domingo, fevereiro 20, 2011

Boa noite.

Colin Firth é admirável em O Discurso do Rei. Imagino-lhe a satisfação, por se vir a afirmar como um actor que não está aprisionado a um género de filmes, Filadélfia deve ter tido o mesmo efeito em Tom Hanks. Além disso casou com a nossa Lúcia Moniz em O Amor Acontece, é um bocadinho tuga:).
Mas em verdade vos digo: controlasse eu os votos da Academia e o Óscar iria para Jeff Bridges em Indomável. Admito o fraquinho que sempre tive por ele desde o Great Lebowsky, mas este Marshall é um hino a alguma natureza humana, no que tem de assustador, terno, crepuscular e irredutível face ao rolo compressor da homogeneização. O bom do John Wayne deve estar a roer-se de inveja:).

P.S. O Dr. Passos Coelho tranquilizou a Nação - o PSD não tem pressa de ir ao pote. Nas próximas eleições estará do outro lado da barricada um Primeiro-Ministro que, se não me falha a memória, no Parlamento sussurrou ao circunspecto Dr. Louçã - "manso é a tua tia". Não sei se o pote continua no fim do arco-íris; não sei se ainda resta algum ouro; mas sei que ficará ao cuidado de quem se move no registo popularucho como peixe na água.
Recuso-me a acreditar que o FMI não leve isso em conta...:).

27 comentários:

Canseiroso disse...

É cada vez mais assustador o que a Oeste acontece, que o mesmo é dizer,«a Oeste nada de novo».

O rapaz PC, já revela nos tiques de nervosismo, a ansiedade típica de quem se arrependeu de entrar no avião.

O que mandou a tia do outro não sei para onde,já percebeu que isto só lá vai à cacetada e vai-se esquecendo de governar o país.

O sobrinho da tia, está a vomitar tudo o que precocemente construiu, durante esta parte aparentemente dourada da sua vida.

O Jerónimo remetido para a sua reserva, conspira com as limitações, que interiorizou como matéria de estudo e reflexão relevantes, no seio do seu bairro operário.

O outro,fala alto e debate-se com o hibridismo do seu carácter, disfarçado de populista, quando lhe falta matéria concreta que a direita possa agarrar.

E nós,descendentes de gente do Crescente Fértil,aqui nos instruimos, na vontade secreta, típica da natureza humana,de aguardar que um Marshall qualquer nos revele o lado «assustador,terno,crepuscular e irredutível» de nós próprios, por ausência de paternidade visível

anamar disse...

Ora viva...
Hoje falámos de si e do seu programa cá em casa.
Mas também falámos, e eu escrevi no meu Mar à Vista, sobre o DISCURSO DO REI... Como é possível a crítica classificá-lo de "mau" ou " a ver"? Magistral interpretação.
Gaguez jornalistica, não?
:))

Bartolomeu disse...

Meus amigos; neste momento, o nosso problema deixou de ser a crise económica, financeira e social; Socrates, Passos, Louçã ou Portas, BCE, ou FMI, Cavaco ou Alegre. Neste momento a nossa preocupação deve voltar-se para as ondas de africanos que estão a querer entrar na Europa, para as guerras civis que estão estalar no mundo árabe e tentar levar a sério as predições de Nostradamus.

Ti disse...

Estou com água na boca!
Ainda por cima já tenho bilhetes para os dois!

ana b. disse...

Prof.

Concordo consigo mas o meu fraquinho pelo Jeff Bridges é anterior ao Lebowsky. Desde o "Starman" do Carpenter que eu nunca mais fui a mesma:)) Ainda não perdi a mania de me pôr a olhar para as estrelas a ver quando me aparece um ET, tão ternurento assim.
E sei que é apenas uma questão de tempo, pode crer!:))

Em relação ao Oscar, e dado o Jeff Bridges ter ganhado no ano passado, pela magnífica interpretação de um cantor country problemático, no "Crasy Hearts" (infelizmente não estreado em sala) votaria no "nosso" Colin Fith.
Para além de um bocadinho tuga, é também um excelente ator e já, no ano passado, tinha sido nomeado por um papelão no brilhante "A Singular Man" do Tom Ford. Acho mais que justo!

