terça-feira, fevereiro 19, 2008

O horizonte a vinte metros.

Maria,

Domingo, quando me preparava para deixar Cantelães depois do jogo, o céu a caminho de Vieira parecia benfiquista, de tão vermelho. Mas o fogo ao longe tem algo de televisivo e plastificado. Só quando cheguei ao pomar me apercebi das chamas à direita, por trás da casa; vizinhas. Fiquei especado, repetindo um "não" supersticioso. (Como as crianças, que fecham os olhos perante evidências desagradáveis e esperam já não as ver ao abri-los.) A encosta ardia, alguns ramos do lado de cá do caminho iam-se juntando à procissão. Falei à D.Irene, que chegou num ápice, o marido a reboque. E foi ele a espancar as chamas mais atrevidas, eu fiquei bloqueado, mangueira na mão, à espreita do primeiro assalto ao muro. A GNR irrompeu antes dos bombeiros e cumpriu o seu dever - registou a ocorrência antes dela se dar, "é o proprietário? Onde mora? Rua João de Barros...". E o fogo rondava. Esotérica cena... Susto engolido, a D.Irene resumiu tudo numa frase - "estivesse o vento contra e não havia safa!". Já pensaste, Maria? Imagina que tinha partido mais cedo, ver a bola no Porto, como em geral faço. Ninguém teria reparado naquele foco do incêndio, os outros foram em zonas povoadas. Até hoje, o medo era teórico, agora tornou-se um aperto que não mais me deixará. Estou preparado para a minha precariedade. Para a daquela casa, não:(.

41 comentários:

Fora-de-Lei disse...

Deixe-se ficar em Cantelães para ver os jogos do Glorioso. Para além de dar sorte, sempre se evitam uns incêndios. Nem que seja o das barbas do Camacho... ;-)

jo disse...

aos meus amigos costumo dizer, quando eles têm mesmo muito medo - vai tudo correr bem, eu prometo.

Ao professor eu repito, vai tudo correr bem.

andorinha disse...

Boa noite.

Nem sei o que diga...deve ter sido assustador.
Mas já passou:)

Nuno Guimas disse...

Não há fogo que consuma as nossas melhores memórias.

CD disse...

Nesta altura do ano, se não chover, são os fogos provocados por queimadas das folhagens ramos etc.
Lá pró Verão são os provocados pelos foguetes.
Pelo meio são os provocados pela imaginação dos nossos pirómanos.

Para o ano vai ser igual, ao anterior

Afectos disse...

A sua Maria é a sua confidente! Gostaria de ter o meu (iria dizer Manel)mas prefiro o meu João! (nome do meu pai) Fique sempre na medida do possível b-e-m.

Su disse...

..um susto engolido...

é isso mesmo, qd ficamos bloquedos e especados de medo............

jocas maradas de bom tempo

Su disse...

psstt...e não passa.....fica....

mas façamos de conta que passou:)

andorinha disse...

Este "nosso" cantinho faz hoje três anos, malta.

Vamos brindar, soprar as velas e cantar os Parabéns?:)

Está a ficar crescido, o Murconzinho...
Parabéns, Boss:)

Julio Machado Vaz disse...

Três anos a aturar-vos???????? Vou fugir para as Berlengas!

andorinha disse...

Júlio, já não pode passar sem nós, diga antes assim.

:)))

anfitrite disse...

