quarta-feira, março 12, 2014

Vocês dirão se toda esta gente preconiza um caminho para o agravamento por sugerirem "vias mais fáceis", para citar o senhor Primeiro-Ministro.

Manifesto: Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente (na íntegra)

Nenhuma estratégia de combate à crise poderá ter êxito se não conciliar a resposta à questão da dívida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e efectiva solidariedade nacional. Todos estes aspectos têm de estar presentes e actuantes em estreita sinergia. A reestruturação da dívida é condição sine qua non para o alcance desses objectivos.
O que reúne aqui e agora os signatários, que têm posições diversas sobre as estratégias que devem ser seguidas para responder à crise económica e social, mas que partilham a mesma preocupação quanto ao peso da dívida e à gravidade dos constrangimentos impostos à economia portuguesa, é tão-somente uma tomada de posição sobre uma questão prévia, a da identificação das condições a que deve obedecer um processo eficaz de reestruturação.
O que a seguir se propõe tem sempre em atenção a necessidade de prosseguir as melhores práticas de rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais, bem como a discussão de formas de reestruturação honrada e responsável da dívida no âmbito de funcionamento da União Económica e Monetária, nos termos adiante desenvolvidos.
 A actual dívida é insustentável na ausência de robusto e sustentado crescimento
A crise internacional iniciada em 2008 conduziu, entre outros factores de desequilíbrio, ao crescimento sem precedentes da dívida pública. No biénio anterior, o peso da dívida em relação ao PIB subira 0,7 pontos percentuais, mas elevou-se em 15 pontos percentuais no primeiro biénio da crise. No final de 2013 a dívida pública era de 129% do PIB e a líquida de depósitos de cerca de 120%. O endividamento externo público e privado ascendeu a 225% do PIB e o endividamento consolidado do sector empresarial a mais de 155% do PIB. A resolução da questão da dívida pública não só se impõe pelas suas finalidades directas, como pela ajuda que pode dar à criação de condições favoráveis à resolução dos problemas específicos do endividamento externo e do sector empresarial, que são igualmente graves.
 A dívida pública tornar-se-á insustentável na ausência de crescimento duradouro significativo: seriam necessários saldos orçamentais primários verdadeiramente excepcionais, insusceptíveis de imposição prolongada.
A nossa competitividade tem uma base qualitativa demasiado frágil para enfrentar no futuro a intensificação da concorrência global. É preciso uma profunda viragem, rumo a especializações competitivas geradas pela qualidade, pela inovação, pela alta produtividade dos factores de produção envolvidos e pela sagaz capacidade de penetração comercial em cadeias internacionais ou nichos de mercado garantes de elevado valor acrescentado.
Trata-se certamente de um caminho difícil e de resultados diferidos no tempo. A sua materialização exige continuidade de acção, coerência de estratégias públicas e privadas, mobilização contínua de elevado volume de recursos, bem como de cooperação nos mais diversos campos de actividade económica, social e política. Será tanto mais possível assegurar a sustentabilidade da dívida, quanto mais vigoroso for o nosso empenho colectivo no aproveitamento das oportunidades abertas pela reestruturação no sentido de promover esse novo padrão de crescimento.
É imprescindível reestruturar a dívida para crescer, mantendo o respeito pelas normas constitucionais
Deixemo-nos de inconsequentes optimismos: sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos minimamente suficientes a favor do crescimento, nem sequer fazê-lo beneficiar da concertação de propósitos imprescindível para o seu êxito. Esta questão é vital tanto para o sector público como para o privado, se se quiser que um e outro cumpram a sua missão na esfera em que cada um deles é insubstituível.
Sem reestruturação da dívida, o Estado continuará enredado e tolhido na vã tentativa de resolver os problemas do défice orçamental e da dívida pública pela única via da austeridade. Deste modo, em vez de os ver resolvidos, assistiremos muito provavelmente ao seu agravamento em paralelo com a acentuada degradação dos serviços e prestações provisionados pelo sector público. Subsistirá o desemprego a níveis inaceitáveis, agravar-se-á a precariedade do trabalho, desvitalizar-se-á o país em consequência da emigração de jovens qualificados, crescerão os elevados custos humanos da crise, multiplicar-se-ão as desigualdades, de tudo resultando considerável reforço dos riscos de instabilidade política e de conflitualidade social, com os inerentes custos para todos os portugueses.
Por outro lado, a economia sofrerá simultaneamente constrangimentos acrescidos, impeditivos em múltiplas dimensões do desejável crescimento do investimento, da capacidade produtiva e da produtividade, nomeadamente pela queda da procura e desestruturação do mercado, diminuição da capacidade de autofinanciamento, degradação das condições de acesso, senão mesmo rarefacção do crédito da banca nacional e internacional, crescente liquidação de possibilidades competitivas por défice de investimento e inovação. Por maioria de razões, o ganho sustentado de posições de referência na exportação ficará em risco e inúmeras empresas ver-se-ão compelidas a reduzir efectivos.