Já agora aproveito para expressar a minha profunda indignção pelo modo leviano e pouco responsável como é feita a seleção dos filmes que estreiam em sala,no circuito comercial. Assiste-se a verdadeiras aberrações, com excelentes filmes, algumas pérolas até, a passarem diretamente para o mercado vídeo, sem exibição em sala, enquanto maus filmes, verdadeiros mamarrachos andam por aí tempos infinitos.
Poder-se-ia pensar que o factor económico presidisse à escolha. Mas então como interpretar a não exibição de filmes com potencial comercial, alguns dos quais com Oscars ganhos?
Recordo-me de outro excelente filme "Away from her" da Sarah Polley. Belissima interpretação da Julie Christie, também nomeada ao Oscar de melhor atriz, no papel de uma doente de Alzeimer, que teve o mesmo triste fim.
Infelizmente não são só os factores económicos a pesarem na seleção. Estes, até que os entenderia
Não. É puro desleixo e incompetência de quem por lá anda.

andorinha disse...

Não posso dizer se concordo consigo ou não em relação ao Óscar porque ainda não vi o Discurso do Rei. Esse vou vê-lo aqui refastelada no sofá.
Ver um filme numa sala de cinema é uma sensação diferente, para melhor, mas também sabe bem variar:)
Indomável é um excelente filme, aí concordo consigo. Aliás tem havido uma sucessão de bons filmes, ultimamente.

Ainda não viu o Cisne Negro?
É imperdível, não ligue ao que diz a Inês...:)))

Quanto ao segundo tema do seu post, já nem digo nada, acho mesmo que atingi a saturação total. Matem-se e esfolem-se, por mim pouco me importa...
Felizmente temos os filmes, a música, os livros, a arte em geral, para nos podermos abstrair de todo o lamaçal que nos rodeia.
É nestes que eu me "vingo", para além de família e amigos, claro.

andorinha disse...

Que se passa?
Já emigraram todos?:)))

ana b. disse...

Andorinha:

Vontade não falta.:)
Mas não! Quedo-me por aqui ao som do José James e Jef Neve

http://www.youtube.com/watch?v=tp2OOihoKO0

ana b. disse...

É bem melhor que aquelas vozes insuportáveis dos telejornais.
Estou como a Andorinha: Já não há pachorra!

Caidê disse...

Emigrar? Outra vez?
Por mim ia de férias. Ando já a fazer reservas.

No comments about cinema, 'cause (and I'm truly jelous) only next week-end will I have something to share :-(

Um miminho musical para dormirem acalentados - pode ser (instead the expected comments)?

http://www.youtube.com/watch?v=MvC77iWO648

Condessa de Til disse...

Também estou a torcer pelo Colin Firth porque o Jeff Bridges já ganhou no ano passado e porque o Colin Firth também merecia pela interpretação no A single man. O Away from her é um filme maravilhoso.

A propósito de filmes que lamentavelmente não estreiam em Portugal vou contar a odisseia do Mademoiselle Chambon.
Depois de ler um artigo numa revista francesa fiquei com uma enorme vontade de o ver, mas não tinha data prevista para estrear em Portugal. Comecei à procura por todo o lado, mas só ia ter a links falsos, até que um funcionou e veio um filme completo, só que era o filme errado. Em desespero de causa acabei por comprar o filme na Amazon francesa. Com os portes ainda ficou carote, mas não tive outro remédio. Felizmente não me arrrependi.
O filme tem alguns pontos comuns com As pontes de Madison County, mas é o homem que não tem coragem para partir. Entre a Mademoiselle Chambon, uma mulher solteira, independente, violinista, professora primária não efectiva por opção – diz ela que se não gostar de uma escola tem sempre a consolação de que é só por um ano – e o pai de um aluno, casado, nasce uma atracção forte, mas que ambos reprimem. Assim nem sequer têm os cinco ou seis dias do filme do C. Eastwood, só uns minutos de ternura numa tarde e umas horas em que fazem amor pela primeira e única vez na véspera dela deixar a cidade. No fundo é uma história banal, cheia de lugares comuns, mas gostei da forma como está contada. É um filme lento, cheio de silêncios dolorosos e de desejo contido.
Uma curiosidade: os actores que interpretam o par apaixonado foram casados e estão divorciados há vários anos.

