sábado, junho 28, 2008

O costume...

Ontem fui recebido como amigo e conterrâneo na E/B de Vieira do Minho. Tão importante como a conversa mantida com a assistência foi ouvir a descrição das inicitiativas levadas a cabo por técnicos, professores, pais e alunos. Admiráveis, mas - como de costume... - dependentes do suor, carolice e solidariedade das pessoas. Não pode ser:(. O Estado continua a refugiar-se em directivas vagas e declarações redondas. É preciso apoiar, estruturar, enquadrar. De modo a que eu não ouça frase angustiada - "até 2009 está assegurado, depois...". Porque alguém se vai embora, as condições objectivas deixam de existir, o cansaço derruba quem trabalha fora de horas, etc... E pensar que a lei de Educação Sexual é de 1984!

30 comentários:

andorinha disse...

Eu acho que já nem adianta falar; é chover no molhado.
O Estado demite-se das suas obrigações e compromissos, ponto:(

"até 2009 está assegurado, depois..."
Alguém disse isso?!!!
É preocupante!
E não entendo...

AQUILES disse...

Sei bem do que ouviu por lá. Também por cá, com os cidadãos surdos, se sentem essas dificuldades. Não estamos só a 2 horas do Continente. É isso mais o atraso que os burrocratas instalados no conforto do seu lugar, sem que tenham de prestar contas da sua eficácia, impõem. É a carolice de alguns professores, a quem presto a minha homenagem, que impede que o desastre seja maior. Leiam lá em http://asism.blogs.sapo.pt
Mas também há professores que dizem que não querem na sua turma uma maçã podre, e na frente de pais e professores, sendo que alguns destes também são pais de alunos surdos.
Os burrocratas fazem desesperar até os santos. Não fosse eu um decidido a levar tudo até ao fim, desistiria. Mas estes 6 meses foram gratificantes. Tiveram bons resultados.
O Estado professor? Leu bem a frase que citou no post anterior?

Roberto Ivens disse...

Caro Prof,

Também tenho essa ideia. Que Portugal é o País que é pela carolice dos portugueses. A contar só com o Estado há muito que seríamos espanhóis...

mariam disse...

de excelência este "post"!
tão verdade tudo o que referiu...faz referência apenas a um dos sectores laborais da nossa sociedade, mas, mais triste ainda é pensar-mos que esse "estado de coisas", se estende a quase todos os outros sectores, que como disse e muito bem "como de costume... - dependentes do suor, carolice e solidariedade das pessoas." e que inevitavelmente "o cansaço derruba quem trabalha fora de horas, etc"... mas o "panorama" estendem-se ainda às mais diversas instituições, a clubes desportivos menos conhecidos e até a instituições vocacionadas para o voluntariado...
este tema é diversas vezes comentado no meu grupo de amigos, sendo unânime a constactação e o desagrado...
Será que está "enraizado" ou faz parte da Lusa condição humana, este abnegado espírito altruísta de poucos e que muitos aproveitam e exploram, mas quase sempre acompanhado de sorrisos no rosto e palmadinhas nas costas... ora sendo o "Estado Luso" composto por Humanos (desses), faz todo o sentido e assim se percebe, que desde sempre e se calhar para todo o sempre, sejam ractificadas "directivas vagas e declarações redondas"!!!!!!
CONVÉM!

boa semana
um sorriso :)

Laura disse...

Claro que o Estado não se pode demitir da sua missão.
(Eu defendo o Estado Social, sem dúvida! Ainda que limitado pelo realismo orçamental, é um modelo que deve subsistir como inspiração).

- Mas posso dizer uma coisinha?

Isto de chorarmos o absentismo do Estado e santificarmos a iniciativa individual é também um vício tipicamente português...
Uma coisa não tem a ver com a outra! Não podemos estar sempre à espera que o Estado resolva tudo, perante a passividade crítica dos cidadãos...
Porque é que o empenho há-de ser uma heroicidade? Porque é que o nosso envolvimento "gratuito" há-de ser visto como uma excepção à regra?
Porque é que havemos de exigir ao Estado (que afinal somos nós) mais "alma" do que exigimos de nós próprios?
E sobretudo porque é que achamos que as nossas prestações individuais estão sistematicamente no contraponto das colectivas, como se competissem negativamente entre si?
Não se trata de desculpar as falhas dos governos! Trata-se só de não canonizar propriamente as prestações sociais desinteressadas de cada um de nós...:):)

acutilante disse...

