quarta-feira, julho 30, 2014

God forbid.

Maria,
Vestir essa nudez que alimenta as fantasias de mirones de talho, pendurados em esquinas sujas por eles. Devagar; peça a peça. Oferecer-me o capricho de  pedir meias tão apaixonadas pelas tuas coxas que nelas se detenham, rendadas e rendidas, seria um crime de lesa-desejo cobrir as longas pernas que apontas ao céu, uma de cada vez, alisando o negro que lhes assenta como uma luva e desafia as minhas mãos. Como a tua voz, em aliança irónica e esquiva com os olhos, “que sapatos?” Também negros, sabes a resposta, mas gostas de ma escutar, enrouquecido. A lingerie e mais um toque de risonha crueldade, “ajudas-me?”. E eu faço-o, os dedos debatem-se com o fecho, o mesmo não acontece ao teu pescoço com os meus lábios, aceita-lhes o beijo leve com a naturalidade do senhor feudal que estende o anel ao  vassalo, a imagem, de tão espontânea e imediata, não pode ser casual. O vestido mini-neiro, mais adulto a cada passo pelo corredor, com um gesto rápido o cabelo cobre-te o rosto e volta a escorrer pelas costas que me viram as costas, eis-nos face a face e junto à porta, “escolhes tu o restaurante”, a tua mão entreabre e a minha fecha, “posso escolher a mesa?”.
E sobre ela nos perdermos tão longamente que a noite acabe em assalto ao frigorífico, roupas espalhadas pelo chão e adormecer exausto, mas tranquilo. Não porque tudo está bem quando acaba bem, o sono entrelaçado não é o fim de nada, apenas o tempo que nos separa do abraço matinal. Mas por ambos sabermos que, em ocasiões como esta, raios de luz no cinzento do quotidiano, jamais te ocorrerá dizer “por que me deixaste vestir?”, seria o fim do erotismo e o começo do sexo melancólico e suicidário.

God forbid, Mary.  

terça-feira, julho 29, 2014

Pois...

Construtores do caos
por VIRIATO SOROMENHO MARQUESHoje

DN.

O caso GES-BES tem suscitado uma pergunta simples: como foi possível que gravíssimas práticas fraudulentas tivessem escapado durante anos à vigilância das autoridades de regulação, incluindo à vigilância da troika sobre o setor bancário? A resposta é tão dura quanto simples: nos últimos 30 anos muitos governos (de direita e de esquerda) foram responsáveis pela criação dos alçapões e das opacidades que transformaram o sistema financeiro europeu (e mundial) num campo minado onde aventureiros põem em perigo a segurança de milhões de pessoas. Em 1933, em plena Grande Depressão, o Congresso dos EUA produziu uma lei (Glass-Steagall Act) que restaurou a confiança no sistema financeiro: separou e protegeu os bancos comerciais, face aos bancos de investimento. Por outras palavras: os bancos que recebiam as poupanças dos depositantes e que emprestavam às empresas na economia real não podiam fazer operações especulativas com produtos financeiros. Durante décadas essa higiénica distância permitiu prosperidade económica, a par de visibilidade e eficácia no trabalho dos reguladores. Contudo, o lóbi financista, embalado pelo mantra do neoliberalismo, não descansou enquanto não meteu no bolso os governos e os parlamentos necessários para misturar tudo de novo. Em 1999, o Congresso americano revogou a lei de 1933, regressando à promiscuidade especulativa. Por todo o lado, incluindo a UE, as leis "liberalizaram-se", no sentido de criar obscuridade, onde antes havia transparência. Criaram-se condições para mascarar a exposição da poupança das famílias, no labirinto arriscado das ações, das obrigações e de uma miríade de derivados toxicamente imaginativos. Os políticos que se queixam dos banqueiros deveriam ter vergonha. O caos habita nas leis que eles próprios assinaram. Seria interessante saber como e porquê...

sábado, julho 26, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, julho 25, 2014

Forças de bloqueio e vistas curtas, seguramente.

A Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento anunciou nesta sexta-feira a suspensão das funções de observadora consultiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sequência da adesão da Guiné Equatorial.
Em carta dirigida ao secretário executivo da CPLP, com conhecimento do secretário de Estado da Cooperação, dos embaixadores dos Estados-membros da CPLP e dos restantes observadores consultivos, a Plataforma comunica ainda que, na próxima assembleia-geral, "será levada a votação a proposta de exclusão definitiva como observadora consultiva" da organização lusófona.
"A CPLP não é – nem pode converter-se – num clube de negócios, em que os interesses estritamente económicos de uma elite se sobrepõem aos direitos humanos e à dignidade de muitos", considera a Plataforma, presidida por Pedro Krupenski e que integra várias organizações.
A Plataforma "lamenta profundamente a deliberação unânime sobre a adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito na CPLP", que, em seu entender, viola os estatutos da organização, regidos pelos princípios do primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social.
Ora, "os objectivos e princípios orientadores da CPLP são agora – na prática – outros, para os quais não estamos dispostos a contribuir", asseveram os signatários da carta.
Esses princípios "são outros" porque – enumeram – a Guiné Equatorial "mantém a pena de morte no seu ordenamento jurídico"; "executa arbitrariamente os seus cidadãos"; "tem um presidente que cumula o poder presidencial, o executivo, o judicial e o militar"; "encontra-se no topo da lista dos países mais corruptos do mundo, concentrando a riqueza nas suas mãos do presidente, da família e da elite que o rodeia"; e "não tem qualquer abertura à dissidência de opinião, à liberdade de manifestação e associação".
Ao mesmo tempo, e apesar de ser o "terceiro maior produtor de petróleo e o país com o maior PIB per capita do continente africano", a Guiné Equatorial permite que "cerca de 80 por cento da sua população viva abaixo da pobreza", denuncia a Plataforma.
Público.

quinta-feira, julho 24, 2014

Ou seja: esteve sempre em aberto a hipótese do pedido de adesão não ser aceite!... Deve ter sido por isso que a decisão foi tomada "por consenso". O desplante com que fazem de nós estúpidos:(.

