sexta-feira, agosto 18, 2006

Se não foi golpe publicitário..., pareceu!

Lech Walesa furioso com Gunter Grass
2006/08/18 | 16:21
Antigo presidente polaco recusa partilhar título de cidadão honorário de Gdansk com o escritor, que disse ter pertencido às SS nazis


O antigo presidente polaco Lech Walesa ameaçou esta sexta-feira renunciar ao título de cidadão honorário de Gdansk para não partilhar a distinção com o escritor alemão Gunter Grass, que confessou há uma semana ter pertencido às SS nazis, tendo ingressado em 1945, com 17 anos.

«É preciso que esta situação seja esclarecida. Sem essas explicações, eu próprio renunciarei à cidadania e não poderei ficar na companhia do senhor Grass», disse Walesa à cadeia de televisão privada TVN24.

«Será difícil cumprimentar um homem das SS que contribuiu para morte do meu pai e de outras pessoas, e para a destruição de Gdansk. Foi aqui que a guerra começou», em 1939, acrescentou.

Gunter Grass nasceu em 1927 em Gdansk, uma cidade que na altura se cham ava Dantzig e era maioritariamente habitada por alemães. Segundo Lech Walesa, o escritor alemão, galardoado em 1999 com o Prémio Nobel da Literatura, «não teria recebido o título de cidadão honorário de Gdansk se o seu passado nas SS fosse conhecido». «Foi a outro Grass que demos o título», disse.

Segundo a Lusa, o antigo presidente polaco e Nobel da Paz acusou Gunter Grass de «querer fazer publicidade» em torno da sua autobiografia, «Ao Descascar a Cebola», cuja primeira edição, lançada quarta-feira passada, esgotou em apenas um dia. «Ele queria vender o seu livro e vê-se que vendeu bem, porque já está a ser preparada uma segunda edição», afirmou.

«Posso compreender as confissões de um ponto de vista cristão. É preciso compreender as pessoas, ajudá-las. Mas se as pessoas querem fazer publicidade, não quero participar nisso», acrescentou.

45 comentários:

AQUILES disse...

O sr. Gunter Grass era um miúdo quando foi para as SS. E foi iludido pelos tempos de então. Nenhuma novidade nisto. A novidade está em que o confessou, se é que isto é uma confissão. O problema está mal colocado. O problema que existe são aqueles todos que não confessaram ter pertencido a qualquer coisa, quer na Alemanha, quer em Portugal, na própria Polónia, na URSS, na França, na Itália, nos EUA, na Espanha e etc. O actual Papa também pertenceu lá a essas coisas na sua juventude na Alemanha, e o católico Walesa não abriu o bico.
O que me choca é a hipocrisia.

AQUILES disse...

Há pouco tempo falou-se muito aqui, neste blog, sobre o massacre dos soviéticos sobre oficiais polacas. Lá na Polónia, incluindo o sr Walesa, a bem de um bom entendimento e boa vizinhança, nunca se escandalizaram, como era devido à memória das vitimas e da verdade da história, pelo que ainda hoje se aguarda pela justiça da verdade.

AQUILES disse...

O que me irrita é a hipócrisia.

thorazine disse...

aquiles,
completamente de acordo. Toda a gente já fez coisas que não se orgulha (umas mais graves que outras), mas o que é importante é a ideologia presente. E o Sr. Grass (hehe) já se redimiu na literatura..ao contrário de muitos, como tu dizes.

Lembro-me do enviado da RTP na Russia (o nome não me ocorre) de admitir que era fascinado pelo comunismo Russo e de o defender acérrimamente em tempos. Mas com a mesma sinceridade dizer que na altura era jovem e estava "iludido"...

AQUILES disse...

Seria o Carlos Fino?

thorazine disse...

Não. É um senhor de barbas negras, que têm um pronuncia de trás-os-montes misturada com a russa. Já tive a tentar lembrar-me e a ver na net...mas o nome não aparece. Se me lembrar posto aqui.. ;)

AQUILES disse...