Há que encontrar outros caminhos que nos permitam progredir. Esses caminhos passam pela desejável reestruturação responsável da dívida através de processos inseridos no quadro institucional europeu de conjugação entre solidariedade e responsabilidade.
Há alternativa.
A reestruturação deve ocorrer no espaço institucional europeu
No futuro próximo, os processos de reestruturação das dívidas de Portugal e de outros países – Portugal não é caso único – deverão ocorrer no espaço institucional europeu, embora provavelmente a contragosto, designadamente dos responsáveis alemães. Mas reacções a contragosto dos responsáveis alemães não se traduzem necessariamente em posições de veto irreversível. Veja-se o que vem sucedendo com a Grécia, caso irrepetível, de natureza muito diferente e muito mais grave, mas que ajuda a compreender a lógica comportamental dos líderes europeus. Para o que apontam é para intervenções que pecam por serem demasiado tardias e excessivamente curtas ou desequilibradas. Se este tipo de intervenções se mantiver, a União Europeia correrá sérios riscos.
Portugal, por mais que cumpra as boas práticas de rigor orçamental de acordo com as normas constitucionais – e deve fazê-lo sem hesitação, sublinhe-se bem –, não conseguirá superar por si só a falta dos instrumentos que lhe estão interditos por força da perda de soberania monetária e cambial. Um país aderente ao euro não pode ganhar competitividade através da política cambial, não lhe é possível beneficiar directamente da inflação para reduzir o peso real da sua dívida, não pode recorrer à política monetária para contrariar a contracção induzida pelo ajustamento e não tem banco central próprio que possa agir como emprestador de último recurso. Mas se o euro, por um lado, cerceia a possibilidade de uma solução no âmbito nacional, por outro, convoca poderosamente a cooperação entre todos os Estados-membros aderentes. A razão é simples e incontornável: o eventual incumprimento por parte de um país do euro acarretaria, em última instância, custos difíceis de calcular, mas provavelmente elevados, incidindo sobre outros países e sobre o próprio euro. Prevenir as consequências nefastas desta eventualidade é, de facto, um objectivo de interesse comum que não pode ser ignorado.
 Após a entrada em funções da nova Comissão Europeia, deverá estar na agenda europeia o início de negociações de um acordo de amortização da dívida pública excessiva, no âmbito do funcionamento das instituições europeias. Na realidade, esse processo já foi lançado e em breve iniciará o seu caminho no contexto do diálogo interinstitucional europeu, entre Comissão, Conselho e Parlamento. É essencial que desse diálogo resultem condições fundamentais para defender sem falhas a democracia nos Estados-membros afectados, como valor fundacional da própria União.
Três condições a que a reestruturação deve obedecer
A Comissão Europeia mandatou um grupo de peritos para apresentar, designadamente, propostas de criação de um fundo europeu de amortização da dívida. O seu relatório será publicado antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu. Essas propostas juntar-se-ão a várias outras formuladas nos últimos quatro anos. Recorde-se que a presente tomada de posição visa apenas a questão prévia da identificação das condições a que deve obedecer um processo eficaz de reestruturação. Serve-nos de guia o exposto sobre a dívida portuguesa, mas pensamos que as condições adiante sugeridas defendem também os melhores interesses comuns dos países do euro.
Tendo presente que a capacidade para trazer a dívida ao valor de referência de 60% do PIB depende fundamentalmente de três variáveis (saldo orçamental primário, taxa de juro implícita do stock de dívida e taxa nominal de crescimento da economia), identificam-se três condições a que deve obedecer a reestruturação da dívida.
1) Abaixamento da taxa média de juro
A primeira condição é o abaixamento significativo da taxa média de juro do stock da dívida, de modo a aliviar a pesada punção dos recursos financeiros nacionais exercida pelos encargos com a dívida, bem como ultrapassar o risco de baixas taxas de crescimento, difíceis de evitar nos próximos anos face aos resultados diferidos das mudanças estruturais necessárias. O actual pano de fundo é elucidativo: os juros da dívida pública directa absorvem 4,5%. do PIB. Atente-se ainda no facto de quase metade da subida da dívida pública nos últimos anos ter sido devida ao efeito dos juros.
2) Alongamento dos prazos da dívida
