terça-feira, dezembro 15, 2009

Referenciado na sequência de inúmeras...

Uma mulher de 42 anos foi ontem baleada pelo ex-marido, em Leça da Palmeira, Matosinhos, na sequência de uma violenta discussão. O ataque aconteceu de madrugada e o agressor, de 47 anos, suicidou-se momentos depois nas traseiras da Exponor. Até à hora de fecho desta edição, a mulher continuava internada no Hospital de São João, no Porto, em morte cerebral.O casal vivia um complicado processo de divórcio litigioso. Ontem o homem resolveu terminar pelas próprias mãos o caso que se arrastava em tribunal. Ao final do dia, esperou que a mulher saísse do trabalho, em Leça da Palmeira. Pelas 23h45, o filho mais novo ligou à mãe: parecia assustada e confirmou estar com o ex-marido, o que levou o jovem de 15 anos a pedir a ajuda da PSP, confirmou ao i fonte policial. O homem estava já referenciado na sequência de inúmeras ameaças e actos de violência doméstica.A PSP enviou carros-patrulha a pontos-chave da cidade, mas não conseguiu detectar o automóvel do agressor, que entretanto já se deslocava para Aveleda, Vila do Conde. Antes, ligou a um irmão contando que ia matar a mulher e suicidar-se. A família contactou as autoridades, mas já era tarde. A mulher terá levado um tiro na cabeça na sequência de uma violenta discussão, contou ao i fonte policial. O seu corpo foi depois transportado, na Renault Express, até à Rua da Agra Nova, em Aveleda, onde foi abandonado. O marido voltou então a Matosinhos, estacionando no parque da Exponor. Após a meia-noite, a PSP foi chamada ao local, onde encontrou o homem morto a tiro na carrinha, com a pistola ao lado. Ao mesmo tempo, GNR e Cruz Vermelha de Vila do Conde eram avisados por condutores da presença de alguém ferido na via pública, em Aveleda. A mulher - que tem outro filho, de 20 anos - entrou no hospital de São João às 3h00, já em morte cerebral.

29 comentários:

alvex disse...

E agora os miúdos?

Haja dinheiro para estádios de futbeol, catedrais e autoestradas e todos os mais allgarves de ostentação de egos corruptos.

Mas não existe uma rede de apoio social a estas mulheres, nem casas de re-habilitação, ou reeducação, ou recuperação, ou de de pura privação de liberdade para estes homens.

Há menos ricos mais ricos e mais pobres mais pobres.

Este caso vai servir para os jornalistas exibirem a sua boçalidade de pseudo serviço público de denúncia e agitar de bandeiras, os responsáveis gestores dos nossos impostos vão continuar impunes; e nós escrevemos umas coisas nos blogues.

e o mais confrangedor é que tudo passa..., e a bolha não rebenta?

Caidê disse...

