quinta-feira, dezembro 13, 2007

Quase, quase em auto-piedade:).

A tristeza é, muitas vezes, um apeadeiro inevitável a caminho da lucidez. Acho que percebo a razão. Mas preferia que a paragem fosse menos demorada...

42 comentários:

AQUILES disse...

Então, caro professor, a digestão de coisas pesadas sempre leva o seu tempo.

Fernanda disse...

Já dizia Flaubert:«Cuidado com a tristeza.Ela é um vício.»

Não se demore no apeadeiro.
Adelante!:)

Ni disse...

'La tristesse est un pays'...

Uma frase de Christine Orban, que faço questão de sentir com os lábios, pronuncio-a, sinto-lhe o gosto, a textura, diluindo-a até a tornar fluida... e encaro a tristeza de frente... como país de viagem inevitável. Às vezes fico por lá. Em silêncios demorados. Mas nunca lhe escondo o passaporte que tenho no espelho do brilho dos olhos, para que ela, a tristeza, saiba que não é o meu país de destino. 'Eu não evoluo, viajo' (F. Pessoa). É esse o segredo. La joie est un autre pays... digo eu. Chega-se lá através da rota das ilhas... que é a soma de momentos felizes. Saia desse país chamado tristesse. Não lhe diga 'Bonjour'. Parta agora...
Sorriso.

Um abraço.

Migmaia disse...

Boa noite,

É fantástico como, em tão poucas palavras, consegue dizer tanto!

E felizes daqueles que chegam ao fim da linha e alcançam a lucidez, não é para todos!

Lembrei-me novamente do Mestre Manoel de Oliveira. Pela pressa que tem, parece já não parar nos apeadeiros...

Força Prof., para o ano haverá nova/ Liga dos Campeões e a distancia no campeonato já foi maior...

andorinha disse...

Boa noite.


Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar

Fernando Tordo, Adeus tristeza

Oiça-o:)

Aqui fica um empurrão:)...com um beijo.

Fora-de-Lei disse...

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Tristezas não pagam dívidas !
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andorinha 2:06 AM

O contexto em que essa canção foi escrita era bem diferente... tratava-se de uma cura fisiologicamente necessária, antes que a "vertigem" se tornasse irreversível.

gaivota disse...

e que caminho, doutor!
também a sinto como tal, mas, às vezes, o caminho é tão longo...
tem tantas curvas,
daquelas perigosas mesmo, que teimam em nos fazer andar devagar, devagar, devagar...
e a tristeza ao lado, a sentir-se importante por nos obrigar nessa caminhada sinuosa que demora tantooooooooooooooooooooooooooooo!
será que todos encontram a lucidez lá no fundo???...
um beijihno e um bom dia!

A Menina da Lua disse...

Oh Professor está triste!:(

E ainda por cima com o Natal à porta!:)

Mas como bem sabe, é mesmo assim; o caminho da lucidez por vezes é triste e até doloroso mas vale a pena porque no final será sempre libertador...

Porem não esqueça que só tem direito a estar triste durante esta semana...depois passa a ser proibido:)

Abraço

andorinha disse...

Boa tarde.

FDL(8.25)

Eu sei que o contexto era bem diferente...mas lembrei-me do refrão para transmitir o que eu queria dizer, entendido?:)

E é pena que tristezas não paguem dívidas às vezes:) Loooooool

Fora-de-Lei disse...

A Menina da Lua 11:20 AM

Mas sempre foi assim... com o Natal à porta, há muita gente que fica mais ou menos triste. Penso até que o Natal é uma época muito propensa a pequenas depressões.


andorinha 12:41 PM

Ou seja, sempre que te sentisses em baixo, lá ias tu até ao Centro Comercial com o teu VISA visual... ;-)

CD disse...

Todos tem medo da tristeza.

Mas ninguém repara na lucidez.

Opções.

A Menina da Lua disse...

