domingo, outubro 19, 2008

Um homem que sempre fala de aceitação:).

"Para o Cardeal Carlo M. Martini, a Igreja deve trabalhar no desenvolvimento de uma nova cultura da sexualidade e da relação, pois esta encíclica (Humanae Vitae) é, em parte, responsável por muitos já não tomarem a sério a Igreja como interlocutora ou como mestra. Aos jovens dos países ocidentais, já quase não lhes passa pela cabeça recorrer a representantes da Igreja para os consultar sobre questões de planificação familiar ou de sexualidade. Muitas pessoas afastaram-se da Igreja e a Igreja afastou-se dos seres humanos. Ficou muito prejudicada com esta atitude.
Este Cardeal deseja uma nova encíclica, na qual o magistério diga algo de positivo sobre a sexualidade. Ele próprio faz sugestões e aponta um método de diálogo para que, nesse documento, não sejam dadas respostas a perguntas que não existem.
No Dia das Missões, é importante ter presente a advertência de Jesus: não adianta percorrer mar e terra só para fazer prosélitos. É preciso, antes de mais, fazer da Igreja um lugar habitável para mulheres e homens, jovens e adultos, sejam eles hetero ou homossexuais. Toda a realidade humana é ambígua. A sexualidade também é terra de evangelização."

Frei Bento Domingues, Público, 08/10/19.

24 comentários:

PILAR disse...

É louvável que a Igreja se aproxime dos Homens...a questão é que ela própria está muito aquém de Jesus! Ele andava muito à frente,se calhar num tempo que nem chegou ainda...enquanto Ela - Igreja, a meus olhos quer aproximar-se das "bases" por manifesta falta de audiência!

susana disse...

Frei Bento Domingues. Fixei o nome. Vai ser excomungado... Se bem que, como é que se evangeliza a sexualidade?
"já quase não lhes passa pela cabeça recorrer a representantes da Igreja para os consultar sobre questões de planificação familiar ou de sexualidade."
É que não passa mesmo!
Para rir:
No meu curso de preparação para ao matrimónio houve uma sessão sobre planeamento familiar. Foi lá falar uma senhora muito bem na vida (médica, que os médicos sabem sempre tudo e impressionam muito!)que tinha 12 filhos, todos muito fáceis de criar. Lindo! O método que mais nos aconselhou foi o "pontapé na lata" e a análise do muco vaginal (é o método do nariz na cueca!!!). Adorei! Adorei! (apesar das lesões psicológicas que me ficaram pelo facto de não ter aberto a boca na dita sessão, para a mandar calar, coisa que vai muito contra o meu feitio.
Isto passou-se no norte, senhor professor, numa igreja perto de si!

Estes seus últimos posts andam a deixar-me os nervos em franja!

cabecinhapensadora disse...

Não ouvi falar do cardeal, não conheço o frei que escreveu o artigo e presumo que seja pseudónimo. Mas aplaudo o projecto de caminho. Ainda que não se saiba onde chegará, ou sequer se lhe darão condições para. A Igreja como instituição é retrógrada. E um Deus, se existe, há-de estar muito além de tudo o que se diz e faz em seu suposto nome. Angelo Giuseppe Roncalli notou na sua aguda claridade, "a diferença entre a minha forma de ver as situações no local e certas formas de conceber as mesmas coisas em Roma dói-me consideravelmente; é a minha única verdadeira cruz"

noiseformind disse...

Parece-me que o problema da Igreja n será tanto o da sexualidade. Permitir sexo anal no santo e doméstico lar mostra apenas a sobriedade própria de quem resiste a imiscuir-se na vida privada das pessoas. O problema é o papel dos géneros na estrutura e no ideário da própria Igreja. E da sociedade, como esta cronica tão bem revela.

mariam disse...

A "Igreja" ao longo dos séculos, não tem feito mais que adaptar-se, aos ideais e práticas correntes de cada época, mas, sempre com alguns anos de atraso...(sempre um passo atrás!)... estamos de novo, perante o mesmo fenómeno...
A "Igreja" demonstra intolerância perante realidades como o sexo fora do casamento, o sexo que não seja apenas para procriação, a homossexualidade,,,, considerando "pecadores" quem tenha essas atitudes de "desvio"!
Mas, depois, há a "figura" da "redenção dos pecados" e a absolvição dos mesmos...
... e aqui se começa a andar à roda... rsrs

Pergunto-me, será que "aulas de Educação Sexual", também são obrigatórias nos Seminários??!!! à imagem das outras Instituições de ensino, público e privado. Se sim, como serão???