Portugal "surpreendido" por "incidência protocolar"

por LUSA

O Presidente da República e o primeiro-ministro declararam quarta feira que foram "surpreendidos" pelo anúncio antecipado da adesão da Guiné Equatorial à CPLP e que desvalorizaram essa "incidência protocolar" em nome do sucesso da Cimeira.
O presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Odiang, foi chamado à mesa pelo protocolo timorense como membro de pleno direito da CPLP, antes da aprovação formal desta adesão, na abertura da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada quarta feira em Díli, Timor-Leste.
Questionado sobre este episódio, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou: "Fomos surpreendidos. Mas o que nós queríamos, acima de tudo, era ajudar Timor-Leste para que esta Cimeira fosse um sucesso, e Portugal deveria ter sempre em mente no seu comportamento e nas suas atitudes quão importante era o sucesso desta cimeira para Timor".
O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, subscreveu as palavras do Presidente da República, acrescentando: "Creio que não há nenhuma necessidade de estar a hipervalorizar um aspeto de incidência protocolar. Nós atribuímos importância às questões de natureza protocolar, evidentemente, mas, como o senhor Presidente aqui referiu, não quereríamos com certeza, do nosso lado, um outro incidente protocolar que criasse uma dificuldade grande a quem está a gerir os trabalhos e tem a presidência da Cimeira".
O chefe do executivo PSD/CDS-PP rejeitou, contudo, que a adesão da Guiné Equatorial à CPLP fosse um facto consumado no início da Cimeira de Díli: "Ficou muito claro, em todo o caso, que uma decisão só foi adotada após uma discussão importante que foi realizada entre os chefes de Estado e de Governo e que foi justamente motivada por uma intervenção do senhor Presidente da República Portuguesa".

quarta-feira, julho 23, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, julho 22, 2014

sábado, julho 19, 2014

Gosto muito de ler este homem...

Pedofilia: tolerância zero
por ANSELMO BORGES

DN.

O que tem acontecido na Igreja Católica quanto à pedofilia é inquietante, inadmissível. É verdade que a maioria dos abusos se dá na família no sentido alargado. Mesmo assim, o número de casos entre o clero "não tranquiliza de modo nenhum" o Papa Francisco, que disse na entrevista ao La Repubblica do passado Domingo que a pedofilia na Igreja se situa nos 2%: "É gravíssimo. Dois por cento de pedófilos são sacerdotes, incluindo bispos e cardeais", e ele compromete-se a agir "com severidade" contra esta "lepra". Tanto mais grave quanto está em causa a confiança que a sociedade, as famílias e as próprias crianças punham na Igreja e nos padres. Foi precisamente essa confiança que foi brutalmente atraiçoada. A Igreja já teve de pagar centenas e centenas de milhões de euros em indemnizações, não sendo de modo nenhum de supor ter sido essa a finalidade das doações dos fiéis. Sobretudo, são as feridas incuráveis que ficaram e que até, por vezes, levaram ao suicídio. E instalou-se a suspeita, porque os responsáveis da Igreja não agiram de modo adequado e a tempo, encobriram e só terão começado a tomar medidas sob a pressão da opinião pública mundial.
Sobretudo por causa da pedofilia e dos escândalos no seu banco, o Vaticano tinha-se tornado um lugar pouco recomendável e mal frequentado. Seguindo o antecessor, Bento XVI, que declarou tolerância zero para a pedofilia - desde então, o Vaticano afastou centenas de padres e alguns bispos -, Francisco está totalmente empenhado em mudar a situação.
No que à pedofilia se refere, não são possíveis palavras mais contundentes do que as utilizadas na semana passada, quando do encontro histórico no Vaticano com seis vítimas, hoje pessoas adultas, três homens e três mulheres, do Reino Unido, Alemanha e Irlanda, em representação de todas as outras. O papa emérito também já tinha recebido vítimas, mas, agora, foi no Vaticano. E houve mais duas novidades: Francisco agradeceu às vítimas "a valentia de exporem a verdade", porque "trouxe luz sobre uma terrível escuridão na vida da Igreja", e, por outro lado, pediu perdão pela "cumplicidade" da Igreja, isto é, pelo "pecado de omissão" cometido por alguns responsáveis da Igreja: "Exprimo a minha dor pelos pecados e crimes graves de abusos sexuais cometidos pelo clero contra vós e humildemente peço perdão", também "pelos pecados de omissão por parte de líderes da Igreja que não responderam adequadamente às denúncias de abuso apresentadas por famílias e por aqueles que foram vítimas do abuso." Essa atitude, que "não tem explicação", trouxe um "sofrimento adicional" a quem tinha sofrido abuso e "pôs em perigo outros menores que estavam em situação de risco".
Francisco mostrou-se implacável: "Não há lugar no ministério da Igreja para aqueles que cometem estes abusos", comprometendo-se "a não tolerar o dano infligido a um menor por parte de ninguém, independentemente do seu estado clerical". "Todos os bispos devem exercer os seus deveres de pastores com sumo cuidado para salvaguardar a protecção de menores e darão contas por esta responsabilidade", sublinhando que deverão continuar "vigilantes na preparação para o sacerdócio".
A Igreja "quer chorar" perante "os actos execráveis de abuso perpetrados contra menores", que "deixaram cicatrizes para toda a vida" e que comparou a "culto sacrílego" e "missas satânicas". Como sinal da seriedade da nova atitude, foi criada a Pontifícia Comissão para a Protecção de Menores, presidida pelo cardeal Sean O"Malley.
Termino, com três notas. Para chamar a atenção para a necessidade de salvaguardar os direitos de defesa dos acusados. Manifestar a esperança de que outros sigam o exemplo da Igreja, como espera Francisco, na entrevista ao Corriere della Sera: "A Igreja Católica foi a única instituição pública a reagir com transparência e responsabilidade. Ninguém fez mais. E ainda assim é a única a ser atacada." Embora se não possa estabelecer uma relação de causa-efeito entre celibato e pedofilia, enquanto se mantiver o celibato obrigatório, a Igreja estará sob o fogo da suspeita.