"declarações redondas"...produzidas por cabeças quadradas! De admirar "apenas" o espanto/revolta do professor. E a redução de danos?! (principalmente nos estabelecimentos prisionais)?!
A prevenção primária (a sério), em toxicodependêmcias?!...
E a demissão do Estado, (para não proferir um palavrão)! no campo da saúde em geral?!
Para não dizer apenas mal, valham-nos ao menos os exames de Matemática este ano! Isso sim que é uma estratégia bem planificada! Dá outro ar à estatística!!!!

cabecinhapensadora disse...

24 anos de idade é muito ano para uma lei que não se cumpriu. Nenhum país evolui e prospera apenas por actos de boa vontade, ou aproveitando bochechos e marés. Educar exige continuidade. E ainda que o Estado sejamos nós todos (seremos? identificamo-nos com a máquina governativa, pelo menos parcialmente?), há uma delegação dos poderes do povo no chamado Governo, qualquer que ele seja. Cabe-lhe governar, ou não? entre outras coisas esquecidas, da governação fará parte legislar zelando pela aplicação das leis. Viver a própria sexualidade, ao contrário de outras dimensões da nossa natureza, põe-nos de bem com a vida e com os outros, provoca prazer que não paga IVA. Situa-nos. Tem, enfim, inúmeras vantagens. Mas, como tudo que é humano, precisa educação. Ou deixa de ser elegante.
Sucessivos governos deselegantes, tornaram anódina a lei. Secundados por pais e professores a que também faltou elegância. Nas escolas, criaram-se gabinetes e apoios onde ninguém vai. O país inteiro não avalia o como faz. Faz. E auto avalia-se por fazer. Neste deserto,há flores pequenas, frágeis, são os carolas. E o mérito de mostrar que a vida é possível.
Uma vénia à carolice. Por ser crença.

anfitrite disse...

Custa-me voltar aqui porque, começando pelo professor, só vejo conversa fiada.
O que é que cada um de vós HOJE já fez pelo seu País?! Só sabem criticar. Agora que se tenta atamancar todo o mal que nos fizeram até aqui (não foi em dois anos que se estragou o país), é que todo o mundo abre a boca só para dizer disparates. Como é possível remendar o que está completamente roto?! E, nas actuais circuntâncias, em que os que podem aproveitam para se encher ainda mais à custa da miséria da maioria.
Todos gostam de ter o seu minuto de fama e aparecer na tv para falar de caridadezinha, embora agora lhe chamem solidariedade social. As entidades que agregam estas instituições são as que pior pagam aos seus trabalhadores. E são eles que fazem todo o trabalho. Analisem os braços e os ossos de uma jovem que trabalhe num lar de idosos. As direcções andam tadas emproadas, com as costas dobradas por causa do peso dos atavios ornamentais.
Haja decoro!

Laura,
vim aqui só para lhe dar os parabéns pelo seu lúcido e oportuno comentário,
mas acabei deslaçando um pouco o nó. De facto, se chove o estado não paga o prejuízo das cheias; se faz calor não paga aos bombeiros, nem dá helicópteros; aumentam os preços de tudo o que compramos, mas o estado não baixa os impostos,nem nos dá a comida pela boca, para nós não precisemos de fazer nada.

Tudo isto talvez por ter servido de modelo para alguém que pintou a hiena.

Aquiles,
inspeccionei uma associação de surdos-mudos, onde o presidente de direcção, se abotoou com o dinheiro da aparelhagem que importava e que depois não levantava, para deixar ir até ao 2º leilão, para comprar por tuta e meia, porque não interessava a mais ninguém, (comprava através de outra firma que tinha formado), e no dia seguinte vendia à instituição por um balúrdio. Este é apenas um pormenor e não tenho medo de o dizer. Aconteciam incêndios para desaparecerem documentos. Alteravam-se oa estatutos, de modo a que ninguém o pudesse demover de lá. E ninquém dava por nada, mas os que pagavam e queriam falar não eram ouvidos.
Sei tanta coisa, que por isso me dá raiva de ouvir tanta gente dizer mal,
mas ninguém faz nada. Eu até no supermercado, chamo a atenção das pessoas, quando estão a comprar coisas estrangeiras, quando têm ao lado portuguesas, às vezes melhores e por preço idêntico.
Imagine-se que o primeiro sítio onde eu comecei a fazer inspeccções foi na antiga Mitra, o depósito mais miserável de Lisboa, onde um funcionário superior
embolsava parte das parcas pensões de alguns utentes, que, como eram muitos e ao longo do tempo, já era uma quantia razoável. Não se preocupem que o caso até veio nos jornais, e por causa disso,
quem acabou por ser despedido foi um enfermeiro que não era dos quadros.