Lobices
Você teve a coragem de partilhar que muitas vezes traz o sorriso cheio de dor oculta, que muitas vezes escreve para diluir aquela gota de água que transborda do limite das suas forças, que ensaia mil e uma estratégias para que possa ir dando para viver uma vida que sente não ter sal.
E eu compreendo que às vezes queremos dar um sentido à vida (queremos mesmo) e não temos uma frecha por onde acalentar os sonhos que estão lá, mas tão letárgicos, tão soterrados, que por vezes saem em delírio (tão psicóticos!) ou se esfumam em melancolia, que um dia (não garantimos) pode crescer e tornar-se tristeza tão cristalizada e intensa que se faz pura desistência e depressão sem margem para qualquer dúvida. Restam, pelo caminho, ténues escapatórias, como a de estar deprimido e já não se importar com a falta de sal. Desistimos de resolver os problemas profundos, na esperança de que o tempo os resolva. Quando se lhes quer, ainda, dar a volta é que a tampa da panela de pressão pode levar tudo pelos ares.
Você pertence ao clã dos que optam por pensar que os problemas têm em si próprio ou neles mesmo a sua razão de existir. Sim, porque há os outros que partem para a agressão sobre os demais, demais que são os que estão a jeito, apenas menos poderosos, mais desprotegidos e de quem fazem bodes expiatórios.
Pois como canalizar infortúnios pode ser a resposta que os mecanismos sociais deviam prover e se esquivam a fazê-lo. Investimento é conceito capitalista. Quer-se investir nos que produzem e estão capazes. Os outros, os que têm fragilidades para serem assistidas são o rosto da despesa. Aliás, se se quisessem tomar em consideração ter-se-ia agido em prevenção, existiriam mecanismos e formas institucionalizadas de os evitar, como um sistema de justiça célere e acessível a todos, ou um sistema de saúde como direito universal de cidadania, mas o Estado é um pobre exemplo de entidade a realizar uma efectiva cidadania participada. A cidadania participada fez-se chavão para cobrança ao cidadão, ideologia criativa do "bom cidadão".
Olhe, você tem o meu respeito, e por isso lhe "confesso que vivi" o desespero de me querer suicidar - era nova, como família tinha apenas um filho bem pequeno e não encontrei uma forma de o fazer sem dor. Cá estou. E tudo por causa de um divórcio litigioso e de ter de prestar auxílio aos outros, faltando-me auxílio a mim.
E não sei se saí fortalecida, mas vim a encontrar alguém que me confessou que se teria suicidado na gare do metro não fosse ter encontrado em mim um porto de abrigo, um laivo de afecto e compreensão.Gente que não procuraria um psi, por achar que estava bem de saúde, que era a sociedade que lhe tinha virado as costas.

lobices disse...

Caidê:
...grato pelo seu ombro, neste caso, palavras
...sabe o que é que me vale?... é eu saber que tenho nas palavras a forma de exorcizar os meus demónios e no sorriso a forma de me iludir
...também tenho outra ajuda: é que em 95, quando a minha empresa foi à falência, entrei em depressão profunda e estive 6 meses metido debaixo dos lençóis sem querer ver quem quer que fosse... esta experiência criou em mim as defesas e o know how para não voltar a cair...
...daí eu saber aguentar da forma que sei e posso... mas tenho consciência que o guardar para dentro faz aumentar a pressão e um dia o vulcão explode: esse, para já, é o meu consciente receio
...sabe:
...é preciso muita força para certas coisas; o que me conta de si, eu também entendo e todos os casos são um caso mas, penso que quando, em 2003, sou operado de urgência à próstata e no regresso espera-me um quadro surreal de uma tia de 90 anos acamada e minha mãe com 89... quando vejo que tenho de tratar da tia durante 24 horas, pois ela não me deixava sequer dormir e, minha mãe, apenas olhava
...quando vejo que a solução é internar a tia e ficar apenas a tomar conta da mãe... quando vejo que depois da tia internada, o trabalho até nem é preocupante, tudo se acerta e tudo se vai fazendo
...porém, quando o tempo vai passando e, tal qual guarda fiel de alguém que não pode ficar só, eu vou ter que comneçar a ficar preso também e também só... aí, o sal, como diz, começa a faltar e a vida passa a ter um sabor a raiva surda, a impotência, a dor que não dói mas magoa, a um peito que se contrai e a uma esperança que reside no debitar das palavras que escrevo e no sorriso que distribuo... quando vejo que tudo isso não tem solução a não ser "aguentar"... aí, por vezes, desespero e fecho-me e o mundo para mim deixa de existir
...então, crio um outro mundo, um mundo só meu, vindo do mais profundo do meu subconsciente ou até mesmo, se calhar, do próprio consciente, e "resido" nele numa apatia lenta, autómata, sem sabor, sem cor, excepto a cor que capto com a minha digital e vou colocando nos meus blogues...
...e a vida torna-se virtual como este mesmo meio em que estou a escrever
...e deixo de ser real e passo a ser apenas um debitador de palavras e de sorrisos falsos para enganar os que me rodeiam e não vejam em mim a dor que me corrói lenta e penosamente...
...resta-me a força anímica e a mais valia que dia a dia construo para o meu fim que um dia encontrarei, algures, ao pé de um texto acabado de escrever...

