quinta-feira, junho 19, 2014

Outro amigo íntimo que por acaso não me conhece:). Parabéns e obrigado, Chico.

Chico Buarque chega aos 70 anos

Cantor conserva brilhantismo de conciliar discrição com um olhar apurado e melódico sobre a história do país




Gabriel de Sá - Correio Braziliense



Quando fez 60 anos, Chico Buarque de Hollanda espalhou que comemoraria a data em Paris, onde tem apartamento. O violonista Guinga passeava pelo Alto Leblon, no Rio de Janeiro, próximo ao dia do aniversário do amigo, quando o viu se exercitando. “Uai, Chico, você não estava viajando?”, questionou. “Que viajando o quê”, gargalhou. O bom humor é traço marcante da personalidade de Chico, assim como a discrição. Criador de mais de 400 canções, é um dos principais expoentes da música popular brasileira. Nesta quinta, chega aos 70 anos e deve passar a data em Paris, onde anda de bicicleta e bate peladas com amigos. É possível que se dedique a escrever um romance — o quinto da carreira. “Ele é muito reservado”, conta o baterista Wilson das Neves, que o acompanha há mais de 30 anos. A reserva social, no entanto, se contrapõe à capacidade de examinar a sociedade e compor tipos capazes de traduzir momentos históricos do país. Ele ergueu um cancioneiro de 400 músicas, pelas quais têm ajudado a narrar importantes aspectos brasileiros. Selecionamos seis personagens para compreender os traços que fazem dele um dos compositores mais geniais de todos os tempos. Nesta quarta e quinta, o Viver conta um pouco da trajetória do artista.

Beatriz e a vida da atriz

“Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz”

A personagem não é unânime. Nem todos se seduziram por Beatriz. Chico demorou a concebê-la. Quando apareceu, em 1982, foi por solicitação. Edu Lobo pediu. Chico aceitou. Mas a recebeu sob outra graça: Agnes, equilibrista. Culpa do poeta Jorge de Lima que, em 1938, escreveu O grande circo místico. Quando o Balé Guaíra, do Paraná, pede montagem sob mesmo nome, Edu bebe na fonte de Jorge de Lima. Chico, leitor de Jorge, prefere outra: Dante Alighieri. Assim, Agnes se torna a Beatriz de Dante, aquela da Divina comédia. Tornaria-se a Beatriz de Chico, surrealista e gerada por impulso psíquico. Até Milton Nascimento tomá-la para si. Embora emprestada a vozes competentes, como Elba Ramalho e Carlos Navas, foi embalada na interpretação de Milton Nascimento no disco de 1983 (o antológico O grande circo místico, como o poema de Jorge de Lima). Ali, descansou.




O malandro e as minorias

“Mas o malandro para valer, não espalha
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe chacoalha, no trem da central”

Há uma figura constante no imaginário carioca, embora real. O cara das calçadas da Lapa, do barracão das escolas de samba. O que seduz as mulatas, com hálito de cachaça na nuca. Ar de vagabundo, inquieto. As pernas bambas, como de passista na avenida. Suor na testa secado pela toalha de bolso. Olhos marejados pelo samba-canção de Cartola. Respeitado nos morros, aconselha amigos e abraça mendigos. Bebe com as moças, fuma com os parceiros e reza no terreiro. Navalha no bolso, foto na coluna social e amizade na central. No dia, ninguém vê. À noite, impossível não perceber. Não se engane: todo carioca é brasileiro. E ele aparece no país inteiro. O desvalido. O perseguido. Preto, pobre, fedendo a Cashmere Bouquet e a conhaque. O malandro de Chico Buarque.




Pedro Pedreiro e a espera sem fim

“Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
Espere alguma coisa mais linda que o mundo”

Em 1965, quando Pedro Pedreiro nasceu, Maria Bethânia cantava a saga do carcará, em cima do palco. Pedro teria adorado assistir ao espetáculo Opinião. Quando Bethânia pede para o morro descer a ladeira, ele berraria da plateia: “Já estou aqui!”. Pedro é real. De carne e osso. De canela empoeirada, calça rasgada e sandália nos pés. Mãos calejadas e trocado no bolso. Com quantos Pedros cruzamos hoje? Trabalhador braçal, em pé no ônibus, mangas arregaçadas para pagar as contas. Faz tudo sempre igual. Ele não tem dinheiro para ir a Copacabana. Fica ali, na estação, correndo o risco de apanhar dos militares que tomaram o poder no ano anterior. Proletário não vai ao teatro. Não reclama. Ele segue ali, esperando o trem. Esperando… Esperando… “Amanhã vai ser outro dia”, pensa Pedro. E algo lhe diz que o trem, alguma hora, vai passar!




