sábado, agosto 25, 2012

O maná segundo Borges:).


Depois de laboriosa leitura de alguns textos que se debruçam sobre a hipótese favorita do Dr. António Borges para a privatização/concessão da RTP, rendi-me à evidência – o negócio é da China, mesmo que o grupo vencedor não seja o da EDP. O Estado paga, nós pagamos e algum privado enche os bolsos. Sei que tudo estará decidido a curto prazo, mas não iríamos a tempo de criar uma empresa com uns milhares de desempregados e entregar-lhes tal árvore das patacas? Melhoravam as estatísticas e, como já tinham passado pela experiência, talvez não falassem com tanta ligeireza dos despedimentos que aí vêm e dos espectadores da 2 como membros de uma tribo exótica e caprichosa em vias de extinção… Vá lá, não sejam preconceituosos – os números da execução orçamental, os empates dos vossos clubes na semana passada, agora este golpe de génio, já tinham presenciado uma tal chuva de boas notícias em plena silly season?

17 comentários:

Fonseca do Pinhal disse...

Eu cá não sou preconceituoso mas que estou aturdido, lá isso estou … então “isto” não era para ser uma privatização? Vai ser uma concessão, ou não? Vão conceder a sua gestão? Ou é mais uma concessão em que quem concede é que vai pagar o concedido?
Estão a “vender” o País ao desbarato … não estão????
Cá por mim prefiro ir à lota da Aguda onde posso comprar peixe fresquinho e sempre ajudo os pescadores .-))

bea disse...

"O Estado paga, nós pagamos e algum privado enche os bolsos."

destaco esta frase, agora frequente, o que não era suposto acontecer.

é tudo silly, professor e quem nos dera que fosse sazonal. disparates congeminados para enriquecer alguém, porque neste país tudo é feito para alguém. o que é miudinho, xongoso, repelente, assentou arraiais. Tiram da boca do pobre para dar a quem não precisa. ò gente desgraçada que não lhes vem mal.

Li algures que as verdadeiras revoluções são as que sentam o povo à mesa, o resto é tudo falso.
Concordo.

Pedro Barbosa disse...

:(.

andorinha disse...

Destaco a mesma frase da Bea e subscrevo tudo o resto.

Vinha comentar por palavras minhas, mas quando li o que ela escreveu, vi que já lá estão:)

rainbow disse...

Há muito que estava previsto este golpe. Resta saber até onde irá a nossa indignação e revolta.
Se acabarem com a RTP2, então será o cúmulo. Eu, que pago duas vezes taxa de audio-visual, pelo meu apartamento, e pelo condomínio (talvez hajam televisores invisíveis nas escadas ou no elevador) acho que tenho direito a voto nesta matéria, assim como todos nós.
A DECO já alertou para este caso da privatização da RTP e eventual extinção da RTP2, que espera não venha a acontecer.

Impio Blasfemo disse...

ASNOFONIA

Fui à procura desta palavra no dicionário e não encontrei. Apareceram-me outras interessantes como CACOFONIA, AEROFOBIA, AEROFAGIA e outras também interessantes. Pensava encontrar algo no dicionário como ASNOFONIA “s.f: diz-se, ironicamente, das falas dos humanos que só dizem coisas tontas”. E aqui apercebi-me que seria injusto e depreciativo para os verdadeiros asnos. Porque os asnos são bondosos, prestáveis, meigos e amigos dos seus donos; só daqueles que os tratam bem e com carinho porque dos outros que só lhes dão pancada, pois a esses estão reservadas umas boas cangochas e umas parelhas de coices nos fundilhos. E assim, reflectindo melhor sobre o termo asnofonia só posso chegar à conclusão que se existisse no dicionário seria de uma tremenda injustiça para os bondosos, úteis e prestáveis asnos. Não constar no dicionário, é pois decisão do mais acertado que já vi, faz até muito sentido. Mas então como falar ironicamente das falas dos humanos que só dizem coisas tontas? Dantasfonia? Seria um termo já ultrapassado e demasiado antigo e o Almada também já resolveu o assunto escrevendo “morra o Dantas, PIM!” talvez CONSULTOFONIA “s.f: diz-se ironicamente, das falas dos humanos que só têm ideias tontas e que só dão conselhos tontos”.