P.S. meu: O celibato nada tem a ver com a questão. Bom Sábado, gente.

quinta-feira, julho 17, 2014

A colega tem razão...

Capa do JN.

A grande maioria das crianças de quatro anos come doces diariamente e snacks salgados várias vezes por semana. Um estudo concluiu também que apenas 40% ingerem quantidades adequadas de frutas e hortícolas.

As conclusões sobre a alimentação das crianças com quatro anos fazem parte de uma investigação mais abrangente, designada Geração XXI, que está a estudar, desde o nascimento, em 2005, cerca de 8700 crianças, e as respetivas famílias, da região do Grande Porto.

O elevado consumo de alimentos fortemente açucarados - 65% comem bolos ou doces todos os dias - é uma das evidências mais preocupantes, segundo Carla Lopes, investigadora do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e uma das autoras do estudo. "O adequado seria que os doces fossem consumidos uma ou duas vezes por semana", sublinha a nutricionista.

Outro indicador da ingestão excessiva de açúcares é a frequência com que as crianças bebem refrigerantes e néctares: 52% fazem-no todos os dias. O ice tea é o mais popular porque há a ideia, falsa, sublinha Carla Lopes, de que é chá, quando na realidade é um refrigerante cheio de açúcar e de calorias vazias de valor nutricional.

Ler mais na versão e-paper ou na edição impressa

domingo, junho 29, 2014

...E ao descampado se chamava tempo...

Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo

Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'

Bom Domingo, gente.

sábado, junho 28, 2014

Boa noite, gente.

http://m.youtube.com/watch?v=qbT8Qs1_2Ek

quarta-feira, junho 25, 2014

segunda-feira, junho 23, 2014

Lá porque me deito cedo não sou menos tripeiro. Logo... voem os balões! Boa noite, gente.

A quadra.

Maria,
Beira-rio a conselho médico, trote arquejante, bancos olhados de esguelha - para não ceder à tentação, livro exilado em casa... -, navego entre doces, carrinhos de choque, matrecos e gentes que olham o céu com alívio, S. Pedro não prepara desfeita ao amigo João,  assim protegendo o negócio, “sardinha e broa, euro e meio”. Estivesses aqui e velha discussão nasceria da tua juventude, o meu horror a noitadas e multidões a empurrar-te para os festejos, “levas a chave, acordas-me à chegada e abusas de mim...”. O sobrolho franzido – “das três sugestões aceito duas. Quanto ao resto, prefiro adormecer contigo. Jantamos com a malta e vimos cedo, já te disse que o prazer das noitadas não depende do bilhete de identidade”. Ano após ano, o mesmo ritual: protesto meu, decisão tua, amor nosso.
Mas tu não estás. E assim ficou prejudicada a barraca dos doces, alguns com nomes açucarados que provocariam o teu azedume, falso como Judas, “pois não sabes que ando a tentar...?”. A tentar sim, querida, a conseguir talvez em Londres, que no Porto, viver-te era como trautear o Chico, jamais faltava açúcar e afecto J. Dei comigo a fazer alongamentos batoteiros ao pé dos manjericos, sem grande esperança passei os olhos pelas quadras, lembrei com um sorriso as do meu tempo, muitas não resistiam ao “repenica, repenica...”, o Santo fazia o resto como qualquer normal pecador e nós ríamos, imberbes. Menos fisiológicas as actuais, mas não demasiado inspiradas. Até que...
Chamei a senhora, perguntei o preço. O meu ouvido, cuja dureza já não se satisfaz com a música, a trair – “dois euros e meio?”. Eram doze... Queixei-me sem muita convicção, ela percebeu-o de imediato e iniciou um discurso pausado e didáctico sobre jarros de água, prato por baixo do vaso e longevidade, “dura-lhe até ao Natal!”. Que importa? Que importa se me trouxe a tua imagem a rodopiar, agarotada – “gostas?” -, eu transformado em público tão entusiasta como agradecido, a humidade portuense como álibi para voz rouca, “sim”.
Sim, querida, como resistir à quadra?:
“Quando as saias arregaça,
  Para bailar livremente,
  Maria, cheia de graça,
  Faz a desgraça da gente...”.
Marotos versos tripeiros, irmãos de fantasias minhas.