Se calhar, seria um bom começo, formar esses jovens, futuros padres, com mentalidades mais abertas... (mas, se calhar essas aulas, teriam que dadas por professores(as) que não fossem padres ou freiras!)

boa semana
um sorriso :)

mariam

ah! Sou católica!

Fora-de-Lei disse...

"Aos jovens dos países ocidentais, já quase não lhes passa pela cabeça recorrer a representantes da Igreja para os consultar sobre questões de planificação familiar ou de sexualidade."

Olhe que não, Professor... olhe que não.


susana 12:48 AM

"Isto passou-se no norte, senhor professor, numa igreja perto de si!"

Grande admiração; se se tivesse passado no Sul é que era para admirar... ;-)

Canseiroso disse...

«No meu curso de preparação para ao matrimónio houve uma sessão sobre planeamento familiar. Foi lá falar uma senhora...»

Susana 12:48

Mas afinal tenta pôr a ridiculo a tentiva da igreja evangilizar para o matrimónio e afins... e começa por dizer que frequentou um curso de preparação para o matrimónio?

Por amor ou interesse?E a seguir diria:Foi por amor, porque aquilo não tinha interesse nenhum

Francamente...porque não se casam à revelia??

lobices disse...

...a Igreja tem coisas muito "giras"... por exemplo: sabéis que se um de nós (católico) cometer um homicídio a Igreja, através da confissão, pode-nos absolver e dar-nos a sagrada comunhão...
...mas
...a um divorciado, nem confissão, nem absolvição nem comunhão?????
...

Gonçalo R. disse...

Não raras vezes, inversões de 180º nas opiniões das igrejas, neste caso a Católica, divertem-me bastante. Passam décadas, séculos, a massacrar a cabeça e a vida dos seus fieis (tempos houve em que os não fieis eram literalmente massacrados :(, tentando sistematicamente banir a individualidade de cada um, para, pontualmente, fazerem estes ajustes de discurso. Ajustes neste sentido são sempre bem vindos, mas é pena que sejam sempre a reboque das necessidades do mercado e não decorrentes de uma leitura mais arejada e menos moralizadora da palavra do Senhor.

Será que a economia de mercado já chegou à Igreja Católica? Há quanto tempo...!

keeper_of_the_pussy disse...

Ó noise, foste buscar uma publicação de mulheres feita para mulheres... eles querem é vender publicidade, não informar...

anfitrite disse...

Quem não conhece o Frei Bento Domingues e o padre Borga, que aparecem em tudo que é comunicação social?!
Eles apenas expressam as suas opiniões, que não representam uma Igreja que diz ter-se fundado com base nos princípios defendidos por um visionário, mas que vive apenas na base da riqueza, da opulência, da intolerância, da manipulação e da hipocrisia.
Os que agem de maneira diferente são apenas pessoas bem intencionadas e que fariam o bem, de qualquer maneira,
fosse onde fosse.
Lembremo-nos do corrupto e assassino Rodrigo Bórgia, que se transformou no Papa Alexandre VI, lembremo-nos das
Cruzadas, da Inquisição e por aí fora...
Honras aos grandes Homens que foram os Papas João XXIII e Paulo VI. O de hoje apenas veste Prada.

anfitrite disse...

Ah, esqueci-me de dizer que Deus, morreu
numa quinta-feira, dia 24 de Novembro de 1859, dia em Charles Darwin publicou "A Origem das Espécies".

Nuno Guimas disse...

A frase chave para mim é "Toda a realidade humana é ambígua". É pena Bento Domingues ser uma excepção numa instituição envelhecida, estabelecida e corporativizada.
Com certeza subiu uns pontos perante Deus, mas desceu uns tantos perante o Vaticano :)

fiury disse...