Claro que isto só me faz lembrar aquela rapaziada que de 1960 até 1980 era toda esquerdalha e, quando eu me distraí, foram todos para à direita. Hoje estão todos bem anafados e instalados na vida, tendo mandado a coerência às urtigas, e nunca o vão admitir. Venderam a alma e o país para enriquecerem, provando que a dignidade e os restantes valores andam muito arredados das áreas dos membros da política em Portugal. Não sei se se lembram, neste país de memória curta que o Barroso era MRPP, entre outros notáveis de hoje.
Tudo isto me enoja.

AQUILES disse...

Já sei quem é. Vou-me lembrar do nome.

AQUILES disse...

Thora
Não é, por acaso, o José Milhazes?
http://blogs.publico.pt/darussia/

thorazine disse...

É esse mesmo! :)))))))))
Obrigado pelo link do blog, desconhecia.. ;))

thorazine disse...

E agora as barbas já não estão tão negras quanto isso..hehehe

thorazine disse...

Aquiles,
e o pessoal do MES (que o meu pai tb fez parte) que virou todo à direita.

Já há a velha frase dizia, penso que do Sir Robert Anton Wilson, "um liberal torna-se conservador em 20 anos sem mover um única ideia". :)))

AQUILES disse...

Thora
bela frase.
Mas até fico com a impressão que esquerda é uma utopia juvenil, e os que se mantiveram na esquerda não passam de adultos infantilizdos, ingénuos, perdidos no espaço, que sobrevivem agarrados a quimeras.
Eu não me considero nem de esquerda nem de direita, pois não quero alinhar com hipocrisias de ambos os sectores. Mas tenho assistido as histórias brilhantes.
Por exemplo, no mundo do trabalho, sempre vi os sindicalistas mais acérrimos e virulentos, virarem os maiores déspotas, quando sobem na hierarquia, e actuarem ao contrário de tudo o que defendiam. Conheço o caso de uma empresa, que não a minha, em que um delegado sindical, membro da CGTPe do PS, construiu um ACT bom. Depois subiu, impulsionado vertiginosamente na vertical da empresa. Hoje desmonta o ACT que ele construiu. Isto é uma história muito comprida, mas é verdadeira. Tem o antigo 5ºano e colecciona pós-graduações (vendidas por universidades michurucas), e é tratado pelo sr. DR..
Enfim, teias que o império tece.

AQUILES disse...

Thora
E aquela malta que adere a partidos só para colher vantagens, sem terem convicções nem valores?
Que, aliás, são quase todos.
Ontem o José António Barreiros publicou um post num blog seu, e que eu citei na íntegra, que mostra o contraste entre ter convicções, mesmo que não se concorde, com a falta delas.

chato disse...

Quem é que não pertenceu a não sei o quê que tenha existido e depois mudou, por vezes nem uma nem duas mas mais vezes.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e a vela do barco tem de estar sempre ao sabor do vento caso contrário o barco fica parado.
Não existem ideais nem ideias; existem momentos e eles são vividos consoante as necessidades; o ser humano tem dentro de si o géne da sobrevivência e tudo fará para "subir" na vida.
Quem não o faz não quer dizer que não é humano, quem não o faz é sobrehumano; só um Homem de limpa mente e carácter sublime se mostrará ao mundo apenas duma só forma: um só caminho ao longo da sua vida. Foram poucos os que trilharam um só caminho não na defesa dos seus ideais ou das suas ideias mas apenas e só porque assim era a sua maneira de ser, a base primordial da ética é manter-se fiel a si mesmo. Casos desses existem muito poucos e talvez se contem pelos dedos das mãos. Todos os outros homens, mudam ao longo da sua vida, adestram-se e apetrecham-se com as suas melhores habilidades e as suas melhores armas e enfrentam o momento que vivem numa clara e social (ainda que possa ser obtusa) forma de sobreviver no meio que o rodeia.
Citam-se casos de mudança e sabemos que todos mudam e todos mudaram. Fomos assim e depois fomos assados e a seguir cozidos e se necessário, logo a seguir escalfados; não interessa; o que interessa é movermo-nos nas águas turbulentas da vida.
Se não remarmos mesmo contra a maré ou a favor dela, o barco não anda. E o barco tem de andar. A base ou a meta é a costa que é preciso alcançar. Avistar terra é o derradeiro grito do naúfrago mesmo que a seguir se afogue na tentativa de a alcançar.
Todos fizeram e cometeram erros. E, como teria dito Cristo: "que atire a primeira pedra quem nunca o tiver feito"
Ainda ontem, na Rtp Um, no comentário sobre o Marcelo, anos 5o por exemplo, aquelas crianças da mocidade portuguesa de braço estendido numa saudação fascista; que culpa têm eles, hoje homens de mais de 60 anos, por exemplo, que por lá tenham passado e feito aquilo? Quantos não mataram inocentes nas guerras e hoje batem com a mão no peito e são bons cristãos (já o eram, se calhar, apenas cumpriam uma missão)?
Quantos não foram de esquerda e hoje são de direita e vice-versa?
Como diria (e cito mais uma vez o Cristo) Jesus:- "Pedro: 3 vezes me negarás antes do cantar do galo".
E eu pergunto a todos vós:
E vós: quantas vezes negaram? (O que quer que seja)
Vivemos ao sabor das ondas e quem disser que não, mente.

De Mim disse...

Lamento não ler todos os vossos comentários... mas não quero deixar de meter a minha colherada.

Afinal quem é que nos dita o que devemos pensar quando somos miúdos?? E o que é que somos quando temos 17 anos?

Quem é o nazi nesta história? Herr Grass ou Mr. Walesa??

thorazine disse...
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thorazine disse...

Aquiles,
mas isso nota-se mesmo na nossa sociedade. As pessoas irão seguir o que lhes dará "mais conforto", não o que estará mais de acordo com as suas convicções. Mas eu que até acredito no Ser Humano, não posso generalizar e aplicar isso a todos. Acredito que muitos realmente mudaram e seguiram as suas novas convicções..

Chato,
acho que generalizas um pouco demais.
É verdade sim, que muita gente não segue o que realmente pensa e sim o que dá jeito. Mas há também muitas gente que apesar de ter mudado de ideais (e eles existem), não mudou a essência da pessoa que é, não é o camaleão da sociedade e realmente diz o que pensa. Muitos foram à guerra. Mas havia sempre a opção de saltar do navio em vez de ir matar gente inocente. Sempre houve (ou foi só apartir de 74?) a possibilidade de declarar o estatuto de objector consciência. Muitos não o fizeram, mas mesmo assim mataram pela "imposição", pelo valor patriótico que lhe fora incutido sem eles querem. Muitos mataram gente que não queriam matar, mas acredito que foi tudo "tão repentino" que valores mais altos falaram. Mas esses, que não queriam estar de arma na mão mas "teve de ser", acredito que estão arrependidos, que não se orgulham de o ter feito (pois, porque há sempre opções a fazer), e que hoje vivem para redimir-se os erros do passado.

O que não cresce, está morto. Esses tais senhores dotados que falas, que seguiram sempre o mesmo caminho, talvez pouco crescimento com pessoa tiveram, pois mesmo os grandes visionários sempre procuraram o "caos" para desenvolver as suas ideias. É indo meter o lá o nariz que se têm a experiência, agora..o importante é o que se faz com ela.. :))

Vi também a entrevista com a filha do Marcello Caetano e gostei de ouvi-la dizer que certas medidas que o pai tomou não foram certamente correctas, mas que o mais importante era aprender com o passado e seguir para a frente. E eu penso assim também, como diz A. Huxley num prefácio do Brave New World, "rebolar na lama não é a melhor forma de nos lavarmos"! ;)))

CêTê disse...

Não é por nada... mas acho que foi o Silva que postou isto.


tudo de bom

AQUILES disse...

Thora
Pelo que"dará mais conforto", lembro-me que antes do 25 de Abril multidões apoiavam entusiasticamente o regime. Logo a seguir ao 25 de Abril, OS MESMOS, apoiavam entusiasticamente o novo regime. Até se dizia que quem mais lucrou profissionalmente foram os alfaiates por virarem as casacas da malta.
Quanto ao pessoal que ia ao ultramar a conversa é mais dificil.
Muitos jovens, com 20 anos. A grande maioria ignorante política. Não estavam habilitados a pôr em causa. Só a sobrevivência os movia, inclusivé para a emigração. Só os jovens universitário, politicamente cultivados é que contestavam. E os exemplos são notórios. E são eles que vão ser os quadros do novo regime. E etc., etc., etc.

