? Before the Autumn leaves? Cohen com um ponto de interrogação - Am I your man?
Luz apagada, Cohen, Live in London. You live in London. When will you leave London? Before the Autumn leaves? Cohen com um ponto de interrogação - Am I your man?
quarta-feira, julho 04, 2012
Boa noite.
Foi um dia longo, vou acabar o último Zafón - que me parece melhor do que o penúltimo... - e dormir. Não seria justo fazê-lo sem vos dizer uma coisa - o que aconteceu hoje no Murcon deixou-me estarrecido. E compensou largamente o silêncio de pessoas cujas sms - pelo menos... - dava por garantidas e de um clube que é a paixão mais antiga e constante da minha vida. Obrigado gente e fiquem bem.
Adenda.
No Comunicado aventei a hipótese da minha saída do Trio se ter ficado a dever a queda de audiências. Acabo de ler no Correio da Manhã a justificação dada pelo Director de Informação, Nuno Santos: "estes programas precisam de renovação".
Comunicado.
Porque há assuntos difíceis de abordar em minuto e meio de directo e o Murcon sempre foi o meu "Diário da República", passo a expor o seguinte:
1 - Ontem ao fim da tarde fui contactado telefonicamente pelo Director de Informação da RTP, Nuno Santos. Pediu-me desculpa por o fazer no dia do programa, mas julgava ainda ir o Trio para o ar na próxima semana.
2 - Disse-me que o programa iria ser reestruturado em Agosto e que nesse contexto eu abandonaria o painel. Já que lhe pertencera a ideia de para ele me convidar, considerava responsabilidade sua informar-me dessa decisão a tempo de me despedir dos espectadores. Gentil, acrescentou que pessoalmente apreciara bastante a minha prestação durante os dez meses transcorridos.
3 - Não me adiantou qualquer explicação para a decisão tomada, nem eu a solicitei. Por duas razões simples: não ser desejado chega e sobra para não querer integrar o Trio e, atendendo à opinião favorável de Nuno Santos, só resta uma explicação possível - a Instituição RTP estava a ser prejudicada, leia-se, o meu estilo de intervenção prejudicou as audiências. Faço televisão há 23 anos, contra (esse) facto não há argumentos. Qualquer outra hipótese resvalaria para a teoria da cabala e eu recuso-me a entrar nesses jogos de sombras.
4 - Agradeci, primeiro, aos benfiquistas. Porque ao longo destes meses me apoiaram ao vivo e através das diversas tecnologias, por vezes queixando-se do meu estilo soft:), mas jamais duvidando da minha paixão pelo clube. Encontrar-nos-emos em bancadas de estádios e cafés com TV, roendo as unhas pelo Glorioso.
5 - Mas também agradeci aos adeptos de outros clubes, que me abordaram quotidianamente, para dizerem que discordavam de uma afirmação ou apenas da minha opção clubística, mas apreciavam a minha tentativa de ser isento e aplicar ao Benfica os critérios aplicados aos adversários (e não inimigos). Fiquei-lhes especialmente grato, pois continuo a pensar que é impossível sermos lúcidos em relação aos outros se o não formos no que nos diz respeito. Nunca estive no programa para defender o Benfica sem critério, cegamente, arriscando o ridículo que, na minha opinião, mancharia a imagem de um clube - qualquer clube! - que se diz casa de gente livre. E o Benfica tem uma longa tradição de liberdade, mesmo em tempos difíceis... Procurei, simplesmente, ser um benfiquista que pensava o futebol inserido num contexto mais vasto, as "coutadas privadas" com regras próprias não me agradam.
6 - Quero agradecer as palavras do Hugo Gilberto, do Miguel Guedes e do Rui Oliveira e Costa antes do programa, se o tempo o permitisse não tenho dúvidas que as repetiriam em directo. Desejo-lhes tudo de bom, bem assim como ao benfiquista que me substituir.
7 - A vocês, um enorme obrigado pelo privilégio de sempre terem aceite os diversos números do "Diário da República" como passíveis de conterem erros, mas não falsidades deliberadas.