Cê_Tê ;) disse...

Imaginei uma senhora com mais idade. Tinha a minha idade!!! Não percebo nada de leis mas acho que em situações tão letigiosas deveriam ser tomadas medidas mais duras relativamente à protecção dos mais fracos. Se calhar até já são tomadas...
Infelizmente as pessoas ainda olham muito para o lado e assobiam para o ar interiorizado que está o ditado "Entre marido e mulher, não metas a colher". Há agressores muito manipuladores e as pessoas que actuam em defesa do mais fraco (por norma a mulher) tb se sentem muitas vezes "tontos" quando sabem que quem apanha forte e feio, ainda com nódoas e escoriações passeia pouco depois de braço dado com o/a agressor/a!
***
Lobices, será que esgotou já todas as possibilidade de ajuda? Cruz Vermelha, Assitência social, Misericordia, Hospitais de cuidados continuados e locais, Igreja- movimeto de volutários, sindicatos,...
Depois há sempre amigos e familiares. Se não "abusar" perdoe-me a palavra pode sempre solicitar a supervisão da sua mãe por bocadinhos de forma a fazer as suas coisas no exterior. Será que não está a exigir demasiado de si?
Um abraço. (gosto sempre de o ler)
E cuide de si também.

Mar disse...

Isto é mais do que exigir apoio à vítima. É necessária a prevenção, e esta passa pela educação dos jovens. A família tem um papel fundamental. Mas, infelizmente, há jovens que, por viverem em famílias de abusadores, acham que essa é a regra. Quando a família não pode dar essa resposta é à Escola, e portanto ao Estado, que cabe essa função: a educação para a cidadania.

andorinha disse...

Devia era ter-se suicidado antes, o f.....da p....
Cobardes de merda que acham que as mulheres lhes pertencem.
Desculpem a linguagem mas notícias destas põem-me a alma negra.

O homem já estava referenciado...
E adiantou alguma coisa?
É o que eu digo, não se age, não se faz nada até que um dia a desgraça acontece.


Mar,

A educação dos jovens?????
Já no namoro eles se agridem e acham isso um comportamento normal.
O Júlio já falou disso várias vezes n'o Amor é...
E jovens universitários, pasme-se!

andorinha disse...

Quim, consigo compreender-te até porque já te conheço há muito e sei o que tem sido a tua vida...
Não entres em desespero, tenta de alguma forma contornar a situação.
Olha o que diz a Cêtê, também acho que estás a exigir demasiado de ti já há vários anos e isso ninguém aguenta indefinidamente.

"...e deixo de ser real e passo a ser apenas um debitador de palavras e de sorrisos falsos para enganar os que me rodeiam e não vejam em mim a dor que me corrói lenta e penosamente..."

Dói ler isto, amigo.:(
Já te disse lá em baixo e digo-te de novo: conta com os amigos, também com aqueles que tens aqui e tu sabes que tens.

Cuida de ti, homem.
Homens como tu há poucos!:)

Hoje deixo-te um beijo doce e um abraço apertadinho.
E estou perto, se precisares...

thorazine disse...
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thorazine disse...

Há uma hora...

http://www.youtube.com/watch?v=yDWSlNdYXx8

AQUILES disse...

Violência doméstica. Um drama de sempre. Não sei o tudo que leva as pessoas a agredirem violentamente quem amaram, ou ainda amam. Por aqui pelas redondezas há muito deste drama. Normalmente associados, mas não em exclusivo, a baixas condições económicas e deficiente formação cívica. A degradação económica do agregado familiar a que se associa o álcool e outras drogas, leva a uma violência gratuita sobre as mulheres e os filhos. Isto é a generalidade. Depois há as paranóias. Os ciúmes, as castrações, as humilhações, as ilusões sobre si próprios e mais milhentos ões. Também há uma sociedade que ainda não atingiu a maturidade e pactua com a imbecilidade. Uma sociedade que acha que a frase do "Quanto mais me bates mais gosto de ti" é lei para os relacionamentos. E depois eu fica a perguntar como é possível miúdas que levam na cara durante o namoro e, que mesmo assim, se casam. Desespero por medo de ficarem solteiras, se é que isso é um medo? Talvez seja. E como ficam as crianças criadas nestes ambientes, ricos ou pobres?
E o que é que falhou maquelas gerações do pós-guerra e às suas quimeras? Vou caminhando para o período final da vida e cada vez com menos respostas.