Ana e Andorinha vejam estes bocadinhos que vão gostar:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=QX-9ad-naok

Cena do beijo
http://www.youtube.com/watch?v=F-XTTpiB9rg&feature=related

Entrevista com o realizador
http://www.youtube.com/watch?v=IFtykEYrKNA&feature=related

ana b. disse...

Condessa:

Encheu-me de curiosidade sobre este filme. A cena do beijo está lindíssima.

andorinha disse...

Condessa,

Gostei muito desses bocadinhos.
Obrigada:)
A cena do beijo é, de facto, lindíssima.

ana b. disse...

Como anda tudo muito calado eu vou dando música

http://www.youtube.com/watch?v=5ofaoLKPz7c

bea disse...

Condessa

parabéns pelo perseguir de uma ideia, neste caso, a de aceder ao filme. É grato ouvir o realizador contar que também ele amadureceu o desejo de o realizar durante uns 10 anos porque o livro o tinha inquietado o suficiente, mas se reconhecia "verde". É comovente, esta espera de si:)

ana b. disse...

...e ainda:

http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck

Condessa de Til disse...

Ana, Andorinha, Bea,
:)

Esqueci-me de referir a banda sonora, mas com certeza que repararam na música para violino - que se vai ouvindo ao longo de todo o filme - e na bela canção da Barbara chamada Septembre.

ana b. disse...

E para uma noite repousada:

http://www.youtube.com/watch?v=EvxS_bJ0yOU

ana b. disse...

Porque a perfeição existe:

http://www.youtube.com/watch?v=5_XdRa2oMR0

Dedicado a todos os Murcons mas em especial à Anfi.

Anfitrite disse...

ana,

Já que se está a meter comigo, e mesmo antes de ver os vídeos que por aqui andam, mando este para todos encontrarem a paz de espírito, que não as dos cemitérios. Não sei se viu "Até à Eternidade".

http://www.flixxy.com/trumpet-solo-melissa-venema.htm

ana b. disse...

Anfi:

Penso que não vi o filme.
O seu video é mais um momento de perfeição. Até o título está admiravelmente adequado.

Dediquei-lhe o Bolero de Ravel porque acho que o "Les uns et les outres" é a sua cara. Até consigo imagina-la a ver o filme no extinto "Star".:). Errei?

00:00 disse...

Hai! Anfizinhaitacatita!

00:00 disse...

http://www.stevebloom.com/slideshows/intothedeep/

bea disse...

Professor

acerca do filme :) Colin Firth tem o aspecto de quem se cruza connosco na rua e somos capazes de imaginá-lo a correr para o eléctrico ou na paragem de autocarro. Mas enquanto o filme passa, o actor apaga esta imagem, talvez pela performance inglesa vinda do teatro que nos embrenha na leitura de pormenor. Não interessa, é bom. Boa forma de contar a história de um rei que era para ser outra coisa, da irredutibilidade daquele professor que não tinha diplomas, mas exigia e impunha regras reais. Um rei para outro rei. Processo e resultado são felizes. Para além disto, há uma gratificante amizade por entre as regras. Imediatamente antes do discurso, o professor olha o rei de frente e diz qualquer coisa como “esqueça o resto (ou os outros, já não recordo), leia só para mim”. E o seu rosto durante o discurso é extraordinário.
E Bom fim de semana :)

Anfitrite disse...