1 - Ontem ao fim da tarde fui contactado telefonicamente pelo Director de Informação da RTP, Nuno Santos. Pediu-me desculpa por o fazer no dia do programa, mas julgava ainda ir o Trio para o ar na próxima semana.
2 - Disse-me que o programa iria ser reestruturado em Agosto e que nesse contexto eu abandonaria o painel. Já que lhe pertencera a ideia de para ele me convidar, considerava responsabilidade sua informar-me dessa decisão a tempo de me despedir dos espectadores. Gentil, acrescentou que pessoalmente apreciara bastante a minha prestação durante os dez meses transcorridos.
3 - Não me adiantou qualquer explicação para a decisão tomada, nem eu a solicitei. Por duas razões simples: não ser desejado chega e sobra para não querer integrar o Trio e, atendendo à opinião favorável de Nuno Santos, só resta uma explicação possível - a Instituição RTP estava a ser prejudicada, leia-se, o meu estilo de intervenção prejudicou as audiências. Faço televisão há 23 anos, contra (esse) facto não há argumentos. Qualquer outra hipótese resvalaria para a teoria da cabala e eu recuso-me a entrar nesses jogos de sombras.
4 - Agradeci, primeiro, aos benfiquistas. Porque ao longo destes meses me apoiaram ao vivo e através das diversas tecnologias, por vezes queixando-se do meu estilo soft:), mas jamais duvidando da minha paixão pelo clube. Encontrar-nos-emos em bancadas de estádios e cafés com TV, roendo as unhas pelo Glorioso.
5 - Mas também agradeci aos adeptos de outros clubes, que me abordaram quotidianamente, para dizerem que discordavam de uma afirmação ou apenas da minha opção clubística, mas apreciavam a minha tentativa de ser isento e aplicar ao Benfica os critérios aplicados aos adversários (e não inimigos). Fiquei-lhes especialmente grato, pois continuo a pensar que é impossível sermos lúcidos em relação aos outros se o não formos no que nos diz respeito. Nunca estive no programa para defender o Benfica sem critério, cegamente, arriscando o ridículo que, na minha opinião, mancharia a imagem de um clube - qualquer clube! - que se diz casa de gente livre. E o Benfica tem uma longa tradição de liberdade, mesmo em tempos difíceis... Procurei, simplesmente, ser um benfiquista que pensava o futebol inserido num contexto mais vasto, as "coutadas privadas" com regras próprias não me agradam.
6 - Quero agradecer as palavras do Hugo Gilberto, do Miguel Guedes e do Rui Oliveira e Costa antes do programa, se o tempo o permitisse não tenho dúvidas que as repetiriam em directo. Desejo-lhes tudo de bom, bem assim como ao benfiquista que me substituir.
7 - A vocês, um enorme obrigado pelo privilégio de sempre terem aceite os diversos números do "Diário da República" como passíveis de conterem erros, mas não falsidades deliberadas.
domingo, julho 01, 2012
O teste.
Velhos,
Pois duvidais de mim? Neguei-vos três vezes, como esse Judas que julgámos tão apressadamente? Trinta moedas por alguém que amava? Quem acredita nessa história de carochinha longe da janela? E contudo, hoje senti-vos por trás de cada armadilha. A falta de ar que me assusta; a avaria na piscina que entristece os miúdos e me pôe louco; a partida de todos os outros, que me deixam saudades, a tribo vem mirrando, quem lhe (me?) permanece fiel torna-se ainda mais precioso. Às 16.15 seria arrogante decretar a prova terminada, mas ainda cá estou, queridos. De pé, afagando os ramos da vossa árvore. A brisa é amável, o sol cálido, as flores brancas e amarelas, o riacho fiel. Estamos os três. Como um dia ficaremos, se os cães me sobreviverem como desejo, estou farto de vestir de negro o coração e branco sujo os dentes, a cada telefonema pergunto-me quem é agora. Velha dama risonha, por favor!, abraça quem te aprouver, mas os meus bichinhos não, se cada ano deles vale sete dos nossos por alguma razão deve ser, não achas? Exactamente. No seu olhar não há vislumbre de traição, novelas, sinais exteriores de riqueza ou quinze minutos de fama, apenas ternura incondicional. Ternura incondicional? Os meus colegas veterinários devem estar enganados, egoístas como nos tornámos sete para um é obsceno, se recorrerem ao Tribunal dos Direitos Humanos arriscamo-nos a pena de prisão perpétua! Num qualquer canil perto de si...