Carpe diem!



P.S.- Professor, não incite à moderação dos comentários, até no blogue do benfica. Eu sei que é um trabalhador compulsivo e agora que se aposentou teve de arranjar mais trabalho. Mas olhe que não supunha que gostasse tanto de coisas mornas, e que tivesse tão pequena amplitude térmica. Ou será alguma costela ancestral pidesca?!

andorinha disse...

Aquiles,
"Os burrocratas fazem desesperar até os santos."

Pois fazem, amigo, pois fazem...

Acutilante,

Exames de Matemática e não só. De Português e Físico-Química também.
Mas porquê a crítica?
Vê-se mesmo que não percebes nada disto:)))))
Nunca tivemos alunos tão brilhantes como este ano, coitados deles...

Laura,
"Trata-se só de não canonizar propriamente as prestações sociais desinteressadas de cada um de nós..."

Eu canonizo e tal como o Cabecinha pensadora faço uma vénia à carolice, a todos aqueles que fazem o que ao estado compete fazer e que asseguram tantos serviços que de outra forma teriam desaparecido há muito.

"Não podemos estar sempre à espera que o Estado resolva tudo, perante a passividade crítica dos cidadãos..."

O Estado é que incentiva essa passividade. Convem-lhe até. E quando não há passividade, quando os cidadãos se manifestam e apontam caminhos,dão pistas e tentam ter uma intervenção cívica são quase sempre ignorados, quando não ridicularizados por quem detem o poder.
É preciso muita força e coragem para remar contra a maré. Admiro imenso essas pessoas.
Eu não quero mais Estado, mas sim melhor Estado.

Vivam os masoquistas!:)

Julio Machado Vaz disse...

Laura,
Compreendo o seu ponto de vista, não sou defensor da "subsídio ou outra coisa/dependência". Mas na área da Educação Sexual como, por exemplo, nas referidas por Acutilante, trata-se da absoluta demissão das responsabilidades mínimas para com o público em geral e os agentes de mudança em particular.

Andorinha,
Em 2009 já não sabem se lá estão...

AQUILES disse...

Anfitrite
Eu falei de surdos por luto desde há 6 meses pela associação de surdos local. E fui chamado até ela para a safar da falência onde estava. E não tem nada a ver com roubos nem desvios. O problema era de má gestão por incapacidade de gerirem, e porque eram todos surdos, isolados e impotentes para apelarem. Não fiz nenhum milagre. reorganizei tudo com um grupo de pessoas, de que destaco a interprete de Lingua Gestual Portuguesa, pessoa de uma dedicação e abnegação extremas, que por coincidência é filha de pais surdos.
Dito isto não percebi aonde quis chegar, invocando-me, com essa inspecção a uma associação de surdos. Que tenho eu ou esta associação a ver com isso? Que raio de paralelo quis estabelecer? Quis embrulhar tudo no mesmo saco? Acusar-me de desonesto? Denegrir o trabalho que esta associação faz por cá? Esclareça e se quer acusar faça-o com provas. Continuo a não entender o que é que eu tenho a ver com essa sua inspecção.

AQUILES disse...

Anfitrite

Julgo que não conhece a realidade dos surdos daqui.

Laura disse...

Professor, por favor:)
Sabe muito mais desse assunto específico do que eu, e também não quis dizer que estivesse exactamente a embarcar no 'carpideirismo' nacional.

Mas acho sinceramente que é uma pecha portuguesa, que não nos ajuda nada.
(E que aliás não tem nada de contraditório relativamente à defesa de um estado social, porque, se virmos bem, no berço do 'welfare state' a atitude individual está nos antípodas da nossa.
O Estado funciona. Mas não passa pela cabeça dos cidadãos exigir tudo dele, ou deixar de sentir responsabilidade por uma questão colectiva que está ao seu alcance resolver.)