A segunda condição é a extensão das maturidades da dívida para 40 ou mais anos. A nossa dívida tem picos violentos. De agora até 2017 o reembolso da dívida de médio e longo prazo atingirá cerca de 48 mil milhões de euros. Alongamentos da mesma ordem de grandeza relativa têm respeitáveis antecedentes históricos, um dos quais ocorreu em benefício da própria Alemanha. Pelo Acordo de Londres sobre a Dívida Externa Alemã, de 27 de Fevereiro de 1953, a dívida externa alemã anterior à II Guerra Mundial foi perdoada em 46% e a posterior à II Guerra em 51,2%. Do remanescente, 17% ficaram a juro zero e 38% a juro de 2,5% Os juros devidos desde 1934 foram igualmente perdoados. Foi também acordado um período de carência de cinco anos e limitadas as responsabilidades anuais futuras ao máximo de 5% das exportações no mesmo ano. O último pagamento só foi feito depois da reunificação alemã, cerca de cinco décadas depois do Acordo de Londres. O princípio expresso do Acordo era assegurar a prosperidade futura do povo alemão, em nome do interesse comum. Reputados historiadores económicos alemães são claros em considerar que este excepcional arranjo é a verdadeira origem do milagre económico da Alemanha. O Reino Unido, que alongou por décadas e décadas o pagamento de dívidas suas, oferece outro exemplo. Mesmo na zona euro, já se estudam prazos de 50 anos para a Grécia. Portugal não espera os perdões de dívida e a extraordinária cornucópia de benesses então concedida à Alemanha, mas os actuais líderes europeus devem ter presente a razão de ser desse Acordo: o interesse comum. No actual contexto, Portugal pode e deve, por interesse próprio, responsabilizar-se pela sua dívida, nos termos propostos, visando sempre assegurar o crescimento económico e a defesa do bem-estar vital da sua população, em condições que são também do interesse comum a todos os membros do euro.
3) Reestruturar, pelo menos, a dívida acima de 60% do PIB
Há que estabelecer qual a parte da dívida abrangida pelo processo especial de reestruturação no âmbito institucional europeu. O critério de Maastricht fixa o limite da dívida em 60% do PIB. É diversa a composição e volume das dívidas nacionais. Como é natural, as soluções a acordar devem reflectir essa diversidade. A reestruturação deve ter na base a dívida ao sector oficial, se necessário complementada por outras responsabilidades de tal modo que a reestruturação incida, em regra, sobre dívida acima de 60% do PIB. Nestes termos, mesmo a própria Alemanha poderia beneficiar deste novo mecanismo institucional, tal como vários outros países da Europa do Norte.
Os mecanismos da reestruturação devem instituir processos necessários à recuperação das economias afectadas pela austeridade e a recessão, tendo em atenção a sua capacidade de pagamento em harmonia com o favorecimento do crescimento económico e do emprego num contexto de coesão nacional. Se forem observadas as três condições acima enunciadas, então será possível uma solução no quadro da União e da zona euro com um aproveitamento máximo do quadro jurídico e institucional existente.
A celeridade da aprovação e entrada em funcionamento do regime de reestruturação é vital. A única maneira de acelerar essa negociação é colocá-la desde o início no terreno firme do aproveitamento máximo da cooperação entre Estados-membros, de modo a acolher o alongamento do prazo de reestruturação, a necessária redução de juros e a gestão financeira da reestruturação, tendo em atenção as finalidades visadas pelos mecanismos de reestruturação.
Cada país integraria em conta exclusivamente sua a dívida a transferir e pagaria as suas responsabilidades, por exemplo, mediante a transferência de anuidades de montantes e condições pré-determinadas adequadas à capacidade de pagamento do devedor. As condições do acordo a estabelecer garantiriam a sua estabilidade, tendo em conta as responsabilidades assumidas por cada Estado-membro. Deste modo, a uma sã e rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais acresceria o contributo da cooperação europeia assim orientada. As condições relativas a taxas de juro, prazos e montantes abrangidos devem ser moduladas conjugadamente, a fim de obter a redução significativa do impacto dos encargos com a dívida no défice da balança de rendimentos do país e a sustentabilidade da dívida pública, bem como a criação de condições decisivas favoráveis à resolução dos constrangimentos impostos pelo endividamento do sector empresarial público e privado e pelo pesado endividamento externo.
O processo de reestruturação das dívidas públicas já foi lançado pela Comissão Europeia. Fomos claros quanto a condições a que deve obedecer esse processo. A sua defesa desde o início é essencial. O nosso alheamento pode vir a ser fatal para o interesse nacional
A reestruturação adequada da dívida abrirá uma oportunidade ímpar, geradora de responsabilidade colectiva, respeitadora da dignidade dos portugueses e mobilizadora dos seus melhores esforços a favor da recuperação da economia e do emprego e do desenvolvimento sustentável com democracia e responsabilidade social.
Por quanto ficou dito, os signatários reiteram a sua convicção de que a estratégia de saída sustentada da crise exige a estreita harmonização das nossas responsabilidades em dívida com um crescimento duradouro no quadro de reforçada coesão e solidariedade nacional e europeia.
Estes são os termos em que os signatários apelam ao debate e à preparação, em prazo útil, das melhores soluções para a reestruturação da dívida.