Pamina disse...

Boa noite.

Já tinha ouvido falar no caso quando da transmissão pela ZDF, no passado dia 11, do programa "O Quarteto Literário" (nessa sessão para falar de Brecht, devido aos 50 anos da sua morte). Nas notícias, imediatamente antes desse programa começar, o repórter tentou obter reacções de Marcel Reich-Ranicki e de Hellmuth Karasek, ambos membros do painel do programa e importantes críticos literários (no caso do primeiro, importante é favor). O Reich-Ranicki não quis comentar nessa altura, calculo que o tenha feito depois, e o Karasek disse que estava menos chocado pelo facto em si, pois tratava-se de um miúdo de apenas 17 anos e era necessário ver as coisas em perspectiva, do que por o Grass ter feito essa revelação agora. Estou de acordo com a posição do Karasek e consequentemente com o título do post.

Quanto ao Walesa, se disse, conforme refere o texto, que não estava disponível para participar em truques publicitários, acho bem. Relativamente a recusar ser cidadão honorário de Gdansk juntamente com o escritor, talvez esteja a ser um bocado fundamentalista. Por outro lado, não se devem minimizar as atrocidades cometidas pelas SS. São questões muito difíceis. Lembrei-me agora do que sucedeu na entrega do Oscar de homenagem a Elia Kazan. A maior parte da assistência aplaudiu de pé o realizador, mas, por ex., o Nick Nolte e o Ed Harris ficaram sentados em sinal de protesto. O comentador até disse que lhes tinha sido pedido para não assobiarem. Ouvi numa entrevista o Arthur Miller dizer uma vez que tinha uma certa dificuldade em condenar liminarmente o Kazan, pois, embora ele não se tivesse portado como um herói, a verdadeira culpa era da comissão McCarthy. Voltando ao post, talvez fosse mais "útil" por parte do Walesa não personalizar tanto as coisas e aproveitar a oportunidade para um repúdio das ideologias totalitárias, talvez organizando um congresso/debate, onde participasse o próprio Grass.

AQUILES disse...

Pamina
"Por outro lado, não se devem minimizar as atrocidades cometidas pelas SS."
Concordo. Das SS e de todas as outras organizações fascistas quer da Alemanha quer de todos os outros países, incluindo os "democratas".
As atrocidades que se vão fazendo constantemente, mesmo em nome da democracia, merecem todas o mesmo repúdio.

thorazine disse...

Não sei pamina. Não estou dentro do assunto, mas não sei se compensaria o benefício publicitário em troca de denunciar-mos num livro autobiográfico um passado de que não nos orgulhamos. Ou então o Sr. é falso e realmente orgulha-se. Mas não sou a favor disso.

Estava a falar com a minha namorada, e ela deu-me o exemplo do caso do pinocht em que a idade foi pretexto para não o julgarem (que eu discordo). Para mim não é a mesma coisa, o Sr. Grass era novo (apesar de aos 17 anos já sabermos o que é certo e errado) e toda a gente sabe que nem as SS sabia o que se estava concretamente a passar nem tinham conhecimento da "solução final". E como foi dito, quantos jovens da mocidade portugues estiveram na rua no 25 de Abril com convicção? Acredito que muitos..

thorazine disse...

Mas bem..não quero estar aqui a ser advogado do diabo. Quem matou deverá ser julgado!! Só acho que não se devem fazer julgamentos antes de apurar os factos..

thorazine disse...

Bem, pamina, aqui está mais um banda electrónica com ôutras influências: "Ojos de brujo". www.ojosdebrujo.com

Um dia destes posto aqui um albumzito deles! ;)

lobices disse...