(Só não gostei muito do plural que “gente” abriga...).

domingo, junho 22, 2014

sábado, junho 21, 2014

Boa noite, gente.

A perder de vista ou de vida?

Maria,
A ternura grata devora os desejos. Sim, no plural. Porque um, descaradamente carnal, exige-te nos meus braços, surda para palavra que não a tua, sussurrada ao meu ouvido – a pedido... -, “vem”. O outro, politicamente correcto, talvez sentido um dia, mas jamais em noites próximas, “que sejas feliz”. Com paixão recuperada ou descoberta, pouco me importa ser substituído por passado refeito ou futuro incomparável, não te habitarei os sonhos acordados, ponto final. A ternura grata sobrevive. Porque o fim do amor sentido não lhe apaga a recordação, transforma-a em pano de fundo deste vazio a perder de vista...

sexta-feira, junho 20, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, junho 19, 2014

Nunca li nada assim sobre a saudade, que Deus o proteja...

Outro amigo íntimo que por acaso não me conhece:). Parabéns e obrigado, Chico.

Chico Buarque chega aos 70 anos

Cantor conserva brilhantismo de conciliar discrição com um olhar apurado e melódico sobre a história do país




Gabriel de Sá - Correio Braziliense



Quando fez 60 anos, Chico Buarque de Hollanda espalhou que comemoraria a data em Paris, onde tem apartamento. O violonista Guinga passeava pelo Alto Leblon, no Rio de Janeiro, próximo ao dia do aniversário do amigo, quando o viu se exercitando. “Uai, Chico, você não estava viajando?”, questionou. “Que viajando o quê”, gargalhou. O bom humor é traço marcante da personalidade de Chico, assim como a discrição. Criador de mais de 400 canções, é um dos principais expoentes da música popular brasileira. Nesta quinta, chega aos 70 anos e deve passar a data em Paris, onde anda de bicicleta e bate peladas com amigos. É possível que se dedique a escrever um romance — o quinto da carreira. “Ele é muito reservado”, conta o baterista Wilson das Neves, que o acompanha há mais de 30 anos. A reserva social, no entanto, se contrapõe à capacidade de examinar a sociedade e compor tipos capazes de traduzir momentos históricos do país. Ele ergueu um cancioneiro de 400 músicas, pelas quais têm ajudado a narrar importantes aspectos brasileiros. Selecionamos seis personagens para compreender os traços que fazem dele um dos compositores mais geniais de todos os tempos. Nesta quarta e quinta, o Viver conta um pouco da trajetória do artista.

Beatriz e a vida da atriz

“Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz”

A personagem não é unânime. Nem todos se seduziram por Beatriz. Chico demorou a concebê-la. Quando apareceu, em 1982, foi por solicitação. Edu Lobo pediu. Chico aceitou. Mas a recebeu sob outra graça: Agnes, equilibrista. Culpa do poeta Jorge de Lima que, em 1938, escreveu O grande circo místico. Quando o Balé Guaíra, do Paraná, pede montagem sob mesmo nome, Edu bebe na fonte de Jorge de Lima. Chico, leitor de Jorge, prefere outra: Dante Alighieri. Assim, Agnes se torna a Beatriz de Dante, aquela da Divina comédia. Tornaria-se a Beatriz de Chico, surrealista e gerada por impulso psíquico. Até Milton Nascimento tomá-la para si. Embora emprestada a vozes competentes, como Elba Ramalho e Carlos Navas, foi embalada na interpretação de Milton Nascimento no disco de 1983 (o antológico O grande circo místico, como o poema de Jorge de Lima). Ali, descansou.




O malandro e as minorias

“Mas o malandro para valer, não espalha
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal
Dizem as más línguas que ele até trabalha
Mora lá longe chacoalha, no trem da central”

Há uma figura constante no imaginário carioca, embora real. O cara das calçadas da Lapa, do barracão das escolas de samba. O que seduz as mulatas, com hálito de cachaça na nuca. Ar de vagabundo, inquieto. As pernas bambas, como de passista na avenida. Suor na testa secado pela toalha de bolso. Olhos marejados pelo samba-canção de Cartola. Respeitado nos morros, aconselha amigos e abraça mendigos. Bebe com as moças, fuma com os parceiros e reza no terreiro. Navalha no bolso, foto na coluna social e amizade na central. No dia, ninguém vê. À noite, impossível não perceber. Não se engane: todo carioca é brasileiro. E ele aparece no país inteiro. O desvalido. O perseguido. Preto, pobre, fedendo a Cashmere Bouquet e a conhaque. O malandro de Chico Buarque.




