quinta-feira, agosto 21, 2008

Das brumas da memória:). Sem hino...

Confesso que não me lembro muito bem das Pontes de Madison County. Das brumas saem as ditas, que achei belíssimas, o meu querido Clint, último e fiel depositário de um certo cinema e tipo de actor, o desempenho intocável de Meryl e a sua mão crispada na porta de um automóvel. O fulcro da questão é o habitual... - deixar ou não um amor tranquilo por uma paixão avassaladora. Em trinta anos de profissão ouvi descrever as duas decisões e os trajectos subsequentes. Há quem fique por cobardia, pelos outros, por considerar que a paixão não resistirá ao quotidiano e um dia se assemelhará ao afecto deixado para trás. Há quem descubra não estar talhado(a) para a vida de casal, embora tenha pressionado o outro para o (a) seguir. Muitos dos julgamentos de valor a que assistimos partem do pressuposto que viver a paixão à custa de tudo o resto é quase uma "obrigação ética". Não concordo e a História também não. Acho perfeitamente legítimo resistir às consequências práticas de uma paixão e aos 58 já percebi que somos muito injustos para o amor tranquilo, chegamos a confundi-lo com monotonia e desistência! No caso do filme, gostaria apenas de acrescentar algo - compreendo o artifício narrativo de deixar o caso "em testamento" aos filhos. Na vida real parece-me um erro. Se tivesse escolhido ficar no quadro familiar, preservá-lo-ia post mortem, não vejo a vantagem de comprometer a fantasia harmónica da ninhada. Pelo contrário, teria muito medo que sentissem a revelação como a prova de que, admitindo-o ou não, eu teria sido infeliz durante anos, desistindo da "verdadeira felicidade por causa deles". Não, teria sido uma decisão minha, ponto final. E seria felicidade? Não serão as Pontes mais um exemplo da tradição ocidental de considerar perfeitos apenas os amores interrompidos por morte ou distância? Acho que ficam pontas - ou pontes?:) - suficientes para uma boa cavaqueira!

69 comentários:

Fora-de-Lei disse...

"Não serão as Pontes mais um exemplo da tradição ocidental de considerar perfeitos apenas os amores interrompidos por morte ou distância?"

Não sei se tem ou não a ver com a cultura ocidental, mas uma coisa é certa: só o amor interrompido pela morte é perfeito!

keeper_of_the_pussy disse...

É apenas mais um fenomeno de transferência da responsabilidade de consequências das nossas decisões para terceiros... e a procura de se encaixar nos estereotipos...

andorinha disse...

Já vi o filme várias vezes e de todas elas me apeteceu pegar na mão crispada da Francesca no final do filme e levá-la a abrir a porta do carro:)))

Não considero de forma alguma uma "obrigação ética", mas é "criminososo" não se dar a chance de viver aquela paixão. Durasse ela o tempo que durasse.
Viria ela a assemelhar-se ao afecto deixado para trás?
Nem que assim fosse...não se deixa de viver uma paixão daquelas.

Já em relação ao "testamento" aos filhos, aí estou de acordo. Na vida real não haveria necessidade de desinquietar os que cá ficam, a não ser que isso fosse planeado como vingança póstuma:)
Sei lá eu...a mente humana é capaz de tudo!:)

Saliento outro aspecto: no filme, quando confrontados com a revelação do sucedido, a filha tem uma reacção de compreensão e aceitação em relação ao que a mãe viveu; já os filhos (penso que são dois...) reagem mal quase considerando a mãe uma galdéria que 'desrespeitou' o pai...

Mais uma prova, se provas ainda fossem necessárias:) de que os homens têm uma visão muito mais limitada e normativa destes assuntos:))))))))

non! mon amour! disse...

"O fulcro da questão é o habitual... - deixar ou não um amor tranquilo por uma paixão avassaladora." JMV


Na minha humilde leitura do filme, não era apenas uma paixão avassaladora, mas também o belo início de um amor muito tranquilo!

Mas por vezes, a vida é assim mesmo, "joga-se" a felicidade num momento de crispação...

E uma vez tomada a decisão, por mais presos que tenhamos ficado ao que poderia ter sido e não foi, e ao que foi e não devia ter sido, ninguém mais precisava de ficar a saber, tendo de carregar isso...

Su disse...

eu amei esse filme, amei de amar, pela interpretação de ambos, pelo dito e não dito.....pelo passado sempre presente........
pq a vida é mm assim.....optar e toda a opção implica riscos .....e ali havia a familia, marido e filhos dum lado e de outro a possibilidade ou não, duma felicidade que tinha n probalidades de não ser..........pq tinham vivido apenas em estado de paixao durante 4 dias...........

ali o amor impossivel torna-se eterno

qto à descoberta dos filhos....vai fazer com que uma delas opte pelo divorcio, até nesse sentido o filme abre as portas para um novo ponto de vista.............
enfim.........

jocas maradas...sempre

Nuno Guimas disse...

Um amor só pode ser "amor tranquilo" se for saudável. Caso o amor já esteja ferido ele nunca será tranquilo; será com certeza nervoso, e ainda por cima daquele do "miúdinho", que faz explodir de raiva ou angústia ao fim de algum tempo.
Portanto, uma paixão, mesmo que avassaladora, afectará aqueles amores que já têm feridas abertas, mesmo que pequenas, mas pouco efeito terá, em principio, sobre os "tranquilos".
Mas quiçá se esta maneira de pensar as coisas não é completamente negada pelos factos da vida? É isto que é giro, não é? Não podemos ter certezas sobre o comportamento humano, especialmente quando envolve essa bruma de mistério chamada "sentimentos". :)
Mais um post intemporal seu.

Maria disse...

Só agora me apercebi que deixei ficar o Post mais baixo, no blogue errado (http://riquita1303.blogspot.com/). Esta blogosfera é um Planeta labiríntico!
Aqui fica, no sitio certo (acho eu) :

O filme tb é um dos meus favoritos. Quanto a este ponto: “deixar o caso "em testamento" aos filhos. Na vida real parece-me um erro.”
No filme foi a tábua de salvação para os filhos envolvidos em tempestades matrimoniais: Na vida real … dava horas de discussão, o certo/errado deste detalhe

fiury disse...

andorinha,
eu é que não queria ser teu marido:)))))))))

já tive aqui oportunidade de dizer que este filme, no argurmento, não me impressionou. As interpretações-brilhantes. Uma história vulgar de uma mulher que trai o seu marido, na ausência deste.como se isso não lhe bastasse não lhe conta e vive com ele a pensar no outro. como sobremesa serve-se aos filhos como vítima de uma paixão.
mas o que é isto?!)
já sabemos que não somos biológicamente monogâmicos mas onde fica a vontade de o ser?é a vontade que nos distingue dos animais,ou não?
amor tranquilo?!no filme?! xiça, olhem se não o fosse!
mas pronto, dizem que se pode amar uma pessoa e ter uma paixão por outra,que -pasme-se- até acalenta o amor tranquilo.
afinal o que é isso de "amor tranquilo" por uma pessoa?
...............................

como esvreveu alguém em algum lado:
os(as) casados(as) que tomem conta dos maridos( mulheres),os solteiros com namoradas(os)que tratem bem deles (as).os indecisos que vão ao psiquiatra e os livres que façam o que lhes der na gana, mas sejam sinseros uns com os outros.

haja respeito!que o amor também é feito dele.