Pois duvidais de mim? Neguei-vos três vezes, como esse Judas que julgámos tão apressadamente? Trinta moedas por alguém que amava? Quem acredita nessa história de carochinha longe da janela? E contudo, hoje senti-vos por trás de cada armadilha. A falta de ar que me assusta; a avaria na piscina que entristece os miúdos e me pôe louco; a partida de todos os outros, que me deixam saudades, a tribo vem mirrando, quem lhe (me?) permanece fiel torna-se ainda mais precioso. Às 16.15 seria arrogante decretar a prova terminada, mas ainda cá estou, queridos. De pé, afagando os ramos da vossa árvore. A brisa é amável, o sol cálido, as flores brancas e amarelas, o riacho fiel. Estamos os três. Como um dia ficaremos, se os cães me sobreviverem como desejo, estou farto de vestir de negro o coração e branco sujo os dentes, a cada telefonema pergunto-me quem é agora. Velha dama risonha, por favor!, abraça quem te aprouver, mas os meus bichinhos não, se cada ano deles vale sete dos nossos por alguma razão deve ser, não achas? Exactamente. No seu olhar não há vislumbre de traição, novelas, sinais exteriores de riqueza ou quinze minutos de fama, apenas ternura incondicional. Ternura incondicional? Os meus colegas veterinários devem estar enganados, egoístas como nos tornámos sete para um é obsceno, se recorrerem ao Tribunal dos Direitos Humanos arriscamo-nos a pena de prisão perpétua! Num qualquer canil perto de si...
quinta-feira, junho 28, 2012
O pesadelo.
Maria,
Água nos degraus de Cantelães... Oito anos e n empreitadas depois, o problema da humidade não se resolve. E se a minha teimosia já saiu caríssima, forçoso é admitir que não estará ao alcance dos rapazes o sorvedoiro em que esta casa se tornou. Pior!, existe o perigo de Cantelães gerar conflitos entre eles. Pela primeira vez encaro a hipótese de vender. Imaginas o que sinto... Sempre me culpabilizei por a não construir a tempo de de ver os Pais à cabeceira da mesa, como admitir abandonar a árvore onde repousam e me esperam? Nem os cães entenderiam, habituados como estão a saudar a minha passagem tardia no corredor com um abanar de cauda solidário. Mas que fazer? A cabeça num torno, o coração apertado, wish you were here...
Água nos degraus de Cantelães... Oito anos e n empreitadas depois, o problema da humidade não se resolve. E se a minha teimosia já saiu caríssima, forçoso é admitir que não estará ao alcance dos rapazes o sorvedoiro em que esta casa se tornou. Pior!, existe o perigo de Cantelães gerar conflitos entre eles. Pela primeira vez encaro a hipótese de vender. Imaginas o que sinto... Sempre me culpabilizei por a não construir a tempo de de ver os Pais à cabeceira da mesa, como admitir abandonar a árvore onde repousam e me esperam? Nem os cães entenderiam, habituados como estão a saudar a minha passagem tardia no corredor com um abanar de cauda solidário. Mas que fazer? A cabeça num torno, o coração apertado, wish you were here...
segunda-feira, junho 25, 2012
Apesar da variada sobremesa.
O jantar de homenagem aos voluntários a quem a Comunidade Paulo Vallada (também) deve manter as portas abertas deixou-me com um travo amrgo no espírito. Ao ver as nossas meninas/mães agradecerem a dedicação de tanta gente e entregar-nos um texto que acaba com "Muitos beijinhos das meninas cá da casa" perguntei-me, como os responsáveis de outras valências idênticas!, quanto tempo aguentaremos nas actuais circunstâncias. E o que acontecerá às miúdas se e quando...
segunda-feira, junho 18, 2012
Só para me contrariar!