Adriano Moreira
Adalberto Campos Fernandes
Adriano Pimpão
Alberto Ramalheira
Alberto Regueira
Alexandre Quintanilha
Alfredo Bruto da Costa
André Machado
António Bagão Félix
António Capucho
António Carlos Santos
António Eira Leitão
António Sampaio da Nóvoa
António Saraiva
Armando Sevinate Pinto
Artur Castro Neves
Boaventura Sousa Santos
Carlos César
Carlos Moreno
Constantino Sakellarides
Diogo Freitas do Amaral
Eduardo Cabrita
Eduardo Ferro Rodrigues
Eduardo Paz Ferreira
Emanuel Santos
Esmeralda Dourado
Eugénio Fonseca
Fausto Quadros
Fernanda Rolo
Fernando Gomes da Silva
Fernando Rosas
Francisco Louçã
Henrique Neto
João Cravinho
João Galamba
João Vieira Lopes
Joaquim  Gomes Canotilho
Jorge Malheiros
Jorge Novais
José Almeida Serra
José Maria Brandão de Brito
José Maria Castro Caldas
José Reis
José Silva Lopes
José Vera Jardim
José Tribolet
Júlio Mota
Luís Braga da Cruz
Luís Nazaré
Luís Veiga da Cunha
Manuel Carvalho da Silva
Manuel  de Lemos
Manuel Macaísta Malheiros
Manuel Porto
Manuel Sobrinho Simões
Manuela Arcanjo
Manuela Ferreira Leite
Manuela Morgado
Manuela Silva
 Mariana Mortágua
Pedro Adão e Silva
Pedro Bacelar de Vasconcelos
Pedro Delgado Alves
Pedro Lains
Pedro Marques Lopes
Ricardo Bayão Horta
Ricardo Cabral
Ricardo Paes Mamede
Rui Marques
Teresa Pizarro Beleza
Viriato Soromenho-Marques
Vítor Martins
Vítor Ramalho