Pedro Pedreiro e a espera sem fim

“Pedro pedreiro tá esperando a morte
Ou esperando o dia de voltar pro Norte
Pedro não sabe mas talvez no fundo
Espere alguma coisa mais linda que o mundo”

Em 1965, quando Pedro Pedreiro nasceu, Maria Bethânia cantava a saga do carcará, em cima do palco. Pedro teria adorado assistir ao espetáculo Opinião. Quando Bethânia pede para o morro descer a ladeira, ele berraria da plateia: “Já estou aqui!”. Pedro é real. De carne e osso. De canela empoeirada, calça rasgada e sandália nos pés. Mãos calejadas e trocado no bolso. Com quantos Pedros cruzamos hoje? Trabalhador braçal, em pé no ônibus, mangas arregaçadas para pagar as contas. Faz tudo sempre igual. Ele não tem dinheiro para ir a Copacabana. Fica ali, na estação, correndo o risco de apanhar dos militares que tomaram o poder no ano anterior. Proletário não vai ao teatro. Não reclama. Ele segue ali, esperando o trem. Esperando… Esperando… “Amanhã vai ser outro dia”, pensa Pedro. E algo lhe diz que o trem, alguma hora, vai passar!




Angélica e a ditadura militar

“Quem é essa mulher
Que canta sempre
o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar
meu anjo
E deixar seu corpo descansar”

A mãe que busca pelo rebento desaparecido é o tema da melancólica letra de Chico, escrita sobre a melodia de Miltinho, do MPB4. Angélica é a estilista Zuzu Angel, cujo filho, o militante político Stuart, foi preso, torturado e morto pela ditadura militar nos anos 1970. A luta de Zuzu para encontrá-lo tornou-se internacionalmente conhecida. Ela morreu em 1976, um ano após Chico homenageá-la com a canção. Para melhor compreender a ditadura brasileira sob a ótica cultural, Chico é essencial. As metáforas criadas por ele em canções como Cálice e Apesar de você cutucaram o regime com vara curta e ajudaram a dar voz à população reprimida. Ele foi censurado, criou pseudônimo e se autoexilou na Itália.




Maldita Geni


“De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais
do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem
mais nada”

No musical Ópera do malandro, de 1978, Geni aparece como travesti prostituído e marginalizado de uma pequena cidade. A “rainha dos detentos” e dos “moleques do internato” é aquela que “dá pra qualquer um”, e por isso “é boa de cuspir” e deve ser apedrejada, segundo a letra. A personagem é redimida quando se deita com homem que surge em um Zepelim e, prestes a exterminar a cidade, se apaixona por ela. A saga de Geni registra o talento de Chico para histórias, e traz à tona homossexualidade e prostituição. A partir de uma heroína errada, “tão coitada e tão singela”, o compositor suscita discussões sobre preconceito, gênero, poder e falso moralismo. Geni está entre nós.




A Rita, os 20 anos e o coração

“A Rita matou nosso amor de vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos”

As mulheres são um capítulo extenso no cancioneiro de Chico. Da submissa de Com açúcar, com afeto à batalhadora de A violeira, o compositor versa com maestria sobre o universo feminino, revelando nuances menosprezadas por homens menos sensíveis. Rita é uma mulher forte, decidida. Ao sair de casa, deixa o amante devastado e carrega sentimentos e objetos que contam a história dos dois. A Rita é uma das canções mais conhecidas do cantor. Um dos itens carregados por Rita é “um bom disco de Noel (Rosa)”. A referência ao compositor carioca do início do século 20 evidencia a admiração de Chico pelo artista. Os dois, volta e meia, são comparados, pelo caráter cronista de suas obras. Rita “deixa mudo” o violão do artista. Seria uma forma de Chico dizer que, sem a mulher, a inspiração vai embora?




quarta-feira, junho 18, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, junho 17, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, junho 16, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 15, 2014

Lembram-se disto?:).

sábado, junho 14, 2014

Boa noite, gente.

... há muitos, muitos anos.

Maria,
Frase de amigo em sonho cruel, "ela já tinha ido embora antes de partir". Aurora sem sol ou paz, mas com memória. O corpo entregue sem desejo; a voz fervente mas sem calor; a sms que chegou mas separava; o mail que me impunha o adeus à boleia de versos que te ensinei.
Sinais claros para o meu nevoeiro teimoso; indícios tentadores para a sua lucidez; sinos que dobravam por nós, assim o adivinhasse eu quando li Hemingway...

sexta-feira, junho 13, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, junho 12, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, junho 10, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, junho 09, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 08, 2014

sábado, junho 07, 2014

Esta é só para mim:).

Boa noite, gente.

sexta-feira, junho 06, 2014

Com a patroa Inês Menezes.


Boa noite, gente.

quinta-feira, junho 05, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, junho 04, 2014

...

Maria,
Jantei com amigo nosso, de origem teu, partidário de nenhum, antes houvesse campo de batalha a separar-nos e não canal manchado, qualquer fímbria de nortada seria suficiente para trazer voo de gaivota, lençol a corar sem vergonha, palidez medrosa de meu ou teu vilão ou nobre, papel de carta virgem desta pena exausta por não se cansar de te pedir o regresso a capella; um branco dos mil possíveis. E eu declará-lo-ia indiscutível pedido de tréguas e nelas mergulharia com a esperança de serem a antecâmara dos teus braços...
“Ela já tinha ido embora antes de partir”, disse ele. E todo o jantar se tornou em moldura de frase que colocava outras na mesa, indiferentes a baixela não de prata  que pesava como chumbo e garfadas impotentes perante o nó de marinheiro em terra seca e bordejando as lágrimas que me estrangulava a partir de dentro e resistiu com galhardia a vinho bebido sem gozo por medicinal, trouxe o nevoeiro à alma mas não a paz ao corpo inteiro.
As nossas frases. Sibilinas, para não lhes colar adjectivo que rimaria e arrepia – será que nos desejámos de tantos modos que só restava erotizar a separação?  Silêncios nostálgicos de outros, cúmplices. Garras de fora nascidas de unhas que se cravavam nos corpos, “vem”.