Angélica e a ditadura militar

“Quem é essa mulher
Que canta sempre
o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar
meu anjo
E deixar seu corpo descansar”

A mãe que busca pelo rebento desaparecido é o tema da melancólica letra de Chico, escrita sobre a melodia de Miltinho, do MPB4. Angélica é a estilista Zuzu Angel, cujo filho, o militante político Stuart, foi preso, torturado e morto pela ditadura militar nos anos 1970. A luta de Zuzu para encontrá-lo tornou-se internacionalmente conhecida. Ela morreu em 1976, um ano após Chico homenageá-la com a canção. Para melhor compreender a ditadura brasileira sob a ótica cultural, Chico é essencial. As metáforas criadas por ele em canções como Cálice e Apesar de você cutucaram o regime com vara curta e ajudaram a dar voz à população reprimida. Ele foi censurado, criou pseudônimo e se autoexilou na Itália.




Maldita Geni


“De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais
do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem
mais nada”

No musical Ópera do malandro, de 1978, Geni aparece como travesti prostituído e marginalizado de uma pequena cidade. A “rainha dos detentos” e dos “moleques do internato” é aquela que “dá pra qualquer um”, e por isso “é boa de cuspir” e deve ser apedrejada, segundo a letra. A personagem é redimida quando se deita com homem que surge em um Zepelim e, prestes a exterminar a cidade, se apaixona por ela. A saga de Geni registra o talento de Chico para histórias, e traz à tona homossexualidade e prostituição. A partir de uma heroína errada, “tão coitada e tão singela”, o compositor suscita discussões sobre preconceito, gênero, poder e falso moralismo. Geni está entre nós.




A Rita, os 20 anos e o coração

“A Rita matou nosso amor de vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos”

As mulheres são um capítulo extenso no cancioneiro de Chico. Da submissa de Com açúcar, com afeto à batalhadora de A violeira, o compositor versa com maestria sobre o universo feminino, revelando nuances menosprezadas por homens menos sensíveis. Rita é uma mulher forte, decidida. Ao sair de casa, deixa o amante devastado e carrega sentimentos e objetos que contam a história dos dois. A Rita é uma das canções mais conhecidas do cantor. Um dos itens carregados por Rita é “um bom disco de Noel (Rosa)”. A referência ao compositor carioca do início do século 20 evidencia a admiração de Chico pelo artista. Os dois, volta e meia, são comparados, pelo caráter cronista de suas obras. Rita “deixa mudo” o violão do artista. Seria uma forma de Chico dizer que, sem a mulher, a inspiração vai embora?




quarta-feira, junho 18, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, junho 17, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, junho 16, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 15, 2014

Lembram-se disto?:).

sábado, junho 14, 2014

Boa noite, gente.

... há muitos, muitos anos.

Maria,
Frase de amigo em sonho cruel, "ela já tinha ido embora antes de partir". Aurora sem sol ou paz, mas com memória. O corpo entregue sem desejo; a voz fervente mas sem calor; a sms que chegou mas separava; o mail que me impunha o adeus à boleia de versos que te ensinei.
Sinais claros para o meu nevoeiro teimoso; indícios tentadores para a sua lucidez; sinos que dobravam por nós, assim o adivinhasse eu quando li Hemingway...

sexta-feira, junho 13, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, junho 12, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, junho 10, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, junho 09, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 08, 2014

sábado, junho 07, 2014

Esta é só para mim:).

Boa noite, gente.

sexta-feira, junho 06, 2014

Com a patroa Inês Menezes.


Boa noite, gente.

quinta-feira, junho 05, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, junho 04, 2014

...

