quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Exames

Corrijo pontos de exame. Nhac:(, montes deles! Durante a prova um aluno queixou-se de não estar habituado a perguntas de desenvolvimento, cercado como vive por exames de escolha múltipla. Não creio que a razão seja apenas essa, a "garotada" não adquiriu o hábito de elaborar o pensamento de uma forma própria, única, "original". O resultado é este: uma sucessão deprimente de respostas quase milimetricamente iguais umas às outras, produtos óbvios de marranço virgem de elaboração posterior. E assim se adquire - quando muito... - conhecimentos e se perde a oportunidade de ensaiar o bailado de neurónios que um dia, com muita vida em cima!, conduziria ao "grand final" da sageza nas cabecinhas das elites da Nação. Oremos...

13 comentários:

thegoldenaura disse...

Estou de acordo.
Se fosse eu professor sentir-me-ia responsável.

pandora disse...

Bom dia! Deixo este comentário antes de sair para as minhas aulas da manhã... seja bem vindo à blogoesfera :), muito bem vindo mesmo!
E sendo professora sinto-me responsável, e sendo professora no 3º ciclo sinto tb o peso imenso e condicionante de programas que não permitem desvios... há que cumprir, e tantas vezes me pergunto quando é que me deixam ser professora...

Noel Santa Rosa disse...

Mas meu caro Julio M. V. os putos não precisam de mais do que 2 neurónios. Pelo menos a viverem em Portugal e pelo caminho que levamos.
Um para trabalhar e outro para ir pagar o IRS a horas.
Ter mais do que dois neurónios ía dar muita chatisse depois à nossa classe política!

Formiguinha disse...

Caro Júlio, esse é o resultado do sistema de ensino que temos, que prima pelo facilitismo...

Angela disse...

Assim andam os futuros.

Onun disse...

A culpa é dos professores que assim querem os seus alunos e a esses, os bons alunos das frases iguais às dos livros, são recompensados pela sua falta de criatividade....Infelizmente no mundo da medicina este tipo de linguagem técnica impera, não só por razões de prática cientifica (como se torna fácil a comunicação entre técnicos dessa área) como é um mecanismo de defesa (para os comuns mortais é uma linguagem ininteligível, como assim o querem).
Eu sempre preferi a linguagem literária, que nunca pude fazer uso no meu curso, que foi o de medicina, e por isso sempre tive dificuldades em usá-lo correctamente, a linguagem técnica, curta, rude e verdadeira (na sua impossibilidade – obviamente)

Anónimo disse...

Constata-se no Ensino Superior que grande parte dos alunos não revela "hábitos de trabalho" nem "hábitos de raciocínio" e isso já vem do Básico e Secundário. Não acompanham as matérias à medida que vão sendo dadas. Não fazem os trabalhos práticos que lhes estão atribuídos e, quando os fazem em grupo, há um aluno do grupo que os faz e outros limitam-se a copiar. Frequentemente, em vez de realizarem, com a sua cabeça e esforço, os trabalhos práticos que lhes são atribuídos, limitam-se a ir à internet e copiar literalmente páginas e páginas de texto sobre o assunto, sem, ao menos, fazerem esforço para compreenderem o que escreveram!. Etc., etc. Nas vésperas de cada exame, fazem umas "noitadas", a que chamam "directas", para decorarem as matérias e tentarem depois "despejar" no exame. O grande objectivo é obter o "canudo", de qualquer forma, e ser "doutor", "engenheiro", etc.. E daí obterem um bom emprego ou uma profissão lucrativa e que dê pouco trabalho. Para esta atitude, que é comum em Portugal, mas não nos outros países da Europa, não há "Metodologia de Ensino-Aprendizagem" nem "Paradigma" de Bolonha que remedeie!(do Blasfémias),. Há pouco a acrescentar. Felicidades para o murcom!

pagbranco disse...

Confesso que sou estudante e espero sê-lo toda a minha vida (refiro-me ao apreender, claro)...Mas o estudante não é um advento espontaneo. Uma sociedade acritica e, infelizmente, muitos professores acriticos(a maioria): qual é o resultado?
Estudantes saidos da fotocopiadora de uma opinião da teoria geral dos apontamentos.... E falo da faculdade infelizmente... Enquanto os professores continuarem a esconder-se nos departamentos e salas de professores evitando a discussão e continuarmos a ter uma sociedade despida de opinião teremos então um exemplo perfeito do "Admirável mundo novo".
Desculpa o alongamento do comentário.....

Kwan disse...

O mais irónico de tudo é que são esses meninos que se vão safando. Porque é assim que queremos que seja...

Tiago Paiva disse...

Um boa madrugada para si!
Achei muito interessante o que escreveu, porque tenho 23 anos e não foi assim há tanto tempo que terminei o ensino secundário, Agrupamento II - Artes Geral.
Na minha opinião enquanto estudante, julgo que hoje em dia, não existe espaço para o livre pensamento dos alunos.As respostas querem-se cópias dos livros e muitas vezes, respostas que vão contra coisas em que os próprios alunos acreditam.É verdade que muitas vezes estão errados na forma como pensam, mas existem excepções à regra.
Ao longo dos anos, tive de me habituar a esconder parte da "inteligência" que tinha e substituí-la pelo "sim,professor,tem razão". Veja que em alguns casos,tive professores que afirmaram a pés juntos que jamais poderíamos ser descendentes de macacos,que era uma ideia inconcebível. Este professor/a, se fosse aluno/a, estaria de certo, chumbado/a.
Sim, existem programas a cumprir, sim os alunos têm de ter bases e conceitos e ideias já definidas por grandes homens da Humanidade, mas, penso que antes de tudo, o valor do pensamento deveria ser mais prezado, mais incitado. Ao longo dos anos, apenas tive dois professores que realmente me marcaram: o meu professor de Filosofia do 10º Ano - que me fez adquirir o gosto pela leitura de certos livros que até então julgava não ser capaz de ler; e o meu professor teólogo de História de Arte do 1º Ano da Faculdade. Ambos eram a favor do livre pensamento e aquilo que realmente importava para eles era que, nós alunos, desenvolvessemos o gosto pela pergunta-chave:"Porquê?"
Essa tão simples pergunta, levava ao "querer adquirir um mundo inteiro" como experiência...
Não me desviando mais, julgo que o que hoje falha, não são os longos programas a cumprir, mas sim a forma como os querem interiorizar nos alunos.
A pergunta que eu deixo é a seguinte:
Se os alunos pudessem juntar mais neurónios à festa, os programas não passariam a ser Cultura Geral, em vez de capítulos maçudos a ler para o qualquer teste na escola?

(Chinezzinha) disse...

Tb eu sou professora.Faço minhas as palavras da pandora.
Boa noite!

Beijos

Anónimo disse...

sabiam que em média apenas 40% dos alunos consegue fazer o 3º ciclo do ensino básico em 3 anos, apesar do facilitismo referido nos comentários? para onde caminhamos?
Também sou professora. Tento ser.É cada vez mais difícil encontrar quem queira aprender nomeadamente em meios socias mais desfavoráveis em que ninguém quer saber de ninguém.

João Pedro Barbosa disse...

A Disciplina Está Na Ferramenta Não No Facilitismo De Pegar Em Vários Temas