...a "história" do "golpe publicitário" levanta-me a seguinte questão:
...imaginemos:
...imaginemos que eu vou lançar o meu livro e para ter êxito ou ser falado, fazendo um golpe publicitário, o que é que me daria mais "jeito", qual seria a opção a tomar?... por exemplo:
...dizer que pertenci à Pide
ou
...dizer que fui um lutador anti fascista na clandestinidade?
...
...o que o Grass fez, penso, se ele fosse eu nesta altura, foi dizer que tinha pertencido à Pide pois no actual nosso regime democrático dizer que tinha sido um lutador antifascista não me daria qualquer "visibilidade"
...de qualquer das formas, seria "estragar" toda a minha imagem de tantos anos de vida a coberto de uma "identidade" irreal
...o que o Grass fez, tenha sido ou não das SS, foi um acto de coragem ainda que seja, lá bem no fundo e na verdade um um melhores golpes publicitários para vender o livro
...
...por outro lado, penso que todos nós temos um deus e um diabo dentro de nós e todos nós temos os nossos armários e os nossos fantasmas, os nossos segredos, segredos esses que na maior parte das vezes e dos casos vão connosco para a eternidade
...a coragem de assumirmos aquilo que fomos ou somos ou desejamos ser é muito dificil de se ter
...abreijos

ali_se disse...

Júlio, o que é que vai fazer com tanto comentário? UM LIVRO?
um abraço e até sempre

fiury disse...

o mais preocupante é precisamente a falta de coragem em assumir durante estes anos todos. agora é tarde.
não se trata duma viragem à direita ou à esquerda. se foi uma participação tão inocente ou inconsciente porque só agora a confissão? porque a vergonha?
imagine-se o alvaro cunhal ou o saramago a dizerem:
“…sim, fiz parte da pide, da “secção” dos “maus-tratos” e tal, mas nunca espanquei ninguém e tal…”
é preocupante a falta de coragem e a falta de lealdade para com os alemães, a falta de coerência em aceitar um prémio nobel; são preocupantes as
eventuais motivações que levaram à confissão agora: medo do impacto quando se descobrisse posteriormente, vergonha…? e a avaliar pelo “estilo” do carácter, quiçá um golpe publicitário?...

angelic fruitcake disse...

é uma hipocrisia e uma falta de memoria tremenda...e com 17 anos já não se é nenhuma criança.ja se distingue muito bem as coisas.
tenho dito.não acrescento mais a carta para o selo não me ficar muito caro.
é um prazer passar por aqui.bom fim de semana para si e para todos que por aqui passam.

Mariazinha disse...

Nos anos 60 havia uma empresa chamada Sociedade de Recuperação de Navios. Quem fosse trabalhar para a dita empresa tinha que se inscrever na Legião Portuguesa.
Houve quem recusasse e tivesse que procurar nas obras o sustento para a família. Houve tambem aqueles para quem era mais um cartão...
Mas tambem não faz mal eram todos
trabalhadores que nunca chegaram a ser figuras de alto relevo no país.

noiseformind disse...

Bene, bene, bene...
E lá está, a nossa matriz judaico-cristã naquilo que ela tem de menos ecuménico. Pagar pelo que se foi, mesmo que tenha sido aos 17, mesmo que tenha sido por um ano, mesmo que haja toda uma vida de luta pelo respeito do Outro. Na Alemanha o episódio foi considerado menor, Entrevistas de uma ponta à outra do espectro informativo buscam apenas a informação, o Comité Nobel nem sequer pondera retirar o prémio ao Autor, nenhum político com peso na Alemanha foi além da crítica simples de Grass ter estado do lado errado da História e dos valores.
Em relação à possibilidade de truque publicitário não vejo como, Boss. Ele disse que tinha sido membro das SS, não esperou que as pessoas começassem a ler e descobrissem isso, o que levaria certamente a um disparar desenfreado na procura do livro quando as diversas pessoas que chegassem a essa parte o indicassem. Além disso em menos de 15 dias tudo foi posto a nu, como poderia ser posto a nu para milhares de alemães caso algum jornal alemão se desse ao trabalho ou quisesse investigar.
Em Portugal, pelas nossas aldeias, os antigos agentes da PIDE vivem tranquilamente as suas vidas, são pessoas respeitadas e não andam os jornalistas a investigá-los. Se de repente alguém no seu livro de memórias disser "eu fui da PIDE", preocupa-me muito mais saber que trajecto de vida a pessoa teve depois disso do que essa passagem.

Mas dizer isso aos semi-analfabetos universitários portugueses é um exercício que, por votado ao fracasso, peca por absurdo. Seria preciso que soubessem efectivamente o que eram as SS, as SA, seria preciso que conhecessem a estrutura de propaganda montada pelo regime nazi, ou a desumanidade dos bombardeamentos aliados, que ao mesmo tempo se recusaram a bombardear linhas de abastecimento para campos de concentração nazis, permitindo assim a chegada e aniquilação de pelo menos metade das vítimas, dado que estavam informados da localização e funcionamento destes campos desde 1942. Pq eu sei os actos heróicos cometidos pelos soldados alemães no fim da Guerra. Actos tanto mais heróicos como verdadeiramente suicidas devido a um conjunto de directivas totalmente irrealistas da parte do Ninho da Águia. E se Günter Grass serviu numa frente de combate tão dura e tão mortal como a da defesa anti-aérea por adolescentes das cidades, mais honroso e ao mesmo tempo patriótica foi a sua luta. Acho engraçado que se fale, mesmo ao nível da imprensa, que Grass pertencesse a uma unidade de elite. Nominalmente, dado que o tipo de treino que ele recebeu foi nulo. À muito que as SS tinham perdido o seu gume e as tropas que mantiveram fiéis ás ordens de Hitler foram esmagadas pelos Soviéticos. O próprio escritor referiu algo de muito importante, a forma como a extensão dos crimes nazis foi sendo exposta, especialmente através de Simon Wisenthal, numa Alemanha que procurava apagar a memória da Guerra e a memória da idelogia. A própria "desnazificação" foi um projecto abandonado ás mãos dos próprios alemães pelas forças aliadas quando perceberam que os traumas na sociedade alemã tinham quebrado qualquer espinha social-nacionalista. Muito provavelmente e segundo tudo o que tenho lido nos últimos anos, só nos anos 60 é que os alemães tiveram total conhecimento dos campos de extermínio. E Grass esteve sempre à frente no repúdio por essa faceta do nazismo. Mas para saber destas é preciso ler, é preciso conhecer os tons de cinzento. O preto e o branco são sempre doces mantas para os ignorantes...

Pega-se num contexto de guerra, num acto bárbaro perpetrado dentro de um regime e atira-se pedras a todos os pertencentes, como forma de exultar comunmente por não sermos assim. Como sabemos que não somos assim, perguntar-lhes-ia eu. Da mesma forma bovina como precisam de atirar pedras aos marcados pela História diriam infantilmente "pq não sou". E continuariam felizes da vida consigo mesmos... valha-nos Deus por existirem pessoas que continuam a dar-se ao trabalho de publicar textos para afastar todo este reducionismo ao preto e branco. Se lermos lado a lado "Stalinegrado" e "A Queda de Berlim", ambos por Antony Beevor, teremos uma distante noção do mundo onde Gunter Grass resolveu pegar em armas e juntar-se ás SS. E mesmo depois de ter feito isso não me sinto competente para lhe atirar uma pedra que seja...

Aspásia disse...
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Aspásia disse...

Olá
Concordo com o prof. e a maioria dos comentadores, nomeadamente a Pamina (chegaram bem?) e o Lobices.

Mariazinha

O meu pai também não foi admitido num emprego por recusar inscrever-se na Legião, isto nos anos 40. Foi admitido um medíocre em lugar dele.

Até logo

Klatuu o embuçado disse...

Essa história está muito mal contada... o Walesa não é um santinho... Eu não esqueço o seu conluio com o anterior Papa para que caíssem os malditos comunas antropófagos de criancinhas!
Günter Grass nasceu em 1927... no final da II Guerra Mundial aderiu às SS? Pois claro que sim... davam aos putos uma bicicleta e duas cargas de bazuca e mandavam-nos contra tanque soviéticos e aliados!! O puto Günter foi ferido em 1945, ou seja poucos meses depois de ter sido «alistado» e feito prisioneiro em Marienbad... não andou a matar judeus... e o seu contributo para o esforço de guerra e para o nazismo foi... ter feito gastar algumas munições ao inimigo!
O Walesa que se deixe de histerismos... a II Guerra Mundial acabou em 1945!

AQUILES disse...

