sábado, setembro 21, 2013

Cristalino...


O presidente da EDP acredita que o Tribunal Constitucional pode forçar um segundo resgate a Portugal e defende que os juízes do palácio de Ratton deveriam ter tido em consideração a actual conjuntura quando chumbaram algumas das medidas do Governo.

Numa entrevista à TSF, a propósito da situação do país, António Mexia comentou que as medidas que o Tribunal Constitucional tem vindo a chumbar, como os cortes nos subsídios de férias ou algumas medidas da requalificação da função pública, poderão vir a ter consequências para o país.

Para o presidente da EDP, a manter-se este rumo, e caso o Tribunal Constitucional não dê luz-verde a algumas destas medidas de contenção, o país corre o risco de precisar de um segundo resgate dos parceiros internacionais — numa altura em que a troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) deveriam deixar o país para o ano.

E avisa, por isso, que, da próxima vez que os juízes forem chamados a pronunciar-se sobre leis de grande impacto nas contas públicas, devem ter em conta o contexto que o país vive. “Portugal irá conseguir acesso aos mercados. Mas, para isso, é decisivo que não se passem algumas decisões, como houve, do Tribunal Constitucional. Acho que foram decisões complicadas que, no fundo, não têm em consideração o contexto”, insistiu, sublinhando que os direitos devem ser olhados “em função da capacidade da economia se financiar”.

Numa análise a algumas medidas, na mesma entrevista à TSF, Mexia defendeu ainda que a redução do IRC de 31,5% para 19% deve ser aproveitada como um estímulo para a criação de emprego. E apelou também a que as próximas linhas de acção do Governo sejam explicadas desde já para não se perder tempo. “Há que ter uma abordagem muito clara no que diz respeito aos próximos passos e às próximas reformas. As decisões devem ter em linha de conta esta obrigação de que nós temos de regressar aos mercados”, afirmou.

Cinco chumbos à maioria PSD/CDS
O chumbo do Tribunal Constitucional ao regime da mobilidade na Função Pública, em Agosto, foi o quinto a esta maioria parlamentar PSD/CDS, que já tinha visto serem declaradas inconstitucionais propostas de dois Orçamentos do Estado (OE).

O primeiro chumbo à maioria liderada por Pedro Passos Coelho surgiu em Julho de 2012, pouco mais de um ano após a tomada de posse, com o Tribunal Constitucional a pronunciar-se contra o corte dos subsídios da função pública, previstos no OE de 2012.

O Tribunal Constitucional (TC) justificou a decisão, aprovada por uma maioria de nove juízes contra três, considerando que "a dimensão da desigualdade de tratamento que resultava das normas sob fiscalização" violava o princípio da igualdade, consagrado no artigo 13.º da Constituição.

Já este ano, em Abril, o Tribunal Constitucional chumbou quatro artigos do Orçamento do Estado para 2013 relacionados com os cortes nos subsídios de férias, de desemprego e de doença. Em Maio, foi a vez da lei que criava comunidades intermunicipais não passar no Constitucional. O diploma era uma das reformas-bandeira do ex-ministro Miguel Relvas.

Ainda sem cumprir um ano de governação, em Abril do ano passado, a maioria liderada por Pedro Passos Coelho já tinha visto ser chumbado pelo TC o diploma que visava criar o preceito do crime de enriquecimento ilícito e que tinha sido aprovado na Assembleia da República em Fevereiro, por todos os partidos com a excepção do PS.

Também este chumbo surgiu depois de um pedido de fiscalização preventiva da constitucionalidade apresentado pelo Presidente da República. O tribunal entendeu então que eram violados os princípios constitucionais da presunção da inocência e da determinabilidade do tipo legal.

Público.

P.S. Os direitos devem ser olhados “em função da capacidade da economia se financiar”. Eu fiquei esclarecido quanto às prioridades. Vocês também? Se a economia, essa entidade abstracta!, não se consegue financiar, os direitos – como direi? – devem ser olhados… com espírito aberto e maleável. Os nossos, claro…

segunda-feira, agosto 19, 2013

Márcia - Dá - Vem.2010


Márcia - Dá - Vem.2010


segunda-feira, agosto 12, 2013

Muito gosto eu deste maroto:).


sábado, agosto 10, 2013

R.I.P.