Saravá
Ímpio

bea disse...

Pedro :)
não parece um trevo.É?

Andorinha

estou a perder a esperança mas deve ser por andar em maré baixa, e estar a ver o fundo do poço. Uma pessoa gosta de companhia, mas não preciso que os portugueses todos me acompanhem, né?

Ímpio

tentamos dar nomes à safadeza, mas todos caem mal e não mudam nada. Eles assobiam para o lado e fazem a sua vidinha.

E nascemos para isto? tanto que sonhámos e nada os nossos filhos herdam?

Amanhã a gente conversa que hoje estou meio lugubre.Ainda deixo o blogue todo preto e o professor expulsa-me. E não me convém nada. As minhas desculpinhas senhor professor, não quero ofender que toda a gente diz que é muito liberal e só pode se nos aguenta a todos.

E um abraço per tutti como diz a querida da Rain

PS: gostei das sugestões da Caidê no andar de baixo. Sobretudo do Raul Solnado; quase tinha esquecido a graça daquela ida ao médico. e daquela criança :)

Caidê disse...

Do gabinete do "Dr." Relvas só podia continuar a sair irresponsabilidade (das caras e pagas a prazo).

E como já não tem cara ( a competência parece ter estado sempre de rojo) para aparecer (ou para dizer) foi o Dr. António Borges o seu arauto escolhido para mais um episódio desta crónica neurose de vender e vender e veeeeeeeeender!

E qualquer dia só vai haver jogo a feijões, que até a alma nos andam a vender.

O Estado quer sair da cena de mais despedimentos, vai buscar a concessionária para mais um trabalhinho sujo - o dos despedimentos, é claro. Quando aludo à alma que nos vendem é a isto que me refiro.

Ai o serviço público pode continuar a existir mesmo que a empresa a assegurá-lo seja privada? (Preferíamos não estar cá para ver: as desculpas não se pedem, evitam-se!)

Na Matemática e na jurisdição os conceitos são a rigor - pois! Já me esquecia. "Existe para dar lucro e incrementar lucro", deve dizer a Matemática (ou a Contabilidade, para o caso é igual). A jurisdição contrapõe que outra coisa não está escrita na lei, portanto é uma verdade absoluta, objetiva, incontestável.

Para trás fica a promoção da língua e a salvaguarda da cultura (portuguesas!). As minorias são para esquecer, dado que as massas é que são lucrativas. Chegar às diversidades culturais de norte a sul do país e aos que a pátria expulsou para o estrangeiro na esperança de os ver enviar umas remessazitas ou fazer baixar umas negras estatísticas é devaneio em tempo de carestia, quer dizer "não enche os bolsos à dita clientela".

Mas não! Assim não!

E cito: "...serviços públicos de rádio e de televisão não podem estar à mercê dos apetites do lucro". (A concessão também inclui rádios e o encerramento da RTP2).

O que o contrato a celebrar jura assegurar é que as privadas existentes (SIC e TVI)não podem ser lesadas com a concorrência no mercado publicitário pela nova privada. E isso é muito mais sagrado que o trabalhito que vai ser tirado aos funcionários. Tá claro! Ovo é galinha o pôs!

É da tal rutura entre trabalho e capital que falamos e em simultâneo da quebra de valor e dignificação que o trabalho tem vindo a sofrer.

Falava-se de ciganos...
É que sempre houve muito espelho entre os que têm mais poder e os que têm menos :)))Para os ciganos há a feira, para os governantes os lugares do "quem dá mais" ou do "quem compra" são outros espaços. Mas a negociata é que é "O Trabalho"! Mas há lá outra política económica?????????

Por isso Vandana Shiva falava da visão antropocêntrica, no sentido em que havia total desrespeito pelo equilíbrio do planeta para poder prosseguir cegamente a procura do lucro ganancioso pelo Homem que detém o poder. Só o mercado ordena!

E também desconstruía o conceito de economia fabricado pelos que seguem a divindade mercado - e à lógica da concorrência contrapunha a lógica da cooperação.

.............
Mas hoje no concerto do Pedro ele dizia que gostava das palavras duras pois o silêncio é que nos crucifica. As palavras duras são a nossa revolta. E cantou: "E nós o que vamos fazer? Talvez..."
.............
E lembrou-nos um tema. "Não posso mais" , nós não podemos mais.
Aqui fica:
http://www.youtube.com/watch?v=EE-XiFugceI



























Pedro Barbosa disse...

