Domingo, Novembro 08, 2009

Claro que posso:).

Quero antes de mais pedir desculpas pelo abuso. Obtive o seu email quando percorria, não pela primeira vez o seu BLOG, e decidi contactá-lo. Não a título pessoal, apesar de conhecer o seu trabalho, mas em benefício da entidade com que colaboro.

Somos uma IPSS com sede no Centro Hospital de Gaia, prestamos apoio não só dentro do meio hospital ( através do voluntariado) como também contribuimos para a humanização dos espaços, e prestação de cuidados ao domicílio.

Poderei, se desejar enviar-lhe toda a informação referente à nossa Instituição.

Estamos a aproximar-nos da quadra natalícia e temos por habito proceder a uma pequena venda de Natal, de forma a angariar alguns fundos para a Liga. A nossa subsistência depende apenas do valor das cotas dos sócios ( os que pagam) e tem por valor base 1€. Como temos mensalmente gastos acima dos 1000€ e apenas temos 1500 sócios ( alguns dos quais nao pagantes), tentamos ao máximo "fazer dinheiro".

É no seguimento do que escrevi a cima que o contacto. Poderia dispensar-nos alguns dos seus livros para vendermos( estamos aptos a passar recibo de doação ao abrigo da Lei do Mecenato) ? Poderá de alguma forma contribuir connosco? Poderá, por exemplo, no seu blog ajudar-nos a publicitar a Liga?

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Os trintões rejuvenescem cá dentro:).

Os meus filhos, pai e tio.
Um estampa-se nas ondas de Matosinhos, fica logicamente amolgado, eu tremo e não resisto a apelo cobarde e inútil - "deixa-te disso, pá, mete a reforma". Fui zurzido com justiça, ainda perde outra batalha feroz com o mar só para me punir...
Outro regressa de Londres e presenteia-me com fotografia mentirosa, "homem com grades e prédio por trás". Mas que prédio, meu Deus - os estúdios de Abbey Road! Olho a minha parede: os quatro atravessam a mais famosa passadeira do mundo, John de branco, Paul descalço, Ringo de farpela, George com a ganga que me acompanha há mais de quarenta anos. O malandreco soube exactamente como abrir a gaveta da nostalgia orgulhosa...
Os meus filhos, pai e tio, com as preocupações de Carlos Carvalhas sobre o programa de Governo em fundo. Perdão!, agora o Júdice. Os meus filhos de calções, saco de roupa às costas, de uma fidelidade que eu não merecia, prontos para o fim-de-semana com um pai que os enchia de filetes do Capitão Iglo. Claro que são homens e como tal procuro tratá-los, mas lá escreveu o Eugénio - não esqueci nada. Muito menos esta gratidão enternecida, que tantas vezes foi o combustível que me permitiu arrancar para um novo dia.

Domingo, Novembro 01, 2009

O preço certo?

O céu de Cantelães marcou-me falta e os benfiquitas perceberam que é cedo para festejos. A chuva transformou-se num "bónus" desnecessário, o meu humor já seria negro sem ela:). E no entanto... Num dia longínquo, depois de uma conferência longínqua, numa cidade nesses tempos longínqua de tão órfã de auto-estrada, um padre sorriu e disse - "você é simplesmente um católico que não acredita em Deus". Eu teria preferido o diagnóstico de cristão, mas há verdade na frase. Por exemplo, na convicção pré-consciente de que todo o prazer tem um preço.
O Sérgio ao telefone, "estás bem, pá? Queres ir...?". Ele sabia a resposta, lembro-me de assistir não apenas ao espectáculo, mas também ao ensaio, enroscado no escuro da plateia do Rivoli, "como consegue o gajo enfiar tantas palavras na melodia?". Claro que fui. O Coliseu como um ovo e o meu filho músico fitando-os como ave de rapina, a minha canção favorita do Sérgio é o "Que há-de ser de nós?" e a resposta está neles, nos mais novos e no regaço das suas memórias. (Regaço é uma palavra doce, faz pensar em cabelos afagados por mãos de mulher que segundos antes nos exasperavam o corpo, "obrigado, querida, shh, não sejas tonto".)
Nunca fui um revolucionário, não mitifico o PREC ou qualquer um dos responsáveis pelos Três Cantos. Aposto que são feitos de sol e sombra, como eu. Tenho saudades de cirandar por Lisboa com o Sérgio e algumas pessoas nos perguntarem se éramos família, "há uma parecença qualquer...". Família, obviamente! Ele escrevera-me para o Sexualidades, "cá em casa vemos todos, quando apareces?". E eu não demorei, a sua música embalava-me há muito, o jantar decretou-nos velhos amigos com atraso. As ruelas de Lisboa, os tascos de Matosinhos, mesmo assim vemo-nos raramente, pecado nosso. Os outros dois são amigos que não conheço:).
Saí do concerto e não quis interromper o Sérgio, a adrenalina baixa preguiçosa, a cada um de escolher como, eu prefiro a solidão. Enviei sms. E de repente apercebi-me de que lhe agradecera o privilégio crepuscular. Não apaguei a expressão. Porque a nossa geração canta, fala e escreve sobre um pano de fundo já crepuscular. Não é uma tragédia. Mas transforma cada ritual num bem precioso, que seria criminoso desperdiçar.
Talvez as saudades de Canteláes e a tristeza pelo Benfica não sejam um preço assim tão exagerado:).