Segunda de manhã. SMS do João - Macca faz setenta anos! Mail doce do Guilherme. A lenda familiar assegurada. E ainda há parvalhões a dizer - e escrever! - que tal dia é rotineiro:).
domingo, junho 17, 2012
Domingo à noite.
Domingo à noite o presente é escravo do futuro próximo. O corpo demanda o quarto, mas a cabeça não repousa na almofada; vê nela a ante-estreia do rotineiro filme de Segunda-Feira.
quarta-feira, junho 13, 2012
Para o João Cutileiro.
Porque a exposição já foi inaugurada, aqui deixo o texto que o João teve a gentileza de me pedir.
Serão os espelhos Medusas
angelicais?
Chegam trazidos por mãos
calejadas e risos abertos – “onde os quer?” - , aceitam paredes e avessos de armário sem
azedume. Ou são hóspedes antigos, em plena crise pedem asilo não político a
coberto de memórias, um cálice de vinho ou saudade e regressa o tempo em que fitávamos, olhos nos olhos, cinturas adultas. Faces amadas, perdidas e
achadas, substituem a nossa, os ouvidos
juntam-se à cabala, vozes doces… - “como
estás, menino?”. “Sem vocês”, respondemos. E polimos os sacanas como Aladino a lâmpada, na louca nostalgia de uma nova
aparição. Desconfiados? Nem por sombras! Eles exibem obediência e fidelidade
caninas; reflectem sem pensar. Viramos
costas e oferecemos flancos sem medo, estamos portas e ferrolhos adentro, quem
precisa de pontes levadiças?
Puro engano; esperam. Um dia,
moldura ante moldura, deixam réplicas holográficas para – neste caso… -
português (se) ver e invadem-nos com terramotos à arreata. Afinam a mão
apontando maus fígados ou bons corações. Depois, enchem o peito e sufocam o
nosso, tomam de assalto as ameias da alma e sussurram, “lembra-te do que
fazíamos nas feiras - eras gordo e magro, alto e baixo, tudo em vertigem
risonha, brincamos outra vez?…”. Pergunta retórica e anestésica, sem resposta
prevista, muito menos livre. Medos, culpas e desejos enlouquecem – tanto trabalho para os manter aferrolhados… -, a cabeça
estoura. Corpos há muito ausentes da cama bailam pelo corredor; voltam, alucinados,
murmúrios enrouquecidos e cabelos que nos choviam sobre o peito antes de
inundarem coxas; Senhor por que inventaste paixão sem cruz ou maiúscula para os
irmãos do Teu Filho?
Logo…, serão os espelhos Medusas
infernais?
Tal agonia corre montanha acima e
desagua no mar esquivo da lucidez. A tortura arrancou-nos a verdade, não a
ferros mas a vidros, “aquilo” somos nós. A céu aberto e Céu perdido, Deus que o perdoasse não teria perdão. O velho Sartre o intuiu e se enganou – o
Inferno são os outros. Não!, somos nós - petrificados por tantos, tantos nós,
que marinheiro algum os conseguiria dar, quanto mais desatar.
Trabalho feito, os espelhos
regressam a paredes e armários. Por amor
os estilhaçamos antes de chegarem os amigos, por ódio os oferecemos a quem nos magoou, por desespero os
colocamos à lapela, como os antigos
gregos nos escudos, muito antes dos euros
contornarem as Termópilas. Mas a vidinha da gente não muda, triste e
baço mundo este, nem sequer autoriza morte em combate honroso. Parte-se à
míngua, rodeados por ostentação.
Um tipo fica assim – não granítico, como o
velho Afonso da Maia ou a cascata da Pena Ventosa, apenas bovinamente parado. Na varanda pousam
gaivotas de olhar fixo. Em terra, mas sem borrasca ou água nos bicos. Abutres
disfarçados, pressentem que a lucidez é doença fatal.
(E contudo permite-nos cair de pé...)
Com tal parênteses nos seus
currículos e porta-fólios, a contragosto exausto lhes faço justiça - os
espelhos são Medusas ferozes, mas seminais.
sábado, junho 09, 2012
O espectador monástico.
Um tipo vê o jogo sozinho em casa para poder comentar "à moda do Porto". (Bom, na companhia de croquetes da Ribeiro e uma garrafa de Soalheiro...). Pelo meio ainda segue o Benfica-Porto em hóquei num canal que não sabia existir e funciona aos soluços:(. (Seremos campeões se ganharmos aos tigres de Almeirim, não os conheço, espero que sejam fraquinhos ou benfiquistas...). Resultado? Mais uma vitória moral, ainda por cima contra a Alemanha da senhora Merkel, padroeira das traves. (Claro que o Dr. Passos Coelho lhe vai dizer que a vitória foi merecidíssima...). Comentar à moda do Porto? Ó gente inculta! - Pi que os concebeu, uma sorte do pi, o pi do Ronaldo nunca nos deixa de boca aberta na selecção, somos uns pi sem sorte nenhuma, como é possível o pi do Gomez saltar com o João Pereira no golo... Perceberam? O Porto é uma cidade do pi, carago:))))))))).
sexta-feira, junho 08, 2012
Canal 58, já!
BBC Entertainment, concerto em Buckingham para festejar o Jubileu. Um mar de gente. E este amor por Londres, que a idade só aguçou:).
quinta-feira, junho 07, 2012
Os outros fiéis depositários.
Feira do Livro. Chego a resmungar e saio agradecido, as pessoas são de uma gentileza enternecedora. Mas hoje..., we have a winner! Ele ficou ali, de sorriso nos lábios, recordando minha Mãe. Que todos os dias parava na Casa Moreda, bebia uma taça de rosé, comia um rissol - de vez em quando cedia ao charme de um pastel de nata:) - e conversava. Não foi o único a pedir licença para me falar dela. E eu dou comigo a recear o tempo em que ninguém me voltará a chamar "o filho da Clarinha"...
domingo, junho 03, 2012
Zapping.
Amadeus. Nunca gostei do riso idiota que lhe inventaram e da sugestão de que o seu talento era Heaven sent, como os Beatles cantavam em Lady Madonna. Acerca de dinheiro...:). A interpretação de Murray Abraham valeu bem o Óscar obtido, aquele Salieri é capaz da inveja, da adoração, do arrependimento e da loucura lúcida que o torna ´"santo padroeiro dos medíocres". E vogando sobre tudo e todos, a música. Essa música tão genial que até eu consigo seguir-lhe os passos, adivinhar-lhe o futuro próximo, recordá-la quando se desvaneceu. Quando vi o filme, não imaginava que um dia, assustadíssimo, mergulharia nas biografias para escrever uma conferência sobre Mozart nos Encontros da Casa da Música. E o velho Milos tem razão - todos os caminhos iam dar ao pai Mozart, a intensidade psicológica da correspondência entre os dois é de cortar a respiração.
Está bem, confesso - e para um psi a tentação irresistível de nela mergulhar e construir uma narrativa relacional que nem a morte interrompeu. Próxima do que realmente se passou entre os dois? Da "verdade dos factos"? E isso existe, no mundo dos afectos?
Está bem, confesso - e para um psi a tentação irresistível de nela mergulhar e construir uma narrativa relacional que nem a morte interrompeu. Próxima do que realmente se passou entre os dois? Da "verdade dos factos"? E isso existe, no mundo dos afectos?
sábado, junho 02, 2012
O "complicómetro".
Serralves. A Invenção da Alma, do Jaime Milheiro. O desconhecido acarreta a ideia securizante de Deus. A cultura formata-nos numa das religiões. E a base de tudo isto sofre de injustiça - por que razão desvalorizamos a "simples" razão emoldurada pelos afectos?
quarta-feira, maio 30, 2012
Nota de rodapé.
A indignação de Ricardo Costa no telejornal das oito pareceu-me genuína. E justificada...
domingo, maio 27, 2012
Lost in adolescent translation:).