é bom que de vez em quando apareça um iluminado na religião católica, que venha lembrar o caminho que Jesus Cristo apontou

lobices disse...

...não sei quem disse:
"...quem não tem medo do Diabo não precisa da existência de Deus..."

Laura disse...

Lobices (09.10)
Não leve a mal a correcção, mas é só mesmo porque estou certa do que digo (e não sou teóloga, eheh).

...a um divorciado, nem confissão, nem absolvição nem comunhão?????

A Igreja não é assim tão disparatada...
Claro que há confissão e absolvição para o divorciado! Se ele a quiser e procurar.

Quanto à comunhão, a coisa é mais complexa. Dá-se sempre em qualquer circunstância ao(s) divorciado(s) que não tiver(em) casado novamente.
Ou, tendo re-casado, quando tenha(m) tb. obtido anulação canónica do 1º casamento.
Nos outros casos, também se dá, de facto, mas em privado (salvo se for num local.. como direi... cosmopolita).

Esta regra presta-se a muitas críticas? Concordo em absoluto. Tenho muitos amigos nessa situação que sofrem com ela (outros borrifam).
Mas também confesso que sou forçada compreender a norma (não digo que a aceitá-la...) apenas porque está em coerência absoluta com o pensamento católico, no que aos actos respeita (e ao seu significado).

O que me apetece dizer sobre isto é que quando as pessoas casam pela igreja deveriam primeiro saber se estão ou não a comprar um bilhtete para um dia memorável, cheio de glamour, fotos, um menu 'exquis' + o bónus de alguma garantia no reforço do compromisso por obra e graça .. sabe-se lá do quê...?! (é só milagres!!!)
ou se estão a exercer uma opção em termos de valores, avaliando bem a "gramática" do acto e concordando genuinamente com ela (o que é um seu direito, aliás muitas vezes ridicularizado)

Não faço isto para defender a hipotética justiça dos cânones, porque também eu acho que têm nuito pouco de justo e equitativo.
Também eu acho (para usar a sua expressão) que «...a Igreja tem coisas muito "giras"»...

Mas, apesar de tudo, há muitas lendas que por aí correm sem nenhuma razão.
Convém...:)

A Menina da Lua disse...

O paradoxo é difícil; até que ponto deve ou não a igreja estar preferencialmente ligada e apenas a questões de espiritualidade ou deve igaulmente deliberar e orientar questões de âmbito comportamental e até de prática pessoal?

Penso que ao ligarmo-nos a uma religião apenas pelos rituais espirituais ou litúrgicos, esvazia-nos de coerência e sentido...e penso igualmente que tem sido esse o caminho para o qual a igreja tem empurrado muitos dos seus fieis, ao manter desfasamentos e distância entre os princípios orientadores que teimosamente tem mantido e as realidades em que vivem e se deixaram contrariamente "cair" os seus próprios fieis.

Por outro lado existe o aspecto fundamental com a qual a Igreja nunca mas nunca se deveria afastar que é o facto de ser ela a primeira a ter de pôr em prática o princípio fundamental da lição de Cristo que é o da Caridade e do Amor pelo próximo...Logo condenações, exclusões e excomunhões, são posições de intolerância que nos tempos históricos passados, se traduziram de enormes arrogâncias, prepotências e mesmo imensa violência.

Haver alguem que de dentro da própria Igreja se assume e tem a humildade de propôr nova reflexão ao pensar vigente, demonstra no mínimo a coragem dos que lutam pela coerência e credibilidade.

lobices disse...

...Laura (3.24)
...
...desculpe, pode estar certa do que diz, mas a verdade é que eu também estou certo do que escrevi: foi-me negada a confissão, logo, por lógica, foi-me negada a absolvição e não me foi concedida a comunhão...
...um determinado Padre até me aconselhou a praticar um acto "ilícito" para a minha consciência: ir a um Padre que não me conhecesse e o fizesse!...
...é evidente que se o fizesse, esse Padre me confessaria, me absolviria e me daria a comunhão
...mas aí, estava uma questão de princípio em jogo: eu estaria e enganar
...a Igreja NEGA a comunhão a um divorciado
...passados muitos anos, o que fiz?
...sem confissão, meti-me um dia na fila dos comungantes em certa Igraja como anónimo no meio dos fiéis e comunguei de moto próprio
...não sei se me senti bem ou se me senti pior
...mas fi-lo talvez num acto de "revolta" para com a Igreja, não contra Deus que Este eu sei não se importou nada que eu O tivesse recebido em minha casa
...