Maria,
Jantei com amigo nosso, de origem teu, partidário de nenhum, antes houvesse campo de batalha a separar-nos e não canal manchado, qualquer fímbria de nortada seria suficiente para trazer voo de gaivota, lençol a corar sem vergonha, palidez medrosa de meu ou teu vilão ou nobre, papel de carta virgem desta pena exausta por não se cansar de te pedir o regresso a capella; um branco dos mil possíveis. E eu declará-lo-ia indiscutível pedido de tréguas e nelas mergulharia com a esperança de serem a antecâmara dos teus braços...
“Ela já tinha ido embora antes de partir”, disse ele. E todo o jantar se tornou em moldura de frase que colocava outras na mesa, indiferentes a baixela não de prata  que pesava como chumbo e garfadas impotentes perante o nó de marinheiro em terra seca e bordejando as lágrimas que me estrangulava a partir de dentro e resistiu com galhardia a vinho bebido sem gozo por medicinal, trouxe o nevoeiro à alma mas não a paz ao corpo inteiro.
As nossas frases. Sibilinas, para não lhes colar adjectivo que rimaria e arrepia – será que nos desejámos de tantos modos que só restava erotizar a separação?  Silêncios nostálgicos de outros, cúmplices. Garras de fora nascidas de unhas que se cravavam nos corpos, “vem”.

Ele tem razão - separámo-nos juntos. E tu fugiste para não dizer adeus. Ou disseste-Lhe? Não acredito, afinal fomos...

terça-feira, junho 03, 2014

segunda-feira, junho 02, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 01, 2014

Boa noite, gente.

sábado, maio 31, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 30, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 29, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, maio 28, 2014

O pai pensará o mesmo?:).

João Soares acusa António Costa de "crise de egocentrismo" Ex-presidente da autarquia disse não lhe apetecer votar todos os anos a mesma questão. Hoje, 11h45 Correio da Manhã.

   O deputado socialista João Soares acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de estar a sofrer uma "crise de egocentrismo" ao persistir no "disparate completo" de disputar a liderança do PS. Em declarações à agência Lusa, o dirigente socialista disse não aceitar que a história de há um ano se repita, lembrando a "tragicomédia que terminou de forma absolutamente pífia", com o recuo do presidente da Câmara de Lisboa e a confirmação de António José Seguro na liderança do PS. "Há menos de um ano tivemos um número parecido com este, uma tragicomédia que terminou de forma absolutamente pífia. As pessoas é que não têm memória na nossa terra. António Costa fez exatamente o mesmo número e, depois, chegou à comissão politica e disse que não era candidato", recordou. O ex-presidente da autarquia disse não lhe apetecer votar todos os anos a mesma questão, lembrando que o Congresso Extraordinário do PS legitimou Seguro com uma vitória e não uma derrota.

segunda-feira, maio 26, 2014

Boa noite, gente.

domingo, maio 25, 2014

Que vêm fazendo os responsáveis políticos europeus para que tanto desiludido em França vote num partido cujo patriarca espera - ou deseja? - que a imigração seja travada pelo vírus Ébola?

Sem resposta...