Os olhos chispando fúria.
- Não foi isso que disseste!!!!!!
Braços apertados contra o peito, as bochechas em lume nada brando..., nada na manga, vinha aí birra monumental:(.
Ligeira hesitação, o canto de sereia da cobardia preguiçosa, "saio porta fora e a mãe lida com esta adolescência inflamada...", o fundo suspiro envergonhado, a superficial serenidade,
- Não foi isso que tu ouviste, minha querida; é diferente.
Como um disco rachado...
- Não foi isso que disseste!!!!!!
E desarvorou rumo ao quarto, porta fechada com estrondo. Seguramente para o denunciar ao mundo no facebook...
- Não foi isso que disseste!!!!!!
Braços apertados contra o peito, as bochechas em lume nada brando..., nada na manga, vinha aí birra monumental:(.
Ligeira hesitação, o canto de sereia da cobardia preguiçosa, "saio porta fora e a mãe lida com esta adolescência inflamada...", o fundo suspiro envergonhado, a superficial serenidade,
- Não foi isso que tu ouviste, minha querida; é diferente.
Como um disco rachado...
- Não foi isso que disseste!!!!!!
E desarvorou rumo ao quarto, porta fechada com estrondo. Seguramente para o denunciar ao mundo no facebook...
sábado, maio 26, 2012
Já não basta a erotização de crianças?
Uma senhora inglesa descobriu nova fonte de receita - casamentos de animais de estimação. E a Inês Menezes sorriu perante a minha mal disfarçada irritação. Deus conserve a filha da loira Albion e a sua conta bancária, mas ouvir dizer que os animais têm direito a cerimónia, bolo e Mozart agrava o meu fundo alérgico. Imagino os cães, correndo no relvado de Cantelães; preguiçosos nos sofás, mas com abanar de cauda garantido à nossa passagem; pétreos, de olhos fixos no portão, quando membros da tribo demandam a vila e tardam. Não é "apenas" o amor incondiconal que nos dedicam a maravilhar-me, há neles uma dignidade, indiferente a caprichos e injustiças humanos, que me recorda frase de amigo: "gosto muito de bichos de quatro patas, dos de duas bastante menos". Mesmo compreendendo a escassez e o excesso de libras, preferia que a senhora e o novo-riquismo dos donos os deixassem em paz:(.
segunda-feira, maio 21, 2012
From S. Paulo with love.
Meu Pai teve dois filhos: um biológico, este vosso humilde servidor; e uma espiritual, minha prima Elzira, que mantém acesa a memória do Avô Bernardino e por arrasto a dele. Hoje enviou-me duas preciosidades - cartas de minha Mãe para a sogra, perdão!, a segunda figura maternal. E numa delas, enviada de S. Paulo em 1953, pode ler-se: "Esta separação é para mim bastante penosa, mas não me julgo com direito de atirar fora uma oportunidade que não se repetirá de poder ajudar o Júlio a melhorar o nosso futuro".
Como ela amava o maroto! Sempre o fez - ele mergulhava nos livros e ela na vida. Para o preservar das preocupações prosaicas que inevitavelmente acarreta...
Como ela amava o maroto! Sempre o fez - ele mergulhava nos livros e ela na vida. Para o preservar das preocupações prosaicas que inevitavelmente acarreta...
domingo, maio 20, 2012
A prova dos nove.
- E não quer tirar isso a limpo?
(Eu tinha grossas dúvidas, mas não tive tempo de as expressar, os jovens fazem perguntas retóricas e (re)agem...).
Fez o que tinha a fazer, nothing personal; por mim. Fiquei sem as dúvidas que nunca tivera, mas preferira abrigar, a ingratidão é um dos espectáculos que justificam frase triste e suspirada por meu Pai - "ainda por cima sinto vergonha por eles".
Não vou tão longe, desço no apeadeiro do embaraço...
(Eu tinha grossas dúvidas, mas não tive tempo de as expressar, os jovens fazem perguntas retóricas e (re)agem...).
