segunda-feira, agosto 07, 2006

O velho Luiz Pacheco "num dia em que se achou mais pachorrento":).

...
Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.
...

56 comentários:

Anjinha disse...

owa :o)
tens um blog mt fixe :o)
escreves muito bem :o)
voltarei

bjinho

**(+_+)**

Anjinha

andorinha disse...

Boa noite.

É impressão minha ou este cantinho anda a ficar muito machista ultimamente?:)))

Uma virgenzinha inocente e sem qualquer traquejo será o sonho de muitos homens?
Uma mulher já mais vivida é mais perigosa; ainda o pode comparar com outros e ele sair a perder na comparação.:)

Ai, ai, os homens...bichos tão inseguros e possessivos1:(

Aspásia disse...

Nessa estafa, meu amigo,
não te quero ver cair,
mas mulher com vício é perigo
difícil de resistir...

Aspásia disse...

Anjinha

Então não conheces o autor de "O Sexo dos Anjos"??????? (e deste blog)

Unforgivable....

Tens que tirar um curso acelerado de JMV (Jantares Muito Volantes)...

thorazine disse...

Eu nunca li o "O sexo dos anjos". É uma falha muito grave para quem anda aqui a mandar postas? :))

Mas eu gosto de dançar. E há quem diga que o pessoal dança para se desfazer da genitália e se tornar anjos! :))))))))))))))))))

Aspásia disse...

Thora

Bem se vê que és de outra apanha...
Eu ouvi o "Sexo dos Anjos" durante uns 7 anos desde que começou a ser difundido na zona de Lisboa... além disso estã tudo gravadinho numas 100 cassettes (conheces? eram umas coisitas de plástico que havia antes dos CDs) de 100 ou 120 min. cada...
Posso vender-tas a 5 euros cada (elas virgens já custavam 400 paus...), tu digitalizas e faz-se o Podcast ou o AudioBlog do "Sexo dos Anjos"... repartes os direitos com o Prof....;))) Aí é que o porquinho ia fazer Boooooom!!!!

Aspásia disse...

Mas para começar podes ler o book...:))

thorazine disse...

Aspásia,
Sou mesmo Ignorante. Mas o prof também não tinha um livro qualquer com um nome do mesmo género? É sou eu a confundir-me?

K7's? Tenho uma vaga ideia, sim.. :))))
Mas queres mesmo fazer negócio? lol
Não é pró porquinho não senhor. Para isso tinha aqui a minha colecção de DVDs, Mp3 e tudo isso..que já fazia mais uns euros! Ou mesmo a plantação.. (ups..isto não era para dizer). Mas eu só gosto do dinheiro limpo. Não é pelas autoridades, é mesmo pelo descardo de consciência (podes achar que é tanga mas é verdade!!). Mas tinha enorme interesse em ouvir coisas antigas do prof. As únicas coisas que ouvi foi o "Amor é.." e quando já dava a horas pornográficas. Sempre conheci o nome do prof, pois a minha mãe sempre gostou de o ouvir, mas só prestei realmente atenção quando eu próprio despertei para o sexo (e tudo que isso engloba).

Podias era tu fazer um favor comunitário e digitalizar isso! Isso é que era. (Mas se mesmo com o apelo não tiveres pachorra ou te quiseres desfazer da "coleçoum", apita para phenothiazine@gmail.com ;)))))

thorazine disse...

Em vez de "é" poderá lêr-se "ou".
E obviamente é "descargo.
E já percebi que o livro não faz somente parte do meu mundo! :))

Fora-de-Lei disse...

andorinha 10:05 PM

Ora se Deus não quisesse que assim fosse, não teria feito as mulheres com "selo de garantia", não achas ?!

Fora-de-Lei disse...
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Fanette disse...

Boa noite. Pacheco? Velho? Temos fado? Desculpe, como sabe je suis une môme neste blog. Qual é o contexto, além do que está escrito.

Pamina disse...

Boa noite.

Para provocação, provocação e meia:))). Bom conselho, especialmente se já se passou dos 55, se não gosta nada de fazer exercício físico e se tem como prato favorito francesinha com cerveja...
O autor (do poema) estava mais preocupado com a tuberculose, mas penso que, nestas circunstâncias, são mesmo mais de temer os enfartes.

Como fui mázinha, para me redimir, deixo aqui, espero que para gosto de todos, uma frase muito bonita que vi no blog da minha prima Teresa (julgo que da autoria dela):
"o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo"

Que bom poder descrever assim uma relação, não é? (Sempre tudo) Nem de mais nem de menos.

PAH, nã sei! disse...

"Sexo dos anjos", ouvido anos a fio ao sábado às 23 horas e novamente ao domingo, das 11h às 13h. Mas na Rádio Nova! (isto de ser nortenha, às vezes tem vantagens :) Imperdível!

"Companheiro" de fim de adolescência, de anos de faculdade. Em que não havia autorização para saídas à noite ao sábado. Mas que não importava!
Em compensação, tive aquelas gargalhadas que me afastavam durante duas horas, das angustias e tristezas, de amores e "nem por isso"...
Aos 34, ainda suspiro pela voz (o Aurélio que me perdoe...)

Anjinha... nem sabes o que perdeste...
(se é que perdeste, e não estás a "dar uma de anjo" :)

Caro doutor, obrigada!

Pamina disse...

Errata:"se não se gosta nada, etc."

Para a Fanette:
Quanto ao contexto, poderá ler aqui o "Coro de escárnio e lamentação dos cornudos em volta de S.Pedro" completo

http://luizpacheco.no.sapo.pt/textos/default.htm

PAH, nã sei! disse...

Peço perdão pelo meu erro.
Aos domingos, pela manhã e repetição à noite... A memória já não é a mesma... :))) (one já vão os anos 90...)

Julio Machado Vaz disse...

Pah,
De nada, foram os melhores momentos da minha vida pública, oito anos de imenso gozo:). Resta a saudade do Zé Gabriel:(.

andorinha disse...

Fora de lei (10.41)

O que te vale é seres do Glorioso e nem sempre seres da tua opinião...

Não te envergonhas de dizer essas barbaridades?:)

fiury disse...

e ele "a dar-lhe" com os "tipos":))))

independentemente do "tipo"
homem que é homem tem mais é que dar ao rabo:)))))))

(nestas coisas, como diz o noise, serei uma "portuguesa oitocentista")

moon disse...

Perdão, prof., mas se eu fosse homem queria mesmo uma mulher diabolicamente doce...

moon disse...

P.S. Nem me tinha apercebido das saudades que tinha deste cantinho.

Durmam bem
Sonhos muito doces

CêTê disse...