Fora-de-Lei

Isso é bem verdade!...A literatura e principalmente a realidade estão cheias de exemplos disso.
Talvez seja a época por excelencia e particularidade, onde cada qual guarda um pouco de espaço e tempo para se "ler e avaliar por dentro"...e nem sempre se gosta daquilo que reflectimos de nós ou constatamos em relação aos outros...seja pela pobreza, infelicidade, seja sofrimento etc. etc.

Mas isso agora não interessa nada!:))

É Natal! é Natal:)))

A Menina da Lua disse...

Ni:)

"e encaro a tristeza de frente... como país de viagem inevitável. Às vezes fico por lá. Em silêncios demorados. Mas nunca lhe escondo o passaporte que tenho no espelho do brilho dos olhos, para que ela, a tristeza, saiba que não é o meu país de destino."

Muito bonito!...revejo-me neste "lugar":) da sua frase:) até porque ele tambem é um outro caminho para a lucidez...

Blondewithaphd disse...

Sadness is usually a long state, a road I'd say, broken here and there by the intersections of happiness. In sadness we find ourselves, our inner I, and we take the time to think. But we shouldn't hibernate there. We should drive ahead to the next crossroads.

lobices disse...

...vamo-nos lendo por ali e por acolá... por aqui também... porém, não ficará mal aproveitar o apeadeiro e parar um pouco para vos desejar a todos, a todos mesmo, um FELIZ NATAL
...abreijossssssssssssssssssss

Sunshine disse...

Como o percebo!!!
Sinto que a minha tristeza já vai demasiado longa e ao mesmo tempo ainda nem sequer começou. O caminho que se percorre para chegar à lucidez é que é importante e faz com que as águas turvas fiquem limpas e possamos ver através delas. Infelizmente, se a paragem fosse curta não teríamos tempo de aprender.
Não dispensaria os momentos de tristeza da minha vida, porque foram eles que coontribuíram para que eu seja a pessoa que sou hoje.

Laura disse...

How truthful...
Por isso é que nunca entenderei os optimstas:):)
E justamente por isso é que entendo a ironia.
(mais ainda a auto-ironia).
Que é 1 estado de alma decantado e ...se não é triste, é pelo menos sábio. Ou a caminho de.

(E puxando para o colectivo, será então que nós, os portugueses, somos um povo lúcido?!:):)

andorinha disse...

FDL(12.53)

Era uma hipótese:))))))
Tristezas agravam dívidas, basta ver-se o hábito de certa malta ir a correr para os centros comerciais "encharcarem-se" de compras quando estão deprimidas.

"Penso até que o Natal é uma época muito propensa a pequenas depressões."

E porquê? Porque é a época do consumismo por excelência.
Alguns porque não podem comprar o que gostariam; outros porque se sentem na obrigação de estarem imbuídos de espírito natalício, seja lá isso o que for; outros porque andam num frenesim a comprar prendas que não têm significado nenhum, enfim...ficava aqui a tarde toda a enumerar possíveis razões.

Eu até sugeria a quem dá prendas "porque tem que dar" que fizessem o seguinte: pegavam nas que receberam o ano passado e redistribuiam-nas agora, tendo somente o cuidado de verificar que não iam parar às mesmas pessoas.
Poupavam trabalho e dinheiro.

E não estou a ser irónica, estou a falar muito a sério. Muitas pessoas dão prendas nesta altura porque tem que ser, não tendo isso qq significado para elas; assim, resolviam o assunto de uma forma prática.


Ni,
Gostei muito do teu post. Ontem já estava com sono, não o li com atenção.
Gosto muito do que escreves e da forma como o fazes. Aliás, fui espreitar ao blog e confirmei isso:)


Lobices,
Feliz Natal, já?
Homem apressado!:))))

Cristina_pt disse...

Talvez uma gargalhada ajude.

http://www.youtube.com/watch?v=1TzJxSd2XMs

thorazine disse...

andorinha,
"E porquê? Porque é a época do consumismo por excelência."

Acho que é mais por haver cada vez mais lugares vazios na mesa...

andorinha disse...