Já aqui foi referida A Mocidade Portuguesa. JUlgo que toda a juventude que estudou no ensino secundário foi obrigada a frequentá-la. Eu fui. No 1º e 2º ano (1963-1965). Julgo que depois disso estava já em decadência, pois não fui mais obrigado a frequentar essa instituição. Devo dizer que não me orgulho nem me envergonho dessa participação. Aos dez e onze anos isso era-me completamente irrelevante. Para mim e para todos os outros, mesmo os que depois negaram ter por lá passado e condenam tudo e mais alguma coisa, sem saberem bem do que falam.
Mas há uma coisa que era a Liga dos Antigos Graduados da Mocidade Portuguesa. Que nem se compara com a Legião Portuguesa, essa arregimentação de maltrapilhos e esfomeados. A liga, essa deu muitos e generosos antifascistas depois do 25 de Abril. Mas antes do 25 de Abril .....
Teias que o império tece.

Klatuu o embuçado disse...

P. S. Além disso, o Günter é alemão! Filho da mãe... deveria ter nascido na Mongólia!!

Klatuu o embuçado disse...

P. P. S. «Caracóis do mar, nozes podres, etc»...
Bom, tou no ir... vou ali à Ribeira mamar um copo... para estes «heróis» gregos não tenho pachorra!!

AQUILES disse...

No primeiro comentário referi o Papa. Engraçado o silêncio dos comentários seguintes sobre o personagem.

Klatuu o embuçado disse...

... E malditos aliados!... até bombardeavam massivamente as cidades industrias da Germanólia... a luftwaffe não fazia nada disso... deixavam cair sobre as cidades europeias... hamburguers, balões coloridos e cadeiras de rodas para pobres judeus paralíticos!!

Klatuu o embuçado disse...

O mundo só será livre e justo quando os famintos paparem os Papas!

Klatuu o embuçado disse...

(Não é nenhuma alusão ao processo Casa Pia, juro por Nossa Senhora Imaculada!)

Klatuu o embuçado disse...

NOTA: Já me sinto melhorzito! A consulta é quanto? JAJAJAJAJA!!!
Porte-se mal! ;)

yulunga disse...

Boa noite maralhal.

Li o post assim meio na diagonal (expressão que nunca entendi bem o que quer dizer, mas julgo que seja não ler coisa nenhuma) e saltou-me isto à vista:

Segundo Lech Walesa, o escritor alemão, galardoado em 1999 com o Prémio Nobel da Literatura, «não teria recebido o título de cidadão honorário de Gdansk se o seu passado nas SS fosse conhecido».

Não sei bem o que tem o cu a ver com as calças. Ter sido das SS nada tem a ver com a facto de ter escrito um livro meritório de receber um Nobel da literatura.

Devia haver um Nobel para quem vasculha em mesquinhices sem interesse prático para o mundo.

Ameninadalua disse...

Olá boa noite a todos!

É curioso sentir que as respostas dadas ao post dão "uma no cravo e outra na ferradura":)

Ou seja, por um lado assume-se que há que ter cuidado com as pessoas a elogiar, estas devem estar acima de toda e qualquer suspeita mas por outro lado tambem se compreende que o zelo neste caso é um pouco extemporâneo...

Ter pertencido aos SS aos 17 anos, pode efectivamente não ser determinante para a desvalorização duma vida inteira; as boas ou as más decisões de sermos isto ou aquilo na vida passam tambem pelos contextos que fatalmente atravessamos e nos são impostos ao longo de toda a vida...

Parece-me que deve haver ojectividade; elogiemos no momento certo o que houver para elogiar mesmo que haja críticas em passados que por não terem continuidade não fazem já sentido ressuscitar...


Walesa tem o seu direito de não gostar de se sentir misturado com antigos SS desde que não faça disso chantagem para exigir algo dos outros.

Contudo parece-me que o risco da velha e triste cina do interesse pelo dinheiro talvez mais uma vez não esteja muito longe de tudo isto.

Klatuu o embuçado disse...

O Walesa é parvo. O Günter um génio.
Aos 17 há quem ache que foder com velhinhos em cadeira de rodas é um must!
Falem do que é importante e deixem-se de inquisições!
O Günter Grass não é nazi! Já leram alguma coisa do que escreveu??? Pelos vistos, não.