Cêtê,
Ainda sobre o post anterior, desculpe que lhe diga, mas acho que entrou em contradição, quando afirmou que ouviu no programa "Prós e Contras", sobre a corrupção, o Laureado Professor, Advogado, Historiador, Escritor, afirmar que na douta Universidade Pública, onde ensina, se lançam notas na secretaria de disciplinas que nunca foram feitas e, assim se arranjam licenciaturas, depois de tanta polémica e insultos sobre determinada licenciatura obtida numa Universidade privada.
Também deve ter ouvido falar nas passagens administrativas, desde que alguém fizesse um trabalho sobre Mao, no tempo do seu "estimado", supohho, Durão Barroso.
Sabe-se também dos numerosos certificados de habilitações que muitos espoliados, que vieram das antigas colónias, trouxeram para si, para dar e vender a muita gente
que tem ocupado proeminentes lugares na Administração Pública e, uma grande maioria deles, no ensino.
Euzinha, me matriculei num insigne Instituto Superior Público, por indicação de colegas meus , que já o tinham feito, sem lá dentro conhecer vivalma e sem ter as cadeiras nuclearese, na altura, sem nenhuma licenciatura (completa). Só não continuei por causa de certas equivalências.
Isto é só para lhe pedir que antes de rirmos dos outros nos riamos de nós próprios. E não faça afirmações cheias de rancor, sem saber muito do que se passa neste pobre país. Se cada um de nós tentar fazer o melhor e fizer a sua parte, com humildade, talvez isto se aguente (esta é de moralista, falsa). Mas tem de ser porque este país é muito bonito e merece sacrifícios. E não se esqueça, como já afirmaram antes, nós só valemos um voto. Aqueles que votam. Mas todos (ou quase) sofrem as consequências das opções mal tomadas, para já não falarmos dos erros que todos cometemos, mesmo sem querer.
Há também os que cometem erros porque querem como o falado acima Durão Barroso, que por troca de um lugar na UE deixou um país que não conseguia governar, serviu café nas Lajes a uns malvados que estragaram o Mundo, que nunca mais voltará a ser o que era, e de que todos temos sofrido e continuaremos a sofrer, cada vez mais, as consequências, sem falar nos desgraçados que estão no terreno das tragédias.

Por favor não veja nas minhas palavras qualquer segunda intenção porque eu sou muito directa, não uso subterfúgios, nem uso palavras meigas, gosto de chamar as coisas pelos nomes vernáculas e hoje estou realmente triste porque não consigo fazer nada que possa mudar as coisas para melhor.

Tenho dito.

Filomena disse...

Professor,

Ruy Belo "dedicado" a Cantelães:

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
respirei - ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

Filomena disse...

E Eugénio de Andrade para a casinha que é o "Murcon" e onde eu me sinto tão bem. Obrigada e parabéns!

Uma casa que nem fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia

Mãe&Advogada disse...

Eu diria que mesmo não acreditando em Deus, e só pelo que tenho lido aqui nos últimos tempos, já ganhou o Céu!

E por falar em Céu e me lembrar da precariedade da vida, das coisas, da vida das coisas e das coisas da vida, não queria deixar passar esta oportunidade de lembrar :) :) :)

que existe algures um planeta em que os seus elementos constituintes todos os dias se transformam dando origem aqui e ali a pequenos seres com vida própria :)

vida essa que tão depressa surge como desaparece dos ditos constituintes, que indiferentes se limitam a prosseguir no seu eterno (?) processo de transformação;

acontece que alguns desses seres vivos aprenderam a viver contra as próprias leis do planeta;

aprenderam a desafiar a própria morte e a precariedade que caracteriza tudo o que nele se forma;

aprenderam mesmo a sonhar com a imortalidade;

e escrevem e pintam e fazem monumentos :) que os mantêm vivos ainda por muitos anos, para além da sua morte;

mas a verdade é que, é só uma questão de tempo;

precisamente, o tempo que leva a apagar os sinais de todos os tempos que o tempo tem;

nós vimos da água e da terra e à terra e à água havemos de voltar;

num ciclo completo, que não leva dois séculos - penso eu, que não sou especialista na matéria;

numa sequência de ciclos e ciclos que se integram num movimento sempre igual, que os seres, ditos inteligentes :) teimam em ignorar;

quando somos apenas meros instantes :) de um todo temporal que se transforma em cada momento, permanecendo igual a si mesmo;

um todo em que, para mim, só uma certeza prevalece :

- um todo em que não deveria haver tempo para o sofrimento provocado pela acção/omissão dos homens que escolhem ser maus, quando podem escolher ser bons;

- um todo em que os únicos seres capazes de sonhar com a eternidade, deviam unir-se para garantir que cada ser humano - onde quer que se encontre - possa ter uma existência digna e minimamente feliz! ( se até já é isto que se pede para os animais, e para as plantinhas, não seria pedir muito, para os humanos :)

E tudo isto, só para Lhe dizer que a única precariedade para a qual não estou preparada é para a precariedade da dignidade da pessoa humana, a única que verdadeiramente me aflige!