LOL, ou o professor omitiu as melhores quadras do "versajador" ou realmente... LOL
Beeeeeeeeeeeem, essa quadra dita por si até teria graça agora por esse senhor, me desculpe que sei (já aqui o disse, é seu amigo) mas realmente. Nós somos agora alguma espécie infra-sardanita, ou quê?

A Maria deve morrer mesmo de amores por esse senhor.... ai deve deve.


;¨) inté

Lusco_Fusco disse...

Num dia cinzento como o de hoje, só mesmo o professor para me fazer sorrir... :))))
Assim, tipo...
Serpentina de carnaval?!.... :p
Fujona? eh eh eh
Um abraço
MJ

Aspásia disse...

Professor, espero que não se importe que ponha aqui esta relíquia, para os mais novos terem uma ideia do tempo do "Sexo dos Anjos"...

(Entrevista dada pelo Prof. ao DN Magazine de 26 de Abril de 1992)
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JÚLIO MACHADO VAZ:
"ESTOU PREOCUPADO COM O SEXO DOS HOMENS"

A bizantina questão do sexo dos anjos veio dar nome a um programa de grande êxito na Rádio Nova, "o sexo dos anjos". O seu autor é o psiquiatra Júlio Machado Vaz que, em tom de conversa amena e divertida, fala dos problemas e fantasmas da sexualidade humana. O título foi, porém, adoptado por paradoxo. "Quando tiver que discutir o sexo dos anjos, o programa acaba", afirma o psiquiatra". E declara em entrevista ao D.N.: "eu estou preocupado é com o sexo dos homens".

O interesse de Júlio Machado Vaz pela sexualidade humana não nasceu com o programa "o sexo dos anjos". Professor de psicologia médica no Instituto de ciências biomédicas Abel Salazar, no Porto, o psiquiatra leccionou, durante alguns anos, extracurrículo, nesta faculdade um curso de sexualidade humana. O primeiro ministrado numa faculdade. "comecei o curso a pedido dos alunos, com autorização do Conselho Científico e Conselho Directivo, mas o curso não tinha sequer o estatuto opcional."
Recorda: "logo de início, aquilo tornou-se fascinante. Os alunos chegavam aos magotes. Cheguei a ter cento e vinte pessoas numa aula teórica. As aulas teóricas normalmente não são assim tão povoadas.

Porquê tal afluência?
"arriscar-me-ia a dizer que eles procuravam ensinamentos que lhes permitissem lidar melhor com as suas profissões, mas era também, em grande parte, a nostalgia de poderem discutir coisas que tinham a ver com eles. até porque, no início, não havia qualquer preocupação clínica."
Três ou quatro cursos depois, estava Machado Vaz na sua consulta de sexologia, no hospital Magalhães de Lemos -- "eu abria a porta, eu fechava a porta, eu fazia a consulta (ri). O corpo clínico era eu!" --, aparecem-lhe duas alunas de psicologia, que tinham feito o curso de sexualidade humana, a pedirem-lhe para estagiarem na consulta. depois apareceram mais dois... É com nostalgia que Machado Vaz fala desse tempo e dos "seus meninos", já então interessados na sexologia clínica. de novo a seu pedido, leccionou um curso virado para as disfunções e tratamento, durante dois anos, no Magalhães de Lemos. "o Magalhães de Lemos era a minha Terra do Nunca, do Peter Pan, onde toda a gente era menos a vida inteira!" mas os meninos formaram-se, casaram, tiveram filhos e a consulta do Magalhães de Lemos acabou. Estivera lá seis ou sete anos, sem ganhar nada.. terminou também o curso de sexualidade humana. alguns dos seus antigos alunos, "não por coincidência", diz, estão agora a trabalhar a seu lado, no Porto, no Centro de toxicodependentes, que actualmente dirige.

UM ASSUNTO TABU

O curso de sexualidade humana foi substituído por alguma outra iniciativa?

"não", responde Machado Vaz. "em biomédicas temos algumas aulas de sexologia, em psicologia médica. qualquer coisa como quatro horas teóricas. É muito pouco. tanto em medicina como em psicologia ou assistente de enfermagem, áreas mais viradas para este tipo de problemas, sistematicamente os currículos não prevêem nenhuma disciplina. Tem sido um assunto tabu e não só a nível universitário. Os programas do secundário não só são pobres como estão reduzidos a andar pela fisiologia e, muitas vezes, nem isso é dado!"

aliás, deve ser difícil leccionar uma disciplina de sexualidade...
"a nível do secundário não deve sequer ser uma disciplina", defende o psiquiatra. "Estou em profundo desacordo que haja uma disciplina de educação sexual. O que deve haver é a possibilidade, nas diferentes disciplinas, de não se escamotear a vertente sexual. Quando é caso de falar de sexualidade, em história e filosofia ou psicologia, que se fale; e, evidentemente, a sexualidade tem a ver com a fisiologia e as ciências naturais. agora, uma disciplina estanque, quarta-feira às onze da manhã, para falar de sexo aos meninos, na minha maneira de ver é um erro grave! mesmo que quem ensinasse fosse muito bom, isso seria admitir que a sexualidade devia ser circunscrita, metida num gueto. Tem que ser integrada. Tem que haver a possibilidade de o Professor de história, por exemplo, quando está a falar de Pedro e Inês, poder falar de sexualidade. O D. Pedro, que fez tropelias, mandou arrancar o coração...

E mandou construir uns belos túmulos de Alcobaça, que são para António José Saraiva uma bela expressão da sacralização do desejo!
"Isso levar-nos-ia longe. Pessoalmente penso que uma dessacralização completa da sexualidade é, provavelmente, matar a sexualidade."

Até porque o sexo é uma das formas de tocar o mais fundo do outro!
"Ou seja, estaria de acordo comigo se lhe dissesse que a sexualidade e o sexo, como parte da sexualidade, são essencialmente formas privilegiadas de comunicação.

ANGÚSTIA DO DESEMPENHO

Retomando a questão do curso de sexualidade humana e a consulta no Magalhães Lemos: quais as questões que, com mais frequência, lhe colocavam os alunos? E os pacientes no consultório?

"Dei o curso durante seis anos. O trajecto é mais ou menos clássico. É assim: os alunos começam a fazer perguntas muito concretas, coisas que têm a ver com o que é normal e depois, a pouco e pouco, vão deslizando para questões muito menos concretas e que acabam sempre na problemática da intimidade: como é que se aguentam relações muito tempo? que é isso da fidelidade? como é que se é fiel ao outro e a nós ao mesmo tempo? Até que ponto se pode perseguir a felicidade ou não? Conforme os cursos iam progredindo, cada vez se estava menos no registo da mera informação e muito mais no diálogo sobre a sexualidade dos próprios alunos. Era muito raro alguém começar a fazer perguntas sobre a ejaculação permatura. Era muito mais ao nível da relação. E esta é uma tendência que se vem a observar também na clínica, embora na clínica apareça, com muito mais frequência, o problema das disfunções. É bom não esquecer que a população que aparece na clínica é mais velha.