Longe de mim, porém, ilibar o nosso Estado e o nosso Governo das suas culpas... O seu a seu dono! (e além disso sou insuspeita...)

Só que a altura é tão má, tão má, que até pode parecer humor negro falar em iniciativa individual. Longe de mim...

andorinha disse...

Júlio,
Isso percebi, Balha-me Deus:)))
Se não tivesse percebido seria o cúmulo da burrice:) Loooool

Mas quem lá está é nomeado pelo PS?
E este tem feito alguma coisa?
Têm receio que depois das eleições outros fiquem no poleiro e não possam continuar?

Isto é que me arrepia!
Que este governo pouco faça nessa e noutras áreas e mesmo assim, "suspirem" pela sua continuação.
Ou algo me está a escapar...

AQUILES disse...

Anfitrite

Para terminar, e em definitivo, devo dizer que esta associação só tem cadeiras de plástico e dua secretárias toscas feitas pelos associados. E 3 computadores para uso da associação e dos sócios.
E fique claro que nunca aqui referi nada sobre inspectores, embora saiba muito. Mas nunca tomo a floresta pela àrvore mal sã.

Joaninha disse...

Não fazia ideia que a lei era assim tão antiga...
É realmente triste, mas não é propriamente novidade ;)

andorinha disse...

Aquiles,

Preserva a tua saúde mental, amigo:)

E ocupa o teu tempo de forma proveitosa.
Para bom entendedor...

E mais não digo, não vamos estragar novamente a tranquilidade e o ar fresco que se voltou a respirar neste cantinho.
:)

anfitrite disse...

Professor disse:

"Em 2009 já não sabem se lá estão..."
Resposta sublime! Então os ataques são mesmo personalizados? E quem virá para fazer melhor?
A lei já tem tantos anos!

Aquiles,

por amor de Deus! Já uma vez louvei o seu trabalho. Nada de susceptilidades. Já viram que eu não sou de meias palavras.Apenas uma pessoa revoltada, porque quase nada pode fazer para que alguma coisa melhor.
Eu sei que uma andorinha não faz a primavera, embora andorinhas falsas possam incomodar os verões de algumas pessoas, mais sensíveis.
Apenas me dirigi a si porque estava a falar de surdos e porque fico triste que a maioria das pessoas só saiba dizer mal.
Eu também tenho sofrido as consequências do estado em que o mundo está, mas acho que ainda sou uma previligiada. Nem reivindico um palmo de terra para ser enterrada. E fico indignada, precisamente, com as más gestões. Não é nas boas condições de trabalho e de prestações de serviços que muitas vezes investem o dinheiro que recebem dos acordos que celebram. Muitas vezes não têm os utentes que dizem, outras vezes guardam os lugares para os familiares dos amigos.
Já houve casos em que não tinham lá ninguém. Mas não há gente para ir ver o que lá se passa, ou não está interessada nisso.
E o nosso dinheiro esvai-se por aí. Mas também sei de outros que têm muitos mais do que os estabelecidos nos acordos.
Eu também já ajudei uma associação de deficientes da mobilidade, que não tinha direcção e, estavam entregues a si próprios.
Sei que há casos de carolice, mas não são muitos. E. os verdadeiros não andam a espanejar-se publicamente na tv ou em jantares de beneficiência.
Também é um mal nacional a defesa ser o ataque. Eu não sou inspectora, apenas prestei serviços de assessoria.

E não digo mais nada para não ser mal interpretada, embora saiba muita coisa, mas não tem nada a ver com gente deste blogue. Eu não poderia insinuar qualquer coisa duma pessoa que eu não conheço. Só falo daquilo que sei e que observo.
Apenas me diriji a si, por impulso, porque até "exitei" em entrar no blogue, mas fi-lo por impulso porque estava, como já disse, indignada.
Mas uma coisa também pode estar certo, eu não me calo quando sei que tenho razão.

Um mar em calmaria para todos e, como disse alguém: "Não perguntem o que é que o país pode fazer por vós, digam antes o que podem fazer pelo país".

anfitrite disse...

Professor disse:

"Em 2009 já não sabem se lá estão..."
Resposta sublime! Então os ataques são mesmo personalizados? E quem virá para fazer melhor?
A lei já tem tantos anos!