( não querendo com isto dizer que não me aflija ver arder o País todos os anos, e ver destruídas tantas vidas por causa do atraso político em que vivemos há tantas décadas - nestas coisas, porém, a sociedade civil não devia ficar à espera que o Estado resolva tudo ! deveria unir-se e tomar medidas organizadas, sempre sem prejuízo da sua conformidade com a Lei, como convém ! )

Mãe&Advogada disse...

Anfitrite,

eu acredito que cada um pode ajudar a mudar o Mundo à sua volta com o seu exemplo - para o bem e ou para o mal :(

Como diz o provérbio:

" junta-te aos bons e serás como eles, junta-te aos maus e serás pior do que eles "

nesta medida, mesmo quando não queremos ou achamos que nada podemos fazer para mudar o Mundo,

estamos a ser exemplo para outros,

resta saber que exemplo seremos para os outros, quando nos limitamos a ser como somos, ou mesmo quando nos esforçamos todos os dias para ser um pouquinho "melhores" do que nós :)

Olhar disse...

Hmmm...,
e vários..., detectores de incêndio espalhados pelos quatro cantos da propriedade que disparam na casa da D. Irene ou na coorp. de bombeiros não será possível?
Sei que existem assim, bom..., mais a sul...:)

Olhar disse...

Em tempo:
Na casa de D. Irene e na coorp. de bombeiros

cabecinhapensadora disse...

Casas são memória física, pensamos. Não temos uma casa, é ela que nos tem. Abrimos a porta e uma paz desdobrada calça-nos de manso os chinelos.E se os acasos desmancham ou engolem a nossa casa... ó seres contingentes que somos!

Su disse...

3 anos----------andorinha , spre atenta:)

prof parabens por estas ruminações:)))))))


(algumas gostei, outras, nem por isso..opss)

eu não quero mais palavras...

quero um bolo enorme de chocolate.....então.....festa é festa..........



jocas maradas (duma chocodependente)

...sempre

Su disse...

opss agora reparei que exagerei...

afinal ...não sou eu a aniversariante......

mas é feitio................:) ou defeito..............

....blá blá blá-----

quero o tal bolo:)

+ jocas

andorinha disse...

Su,
Tu nem me fales em bolo de chocolate, moça:)))

jocas maradas

Tangerina disse...

"- Tudo isto foi destruído pela guerra?, inquiriu Rosie.
- Foi a guerra, sim, mas foram também outras guerras, disse Mwadia.
- Estas casas não foram destruídas. Estas casas morreram.
Todos olharam para o assento traseiro: era a primeira vez que Arcanjo Mistura abria a boca. Casuarino até estremeceu receando o que poderia seguir-se no discurso do barbeiro. Uma pausa trouxe a ilusão de que o Mestre Arcanjo tinha esgotado a sua intervenção. Mas, logo a seguir, o homem prosseguiu:
-Uma casa morre, se não é habitada com amor.
Casuarino apressou-se a prevenir qualquer tensão e desatou a dissertar sobre os amores e as casas, que o amor era uma casa, aliás como lembravam as letras românticas da cantora Roberta Miranda. Ele queria espicaçar a brasileira, mas ninguém no carro reagiu à menção ao cancioneiro do Brasil. A voz de Arcanjo voltou a ser escutada:
- O mal é que nós não habitamos essas casas: apenas as ocupamos.
- O nosso barbeiro é um filósofo, sorriu, nervoso, Casuarino, como se pedisse desculpa.
- Ocupámo-las como intrusos, como se elas fossem definitivamente propriedade dos outros, prosseguiu Arcanjo. Queremos ter o gosto de usufruir sem a responsabilidade de possuir.
O olhar fingido posto no horizonte, o barbeiro já estava dono da palavra. Após uma breve pausa, acrescentou:
- É assim que estamos na Vida, como se ela fosse um território arrendado.
Na viatura impôs-se o silêncio. E ninguém mais voltou a falar."

Mia Couto in "O Outro Pé da Sereia", 2006

CêTê disse...

anfitrite, dado o adiantado da hora... ;P ... amanhã (logo comentarei, se cá vier) contudo devo-lhe dizer que voto em pessoas não em partidos. Não tenho a menor esperança/confiança em máquinas partidiária mas ainda assim me merecem respeito e admiração alguns políticos- e há-os em todos os quadrantes. Como há "predadores" também em todos eles.
Sobre cursos- posso-lhe dizer que estou na minha profissão por genuína vocação.