Há disfunções motivadas por razões físicas e outras por razões psicológicas...
"Eu sou psiquiatra. É uma questão de triagem. Se aparece uma disfunção física, imediatamente a encaminho..."

Quais são mais fáceis de tratar?
"É conforme. Há lesões orgânicas que podem até ser incuráveis. Suponhamos o caso de uma pessoa, que tem uma disfunção eréctica de origem diabética, numa fase em que não seja possível intervir. mas a maior parte dos casos são exclusiva ou basicamente de origem psicológica. Mesmo na clínica, cada vez mais aparecem casais ou pessoas sozinhas a queixarem-se não propriamente do desempenho sexual, mas da dificuldade de relacionamento."

como causa ou consequência?
"Às vezes é difícil descobrir se é causa ou consequência."

Tem que se fazer a história do casal?
"exacto, porém, isso tem corolários na própria maneira de intervir. É totalmente diferente estarmos, por exemplo, a falar com um homem, que está com um problema sexual porque estava deprimido e a depressão arrastou também o problema sexual ou estarmos em presença de um homem que teve um problema sexual e porque os homens não foram educados para aguentarem bem os seus problemas sexuais, deprimiu por causa disso. como compreende, o tratamento é completamente diferente, nu caso ou noutro. Há um velho aforismo em sexologia que diz assim: aquilo que provoca uma disfunção sexual, muitas vezes não é o que a mantém. para lhe dar um exemplo: há determinados medicamentos que podem provocar uma baixa de libido e até afectar a erecção. Ora, se o médico não sabe e não informa o paciente este, que não sabe que o seu problema sexual é o efeito colateral do medicamento, fica preocupadíssimo. A partir de determinada altura, sempre que vai para a relação sexual, vai dividido. metade vai fazer amor e metade vai ver se corre bem. nunca corre bem assim! entretanto, ele já deixou de tomar o medicamento, mas a cabecinha dele mantém o problema. qualquer coisa que, no início, foi um mero efeito colateral do medicamento, que desapareceria automaticamente, permanece por aquilo que se chama a angústia do desempenho."

E aí a "partenaire" não terá um papel importante a desempenhar?

"Aí a partenaire, vai ficar angustiada, porque pensa que é menos interesse por ela, que ele ou tem outra ou tem uma doença grave. Depois põe-se na cabeça da parceira problemas deste género: ele está com dificuldades, o que é que eu faço? Tento estimulá-lo, seduzi-lo, ou isso ainda é pior para ele? talvez seja melhor ficar completamente quieta. mas se eu fico quieta, que é que ele vai pensar? que a mim também já não interessa. É diabólico o tipo de problemas que provoca!"

Tudo isso porque não conseguem verbalizar o problema!
"Nem mais! nós não fomos educados para falar de sexualidade. Começa cada um a fechar-se para o seu lado; depois, começam a aparecer de um lado as enxaquecas, e do outro muito trabalho, e cada vez se reduz mais o encontro entre os dois."

para ele o trabalho é uma fuga...
"um escape, uma terapia. É óptimo que uma pessoa goste de trabalhar, mas não é óptimo se uma pessoa utiliza o trabalho como escape. Você, com certeza, tem uma data de amigos que inventam trabalho para o fim-de-semana."

para muitos parece ser o interesse exclusivo da sua vida...
"exacto. Há pessoas na nossa sociedade que vivem muito mal, por exemplo, as férias; porque o tempo livre põe-nos numa situação de eventualmente nos angustiarmos com o que fizemos das nossas vidas, com o que é que estamos a fazer. As pessoas preferem meter a cabeça no trabalho até cair. Normalmente dizemos: para o ano vou reduzir o meu ritmo. este ano é que vou fazer férias com os miúdos...

SEXO E CULPA

Confessamos a Machado Vaz a nossa perplexidade em relação à forma como é encarada a sexualidade. A forma como se transmite a vida não devia ser a coisa mais sagrada e bela existente à face da terra?
"Na nossa sociedade, o problema nunca tem sido o de pôr regras à maneira como se transmite a vida. O problema tem sido com o prazer. O problema surge sempre que se discutem actividades que são interpretadas como meramente viradas para o prazer. E isso, na nossa tradição judaico-cristã, tem sido visto de lado."

Está a dizer que, anteriormente à tradição judaico-cristã, o sexo não era culpabilizado?

"A tradição judaico-cristã não é uma entidade homogénea. A tradição judaica não é igual à cristã e a maneira como as sociedades antigas (por exemplo a antiga Grécia) encaravam a sexualidade ainda hoje está envolta numa série de mitos. As pessoas têm a ilusão de que na antiga Grécia a homossexualidade era muito bem aceite. O que era aceite era a relação de pederastia entre um homem mais velho e um adolescente. mas quando o adolescente passava ao estado adulto, a ligação entre dois homens adultos, sobretudo se implicasse o não casamento, era malvista. E depois a situação da mulher tanto em Roma como na Grécia, era extremamente negativa. E isto influenciou também as posições face à sexualidade. aliás, a tradição judaica tem uma visão mais positiva da sexualidade do que a tradição cristã. enquanto a tradição judaica investia bastante no casamento, chegando ao ponto de dar um ano de lua-de-mel ao homem que casava, na tradição cristã pela primeira vez vem fazer-se a apologia do celibato, não baseado no discurso de Cristo, mas no discurso de homens como S. Paulo, Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino. não há nada no discurso de Cristo que seja anti-sexualidade. pelo contrário, é profundamente tolerante face à sexualidade. Posso-lhe lembrar Maria Madalena, o episódio da mulher adúltera... S. Paulo pensava que o mundo ia acabar e, portanto, para ele, a conclusão era lógica. Se vai acabar, o melhor é tratarmos das nossas almas em vez de estarmos a pensar em outras coisas. E S. Paulo vai dizer: se não podem eliminar os vossos instintos, ao menos casem-se."