Ana,

Devia ser proibido a certas pessoas morrerem, ou perderem capacidades ao envelhecer. Pessoas que iluminaram as nossas vidas e agora só vivem
nas nossas memórias. Todas estas gerações que nos fizeram vibrar. O vídeo emocionou-me e fez-me embrenhar de novo filme.

Obrigada pela dedicatória, e não é só o Bolero que é bonito, é antes a transcendência de Jorge Donn e a visão e sensibilidade de Maurice Bejard.
Por isso lhe peço que veja, mais uma vez, esta versão mais intimista.

http://www.youtube.com/watch?v=OKE1eDn0Lcg&feature=related

E também mais esta, para mostrar quanta revolta uma batuta pode ceifar.E que nunca devemos baixar os braços, nem a voz, contra a intolerância e o preconceito.

http://www.youtube.com/watch?v=vvjZ-17DL58&feature=related


O filme que eu referi é antigo, mas se não se lembra dele é porque não o viu. Além de ter ganhado oito Òscares, o que não quer dizer muito, mas um cinéfilo nunca se esquece dele.




Condessa,
Infelizmente serão muito poucas as pessoas que têm o gosto de se lembrar de Barbara, da Greco, Laforet e tantos , tantos ourtros. Agora só ligam à tennologia e ao espalhafato.

http://www.youtube.com/watch?v=GlVrWsEUFGY&feature=related



Professor,
Não vamos precisar de FMI. Todos queremos brincar às revoluções, só que há umas revoluções que são mais iguais do que outras.
E hoje será o primeiro dia do resto das nossas vidas.

ana b. disse...

Anfi:

Eu sabia que ia gostar do video:)
Por isso o dediquei a si.
"Les uns et les outres" foi um marco na minha vida.
Vi-o, no Star, logo após ter chegado a Lisboa, para iniciar a Faculdade.
Vinha com uma enorme vontade de devorar filmes. Sofria horrorres,em Ponta Delgada,por saber dos filmes que estreavam na capital e que eu não podia ver. Lia o "Sete" (lembram-se?) todas as semanas e ficava com uma enorme frustração.
Por sorte, o primeiro filme com que estreia este ano orgiastico de filmes, foi o "Les uns et les outres" do Lelouch. Melhor estreia não podia haver.
É claro que isto são tudo razões pessoais para adorar o filme. Estou convicta, contudo, que ele vale por si, e que constitue uma obra prima do cinema. Independentemente deste lado afetivo.

O outro filme da minha vida, (ex aequo), foi "A Noite" do Antonioni, com o Mastroianni, a Mónica Vitta e a Jeanne Morreau. Vi-o, ainda adolescente,na televisão, e apaixonei-me de imediato pelo cinema. Até hoje!
E promete durar...

A propósito acabei de ver o melhor filme atualmente em exibição em Lisboa: "Blue Valentine" do Derek Cianfrance, com o Ryan Gosling e a Michelle Williams.
É a prova que um bom filme dispensa efeitos especiais e espalhafato, parafraseando a Anfi. Um bom argumento, bons atores, um bom realizador é quanto basta.
Este, distingue-se de outros bons filmes, pela enorme sensibilidade com que está filmado. A não perder, seguramente.

A não perder também:
"127 Horas" do Danny Boile (Slumdog millionaire; Transpotting; A praia) com o James Franco. Um prodigio a revelar a capacidade de resistência humana à adversidade. Que é muito superior à que julgamos possível.
E com uma enorme mensagem de esperança no final.Imperdível, também!

Falta-me ainda uma outra estreia, marcada na minha agenda, para amanhã: "Somewhere" da Sophia Coppola. Promete!

Bom fim de semana! Sempre com muito cinema, se possível.

Miosotis disse...

... ainda não fui ver! Nem um nem outro! Mais interessada no 'Indomável'!

Tenho andado pelos menos 'notados' : Sofia Coppola 'Somewhere' e Derek Cianfrance 'Blue Valentine', este último presente no 'Sundance Film Festival 2011'.

Grande sensibilidade visual e emocional, Coppola e Cianfrance.

A banda sonora de 'Somewhere' é linda!