CêTê disse...

Beeeeeeeeeeem, eu acho que essa casa está a ganhar vida!;)))) Vai daí ela não quer que saía para ir ver o futebol.

Ninguém se queixou ainda de acidentes estranhos na casa- muitas giras, magras, novas e assim? LOOOL


boa noite

anfitrite disse...

mãe&advogada,
obrigada pelas suas palavras amáveis. Mas sabe, eu sinto que já não posso fazer grande coisa.
E não auguro nada de bom, até nas eleições norte-americanas. Os simpáticos bem parecidos e bem falantes nunca fizeram grande coisa. E o efeito de Halo sempre funcionou comigo. Parece que vem aí mais um vendilhão do templo. Por alguma razão ele é apoiado pelos ricos e poderosos.

Tangerina,

Embora eu não goste de fazer "copypast" porque não tenho tempo para praticar dactilografia, prefiro utilizá-lo a aprender coisas novas, acho, no entanto, que este excerto do livro de Mia Couto, disse mais e melhor do que qualquer outra pessoa poderia dizer.
Toda a posse e poder são efémeros. Eu ocupo esta casa, que legalmente é minha há quase quarenta anos, e que está situada numa zona alta e inclinada, e no dia da chuvada eu andei, às quatro da manhã, a tirar os ralos porque o jardim não absorvia as águas e tornou-se um lago cujas folhas entupiram tudo, apesar de ser regularmente limpo.
A água quase me entrava pela cozinha. Coisa que nunca tinha acontecido. De forma prosaica está provada a vulnerabilidade de tudo.

cêtê,
agradeço que não tenha interpretado mal as minhas palavras. Eu até nem sabia qual era a sua profissão. De qualquer maneira eu sempre disse aquilo que penso, seja a quem for, desde que valha a pena. Até para o Professor, que eu admiro muito, estão guardadas umas palavras, que não as disse ainda por causa do seu ar simpático, carente e frágil, embora não perdoe que ponham em dúvida os seus conhecimentos em inglês.(Programa Serralves...).
De qualquer modo hoje sou uma lírica céptica, se é que isso pode existir, porque escolhi o raio de uma profissão, de que gosto muito, mas que me fez descobrir quão grande é a maldade humana.
Embora não queira confundir a árvore com a floresta, tenho encontrado demasiadas árvores invasoras, parasitas, contaminadas que minam a floresta.
Por tudo quanto já vi, eu hoje não contribuo com um cêntimo, para qualquer peditório, a não ser para "A Liga Portuguesa Contra o Cancro" (mas isso por razões metafísicas).

Um bom dia para todos.

P.S.- Como já devem ter reparado eu não uso nenhum dos símbolos correntes nos blogues, porque não estou familiarizada com eles e este é o primeiro blogue em que participo.

lobices disse...

...um bom fim de semana para todos os Murcónic(a)os
...abreijos

Tangerina disse...

Anfitrite,

Os livros do Mia Couto estão cheios de pequenas pérolas de sabedoria popular. Para já não falar nas palavras e expressões novas, num novo Português, tão bonito!, que constantemente aparecem.

Para ler devagarinho.

Fora-de-Lei disse...

anfitrite 4:26 PM

"Há também os que cometem erros porque querem como o falado acima Durão Barroso, que por troca de um lugar na UE deixou um país que não conseguia governar, serviu café nas Lajes a uns malvados que estragaram o Mundo, que nunca mais voltará a ser o que era, e de que todos temos sofrido e continuaremos a sofrer, cada vez mais, as consequências, sem falar nos desgraçados que estão no terreno das tragédias."

100% de acordo. Depois de Durão Barroso, temos agora José Sócrates que até movimenta a mafia do seu partido contra Ana Gomes para que não se saiba nada sobre os fretes que fizeram aos camones para transportar "terroristas" para Guantánamo.

Sirk disse...

Cê (1:24 am)
tu és uma Mulher de fé. Nunca duvidei. Ainda um dia ainda hás-de ser canonizada.
;)

Su disse...

hoje é sabadooooooooooo..pois...é..

jocas maradas

Vanda Baltazar disse...