Caidê disse...

Thora
Como sempre um vídeo fantástico. Afinal o cinema, afinal a fotografia, afinal o poema, afinal a arte servem para dizer e exorcizar a alma que não pode ficar apertada. pelo menos tempo de mais.
Lobices
A minha historiazinha não era para acalmar a sua. Era só para dizer que não me envergonhava de assumir que até eu já me quis suicidar - cada um tem os limites que tem e rompe-os para lá do que pode só até onde pode.Para quê esconder que o quotidiano já nos deixou desorientados? Sim, a nós. Não foi ao outro.
Creio que não é quando você passa a "residir" no tal mundo de lenta apatia, de automatismo insonso e pardo, muito inferior às imagens que rouba com a digital ao mundo de fora, tão natural e incrivelmente apaixonante, que você precisa de gente com quem viver. Teria sido antes, porque nessa altura você já se terá fechado a outras coisas além daquelas em que mergulhou.
Não queira perder o seu lado real. Você pode vislumbrar apenas um futuro igual aos dias que atravessa ou piores, mas isso não tem de ser assim, se você se for abrindo devagarinho a pequenos cortes de minúsculas partículas de felicidade, de gosto por si e pelas pessoas que têm justiça e ternura dentro de si, quer dizer, gente que merece os seus pensamentos.
Creio que, quando vamos ficando séniores, podemos sempre olhar para trás, para as memórias que fizeram de nós a pessoa que somos -algumas tão fantásticas, que, quem sabe, e se as pudéssemos repetir; afinal, agradaram-nos naquela altura, porque não de novo? Não há ninguém que só tenha infortúnio para lembrar, acho. Não é de balanço que falo, que esse ainda podia acabar por vir turvo com as sombras que trago nos olhos.
É claro que precisa arranjar algumas ajudas que lhe permitam escapadelas de liberdade ou janelas de ar mais quente e leve - trate-se a si, como se fosse tratado pela sua mãe. Sim, porque ela lhe deve ter dado o amor que actualmente lhe tem devolvido.
O espaço virtual não tem de nos fazer desidentificados, como quem plaina sem ser. Você pareceu-me gente bem real e só virtualmente sei que existe.
..................
Quanto à violência doméstica: no Canadá ao primeiro estalo tomam conta dos infractores a toda a mecha!...

Anfitrite disse...
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Anfitrite disse...
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Anfitrite disse...

Alvex,
Não ponha as culpas em ninguém. Os culpados somos todos nós que somos umas bestas egoístas e sem educação. O estado somos nós. Porque é que nos portamos lá fora de maneira totalmente diferente? Só porque somos penalizados.
Se aqui durante uns tempos aplicassem a justiça dos pelourinhos, Ou de cortar dedos e mãos e execuções na praça pública, como na Arábia Saudita, ou se se aplicasse o Código de Hamurabi( a justiça Salomónica é muito sábia para nós), tudo isto andava muito melhor.

E como disse o FDL, eu que nunca tive medo começo a ter receio, porque antes, quando havia fome, como no tempo das guerras, só se roubava para comer, geralmente não se fazia mal.
agora com tanto especialista cá instalado e com tantas armas ao dispor, a ocasião vai fazer o ladrão. E vai haver muita gente a aproveitar.

alvex disse...

Anfitrite,

não exclui a responsabilidade individual; não nos excluo de responsabilidades, por isso, escrevi em jeito de autocrítica, "e nós escrevemos umas coisas nos blogues."