O Fim do Amor Trágico e Romântico?Vivemos, de facto, numa época em que a noção de amor trágico e romântico, que herdámos do século dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos - e até com o carácter de construção moral e estética - essa relação extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contestação de todas as prepotências firmadas em preconceitos, em princípios estabelecidos apriorísticamente, há sempre um nexo muito íntimo entre a reinvindicação da liberdade erótica, da liberdade no trabalho e da liberdade política. E, naturalmente, quando se dá uma explosão desta espécie, é como uma pedra que rola e que vai agregando uma série de materiais e descobrindo a sua própria composição até às zonas mais profundas da sua estrutura. 

Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver"

terça-feira, agosto 06, 2013

domingo, agosto 04, 2013

Perante os assobios...

Versão clássica - e abrasileirada... - do diálogo entre Jesus e o Maligno:


1 Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto,
2 onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo Diabo. Não comeu nada durante esses dias e, ao fim deles, teve fome.
3 O Diabo lhe disse: "Se és o Filho de Deus, manda esta pedra transformar-se em pão".
4 Jesus respondeu: "Está escrito: 'Nem só de pão viverá o homem'".
5 O Diabo o levou a um lugar alto e mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo.
6 E lhe disse: "Eu te darei toda a autoridade sobre eles e todo o seu esplendor, porque me foram dados e posso dá-los a quem eu quiser.
7 Então, se me adorares, tudo será teu".
8 Jesus respondeu: "Está escrito: 'Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto'".
9 O Diabo o levou a Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: "Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo.
10 Pois está escrito: " 'Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para o guardarem;
11 com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra'".
12 Jesus respondeu: "Dito está: 'Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus'".
13 Tendo terminado todas essas tentações, o Diabo o deixou até ocasião oportuna.

Versão moderna - e benfiquista... - do episódio:
1 - O Diabo lhe levou a gravação do Benfica - S.Paulo e disse: "Adora-me e oferecer-te-ei uma defesa segura, que de vez em quando não sofra golos".
E Jesus cedeu à tentação. Mas contou a toda a gente que fora ele próprio o autor do milagre:).

terça-feira, julho 30, 2013

Dava pano para mangas:).

Se Me EsqueceresQuero que saibas 
uma coisa. 

Sabes como é: 
se olho 
a lua de cristal, o ramo vermelho 
do lento outono à minha janela, 
se toco 
junto do lume 
a impalpável cinza 
ou o enrugado corpo da lenha, 
tudo me leva para ti, 
como se tudo o que existe, 
aromas, luz, metais, 
fosse pequenos barcos que navegam 
até às tuas ilhas que me esperam. 

Mas agora, 
se pouco a pouco me deixas de amar 
deixarei de te amar pouco a pouco. 

Se de súbito 
me esqueceres 
não me procures, 
porque já te terei esquecido. 

Se julgas que é vasto e louco 
o vento de bandeiras 
que passa pela minha vida 
e te resolves 
a deixar-me na margem 
do coração em que tenho raízes, 
pensa 
que nesse dia, 
a essa hora 
levantarei os braços 
e as minhas raízes sairão 
em busca de outra terra. 

Porém 
se todos os dias, 
a toda a hora, 
te sentes destinada a mim 
com doçura implacável, 
se todos os dias uma flor 
uma flor te sobe aos lábios à minha procura, 
ai meu amor, ai minha amada, 
em mim todo esse fogo se repete, 
em mim nada se apaga nem se esquece, 
o meu amor alimenta-se do teu amor, 
e enquanto viveres estará nos teus braços 
sem sair dos meus. 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"

quinta-feira, julho 25, 2013

Diabolicamente belo:).

quinta-feira, julho 18, 2013

Uma rua que começa...


Povoamento

No teu amor por mim há uma rua que começa
Nem árvores nem casas existiam
antes que tu tivesses palavras
e todo eu fosse um coração para elas
Invento-te e o céu azula-se sobre esta
triste condição de ter de receber
dos choupos onde cantam
os impossíveis pássaros
a nova primavera
Tocam sinos e levantam voo
todos os cuidados
Ó meu amor nem minha mãe
tinha assim um regaço
como este dia tem
E eu chego e sento-me ao lado
da primavera

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"

quarta-feira, julho 17, 2013

segunda-feira, julho 15, 2013

E tudo o vento trouxe:).