Aquiles,

por amor de Deus! Já uma vez louvei o seu trabalho. Nada de susceptilidades. Já viram que eu não sou de meias palavras.Apenas uma pessoa revoltada, porque quase nada pode fazer para que alguma coisa melhor.
Eu sei que uma andorinha não faz a primavera, embora andorinhas falsas possam incomodar os verões de algumas pessoas, mais sensíveis.
Apenas me dirigi a si porque estava a falar de surdos e porque fico triste que a maioria das pessoas só saiba dizer mal.
Eu também tenho sofrido as consequências do estado em que o mundo está, mas acho que ainda sou uma previligiada. Nem reivindico um palmo de terra para ser enterrada. E fico indignada, precisamente, com as más gestões. Não é nas boas condições de trabalho e de prestações de serviços que muitas vezes investem o dinheiro que recebem dos acordos que celebram. Muitas vezes não têm os utentes que dizem, outras vezes guardam os lugares para os familiares dos amigos.
Já houve casos em que não tinham lá ninguém. Mas não há gente para ir ver o que lá se passa, ou não está interessada nisso.
E o nosso dinheiro esvai-se por aí. Mas também sei de outros que têm muitos mais do que os estabelecidos nos acordos.
Eu também já ajudei uma associação de deficientes da mobilidade, que não tinha direcção e, estavam entregues a si próprios.
Sei que há casos de carolice, mas não são muitos. E. os verdadeiros não andam a espanejar-se publicamente na tv ou em jantares de beneficiência.
Também é um mal nacional a defesa ser o ataque. Eu não sou inspectora, apenas prestei serviços de assessoria.

E não digo mais nada para não ser mal interpretada, embora saiba muita coisa, mas não tem nada a ver com gente deste blogue. Eu não poderia insinuar qualquer coisa duma pessoa que eu não conheço. Só falo daquilo que sei e que observo.
Apenas me diriji a si, por impulso, porque até "exitei" em entrar no blogue, mas fi-lo por impulso porque estava, como já disse, indignada.
Mas uma coisa também pode estar certo, eu não me calo quando sei que tenho razão.

Um mar em calmaria para todos e, como disse alguém: "Não perguntem o que é que o país pode fazer por vós, digam antes o que podem fazer pelo país".

Os_meus_rabiscos disse...

Nunca, como hoje em dia, o sexo constituiu tanto tema de conversas, revistas, filmes, séries e programas.
Deixou de ser assunto sussurrado, mais ou menos secreto e veio para a luz do dia, democratizou-se.
Isto a propósito da tão propalada educação sexual nas escolas… Porque, que me perdoem os grandes estudiosos e os senhores professores doutores dos tais grupos que os governos vão criando, aí está quase tudo para fazer. Educação sexual não é ensinar o aparelho reprodutor! O ano passado, por pedido dos meus alunos, nas aulas de Formação Cívica, na faixa etária dos 13 anos e que sabiam o aparelho reprodutor na perfeição, vi-me na contingência de ter que elaborar um programa de educação sexual para responder às suas dúvidas e não encontrei nada oficial a que recorrer! Nem linhas orientadoras por ciclos, nem conteúdos mais adequados às diferentes idades, nada de concreto.
Guiei-me pelo bom senso, pesquisei, comprei livros, tirei dúvidas, ensinei a pôr o preservativo…
A semana passada perguntavam-me os do 9ºano… Setôra.. O que é o orgasmo? Quanto tempo é que dura? Porque é que há pessoas que não conseguem atingir? Eu já sou um pouco cota… No meu tempo não se falava disto, em parte nenhuma! E eu sou de letras, sem mestrado em sexologia ou qualquer formação específica na área…
Lá respondi, espero que bem. Sempre acrescento que foi das aulas mais bonitas que já tive… Passados os risinhos parvos do início e que disfarçavam o nervosismo deles aos colocar as perguntas porque nestas idades ninguém gosta de dar parte de fraco, quando eu comecei a responder, foi ver, num silêncio absoluto muitos pares de olhos a beber aquilo que dizia. E eu a pensar cá comigo… que grande responsabilidade! Muito maior que ensinar verbos…
Para quando um investimento sério na educação sexual que se traduza em algo de concreto no terreno?

thorazine disse...

http://www.youtube.com/watch?v=pFs5vWxW-vc

:)

fiury disse...

este país está um ovo crú.
ainda há alguém que acredite que o sim ao aborto não era mais do que a própria educação sexual?