Porém, façamos o que está ao nosso alcance, no nosso raio de acção; no nosso núcleo familiar, no modo como não nos demitimos de nos comprometer na sã educação das nossas crianças.
Porque um filho não é uma propriedade, mas antes uma responsabilidade, a responsabilidade de realizar a nossa liberdade comprometida na dele, na liberdade do outro.

O meu querido Pai, cuja alma atormentada fui e estou reflectindo-conhecendo (e esteve e está também presente em mim creio que todos os dias desde o seu último sopro- não estava lá nessa hora e germina em mim uma imensa saudade desse momento) que no seu genuíno esforço para alertar os filhos para as 'dificuldades da vida' dizia, "lá fora o mundo é uma selva."

E não é que é?

Mas não nos martirizemos em auto-comiseração, porque o mundo é belo, é amor, essa coisa mais gratuita que a esperança.

é tarde,
o meu tempo tarda

saravá

anamar disse...

Querido Professor,
acho que os homens andam cada vez mais ensandecidos e a lidar mal com a frustração.

O alerta para casos sinalizados ,tem que ser levado a sério de vez pelas autoridades...
É preciso vir para a rua mais 100.000 para alertar para este drama social e poder salvar vidas!
Abracinho
Ana

Anfitrite disse...
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Bartolomeu disse...

E não somos, cada um, o pequeno grão de areia que compõe o universo?
E o universo, não é ele um imenso caleidoscópio, que reflecte e se reflecte infinitamente?
E não é essa reflecção cósmica a dinâmica que tudo anima, que tudo mantem em constante alteração e mudança, para que tudo se mantenha da forma vaga e imprecisa como conhecemos o mundo?
...
Talvez a solução para o insolúvel, esteja na ceitação da transigência e na defesa da intransigência.
;)

lobices disse...

...a todas(os) as que se me dirigiram com palavras de apoio e conforto e de incentivo, a minha gratidão
...não, não tenho vergonha de pedir ajuda... tive-a da Seg. Social em forma de apoio financeiro para poder pagar a alguém de fora para "me" ajudar nas tarefas mais pesadas da casa e das outras relaccionadas com a minha mãe... quase desde o início, ou seja, desde 2005... porém, em Janeiro de 2007 reduziram o subsídio para quase metade e agora em Setembro último, cortaram de vez
...é este o Apoio Social que temos
...sei, felizmente, escrever com "pompa e circunstância" e não me deixei ficar... escrevi a todos os que poderiam ter algo a ver com o assunto, inclusivé ao Provedor de Justiça... de todos obtive resposta mas nenhuma positiva...
...ou seja, os limites tinham sido atingidos lá à moda deles
...agora, apenas contos com os rendimentos das duas reformas e no orçamento não cabe ter despesas para pagar do meu bolso essa ajuda de terceiros
...o internamento num Lar estáfora de questão, pois seria a morte imediata dela
...a família, são um casal de filhos que vivem as suas vidas e aos quais me resta apenas pedir de quando em vez que me tomem conta dela durante uns dias para eu descansar a cabeça
...quanto aos comprimidos sugeridos pela Mar... mais???... eu tomo o Cartia para o sangue, o Betarsec para os zumbidos, o não sei quê para a tensão arterial, o Olcadil e o Xanax... são eles que me fazem andar nas calmas apesar de ser uma calma física... a raiva não sai
...por isso, o que acontece é que se quiser sair para espairecer, tenho de arranjar alguém que venha ficar com ela e a quem terei de pagar do meu bolso... e ele não estica e não dá para tudo... há prioridades...
...quanto à vida vivida ahhhh meu Deus, que vida... vivi o mais que pude e o melhor que pude... não me arrependo de nada do que fiz... talvez hoje esteja a pagar o "preço"... como quase toda a gente sabe vivi uma série de relaccionamentos afectivos e nunca estive "quieto"... hoje, estou "preso"... talvez tenha cometido algum crime e esta é a minha "cela"...
...mas não vou cair no desespero; sei aguentar... só tenho medo de acumular a lava do vulcão e um dia explodir...
...bem...desculpai lá, mais este desabafo mas é como eu digo: só as palavras escritas já me servem de catarse...
...obrigado a todos e os meus abreijos continuarão...
:) - bem como o sorriso

Mar disse...