Agora já é domingo :)


Parabéns ao Murcon e aos que, todos os dias, faça chuva ou faça sol, aqui estão presentes :)

Obrigada Professor, pela sua escrita, pelo seu humor, pela sua sensibilidade e entrega...


...Em Agosto 2005, de férias no Gerês, assisti a um principio de fogo, que, passadas poucas horas se tinha transformado num grande fogo...Doeu-me ver a precaridade de toda a situação...a minha impotência mesmo telefonando a alertar, a impotência dos Bombeiros, sem acessos para lhe fazer frente...

Desta vez houve quem lhe fizesse :)

Ainda bem :)

anfitrite disse...

fora-de-lei,

Eu acho que a Ana Gomes ninguém a cala, ela até nem deixa falar os outros que participam nas mesmas entrevistas. E sobre o caso ela tem falado bastante. Se o Sócrates não quer que se fale nisso, deve ser mais por solidariedade institucional, porque o que aconteceu, dando-o como adquirido, deve ter começado muito antes deste governo, porque pouco depois o caso começou a ser falado.
Eu até acho que o Sócrates é masoquista,(ou então quer um lugar na história) porque ele não
precisava de se chatear tanto. Eu só acho que ele está a tentar aproveitar as condições únicas que tem para governar e que poderão não voltar a repetir-se. O pior é que depressa e bem não faz ninguém.
E ele tentou meter-se com grandes poderes instalados. Por muito menos houve quem chamasse a determinadas forças - forças de bloqueio - e pediu que o deixassem trabalhar. Este governo toma uma medida, não está em causa se é a melhor, ou não, que deve ter sido estudada e analisada por muito gente e um simples juíz dum reles tribunal administrativo vem embargar as medidas tomadas. Até a simples transferência de funcionários foi embargada porque podiam sofrer trastornos emocionais. Que eu me lembre, sempre houve funcionários nos quadros de excedentários, adidos, etc. Cada governo lhe dava o seu nome. Eu própria já perdi muito dinheiro com as medidas tomadas,e ainda são precisas muitas medidas, mas que não conseguem atingir quem mais devia entrar na ordem, porque a força é muita. Acha bem que se defenda o posto de trabalho de muita gente que não tem nada para fazer, mas que estão nas calmas porque têm o seu lugar garantido, quando há ministérios que estão sobrecarregadíssimos, porque também há muitos trabalhadores esforçados na FP?!
Não sei se faz ideia a sobrecarga que há nas Finanças e na Solidariedade Social. Bastava dois ou três funcionários faltarem para milhares de pessoas não receberem as pensões, subsídios de desemprego e muitos outros nas datas previstas. Até para se informarem, diariamente, nos bancos, para saberem se têm saldo para pôr os subsídios na rua.
Não consigo ser clara, sucinta e precisa. Não estudei jornalismo.

Bom dia.

Fora-de-Lei disse...

anfitrite 4:01 AM

"E ele tentou meter-se com grandes poderes instalados."

Desculpe lá, mas penso que essa sua afirmação é fruto de alguma cegueira induzida por certos media ou então é consequência de algum sectarismo político-partidário da sua parte.

Mas que poderes é que Sócrates afrontou ? Porque não teve ele coragem de obrigar a Banca a pagar o mesmo IRC que todas as outras empresas pagam ?! Talvez agora, depois da novela BCP, se perceba melhor porque é que Sócrates tem sido tão amigo do grande capital financeiro...

Jorge Pessoa e Silva disse...

Vim parar aqui por acaso e fiquei feliz por saber que tem um blog. Gostaria também de lhe apresentar o meu, o www.riologoexisto.blogspot.com e espero que ache piada ao facto de o ter feito personagem principal no meu comentário de hoje.

Jorge Pessoa e Silva

yulunga disse...