Fez o que tinha a fazer, nothing personal; por mim. Fiquei sem as dúvidas que nunca tivera, mas preferira abrigar, a ingratidão é um dos espectáculos que justificam frase triste e suspirada por meu Pai - "ainda por cima sinto vergonha por eles".
Não vou tão longe, desço no apeadeiro do embaraço...
domingo, maio 13, 2012
A lenda familiar.
Os meus netos cavalgando as ondas, sob o olhar atento do Guilherme. Onze e nove anos..., para onde fugiu o tempo? Beijo rápido, "olha para mim Avô Júlio", água! E o Avô olha, em nome dele e dos que repousam em Cantelães, a lenda familiar tecida em silêncio, quem precisa de fotografias quando o soluço ainda espreita? O jantar com o João no Senhor Armando, em Massarelos, à beira-rio, é todo um ritual. Desde logo a negociação do famigerado "pica pau", o meu filho gosta da carne com alho e picante, eu também, mas receio as consequências nocturnas, o anfitrião resolve a questão - "menos alho e menos picante". Tudo para mimar o benfiquista que os acérrimos dragões tratam bem por duas razões: é pai do João e não lhe negam o estatuto de tripeiro furioso. (É claro que o Porto ter ganho o campeonato também ajuda à bonomia... Júlio!, que ingratidão:(). A noite vai caindo, nas mesas próximas estrangeiros e músicos - que Deus te ouça, Bernardo! -, o sino da igrejinha enlouquece, já anuncia a procissão. De repente a miúda à beira-mesa, "dá-me um autógrafo?". Não a mim!, ao "Azeitona". E eu lembrei minha Santa Mãe, deliciada e risonha, "agora é a ti que pedem. E são os mais novos, Julinho, os mais novos". Na altura não a percebi, aquilo parecia-me tão herético! (E era...). Mas hoje compreendo - a miudinha de papel estendido e o João atrapalhado fazem parte do render da guarda que manterá os Machado Vaz em movimento como clã. Amo muito a vida, mas a lenda familiar já não estaria em risco se decidisse - ou o Acaso por mim... - recolher mais cedo do que o previsto ao relvado de Cantelães.
sexta-feira, maio 11, 2012
O Congresso número...
Guimarães continua bela. Fui tratado como família. Há quem pense - e pratique! - a Medicina como a sonhei. Mas estou tão farto de quartos de hotel...
domingo, maio 06, 2012
Só não acontece a quem lá não anda, diz-se no futebol:).
O Público de hoje atribui-me a declaração segundo a qual Fernando Savater teria desferido golpe mortal no conceito de instinto maternal. Não é verdade, o telefone é um "tradutor" perigoso, como é óbvio mencionei Elizabeth Badinter. Bom dia da Mãe, gente. Para mim são todos...
quarta-feira, maio 02, 2012
A palavra aos neurocirurgiões.
Não conheço pessoalmente Miguel Esteves Cardoso. Há quase vinte anos escrevi-lhe, grato por um texto sobre seu Pai que abrigava ecos do meu. Depois de ler a crónica no Público, desejo-lhe que os minutos de hoje com a Maria João se desdobrem em horas, dias e anos, como é devido ao amor que os une.
terça-feira, abril 24, 2012
Para chegar a tempo...
Só estive com o Miguel Portas em campanha, mas gostei dele à primeira gargalhada no Piolho. Presumo que tenha partido hoje para celebrar - ou perseguir? - ainda e sempre o 25 de Abril.
domingo, abril 22, 2012
Ensino pós-graduado.
O médico estranhou-lhe o silêncio e interrompeu-o,
- Bom, estamos então combinados. Assim que as análises de rotina estiverem prontas marcamos a operação.
Havia uma candura envergonhada naquele olhar...
- Desculpe, doutor, mas não.
Algo crispado, quase ofendido,
- Talvez não me tenha explicado bem. Se não operarmos...
Com um sorriso doce,
- Pelo contrário, doutor, foi cristalino. Mas eu não quero.
(Isto dos direitos dos doentes virou a profissão de pernas para o ar:().
