sábado, fevereiro 21, 2015

Ainda há gente a lembrá-la...

Maria Clara
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Maria da Conceição Ferreira Machado Vaz, filha de Guilherme Ferreira e de Sorgue Caetano Ferreira, nasceu a 5 de Outubro de 1923, na Travessa das Almas, freguesia da Lapa, em Lisboa. 
Em 1942, com 19 anos, já abrilhantava uma peça em cena no Grupo Dramático "Os Combatentes" de Campo de Ourique - onde era já famosa no ping-pong - deitando a casa abaixo com palmas sempre que interpretava as “suas” bonitas canções com uma voz da mais pura e cristalina água, por vezes a roçar o canto lírico.Pouco tempo depois, num concurso organizado pel'O Século, descobria-se que "Nasceu uma estrêla!" título d'O Século Ilustrado de 18 de Janeiro de 1943, a propósito do êxito sem precedentes alcançado pela jovem cantadeira na opereta "A Costureirinha da Sé", estreada no Porto em 8 desse mês e onde contracenava com António Vilar, Costinha e Luísa Durão, tendo estes últimos de lhe dar um empurrãozinho para ela conseguir entrar em cena...

Foi durante as sessões dessa opereta que Júlio Machado de Sousa Vaz, neto de Bernardino Machado e, na altura, quase professor catedrático, a conheceu e dela não mais se separou até que a morte o levou em 1999, com 90 anos. Embora o romance não tivesse sido muito fácil, pois, de início, Maria Clara respondia com bastante parcimónia aos convites do jovem professor universitário, casaram ainda esse ano, indo viver para a Rua Anselmo Braamcamp e, depois, para a Rua do Bolhão, no Porto, perto do famoso Mercado onde todas as vendedeiras sempre a trataram carinhosamente por Clarinha.

A 16 de Outubro de 1949, com 26 anos, foi a feliz mamã de um menino sensível e terno, que aos 10 ou 11 anos, muitas vezes a acompanhava aos espectáculos, escutando-a, embevecido, atrás dos bastidores. Que sempre foi ela a sua melhor amiga e conselheira até que a doença no-la roubou a todos, nunca fez segredo o seu filho Júlio Machado Vaz.

Maria Clara, além de ter actuado em numerosos espectáculos na rádio, em revistas e no teatro, gravou centenas de canções de variadíssimos géneros, entre fados, canções ligeiras, marchas, etc., entrando no coração de todos os que tiveram a felicidade de a escutar. Foi uma das “Rainhas da Rádio”. Do seu vasto reportório podemos destacar títulos como "Figueira da Foz", "Maria Severa", "Marcha do Outono", "Ó Zé Aperta o Laço", "Amor, Não Digas Não", "De Cá Para Lá", "Alfazema do Monte", "A Casa de Santo António", "Barca do Lago", "As Pedras Que Tu Pisas" ou “Canção de Tavira”.

No entanto, quando concorreu à Emissora Nacional, foi reprovada, talvez devido às ideias progressistas de seu marido, o qual tinha sempre o cuidado de a prevenir para não apertar a mão a certa gente... Infelizmente, Maria Clara não saberá nunca desta pequena homenagem. Aquando do falecimento do seu marido, querendo segui-lo e simultaneamente não deixar o seu filho e netos, o seu espírito partiu com o Dr. Júlio Vaz e deixou para trás o seu corpo entre o carinho dos seus.

Portal do Fado.


26 comentários:

António Barreto disse...

Quem a ouviu não a esquece!está tudo no texto; era muito querida pelos portugueses, pelas razões apontadas; uma voz sem igual, distinta, irrepetível e, sobretudo, com uma característica que eu muito prezo e descobri há muito pouco tempo ao ouvir cantores de Coimbra; a forma como pronunciava, dizia, cantava, o nosso idioma!, que é muito bonito ouvir quando é bem dito!, Né Ladeiras, João Afonso e especialmente Manuela Azevedo, são exemplos de hoje. Maria Clara ficou para sempre no coração do povo figueirense, de todas as gerações; os meus pais adoravam-na, era quase como se fosse da família apesar de fisicamente distante. Um grande abraço Dr. Júlio, como é óbvio, também herdou parte deste carinho que todos temos por sua mãe.

andorinha disse...



