segunda-feira, abril 30, 2007

Preguiçosamente no Verão passado:).

Nova brincadeira à vossa disposição nas Produções Murcon.

P.S. Diálogo citado pelo Provedor do leitor do Público na edição de ontem:

João Bonifácio: "É das canções de amor mais desesperadas que já alguém escreveu: "Deixa-me ser... o ombro do teu cão..."
Camané: "Ele queria ser o ombro do cão dela porque queria era estar ao pé dela, não queria que ela o deixasse. E nessa fase da canção existe o desespero: nem que seja uma mosca à tua volta, o ombro do teu cão, qualquer coisa, mas que eu possa estar ao pé de ti".

Verso em análise de Brel, como já adivinharam - "L'ombre de ton chien...". Se existe um Céu dos artistas, o pobre Jacques deve achar que está ser tratado abaixo de cão:(.

20 comentários:

Cristina GS disse...

Será que já pertencem à geração anglófona/fila? ;)
Querido Brel, perdoa-lhes porque não sabem o que dizem. Mas, pronto, salva-se o sentido atribuído à frase: amor a qualquer custo, devoção absoluta. Sans ombres...

thorazine disse...

Talvez mesmo o Reverendo Bonifácio falasse melhor de um cão! ;)))))

Marx disse...

Consta que Marco Paulo já comprou a versão espanhola da canção...

andorinha disse...

Boa tarde.

Loooooooooooool.
Perdoai-lhes Senhor porque eles não sabem o que dizem:)

Se as pessoas não sabem do que falam, por que abrem a boca?????:)

Laura disse...

Coitado do Camané... perdoa-se-lhe a ignorância pelo bem que canta Mas é decepcionante perceber que ele afinal não entende o que diz, quando interpreta.
E a propósito, já alguma vez ouviram a “ex” dele? Não percam por nada! Canta sempre no Senhor Vinho mas tb vai ao Maxim etc. Inimitável, a Aldina, não há igual. E como se não bastasse é um monumento de simpatia e naturalidade. Aposto que jamais traduziria “ombre” por ombro. Estudaria afincadamente primeiro, se não soubesse.)
Quanto ao Jacques Brel é a minha loucura de sempre! E já pertencia aos ídolos demodés na minha adolescência... Agora, estou habituada a que me digam “ -Brel?! Já ninguém ouve esse tipo, ninguém sabe sequer quem ele é!”.
-Sacrilège! Diria o Haddock...

Ne me quittes pas nem é a minha música preferida (já ouviram o Amsterdam, por exemplo? É a minha number one. E é um arrepio que não sai nunca mais!)
Mas esta que o Camané canta (já ouvi bem piores remakes) é das canções mais tristes e poderosas que conheço sobre o abandono e o amor desfeito.
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien.
Haverá maior entrega? E será que é doentia? :):)
O genial em Brel é que, mesmo na lamechice mais profunda, ele consegue ser 1 força da natureza, e juntar o maior desalento à esperança mais pujante e à maior loucura.
TEM MUITO DE FADO. Ai isso tem!

Cristina Seabra disse...

Desconhecia...:-)
Laura: gostei do sei comentário. Não conheço a versão do Camané, mas a do Brel é poderosa, entendo-a muito bem por em tempos me sentir assim (!). O homem era de facto "uma força da natureza". As "figuras" que a gente faz quando ama desesperadamente! Não me passaria pela cabeça voltar a suplicar nem em pensamentos, mas já dizia Pessoa, só as pessoas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas!;-) Ao menos fomos nós que vivemos tudo isso, de bom e mau. Estamos vivos! Há muita gente por aí que "morreu" e não sabe ;-)

lobices disse...

...acabo de colocar uma nova(belle chanson) versão no meu blog

thorazine disse...

:)
Já percebi de onde veio o "verão passado" do título..mas não percebi a parte do preguiçoso. Será que o professor está a chamar preguiçoso ao nosso:) telespectador por este não ter lido a posologia do fármaco? ;)))

Pamina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pamina disse...

Boa noite.

Quanto ao tema do programa:

Estes fáceis traumas masculinos!
(fáceis de se instalarem nas cucas deles, entenda-se)

Isto fui eu a ©"peguilhar" com os homens:)).
Em matéria de inseguranças e complexos em geral, creio que é sempre bem mais difícil para todos nós, homens e mulheres, livrarmo-nos deles do que adquiri-los.