Laura disse...

Lobices (8.58):
Então agora, eu digo-lhe que não leve a mal o erro da minha correcção...
Naturalmente, eu não pensei na hipótese de se estar a referir ao passado, uma vez que declinou a afirmação no presente.
Lamento a sua aventura, é de facto incrível.
Mas acho que fez muito bem ao "fintar" os legionários de Deus na terra, Ele deve ter aplaudido a rir...
Pena que não tenha podido discutir a coisa a fundo com o tal ministro, como certamente agora faria. Porque me dá ideia que antigamente, também a esse nível, a lógica era ditatorial.
De facto, é tão viciado o raciocínio do seu infeliz interlcutor que até arrepia...
Então, o conselho era que procurasse alguém que desconhecesse as suas circunstâncias e por isso servisse para a "confissão"? (onde supostamente as pessoas se ...confessam?)
Genial!
(Se fosse vivo, talvez o Eça se divertisse a escrever agora 'A Cidade e as Serras' do país religioso...)
Nestas coisass - e claro que nos tempos actuais -, a melhor posição do crente que se indigna é exercer um direito parecido com o do cidadão na sociedade civil: - exigir o livro de reclamações :)
Assim tb. a Igreja aprende! Não propriamente porque considere que os 'clientes tenham sempre razão' (era bom era), mas porque já percebeu que sem isso a vida lhe passa ao lado (ou passa ao lado dos representantes de Deus na terra menos compassivos e ... como dizer... menos «dotados»...? (para sermos muito simpáticos!)

susana disse...

canseiroso: o facto de sermos católicos não implica que nos vendamos a todas as ideias da igreja. Casei pela igreja por convicção, mas continuo a achar ridícula a sua intervenção em aspectos de natureza sexual.
Lembro-me sempre de uma expressão que atribuem a uma visavó que não conheci: os santos são de pau. Eu acrescento: os padres são homens. E a igreja, somos nós!
Há, é verdade: o padre não me casava se eu não tivesse frequentado o curso... estranho um homem impedir-me de casar "aos olhos de Deus" por causa de um curso...
Não vamos confundir as coisas...

Xelim's Skull disse...

pois eu acho que o lobices e a susana têm razão, se os padres são entertainers espirituais então têm de se sujeitar à demanda dos fieis

Laura disse...

...«se os padres são entertainers espirituais»...
Pois é, aí é que bate o ponto, porque a premissa é que está errada.
(entertainer, a person who tries to please or amuse)
Um padre não tem por objectivo agradar ou divertir-nos... embora o possa fazer no sentido menos óbvio dos termos.
'Entertainers' são os da seita do Reino de Deus e quejandos. Aliás, aí paga-se bilhete, e jóia, e cotização mensal... ao menos têm o direito de ser entretidos.

Não pôr tudo no mesmo saco....

susana disse...

continuo a achar que os padres são homens e há homens e homens...

Xelim's Skull disse...

Existem artigos na internet sobre a Igreja e o entretenimento. Naturalmente que há Igrejas mais viradas para o entretenimento, e há Igrejas mais viradas para o culto.

No entanto, a minha análise é mais do tipo complementar.

O entretenimento é um modo de passar o tempo de uma forma agradável. Pode ser a ver televisão, indo a um espectáculo, lendo um livro, fazendo uma reunião familiar, etc.

Agora, os padres gostam de se entreter a eles próprios passando a mensagem suprema de que Jesus é a Salvação. A verdade sobre a existência de Deus é de pouca ou nenhuma relevância para eles.

Por outro lado os fieis, vêem na Igreja uma família e/ou um encontro com a paz de espirito. Portanto, a família Igreja é também uma reunião onde se passa o tempo de uma forma agradável, logo uma forma de entretenimento, e em paz de espirito. É um entretenimento espiritual.

Portanto, mesmos que os padres não procurem entreter os fieis, ambos se estão a entreter.