Andorinha,
Fico contente de saber que conhece, pessoalmente, o Lobices, e que ele poderá contar com a sua ajuda.

Desejo um Santo Natal a todos, no sentido de um Natal solidário.

Beijinhos doces e salgados,

andorinha disse...

Lobices,

Só o facto de te terem cortado o subsídio diz bem da forma como este país encara os seus cidadãos.
Revoltam-me imenso situações como a tua e outras que vou conhecendo em que as pessoas são pura e simplesmente abandonadas à sua sorte, sem apoios de qualquer espécie, sejam eles de natureza psicológica, monetária, ou outra.

Agora deixa-me dizer-te uma coisa e dar-te um valente puxão de orelhas:))): não estás a pagar o preço de nada, não cometeste nenhum crime, amar não é nem crime nem pecado.
E o que viveste ninguém te pode tirar, são memórias que perduram e que também confortam a alma.

"vivi o mais que pude e o melhor que pude...não me arrependo de nada do que fiz..."

Vês? Quantas pessoas poderão dizer o mesmo?

Deixo-te um beijo e um sorriso amigo, amigo:)

andorinha disse...

Mar,

Conheço, o Quim é um amigo que conheci num almoço de blogues já lá vão aí uns cinco anos.
Depois reencontrámo-nos num dos jantares do Murcon e temos mantido contacto, embora ultimamente com menor frequência já que esta vida é uma correria danada:(

Mas ele sabe que pode contar comigo, os amigos são também para ocasiões como esta.

O Quim é uma jóia de pessoa, um homem com H que respeito, admiro e de quem gosto muito.
E continuo a achar que homens como ele há muito poucos. O Quim tem uma alma grande.

Beijinhos doces, prefiro:)

Fora-de-Lei disse...

andorinha 1:26 PM

"Conheço, o Quim é um amigo que conheci num almoço de blogues já lá vão aí uns cinco anos. Depois reencontrámo-nos num dos jantares do Murcon e temos mantido contacto... Mas ele sabe que pode contar comigo, os amigos são também para ocasiões como esta."

É chato aquilo que te vou dizer, porque - à semelhança do que aqui parecem estar a fazer contigo - é sempre muito fácil "empadeirar encomendas" para os outros. Mas talvez pudesses fazer uma coisa: vai ver, pela TV, o SLB-FCP com ele e - mesmo que o FCP ganhe (duvido!) - dá-lhe um abraço em nome de todos os benfiquistas (e/ou sulistas) aqui do Murcon. E porque não convidas o Thora para o evento ?! Vais ver que ele até vai conseguir aturar-te, na boa... :-)

Caidê disse...