  1. "Ah, o famoso bispo do Porto!"
    por ANSELMO BORGES

    JN.
    Foi com esta exclamação que João Paulo II, na sua visita ao Porto, se dirigiu a D. António Ferreira Gomes, quando ele, já bispo resignatário, apresentou os seus cumprimentos de despedida.
    Morreu há 25 anos. Lembrando a data, o que aí fica quer ser tão-só uma homenagem ao homem e ao bispo, cujo lema era "de joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens" e que, em todas as circunstâncias, foi o exemplo superior do que chamo a voz político-moral da Igreja.
    Já na famosa Carta a Salazar, que pagou com um exílio de dez anos, exigia a liberdade de pluralismo partidário e sindical e de greve. E lembrava "dois problemas fundamentais" em ordem à paz: 1. "Os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social entre os membros da comunidade"; 2. Os indivíduos e as classes "nunca estarão satisfeitos enquanto não experimentarem que são colaboradores efectivos, que têm a sua justa quota-parte na condução da vida colectiva, isto é, que são sujeito e não objecto da vida económica, social e política." O equilíbrio financeiro "é óptimo", mas "nunca deve deixar de estar ao serviço do Homem".
    Preocupava-o a religião das promessas, a religião utilitária, como testemunhou num diálogo, a meu convite, com Óscar Lopes, reconhecendo que "a religião pode realmente ser ópio do povo", pois, "muitas vezes para o povo a religião no geral não significa nada de transcendente." Ora, "o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para o que o transcende, seja o outro neste mundo, seja Deus enquanto o Outro absoluto, sabendo que a relação com o Outro absoluto é exactamente também a relação com o irmão". Por isso, "nenhum homem responsável da Igreja poderá dizer que não quer saber de política ou que nada percebe de política".
    Após a resignação, foi viver para Ermesinde, onde escreveu as célebres Cartas ao Papa João Paulo II, nas quais aprofunda alguns dos seus pensamentos sobre a sociedade e a Igreja.
    Ficam aí alguns extractos. "O Homem não tem liberdade, pois ele é uma liberdade." Por isso, "é bem tempo de acabar com a velha fórmula de "conversão": "Curva a cerviz"". "A Igreja tem de avançar face à História na mesma atitude com que vai ao encontro do dia de Jesus Cristo. Isto obriga-a a um grande esforço para consciencializar-se de si mesma e do mundo a que está enviada." Na linha do que disse A. Camus sobre o suicídio como "o único problema da filosofia", "nós, homens da Igreja, deveríamos sentir que o suicídio de uma pessoa bem dotada é o "único" problema da teologia"."Dificilmente haverá outra pastoral mais necessária e ao mesmo tempo mais difícil" do que esta: a "pastoral da inteligência". "A democracia, que se baseia na liberdade e deve procurar mais liberdade, também não é graça que se receba passivamente nem virtude que seja oferecida de fora: virtude, sim, mas virtude a conquistar-se e dom a merecer-se." "Deus é o futuro absoluto do Homem". "Os cristãos são frequentemente acusados de serem homens do ressentimento, presos ao passado, incapazes dum "grande desejo". É no sentido contrário que está a verdade e vivência do cristianismo." "Apóstolos, sim, mas antes discípulos: apostolado, sim, mas antes discipulado." "É necessário criar um certo conceito de obscenidade neste mundo da comunicação e dos mass media, mundo que está feito "a nossa aldeia", mas para a qual não há as disciplinas morais, culturais e sociais ou de vizinhança que outrora às aldeias se davam."
    Ousou entrar em questões melindrosas. Exemplos: dever-se-á reflectir sobre a confissão auricular - "Santo Agostinho nunca se confessou" - bem como repensar o processo de canonização dos santos; a reforma urgente da Cúria "será baldada se não incluir o desaparecimento da função cardinalícia"; o que se passou no caso do novo Estatuto do Opus Dei foi "um dos factos mais graves da História da Igreja" e dos mais infelizes.
    As Cartas ao Papa não receberam resposta. D. António Ferreira Gomes morreu a 13 de Abril de 1989. A rezar o Pai-Nosso.

sábado, maio 24, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 23, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 22, 2014

Boa noite, gente.

O acusado.

Maria,
A queixa, entre o cansaço e o riso – “és um velho”. E eu invocava o BI para concordar sem me pôr em causa, tu enterravas mais fundo a adaga – “sempre foste”. Acusação à míngua de rigor científico, embora pobre existiu vida antes de ti. Que uma vez por outra despertava a tua irritação, o meu silêncio nada tinha de saudoso, pedia segurança ao ciúme que fantasiava (?), “se o passado a assombra, o amor de agora é de carne e osso”. Nada o garante, mas um tipo agarra-se a tudo quando receia perder quase nada na multidão que nos oprime, uma pessoa que planta uma clareira solar à nossa volta.
Era a rotina a escandalizar-te. E no entanto, desta vez comecei bem, sabes? Na portagem o homem escancarou sorriso e disse-me que um dia enviara graça para O Amor é..., eu tinha-a papagueado e depois agradecido, somos “amigos” no Facebook. Apeteceu-me provocar um engarrafamento, sair do carro, dar dois dedos longos de conversa e em número pífio de ilusionismo fazer desaparecer as aspas, tornadas inúteis por bitoque, imperial, bica e arroz doce, mas que língua falam os lisboetas, meu Deus?
Foi sol de pouca dura em fim de tarde que não lhe pôs a vista em cima. O hotel, o carro nas mãos de quem mo acolhe há anos e anos, a reprimenda carinhosa na recepção – “pensei que estava zangado connosco!”. O quarto. Uma última vista de olhos pela comunicação de amanhã, a gentileza do “meu menino” anfitrião – “precisa de alguma coisa?”. (Tu sugeririas dose dupla de genica...). Eu quase me senti orgulhoso por não chamar o room service, sabia a resposta – “o costume, doutor?”. Que desconfio semelhante no restaurante ao lado, como as mesmas coisas nos mesmos sítios, tu respeitavas a fidelidade às gentes, mas pedias uma réstia de coragem face à lista. Em honra da tua sombra comi frango e não bife no hotel mas não no quarto – vinte e três andares de distância, querida! -, juro que vi um suspiro desalentado espreitar nos olhos do chefe, não admira, tu divertes-te a habitar os ecrãs que me rodeiam, no filme de terror que é o teu vazio.
O puto que me serviu era gentil, protegeu-me da corrente de ar, aproveitei para falar do internamento do McCartney no Japão e ele foi peremptório – “não são do meu tempo, mas adoro a música deles”. Imaginas o que se seguiu – ele aguentou, estóico, o meu desfiar de recordações longínquas e medos actuais, não estou pronto para chorar outro Beatle. Muito menos sem o teu colo a olhos de semear, envelhecer é navegar entre lutos reais e temidos, até que outros sejam obrigados a lidar com o nosso, quantas vezes me pergunto se já aliviaste o teu...
Descansa em paz, querida.