Thora,

"Acho que é mais por haver cada vez mais lugares vazios na mesa..."

Isso é outra vertente da questão.
Aí entra a saudade dos que já partiram, daqueles que por qualquer motivo não podem estar presentes...tudo isso não invalida o que eu disse acima.

E, sobretudo, não me contradigas, miúdo:))))))

Fora-de-Lei disse...

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Tristezas não pagam dívidas !
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AQUILES disse...

Thora
Também é isso. E é, sobretudo, uma época muito propensa à sensibilidade das solidões. Quantas vezes no meio de multidão não somos solitários. Nem estou a dizer que a paragem no apeadeiro tenha a ver com um encontro reflexo com a própria alma.
Mas esta época é o tempo das familias, que estão cada vez mais exiguas, tipo T3 ou T2, e ainda retalhada entre lares. O sorteio das consoadas em si já é um drama. A ausência, ou a sobra, já é triste. Mas ficar a meio caminho de dois lares sem ter nenhnhum para ir, também é triste.
Deabulem pela cidade pelas 22 horas de 24DEZ e reparem nos rostos que vagueiam.
E depois eu sempre publico no Natal o poema do Mourão-Ferreira, "A Ladainha dos Póstumos Natais" que é um belo poema sobre o curso do Natal.
E agora não divago mais.

JFR disse...

Nem sempre a melhor solução é aguardar uma partida atrasada. Em certas ocasiões, o apeadeiro é uma excelente oportunidade para mudar o rumo. Basta alterar o transporte, indo em busca de uma nova lucidez.

Blogogamico disse...

Um vício para muitos, companheira de noites longas.
Somos os primeiros a guardar o bilhete só de ida, e dormimos na sua paragem, comemos, vivemos na fina linha que nos acomodamos, e por não ser diferente, mas por ser já a muito conhecida...
Aconselhamos a todos a sua fuga, dizemos palavras alegres, mas somos os primeiros a saber e a viver a sua estadia...

Boa noite murconicos.

A Menina da Lua disse...

Laura:)

Os portugueses e claro que generalizando, não me parecem ser do tipo optimista e ainda muito menos para o lúcido. Posicionam-se um pouco a meio caminho entre o fatalismo e a euforia maldizente:)

Euforia maldizente que o leva a estar em permanente contrariedade e "má língua" mesmo quando não há razões para isso. Fatalismo quando se dá à tristeza e ao saudosismo que o remete sistemáticamente para o seu quase atavismo crónico...

Mas isto sou eu a dizer de que...:) porque como boa portuguesa as mesmas críticas se podem aplicar a mim:))

Ti disse...

A tristeza a mim parece-me que é relativamente semelhante às dores musculares. É inevitável tê-las, mas é preferivel que seja por escolha voluntária...
Explicando:
Quando exercitamos os músculos, é natural que depois tenhamos algumas dores, mas deste modo ficamos mais fortes; no entanto quando estamos demasiado tempo sem fazer exercicio podemos sentir também dor, mas sem que isso contribua para ficarmos mais fortes.

Xelim's Skull disse...

Pensando numa mulher nova, também se pode dizer:

«A tristeza é, muitas vezes, um apeadeiro inevitável a caminho da gravidez.»

Podemos então também pensar no carácter útil da tristeza: motivação de frustração. O mal é quando não há solução, nesse caso a tristeza não é útil. Não sendo útil, devia ser suprimida. Pode ser, por exemplo, através da ironia. Isso é uma racionalização. Até porque num ser humano avançado tristezas inúteis nem sequer são sentidas. Em primeiro lugar, têm de provar que merecem ser tratadas como tal!

moon disse...

E depois de um dia de chuva vem um de sol!:))))
Vá, prof. lindo, sacudir a tristeza, up!!
E, em último recurso, pode sempre vir tomar um chá connosco (murcónicos) ou quem sabe jantar ou mesmo dançar... «o que eu dava para ver...:))))»
Me liga vai.... 96......, perdão, é mais nos liga vai...
Presumo que isto de querer o jeiroso só para mim não é perdoável... As minhas desculpas, malta:))))

Ni disse...

