domingo, fevereiro 27, 2005

O contágio

Durante a minha adolescência, se alguém na televisão debitava um discurso ridículo, meu Pai sussurrava, condoído: "Não se importam de desligar? É penoso ver ao que as pessoas chegam". Nessa altura eu lidava mal com uma agressividade pressentida como perigosa e não me agradava reduzir ao silêncio a caixinha mágica e com ela um alvo fácil da ironia que drena a vesícula mais azeda:). Dei comigo a reviver tais momentos ao escutar Santana Lopes, disparando sobre quem no Partido, por falta de solidariedade para com o "menino guerreiro", teria sido responsável pela derrota. E com a ajuda não solicitada dos anos que já carrego entendi o meu Velho - o ridículo não se limita a matar quem habita; chegado a certo ponto diria que se torna contagioso... Com a extraordinária agravante de sermos nós a sentir vergonha!

9 comentários:

Gotinha disse...

Olá!!!
Sou leitora atenta dos seus livros, das suas crónicas, sou plateia atenta das suas participações em programas de Tv e de rádio. Que alegria é descobrir que agora temos algo em comum.... um Blog!!!
Seja bem vindo à BlogoEsfera!!!

fernão disse...

Um bem vindo também!
Realmente o Santana nos últimos tempos, principalmente quando se resignou parecia um daqueles personagens das comédias más norte americanas, que passam por tudo! Pelas maiores vergonhas! E ao invés de rirmos, sentimos vergonha, queremos tapar os olhos ou mudar de canal... deixa de ser um acidente de automóvel, passa a ser um acidente intestinal! E esses nós não conseguimos olhar!
Abraço.

fernão disse...

Esqueci-me de assinar, e há por aí muito recalcamento em falar com "anónimos"... modernisses!

Miguel Bordalo, abraço

Patrícia disse...

A chamada vergonha alheia...

Cecília disse...

Soube agora que tinha um blog e, é claro, vim direitinha para aqui.
Conhecendo bem, pelo que tenho à minha beira, um episódio maníaco, sou levada a crer que se segue uma forte depressão... a menos que esteja enganada no meu 'diagnóstico'!!!
PSL impressionou-me tremendamente.
Bem sei que há muitos bi-polares na política, mas este descontrolo foi forte. Como foi possível?
Uma das questões que se me pôs durante a campanha eleitoral foi: e se ele ainda consegue enrolar um nº suficiente de eleitores? Até que ponto um médico pode impedir que um inimputável seja chefe de um governo?

Cecília disse...

Perdão. Queria dizer: Até que ponto um médico deve não impedir...

raiva disse...

Que original, bater (mais uma vez) no PSL...

Não teria ele alguma razão em queixar-se de alguns membros do seu partido?

lena disse...

é isso mesmo, professor

dá medo que se pegue! :D*

amok_she disse...

«(...)Com a extraordinária agravante de sermos nós a sentir vergonha!»

...curioso!, pergunto-me,sempre,pq raio sou eu a sentir vergonha,como se estivesse a ser "olhada" na pele do "outro"!?...q nos faz sentir vergonha pelo outro?