21 comentários:

João Pedro Barbosa disse...

Quem foi ao mar perdeu o lugar: http://www.youtube.com/watch?v=RmTxEtO8WR0

andorinha disse...


Cruzes! Isto é enorme!
Leio logo.

Mas mesmo sem ler, digo já que sim, o senhor primeiro-ministro deve ter razão.Ele é que é o pm...
Toda essa gente aí mencionada deve fazer parte de uma associação criminosa...

Inté...

João Pedro Barbosa disse...

"Andorinha... Recomeça. No! Inglês?"

http://en.wikipedia.org/wiki/Common_House_Martin

bea disse...

e eu sem ler digo que não; porque já vi o nome do Zé Viriato e não acredito que ele assine em qualquer coisa danosa. Pronto, há outros nomes, mas conheço pior essas pessoas, o Zé não sabe, mas conheço-o muito bem:). Como; porém; todavia; contudo; ainda não li, nem tenho tempo para ler agora, ainda posso mudar de opinião:)

Anfitrite disse...

Lamento os comentários pueris. Por isso é que eu sou uma besta.
Mas como estranho que não teham pedido a opinião deste douto psiquiatra, e, por ele ter colocado isto aqui, tenho de me convencer que ele está bem para depois vir fazer um comentário a sério, já que estou farta de chapinhar no molhado e ninguém liga nenhuma.
Bea, não é só o Viriato que merece confiança. Há aqui muito crânio. Imagine que dois deles até são assessores do pr. e tem coragem de dar a cara. E puxando a brasa à minha sardinha digo apenas que toda a gente gozou com o Sócrates, quando ele disse que a divida não era para ser paga era para ser GERIDA. Não houve jornal que não fizesse manchete. Mas voces que votaram, ou não, de certa maneira, só porque não conseguem pensar fundo, ainda me hão de pagar o que me têm roubado e sem servir para nada porque estamos muito pior do que estávamos e agora já nem temos pechisbeques.

João Pedro Barbosa disse...

Maria de Belém... Andas ausente? Ou está tudo muito claro! Depois volto para mudar umas coisas...

João Pedro Barbosa disse...

"Pode-se inverter o complexo da constipação"

Impio Blasfemo disse...

Comentar o documento pois nem me atrevo. Com tantas cabeças importantes na sua génese, tentar acrescentar ou sequer criticar o documento em si era, no mínimo, loucura da minha parte. Criticar as declarações do PM ao documento teria tanto sentido como criticar que a chuva molha os terrenos; que mais se estaria à espera? Já acho uma certa piada à preocupação com o potencial problema do documento estragar a imagem que Portugal tem nos mercados e quando oiço alguém que considero ter capacidade técnica (Teodora Cardoso) enunciar apenas (sublinho apenas) essa preocupação vejo que mais uma vez, em Portugal, mesmo quem tem capacidade de ver mais longe, se preocupa apenas com o curto prazo, ou pelo menos, é o que transparece do seu discurso. Não é preciso ser um génio da economia e dos mercados para perceber que os ditos mercados se se vêem ameaçados com o risco associado ao reembolso das suas economias só reinvestem no mesmo país se a taxa de juro subir pois é a forma de eels cobrirem o que denominam de risco do investimento. Ninguém nega isto!
O que me interrogo é nesta espécie de Jogo da Dona Branca que Portugal, através deste governo parece estar a querer jogar com os ditos mercados. Para não me por em considerações técnicas muito longas, Portugal, na actual situação está idêntico à parábola do Cavalo do Inglês. O inglês foi brilhante pois foi diminuindo as rações ao cavalo até ter dinheiro para as pagar, só que quando tudo corria bem neste capítulo, o cavalo morreu. Olha que grande azar. É um pouco a história de “o País está bem mas o seu povo é que não”; o País soa a “finanças do inglês” e o povo soa “ao cavalo que acaba por morrer”. E que nos interessa que os juros sejam 4,5 %, 5% ou apenas 4%? Qualquer que seja uma destas taxas, no médio/longo prazo não temos capacidade para pagar o serviço da dívida. Um país que cresce a 1% tem, na melhor das hipóteses, capacidade para pagar juros à taxa de 1%.