Revi Hannah Arendt, que psi desconhece a banalidade do mal, que preferimos pensar monopólio do Outro? Canal vizinho - Notting Hill! Pela enésima vez cá em casa... E a nostalgia do happy end que nos consola e fere na vida real, de também nós acabarmos sentados num qualquer relvado inglês. Em paz...

quarta-feira, maio 21, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, maio 20, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, maio 19, 2014

Boa noite, gente.

sábado, maio 17, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 16, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 15, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, maio 14, 2014

Para quem ficou triste:).

terça-feira, maio 13, 2014

Boa noite, gente.

O título é da Bea - Cifrado:).

Maria,
Passos calçados por eco dos teus. De orelha a orelha sorriso incrédulo – pois também entram na dança as meninas dos meus olhos? Tacões, altos e negros, rendo-me alucinado, eis a recompensa, nasce vestido menineiro, com decote adolescente mas botões adultos, que me cravam a pergunta escandalizada – “Júlio, onde e por que param os teus dedos?”. Gaivotas em terra, querida, sem teu corpo não se fazem ao mar...
E abraçadas choram as três meninas, viúvas de corpos exaustos, em que a ternura, de tão viva, anunciava já a ressurreição do desejo.
Cai a tarde à beira-rio.

Boa noite, gente.

domingo, maio 11, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 09, 2014

Flash back.

Flash back.

Hoje foi um dia bom. As minhas colegas Lurdes Couto, Isabel Sousa e - ups! - mil desculpas , convidaram-me e ao Pedro Vendeira para um workshop sobre Sexualidade, inserido no Sexto Encontro das USF. Como bónus levei o meu herdeiro profissional e filho de afecto, Pedro Fernandes. Elas fizeram um óptimo trabalho e nós ajudámos no que pudemos, o que já me poria a abanar a cauda. Mas acontece que havia tantos candidatos de última hora como inscritos e tiveram a gentileza de me pedir opinião. Senti-me trinta anos atrás no ICBAS e respondi - "quem não se importar de ficar de pé ou sentado no chão, que entre". E assim aconteceu! Momentos destes fazem-nos acreditar que uma vida inteira valeu a pena. Cereja em cima do bolo - alguns deles tinham sido meus alunos e recordaram-mo, sem amuar com a minha falta de memória .
Hoje foi um dia bom. Obrigado.

quarta-feira, maio 07, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, maio 06, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, maio 05, 2014

Boa noite, gente.

Gosto muito de ler este homem.