Bom dia maralhal.
Depois de passar as chamas deixam, sim, um grande aperto :-(
O meu pânico deu-me para agir de forma inconsciente, mas já lá vai, e também não gosto de recordar.
Parabéns pelo aniversário aqui do estaminé.

anfitrite disse...

fora-de-lei,
esta minha afirmação não é fruto de cegueira partidária, porque como já afirmei, não tenho partido. O meu partido são os meus ideais. Os média também não me afectam. Nem o professor Marcelo que é perito em minar mentes, menos avisadas, me consegue levar. Consegue apenas me irritar por causa da sua forma capciosa de dizer as coisas e que é fruto duma pessoa inteligente. E há certos programas que às vezes me apetecia lá estar, para pôr os pontos nos is, e não me limitar a ouvir o que querem inpingir, como se as pessoas não tivessem memória. O caso bcp já vinha de trás e se veio à tona se calhar foi porque o governo criou condições para isso.
Quanto aos impostos da banca, esquece-se que este governo já os aumentou. Além disso a banca nas actuais circunstâncias nunca poderá pagar os mesmos impostos porque você se esquece que ela tem a seu cargo todas as despesas com o pessoal presente e passado. Esquece-se que é ela que paga todas as belíssimas reformas de todo o empregado que por lá passou. Neste momento os fundos de pensões já estão deficitários porque já não correspondem
às reservas matemáticas acumuladas
e também porque já há muito mais reformados que activos. Os bancários nunca quiseram entrar no regime da segurança social, porque sempre tiveram muito melhores condições. No entanto, aqui há um ano, ou pouco mais, já havia um banco que dava mais de mil milhões de euros ao Estado para transferir a responsabilidade dos seus reformados para o regime geral da SS. O que era um presente envenenado, porque se vinha ajudar a resolver o problema do défice, vinha criar muito mais responsabilidades para o futuro. E foi este governo que recusou. No entanto, a dr.ª Ferreira Leite não se importou de tranferir os fundos de pensões de determinados organismos, para cobrir artificialmente o défice. Se os bancos transferissem tudo aquilo que deveriam, para que o Estado pagasse as pensões dos bancários, tenho a impressão que alguns deles iriam falência.
Não se zangue porque eu também não. Sou apenas uma pessoa observadora, atenta e interessada no meu País.
Boa semana.

anfitrite disse...

ora-de-le,
estive a ver o seu perfil e como balança deveria ser uma pessoa bem disposta. Até referiu alguns filmes de que eu gostei muito. Só de me lembrar da cena do gato do 1900 fiquei arrepiada. Quanto a mim acho que faltou mencionar "O Cinema Paraíso" para lhe dar um bocadinho mais de sensibilidade. Quanto à música faltou-lhe acrescentar alguma brasileira.
Desculpe a intromissão.

Fora-de-Lei disse...

anfitrite 6:05 PM

Anfitrite, nem o Jardim Gonçalves seria capaz de "esfarrapar" esse argumento... ;-)


anfitrite 6:16 PM

Quanto a Signos, talvez fosse melhor a Anfitrite não acreditar naquilo que lhe dizem. Mas também gosto muito d'O Cinema Paraíso. E quanto a música, apesar de gostar mais da Portuguesa e Anglo-Saxónica, também gosto de alguma música brasileira (Chico, Caetano, Simome, etc). E intrometa-se à vontade!

daniela disse...

"eu sei mt pouco mas tenho a meu favor tudo o que não sei"
Um abraço de quem esta ainda a palpar terreno por aqui...

casa.da.ponte disse...

De vez em quando pregam-nos uns sustos naquele cantinho! Não é que não tenha já pensado que todo aquele isolamento também tem essa desvantagem...ninguém dar conta de um acidente que possa ser destruidor. Aqui há uns meses liguei para a GNR, depois de o ter feito para os bombeiros que me disseram não ter autorização para actuar, porque me assustaram as chamas que avistava no monte em frente e logo me tranquilizaram que era uma situação normal. Era só uma queimada de folhas e ramos para limpeza de terrenos.
E para quem gosta de Mia Couto e das suas palavras inventadas, durante o Correntes d'escritas na Póvoa de Varzim contou ele um episódio numa sessão com alunos de uma escola também desta cidade, em que uma aluna lhe perguntou se podia usar um dos seus neologismos, se não tinha que pedir autorização...se era legal, pois queria escrever uma carta e usá-lo. Respondeu-lhe que sim, mas já agora qual era essa palavra- "Fintabolista"
E já agora para quem é a carta -para o Cristiano Ronaldo.
Quando nos contou esta passagem em tom irónico comentou: devia-lhe ter dito que não podia usar tendo em conta o destinatário!...
Um abraço professor e que as chamas se transformem só em sinais de fumo...e que augurem coisas boas.
Um abraço de boa vizinhança
M.Dores