quinta-feira, junho 26, 2008

Muito adequado ao mundo em que vivemos.

"Os que sobrevivem neste ofício são os que têm prioridades e não princípios."

Carlos Ruiz Zafón - O Jogo do Anjo.

12 comentários:

yulunga disse...

Muito mesmo, Dr. Murcon, muito mesmo. Infelizmente :(

non! mon amour! disse...

Salvo o devido respeito,

esta distinção entre prioridades e princípios, pressupõe já um juízo de valor, muito pouco abonatório acerca do sujeito, quiçá até do ofício em geral,

ou seja,

quem tem Princípios, faz deles A sua Prioridade! todas as outras prioridades, só podem ser secundárias!

andorinha disse...

Adequadíssimo!:)
Em qualquer ofício...

E que belo post para começar o dia:)
Ter que tomar consciência, logo de madrugada:), de que as coisas são assim...
:)

lobices disse...

...não diz melhor que o ditado "O mundo é dos espertos"

Lúcia disse...

Pragmático, pelo menos. Mas não será semper assim, seja em que ofício for. Espero!

Fora-de-Lei disse...

Daí o perverso ditado que diz que "dos fracos não reza a história..."

acutilante disse...

Se não estou em erro é uma personagem dele (Fermín Romero), que diz a determinada altura "“Nós existimos enquanto alguém se lembra de nós.”. Qem se lembra de quem e do quê?- Nós, os portugueses temos uma memória muito selectiva...

cabecinhapensadora disse...

Carlos Ruiz Zafon é um daqueles escritores que nos enrola nas palavras, força fresca de onda a compelir-nos ao mergulho. A prosa, aliciante, é quase ilícita; talvez por recuperar uma coisa tão esquecida, o abandono do leitor ao escrito.
Se o ofício é o da escrita, e supondo que ele, Carlos, é o sobrevivente que não é, a prioridade pode ser treinar o ofício. Os génios, de uma forma geral, furtam-se à comum arte de viver, funcionam num campo de emergência prioritária. Mas talvez os génios sejam uma assintonia. E a vida, para ser humana, não seja circulável em faixas separadas de princípios e prioridades.

Nuno Guimas disse...

A cultura do "Winner" e do "Loser" infelizmente hoje em dia globalizada.
O que interessa é ser um vencedor a todo o custo.
Os principios em vez de serem vistos profissionalmente como virtudes, são apontados como fraquezas e utilizados pelos "vencedores" para ferir (muitas vezes de morte, em termos de carreira) os "perdedores".
Às vezes penso que talvez seja por isso que anda tanta gente a tomar Prozacs, Valiums e coisas do género. Com aquilo que se tem de fazer para ser um vencedor nesta sociedade, qual é a pessoa (com consciência) que consegue pregar olho sem fugir à realidade?
Qual é a solução? Aceitam-se de bom grado sugestões.

AQUILES disse...

Essa frase é muito interessante. Acabei de blogar um post, com um texto do Paulo Loução, em que há duas interessantes citações de Jung e de Malraux que dão muito sentido a esta frase.
Mas, todavia, o que me preocupa mais é a demissão da cidadania consciente. De uma forma geral as pessoas demitem-se de ser, efectivamente, cidadãos e, assim, permitem que os oportunistas sem princípios alcancem, com facilidade e conforto, as suas prioridades, o que é sempre feito às custas de sonegações a legítimos interesses dos cidadãos amorfos. E os cidadãos terem-se enquistado no amorfismo é que deprime e desmobiliza para o combate dos interesses de cidadania comuns. E o problema não é só português. A recente alteração à lei em Itália, ainda não aprovada nos seus tramites definitivos, em que os altos cargos do estado ficam imunes às acções da justiça, é uma prova da frase deste post, pois é uma lei feita à medida das prioridades que não se revê em princípios.

andorinha disse...

Nuno,

A solução?
Cada um deverá encontrar a sua, aquilo que o seu carácter e a sua consciência lhe ditam.


"Às vezes penso que talvez seja por isso que anda tanta gente a tomar Prozacs, Valiums e coisas do género."

Mas tens alguma dúvida acerca disso?!
Claro que o "sucesso" a qualquer preço tem os seus custos.
Paga-o quem está disposto a pagá-lo.
E cada vez há mais gente disposta a isso, é bem verdade.
Mas esses são os "vencedores"?
Para mim não são. Não dou essa designação a quem chega ao topo da carreira ou seja do que for, simplesmente porque atropelou os outros.
Se eles pensassem bem, veriam que só chegaram lá pela sua falta de princípios e não pelos seus méritos.
Isto não abona muito a seu favor, concordarás.
Ou dito por outras palavras: sabendo que não têm armas para lutar no terreno da competência, recorrem ao que podem, à falta de caracter.

"Com aquilo que se tem de fazer para ser um vencedor nesta sociedade, qual é a pessoa (com consciência) que consegue pregar olho sem fugir à realidade?"

Respondo-te muito frontalmente. Eu consigo. E não serei, de certeza a única, mau era!:)
E não fujo à realidade, nem posso...:)
Mas sou incapaz de me "vender" ou de atropelar os outros para chegar a onde quero.
É evidente que também quero ir o mais longe possível mas sem me trair.
Para mim é esse o sucesso que conta.

Aquiles,

Pois, amigo, como já tantas vezes temos conversado, tudo isso são tristes sinais dos tempos que estamos a viver.
E que vieram para ficar:(((

PsiPages disse...

Pois... Eu continuo com os meus princípios, mas já vi que não me "safo" desta forma...