E por aqui fico, que mais, é para quem subscreveu o documento
Saravá
IMPIO

andorinha disse...

"Vamos curtir o sol, pôr-nos de bem com o mundo (andorinha, não me venhas com hoje é dia de trabalho; há sempre um bocadinho de tempo para receber uns raiozinhos de claridade à portuguesa)."

Não, não venho, Bea. Pus-me de bem com o mundo, mas chego aqui e ao Face e fico mal novamente.:)
No Face, então, aquilo é só gente que sabe da poda. São todos eméritos comentadores de bancada. Nem sei como é que o país está assim com tanto crânio por lá à solta....lol

Mas ia eu dizendo, que aproveitei o sol, sim. Os dias são grandes e convidativos.
Depois das aulas fui até ao parque da cidade fazer a minha caminhada. 45 minutos a dar no duro:))))
Alguns alongamentos depois regresso ao carro e leio.
Vês? Trato do corpo e da mente.
Chegar a casa, duche revigorante e estou como nova:)))))))))))))))


Vou ver se consigo ler o documento, mas duvido um bocado...É extensíssimo!



Anfy,

"Há aqui muito crânio. Imagine que dois deles até são assessores do pr. e tem coragem de dar a cara."

Deram a cara e já foram à vida.
É assim esta bela democracia.


Eu sei que não conseguimos pensar fundo, mas tu ainda não perdeste essa paixão pelo Sócrates?
As paixões não costumam durar tanto...lol


Impio,

Alinho, em grande medida, pelo que dizes.
E agora vou tentar ler alguma coisa para não falar só de cor.

Até daqui a 2 horas.

:)))))))))))))))

andorinha disse...


Li. Gente dos mais variados quadrantes da vida portuguesa conseguirem este consenso dá que pensar.
É gente culta, informada e que pensa, portanto...

bea disse...

Pois. Também estive a ler. Muito à percefície, para não destoar da imagem que a Anphy nos traçou (enfiei a carapuça, pois). a fazer pendant (tb foi ela que me ensinou a escrever isto; apesar do mau feitio, vai sempre corrigindo).

E digo como o Ímpio: não acrescento; sei muito menos que aquela gente, mas no meu senso comum há muito que a divida devia ter sido renegociada. Concordo com eles. O que teremos de fazer para conseguir renegociar a dívida...não sei.

O senhor está a fossilizar ou quê? ora bolas. Despedir pessoas por terem opinião...

andorinha disse...



"O senhor está a fossilizar ou quê?"

Tu fazes cada pergunta, Bea:)
Fóssil já ele é há muito...




Libertado inocente que passou 30 anos no corredor da morte

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3732194


Uma vida inteira!:(

bea disse...

Pronto, andorinha, dá cá a mão.Tiveste uma tardinha revigorante, vês.Hummmm....devia imitar-te, depois até gosto, vejo coisas - levo o tempo a ver coisas - sente-se o ar, o sol, o rumor do vento, as vozes desprevenidas das pessoas, bocadinhos de conversa, palavras a escorregar pelo tempo abaixo...e assim. Mas acontece-me a preguiça. E agora nem tenho pedais...

Estamos na era da opinião:); muito pouco platónica, a nossa era. E, a bem falar, torna-se bem perigosa esta perseverança opinativa em que vivemos.

não posso falar do face, mas por aqui, o que tanto te pode chatear? somos da paz.

bea disse...