Ele tem razão - separámo-nos juntos. E tu fugiste para não dizer adeus. Ou disseste-Lhe? Não acredito, afinal fomos...

terça-feira, junho 03, 2014

segunda-feira, junho 02, 2014

Boa noite, gente.

domingo, junho 01, 2014

Boa noite, gente.

sábado, maio 31, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 30, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 29, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, maio 28, 2014

O pai pensará o mesmo?:).

João Soares acusa António Costa de "crise de egocentrismo" Ex-presidente da autarquia disse não lhe apetecer votar todos os anos a mesma questão. Hoje, 11h45 Correio da Manhã.

   O deputado socialista João Soares acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, de estar a sofrer uma "crise de egocentrismo" ao persistir no "disparate completo" de disputar a liderança do PS. Em declarações à agência Lusa, o dirigente socialista disse não aceitar que a história de há um ano se repita, lembrando a "tragicomédia que terminou de forma absolutamente pífia", com o recuo do presidente da Câmara de Lisboa e a confirmação de António José Seguro na liderança do PS. "Há menos de um ano tivemos um número parecido com este, uma tragicomédia que terminou de forma absolutamente pífia. As pessoas é que não têm memória na nossa terra. António Costa fez exatamente o mesmo número e, depois, chegou à comissão politica e disse que não era candidato", recordou. O ex-presidente da autarquia disse não lhe apetecer votar todos os anos a mesma questão, lembrando que o Congresso Extraordinário do PS legitimou Seguro com uma vitória e não uma derrota.

segunda-feira, maio 26, 2014

Boa noite, gente.

domingo, maio 25, 2014

Que vêm fazendo os responsáveis políticos europeus para que tanto desiludido em França vote num partido cujo patriarca espera - ou deseja? - que a imigração seja travada pelo vírus Ébola?

Sem resposta...

  1. "Ah, o famoso bispo do Porto!"
    por ANSELMO BORGES

    JN.
    Foi com esta exclamação que João Paulo II, na sua visita ao Porto, se dirigiu a D. António Ferreira Gomes, quando ele, já bispo resignatário, apresentou os seus cumprimentos de despedida.
    Morreu há 25 anos. Lembrando a data, o que aí fica quer ser tão-só uma homenagem ao homem e ao bispo, cujo lema era "de joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens" e que, em todas as circunstâncias, foi o exemplo superior do que chamo a voz político-moral da Igreja.
    Já na famosa Carta a Salazar, que pagou com um exílio de dez anos, exigia a liberdade de pluralismo partidário e sindical e de greve. E lembrava "dois problemas fundamentais" em ordem à paz: 1. "Os frutos do trabalho comum devem ser divididos com equidade e justiça social entre os membros da comunidade"; 2. Os indivíduos e as classes "nunca estarão satisfeitos enquanto não experimentarem que são colaboradores efectivos, que têm a sua justa quota-parte na condução da vida colectiva, isto é, que são sujeito e não objecto da vida económica, social e política." O equilíbrio financeiro "é óptimo", mas "nunca deve deixar de estar ao serviço do Homem".
    Preocupava-o a religião das promessas, a religião utilitária, como testemunhou num diálogo, a meu convite, com Óscar Lopes, reconhecendo que "a religião pode realmente ser ópio do povo", pois, "muitas vezes para o povo a religião no geral não significa nada de transcendente." Ora, "o limiar diferencial da religião cristã começa quando alguém se debruça sobre o outro, quando alguém se volta para o que o transcende, seja o outro neste mundo, seja Deus enquanto o Outro absoluto, sabendo que a relação com o Outro absoluto é exactamente também a relação com o irmão". Por isso, "nenhum homem responsável da Igreja poderá dizer que não quer saber de política ou que nada percebe de política".
    Após a resignação, foi viver para Ermesinde, onde escreveu as célebres Cartas ao Papa João Paulo II, nas quais aprofunda alguns dos seus pensamentos sobre a sociedade e a Igreja.
    Ficam aí alguns extractos. "O Homem não tem liberdade, pois ele é uma liberdade." Por isso, "é bem tempo de acabar com a velha fórmula de "conversão": "Curva a cerviz"". "A Igreja tem de avançar face à História na mesma atitude com que vai ao encontro do dia de Jesus Cristo. Isto obriga-a a um grande esforço para consciencializar-se de si mesma e do mundo a que está enviada." Na linha do que disse A. Camus sobre o suicídio como "o único problema da filosofia", "nós, homens da Igreja, deveríamos sentir que o suicídio de uma pessoa bem dotada é o "único" problema da teologia"."Dificilmente haverá outra pastoral mais necessária e ao mesmo tempo mais difícil" do que esta: a "pastoral da inteligência". "A democracia, que se baseia na liberdade e deve procurar mais liberdade, também não é graça que se receba passivamente nem virtude que seja oferecida de fora: virtude, sim, mas virtude a conquistar-se e dom a merecer-se." "Deus é o futuro absoluto do Homem". "Os cristãos são frequentemente acusados de serem homens do ressentimento, presos ao passado, incapazes dum "grande desejo". É no sentido contrário que está a verdade e vivência do cristianismo." "Apóstolos, sim, mas antes discípulos: apostolado, sim, mas antes discipulado." "É necessário criar um certo conceito de obscenidade neste mundo da comunicação e dos mass media, mundo que está feito "a nossa aldeia", mas para a qual não há as disciplinas morais, culturais e sociais ou de vizinhança que outrora às aldeias se davam."
    Ousou entrar em questões melindrosas. Exemplos: dever-se-á reflectir sobre a confissão auricular - "Santo Agostinho nunca se confessou" - bem como repensar o processo de canonização dos santos; a reforma urgente da Cúria "será baldada se não incluir o desaparecimento da função cardinalícia"; o que se passou no caso do novo Estatuto do Opus Dei foi "um dos factos mais graves da História da Igreja" e dos mais infelizes.
    As Cartas ao Papa não receberam resposta. D. António Ferreira Gomes morreu a 13 de Abril de 1989. A rezar o Pai-Nosso.