um mal menor...
"Aí está. Na Tradição judaica, o casamento era altamente apreciado. não era obrigatório, mas quem ficasse solteiro era mal visto. A infertilidade era motivo para divórcio e, como sempre, as mulheres eram altamente prejudicadas. ainda hoje, sabemos que, em cinquenta por cento dos casos, a responsabilidade é masculina, quando se diz a um homem que não pode ter filhos, ele sai porta fora a dizer: "este tipo é maluco, ela é que não pode ter filhos". Ao longo de todo este percurso, houve uma tradição, digamos assim, de culpabilidade face ao sexo, que, curiosamente foi produzir efeitos que podemos considerar perversos. Foucault fala nisso. É uma sociedade oficialmente repressiva, mas em que praticamente não se fala noutra coisa. são tantas as proibições que..."

já agora, recuemos ao Éden: será a final o sexo o fruto proibido?
"Não creio que seja o sexo. Não sou um especialista, mas quando se lê Santo Agostinho, o que está sistematicamente sob o fogo dele não é o sexo. Se Deus disse "crescei e multiplicai-vos, não pode ser pecaminoso. É o prazer juntamente com o sexo. É a luxúria, na palavra utilizada por Santo Agostinho. quando eu fiz a tese de doutoramento, baseado num inquérito às populações dos cursos, verifiquei que havia muito mais culpabilidade perante a masturbação do que perante o coito."

mas isso seria admitir que o homem só nasceu para sofrer, o que seria horrível!
"Não, não nasceu só para sofrer; mas se calhar é utópico pensar que já temos gerações completamente libertas da culpabilidade face à actividade erótica. O melhor é falar de nós. Eu penso, por exemplo, que a geração de sessenta provavelmente se libertou muito mais a nível do comportamento objectivo do que a nível do sentimento interior. Ou seja: encontramos com muita frequência na clínica gente da geração de sessenta que teve uma actividade erótica de acordo com as suas próprias decisões, sem estar a verificar o que permitiam os pais, o Estado ou a Igreja; mas vamos verificar que essa actividade não foi acompanhada de uma gratificação concomitante."

A COISIFICAÇÃO DO SEXO

Não acha contraditório que numa sociedade onde existe o apelo constante ao sexo prevaleça esse sentimento de culpabilidade?

"Não acho nada contraditório. Tinha que acontecer. Sabe porquê? Estamos numa sociedade fortemente consumista, logo o Estado face ao sexo não interessa. O sexo é um campo espantoso de negócio. Neste tipo de sociedade, o sexo é uma área indiscutivelmente a investir.

Diz no seu livro que o sexo ainda não se vende no supermercado...
"Não, mas em contrapartida metem-lho pelos olhos dentro como apelo ao consumo, e isso é perfeitamente lógico numa sociedade como a que vivemos. Só que isso não preenche as pessoas. Quando uma televisão faz um anúncio que diz que os portugueses gostam de curvas, isto é atentatório da dignidade das mulheres, mas dos homens também. É, na realidade, passar um certificado de debilidade mental às pessoas que estão a ver. E é de mau gosto. Para mim, é quase pornográfico. A pornografia não é só pôr tipos nus a fazer isto ou aquilo."

O sexo é uma componente essencial do ser humano, mas dissociam-no completamente. É como se estivessem a tratar de uma coisa...
"É a coisificação do sexo, mas se calhar estamos numa sociedade que coisifica as pessoas em geral. A maneira como nós estamos a educar os nossos filhos numa competição feroz é toda ela contra qualquer nostalgia de comunicação. Veja o nosso sistema educativo. Há vinte ou trinta anos atrás havia uma série e coisas que estavam mal; mas seria impensável ouvir a apologia de não deixar copiar, porque a diferença de uma décima pode significar entrar aqui ou acolá, ficar no Porto ou ir para Bragança. Temos estado a presenciar a criação de um individualismo feroz, que tem que ter uma tradução inevitável que é a falta de comunicação; mas, felizmente, eu acho que os jovens estão a resistir. Penso que o pêndulo começa claramente a ir para o outro lado. Só falo do que sei, só falo a nível universitário. Você hoje ouve coisas que não ouvia há dez anos atrás, em termos de necessidade de estabilidade, em termos de necessidade de intimidade, etc., quando há dez anos atrás havia uma euforia e experimentação; mas se calhar era necessário ter passado por aí."

E Machado Vaz sublinha:

"As pessoas olham para mim de lado quando eu digo isto, mas os meus alunos, neste momento, são mais conservadores do que eram há dez anos. >As pessoas vivem com a noção de que a juventude está toda numa terrível promiscuidade. Nada disso. Os voluntários de um curso e sexualidade humana constituem normalmente uma população sexualmente mais liberal do que a situação universitária geral; são tipos que se interessam pelo tema e têm uma certa capacidade de se expor, etc. Pois, mesmo assim, nos inquéritos aos seiscentos alunos que passaram pelos cursos, com a maioridade de vinte e um anos, cinquenta por cento eram virgens. Mais raparigas do que rapazes, qualquer coisa como sessenta para quarenta; em todos os inquéritos estudados, aos vinte e um anos havia, se bem me lembro, três ou quatro raparigas que tinham tido mais de cinco parceiros. Isto não é comparável com uma imagem de promiscuidade. O que acontece é que grande parte das vezes, nós, os mais velhos, porque tivemos dificuldades na jovem adultícia face à sexualidade, e porque achamos que eles agora têm muito mais liberdade, projectamos a nossa própria nostalgia para cima deles e achamos que eles andam por cada canto a praticar sexo. Não é verdade isso. E, sobretudo, os estudos estão feitos: quando eles têm a possibilidade de uma boa educação sexual, descobrem a sexualidade mais gradualmente e vão para comportamentos como o coito mais tarde do que quando não têm formação nenhuma e entram de cabeça, às vezes, por exemplo, para fugir à ansiedade que o tema desperta."

Referiu a geração de sessenta. Sabemos que era uma geração em conflito com os pais, a sociedade e o Estado. Hoje o diálogo é muito mais fácil. Não só os pais são mais tolerantes como, por vezes, até têm o comportamento contrário e de certo modo incitam os rapazes a definir-se sexualmente...
"Às vezes acontece. É curioso. Os pais, por vezes, acabam por ter comportamentos desadequados, não num sentido repressivo, mas num sentido activador, que é tão errado quanto o repressivo. Cada jovem tem o seu ritmo pessoal de maturação. Mas muitas vezes os pais, numa sociedade fortemente sexualizada, ficam muito preocupados com os rapazes, se calhar, entre aspas, não são tão machos quanto deviam ser; então às vezes violentam o rapaz e isso pode ser extremamente pernicioso. Você tem o exemplo dramático de como isso pode acontecer, no Jorge Luís Borges. O Borges morreu virgem, porque o pai, pura e simplesmente, enfiou-o nas mãos de uma prostituta, porque achava que ele estava com mais do que idade de se iniciar sexualmente. Isso foi um traumatismo de tal ordem para o rapaz que o resto da vida dele foi o que se viu. Um homem a escrever como quase ninguém sobre o amor e incapaz de funcionar sexualmente. Isto mostra-nos como a tal história de fazer uma disciplina de educação sexual é uma utopia, porque o que nós temos à nossa frente são trinta tipos de catorze, quinze anos, mas cada um deles está num estádio diferente e nunca sabemos quem é que cada um deles vai escolher como interlocutor privilegiado. Você poderia ser a Professora de sexualidade, mas o tipo dá-se bem com a Professora da de Francês. Vai ser com ela que ele vai dialogar."