Fragmentos Culturais disse...

... duas adaptações de obras literárias! Gosto de filmes que dão perspectivas muito 'pessoais' de 'leituras' cinematográficas!
Relembrando Martin Scorsese, 'A Idade da Inocência'... belíssima interpretação de Daniel Day-Lewis secundado por Michelle Pfeiffer - isto por falar da problemática/ revelação aos filhos, 'post mortem', de amores 'suspensos'!

Não é fácil fazer considerações sobre afectos! Bem o sabe... a sua experiência é forte aqui!
E muito menos situá-los a ocidente...
É que a oriente há uma vasta tradição de 'amores interrompidos'! A literatura assim o diz...

Sem dúvida, um tema interessante para uma 'amena 'cavaqueira virtual' :)

Lourenço disse...

Também já não me recordo do filme o que seria importante porque para comentar estas coisas convém estar a par de vários (se não de todos os) pormenores. Talvez fosse melhor tirar o DVD da prateleira e dar-me mais umas horas de lazer, mas as horas não o aconcelham.
Estou de acordo que por vezes substimamos o amor tranquilo (como lhe chama, e como efectivamente ele pode ser, já que a vida e os sentimentos não são uma constante folia, como por vezes gostariamos). Ainda assim, quando no caminho se abre uma biforcação e temos de escolher entre o partir ou o ficar, o problema que me parece maior são os se's, o que poderia ter sido, ou o que nunca seria, mas que imaginámos que seria sem margem para dúvidas. Isso sim é fonte de intermináveis dúvidas, a não ser que se tenha jogo se cintura bastante e convicção ou certeza para se saber o porque não foi o que não foi.
Mas perante biforcações deste tipo são legítimos os dois caminhos e resta-me desejar a quem percorra qualquer um deles que não se arrependa, e não magoe ninguém desnecessariamente.
Quanto ao testamento, também não acho que não tenha cabimento. Por vezes gostava de ter conhecido os meus pais com a idade que tenho hoje para saber que paixões tiveram, que caminhos trilharam, que opções fizeram,quem os marcou, o que viveram, etc.
Já reparei durante neste anos que a relação pais-filhos nem sempre pode ter a dose de companheirismo, abertura e cumplicidade que gostaria que tivesse. Felizmente, tive uma relação desse tipo mais previligiada e tendo aprendido que os meus pais são pessoas como eu e como todos nós, que tiveram os seus amores tranquilos e as suas paixões avassaladoras, não custa assim tanto perceber porque não trilharam outros caminhos, nem que tiveram essa hipótese. Essas verdades e descobertas têm a sua beleza, esse romance é lindíssimo, e não vejo o porquê de ser escondido. Não creio que os filhos se sintam culpados por não ter a mãe escolhido outro rumo, talvez antes gratos... E talvez a mãe (a partir daqui não me lembro do filme pelo que tenho mesmo de especular) não tenha pago pela escolha que fez a factura da infelicidade, se não foi recompensada pelo amor tranquilo (que nem sempre arde em lume brando) talvez o tenha sido pelos filhos e pela vida em familia. Isto para dizer que me agrada a transparência daquela mãe, e como filho penso que uma relação de transparência com os pais é um privilégio enorme.

Olhar disse...

Deliciou-me o livro já sabendo da existência do filme, e dos interpretes!, (conhecendo bem de ambos o desempenho em tela). Imaginei-lhes a luz, o brilho no olhar, os movimentos, as expressões e os silêncios...
Quando vi o filme..., (raríssima excepção!), aconteceu que em nada, mesmo nada!, este me desapontou. Estava tudo lá, intacto.
Dos amores, e no caso, parece-me., que a opção foi deixar uma paixão avassaladora, por um amor tranquilo. Pelos outros?, que outros?, quando os outros são os nossos filhos?
Creio sem dúvida que foi.
Pois..., conseguiria a mãe retratada, saborear completamente em paz consigo, os momentos felizes de sua paixão gerindo bem lá dentro o seu afastamento deles, ou, por outro lado o afastá-los do carinho do pai?
Hmm..., não creio...
A Opcção, parece-me..., foi só dela, e por ela, dada a sua "incapacidade" de ser feliz longe da ninhada, ou de não se conseguir pacificar com o peso da culpa de, motivada por, de alguma maneira os afastar do colo e abraços daquele pai.
Se calhar, a revelação final, teve a ver com o facto de ela achar que, conhecendo bem a solidez da estrutura de seus alicerces, eles "aguentavam", e, de alguma forma, e à sua maneira dizer-lhes que, às vezes, a vida, confronta-nos com decisões extremamente difíceis, amargas e dolorosas de tomar.
Calhando, as pontes, mesmo as levadiças, podem, "quase" sempre, ligar as duas margens nas nossas viagens de ida e volta....:)

Ti disse...

Eu creio que não há nada certo ou errado no Amor, tal como não há melhor ou pior Amor.
Conseguir não ceder a paixões em nome do Amor, parece-me que é das coisas mais difíceis de fazer na vida.

Acho que não há uma fórmula que permita dizer que se deve optar pelo "Amor tranquilo", ou pela "paixão avassaladora".
Há aqueles que têm tendência para se culpabilizar e nesses casos qualquer que seja a escolha, arrepender-se-ão sempre pela opção preterida.
Já os sábios, qualquer que seja a escolha, sabem que o importante é o Amor em si mesmo, não o objecto dele.

Só o Amor importa.

carlos disse...

A opção é dela. E é, inquestionavelmente, um seu direito; por isso tento sempre não emitir um juizo de valor, mesmo que a opção fosse a contrária.
O "artifício narrativo" torna, penso eu, o filme mais belo (além de útil). É como se ela não tivesse desistido da paixão, apenas da sua consumação.

Teka disse...