Bea,

Deve ser primo ou prima!

:)

Impio Blasfemo disse...

É tamanha a cacofonia do brilhante consultor que até o CDS/PP Madeira discorda. Embora não sendo a minha cor política subscrevo o que escrevem.

"O CDS/PP-M é frontalmente contra o modelo para a RTP defendido por António Borges, destacado militante do PSD nacional", diz o partido em comunicado, assinado pelo seu presidente, José Manuel Rodrigues.

O CDS/PP-M declara-se contra a solução de António Borges porque "não vê os trabalhadores da televisão pública como sendo peças descartáveis, facilmente dispensáveis" e porque entende que "o serviço público de televisão não pode ser medido, unicamente, pelo vetor financeiro".

"É fundamental que o Estado racionalize as suas despesas, mas é também fundamental que os cortes não sejam cegos", observa.

No que respeita à regionalização da RTP-M, o CDS/PP-M entende que "no atual momento político e com o atual poder político, que já deu bastas provas de não ser capaz de lidar com a diferença de opiniões, com o pluralismo e com o natural e salutar debate político, seria um erro de enormes proporções, que poderia acrescentar ainda mais condicionalismos à liberdade de expressão na Região Autónoma da Madeira".

Para os centristas, "a RTP-M deve ser cada vez mais um canal virado para os problemas da Região e da Autonomia, mostrando as diversas facetas do arquipélago".


Ímpio

rainbow disse...


Bom dia per tutti:)

http://www.youtube.com/watch?v=maAyfcO-X3k

bea disse...

Boa tarde pessoal

andam passeando...hummmm. tá bem, lemo-nos mais tarde.

Rain

os Pretenders agradam :)

Caidê disse...

Intervalito para os doces:
http://www.youtube.com/watch?v=3FNJ6g6CZWk&feature=related

Exilado no Mundo disse...

Ó Doutor Machado Vaz, o Borges tem sérios problemas anatómicos!
http://exiladonomundo.blogspot.pt/2012/06/anatomia-do-borges.html

Anfitrite disse...

Boa tarde!
Foi este alarve que há um mês atrás também disse:”Diminuir salários não é uma política, é uma URGÊNCIA”.
Mas como eu não gosto de brincar com coisas trágicas e sinto-me envergonhada com os energúmenos que nos representam, dado que nunca tivemos um governo tão reles e sacana, desde que me entendo, anexo este parágrafo de quem sabe o que diz:

António Borges, um dos portugueses que antes de enfrentar a crise portuguesa já tinha sido despedido duas vezes no estrangeiro, uma no Goldman Sachs e outra no FMI, já assume de forma clara o estatuto de prota-voz do governo, sem que os portugueses tenham visto no DR qualquer contratação ou nomeação e sem que tenham sequer direito a saber quanto ganha esta vedeta governamental, um misto entre ministro e tutor do primeiro-ministro.


Já agora para que fiquem com uma ideia do que se passa, para aqueles que não são versados na matéria aqui vai um dos últimos postais:

http://jumento.blogspot.pt/2012/08/e-quem-avalia-troika.html

Têm lá mais, com gráficos e tudo.

Anfitrite disse...

Pedro!

Sinto-me honrada por permanecer entre obras-primas, apesar dos retoques:)
Abraço

bea disse...

Anphy

parece-me, ou sonhei não sei bem, que já tinha lido aquele post do jumento. O que lhe não retira pertinência.

será que sonhei com o post? não acredito.

está benzinha? cool? andei por aí a espalhar uns venenos :)

Caidê

sabe que estava mesmo a ouvir umas coisitas de Pablo Neruda e tinha olhado esse video? pois foi.é muito bonito que alguém consiga dizer essa viagem das mãos pela vida até poisarem em terra sua.

E, lá atrás, porque às vezes ando para trás, a recolher o que não tive tempo, apanhei o Mário Bendetti e "Hagamos un trato". Mesmo sem saber todas as palavras do poema, é isso que todos queremos, a certeza da reciprocidade, que nos segura entre os homens e nos faz normais."

desconhecia um poema tão bonito e pusilânime.Obrigada.