Canonizações e seus perigos
por ANSELMO BORGES
No passado domingo, Roma concentrou mais de um milhão de pessoas, vindas de todo o mundo para a canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, duas figuras que marcaram de modo decisivo a Igreja católica e o mundo no século XX, como tentarei mostrar no próximo sábado. Hoje, quereria tão-só reflectir sobre os perigos das canonizações.
É normal que em todas as instituições e sociedades se lembre e honre figuras que se destacaram. Assim, também na Igreja, desde o início, se venerou a memória dos mártires, que deram a vida por Cristo, e, depois, dos "confessores", cristãos exemplares. Também por causa dos abusos - durante quase todo o primeiro milénio do cristianismo, foi a comunidade crente a tomar a decisão de declarar quem era santo -, o papa Urbano VIII, em 1634, reservou a canonização dos santos ao bispo de Roma, sem que isso tenha significado o fim dos abusos. Em 1983, João Paulo II reforçou este centralismo papal, determinando que é "unicamente ao Sumo Pontífice que compete o direito de decretar" se o servo de Deus em causa merece ou não ser proposto como exemplo e modelo para "a devoção e imitação dos fiéis".
O teólogo J. M. Castillo, que escreveu uma história da canonização, faz notar que, nos santos que canoniza ou não, o poder papal acaba por pôr em evidência o modelo de Igreja que quer impor. Por exemplo, quando Eugénio III canonizou, em 1146, o imperador Eugénio II da Baviera, o que estava sobretudo em causa era "propor um modelo de governante político, piedoso e submisso à Santa Sé". Como consequência das Cruzadas, mudou o ideal de santidade, a ponto de uma pintura do Fim do Mundo retratar Cristo como soldado a cavalo. Outro exemplo eloquente é o papa Gregório VII, que morreu em 1085, sendo canonizado em 1728. Foi ele que operou a chamada "reforma gregoriana", que impôs o celibato obrigatório e centralizou o poder da Igreja no papa, de tal modo que o teólogo cardeal Y. Congar pôde escrever que, desde então, "obedecer a Deus significa obedecer à Igreja e isto, por sua vez, significa obedecer ao papa e vice-versa". Em pleno século do Iluminismo, era preciso exaltar o papado, recuperando a memória de um papa que já poucos podiam recordar.
Foi por Celso Alcaina que soube do número de pessoas envolvidas numa canonização: uns 24 funcionários permanentes na Congregação para as Causas dos Santos, 14 advogados de defesa, 2 promotores da fé, 20 cardeais, 10 relatores, 228 postuladores adscritos, 70 consultores, muitos peritos em diferentes assuntos, vários notários. Pode-se, pois, imaginar as somas de dinheiro que esta parafernália burocrática custa, percebendo-se os perigos de discriminação em que ficam homens e mulheres verdadeiramente santos, pois levaram uma vida heróica, no cumprimento do dever e na entrega aos outros, mas que não têm suporte financeiro, publicitário, político. Pergunto sempre: porque é que não se canoniza o Padre Américo e tantos casais exemplares?
Castillo: Num dos estudos mais fiáveis que se fizeram mostra-se que "de 1938 casos examinados de santos canonizados, 78% pertenceram à classe alta, 17% à classe média e só 5% à classe baixa".
E lá está a magnificência de uma canonização, que pode ferir a simplicidade do Evangelho. Quando se trata de canonizar papas, sobrevém o perigo da endogamia e da canonização do poder.
E tem de haver o "milagre" exigido como comprovativo de santidade. Isso é magia. E pensar que Deus interrompe ou suspende as leis da natureza supõe que Ele está fora do mundo e que, de vez em quando, vem dentro e vem para uns e não vem para outros. Ora, Deus não está fora mas dentro, como fundamento do milagre da existência de tudo. Precisamente porque tudo é milagre - o milagre de existir - não há "milagres".
Também nisto, estou com a minha irmã, que diz: "Eu ligo pouco a estas coisas. Eu sou como o nosso pai que só rezava ao Nosso Senhor".


domingo, maio 04, 2014

sábado, maio 03, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 02, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

A pedido da Andorinha:).

A pedido da Andorinha:).

quarta-feira, abril 30, 2014

Irmão Sol, por favor...

terça-feira, abril 29, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, abril 28, 2014

Boa noite, gente.

domingo, abril 27, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, abril 25, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, abril 23, 2014

Boa noite, gente.

Edital.

Gente,

Tenho um neto de treze anos. Nada mau, para um Avô hipocondríaco de nascença:).

terça-feira, abril 22, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, abril 21, 2014

Boa noite, gente.

domingo, abril 20, 2014

Boa noite, gente.

sábado, abril 19, 2014

Boa noite, gente. E boa manhã, tarde e noite de Domingo:).