Lobices
Parte da sua história não é só sua.
Nos países mais desenvolvidos da UE já se concluíu que os lares - ou a institucionalização - não são a melhor das soluções, pelo menos para toda a gente. A agravar a situação, no nosso pobre país (às vezes é-se mais pobre ainda de espírito que materialmente, ou são-no os nossos políticos), não existem respostas de institucionalização de qualidade - existem? -, caso não sejam as que os próprios podem pagar a ferro e fogo. Mas então e os outros? Os que não puderam valer-se de fortunas herdadas ou de profissões altamente remuneradas que lhes deram para fazer poupanças confortáveis, para poderem acabar a sua vida com qualidade, em instituições, se não existir melhor resposta? Pois para esses, a dobrar, os lares ou "residências", que não deixam de exibir o slogan "para idosos", são um, dois, três, ordem para matar - arrumam-se gentes improdutivas, porque já produziram, mas não produzem agora, em prateleiras de quem aguarda a sua vez para poder morrer quando Deus e os acidentes de percurso acumulados no corpo já velho se decidirem a pôr ponto final àquilo que para cada um foi existir (com vida cerebral, tá claro).
Num país como o nosso não se potenciam as solidariedades informais, quando há forças e vontades nesse âmbito para prestar auxílio. Depois, não se prestam cuidados formais de qualidade, porque o investimento é sempre mais curto para quem já não vai dar riqueza à nação.
Por outro lado, e não menos importante, não se prestam cuidados aos que deles precisam, nem TÃO POUCO aos cuidadores que, passado algum tempo, estão tão desgastados com o auxílio prestado como os que estavam inicialmente carenciados dos cuidados.
Não, para mim não é solução, mandar os cuidadores ao Psi, de preferência mandá-los emborcar Xanax e resignação (só para ver se não chateiam). É que têm mesmo de chatear, se não ficam invisíveis para conforto de quem os não quer ver.
"Carago"!Estou sempre a lembrar-me da história dos dois amigos, em que um andava mal de saúde e acabrunhado com a sua doença - é que o pobre homem se urinava, sem remédio, nem solução. Quando mais tarde os dois homens se voltam a encontrar, pergunta um ao outro: "Então, já resolveste o teu problema? Parece que te acho mais animado". E o outro diz-lhe: "É que fui ao médico.". Riposta o primeiro: "Já não era sem tempo! Então agora já não te deixas urinar, certo?". Retorquiu o desgraçado: " Bom... agora urino-me, mas já não me importo". Como eu conhecia o tal desgraçado, não estou certa de lhe ter ouvido dizer - o meu Alzheimer não perdoa - que o homem lhe tinha receitado Xanax.
E com isto não advogo que não seja de emborcar um anti-depressivo antes que um homem se lembre de fazer como muitos alentejanos - suicidam-se e pronto. Vitória, vitória, acabou-se esta história.

andorinha disse...

FDL(3.30)

É chato porquê?
Contigo, amigo e companheiro:)...na boa, sempre...

Não sei se me estão a "empadeirar encomendas", limitei-me a responder à Mar porque se me dirigiu e eu falo com as pessoas desde que elas não sejam imbecis e desde que não me insultem:)

Quanto à tua sugestão é uma ideia, tenho outras, mas que, como é óbvio, não irei expor aqui.
Qualquer conversa entre mim e o Lobices será por outras vias, nunca através de blogues, este ou qualquer outro.
Claro que podia convidar o Thora, já disse que ele é um miúdo fixe:)
Mas ele não gosta de futebol, não o iria sujeitar a esse suplício, tadito do miúdo:)))))))

E o abraço será dado na primeira oportunidade, fica prometido.




Caidê,

Mais uma vez, subscrevo na íntegra as tuas palavras.

A história que contas é deliciosa e tem uma grande dose de verdade.

Cê_Tê ;) disse...

Lobices,
perdoe-me a aparente crueza
"...o internamento num Lar estáfora de questão, pois seria a morte imediata dela"

Por vezes pensamos que somos os melhores cuidadores e olhe que não! O Cansaço, a revolta, a dor, tomam conta de nós de forma cruel e as pessoas de quem gostamos sentem-no bem ainda que não digam nada. E mais uma mãe!
Por vezes, também as pessoas de idade mudam,... nem todos os lares são iguais aqueles que pelos piores motivos são notícia na tv.
E ir para um lar pode não ser para sempre e todo o dia, todos os dias.
Por vezes têm melhores condições do que em casa. Também convivem e vêm pessoas como eles e sentem-se menos "desgraçados".
Não trate da sua mãe como se fosse a penitência pelos seus "crimes".
É esse comportamento que deseja ver repetido pelos seus filhos em relação a si?
Pense bem. Pense em si também. Qualquer mãe deseja o melhor para o seu filho.
Um beijo e um abraço apertadinho (se o quiser receber, claro)

AQUILES disse...

O amigo Lobices é um homem de sensibilidaddes. Conheço-o bem pelas leituras dos seus blogs e do seu livro (que tenho a esperança de que um dia mo autografe). Não lhe digo nada. Dou-lhe um abraço.

Su disse...

e tudo se repete.............
até o natal............
até o tiro..........
até a queda...

"Pediu ajuda e ela não veio"

jocas maradas

SEF disse...

asjkasksksksksk