- Prefere morrer?
Como o sorriso...
- Não, prefiro estar vivo até morrer. E ser recordado assim pelos que amo.
Viu-o sair, pensativo. "Estar vivo até morrer...". Não o tinham preparado para tal exigência na Faculdade.
- Bom, estamos então combinados. Assim que as análises de rotina estiverem prontas marcamos a operação.
Havia uma candura envergonhada naquele olhar...
- Desculpe, doutor, mas não.
Algo crispado, quase ofendido,
- Talvez não me tenha explicado bem. Se não operarmos...
Com um sorriso doce,
- Pelo contrário, doutor, foi cristalino. Mas eu não quero.
(Isto dos direitos dos doentes virou a profissão de pernas para o ar:().
- Prefere morrer?
Como o sorriso...
- Não, prefiro estar vivo até morrer. E ser recordado assim pelos que amo.
Viu-o sair, pensativo. "Estar vivo até morrer...". Não o tinham preparado para tal exigência na Faculdade.
quarta-feira, abril 11, 2012
Chamavam-lhe génio.
Maria,
Morreu o Teixeira da Silva, o filho espiritual de meu Pai. Minha Mãe ficava escandalizada por a fotografia do miúdo dele estar na secretária da Faculdade e a minha não. Nunca senti ciúmes. O Teixeira da Silva era o menino de ouro, o discípulo; eu não. Por isso lhe deixou a toga que nunca usei... Fico aliviado por termos rido juntos há umas semanas, ser-me-ia insuportável que me pensasse indiferente. Foi tão triste:(. Ver aquele homem, superiormente dotado, bater-se por uma simples lufada de ar... Tinha pensado fazer-lhe uma surpresa, trazer-lhe dos Pirinéus uma garrafa da água em que pescava trutas, "você ama os castelos e eu os riachos", dizia. Sabes o que rezava o relatório dele quando fiz o exame prático de Bacteriologia? - "Só estuda o que gosta". E eu detestava bactérias, vírus e quejandos, nunca poderia suceder ao Velho no laboratório, desaguei, aliviado, em Psiquiatria. Morreu mais um naco do meu Pai, Maria. E quando voltar aos castelos e aos riachos sentir-lhe-ei a falta, ele entendia o meu fascínio por aquelas paragens.
Como tu...
Morreu o Teixeira da Silva, o filho espiritual de meu Pai. Minha Mãe ficava escandalizada por a fotografia do miúdo dele estar na secretária da Faculdade e a minha não. Nunca senti ciúmes. O Teixeira da Silva era o menino de ouro, o discípulo; eu não. Por isso lhe deixou a toga que nunca usei... Fico aliviado por termos rido juntos há umas semanas, ser-me-ia insuportável que me pensasse indiferente. Foi tão triste:(. Ver aquele homem, superiormente dotado, bater-se por uma simples lufada de ar... Tinha pensado fazer-lhe uma surpresa, trazer-lhe dos Pirinéus uma garrafa da água em que pescava trutas, "você ama os castelos e eu os riachos", dizia. Sabes o que rezava o relatório dele quando fiz o exame prático de Bacteriologia? - "Só estuda o que gosta". E eu detestava bactérias, vírus e quejandos, nunca poderia suceder ao Velho no laboratório, desaguei, aliviado, em Psiquiatria. Morreu mais um naco do meu Pai, Maria. E quando voltar aos castelos e aos riachos sentir-lhe-ei a falta, ele entendia o meu fascínio por aquelas paragens.
Como tu...
sábado, abril 07, 2012
Abraço.
Um bom Domingo de Páscoa para todos e cuidado na estrada! Espremido entre um Poder que age na clandestinidade e o pesar de ferida que mão humana rasgou na floresta, aliviou-me a imobilidade granítica de um cão à espera do dono.
quinta-feira, abril 05, 2012
quarta-feira, abril 04, 2012
Aos jogadores, equipa técnica e adeptos em Londres.
Muito obrigado. E desculpem - não pensei que fossem capazes de tanto!
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