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Associação livre de psiquiatra agnóstico ensonado acerca do folhetim da moda ou como a silly season invadiu o Outono:).

A Vida é um Jogo no Hollywood, com Paul Newman. Ainda apenas (?) bonito, sem o charme do segundo capítulo, que lhe valeria o óscar - A Cor do Dinheiro. A vida é um jogo... Saramago, por exemplo, tenciona jogá-lo até ao fim. Mesmo correndo o enorme risco de ver as suas palavras tomadas por choque vitamínico de campanha publicitária. Quanto às críticas, pouco lhe importam, muito menos o horror virtuoso do eurodeputado que sugere troca de cidadania para limpar honra e fé lusas. E no entanto... Aqui e ali, há no discurso de Saramago uma tonalidade provocatória que desagua em apelo não menos sedutor que o da serpente a Eva. O ateu desafia o (outro?) Senhor a deixar a toca celeste e trovejar - "Que andas dizendo a Meu respeito?".
Insolúvel drama o deste homem, não acredita no único interlocutor que aceitaria como par...

Sábado, Outubro 17, 2009

Obrigado malta:).

When I get older losing my hair,
Many years from now,
Will you still be sending me a valentine
Birthday greetings bottle of wine?
If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door,Will you still need me,
will you still feed me,When I'm sixty-four?
oo oo oo oo oo oo oo oooo
You'll be older too, (ah ah ah ah ah)
And if you say the word,I could stay with you.
I could be handy mending a fuse
When your lights have gone.
You can knit a sweater by the fireside
Sunday mornings go for a ride.
Doing the garden, digging the weeds,Who could ask for more?
Will you still need me, will you still feed me,When I'm sixty-four?
Every summer we can rent a cottageIn the Isle of Wight,
if it's not too dear
We shall scrimp and save
Grandchildren on your kneeVera, Chuck, and Dave
Send me a postcard, drop me a line,Stating point of view.
Indicate precisely what you mean to say
Yours sincerely, Wasting Away.
Give me your answer, fill in a form
Mine for evermore
Will you still need me, will you still feed me,When I'm sixty-four?
Whoo!

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Boa noite.

Como a Vida é um fogacho, consentido pelo Nada a que regressa, também as palavras desaguam no silêncio. Com uma diferença, ao menos para o não crente: a Vida precisa de si mesma para ficar, sem a memória alheia apaga-se; as palavras carregam o duro privilégio de moldarem o tipo de silêncio que delas brota. É o da intimidade que exige a mais hábil esgrima prévia...

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

A sugestão.

Maria,

Escrever???? Peço-te ombro, conselho ou terapêutica e tu sugeres que escreva???? Não invoques lucidez, catarse ou sublimação, é de um castigo que se trata, a escrita dói:(. E não permite os requebros da palavra dita; sobrevive, acusadora, em papel ou word. Como esta nossa correspondência esquizofrénica de ex-amantes e futuros conhecidos, que escapa ao alívio do delete por eu preferir o murmúrio ténue ao silêncio atroador. E a este louco equilíbrio tu defendes que junte a ficção...? Nem pensar, minha querida, a realidade recusa-se a ceder-lhe o lugar, mesmo travestida.