ORGASMO E PRAZER

Como é que se pode explicar a um jovem o que é o prazer?

"Há uma frase de Herman Hesse que utilizamos muito, que é assim: "pode-se transmitir o conhecimento, mas não a sabedoria." Podemos ensinar melhor os nossos filhos, e o facto de terem maior informação vai-lhes tirar escolhos do caminho; mas não podemos ter a nostalgia de que um aumento de informação lhes vai resolver os problemas. Há coisas que ele s vão aprender à custa deles. Uns vão ter mais sorte, outro vão ter menos sorte. Mas já não é mau que eles estejam preparados, por exemplo, para os escolhos tão prosaicos, mas tão dramáticos ao mesmo tempo, como uma gravidez não desejada. Depois, o prazer não é o mesmo ao longo das idades. Para um rapaz de dezoito anos, dezanove vinte anos, muitas vezes o prazer tem uma grande conotação de afirmação narcísica: conquistar a rapariga, ter saída, mais isto e aquilo; mas se calhar para um homem de quarenta anos, o prazer está mais imbuído de outras coisas. Passa pela relação, passa pelos livros que se lêem, pelos filmes que se discutem, etc. Uma rapariga, no início, eventualmente, pode ficar muito preocupada pela sua capacidade ou não de atingir o orgasmo. Na mulher não é um dado adquirido, como é no homem normalmente, mas uma mulher de trinta e tal anos, já é capaz de dizer como eu oiço na clínica: "não, não, às vezes tenho relações amorosas que são óptimas e por acaso não atingi o orgasmo; não há problema nenhum. No dia seguinte vai acontecer." Aí não há a angústia do desempenho."

Se algum jovem lhe fizesse a pergunta, como definiria orgasmo e prazer?
"Se calhar, o mais importante de tudo é explicar que prazer e orgasmo não são sinónimos. Prazer é incomparavelmente mais lato."

Mas há ainda muita gente que confunde uma coisa com a outra!
"É. E eu tenho dívidas sobre o que será mais grave: se a ignorância dessas pessoas, a quem não foi ensinado que não é assim, se a tendência de parte da sexologia moderna, nomeadamente a americana, de reduzir o prazer erótico. Porque os primeiros não têm culpa nenhuma da sua ignorância; agora que haja uma corrente dentro da própria sexologia que, insensivelmente, se tem deixado arrastar para uma concepção do sexo profundamente quantitativa, centrada no orgasmo, isso é lamentável. e assistimos a coisas hilariantes, se não fossem dramáticas. Quando se descobriu que algumas mulheres tinham uma capacidade multiorgástica, (porque também não são todas) imediatamente houve movimentos dentro da sexologia, não por coincidência de homens, que imediatamente foram ver quantos é que elas conseguem ter; e depois um tipo abre uma revista científica e lê que uma fulaninha, no laboratório não sei o quê, com o vibrador, teve vinte e sete... Mas que interessa isso?"

OS HOMENS SÃO MAIS PROSAICOS

Tal como nas consultas de psiquiatria, são as mulheres que mais recorrem às consultas de sexologia. Porquê?
"As mulheres vêm mais, mas com queixas muito mais difusas do que os homens. As duas queixas concretas mais vulgares nas mulheres são o não atingimento do orgasmo e o vaginismo, portanto, a dor à penetração. Mas as mulheres aparecem frequentemente sem queixas concretas, queixas de insatisfação, dizendo não é bom como era, nós não nos estamos a entender bem, etc. As mulheres põem a tónica na relação. Os homens são muito mais prosaicos. Os homens vão muito mais dizendo: "estou impotente, tenho ejaculação prematura, não funciono". Agora é uma discussão que nunca mais acaba decidir se isto é meramente cultural, ou se traduz qualquer coisa de diferença no sexo. Ou seja: a mulher sistematicamente faz depender o seu bem-estar sexual da qualidade da relação e o homem, com mais frequência, consegue dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra. As mulheres dizem com frequência: "eu não quero fazer as pazes na cama." O homem diz: "mas então nós estamos chateados e ainda temos que sacrificar o sexo. Ao menos deixe ficar o sexo!""


Quer dizer que os homens separam perfeitamente o sexo da afectividade...
"Perfeitamente, não digo, mas os homens fazem a clivagem sexo-afecto com muito mais facilidade do que as mulheres. Por isso, com mais facilidade eles têm o amor da vida deles, a mãe dos seus filhinhos, lá em casa e trinta e sete mil cá fora sem problema nenhum. Isto é muito mais frequente nos homens do que nas mulheres. E agora você pode dizer-me: isso é meramente cultural. Toda a nossa cultura foi para culpabilizar a mulher nestas coisas."

E será só cultural?
"Ninguém tem respostas para essas coisas, porque a inter-relação entre cultura e património genético é tão precoce e tão poderosa..."

Uma das coisas que todas as mulheres sabem é que os homens têm uma grande incapacidade em assumir a sua afectividade. Não são capazes de se porem nem porem a relação em questão. Quando chegam ao ponto de admitir a questão, já está tudo estragado. Muitas vezes, é verdade. É bom não esquecer, em defesa dos homens, que eles não foram educados para isso. Uma sociedade que continua a educar os homens com chavões como "um homem não chora" e coisas quejandas, não pode esperar depois que eles se abram. O homem é extremamente desconfiado em termos da intimidade, porque tem a sensação errada de que abrirmo-nos com o outro, com a outra, vai pô-lo nas mãos dessa mulher.
Deixa-o indefeso, não é?
"Os homens dizem-nos com muita frequência nas consultas: é muito difícil perceber a fronteira com as mulheres, entre elas acharem-nos sensíveis e acharem-nos frágeis." E as mulheres não gostam de homens frágeis. Na dúvida, os homens não se abrem."