Realmente é. Um dia bom, gente.

Dia da Criação

Vinicius de Moraes

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há um tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado.
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

Boa noite, gente.

quinta-feira, abril 17, 2014

Boa noite, gente.

Páscoa blues:).

quarta-feira, abril 16, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, abril 15, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, abril 14, 2014

Boa noite, gente.

domingo, abril 13, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, abril 11, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, abril 10, 2014

Plácido Domingo - Ave Maria - By: Schubert

Plácido Domingo - Ave Maria - By: Schubert

Boa noite, gente.

Luciano Pavarotti -Ave Maria-de Schubert

quarta-feira, abril 09, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, abril 08, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, abril 07, 2014

A velha dama risonha fez das suas :(.

Maria,
Morreu no asfalto o garoto do sorriso largo da RibeiroL. Se não falasse, a rotina seguiria trâmites de anos, as raparigas já não perguntam o que desejo, conhecem-me os rituais, elas embrulham enquanto eu pago, chego ao covil num par de minutos. Mas  eu falei; preso de esperança supersticiosa, ouvira de raspão e talvez mal, quem falara podia ter-se enganado, “disseram-me que...”. Só mesmo venda psicológica justificava a pergunta, as olheiras delas não enganavam - atendiam os vivos com gentileza, mas os corações uniam-se em abraço ao colega desaparecido.

Sabes como gostava dele. Destilava talento precioso na sua profissão – gerir de igual para igual a relação com os clientes – pelo menos comigo! -, sem por um momento parecer arrogante ou metediço. E os olhos riam antes da boca, faziam bem,  tinha um belo sentido de humor, eu saía do Inverno sinistro que tivemos ao entrar naquela porta, “olá doutor...”. Confesso-te o egoísmo – não me limito a lamentar-lhe a morte; vou sentir a falta daquela estuante juventude que ressuscitava fímbrias da minha.

domingo, abril 06, 2014

sábado, abril 05, 2014

Boa noite, gente.

A pedido de um grande amigo.

quinta-feira, abril 03, 2014

Boa noite, gente.

Directamente dos Montes Hermínios...

Falhar o alvo

por VIRIATO SOROMENHO MARQUESHoje
DN.
Quem manipula venenos deve ter cuidado para não se contaminar. O presidente da CE resolveu levantar, por sua iniciativa, e sem ter sido interrogado sobre isso por quem o entrevistava, uma suspeita sobre o vice-governador do BCE, Vítor Constâncio, a propósito do caso do BPN. Trata-se de uma polémica que falha o alvo. Parte do princípio de que se Vítor Constâncio tivesse sido mais atento, enquanto governador do BdP, casos como o BPN e o BPP poderiam ter sido evitados. Independentemente das omissões pessoais que possam ter ocorrido, o problema não é de supervisão, mas de estrutura. A crise europeia começou no sector financeiro precisamente porque as regras da UEM, que nada devem à inteligência, partiram do preconceito ideológico de que só os Estados poderiam portar-se mal dentro da zona euro. As regras do euro apenas obrigam os Estados, em relação à dívida, ao défice e à inflação. Os bancos (e os banqueiros como Costa e Rendeiro) foram deixados na mais branda das impunidades. Por isso, nenhum país foi poupado a bancos falidos e descapitalizados. A Irlanda foi defenestrada pelos seus bancos. Até setembro de 2012, os Estados da UE tinham utilizado dez vezes mais dinheiro público (cito a CE) para salvar o sistema financeiro do que a soma dos resgates de países. A união bancária? Trancas na porta, depois de casa arrombada! Constâncio e Barroso têm uma responsabilidade política idêntica: não só foram adeptos entusiastas da entrada de Portugal na UEM, como, depois de esta se ter revelado uma máquina de destruição maciça, continuaram em cargos europeus decisivos, sem que se conheça nenhuma autocrítica, e ainda menos uma verdadeira ideia de reforma. Querer fazer de Constâncio um bode expiatório pessoal, contudo, mostra que Barroso continua a fazer parte do problema nacional. Não da solução.

quarta-feira, abril 02, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, abril 01, 2014

Boa noite, gente.