Maria,

A fotografia de minha Mãe à esquerda, a velha placa do laboratório de meu Pai à direita, no meio não suspira virtude mas saudade. Que me diriam, na varanda debruçada sobre céu tripeiro? Talvez nada, adeptos que éramos do silêncio cúmplice; aconchegado. Ver-te chegar, melhor!, adivinhar-te no sorriso dela, cabeça reclinada na mão, como tu fazes. E em psiquiatra tal semelhança é ainda mais suspeita, apaixonei-me por ti ou pela brisa que vos une desde o primeiro olhar? Para não falar do meu, refugiado atrás de café, livro, distância e espelhos do meu querido Majestic, “olho ou não, será tão fascinante como o  reflexo?”. O cabelo chovia sobre mesa e ascético chá, o dedo em meditada circunavegação do pires envergonhou a pressa, ruborizada mas sem pudor, com que me afastei do longo cruzar das tuas pernas. Não fui a tempo. O desejo, de tão intenso, levou-te a buscar-lhe a fonte, por segundos receei que a decretasses suja e a mim não potável. Por segundos. Depois mergulhei na interrogação tranquila dos teus olhos e apoiaste a face na mão. Como ela… A quem contei o sucedido com excitação mais adequada a tórrido encontro de amor. (Foste tu a explicar-me, muito depois, que precisamente disso se tratara.) Ela escutou e sorriu – “não te precipites, deixa-vos acontecer”. Não percebi a sageza da frase, utilizei-a como álibi para a timidez que se me apoderara de língua e pernas, nos dias seguintes nem do espelho passei! Até ao que me pareceu de festa, inventado por Senhor e Acaso em minha ajuda que não honra, alguém abriu a porta ao vento e ele decidiu brincar com os teus papéis pelo chão,  eu mergulhei, egoísta, para me salvar. A avidez foi tanta que tos devolvi amarfanhados, em miserável desordem, talvez inúteis, e contudo eu abrigava a megalómana esperança de um “obrigado”.

Apenas para ficar siderado por sorriso largo de alívio maroto – “caramba, até que enfim, foi preciso um ciclone!”. Não sei, Maria, a meteorologia navega no imenso oceano da minha ignorância. Mas atendendo ao que irrompeu pela tua mão na minha vida, aceito qualquer descrição – de terramoto a fogo de Estio. E ninguém me ouviu pedir ajuda, deixei-nos acontecer…          

segunda-feira, julho 08, 2013

Uma voz abençoada...


domingo, julho 07, 2013

sexta-feira, julho 05, 2013

segunda-feira, julho 01, 2013

Clandestino a prazo.

Maria,
Falar-te ao ouvido, quando ja adormecida. Baixinho, para nao acordares; com a paixao necessaria para te invadir os sonhos. E deixar a duvida para a manha seguinte - "sonhei ou   por uma vez o disse?". Beber o sumo de laranja como se nada tivesse acontecido. Alem de acordar a teu lado...
O que nao e privilegio menor.

Esperar a noite seguinte e repetir a artimanha. Na esperanca de ser apanhado - "Quem, eu?".
Esse riso gaiato:).

quarta-feira, junho 26, 2013

She's a hard headed woman:).

Julio Guilherme,


Sabes que te compreendo. E que adoraria te-lo conhecido, embora tenha certeza de que recearia a sua opiniao... Mas desgosta-me essa tua tendencia para afogares o presente nas aguas fundas e ternas das memorias. So lhes faras justica vivendo o dia de hoje. Ou pelo menos o de amanha, hoje ja nao ha aviao para Londres. Did I make myself clear, you stubborn bastard?


terça-feira, junho 25, 2013

De carne e osso.

Maria,
Por razoes de circunstancia - a escrever assim ainda acabo no GOverno... - meu Pai acompanhou-me o dia todo. Explicando, lendo, aqui e ali caindo em si e na sua eterna elegancia - "Desculpe, o meu filho sabe tudo isto". Porque mo ensinou... Mas de imediato o esqueceria, ate a ultima letra se tao assustadora amnesia o trouxesse de volta um instante. Maria, nao me ralhes - vivo entre e de recordacoes, por vezes pasmo por o teu corpo nao se desfazer ao toque e encabritar o meu.

sábado, junho 22, 2013

A revelia de S. Gaspar.

Maria,

Para onde foge o vento quando deixa de soprar? Onde se esconde o amor angustiado? Quem sossega os corpos exasperados? Tu sabes? Faz-me um curso intensivo e eu nao peco recibo. Deus abencoe a economia paralela se nos juntar:).