Esse é outro chavão. Se calhar, as maternais gostarão de homens frágeis...
"Minha cara, provavelmente as relações que melhor se aguentam são as relações em que ora um é frágil ora a outra é frágil. Ou seja: a palavra-chave da boa relação é a maleabilidade de papéis. As relações que são mais frágeis, pelo contrário, são as que são rígidas, um funciona sempre assim e o outro sempre assado; quando qualquer coisa abana nisto, está desfeito. você chega à noite a casa e está feita num oito e o seu marido dá-lhe colo. Ele sabe que na próxima semana o chefe dá-lhe na cabeça a ele e você dá-lhe colo a ele. E quando nem um nem outro estão feitos num oito, estão os dois a um nível adulto e funcionam no cinema, no restaurante, etc. Isto é uma relação maleável. Também pode rebentar, mas é muito mais resistente do que a outra em que você é sempre a mãezinha dele e agora um dia você precisa de ter um pai e sabe que ele não lhe dá isso; não é assim que a coisa funciona, e você fica sozinha. Ou seja: nesse tipo de relação, ou você desempenha sempre o seu papel ou o caldo está entornado."

A CRISE DOS QUARENTA


Quando aparece alguém no seu consultório com problemas de relação com incidência na sexualidade, que faz?
"Depende. Se eu achar que é possível intervir logo a nível da sexualidade, intervenho. Se eu achar que a relação do casal não permite naquele momento já uma terapia sexual, passo a encaminhá-los para uma terapia de casal prévia, para depois fazer uma terapia sexual."

O que é isso de terapia sexual?
"A terapia sexual normalmente engloba uma parte de apoio psicológico, de descoberta de eventuais significados do sintoma, de aprofundar a relação das duas pessoas, mas tem, digamos assim, como carácter específico da sexologia o facto de haver exercícios mesmo sexuais. É por isso que este diagnóstico da qualidade da relação do casal é muito importante, porque se a relação do casal não for suficientemente boa, esses exercícios podem ser sentidos como terrivelmente mecânicos. E as pessoas até sentirem-se utilizadas; e sistematicamente é um falhanço."

Em relação à mulher, quando uma relação começa a ser má na cama, é porque ela tem já muitas queixas acumuladas...
"Em princípio. Porque raio é que uma relação que se está a deteriorar fora da cama havia de permanecer muito boa na cama? Não é o mais vulgar, embora às vezes aconteça casais assim."

´ E isso desencadeia raiva pelo outro.
" a sexualidade é, claramente, uma das zonas da relação do casal onde, com mais frequência, vemos verdadeiras lutas de poder. É assim: imagine o que é para a vaidade de um o facto de perceber que o outro não tem prazer com ele. Às vezes, o que acontece é que, de uma maneira inconsciente, nós agredimos o outro com o nosso desinteresse sexual. Não estou a dizer que a pessoa vais fazer de propósito. Estou a dizer que, suponhamos que eu tenho uma relação degradada com a minha mulher, que eu até acho que não ando a ser bem tratado, etc. Às vezes, inconscientemente, uma maneira de ajustar contas é desinteressar-me dela sexualmente, o que sistematicamente põe a outra pessoa mal; e, a partir daí, é uma engrenagem infernal; sobretudo porque a sexualidade é uma área que, com muita facilidade, pode ter significados simbólicos. Com o passar dos anos, por exemplo, os homens passam a ficar mais dependentes da estimulação física para a sua reacção sexual. isto em princípio devia ser sabido por toda a gente. Faz parte da educação sexual mais comezinha. Não é raro que um homem de quarenta e tal comece a não ser tão rápido na obtenção da erecção. E agora? Isso pode dar origem a uma série de mal entendidos. Ele começa a sentir-se um bocado velho, acha que já não reage com tanta facilidade com antigamente. Ela sente-se menos desejada. Ele, precisaria que ela fosse mais activa. Ela, por sua vez, acha que ele a procura menos, porque poderá ter outra.

Aspásia disse...

Nota: Entrevista conduzida por Antónia de Sousa.

thorazine disse...

Bem..coincidência ou não já tinha lido esta entrevista pois ela já circula no emule, (é verdade, a pesquisa "Julio Machado Vaz já têm resultados). Mas ou o primeiro paragrafo está cortado ou sou eu que não me lembro da referência ao programa de rádio! Das duas, três! :))))))))))

Mas eu quero ouvir...niguém têm isso? Troco pelos files wmv de o "amor é" dos 2 últimos meses zipados! (Não se esqueçam que agora está online mas valoriza com o tempo) ;))))))))))))))))))))))))))))

E lá para cima enganei-me, onde disse "O amor é.." queria dizer "Estes difíceis amores"!

Cleopatra disse...

Professor, espero que não se importe que ponha aqui esta relíquia, para os mais novos terem uma ideia do tempo do "Sexo dos Anjos"...

(Entrevista dada pelo Prof. ao DN Magazine de 26 de Abril de 1992)


Não se importa de certeza.
E quem ouviu e leu a agora, não se importa também.
Aspásia... vou já ao seu Blog!!

Anjinha disse...

owa.
e eu a penxar que ox anjux naum tinham xexo "aspásia" :op

"Pah na sei" oh pa minha carinha de anja O:o)

BlahBlahBlah disse...

A paciência de Jó de JMV...
Digo-lhe professor, se tivesse 90% destas pombas a cagar-me todos os dias o meu beiral já as tinha corrido a milho roxo ou a pistola de pressão de ar [que não há dum-dum que dê cabo delas] :)

BlahBlahBlah disse...

Interrogo-me sempre como é que movimentará dentro desta caixa de comentários atafulhada de achismos da corneta e quaisquer-coisismos sem interesse algum....

... se calhar não se movimenta, nem os lê :)

noiseformind disse...

"E aí a "partenaire" não terá um papel importante a desempenhar?

"Aí a partenaire, vai ficar angustiada, porque pensa que é menos interesse por ela, que ele ou tem outra ou tem uma doença grave. Depois põe-se na cabeça da parceira problemas deste género: ele está com dificuldades, o que é que eu faço? Tento estimulá-lo, seduzi-lo, ou isso ainda é pior para ele? talvez seja melhor ficar completamente quieta. mas se eu fico quieta, que é que ele vai pensar? que a mim também já não interessa. É diabólico o tipo de problemas que provoca!""


A evolução para um discurso não-peniano foi uma das conquistas tardias do Professor Júlio Machado Vaz, pelo menos no seu discurso público. Estou aqui a ouvir o Sexo os Anjos e encontro over and over again esta referência. Erecção masculina presente = satisfação do casal vs Erecção masculina ausente = problemas para o casal. A forma como o Professor avançou depois para uma preocupação igualitária para a disfunção sexual feminina mostra uma evolução e maturação nas preocupações do Sexólogo de forma importante.