Há uns tempos revi o filme "As pontes de Madison County". Sentada no meu sofá e enrolada na minha manta invadi o écran. Senti a minha sensibilidade à flor da pele e relembrei tempos passados. Tempos em que lia e relia esse livro tão especial que parecia sair de dentro de mim. O filme é muito bom mas o livro é magnífico. Reflecti sobre momentos, caminhos, escolhas que fazemos e se revelam mais tarde algo duvidosas... desastrosas. Castelos no ar que se constroem e que não passam disso mesmo, de ar! Valores em que acreditamos e que não passam disso mesmo, valores em que SÓ NÓS acreditamos!

Que seria do amor de Francesca e Robert se tivessem ficado juntos, se não tivessem renunciado ao que sentiam um pelo outro? Ganhou a família de Francesca e a liberdade aprisionada na máquina de Robert. Não ficaram juntos até velhotes, ficaram para além, com as cinzas de um e de outro entrelaçadas ao vento...

Uma História de amor bela que só é bela porque é triste.

Estou de acordo com o professor, também não dixaria testamento.

Olhar disse...

Carlos 10.54AM
Desculpe lá, mas tenho que manifestar o meu mais profundo desacordo...:)
A mim, o que o filme mostra é que a mulher não desistiu nem da paixão, nem da consumação que a mesma lhe fez sentir.
Antes pelo contrário!!!
Viveu-a profunda e intensamente, entregando-se-lhe inteira nos quatro dias que lhe dedicou, não concorda?:)

andorinha disse...

"...vai fazer com que uma delas opte pelo divorcio, até nesse sentido o filme abre as portas para um novo ponto de vista......."

Frisou a Su e muito bem:)
Já me esquecia deste pormenor, mas é relevante.

Fiury,
"eu é que não queria ser teu marido:)))))"

Não se porquê!:)))))) Lol
Eu não disse que todas as mulheres são superiores a todos os homens. Só algumas...:)

Estou a brincar, claro. Não tenho essa visão, que seria injuriosa para homens que conheço.
Gosto de deixar essas bicadas como provocação aos meus amigos murcónicos machos, é só:)

rosa disse...

Sr. Júlio Machado Vaz, esses dois filmes que tão bem descreveu, ou abordou, são dos meus filmes favoritos. Muito gostei de ler a sua opinoão/interpretação. No fundo, gosto sempre de o ler e ouvir.


(não li os comentários, sempre pertinentes porque cheguei agora e estou cansada, lerei mais tarde.)

rosa disse...

Sr. Júlio Machado Vaz, esses dois filmes que tão bem descreveu, ou abordou, são dos meus filmes favoritos. Muito gostei de ler a sua opinoão/interpretação. No fundo, gosto sempre de o ler e ouvir.


(não li os comentários, sempre pertinentes porque cheguei agora e estou cansada, lerei mais tarde.)

rosa disse...

p.s. A minha história de amor preferida é a de Pedro e Inês. O bailado da Olga Roriz e o livro de Luís Rosa.

Fora-de-Lei disse...

andorinha 4:22 PM

Se fosses minha mulher, enchia-te o cabaz todos os dias até aprenderes a andares na linhaça... ;-)

AQUILES disse...

Fora-da lei

Meu caro
Fiquei sem entender bem aquela daquele amor perfeito. Interrompido pela morte natural, ou perfeito pela felicidade de matar?(obliteremos as razões do enfim, livre)

noiseformind disse...

Como hoje e inicio de semana aqui na Arábia vou começar por mandriar um cadito e dar input para a conversa. Como declaracao de principio gostava de dizer que já estive em todos os vértices possíveis do triangulo (incluindo no meio, quando estão três mulheres nos vértices e um homem no centro) excepto o de “encornador”. Como tal sei bem o que e descobrir coito danado de parceira ( vulgo “corno”) e ser amante de alguém comprometida ( vulgo “auxiliar de fazer corno”). O lugar mais ético na minha opinião e precisamente este ultimo. Porque somos alguém livre a ajudar alguém a viver livremente fora de condicionantes apriorísticas. As aguas para alguém que usufrui de uma quase completa liberdade para se entregar a determinada pessoa n podem ser comparadas com quem, encontro a encontro, sopesa o prazer sentido com a necessidade de atender aos miúdos, ao marido e aos deveres sociais do casal. São mais cristalinas, mais oxigenadas. Falamos delas as nossas amizades, recebemos pouca macula e muito apreço (aparentemente ser amante de uma mulher portuguesa começa a ser quase um acto de solene caridade) e a vida segue sem pesos vários de consciência. Falo, atencao, de amantes equilibrados, com vidas autónomas. Haverá muito quem mais cedo que tarde descambe para jogos de possessividade que nada abonam ao degustar do Fruto Proibido (ironicamente, o nome de um motel na região de Braga). Trair parece-me natural por varias razoes e infeliz ou felizmente nenhuma se atravessou ainda no meu caminho como namorado ou esposo (beeeeeeaaaaaaarrrrrrrrrgh) de alguém. Como amante normalmente foi uma mistura de boa disposicao da minha parte acoplada a tempo para falar de si próprias da parte delas e incapacidade de modelar a sexualidade dos parceiros as suas necessidades que levou esta ou aquela mulher ao meu leito (ou ao leito do hotel mais próximo, ou por vezes ao carro). Não se tratava de maridos impotentes ou desprovidos de simpatia. Simplesmente a conversa já n despontava, a ternura era feita com bens em vez de palavras e o sexo n acompanhava a qualidade aos níveis mínimos prometidos numa qualquer edicao da cosmopolitan.
Sendo assim julgo que o “caso” faz todo o sentido de ser auto-contido. Dado que o amante vem para o mundo da pessoa como complemento e n como substituto. Vem para dar alegria a quem trai e uma maior satisfacao e n para fazer um reboot em termos existenciais da vida dos dois amantes. Parece-me portanto natural que os casos se vão repetindo na vida de muitas mulheres parando sempre em momentos de maior “beicinho” do amante solteiro (ou casado…). Por definicao, o “caso” permite manter um namoro muito superficial em termos da existência corriqueira dos envolvidos. N se sabe os detalhes emocionais nem como seria “todos os dias”. Apenas se sempre uma enorme alegria nos momentos que antecedem o encontro e uma enorme satisfacao no fim do mesmo. Alias, nunca percebi as mulheres que fazem com os amantes os mesmos calvários que com os maridos. Depois nunca estão satisfeitas, claro. Se de um mal fazem dois!
Contar e que me parece injusto. Nada de contar. Em primeiro lugar pq mulher que conta pode estar a preparar enterro do amante, há por ai muito corno manso que na posse de dados biográficos do amante da esposa vira corno bravo. Depois pq rapidamente se pode enquinar, por exemplo, a relacao com um circulo social nuclear mais alargado (filhos, familiares, etc).

O que estou a tentar dizer com tudo isto e que a infidelidade n me irrita de sobremaneira. O casamento sim, entedia-me e assusta-me. Ate pq, de centenas de casamentos que conheço, nunca conheci nenhum com uma grande chama sexual. E já conheci mulheres que tiveram anos a fio uma grande chama sexual com “casos”, e n digo isto pq era eu o amante.

Ate pq, e voltando aqui a uma postura de profissional desapegado destas coisas do encornar, devemos dizer que quando o sexo se torna uma eterna infindável negociacao extra-sensorial perde-se no casamento a capacidade para ele ser pleno. Com uma relacao extra-marital ganha-se, ou conquista-se n sei, a capacidade de voltar a viver pelo tesão e n pelas discussões que se teve ou n teve antes e pelas chatices que aconteceram ao longo desse dia antes da cama.

Su disse...

miudo....tu devias fazer um filme:)))))))eheheh jocas maradas de maluqueira boa....saudita

cabecinhapensadora disse...

O meu avô era um homem tranquilo com uma paixão vitalícia. Quanto ao filme, vale pela poesia dos intérpretes num quotidiano caseiro e algo bonito. Não recordo pormenores a não ser os olhos de Meryl que sempre me impressionam no que transparecem; e também aquele seu gesto maquinal de ajeitar o cabelo, como se representar não o fosse.'heranças', os pais deixam muitas. Da genética ao como se vive. Porque a vida é um conjunto complexo, e ainda que existam momentos decisivos, a parte não substitui o todo. No amor, como em todas as coisas, há só escolhas.

lobices disse...

...no amor, como em todas as coisas, só existe um caminho: amar!...
...
...abreijos per tutti

PILAR disse...

Este é o filme que vi mais vezes ao longo destes 37 anos! Retenho na memória alguns diálogos e emociono-me cada vez que os oiço.

Tenho dúvidas se aquela mulher vivia um amor tranquilo...sei sim, que tinha uma vida por demais prosaica...sem poesia!

Este filme tem o dom de me atormentar acordando dúvidas! Vamos traçando o nosso caminho, sem nunca sabermos se as possibilidades largadas na berma não nos levariam a um melhor percurso..

Esta é mesmo a aventura de viver.

Deixo aqui um pouquinho do livro que acho lindo:

"...Euclides não tinha sempre razão.Partia do princípio que as paralelas eram constantes até ao infinito; mas também é possível um modo de vida não euclidiano, onde as paralelas se tocam, no além longínquo. Um ponto em que tudo desaparece. A ilusão da convergêcia."

Laura disse...

Completamente de acordo consigo.
Ou o amor tranquilo é um amor imberbe, ingénuo e acidental
(e nessa medida é um perfeito amor cego…)
Ou então é um amor verdadeiro, que merece esse nome. Foi escolhido e é inteligente, sábio e experimentado.
No primeiro caso só por sorte (ou azar, eheh...:):) resiste à vida.
No segundo caso, pode ser um sentimento de ferro, ah se pode!

O problema é que esta evidência tem armadilhas terríveis e muito óbvias:
- primeiro, porque tranquilidade é um atributo que a maioria julga morno, pobre, frouxo e desinventivo para algo tão empolgante como o amor. Quando a verdade é que é um estado tónico , que permite gozar infinita e repetidamente um privilégio.
- depois, porque como o amor vive da recicprocidade e tem de ser sustentadas por 2 pessoas... é preciso que a percepção da vantagem do amor tranquilo seja igual entre as partes. Ora,. também em matéria de recursos cerebrais é difícil encontrar par... (se calhar mais difícil ainda do que na ‘química’ e nas emoções)

Deveríamos entender que para manter o lume não é preciso propriamente ardermos nele. Basta ser 'frio' quanto às coisas certas e no resto… deleitar-mo-nos a consumir (apenas) as energias renováveis :):):)

Para tudo é preciso sorte!!! Mas como na vida em geral, também no amor ninguém é insubstituível (pelo menos enquanto se mantém em pleno o poder de escolher.). Por isso, um dos mitos em que de todo não acredito é que exista essa coisa dos amores predestinados e da única metade certa,. Ora, ora!

Também não vejo mal nenhum em se ser normativo nestas e noutras matérias. A norma não é um exercício maléfico ou prepotente, desligado da vida. Pelo contrário, é o resultado do conhecimento apriorístico.
Própria do ser humano:)

Brancamar disse...

As Pontes de Madison Country foi um filme que me ficou na memória, pela interpretação genial dos dois gigantes que interpretam a história. de Meryl Strep sou mesmo fã incondicional, procuro não perder um filme seu. A história bonita, num cenário campestre muito interessante não deixa de ser a história mil vezes repetida no cinema e na vida real, das dificuldades de uma opção por uma paixão avassaladora(?) naquele caso apesar do pouco tempo em que se conheceram parece ter ficado a marca de algumas afinidades que logo intuiram. Fazer interpretações sobre estas situações é sempre complicado. O Júlio sabe melhor que qualquer um de nós que cada caso é um caso e é evidente que estas opções nunca são lúcidas se tomadas tão rápidamente como no filme era suposto serem tomadas. Ou se tomam opções amadurecidas e reflectidas ou a maior parte das vezes não valem o risco das mágoas que deixam. É tudo tão subjectivo, é tudo tão dependente das circunstâncias de cada um.
Tenho uma amiga que tem uma admiração imensa por uma paixão que a mãe teve na juventude, ou melhor não era uma paixão, foi um daqueles amores que noutros tempos eram "impossíveis", por razões de classe social e que perduraram pela vida fora no coração, na lembrança, sempre vivos. A minha amiga quando era muito jovem não achava muita graça que a mãe falasse nesse amor, curiosamente parecia amar o marido ao mesmo tempo, de outra maneira, que tinha conhecimento do caso e foi o autor do afastamento dos dois apaixonados, forçando a situação. Hoje a filha olha para essa história da mãe, que já tem 88 anos com ternura e chora até dizendo: "Coitadinha, ela sofreu muito, nunca se esqueceu pela vida fora."
Isto para dizer porque não os filhos acompanharem a afectividade dos pais? É evidente que nem todos compreendem, é evidente que ainda há quem ache que os pais são seres sagrados e "assexuados", assim como também os filhos não têm que nos contar os seus casos, não temos que lhes contar os nossos, mas também aqui as pessoas são todas tão diferentes e quando se querem abrir porque não compreendê-las?
Um beijinho

A Menina da Lua disse...

Olá!

Gosto desta calma por aqui no Murcon e os postes do Professor continuam tocantes e recomendam-se...:)

O filme é "lindo de morrer" e a Meryl teve, quanto a mim a melhor das prestações da sua vida artística; até o seu andar e sentar pareciam duma mulher que sempre viveu ali no meio do nada, como aliás são muitas daquelas localidades americanas.

A paixão quando possível a dois é única e é muito bom vivê-la e por isso eu tambem senti uma vontade imensa que ela abrisse a porta do carro na tal cena. Mas penso tambem que o final só podia ter sido aquele; tudo a mais seria um imenso risco que a poderia levar para o equívoco; as perdas seriam enormes e suficientemente pesadas para minarem a nova relação...
Quanto ao "deixar rasto" parece-me igualmente incompatível com a decisão de ter ficado; concordo em absoluto com o Professor quando diz:
"Pelo contrário, teria muito medo que sentissem a revelação como a prova de que, admitindo-o ou não, eu teria sido infeliz durante anos, desistindo da "verdadeira felicidade por causa deles".

Laura

"Para tudo é preciso sorte!!! Mas como na vida em geral, também no amor ninguém é insubstituível (pelo menos enquanto se mantém em pleno o poder de escolher.)

Sorte sim! mas olhe que as más escolhas raramente acontecem por acaso por vezes procuramo-las:) e quanto às pessoas, elas são absolutamente insubstituíveis o que nos vale é que no amor acabemos sempre por saber amar o que de diferente encontramos nelas...

Boas férias!

Nena disse...

Vi o filme já tem algum tempo, na altura me fez pensar se tivesse acontecido comigo qual seria a minha escolha, acho que ela fez a escolha certa a vida torna-se rotineira com o passar dos anos, talvez a paixão que aconteceu com ela foi o quebrar da rotina e que se os dois ficassem juntos seria novamente o caminho para uma nova rotina, e assim ficou um sonho.

Roberto Ivens disse...

Pois eu confesso que por causa deste post fartei-me de procurar o DVD do filme, que queria rever e alargar o visionamento à parte teen-ager da família, por várias FNAC e Blockbuster e nickles...

Jessie disse...

Ora depois de algum tempo, volto para ler um post que me toca tao de perto:

Adorei o filme (e o livro)... E chorei de cada vez que o vi(li)... Sou uma romantica incorrigivel...

E porque neste momento me sinto numa fase da minha vida em que as certezas me parecem fugir debaixo dos pes, no que diz respeito ao amor...

Obrigada mais uma vez Prof.

Beijinhos,
Ladybug

Fora-de-Lei disse...

AQUILES 3:53 AM

Qualquer amor que seja interrompido por qualquer outra coisa que não a morte natural, não pode ser nunca um amor perfeito...

Silent Wings disse...

O amor tranquilo é sem dúvida importante para uma certa estabilidade.Deve ser bom envelhecer assim, numa comunhão de sentimentos, numa partilha de afectos e onde o sexo (que é o que mais pode entrar em rotina e perder o interesse) se pode reinventar num esforço comum. Não digo que seja uma imagem utópica pq conheço 1 ou 2 casos, mas que não é comum, ai isso não é!
Uma paixão avassaladora, daquelas que nos põem borboletas no estômago e nos fazem andar nas nuvens? Óptimo, óptimo, mas não duram sempre.. é bom ver transformar-se uma paixão dessas num amor tranquilo que, de vez em quando, eclode em paixão de novo. Júlio, como é perito nestas coisas, diga lá - é possível isto?
Há tempos estava com uns amigos e um deles, casado há 20 e tal anos, com um ar meio lamechas diz solenemente para a platéia que está mais apaixonado pela mulher do que quando casou...!!!???
Parece isto possível?

andorinha disse...

FDL (10.57)

És capaz de me explicar o que é um amor perfeito?

Nem devia falar contigo já que és apologista de violência doméstica, mas como és do Glorioso uma coisa contrabalança a outra:))))))))))

moon disse...

:))))))))))))))))

Júlio, malta,

qual tranquilo?!
18 anos de casamento depois (e mais uns quantos de namoro)sabe tão bem fazer as pazes após uma bela 'discussão', que se dane a tranquilidade!...
Por isso, se notarem de quando a quando uns tremores de terra para os lados de Braga, sorry...:)
Um dia muito bom para todos!:)

Vera Carvalho disse...

"Qualquer amor que seja interrompido por qualquer outra coisa que não a morte natural, não pode ser nunca um amor perfeito..."

Achas mesmo... Depende se o que vives-te até aquele ponto não for algo que não te arrenpendas esse amor valeu a pena !

debbie harry disse...

É um dos meus filmes favoritos e uma bela metáfora sobre o que se perde e ganha na vida. Naquele caso, mais o que se perde, bem mais. Pessoalmente acredito noutra versão da história, até porque a Francesca, não só pela paixão arrebatadora que sente, precisava, sem dúvida, de correr mundo! No final do filme chorei que me fartei :)

Fora-de-Lei disse...

andorinha 9:37 PM

”És capaz de me explicar o que é um amor perfeito?”

Bolas, eu achava que a resposta estava implícita no meu comentário. Cá vou eu ter que me repetir: amor perfeito é aquele que só pode ser desfeito por morte de um dos parceiros.

Quanto à violência doméstica, um dos factores que joga a favor da minha mulher é o facto de ela também ser benfiquista. Caso contrário... ;-)


Vera Carvalho 12:13 PM

”Depende se o que viveste até aquele ponto não for algo que não te arrenpendas...”

Calma aí: eu não disse que um amor imperfeito também não poderia ser interrompido pela mesma razão. O que eu disse foi que a única causa que pode desfazer um amor perfeito é a morte.

carlos disse...

olhar 1:58 PM

Tem razão, expressei-me mal.
Referia-me ao "artifício narrativo", quando o realizador o utiliza é para dar a perceber que ela nunca desistiu do que sentia. Sem esse artifício o espectador podia ficar com essa ideia.
E sim, ela entregou-se, como só uma mulher é capaz de se entregar, por inteira naqueles dias.

andorinha disse...

FDL(10.50)

Os conceitos de amor perfeito ou amor imperfeito não fazem muito sentido para mim.


"Qualquer amor que seja interrompido por qualquer outra coisa que não a morte natural, não pode ser nunca um amor perfeito..."

Também não entendo, amigo e companheiro:)

Só a morte confere o carácter de perfeição ao amor?
Enquanto um dos parceiros não morrer não sabem se o amor era 'perfeito' ou não?!

anfitrite disse...

Professor,

Obrigada por ter respondido ao repto que lhe lancei.
Pelos vistos vale sempre a pena arriscar. Saíu um postal perfeito(com excelentes comentários, que ainda não tive tempo de ler todos), porque até o meu computador, ficou tão emocionado, que entrou em parafuso e pifou.

Quanto à sua análise, ela tem algumas pontas por onde gostaria de pegar, por discordar delas.
Um filme destes só pode estar nas brumas da memória de um homem tranquilo. Talvez por isso, lhe tenham passado despercebidos algus pormenores importantes.

Quanto às opções, hoje, eu sei que se encontrasse a molécula que falta para a cadeia perfeita, eu não exitaria!
E essa molécula seria alguém que dissesse por exemplo:
-Há pessoas que procuram isto toda a vida, e nunca o encontram.
-Outros nem sabem que existe.
-Parece que tudo o que percorri na vida foi para te encontrar.
-Não sei se conseguirei fazer isto. Encaixar uma vida inteira entre hoje e sexta-feira.
-Uma certeza como esta só acontece uma vez na vida..........

A interpretação de Meryl é fabulosa. Ela nem precisava de falar(apesar de ser perita em se adaptar a personagens de outras origens). As suas expressões, os seus gestos dizem tudo. Não é só a sua mão crispada na porta, é a temperatura, que quase faz explodir, uma carrinha, num dia chuvoso. E é mais uma vez uma reles buzinadela, que a chama à realidade. Uma mulher que admirava Yeats, que tinha sido professora, que nem a sua música podia ouvir. Uma mulher que nem tinha referências para indicar um caminho. Uma mulher que abdicou de tudo. Por isso, no fim, ela diz:"Dei a minha vida à minha família. Quero que dêm ao Robert o que resta de mim".

Eu acho que ela fez muito bem em deixar aquele testamento. Ensinou os filhos a viver. Repare que o filho,( mais uma vez os homens) que no princípio, teve aquela reacção pequeno-burguesa, e nem queria cumprir o testamento, com medo do que os outros pudessem pensar, acabou feliz, deitando as cinzas sobre a ponte.
Todos nós temos os nossos jardins secretos. Há coisas que nem ao melhor amigo se dizem, nem ao psi, nem mesmo ao
diário. Uma mulher com aquela sensibilidade com quem é que ela poderia desabafar? E eu, que faço ao meu diário, que tem pormenores, que já me escaparam à memória? Dou-lhe fogo com medo do que possam pensar de mim depois de morta?
Professor, desculpe, mas acho que ainda tem muitos nós na cabeça que precisa desatar. Apesar dos príncipios, há muito preconceito que deve banir.

Aos 58 anos só existe um amor tranquilo, se ele tiver por base uma longa vida de cumplicidades, de afectos, por que, se não, é um conjunto de duas solidões. Na melhor das hipóteses serão dois amigos que partilham a mesma casa.

Repare no nosso Querido Clint. Só depois duma vida intensamente vivida (teve sete filhos de cinco mulheres diferentes, viveu com a Sondra Blocke, que não lhe deu filhos, mas deu-nos uma interpretação fabulosa no filme "The heart is a lonely hunter", que lhe valeu a ela e ao Alan Arkin a nomeação para os óscares do melhor desempenho (um filme que o Aquiles deveria ver com os seus amiguinhos surdos, que, apesar de forte, nos mostra como a Amizade ensina um surdo a "ouvir" e a sentir a música. Perdo~em-me mas eu não tenho emenda), que fez filmes como o "Dirty Harry", os agradáveis westens italianos(a música ajudou), mas foi só depois dos sessenta que ele nos deu filmes como este, em apreço, Million Dollar Baby, Mystic River, Unforgiven, A Perfect World, etc., para já não falar nas fabulosas bandas sonoras que criou.

Já agora lembremo-nos das mariposas.

CANÇÃO DO DELIRANTE AENGUS (1899)

Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.




P.S.-Não são os ocidentais que consideram perfeitos os amores interrompidos pela morte. São os orientais, que até dão comida aos mortos.

thorazine disse...

Uma notícia para a extrema direita:

"Envelhecimento de Portugal só pode ser atenuado pela imigração

27.08.2008, João Ramos de Almeida

População portuguesa poderá só diminuir duas décadas mais tarde do que o esperado. O Eurostat estima uma redução três vezes inferior à oficial

A população portuguesa poderá crescer mais do que o previsto pelo Governo português e só diminuir duas décadas mais tarde do que o esperado oficialmente, caso se concretize o cenário das projecções populacionais do Eurostat entre 2008 e 2060, ontem divulgadas. O Ministério do Trabalho parece congratular-se, mas esta previsão pressupõe um saldo migratório anual três vezes superior ao esperado pelo Governo.
As projecções do Eurostat a quase 50 anos de distância traçam as principais tendências populacionais da Europa e dão um panorama das grandes linhas de evolução demográfica em todo o continente (ver pág. 3).
Mas partem de um conjunto de pressupostos para o crescimento populacional que poderão ser discutíveis. Como se pode ler na nota metodológica do documento distribuído, este é apenas um dos cenários possíveis e baseia-se na concepção de que os Estados membros irão convergir no longo prazo (até 2150) para uma matriz sócio-económico e demográfica comum (ver caixa).
Para Portugal, a projecção acaba por ser mais optimista quanto a um cenário de decréscimo próximo da população como era o traçado em 2006 pelo grupo de trabalho que esteve na base da construção dos cenários oficiais, para a análise de medidas para um equilíbrio financeiro da Segurança Social. Essa previsão justificou um conjunto de medidas de reforma que vieram, naquele ano, reforçar a sustentabilidade do sistema.
Uma nota do Ministério do Trabalho enviada ao PÚBLICO sublinha o aspecto de que a "população vai crescer mais do que se previa na anterior projecção" (mais 6,1 por cento contra uma quebra esperada de 4,5 por cento). Crescerá mesmo a um ritmo superior ao da média europeia. Enquanto o Eurostat estima uma inflexão da população apenas entre 2040 e 2050, o Governo português aceitou que a população diminuísse entre 2020 e 2030. Para o Eurostat, o estrato etário que contribuirá para essa expansão é, sobretudo, a parte de população em idade activa (entre os 15 e os 64 anos), o que trará efeitos na redução do índice de dependência de idosos. O ministério chama a atenção para o facto de se ter reduzido o peso dos idosos face ao cenário oficial, o que representará um ligeiro alívio para a Segurança Social.
Mas este cenário terá de ser visto com cautela. Por exemplo, o sociólogo e investigador Tiago Santos, do centro de investigação de ciências sociais e humanas Númena, estranha os valores para Portugal.
O rácio de dependência dos idosos mede o peso dos idosos na população em idade activa e, consequentemente, a relação entre a população que possa financiar o sistema e a parte da população que beneficia dos descontos. A melhoria é, contudo, apenas ligeira. Grosso modo, ambas as previsões estimam que, se em 2010 haverá cerca de quatro potenciais activos a financiar um idoso, em 2060 serão apenas dois (1,7 pessoas para o Governo e 1,9 pessoas para o Eurostat). Ou seja, uma quebra para metade.
2,3 milhões de migrantes
Em segundo lugar, a diferença entre os dois cenários parece estar, sobretudo, na previsão do Eurostat para um fluxo migratório mais poderoso do que o esperado pelo Governo. A discrepância entre o Eurostat e o grupo de trabalho oficial não é despicienda e deve-se aos pressupostos distintos de que partiram. O Eurostat considera que Portugal deveria esperar, no final do período de 2060, um saldo acumulado de cerca de 2,3 milhões de migrantes. Isto é, um saldo migratório positivo de 44 mil pessoas por ano, o que, face às estatísticas oficiais é, para Tiago Santos, "um número surpreendentemente grande", mesmo tendo em atenção a migração ilegal.
Ora, o grupo de trabalho oficial foi, em 2006, mais comedido. O saldo migratório líquido seria de 36 mil pessoas em 2005, passando para 18,3 mil em 2010, de 16,6 mil em 2015 e, a partir desse ano, de 15 mil. Ou seja, caso se somasse esses saldos líquidos anuais atingir-se-ia um valor de 900 mil pessoas, cerca de 40 por cento do previsto pelo Eurostat.
De qualquer forma, a tendência de fundo é coincidente em ambos os cenários. Os efeitos de um envelhecimento da população portuguesa apenas poderão ser atenuados por uma migração mais significativa."

in Público

PS - Desculpem a cinéignorância, mas nunca vi.. :(((

non! mon amour! disse...

"amor perfeito é aquele que só pode ser desfeito por morte de um dos parceiros." FDL

... então e um amor, que nem a morte consiga "desfazer" o que será ?

yes! my love! disse...

O problema da Francesca parece-me ter sido o de não ser capaz de trocar o certo pelo incerto ~~

e nem sequer me estou a referir ao lado amoroso da questão ~~

mas ao lado mais prático da vida :

o dos outros afectos construídos nas rotinas familiares, nos prazeres deveres maternais, fraternais, sociais-familiares, familiar-sociais, em suma,

o do estilo de vida que ao fim de uns anos largos nos serve como um fato velho que ganhou estatuto de vitalício,

apesar de já nada nele nos poder surpreender ~~ seja em que sentido for ~~

Fora-de-Lei disse...

non! mon amour! 10:02 PM

É como a Gramática Portuguesa, onde há o Pretérito-Perfeito e o Pretérito-mais-que-Perfeito...

oui! mon amour! disse...

Anfitrite, obrigada!

Brancamar disse...

Já li por aqui tantas coisas engraçadas..."o amor perfeito, até que a morte nos separe","o sexo é o que entra mais cedo na rotina", etc,etc, então há regras estabelecidas para toda a gente?
E então quando se encontra um maluco(a) pela frente, de feitio intratável, ou que tenha azedado ou enlouquecido gradualmente ao longo dos anos, não pode ser o feitio e a interacção a cair mais depressa na rotina que o sexo ou caírem os dois ao mesmo tempo?
Ou quando se aguentam tolos(as) como sabemos que há muitos, durante 30 anos ou mais, até que a morte os separe, isso é o amor perfeito, como dizem ali acima?
Não será legítimo nestas circunstâncias outra opção de vida?
Dirão alguns que o "amor perfeito" inclui absoluta tolerância e quando para além de malucos um deles trata mal os filhos como também sabemos que existem muitos casos, o outro é obrigado a assistir a essas barbaridades, será que lhe pode restar algum amor?
Que sabemos nós da intimidade das pessoas?
Será um campo em que possamos opinar do cimo da nossa "sabedoria"?
É algo que pertence tanto a cada um, desde que não colida com a liberdade e repeito por si próprio e pelos outros, porque não apenas compreender?
Beijinhos para todos.
Branca

CêTê disse...

Boa noite

Cada caso não será um caso? Não arriscaria "tipificar triângulos"

"Triângular" relações não será planificar e reduzir para uma complexidade redutora 3 vértices de "poliedros" complexos? Como se estivessem num mesmo plano?

E bastará conhecer os 3 vértices de um triângulo para podermos fazer generalizações e juízos de valor...

tss tss

anfitrite disse...

FDL,

Nãi sei se é um puro Cartesiano, se um verdadeiro "Comtista".
Para além do bom-senso, por que não lhe junta uma pitada de sensibilidade?!

Obrigada pelo esclarecimento. A compensação está num comentário de um postal anterior, além daquele que voou e onde eu afirmava isto:

"Quanto ao FDL, não se preocupe porque ele é capaz de enfrentar qualquer crítica, até ainda deve ser daqueles homens que se levanta para dar lugar a uma mulher." Embora aqui fique descontextualizado. Já fiz a rodagem no murcon e agora já tomo as minhas precauções.



Mon amour!

OBRIGADA, DIGO EU!

Anfitrite




P.S.- Quanto à Sondra ela é Locke. Eu é que estava bloqueada por causa do blockbuster.

goncalo disse...

Caro Prof,

Em reunião com um cliente, reparo no nome - Bernardino Machado - e atiro: você tem nome de Presidente!...A resposta veio pronta: tenho nome e sou trineto do 3.º Presidente da 1.ª República!. De imediato, a pergunta: então deve ser familiar do Machado Vaz? O que costuma aparecer na televisão? Somos primos. Depois a dúvida: então como é que ele é neto e você trineto? Por fim, o esclarecimento: Meu trisavô teve (!!!) 18 filhos - a que eu acrescentei 2 mandatos...- e o meu Bisavô foi dos mais velhos, daí o desencontro de gerações, duas
pelo meio. O Pai do JMV terá sido dos mais novos. Ficou assim tudo explicado. Não sei se o conhece, mas o seu primo vive em Lisboa e trabalha numa empresa do grupo PT e é um tipo bem porreiro...

lobices disse...

...abreijos

susana disse...

Deixar ou não um amor tranquilo por uma paixão avassaladora?
Pergunto-me se a paixão avassaladora não decorre, não de um amor tranquilo, mas exactamente da falta de amor.
E havia filhos.
Se se vai, jamais se vive tranquilamente sem os filhos e na certeza do não perdão.
Se se fica, fica-se por eles.
E o tal amor tranquilo, é o eternizador da intranquilidade interior, que um dia tem de ser contada, porque explodir não foi possível.

thorazine disse...

"Sinto cansaço apenas. De fazer a barba todos os dias, de levantar, vestir, tomar banho, pequeno-almoço, comer, mastigar, engolir... Tudo isso, essas coisinhas fáceis e corriqueiras mas que são sempre as mesmas. É sempre a mesma coisa, a mesma ordem, ver a televisão... Tudo isso é uma chatice".

Manoel de Oliveira, "Diário de Notícias", 31-08-2008

Dasse!! Tenho 20 e poucos e há dias que penso o mesmo!!! :|

andorinha disse...

Thora,

Deixa lá, isso é uma questão transgeracional. Tenho 54 e há dias em que também penso o mesmo:))))

À excepção do fazer a barba, claro:) Looooool

yes! my love! disse...

Thora, e quando em vez de se sentir esse cansaço, o cérebro opta por "ignorar" todas essas tarefas porque se encontra absolutamente fascinado por algo ou alguém ~~ isso é obra d' " o acaso que comanda as nossas vidas" :)



ainda não tive oportunidade de ler o livro, mas já está na minha mira :

http://www.divulgarciencia.com/index.php?s=apelativas

anfitrite disse...

Quem começa a entender o amor, a explicá-lo, a qualificá-lo e quantificá-lo, já não está amando.
Roberto Freire

O amor pode morrer na verdade, a amizade na mentira.
Abel Bonnard

Não existe amor impossível, o que existe são pessoas incapazes de lutar por aquilo que chamam de AMOR!
Viiviane Rosa Figueiredo

Em amor é um erro falar-se de uma má escolha, uma vez que, havendo escolha, ela tem de ser sempre má.
Marcel Proust

anfitrite disse...

Thora,

Já vi que é um rapaz preocupado e interessado.
Não se preocupe tanto com o dia de amanhã, porque ele não existe. Existe apenas o Agora...que já foi!

Ninguém pode prever o que está para acontecer. Como há cinquenta anos atrás, ninguém poderia imaginar
o que está acontecendo agora. (Apesar do Júlio Verne ter alguma imaginação). Quase tudo o que as pessoas escrevem e dizem é para ir ganhando a vida, fazendo especulação.

Especulando, imagine que um cientista "louco", resolvia soltar todos os vírus do ébola e outros, que estão tão bem congelados.
Talvez se resolvesem os problemas das reformas, já que não há companhia de seguros que o resolva.

Todos nós nos sentimos cansados ao longo da vida, de uma maneira ou de outra. Mas os graus vão variando e a fadiga sempre vai sendo superada. Até um dia...

Vá tirando partido do que melhor a vida tem, em cada momento que vai passando.

Desculpe, mas hoje deu-me para divagar.

oui! mon amour! disse...

Uih que desgraça, para o que é que pessoas com tanto talento andaram uma vida inteira a trabalhar ?ainda para mais, fazendo o que lhes dava prazer ?

Ainda agora há pouco, enquanto tomava o pequeno almoço e ia espreitando a revista do CM - Vidas,

li por acaso (?) esta frase de Ney Matogrosso :

" Acho a realidade muito chata, aliás acho o Mundo muito chato "

e fico com tanta pena! destas pessoas que chegam a estas lindas idades, neste "lindo" estado ...


Anfitrite,

eu ontem também não conseguia dormir :) e só me apetecia divagar ...

e foi vc que me pôs assim :) com os filmes que me põe a ver ...

Olhar disse...

Carlos 11.37AM
:)
Expressou-se mais ou menos bem.
O que a mim apeteceu foi, confirmar...;)))

moon disse...

Julinho,

Para variar:), gostei da entrevista na GQ!
Nice smile:)
Kiss

anfitrite disse...

Para a Oui,

Como sou sádica!
Fico contente por inquietar certas pessoas. Elas poderão não ficar mais felizes mas, pelo menos, ficam mais "ricas" e poderão ser mais úteis.

"A amizade é , acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor".
Marguerite Yourcenar


Boa noite a todos.

Linda disse...

Li e reli o livro vezes sem fim, adorei, vi o filme e fiquei um pouco decepcionada, valeu as boas interpretações dos actores principais( sou fã da Meryl Strep)
Agora analisando o certo e o errado, quem somos nós para avaliarmos os sentimentos dos outros?
Até certo ponto acho bom os filhos terem conhecimento da história de amor da mãe, talvez lhes ensine alguma coisa.
Bom debate!!!
Fique bem Julio Machado( sou sua fã)
Linda

Julio Machado Vaz disse...

Gonçalo,
Eu sou bisneto:). E dê um abraço ao Bernardino!

Canseiroso disse...

Ao filme eu daria o título: «Sózinha em casa...» e ficava tudo explicado.
Saudações

anfitrite disse...

Canseiroso,

!«Sózinha em casa...»?????? Isso era o que ela queria!
Mais um redutor!
As férias fizeram-lhe assim tanto mal?!
Ou é por voltar ao trabalho? Eu sei que os alentejanos são parcos em palavras(ao contrário dos algarvios que falam demais e quando não devem), mas reduzir este filme à sua afirmação, deve ser porque há falta de sombras no Alentejo. Veja se descobre uma ponte para se abrigar debaixo dela, ou que seja coberta.

Canseiroso disse...

anfitrite:
Se somos parcos em palavras é para evitar usá-las de forma gratuita.
Entretanto veja se se decide entre sermos parcos e redutores.

yes! my love! disse...

Anfitrite,

o Canseiroso não deixa de ter razão :)

até nisso, a Francesca teve sorte :)

se um fotógrafo daqueles :))

lhe aparecia à porta, com o marido sentado no alpendre,

no máximo, dos máximos, aquela paixão não teria ido além
de um suspiro contido até ao dobrar da esquina ~~

( e digo isto, tendo em conta a sua opção final ~~ )

Urraca disse...

A mim parece-me que o filme tem uma falha fulcral.
Há um personagem central que é completamente invisível: o marido dela.
Não aparece ele nem o que ela sente por ele.

E isso parece-me que é o que acontece nas infidelidades - o parceiro desaparece, torna-se invisível, fruto do egoísmo instalado.

Acho que uma grande falha do filme (enquanto representante da problemática deste tipo de decisões, não enquanto obra cinematográfica) é não mostrar o quadro completo destas realidades.

É nesse aspecto um filme muito pouco belo, porque pretende pintar com apenas com beleza situações que podem ser bastante feias e dolorosas.
Na minha opinião a fealdade supera absolutamente a beleza da infidelidade. Principalmente quando há amor no casal, ainda que tranquilo.