MENINA DA LUA e ANDORINHA:

Gostaria de deixar aqui um sorriso imenso e dizer-vos que quem, como vocês, dedica um pouco do seu tempo a dizer a alguém que gosta do que escreve, ou do que diz, ou do que é... para mim... é um ser de afecto belíssimo.
Cada vez mais as pessoas dedicam o seu tempo a criticar, a magoar, a nada de bom acrescentar ao dia dos outros. Perde-se um tempo precioso com os (hipotéticos) inimigos... e não se tem tempo para os amigos. Tem-se tempo para a amargura e rouba-se à ternura.
Vocês mostraram o outro lado... o lado lunar em plenitude, de quem não teme... de quem ousa dizer o que sente.
Obrigada por mo terem dito. Fez-me bem. :)

Abraços.

maria disse...

Faz ideia daquilo que pode despertar nas pessoas?
Faz ideia do quanto poderá ocupar o pensamento de quem o ouve e lê?
Como se sente com isso?
Já estive consigo no lançamento de um livro do Allen Gomes, em Coimbra.
...E gostava de estar mais.

andorinha disse...

Ni,

Não tens nada que agradecer, a sério.
Sou apenas um ser normal que se limita a dizer o que sente.
E "sinto" sempre beleza no que escreves.
Fico feliz por ter contribuído com a minha pequenina parte para que te tenhas sentido feliz:)
És uma alma doce, isso nota-se bem.

Beijo grande.

Pecadormeconfesso disse...

Também eu.

Reflexo disse...

« Não há que ter vergonha de preferir a felicidade » Albert Camus
Prof. pode sempre optar por sair a correr do seu apeadeiro:)
Bom fim de semana

AQUILES disse...

Gosto muito deste post.
Deixou por aqui um ambiente delico-doce, muito consentâneo com a época natalícia.
Estão todos muito ternurentos. :):):):):)
Aleluia.

andorinha disse...

Aquiles,

Não digas isso muitas vezes, olha que eu ando por aqui:) Looooool

A Menina da Lua disse...

NI:)

Obrigado pela parte que me cabe:)

E concordo imenso consigo quando diz: "Perde-se um tempo precioso com os (hipotéticos) inimigos... e não se tem tempo para os amigos. Tem-se tempo para a amargura e rouba-se à ternura."

A menina continua a ser muito gentil:)

Aquiles:)

Pois tambem concordo consigo que o espírito natalício anda no ar...e ainda bem!:)

CêTê disse...

A lucidez de que fala nem sempre é lúcida- está viciada pelo desencanto.

Eu aprecio os apeadeiros, nostálgica, e deixo-me ir...


Um abraço "birtual" com votos de uma paragem, ainda que breve numa cidade cheia de encantos. ;)



Bom Natal, para toooodos

non! mon amour! disse...

Um apeadeiro

também pode ser uma ponte suspensa sobre águas revoltas que é preciso deixar para trás com a possibilidade de voltar a deixar :) as vezes que se quiser, para fazer do passado, presente e futuro!

Sentida desta forma, a tristeza será só mais uma tonalidade, ou simplesmente, a vida em tons de Outono !

Isabel disse...

E às vezes, não nos deixamos sair do apeadeiro, como se a paragem fosse ao mesmo tempo tão necessária, como pesada na alma! :(
Eu por vezes utilizo a analogia de descer ao poço. Por vezes, parece-me que tenho que descer até ao fundo, raspar por todas as paredes, até a dor ser de tal forma intensa, que se consome em si mesma e deixa finalmente espaço para voltar a respirar e voltar a vestir personagens para mostrar aos outros.

Su disse...

tb eu..tb eu....

jocas maradas

LNeves disse...

O problema maior da tristeza, é que nos deixa sem rumo ... daí, às vezes as paragens nos apiadeiros sejam, forçosamente demoradas; perde-se o rumo...!

***MUAH***