Oh! Pobre de quem é pobre e afro! Como não se sentir lesado depois de lhe tirarem injustamente 30 anos de liberdade?!

Bom...há pessoas para quem a morte me parece fraco castigo. Tinham que sofrer bastante, penar, não desejar o dia seguinte, nem o seguinte do seguinte. e assim sucessivamente. Fazerem trabalho do mais árduo... e a pena de morte não me faz sentido. Quem faz muito mal, paga com a vida e não sem ela, que sem ela não se paga nada. Sou sádica para as grandes maldades e perfídias.

Julio Machado Vaz disse...

O episódio dos conselheiros parece-me típico de uma determinada forma de viver em Democracia:(.

Impio Blasfemo disse...

Percebe-se agora que sua Exca o PR não quer ver "masoquistas" a trabalhar, segundo a sua muito avalisada opinião. Exonerando-os libertou-os, coitados, para eles se irem tratar convenientemente; é meritório o acto, direi mesmo de amigo muito preocupado com a saúde mental dos seus colaboradores. Eh, eh eh…….

Saravá
IMPIO

andorinha disse...

"não posso falar do face, mas por aqui, o que tanto te pode chatear? somos da paz."

Ui, Bea, expressei-me mal. Aqui nada me chateia. Referia-me à notícia.
Se eu venho aqui todos os dias e não sou masoquista...:)))

Gosto de "vocêzes", já sabem. E se estivesse aborrecida com alguma coisa, dizia directamente.


Júlio,

Eu já nem sei se vivemos em democracia...:(


Impio,

Faço ehehehehe contigo:)

Fiquem bem.

Anfitrite disse...

ANdorinha,

Não é paixão, é lucidez. Foi das poucas pessoas que quis dar um rumo a este país. por isso foi tão mal recebido, até pela classe dos professores que foram os que mais barulho fizeram porque não queriam ser devidamente classificados. Sempre tiveram reconversões automáticas. É a classe que melhores reformas tem, comparando com outros até com mais habilitações. Foram dos que fizeram mais barulho porque não queriam perder privilégios, mas hoje estão-se nas tintas para os que não tinham vínculo e estão no desemprego. Eu como não sou de Letras tenho a capacidade de analisar a situação e de não me preocupar só comigo e de ser pouco dada a filosofias de cordel. Ele teve o azar de depois de ter começado a pôr um pouco de ordem, ter apanhado com o malvado subprime americano e a crise que se seguiu.
Para ficares lúcida devias ter ouvido hoje o Bagão Félix. Ainda estás a tempo. O que é que vocês esperam dum BE, só porque diz umas verdades que todos nós conhecemos?
E dum PC, onde não houve um que desse a cara? Quem não diz o que pensa é um cobarde. Que entregaram o país à direita mais reaccionária e agora não temos ninguém a quem nos agarrarmos. Este país está mesmo a afundar-se e aproveita tu e os outros para tomarem banhos revigorantes enquanto puderem pagar a água.


Rui Vieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
andorinha disse...

Anfy,

Não vou discutir os méritos ou deméritos de Sócrates contigo. Deus me livre! Ficávamos aqui a noite toda e nenhuma convencia a outra:)

Aliás, como sou de Letras não tenho a capacidade de analisar a situação:) loooooooooooooool

Para ficar lúcida?????????????
Eu estou lúcida, felizmente.

Mas tu achas mesmo que tens o monopólio da lucidez? Que és a detentora da verdade absoluta? És como o outro que nunca tem dúvidas e raramente se engana?:)))))))))))

Tive um dia fixe, não vais ser tu agora que o vais estragar...
mas se te faz bem, resmunga, mulher, eu não me importo, já estou habituada:))))


E sim, tenciono continuar a tomar banho:) looooooooool


Fica bem, que eu também vou ficar:)

bea disse...

oh, grande Anphy! eu não gosto do seu menino. e não gosto por não gostar. e também por não concordar consigo e com ele em muita coisa.

mas sim, pode resmungar tudo que queira. se o professor nem se importa...quanto mais nós. Avante, pois. se lhe faça bem.