quinta-feira, abril 09, 2015

O alívio.

Por vezes, o sorriso ironicamente aprovador de um filho dissipa a tristeza que veio para ficar. Boa noite, gente.

sexta-feira, abril 03, 2015

Minha Avó honrou o nome:).

Pesquisa e edição: DIRCEU CHIRIVINO | chirivino@correiodopovo.com.br

No dia 12 de fevereiro de 1912 não houve edição do Correio do Povo. Na época, o jornal não circulava às segundas-feiras.

Socialismo feminino

Talvez não haja, na época actual, uma outra mulher que tenha tomado parte tão activa na organisação dos movimentos revolucionarios, por toda a Europa, como a famosa franceza que os tribunaes de Milão descreveram como "a mais perigosa mulher da Europa".

Sorgue, como ella é conhecida em todo o Continente, não é somente uma mulher notavel, mas é tambem de uma familia distincta. É filha de Durand Gros, o philosopho francez, mais conhecido, talvez, pela fama de sua theoria do polyzeismo e do polychismo e por ter sido um dos precursores da escola dos psycho-therapeuticos.

Madame Sorgue é uma revolucionaria aristocrata, pois seu avô era o general russo Cripkoff e seu tio Istomine foi almirante em chefe da esquadra baltica e um dos mais leaes servidores da dynastia Romanoff.

Sorgue é uma mulher que reune a um cerebro de força excepcional uma certa franqueza de olhar infantil, que a torna muito attraente.

Aos 19 annos, entrou para o palco francez; d''ahi, passou a ser jornalista e, pouco depois, oradora e escritora revolucionaria, tendo, hoje, uma reputação internacional nas duas ultimas capacidades.

Tem ella sido a verdadeira perseguição da maior parte dos governos europeus e, em 1898, foi a principal cabeça do motim na politica portugueza.

Depois de ter encontrado com essa mulher, não é difficil acreditar-se nos factos que contam a seu respeito, em diversos logares da Europa, e na parte que ella tomou no Congresso da Imprensa Internacional, em Lisboa, o qual foi aberto nesse anno pelo mallogrado rei d. Carlos.

Todos os jornalistas que se achavam no Congresso levantaram-se para receber o rei; sómente a irreconciliavel Sorgue ficou assentada.

Quando d. Carlos passou perto della, sentiu um calafrio, como si houvesse tido o presentimento da terrivel catastrophe que lhe sobreveiu, alguns annos depois, na capital portugueza. Seu rosto empallideceu, suppondo que a terrivel Sorgue pretendia assassinal-o, e deu, por isso, ordem para que a prendessem, no Porto, o que quasi precipitou a revolução do anno passado, pois o povo obrigou as autoridades a soltal-a. O governo portuguez repelliu-a de Lisboa e mandou uma canhoneira escoltal-a até a saida do Tejo, porque a classe operaria tinha organisado uma enorme demonstração no rio, em sua honra.

Sorgue tomou parte na grande gréve de Parma e foi accusada de ter sido a causa do assassinato de Victor Emmanuel - o que ella nega.

Esteve, por isso, na prisão de Milão, mas foi absolvida.

Ultimamente, foi condemnada á prisão por um longo tempo, pela sua defeza do anti-militarismo - uma propaganda que foi proeminentemente identificada na França, com Gustave Hervé, o anti-militarista francez.

Uma vez, em Florença, mme. Sorgue proferiu um eloquente discurso revolucionario, enfrentando ás carabinas que os soldados lhe apontavam. Foi, tambem, a principal figura no celebre Exode de la Belfort, quando um enorme grupo de relojoeiros e trabalhadores de metaes declarou que morreriam, ou haviam de obter o pão. O governo mandou dois regimentos de cavallaria para impedir os excessos dos grevistas. A maneira por que essa destemida mulher poude, então, com a sua calma e energia dirigir milhares de homens furiosos e evitar que houvesse mortandade é de admirar, e parece um caso de romance.

Mme. Sorgue é ainda muito moça e bonita; alta, elegante e de apparencia completamente feminina.

O unico signal que denota, nella, a revolucionaria, é um pequeno bordado escarlate que orna todos os seus corpetes.

Seu busto, em Luxemburgo, feito por Denys Puech, está perfeito.

Notícia publicada no Correio do Povo de 8 de fevereiro de 1912.

P.S. Alguém me deixou no consultório uma planta com raízes aéreas. E de imediato pensei que o seu lugar era na árvore de meus Pais. Que me ensinaram a manter os pés na terra, mas a  jamais abdicar da cabeça nas nuvens.


quinta-feira, março 19, 2015

quinta-feira, março 12, 2015

Pois, a dignidade...

A Obrigação da Verdade

Quando olhamos um espelho, pensamos que a imagem à nossa frente é exacta. Mas basta movermo-nos um milímetro para a imagem se alterar. Aquilo que estamos realmente a ver é uma gama infindável de reflexos. Mas às vezes o escritor tem de quebrar o espelho — porque é do outro lado do espelho que a verdade nos encara. 
Estou convencido de que, apesar dos enormes obstáculos existentes, há uma obrigação crucial que recai sobre todos nós enquanto cidadãos: de com uma determinação intelectual inflexível, inabalável e feroz definir a verdade autêntica das nossas vidas e das nossas sociedades. É de facto uma obrigação imperativa. 
Se essa determinação não se incorporar na nossa visão política, não tenhamos esperança de restaurar aquilo que já quase se perdeu para nós — a dignidade do homem. 

Harold Pinter, in "Discurso de Aceitação do Prémio Nobel" 

quarta-feira, março 04, 2015

Léo e Rimbaud...

sábado, fevereiro 28, 2015

Verlaine. E a senha para o Dia D...

Chanson d'automne

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

Meu Pai amava este poema.

Il pleure dans mon coeur

Il pleure dans mon coeur
Comme il pleut sur la ville ;
Quelle est cette langueur
Qui pénètre mon coeur ?

Ô bruit doux de la pluie
Par terre et sur les toits ! 
Pour un coeur qui s'ennuie,
Ô le chant de la pluie !

Il pleure sans raison
Dans ce coeur qui s'écoeure.
Quoi ! nulle trahison ?...
Ce deuil est sans raison.

C'est bien la pire peine
De ne savoir pourquoi
Sans amour et sans haine
Mon coeur a tant de peine !