quinta-feira, julho 16, 2015

Lamentável competição...

Do que me importa ver a tristeza em seu olhar
Se meu olhar tem mais tristezas pra chorar
Que o seu...
Marisa Monte

terça-feira, junho 16, 2015

quarta-feira, junho 10, 2015

A caricatura.

Cena habitual - senhora da "minha colheita" sorri por lhe ceder a primazia no cruzar de uma porta, "vai-se tornando raro". Não sei, fui educado assim. Mas para lá de regras básicas interiorizadas rumoreja sonho utópico que me faz sorrir. Eu, que nunca usei um colete e jamais poria as mãos no fogo pela limpeza dos meus jeans, na mais remota das entranhas ainda aspiro a parecer-me com meu Pai, esse petit grand seigneur. Nas boas maneiras!, intelectualmente seria caso para internamento psiquiátrico imediato por baforada delirante:).

terça-feira, junho 02, 2015

A dúvida.

Hesitei muito antes de ver Still Alice (a tradução portuguesa não me parece feliz). Acabei por o fazer em casa, enroscado no sofá e na saudade. A parcimónia era justificada, o filme não se limitou a convocar a memória, também a culpa se espreguiçou. Não apenas a que me assalta quando me lembro das racionalizações que usei para não visitar mais vezes minha santa Mãe. Também a que me acusa por não me ter apercebido de sintomas precoces da doença. É verdade que ela me "obrigava" a concentrar a atenção na saúde periclitante de meu Pai, mas isso não justifica tudo, havia sinais que eu devia ter valorizado.
E ao aperceber-me de tal desleixo, pergunta lógica me assalta - tenho simplesmente medo de sofrer de Alzheimer ou receio merecer a sua chegada?

domingo, maio 17, 2015

Ou faça as duas coisas:).

O tempo é algo que não volta atrás.
Por isso plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores...
William Shakespeare

sábado, abril 25, 2015

quinta-feira, abril 23, 2015

Vi tanta mentira andar à solta...

Eu Vim de Longe

José Mário Branco

Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi pra esta força que apontou
E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
Quando eu finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
Os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei prá aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar