sábado, março 12, 2011

A Polícia não diz quantos, bom sinal!

Mais Portugal do que pensei na rua. À rasca...:(. E no entanto com humor e um saudável cheiro a desorganização, que sugere a ausência das máquinas partidárias e das suas camionetas estacionadas a duzentos metros. À espera dos que aproveitaram para ver o Jardim Zoológico, gozar a merenda e baralhar-se todos, risonhos, no momento de dizer quem fala no palanque.

A recordação de meu Pai. Ele gostaria de saber que pelo menos um dos netos lá ciranda. E a sua voz paciente, eu apelidara de anárquica uma barafunda qualquer, "a anarquia não é isso, meu filho". E o professor que era, vinte e quatro horas por dia, pedia a cena ao burguês e falava não da ausência de Governo, mas da sua inutilidade. Depois a voz fugia na direcção de tema favorito, eis-nos na peugada dos anarquistas catalães da Guerra Civil Espanhola, enquanto faziam plenários os Mouros de Franco e os aviões alemães de Guernica não perdiam tempo:(. Ouvi-lo foi um dos maiores privilégios da minha vida, a um outro nível escutar Ferré também.

Les Anarchistes.

Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart Espagnols allez savoir pourquoi
Faut croire qu'en Espagne on ne les comprend pas
Les anarchistes
Ils ont tout ramassé
Des beignes et des pavés
Ils ont gueulé si fort
Qu'ils peuv'nt gueuler encor
Ils ont le cœur devant
Et leurs rêves au mitan
Et puis l'âme toute rongée
Par des foutues idées
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
La plupart fils de rien ou bien fils de si peu
Qu'on ne les voit jamais que lorsqu'on a peur d'eux
Les anarchistes
Ils sont morts cent dix fois
Pour que dalle et pourquoi ?
Avec l'amour au poing
Sur la table ou sur rien
Avec l'air entêté
Qui fait le sang versé
Ils ont frappé si fort
Qu'ils peuv'nt frapper encor
Y'en a pas un sur cent et pourtant ils existent
Et s'il faut commencer par les coups d' pied au cul
Faudrait pas oublier qu' ça descend dans la rue
Les anarchistes
Ils ont un drapeau noir
En berne sur l'Espoir
Et la mélancolie
Pour traîner dans la vie
Des couteaux pour trancherLe pain de l'Amitié
Et des armes rouillées
Pour ne pas oublier
Qu'y'en a pas un sur cent et qu' pourtant ils existent
Et qu'ils se tiennent bien bras dessus bras dessous
Joyeux et c'est pour ça qu'ils sont toujours debout

De braço dado e alegres e é por isso que continuam de pé. Belos versos, caramba... À rasca sim, mas não de joelhos! Seria uma boa legenda para o que vejo no ecrã:).

48 comentários:

Manuel Henrique Figueira disse...

Enquanto os «à rasca» estão de pé, outros, confiantes, estão de joelhos!
M.H.F.

Caidê disse...

Quase já não me importam as palavras, porque a relevância está no discurso magno, nas grandes linhas, não na minúcia do discurso hoje, discurso amanhã.

O bloco central tem uma estratégia de jogo - equilibrar-se. Um pisa, a ver se pode. Outro é a retaguarda. Faz a análise e, se sente que o outro não pode pisar, encena a fita da discordância - tão só para o bloco se equilibrar, finge ser oposição.

Bloco central: borderline! Um, só um, a fingir que são dois. E, se acaso, um caísse, o outro fingia-se outro e apanhava as canas dos foguetes a mais queimados pelo primeiro. Se um estica, o outro encolhe.

Nunca vira semelhante pornografia política no meu país.

Dualidades gritantes, que afinal não passam de uma unidade. Alternâncias fingidas.Até aqui a alternância tinha sido apenas resultado eleitoral, mas agora é, mais do que antes, interna a cada mandato, de tal forma que se torna a sua identidade mais subjacente.

Até a dupla Cavaco e Passos Coelho não passa de uma dualidade da unidade - um é o passado, o rosto da versão instituída do poder há muito conquistado, já histórico, já legitimado; outro é o devir, a juventude a suceder, herdeira desse passado legitimado.

Hoje foi lindo!

A ponto de me apetecer perguntar. É, ou não, o Movimento Operário, em reaparição? Se operário não se definir como aquele que trabalha no sector da transformação (industrial), mas se definir como aquele que vende a força de trabalho, porque é a única coisa que tem...

Então, o futuro é o sindicalismo?

Temos de voltar ao movimento operário e ao anarco-sindicalismo?

Estamos na era da segunda revolução tecnológica, mas isso pode não ser um impeditivo. A História é estrutural, embora prenhe de conjunturas.

O governo aperta. Então, façam-se mais dias como o de hoje. Parece-me que o cerco tem de ser bilateral. E esta política governativa não passa de um cerco - mesmo que não vejamos as muralhas da cidade, como antes. São muralhas aos cidadãos: nós somos a cidade, desta vez.

Por mim, um é o Bloco propriamente dito (BdE), porque usa a terminologia.O outro é o Bloco em sentido lato ( de centro-direita), mas não usa a terminologia.

Este Carnaval chegará ao verão?

Fora-de-Lei disse...

Toda esta malta saíu à rua porque está farta das (recorrentes) vigarices de Sócrates e porque receia as (futuras) vigarices de Passos Coelho. Mas o mais giro é que quando chegam as eleições votam de novo na mesma merda...

joao de miranda m. disse...

Muito bem notado, fora-da-lei. Muito bem notado.

Caidê disse...

FdL
Não está assim tão bem notado, desculpa.
É tempo de se contabilizarem como de protesto os cerca de 50% que já não votam. Soma-lhes os votos à esquerda.
Não me parece uma questão de copo meio vazio ou meio cheio.

ana b. disse...

Prof:

Tem a certeza que as gotinhas só tinham neuroléptico? Com tanta atividade bloguista suspeito de um speedezinho associado:))
Agora a sério: Excelente e oportuna evocação da canção do Ferré. Na mouche!

A propósito de lutas: Recomendo o delicioso filme inglês, atualmente em exibição, "Made in Dagenham" dO Nigel Cole,com Bob Hoskins, Sally Hawkins e Miranda Richardson. Narra a luta de um grupo de operárias da Ford, num suburbio industrial de Londres, pela igualdade de salários entre homens e mulheres. O filme é baseado em factos reais e passa-se em maio de 68,`mês simbolico na luta estudantil.
O filme, em jeito de comédia (haverá maneira mais eficaz para se falar de coisas sérias?) centra-se essencialmente na batalha que aquelas mulheres travaram para que fosse alterada a legistação de modo a haver igualdade salarial. Muito engraçado, mesmo!
Aviso para os apressados: no genérico final aparecem depoimentos das verdadeiras trabalhadores. Resistam pois, a se levantarem ao primeiro sinal do The End! (Que mais não seja por respeito por quem está atrás...)
Mais uma nota: excelente reconstituição da época. Não fosse o filme inglês...

Caidê:
No post anterior (será? com tanto post até já estou baralhada) sugeriu que eu andaria pelos "nemas": Certíssimo. Errou apenas num pormenor: nas pipocas! Jamais com pipocas. Eu fujo das pipocas como do diabo da cruz:))

Manuel:

Gostei das suas sugestões. Até já comprei o último da Cristina Branco. Muito bom, é verdade!
Também de um CD que me encanta, repleto de boleros dos anos 50: "La Pasion" da Luz Casal:

http://www.youtube.com/watch?v=kq4WlZaWFzk

Penso que já o coloquei aqui, mas anterior á sua chegada. Ena, ena! Estou aqui, estou a ficar uma múrcónica anciã...:)))

andorinha disse...

Enorme adesão, sem dúvida. Eu também não esperava tanto!
E em várias cidades deste país!
É bom que isto se verifique, que nem todos se acomodem ou nunca saímos do pantanal em que vivemos.
Só que geração à rasca, não, mas sim várias gerações à rasca, não são os jovens os únicos a serem penalizados.

Espero que não se fique por aqui, já chega de aturar gente que só goza com a nossa cara e que nos trata como atrasados mentais.
A escumalha moral está no poder e não o larga...:(

Ouvi há pouco um dos organizadores dizer que há mais outra acção planeada ainda para Março, penso eu.
Digo isto, porque não apanhei o início da conversa...
Referiu também que no 1º de Maio lá estarão com a força de quem sabe que está a lutar pela sua dignidade.

Façamos todos do 1º de Maio mais uma grande moção de censura ao governo. Inundemos as ruas deste país porque temos uma voz que tem que ser ouvida.

Fui ouvir Leo Ferré. Delicioso!
Não me lembrava da canção e não podia vir mais a propósito.

Quanto ao neto, quem sai aos seus não degenera, né?:)

A. disse...

estive lá no Porto e há muito tempo que não me sentia tão orgulhosa em ser portuguesa.
beijo

Fora-de-Lei disse...

Caidê 9:18 PM

"FdL, não está assim tão bem notado, desculpa.

Não fui eu que disse isso. Assim, e a ter que haver um pedido de desculpas, esse tem que ser dirigido ao joao de miranda m. e não a mim. Eu limitei-me a constatar uma realidade muitas vezes repetida...

"É tempo de se contabilizarem como de protesto os cerca de 50% que já não votam."

Custa-me dizê-lo, mas - salvo raras excepções - esses "cerca de 50%" são uma cambada de ignorantes.

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b.
Parece que há quem se incomode com tanta sugestão de música (penúltimo comentário do post anterior).
Sou relativamente recém-chegado ao Murcon, talvez não esteja bem dentro das «regras», se preferir, dê-me o e-mail e passarei a indicar-lhe as músicas por aí.
Quanto à C. Branco, também já tenho o último, mas para mim o Kronos continua imbatível.

Vamos ver em que vai dar aquela multidão, se é possível tornar aquela força um instrumento útil para a mudança necessária.
O espectro partidário está podre e vicia o jogo permanentemente, porque a mudança tem sido sempre e só de sigla; a substância das políticas e o seu «modus faciendi» não mudam. Ao longo de 36 anos as tentativas de novas alternativas partidárias têm dado em nada. Estamos na bancarrota financeira e, pior ainda, na bancarrota política.
M.H.F.

ana b. disse...

Manuel:

Não se amofine. Quem não gostar, passa à frente.
Eu também ando sempre a dar sugestões cinéfilas. Quem não gosta de cinema, certamente faz by pass.

Também não sei dos estatutos do blogue, nem sei se existirão. Só o Prof. o poderá esclarecer. Posso apenas dizer as minhas linhas de orientação: falo do que me interessa e digo o que penso, mesmo que seja a discordar. Única restrição: insultar seja quem for!
Comporto-me aqui com as mesmas regras que na vida real: respeito pelo próximo é fundamental. E elogiar sempre! Desde que se goste, obviamente! Tenho a mania de gostar de transmitir o meu agrado e deslumbre por coisas ou pessoas quando me fascinam verdadeiramente,o que já me tem trazido alguns mal-entendidos na vida. Por vezes, a admiração pode ser confundida com interesse. É um risco que se corre.
Por isso: dê as suas sugestões sempre que assim o entender. Pela minha parte, agradeço. Gosto de estar aberta para o mundo.

Anfi:

A propósito da magnífica sequência do "Cinema Paraíso", evoco aqui uma atriz que recentemente nos deixou, e que deixa as atuais starletes , insufladas de silicone que abundam nas revistas e TVs, roerem-se de inveja:

http://www.youtube.com/watch?v=xVRYy_6m_T0

Magnífica Jane Russel!

Caidê disse...

FdL

Dirigi-te o pedido de desculpas, porque não pude fazer reforço ao "elogio" que antes fizera o João Miranda à tua nota discursiva "Mas o mais giro é que quando chegam as eleições votam de novo na mesma merda...".

Também não concordo que os cerca de 50% de abstencionistas sejam ignorantes. Nem como dizes:"salvo raras excepções".

A ignorância é carimbo que não coloco a ninguém, mas se seguisse o teu raciocínio, dir-te-ia que ela tanto estaria do lado de quem se abstém como do lado de quem vota (sobretudo se contra os seus interesses de classe).

O nosso povo foi vítima de 50 anos de obscurantismo e disso se aproveita o centro-direita de há muito no poder. O analfabetismo é ainda um cancro em Portugal, tal como a falta de acesso à cultura.

A isso não quero chamar ignorância, pois seria esquecer que colhemos da vida que temos a nossa súmula de sabedorias. E, mesmo os que se crêem cultos têm suas áreas e profundezas de ignorância. É, portanto, muito relativa a ignorância ou a sabedoria de cada um de nós.Portugueses de 1ª e de 2ª? Os 1ºs sábios e os 2ºs parvos? Nem pensar!

E, repara, não seria, então, ignorância governar como Sócrates tem governado?

O Japão levantou-se em menos de meio século da catástrofe da 2ª GM, mas Sócrates afundou-nos em muito menos tempo...

Não esqueço que além da ignorância há opção de interesses de classe, claro.

É fácil dizer que "O momento é difícil e que todos temos de fazer restrições". Para já, porque não somos todos, são apenas os que menos podem, os que menos valem, porque menos poder têm.

É fácil esconder que não se sabe governar em face de uma recessão fabricada a nível internacional de outra forma que não seja "Apertar-vos-ei porque me apertam". Isso é de marioneta, não de político, não de governante, muito menos de sábio.

Sócrates não tem feito mais que entrar no autocarro em hora-de-ponta ao encontrão e de matraca em punho.Isto de culto também tem pouco.

Se calhar, o 1º no poder falhou a cultura cinematográfica da puberdade: quero eu dizer que não viu na época certa o "Robin dos Bosques".Ou será que no seu tempo já havia muitas fitas de vampiros e ele preferia essas?

Ana
É claro que as pipocas foram para a irritar: eu lembrava-me dessa :-)!

Anfitrite disse...

Que direi eu que não tenho ninguém por perto que trate de mim?
O senhor seu Pai também dizia: Não te esqueças de honrar a memória do Avô. Avô esse duma abastada e rica família, que fez fortuna no Brasil, à custa da escravatura. Que lançou Portugal na mais infame e tristre guerra, só para fazer a vontade aos seus acólitos e dos amigos da onça, ingleses.

Eu é que tive sempre de me desenrascar, quando vim de comboio a carvão, e ainda tive de apanhar um barco para atravessar o Tejo e chegar ao Terreiro do Paço, enjoada, porque vinha para Lisboa estudar com uma bolsa de estudo, que mal dava para a pensão. Por isso tinha de andar a pé para poupar nos transportes. Tive de me desenrascar quando aluguei casa, que me levava quase todo o ordenado. Tive de me desenrascar, quando o meu senhorio morreu, e no anos 80 tive de contrair um empréstimo para comprar a casa, se não era despejada, com juros a 32.5%. Era assim depois de cá ter estado o FMI. E só a CGD, O Montepio e o CP é que emprestavam dinheiro. Apesar de tudo tive a sorte de ser inquilina e ninguém querer comprar a casa ocupada e dos herdeiros do senhorio não serem exploradores, nem terem dinheiro para advogados, comprando assim por um valor inferior ao que ela teria desocupada, porque ninguém aguentava, naquela altura, pagar juros àquela taxa de montantes muito elevados.


Portugal não está em condições para viver de anarquistas. Só se poderia salvar se houvesse uma grande união, mas não uma como a Nacional. Também já não nos aguarda nenhuma Revolução industrial, nem sequer a descoberta de petróleo no Beato.


M. H. F.,

Não esteja preocupado porque aqui pode dizer-se e colocar-se o links que se quiser,(dentro do razoável,
é claro}. Quem o diz é uma murcónica, quase dos primórdios. Eu ainda não posso falar das músicas, porque agora sou eu que tenho o computador avariado. Quem fez esse comentário é mais recente que o Manuel aqui, e parece-me que não foi com má intenção. Foi para dizer para passarmos um fim de semana bailando. As nossas sensibilidades resolvem-se todas aqui. A Ana b. também só veio para aqui trazida pelo Pai-Natal, do ano anterior.

Bom fds

Caidê disse...

Mas governar não é fácil, tá claro!
http://www.youtube.com/watch?v=EKp0sKMQTkQ&feature=related

Fragmentos Culturais disse...

... Paula Moura Pinheiro fez, uma noite destas, um programa muito interessante com Sergio Godinho e Cristina Branco (que ouvi há dois ou três anos por mão amiga, em Bruxelas... ainda não se falava dela por terras d'origem') sobre música francesa! Não sei se viu... e lá apareceu, é claro, Léo Ferré!

Gostei da sua 'legenda' :)

Anfitrite disse...

Professor,
É evidente que me dirigi a si no meu comemtário anterior. Entretanto o sistema caíu. Já nem fui capaz de reconstruir o que tinha escrito e nem reparei nesse detalhe.


M.H.F.,
La Pasionária disse isso. De que lhe serviu? Passaram mesmo.

Para mim a canção latino-americana
que mais me toca é esta, talvez pela vida infeliz da sua autora.

http://www.youtube.com/watch?v=UW3IgDs-NnA
e outra num registo diferente
http://www.youtube.com/watch?v=-F9VqkiUHx8


Caidê,

Eu já devo estar mesmo esclerosada. Apesar do que diz sobre o bloco central ser verdade, haverá alguém, com dois dedos de testa, que acredite que é possível realizar alguma coisa do que o Francisco Louça diz? Ele é que anda a gozar, à grande e à francesa, com as pessoas, porque ele até percebe de Economia, e sabe que é impossível a um país falido, fazer alguma coisa do que ele apregoa, com a sua voz agarrada aos fundilhos.

Há quem fique feliz com o que viu hoje nas ruas. Pois eu fico triste porque o carnaval já passou, estamos na quaresma e o jejum vai ser bem longo, não tenham a mais pequena dúvida. E não é uma conformada que o diz, porque foi coisa que nunca fui. Até foram pequenas as matilhas, com as facilidades de comunicação, com a publicidade na tv, com imenso tempo de antena, com o festival de eurovisão, e no Expresso, com um dia bonito para passear, deveria estar mais gente. Em Espanha reuniram muito mais gente só num bocadinho, quando souberam que o Governo lhes tinha mentido.
Realmente isto é mesmo uma palhaçada pegada. É nisso que somos bons, e foi a limpar a merda dos outros quando emigrámos.

Ana b.,

Outra com menos atributos, também se foi, a semana passada. A Annie Girardot, que era bem mais jovem e que também me deu alguns momentos agradáveis.

Anfitrite disse...

Leiam outras opiniões:

http://cronicasdorochedo.blogspot.com/

Ou será que a maioria de nós não é sacrificada? Pensem como será possível estragar tanta coisa em tão pouco tempo.

esteve santo disse...

UM homem que é homem nunca se ajoelha a outro homem ...ajoelhar só a DEUS...Á rasca andava eu quando ia de Bragança a Lisboa em 14h ....e isso não foi assim há muito tempo,porque eu ainda sou uma menina ...Sim senhor !!!...idade e agua benta cada um pega a que quer....Caramba agora é que era. agora é que devia ser, vinha mesmo a calhar,a geração do desenrasca.....,onde estão os nascidos antes de 7o??????

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b. & anfitrite:
Depois da vossa bênção (e eu tomo sempre em boa conta as bênçãos femininas), aqui vai mais material. Cada um indica aquilo de que gosta, e a música é uma das minhas paixões.

«Adios Nonino» - Piazzola
http://www.youtube.com/watch?v=4gjecwPc_lU

«Adios Rios Adios Fontes» (Rosália de Castro) - Amancio Prada
http://www.youtube.com/watch?v=K_ZGqkFSc2Q

Ana Belen y Vitor Manuel – No sé por qué te quiero
http://www.youtube.com/watch?v=vOB8a9uDBzg

Chico Buarque y Nara Leão
http://www.youtube.com/watch?v=Kye_O-l6uMc

L’Estaca – Luís LLach
http://www.youtube.com/watch?v=6pkxj378FLg

«Te recuerdo Amanda» - Vitor Jara
http://www.youtube.com/watch?v=GRmre8ggkcY

Boas músicas
M.H.F.

Caidê disse...

Meninos
Puxa! Com tão boa música, limpam-se-nos os ouvidos. Para quê cotonetes? Parabéns pela selecção Manuel, Anfi ...

Manuel Henrique Figueira disse...

Caidê:
Os ouvidos limpam-se (fisicamente) com os cotovelos, não com cotonetes (dizem os especialistas em otorrino).
Mas o melhor é, de facto, limpá-los com boa música e outros sons igualmnente agradáveis.
M.H.F.

ana b. disse...

Caidê:

Gostei de ouvir o Mário Viegas a recitar Brecht. Oportuno, sem dúvida.

Manuel:

Embora num registo diferente espreite o CD que comprei ontem juntamente com o da Cristina Branco:

http://www.youtube.com/watch?v=gSxvi8rUG-M

http://www.youtube.com/watch?v=kcUznVcz2ko

Trata-se do CD "A Cherry on my Cake" de Luisa Sobral. Para além da excelente voz, atente-se no facto das musicas serem de sua autoria. A miuda promete, sem dúvida.

Anfi:

Também eu não tive uma vida folgada durante a faculdade (anos 80...). Andava de autocarro, vestia-me nos ciganos (versão anos 80 das lojas dos chineses) e comia pescada de gato, como dizia o meu namorado de então:) Segundo parece era a mesma pescada(a mais barata, claro) que a mãe dele comprava para a gata lá de casa. Sobrevivi!
E aproveitei muitas sobras. Fui uma das pessoas que assinaram a petição para que eventuais sobras de restaurantes possam ser doados a pessoas ou instituições carenciadas. E não vejo nisso caridadesinha...
Não sendo os meus pais ricos e tendo três filhas a estudar fora (uma no estrangeiro, outra em lisboa e outra em Coimbra) só com muito aperto e sacrifício, tal foi possivel.
Recordo por isso com enorme gratidão o casal, proprietário de um pequeno restaurante de bairro, que ficava por baixo da casa em que vivi durante dois anos na R de S. Bento. Todas as noites eles davam-me uma marmita com restos do restaurante. E que ricos rissois comi com arroz de grelos saborosissimo. Eu acho que nunca mais comi sopas tão boas... Eles até arranjaram uma espécie de elevador com roldanas, que permitia enviar o tuperware, pela marquise das traseiras, sem que eu necessitasse de lá ir. É por isso que ainda hoje acredito, contra tudo e contra todos, que há almoços de graça! E tenho este casal para sempre no meu coração. Não me esqueço que foram eles que permitiram que eu fosse ao cinema com regularidade, fosse a concertos,etc. De contrário o mesada não chegaria...
Este arrazoado todo é para lhe dizer que, embora não tenha tido a vida facilitada, compreendo a desilusão destes jovens, a quem tudo lhes foi prometido ( POR NÓS!!! É bom que não se esqueçam deste pormenor) mas que encontram apenas incerteza e precaridade. Concordo totalmente que é o país todo que está à rasca. Mas não esqueçamos que foram eles que tomaram a iniciativa de protestarem, enquanto o resto do país permanecia com o rabo sentado à frente das telenovelas e do futebol.
Além do mais, se há alguém responsavel pelo estado calamitoso do nosso país, e do mundo se quiserem, são as gerações mais velhas´que viveram estes últimos anos na desbunta como se não houvesse amanhã. Acho que fomos perdulários e imprudentes e não soubemos cuidar do mundo. E acho que querer comparar a atual geração pretensamente livre da guerra( será??) com a anterior é pura perda de tempo.Temos é que olhar para a frente e ver como se pode arrepiar caminho antes que a desgraça fique ainda maior.
Nunca a oração da serenidade me pareceu tão oportuna:
Dai-me Srº (ou variantes) serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outas. Na vida individual e na coletiva, acrescentaria eu.

Prof:

Excelente programa,o de hoje! Mais uma vez está de parabéns. E a Inês também,claro!Tem ali uma parceira à maneira:)

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b.:
Admito que o problema seja meu, e um bocado estúpido, mas sinto uma enorme incomodidade quando vejo um português a querer singrar na música cantando em inglês. As tentativas têm mais de 40 anos e os resultados iguais a zero. Deve ser por se tratar de uma língua onde não se incluem: os EUA, o RU, a Austrália, o Canadá, etc.) Resquícios anacrónicos das velhas ideias imperiais do século XV, querer ser grande com pés de barro.
Independentemente dos dotes da jovem.
Quer uma sonoridade verdadeiramente exótica?
Aí vai:
Marlui Miranda - Kworo Kango
http://www.youtube.com/watch?v=hA8o22lLk64


Marlui Miranda - Calypso
http://www.youtube.com/watch?v=4fCa_rUVcKI

Boas músicas
M.H.F.

Anfitrite disse...

Ana,

Eu agora não posso dar-lhe uma resposta como merece. Eu não etou contra os jovens. Preocupe-se agora com os que têm uma pensão de miséria e qua trabalharam toda a vida. Os jovens e os pais de muitos jovens , uma grande parte foram habituados a viver acima das suas possibilidades. Portugal é o país da Europa aonde há mais jovens a ir para as Universidades de automóvel. Eu quando começavam as aulas, e já na época de 80 eu não tinha lugar para estacionar junto ao Instituto Superior Técnico. E se levava carro era porque depois do emprego oficial, ainda ía trabalhar como profissional independente. O problema foram todas as medidas erradas que se tomaram, sendo o principal culpado o Cavaco, que vendeu o País e toda a nossa proodução em troca de indemnizações que não deu a quem eram devidas. Esbanjou-as pelos amigos e pelo asfalto Foi com ele que começaram as scuts. e que se passou o que e passou na ponte e ele pos logo o rabo de fora. Atá o Cadilhe disse que ele tunha criado
o Monstro.Que condições tinham as 'pessoas de 60/70/80? Sabe que recebemos cerca de 600mil retonnados, que muito custou ao pais. As pessoas tinham todas que emigrar em condições horrorosas. Pediam dinheiro emprestado para isso. E era explorados indecentemete. Imagine o que é um emigrante de Rabo de Peixe a querer fazer-se entender na américa ou no Canadá? Vi gente analfabeta a servir às mesas, e essas eram as que tinham mais sorte. E de que maneira trabalhavam homens e mulheres penfuradas em cordas a pimtar paredes ou a limpar vidros.

Recibo verdes sempre os houve desde a revoluçao, só que aconjuntura e estrutura econ´mica agora é muito diferente. E até daqui a 40 anos muita coisa se vai passar. As pessoas ou adaptam-se às circunstãncias ou fazem pela vida. Portugal não é assim tão grande para as pessoas se desloc
arem. Mas as pessoas querem tudo.
Não posso continuar, mas veja os cartazes para ver o que as pessoas querem. Pode parecer uma pessoa suspeita mas com historiador está uma anãlise bem feita.O que é que nós fazememos sem partidos, sem política e sem democracia. Veja os quadros,que apesar de seleccionadoss mostram o folclore com que as pessoas tanto se comove-
ram.
http://abrupto.blogspot.com/

Espero que não seja sectária
e saiba pensar pela sua cabeça. As pessoas infelizmente ,não se importam com os outrs desde que tenham trabalho. Elas só estão preocuoadas para que os funcionários públicos ganham menos.
Quando eu andava a estudar, tinha um professor que estudou nos EUA e qu dizia: podem ter a certeza que se alguém vos passar uma cábula ela está errada de certeza. Agora só se vive da exploração e da ganância financeira. Depois se quiser dou-lhe uma achega sobre bancos, que por enquanto, os nossos ainda se vão aguentando, mas se lhes obrigarem a aumentar o rácio dos Capitais Próprios, com dinheirinho dos proprios accionistas, e que estão a ter uma rentabilidade de 4%, eles não vão pedir emprestado a taxas muito superiores, nem tem onde, e aí vai ser o aí Jesus.

Cê_Tê ;) disse...

(Electrizada ;))) pelas manifs!;)))

Não me interessa a agonia bem disfarçada do Poder, as intimidações de quem tem mais medo dom que aquele que quer ter, a forma como impedem a informação chegar ao resto da Europa.
Interessa-me sim saber que afinal quem não asssitiu ao 25 de Abril e que não tem votado EXISTE em força e inteligência. ESTES que se manifestaram ainda foram formados num sistema de ensino de qualidade! Destes ainda há esperança.

ana b. disse...

Anfi:

O que eu quiz dizer foi que percebo o protesto em si, aparte todo o folclore que se gerou à roda. Os jovens protestaram por si, mostraram o seu descontentamento. Isso não invalida que o resto da população também não tenha razões de queixa, particularmente os velhos. Mas foram as gerações mais velhas que deixaram o país chegar a este estado pantanoso. Direta ou indiretamente fomos tomos nós,geração mais velha, a responsável. Que mais não seja por terem eleito o Cavaco, que , na sua opinião( e na de mais pessoas) foi um dos grandes responsaveis pelo esbanjamento de dinheiros publicos.
Não são só os jovens que estão na dianteira do ranking de carros nas universidades. Também os pais ocupam o lugar cimeiro no uso do transporte individual na ida para o trabalho. Eles apenas são o reflexo do modelo de vida que os pais lhes forneceram. Alias, quem comprou o carro para os meninos foram os pais. Pela parte que me toca, até a carta de condução, foi tirada após começar a trabalhar.
Mas eu até compreendo este esbanjamento e endividamento na ansia de tudo ter. O país viveu durante muitos anos, tal como muito bem disse, na mais profunda miseria.Penso que as pessoas se enebriaram de coisas. De repente apareceu-lhes tudo à frente.Entendo como se chegou a este exagero. Embora o condene,claro.
E não receie que eu naõ pense pela minha cabeça. Nem pense que andei pela Av. da Liberdade a empunhar cartazes. Há já muito tempo que dei para este peditório:) Nos meus anos de MDM...Agora prefiro fazer a luta no conforto do cinema:))
O que não invalida de perceber as razões de desalento dos jovens. PONTO! E da maioria da população. Só que estes, com algumas exceções, estiveram até agora sentados com o rabo no sofá. De repente é que se lembraram que afinal também estavam à rasca! É caso para dizer: Mais vale tarde que nunca!

Manuel:

O CD tambem tem algumas musicas em português. A miuda fez toda a sua formação musical nos Estados Unidos (3 ou 4 anos,parece-me), tendo composto as canções nessa altura. De qualquer maneira isso não constitui impedimento para gostar de uma musica. A minha patria é o mundo!

Caidê disse...

Ritmo africano é quente, certamente!
http://www.youtube.com/watch?v=fMeDNp1-Nbc&feature=related

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b.
Comecei por dizer: «Admito que o problema seja meu, e um bocado estúpido,...»
Mais cosmopolita do que o meu gosto musical não há, já deve ter percebido que «provo» de tudo.
Aquilo com que embirro é um certo snobismo saloio, o pode não ser o caso, pelo que me diz o disco é pelo menos bilingue.
M.H.F.

andorinha disse...

Não percebo quem é que pensa pela própria cabeça, quando me parece que há aqui gente que já está formatada para criticar sempre tudo e todos.
Se isso é pensar pela própria cabeça, esta já deixa muito a desejar.

Em relação à manif foi uma pedrada no charco, pelo menos as águas deixaram de estar tão estagnadas, há gente que ainda "mexe" e não se ajoelha perante os carrascos que nos arruinam a vida.
Como já disse acima entendo o protesto como transversal a qualquer faixa etária, não são só os jovens que vivem situações precárias.

A propósito, li ontem na Notícias Sábado dois artigos, um de Carlos Abreu Amorim e outro de António Mega Ferreira que são críticos em relação à geração de que tanto se fala agora.
Concordo com muito do que dizem, isto porque não penso que as coisas sejam a preto e branco.

"Formatámos uma geração inteira para falhar em face de contrariedades"CAA

"Acredito, cada vez mais, que a vontade de fazer é meio caminho andado para resolver os problemas individuais." AMF

Estas são apenas duas opiniões com as quais concordo inteiramente.
Há jovens que se acomodam, que sempre tiveram a vida facilitada, que vivem à custa dos papás e que se estão nas tintas, à espera que um dia algo lhes caia do céu.
Muitos têm que aprender que não terão pela vida fora as coisas de mão beijada e que têm que lutar por elas



Ana,

"O que não invalida de perceber as razões de desalento dos jovens. PONTO! E da maioria da população. Só que estes, com algumas exceções, estiveram até agora sentados com o rabo no sofá. De repente é que se lembraram que afinal também estavam à rasca!"

Considero esta afirmação de uma tremenda injustiça. Há, nas gerações mais velhas, nas mais diversas profissões, gente que nunca se acomodou, que lutou e continua a lutar todos os dias, quando o mais cómodo seria não o fazer
Sei que dizes "com algumas exceções" ( até já para te precaveres contra possíveis críticas):), mas não as considero assim. Muita gente anónima por esse país fora tenta remar contra a maré...

Quando se luta, pode-se perder ou ganhar; quando não se luta, perde-se sempre.

Caidê disse...

Anfi

As alternativas partidárias só me interessam qb.

O que mais me move é a justiça social - que este sistema republicano e democrático tem trucidado!

Falo em Direitos Humanos e numa Constituição. O Direito ao Trabalho está consagrado. O Direito à Protecção Social também. O Direito à Saúde... O Direito à Educação...

Quem se pode resignar a que figurem cada vez mais como letras em papel velho?

O protesto foi transgeracional - 3 ou 4 gerações gritando que se instalou uma lógica de funil em que uns podem comer e outros não, em que uns podem abrigar-se outros estão em risco de perder o seu tecto, em que uns podem prevenir e tratar a sua saúde e outros estão condenados à doença.

Estamos a virar uma sociedade numa selva - uns sobrevivem, outros sucumbem. Eu conheço situações gritantes.

E só sou católica qb também.Pois...sendo contra a pena de morte, no entanto...

Ah como eu poria Sócrates pai de 3 filhos, desempregado, a viver de menos de 500 euros/mês do salário da mulher e a pagar 300 para morar. A ir às Associações de Ajuda Social buscar uma lata de salsichas ou atum, um pacote de leite e outro de arroz.Ah, como eu deixaria Cavaco três ou quatro anos da vida à espera de morrer num barraco sem dinheiro para comprar os analgésicos para as dores crónicas e a ouvir na televisão que o pão ia aumentar.

De esquerda radical? Eu?

Isso é mau?

Eu apenas sei que a minha sensibilidade entra em choque com tanta impiedade.

Personalidade de base - cristalizou!

Mas a continuarem tais atrocidades mais me arrepio quando julgo que ou esta política acaba ou teremos de nos preparar para uma guerra civil mais dia menos dia.


Exagero na minha análise? Quem dera!

Desculpem ter sido tão acre e pessimista.

ana b. disse...

Andorinha:

É claro que há pessoas que tentam remar contra a maré: Uma minoria,porque a maioria forma ela própria, a maré.
Os nossos governantes não são propiamente novatos. Já cá andam há alguns anos. E foram eleitos segundo as regras democráticas que vigoram no país.Alguém os elegeu... Por isso somos todos co-responsáveis.
Eu só não percebo é porque é que a manifestação dos jovens incomodou tanta gente.E em que medida a sua luta colide com a das outras gerações. Sinceramente, acho que até reforça os argumentos de quem se empenha a tentar inverter o estado geral das coisas.Globalmente.

andorinha disse...

Caidê,

Eu não tenho nada que desculpar:), subscrevo o que dizes.
Só não diria guerra civil, mas fortes tumultos sociais, sim.


Ana,

Tu tens uma maneira "tortuosa" de contra argumentar, o que dificulta a contra-contra argumentação:)))

Para mim a maré não é a maioria, mas sim quem nos (des)governa.
Lutamos contra esses e contra as políticas desastrosas que implementam.
Se a maré fosse a maioria, então, de facto, só uma minoria se lhe oporia e lá teria que te dar razão:)


"Eu só não percebo é porque é que a manifestação dos jovens incomodou tanta gente.E em que medida a sua luta colide com a das outras gerações."

Também não percebo. Ou por que razão é desvalorizada como partida de Carnaval...
E também não colide. Várias gerações estiveram na manif, já que o descontentamento e a precariedade não escolhem idades.
E todos juntos seremos mais fortes...

ana b. disse...

Andorinha:

Quem nos (des)governa, a maré segundo diz, foi eleita pela maioria, logo, representa a maioria. Então a maioria é a maré:)))

Acabei de ouvir a fase final dos comentários do Prof Marcelo RS, sobre este assunto, na TVI. Procurei na net mas ainda não está disponível. Pelo menos a parte que ouvi, subscrevo na integra.
Ele falou no direito a sonhar dos jovens.Também eu quando jovem (claro que ainda sou:))) fui para a rua lutar pela despenalização do aborto (nos anos 80 o aborto ainda era visto de modo muito enviezado...e ainda mais no curso em que andava)e pelo desarmamento das principais potências da altura, empunhando cartazes ridiculos com dizeres disparatados. O meu rezava assim: "Nós que damos a vida queremos a paz":))) . Nós as mulheres, entenda-se. Hoje, aos 47 anos, dá-me vontade de rir.Mas jamais vergonha. Na altura, fez-me todo o sentido. É o que importa.

andorinha disse...

És lixada, Ana:)

"Quem nos (des)governa, a maré segundo diz, foi eleita pela maioria, logo, representa a maioria. Então a maioria é a maré:)))"

Loooooooooooooool

A maioria dessa altura transformou-se em minoria:)
Mais a sério: o descontentamento grassa mesmo nas fileiras de quem elegeu esta gente.

Não ouvi MRS.
Todos temos direito a sonhar. Alguém disse e subscrevo, que só envelhecemos quando deixamos de sonhar.

E não há nunca lugar a vergonha quando se luta por um ideal.

Tenho dito:)

Caidê disse...

Recordando...

http://www.youtube.com/watch?v=XvIzZYAEwYo&feature=related


Hora de berço.

Anfitrite disse...

Será que um doente de Alzheimer também sonha?

Todos temos o direito de sonhar, mas depois não se esqueçam se tiverem de comer o pão que o diabo amassou.

Só agora é que se lembraram de mexer no pântano, para ele cheirar mal?

A mim ninguém me formatou, talvez me tenham encurralado um pouco, mas isso só me deu lucidez. No entanto tive a sorte de ter professores estraordinários, que escolheram a profissão por gosto, e foram eles que trataram das coisas para eu seguir em frente.

Quando aponto certas situações, não é para dizer mal, é para despertar consciências.

Também não lôo ninguém, mesmo que goste, porque eu não precisei disso para despertar. Reconheço que faz falta às crianças, mas os adultos têm de ter a noção da realidade.

As pessoas a quem eu mais ajudei foram as que mais mal disseram de mim. Por inveja. E as que me vinham contar ainda eram piores.Um amigo da juventude, com quem deixei de conviver desde que casou, e não o vejo, nem falo com ele há cerca de 30 anos, foi atropelado. Como trabalha por conta própria, enquanto não recebesse do Seguro, precisava de uns trocos, quando saíu do hospital, para as primeiras necessidades. Foi a mim que se lembrou de telefonar, e eu, antes de ele pedir,ofereci-me logo. Então fiz, por computador, uma transferência bancária, para a conta do filho, de 1000€, que não vou ver tão cedo, se os chegar a ver. No entanto eu não esbanjo, nem nado em dinheiro. Até preciso de fazer obras na casa mas não sei se ainda valerá a pena.

Há pessoas que precisam de ler muita História, da boa, para abrirem a boca.

Por não ter o que muita gente teve, nunca comprei o que não podia. Quem o faz é gente que não sabe pensar. Há pessoas formadas, que vão pedir ajuda à DECO e não fazem a mínima ideia da situação em que se meteram. Nem sabem contar dinheiro. Nem sabem o que é uma taxa de juro. E não são dos precários, nem dos 500€.

A minha mãe não teve mais filhos porque não os podia criar com o mínimo de condições,(isto é: não passar fome, andar apresentável e não viver debaixo da ponte). O que me espanta é que pessoas com formação superior, não percebam a realidade e queiram o que não é possível.

Que raio de exemplo você foi escolher, Caidê?! Logo os pobres dos japoneses, que além de estarem também numa grande crise, estão com um tsunami em cima. Eles recompuseram-se depressa porque trabalham com uma disciplina e uma obediência férreas. Além disso deixaram de ter despesas com exércitos, por ficaram proibidos pelos EUA de o ter. (Como sempre têm feito o que querem com o mundo, mas não falta muito para isso acabar).

Eu também sempre defendi e defendo e pratico certas coisas, mas de que serve estarem na Constituição se não os podermos pôr em prática. Lá ainda está o rumo ao Socialismo.

Também não são os "jovens" formados em boas escolas que me preocupam. São os desempregados de 40 e tal anos e mais anos, que não vão arranjar emprego tão cedo
e ninguém os vai poder manter e a maioria não tem formação para se desenrascar nesta sociedade globalizada.

Se não for guerra civil, são tumultos sociais. O que é isso? É assaltar a casa do vizinho? será uma nova reforma agrária? Pobres da laranjeira e do limoeiro que tenho no quintal. Quem afirma isto esquece-se que será das mais penalizadas.


Já chega de Livro Verde, ou de pensamentos de Mao. AHAHAHAH.:))))))))) (assustou-se e voltou.)

Anfitrite disse...

Ana,

já que gosta de estar bem informada
e tem tempo para tudo, leia a opiniâo deste Economista, dono do blogue, e dos comentários, para ver, como bem diz, que há mais quem diga do Cavaco, aquilo que eu também sei.

http://jumento.blogspot.com/2011/03/semanada_13.html#disqus_thread

(Este até já ganhou uma causa no tribunal Europeu, porque queriam apanhá-lo, por causa de umas coisas que ele denunciou).

JoZe disse...

O José é superior a tudo isso:
http://exiladonomundo.blogspot.com/2011/03/jose-no-diva.html

ana b. disse...

JoZe:

Numa coisa lhe dou razão: De tanto malhar no Cavaco até nos esquecemos do José:)

Anfi:

Curioso blogue que nos trouxe. Gostei sobretudo do provérbio que o encima :"mais quero asno que me carregue, que cavalo que me derrube."Está bem visto:))
Em relação ao artigo em si, ele apenas vem corroborar o que já circula por aqui, pelo menos desde que aqui cheguei, (trazida pelo Pai Natal, segundo parece...) Acho que somos todos mais ou menos unânimes quanto a este assunto.

ana b. disse...

Porque há mais mundo para além do deficit:

http://www.youtube.com/watch?v=LGs_vGt0MY8

http://www.youtube.com/watch?v=5ofaoLKPz7c

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b.
Obrigado por este «mundo para além do défice»; veio mesmo a calhar ao final do dia, especialmente o Sakamoto.
Aí vão também dois miminhos para a troca, a provar que o défice é muito limitado e o mundo é imenso.
M.H.F.

«Gacela del amor desesperado»: Amancio Prada – CD 3 poetas en el circulo (poesia de Federico García Lorca; Alvaro Cunqueiro e Agustin Garcia Calvo)
http://www.youtube.com/watch?v=aQo8mOh6AHc

«Mediterrâneo»: Joan Manuel Serrat y Ana Belen – CD ??
http://www.youtube.com/watch?v=fLncb1lu56E

ana b. disse...

Manuel:

Foi a maneira que encontrei para evocar as vitimas da recente tragedia que assolou o Japão.

Do CD que me acompanhou ao serão: Maria Bethania e Omara Portuondo

http://www.youtube.com/watch?v=lI02PV-Bv6o

http://www.youtube.com/watch?v=8NHshue75RE

Manuel Henrique Figueira disse...

ana b.
Obrigado, tenho esse CD da Omara e da Betânia.
M.H.F.

Caidê disse...

À qui aime écouter en français, quand les paroles sont si belles qu'elles nous raportent quelques souvenirs partagés.

http://www.youtube.com/watch?v=QdAHRe9wDYk&feature=related

Caidê disse...

Oder Deutch? :-))!...

http://www.youtube.com/watch?v=78a2NYmgGZI&feature=related

ana b. disse...

Caidê:

Fui tão feliz em Paris...:))

E também para o Manuel:

http://www.youtube.com/watch?v=p1cmz-luZS0

http://www.youtube.com/watch?v=f2gNV5l_seY

http://www.youtube.com/watch?v=17SpgmurSok

Caidê disse...

Ana b.

Vc tb :-)????

Nos tempos do old George me too :-)!

http://www.youtube.com/watch?v=u4I4KvFu9_I&feature=player_embedded

Obrigada pela noite musical. Tb gostei.

Manuel Henrique Figueira disse...

Para a ana b.& Caidê,
e para quem mais gostar:

«Morena»: Al-Andaluz Project
http://www.youtube.com/watch?v=x0xmJkByV7o

«Poetas andaluces»: Aguaviva – CD Poetas Andaluces de Ahora
http://www.youtube.com/watch?v=zufcKv3tC-k

Boas músicas!
M.H.F.