Porém, olhando para esta entrevista mantém-se entre nós o grande e mesmo abismo que nos separou praticamente desde a minha passagem pelo Kinsey:

"Mas há ainda muita gente que confunde uma coisa com a outra!

"É. E eu tenho dívidas sobre o que será mais grave: se a ignorância dessas pessoas, a quem não foi ensinado que não é assim, se a tendência de parte da sexologia moderna, nomeadamente a americana, de reduzir o prazer erótico. Porque os primeiros não têm culpa nenhuma da sua ignorância; agora que haja uma corrente dentro da própria sexologia que, insensivelmente, se tem deixado arrastar para uma concepção do sexo profundamente quantitativa, centrada no orgasmo, isso é lamentável. e assistimos a coisas hilariantes, se não fossem dramáticas. Quando se descobriu que algumas mulheres tinham uma capacidade multiorgástica, (porque também não são todas) imediatamente houve movimentos dentro da sexologia, não por coincidência de homens, que imediatamente foram ver quantos é que elas conseguem ter; e depois um tipo abre uma revista científica e lê que uma fulaninha, no laboratório não sei o quê, com o vibrador, teve vinte e sete... Mas que interessa isso?"

Num país em que tão infrequentemnte as mulheres têm orgasmo, em que existe uma tão grande prevalência de disfunções sexuais com origem na prática sexual e onde as mulheres demonstram taxas tão precoces de inacção sexual parece-me importante acentuar que o orgasmo é uma função natural e direito que a mulher tem de receber do homem, especialmente pq a mulher está NATURALMENTE apta a ter orgasmos. Pelo que tenho lido/ouvido/visto, a incomodidade do Boss em relação ao orgasmo feminino mantém-se, ele continua dentro do universo dos elementos que "pressionam" o homem em relação ao seu desempenho e que, perigosamente, se podem tornar um elemento obsessivo para as mulheres. Penso, como leitor de todas as suas obras, possuidor de todos os Sexualidades e O Amor é e de todas as suas obras publicadas que este elemento será talvez estruturante em termos de compreensão da enorme viagem que é para um português, em qq área lidar com o status quo no estrangeiro e com a realidade nacional. E penso que nessa dialéctica do possível o Professor Júlio Machado Vaz conseguiu fazer uma boa ligação entre o possível em termos gerais e o possível com o grau de auto-conhecimento e de elementos sexuais disseminados no léxico nacaional.

Uma lança em África num país em que, dizia eu à dias ao próprio Autor, se aproxima a pouco e pouco da percentagem de pessoas que acham a educação sexual na escola necessária na França... em 1970!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


(Boss, deves ter estranhado o uso do Professor e tal, mas nestas coisas e quando pego a analisar o teu trabalho não consigo evitar o respeitinho ; ))))))))))))))))))))))))))))))))))))) looooooooooooooooooooooooooooooooooool looooooooooooooool loooooooooooooooool

noiseformind disse...

Esta ideia de o orgasmo masculino ser culturalmente um output natural do sexo e o feminino uma arte, iluminada por KAmassutras e quejandos livros, é, quanto a mim, uma prova indelével do imenso atraso português a nível social ; ((((((

noiseformind disse...

Porém, a ponte que o Boss fez ao longo de todos estes anos faz sentido. Não se podendo tirar uma educação baseada em pressupostos românticos em relação ao sexo de uma mulher faz-se o uso desses pressupostos para garantir que a dor causada pela não prevalência do orgasmo é controlada ou, pelo menos mitigada. Nada seria pior do que dizer "o seu marido tem de a penetrar durante 1 hora a ritmos de 3 penetrações por segundo". A incoerêcia em relação à praxis do casal desta súbita reinvidicação da mulher seria o suficiente para acabar com qualquer ideia que ainda reste do mito do macho lusitano. Portanto, se não há cão, caça-se com gato. Um dilema diário para mim nestes 6 anos que levo de Tuga: fazer uma apologia do possível, permitindo assim ás pessoas "funcionar"? Ou uma apologia do natural, fazendo com que as relações fiquem sob o fogo de uma possibilidade não satisfeita da parte deles? Um dos dilemas mais íntimos de qq sex-psi português com um mínimo de leitura e conhecimento da situação de países como o Canadá, da Península Escandinava ou Alemanha...

E só por nunca ter escondido esta negociação nos seus escritos, o Boss já merecia 95% da admiração que tenho por ele ;..........) (sendo os outros 5% originados na forma como SEMPRE defendeu a francesinha portuense!!!! loooooooooooool)

CêTê disse...

Noise,
"tipo abre uma revista científica e lê que uma fulaninha, no laboratório não sei o quê, com o vibrador, teve vinte e sete... Mas que interessa isso?"

Bolas!!!! Interessa-me a mim.lol isso deve queimar caloriais e abrir-me o corpinho ao estrelato das passereles. (do Dove, mas pronto ;P)
Passa para cá o Modelo e a referência,pá!lol

Aspásia,
obrigadinha pela entreOlhos. ;]]]

CêTê disse...

Agora que releio a quadra... acho que a não percebi.

Ó professor... essa quadra é para a andorinha ou para o puto? LOOOOOL

Ameninadalua disse...

Cê Tê :))))))

Sua danadinha atrevida:))))

Então isso diz-se?

Só se pensa:)))

chato disse...

DROGAAAAAAAAAAAAAA:

Drug 'treats depression in hours'

Ketamine proved effective in under two hours
An anaesthetic can treat depression within hours, US research suggests.
The study involving 17 patients found ketamine - used as an anaesthetic but also taken as a recreational drug - relieved symptoms of depression.

Most existing treatments for depression take weeks or even months to relieve people's symptoms.

But the team, writing in Archives of General Psychiatry, said ketamine would need to be altered so it lost its existing hallucinatory side-effects.

This is the first report of any medication or other treatment that results in such a pronounced, rapid, prolonged response

Dr Thomas Insel, NIMH

Scientists from the National Institute of Mental Health (NIMH) injected 17 patients with either a very low dose of ketamine or a placebo of saline solution.

The participants were all depression sufferers who had tried an average of six treatments that had failed.

The researchers then measured their levels of depression minutes, hours and days after the dose was given.

Lead researcher Dr Carlos Zarate Junior, head of the mood and anxiety disorders programme at NIMH, said: "Within 110 minutes, half of the patients given ketamine showed a 50% decrease in symptoms."

By the end of day one, he added, 71% had responded to the drug. And at this point the team found 29% of these patients were nearly symptom free.

The researchers also discovered one dose lasted for at least a week in more than one-third of the participants.

Brain pathways

Dr Thomas Insel, director of NIMH, commented: "To my knowledge, this is the first report of any medication or other treatment that results in such a pronounced, rapid, prolonged response with a single dose.