sábado, maio 24, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 23, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 22, 2014

Boa noite, gente.

O acusado.

Maria,
A queixa, entre o cansaço e o riso – “és um velho”. E eu invocava o BI para concordar sem me pôr em causa, tu enterravas mais fundo a adaga – “sempre foste”. Acusação à míngua de rigor científico, embora pobre existiu vida antes de ti. Que uma vez por outra despertava a tua irritação, o meu silêncio nada tinha de saudoso, pedia segurança ao ciúme que fantasiava (?), “se o passado a assombra, o amor de agora é de carne e osso”. Nada o garante, mas um tipo agarra-se a tudo quando receia perder quase nada na multidão que nos oprime, uma pessoa que planta uma clareira solar à nossa volta.
Era a rotina a escandalizar-te. E no entanto, desta vez comecei bem, sabes? Na portagem o homem escancarou sorriso e disse-me que um dia enviara graça para O Amor é..., eu tinha-a papagueado e depois agradecido, somos “amigos” no Facebook. Apeteceu-me provocar um engarrafamento, sair do carro, dar dois dedos longos de conversa e em número pífio de ilusionismo fazer desaparecer as aspas, tornadas inúteis por bitoque, imperial, bica e arroz doce, mas que língua falam os lisboetas, meu Deus?
Foi sol de pouca dura em fim de tarde que não lhe pôs a vista em cima. O hotel, o carro nas mãos de quem mo acolhe há anos e anos, a reprimenda carinhosa na recepção – “pensei que estava zangado connosco!”. O quarto. Uma última vista de olhos pela comunicação de amanhã, a gentileza do “meu menino” anfitrião – “precisa de alguma coisa?”. (Tu sugeririas dose dupla de genica...). Eu quase me senti orgulhoso por não chamar o room service, sabia a resposta – “o costume, doutor?”. Que desconfio semelhante no restaurante ao lado, como as mesmas coisas nos mesmos sítios, tu respeitavas a fidelidade às gentes, mas pedias uma réstia de coragem face à lista. Em honra da tua sombra comi frango e não bife no hotel mas não no quarto – vinte e três andares de distância, querida! -, juro que vi um suspiro desalentado espreitar nos olhos do chefe, não admira, tu divertes-te a habitar os ecrãs que me rodeiam, no filme de terror que é o teu vazio.
O puto que me serviu era gentil, protegeu-me da corrente de ar, aproveitei para falar do internamento do McCartney no Japão e ele foi peremptório – “não são do meu tempo, mas adoro a música deles”. Imaginas o que se seguiu – ele aguentou, estóico, o meu desfiar de recordações longínquas e medos actuais, não estou pronto para chorar outro Beatle. Muito menos sem o teu colo a olhos de semear, envelhecer é navegar entre lutos reais e temidos, até que outros sejam obrigados a lidar com o nosso, quantas vezes me pergunto se já aliviaste o teu...
Descansa em paz, querida.

Revi Hannah Arendt, que psi desconhece a banalidade do mal, que preferimos pensar monopólio do Outro? Canal vizinho - Notting Hill! Pela enésima vez cá em casa... E a nostalgia do happy end que nos consola e fere na vida real, de também nós acabarmos sentados num qualquer relvado inglês. Em paz...

quarta-feira, maio 21, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, maio 20, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, maio 19, 2014

Boa noite, gente.

sábado, maio 17, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 16, 2014

Boa noite, gente.

quinta-feira, maio 15, 2014

Boa noite, gente.

quarta-feira, maio 14, 2014

Para quem ficou triste:).

terça-feira, maio 13, 2014

Boa noite, gente.

O título é da Bea - Cifrado:).

Maria,
Passos calçados por eco dos teus. De orelha a orelha sorriso incrédulo – pois também entram na dança as meninas dos meus olhos? Tacões, altos e negros, rendo-me alucinado, eis a recompensa, nasce vestido menineiro, com decote adolescente mas botões adultos, que me cravam a pergunta escandalizada – “Júlio, onde e por que param os teus dedos?”. Gaivotas em terra, querida, sem teu corpo não se fazem ao mar...
E abraçadas choram as três meninas, viúvas de corpos exaustos, em que a ternura, de tão viva, anunciava já a ressurreição do desejo.
Cai a tarde à beira-rio.

Boa noite, gente.

domingo, maio 11, 2014

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 09, 2014

Flash back.

Flash back.