Nuno Guimas disse...

Fixe, fixe, como educação sexual foi aquela anedota no "Amor é..." sobre o Viagra e a sua utilização na unidade de queimados :).
A malta aqui anda muito revoltada(e diga-se que este país, se levado muito a sério faz-nos ficar de facto lélés da cuca). Se calhar precisamos de um Viagrazito psicológico para nos "levantar" a moral :). Animem-se!!! para o ano há eleições e as campanhas são sempre um fartote, uma espécie de Benny Hill misturado com Monty Pythons e umas pitadas de "Yes, minister". Nessa altura todos dirão o que queremos ouvir enquanto com uma hipocrisia de proporções geralmente bíblicas beijam criancinhas e convivem com o "povo". Levemos esta gente "na boa", até porque não merecem mais do que isso. Uma espécie de desprezo sem desprezar, sabem? Aquele risinho maroto que se dá quando alguém julga que de repente é uma espécie de Deus ou coisa do género, mas sabemos que está temporariamente sobre o gelo fino do seu próprio pedestal. É que deuses há muitos, mas que se saiba na Terra não há nenhum. E já repararam no tempo de antena que os nossos politicos têm nos telejornais em Portugal? Alguém vê isto por esse mundo fora?
Damos talvez demasiado importância a quem não a merece.

CêTê disse...

Nada vinga no terreno por decreto. ;/

Posso estar a lidar com uma amostra não significativa de alunos mas acho que o tema "SEXO" já passou à história no centro de interesses dos alunos A DISCUTIR em contexto de sala de aula. Começo a achar que o atraso na abordagem da "Educação Sexual" nas escolas é tão grande que está formatado para um geração anterior.
Mas posso estar errada, claro.

Laura disse...

Cêtê

Bingo!! :):) "Já passou à história".
Não percebo nada de ES, sou simplesmente mãe e cidadã.
Mas a minha impressão de há muito tempo é exactamente essa:
-a "prótese" ES não pega e é rejeitada porque a anatomia do corpo receptor já mudou e nada encaixa.

Mas tudo depende do meio urbano ou rural, se calhar. Ou já nem isso será assim, na geração morangos?!

Eles sabem tudo, se quiserem. Sabem mais do que os próprios profs. muitas vezes... E se não quiserem saber, não serão as aulas...

Para mim (ai, a heresia) a coisa resume-se a um conjunto de questões do domínio da SAÚDE PÚBLICA, a transmitir nas aulas, p.ex, de Ciências Naturais: as doenças sexualmente transmissíveis; a procriação não desejada; os comportamentos e as consequências sociais (o que cabe na gerôntica expressão " higiene e medicina social")

andorinha disse...

Cêtê e Laura,

Entendo perfeitamente a vossa posição e até estava tentada a concordar com ela.
Mas já não posso...:)

Li agora que Manuela Ferreira Leite, distinta lider do PSD, afirmou que o casamento serve para a procriação.

Continua a ser necessária uma política de educação sexual.
Se a senhora acha que o casamento só serve para isso...:))))))))
é preciso esclarecê-la.
E a outros tão ignorantes como ela.

fiury disse...

andorinha

a dra. manuela ferreira leite tem toda a razão!ela não disse que o amor serve para a procriação! de outro modo acabam os meninos de ouro no nosso país:))))))))

como disse o vasco p.valente:"há pessoas assim":))))))))

agora fez-me rir,obrigada, he he

fiury disse...

andorinha

presumo que a lider estivesse a falar do casamento entre heteros.
é claro que espero que a dra. manuela ferreira leite faça a promessa do casamento entre homo.e a seguir venha a adoção, assim diminuindo as listas de espera por uma familia, das crianças que não são só loiras, de olhos azuis e meninas.
não vamos continuar a brincar aos moralismos, sejam eles conscientes ou inconscientes!é de pessoas que falamos!

fiury disse...

...antes que o menino de ouro lhe roube a ideia!
aasim ele vai fazendo birras até um dia destes dizer: pronto, assim não jogo e bata com as cartas na mesa.

andorinha disse...

fiury,

:))))))