"These were very treatment-resistant patients."

Many antidepressants target levels of brain chemicals, such as serotonin and dopamine, and, over time, the accumulation of these chemicals can affect a patient's mood. But this can take several weeks.

But the team believes ketamine is having a faster effect because it is targeting a different brain-protein, called the NMDA receptor, which is thought to play a critical role in learning and memory.

The team says ketamine, in its current form, would not be appropriate for medication because of side-effects at higher doses, which include hallucinations and euphoria.

Dr Zarate said: "This study is a tool to help us understand what part of ketamine is causing this effect so we can refine and develop better drugs.

"We are also looking at ways that we could use ketamine maybe in lower doses or with drugs that block its perceptual effects so we could perhaps use it clinically."

Professor John Henry, a clinical toxicologist at St Mary's Hospital in London, said: "This is a very interesting piece of work, very neatly done, with promising results.

"More studies need to be done to see if ketamine would work over a longer period given in repeated doses.

"The benefit of having a fast-working drug would mean people could return to work quickly, and it could reduce risk of self-harm or suicide that could happen during the time-lag that occurs with other drugs."



(from: news.bbc.co.uk)

chato disse...

Já não sei quem foi que num post anterior fazia aqui um comentário e perguntava ao professor: "Quando é que escreve um livro?"
LOLLLLLLLLLLLLLLL

thorazine disse...

Chato,
DROGA, LOUCURA, MORTE! Quem a consome devará ser severamente punido..

chato disse...

É pecado perante a "política da igreja católica" a toma da pílula, da pílula do dia seguinte, enfim, qualquer método anticonceptivo.
Como o Viagra é uma ajuda à procriação a igreja nada tem a obstar ao seu uso.
O Viagra está abençoado LOLLLLLLLL

andorinha disse...

Boa tarde.

Noise,
Li-te com muita atenção, como sempre:) e não sendo eu sex-psi, concordo em grande parte com o que dizes, sobretudo quando te referes aos dilemas que os psis enfrentam na sua prática diária.
Dizes tu: "Um dilema diário para mim nestes 6 anos que levo de Tuga: fazer uma apologia do possível, permitindo assim às pessoas "funcionar?" Ou uma apologia do natural..."
A primeira atitude será muito mais proveitosa e útil para quem vos procura. Que adianta dizer às pessoas que existem paraísos para elas impensáveis, deixando-as numa permanente insatisfação?
Cada caso é um caso e, portanto, se eventualmente as pessoas forem capazes de avançar patamar a patamar até atingirem o máximo de satisfação possível, óptimo. Isso tem que ser uma análise muito bem feita pelo psi perante as pessoas que tem à frente, penso eu de que....:)

"...a incomodidade do Boss em relação ao orgasmo feminino mantém-se..."
Não percebi, miúdo, baseias-te em quê?

Cêtê (11.46)

Já não te estou a achar piada nenhuma, pá!:))))))))))))))

Chato(1.52)
Faço o mesmo - Loooooooooooooooool

Klatuu o embuçado disse...

Não seja oblíquo... coloque a questão de um modo claro.

Liberdade e costumes... certo? Ou seja, até onde e até quando teremos que tolerar a corja imensa de pornófilos, de perversos e de gente vil e nojenta que confunde liberdade com tesão?
A tentação de censurar é - não dúvido - sempre um mau princípio... mas decerto pode-se legislar de um modo mais definidor... pode-se invocar um critério de qualidade, pode-se seleccionar, pode-se - por exemplo - em certos suportes web, como os blogs, restringir o tipo de conteúdos que se podem colocar on line, etc.
Infelizmente, é sabido, o desenvolvimento da internet foi pago à custa da pornografia e dos montes de merda mentecaptos das salas de chat de foda.

Digam o que quiserem... os grandes libertários-da-foda-em-pelota-de-parque-de-merendas-domingueiro!
O DIREITO AO COMBATE É TAMBÉM ESTRUTURANTE DE QUALQUER SOCIEDADE DEMOCRÁTICA!
EU NÃO VOS DOU O DIREITO A EXISTIREM.

P. S. O Pacheco continua quase lúcido, lá no lar, vê mal... mas mais longe que muita gente.

Klatuu o embuçado disse...

P. S. Que acha de lhe arranjar também um pequeno programa para agregar à caixa de comments?... é uma coisa selectiva, que mede o QI de quem pretende comentar...

Bajoulo disse...

EXCLUSIVO

O TSOR (Tribunal do Santo Ofício da RIAPA) teve no Líbano a investigar os incidentes em Qana e divulga agora o Relatório.

O Hezbollah chamou-lhe “"Operação Yassin" e o Hamas forneceu dois mártires para controlar as crianças.

Mais Informações no único sítio que conta sempre a verdade!

www.riapa.pt.to

chato disse...

Mulher não queiras sabida
nem com vício desusado,
que podes perder a vida
na estafa de dar ao rabo.

Mas será que o Pacheco não pode estar pachorrento quando lhe apetece?

CêTê disse...

Andorinha,
;P lol bolas, temia uma cagadela mesmo no meio do monitor. ;]]]]]]

(aquilo dos 37 deve ser como a história do porco)

Su disse...

gostei de ler....a sua entrevista
jocas maradas de tempo

Aspásia disse...

Para quem ainda ouve rádio...
está a dar Nina Simone na Antena 2...

Aspásia disse...

Quem não tenha rádio, pode ouvir pela internet, site da A2... mas está quase a acabar...

noiseformind disse...

Aspásia...
Infelizmente os melhores albums dela são dificílimos de arranjar em CD... mas haja esperança :(((((((((((

thorazine disse...

Gracias! ;))

A remix contida no "Miami Vice" está muito má! Pelo menos eu não gosto.. :(((

thorazine disse...

Este server é mesmo rápido. 448 kb/s !!!

thorazine disse...

Têm a musica do thomas crow affair! :)))))))

Maria disse...

É incrível como uma simples quadra do velho Luiz Pacheco provoca 53 comentários, a maior parte deles não tendo nada a ver directamente com a quadra...
Ai como ele se vai divertir quando eu lhe mostrar isto(se é que ele não conhece já...)
Quanto ao blogue: esperei por ele tanto tempo qque até me esqueci...
Continuação de bom trabalho, professor.

Klatuu o embuçado disse...

Mostrar isto? JAJAJAJAJA!!! O Pacheco quer lá saber da merda da internet!... e já não vê um palmo à frente do nariz! Queixa-se do preço das garrafas de água... e ainda consegue adivinhar uma gaja boa pelo cheiro!
Não será o caso...

thorazine disse...

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