Hoje foi um dia bom. As minhas colegas Lurdes Couto, Isabel Sousa e - ups! - mil desculpas , convidaram-me e ao Pedro Vendeira para um workshop sobre Sexualidade, inserido no Sexto Encontro das USF. Como bónus levei o meu herdeiro profissional e filho de afecto, Pedro Fernandes. Elas fizeram um óptimo trabalho e nós ajudámos no que pudemos, o que já me poria a abanar a cauda. Mas acontece que havia tantos candidatos de última hora como inscritos e tiveram a gentileza de me pedir opinião. Senti-me trinta anos atrás no ICBAS e respondi - "quem não se importar de ficar de pé ou sentado no chão, que entre". E assim aconteceu! Momentos destes fazem-nos acreditar que uma vida inteira valeu a pena. Cereja em cima do bolo - alguns deles tinham sido meus alunos e recordaram-mo, sem amuar com a minha falta de memória .
Hoje foi um dia bom. Obrigado.

quarta-feira, maio 07, 2014

Boa noite, gente.

terça-feira, maio 06, 2014

Boa noite, gente.

segunda-feira, maio 05, 2014

Boa noite, gente.

Gosto muito de ler este homem.

Canonizações e seus perigos
por ANSELMO BORGES
No passado domingo, Roma concentrou mais de um milhão de pessoas, vindas de todo o mundo para a canonização dos papas João XXIII e João Paulo II, duas figuras que marcaram de modo decisivo a Igreja católica e o mundo no século XX, como tentarei mostrar no próximo sábado. Hoje, quereria tão-só reflectir sobre os perigos das canonizações.
É normal que em todas as instituições e sociedades se lembre e honre figuras que se destacaram. Assim, também na Igreja, desde o início, se venerou a memória dos mártires, que deram a vida por Cristo, e, depois, dos "confessores", cristãos exemplares. Também por causa dos abusos - durante quase todo o primeiro milénio do cristianismo, foi a comunidade crente a tomar a decisão de declarar quem era santo -, o papa Urbano VIII, em 1634, reservou a canonização dos santos ao bispo de Roma, sem que isso tenha significado o fim dos abusos. Em 1983, João Paulo II reforçou este centralismo papal, determinando que é "unicamente ao Sumo Pontífice que compete o direito de decretar" se o servo de Deus em causa merece ou não ser proposto como exemplo e modelo para "a devoção e imitação dos fiéis".
O teólogo J. M. Castillo, que escreveu uma história da canonização, faz notar que, nos santos que canoniza ou não, o poder papal acaba por pôr em evidência o modelo de Igreja que quer impor. Por exemplo, quando Eugénio III canonizou, em 1146, o imperador Eugénio II da Baviera, o que estava sobretudo em causa era "propor um modelo de governante político, piedoso e submisso à Santa Sé". Como consequência das Cruzadas, mudou o ideal de santidade, a ponto de uma pintura do Fim do Mundo retratar Cristo como soldado a cavalo. Outro exemplo eloquente é o papa Gregório VII, que morreu em 1085, sendo canonizado em 1728. Foi ele que operou a chamada "reforma gregoriana", que impôs o celibato obrigatório e centralizou o poder da Igreja no papa, de tal modo que o teólogo cardeal Y. Congar pôde escrever que, desde então, "obedecer a Deus significa obedecer à Igreja e isto, por sua vez, significa obedecer ao papa e vice-versa". Em pleno século do Iluminismo, era preciso exaltar o papado, recuperando a memória de um papa que já poucos podiam recordar.
Foi por Celso Alcaina que soube do número de pessoas envolvidas numa canonização: uns 24 funcionários permanentes na Congregação para as Causas dos Santos, 14 advogados de defesa, 2 promotores da fé, 20 cardeais, 10 relatores, 228 postuladores adscritos, 70 consultores, muitos peritos em diferentes assuntos, vários notários. Pode-se, pois, imaginar as somas de dinheiro que esta parafernália burocrática custa, percebendo-se os perigos de discriminação em que ficam homens e mulheres verdadeiramente santos, pois levaram uma vida heróica, no cumprimento do dever e na entrega aos outros, mas que não têm suporte financeiro, publicitário, político. Pergunto sempre: porque é que não se canoniza o Padre Américo e tantos casais exemplares?
Castillo: Num dos estudos mais fiáveis que se fizeram mostra-se que "de 1938 casos examinados de santos canonizados, 78% pertenceram à classe alta, 17% à classe média e só 5% à classe baixa".
E lá está a magnificência de uma canonização, que pode ferir a simplicidade do Evangelho. Quando se trata de canonizar papas, sobrevém o perigo da endogamia e da canonização do poder.
E tem de haver o "milagre" exigido como comprovativo de santidade. Isso é magia. E pensar que Deus interrompe ou suspende as leis da natureza supõe que Ele está fora do mundo e que, de vez em quando, vem dentro e vem para uns e não vem para outros. Ora, Deus não está fora mas dentro, como fundamento do milagre da existência de tudo. Precisamente porque tudo é milagre - o milagre de existir - não há "milagres".
Também nisto, estou com a minha irmã, que diz: "Eu ligo pouco a estas coisas. Eu sou como o nosso pai que só rezava ao Nosso Senhor".


domingo, maio 04, 2014

sábado, maio 03, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

sexta-feira, maio 02, 2014

Boa noite, gente.

Boa noite, gente.

A pedido da Andorinha:).

A pedido da Andorinha:).