Quanto ao magnífico diálogo, a calinada é das fortes. Coitada da canção! Não queria estar a bater mais nos ceguinhos, mas não dá vontade de lhes dar umas palmadas no pescoço?:)

carlos freitas disse...

Cultura à l'ombre des pacóviós, já dezia Beethoven que toucava biólines.

Henrique Dória disse...

Professor: o Brel está no Inferno, o Bonifácio e o Camané é que irão para o céu, porque segundo Jesus Cristo o céu está garantido aos pobres de espírito.
Com um provedor assim, os leitors que arranquem os cabelos-se os tiverem.

Laura disse...

Eheh...os pobres de espírito de que falava JC não eram exactamente ESSES...

Aspásia disse...

Tenho pena q um cantor como o Camané, que até aprecio, revele uma falta de cultura geral desse calibre.
Se quer cantar "em estrangeiro" tem q ter a certeza sobre o que diz, nem q seja chinês.
O bom profissional numa área, qdo se mete por outros caminhos tem o dever de aí estudar um mínimo, para nao fazer figuras tão tristes como esta.

Até fiquei com uma dor... de cotovelo
;(

Aspásia disse...

HENRIQUE D. E LAURA

Aliás creio q JC disse "os pobres em espírito" - e alguém q sabia pouco Aramaico traduziu mal para Português...

:)

Laura disse...

Aspásia: sim, foi isso mesmo.:)
Tem razão. Pobres de espírito em linguagem comum são os pouco apetrechados em neurónios.:)
Mas os que seriam "bem aventurados" e "mereceriam o reino dos céus" não eram esses... Eram os que não sendo pobres de facto (materialmente), o eram em espírito. Ou seja, vivendo com atenção aos que têm menos. Ou, como se diria agora, agindo sem arrogâncias nem deslumbramentos, pisadelas no próximo e exibições, elegendo as pessoas mais pelo que têm do que pelo que SÃO...
Até parece que sou uma perita em decifração das tábuas da lei... mas não é o caso.
De qualquer forma, lá que as velhas tábuas lavravam surpreendentes bons conselhos, ai isso é verdade:):)

Aspásia disse...

LAURA

NÃO É "TEÓLOGA", COMO DIZ, MAS SABE MAIS DAS ESCRITURAS Q O CAMANÉ DE FRANCÊS! É Q HÁ UMA COISA CHAMADA CULTURA GERAL - EU ATÉ LHE CHAMARIA CULTURA BÁSICA... E EM GERAL OS Q A TÊM NOTAM LOGO QUEM A TEM E QUEM NÃO A TEM...

EM ESPANHOL, ENCONTRA-SE TANTO "EN" COMO "DE"

"Bienaventurados (felices) los pobres en espíritu, porque de ellos es el Reino de los Cielos" (Mateo 5:3).

JÁ EM FRANCÊS SÓ ENCONTREI "EN"

"Heureux les pauvres en esprit, car ils auront le Royaume."

E NA BÍBLIA APRENDE-SE IMENSO... DE TUDO, ATÉ HISTÓRIA, SOCIOLOGIA, PSICOLOGIA...

E COM ESTA... VOU PREGAR PARA OUTRAS FREGUESIAS!

Ti disse...

Pessoas! Bócês tão a ser um bocado mauzinhos pró Camané!
É berdade que debemos corrigir u zerros, mas daí a chamar pobre ao espírito do senhor... E além diço o espírito pode ser pobre mas honrado!

APC disse...

"Porque falam do que não sabem?" - perguntou-se. Ora, porque se pensa que se sabe, estando-se errado. O homem, por ser aquele que pensa, é quem pode saber sempre mais e melhor, mas também errar. E como o Camané deve saber coisas que eu não sei, talvez me seja devida mais a acção de o alertar e corrigir, do que a de o deixar permanecer no erro, para o gozar e me sentir melhor.

"O ombro do cão" é grave, sim (não vou dizer que não achei pertinente a nota)... Vai-se a força de uma humilhação poética por água abaixo, é vero. Mas é mais fácil ficarmos na sombra a rentabilizar o ridículo da coisa, ou trazê-la à luz mas com a nobreza de espírito dos homens verdadeiramente cultos?

PS - Apesar de tudo, parece-me que há qualquer coisa de verdadeiro no facto de ele não se importar de ser o ombro (ou o cotovelo, ou joelho) do cão dela "porque queria era estar ao pé dela"... :-)

APC disse...

Professor: e A Importância de se chamar Ernesto (The Importance of Being Earnest)??? :-)))