Haverá sempre, Júlio.
Um texto muito ternurento!

Beijinho:)

bea disse...

O reconhecimento tem tanto de necessário como de bonito. E faz bem ao coração dos filhos e de outra gente que a gostou e não sabe ou não pode escrever homenagens. Os meus pais também gostavam muito de a ouvir. Deve ser por essa associação que ontem e hoje a lembrei. E agora encontro-a aqui na casa que é sua e ainda bem.

Lune Fragmentos da noite com flores disse...

Maria Clara, sua mãe. Maria Clara que meus pais adoravam ouvir cantar.

Lá por casa ouviam-se os discos em vinyl. Uma voz melodiosa, cristalina, impecável dicção, como soía dizer meu pai.
Suponho que chegaram a ouvi-la ao vivo...

Saudade embevecida (e com razão) de um filho que guarda sagradamente sua mãe, na memória dos afectos imensos.

Recompensador saber que Maria Clara, sua mãe, continua a fazer parte da história da canção portuguesa. Muito merecido.

Unknown disse...

https://espectivas.wordpress.com/2014/12/10/o-murcon-e-a-violncia-domstica/

andorinha disse...



Como sou curiosa fui ler o link aqui deixado pela nossa querida e desconhecida Anfitrite:)))

Trata-se de lixo, de um texto escrito por alguém altamente ressabiado e invejoso. Só isso o "justifica".
Escreve uma série de mentiras, deturpa afirmações transcritas, enfim...um bom exemplo do que vai grassando por essa net ( e não só) fora.

A inveja é o unico sentimento em que o agressor gostaria de estar no lugar da vítima.

E o artigo não está assinado...como convém...
São assim os cobardes!




Fazemos mossa a muita gente, CARAGO! :)

João Pedro Barbosa disse...

Parabéns Também Ao Fotografo

bea disse...

Nunca vi o senhor professor com um ar tão aguerrido e espaventoso:)

andorinha disse...


Bea,

Loooooooooooooooooooooooool

Moon disse...

Vai haver sempre gente a recordá-la :)
É eterna.

Deixe O Seu Comentário disse...

O Terceiro Acabou A Meio O Segundo Só No Fim E O Primeiro Logo No Ínicio

João Pedro Barbosa disse...

Bea, vais ficar em casa ou dar uma volta?

João Pedro Barbosa disse...

Prefessor... Quantas Consultas Perdeu. A Ouvir! A Caixa De Musica?

João Pedro Barbosa disse...

Anfitrite? Tenho histórias para contar! Mas fica. Para depois...

Deixe O Seu Comentário disse...

Moon,

Queres Ver A Lapa Em Cima Ou A Lapa Em Baixo

Deixe O Seu Comentário disse...

Andorinha A Minha Fotografia Já Deve Estar A Fazer Separador

João Pedro Barbosa disse...

E O António Barreto Descalça A Mesa Com Duas Chaves

João Pedro Barbosa disse...

Lune Fragmentos da noite com flores porque impossível Vai ser trazer de volta.

João Pedro Barbosa disse...

Desconhecida Os Amigos Guardam-se Sempre Para A Última

João Pedro Barbosa disse...

Ímpio, ímpio, limpo.

João Pedro Barbosa disse...

"Notícia Do Século"

https://news.google.pt/

andorinha disse...


Jota Pê:)


A tua fotografia está onde sempre esteve. Na parede.

Não é meu hábito desfazer-me de presentes de amigos passe o tempo que passar...

João Pedro Barbosa disse...

Desde que no verão me passou uma andorinha a cortar o ar em alto mar perdia a esperança.

João Pedro Barbosa disse...

O Que Eu Queria Dizer?

João Pedro Barbosa disse...

HTML

João Pedro Barbosa disse...

https://www.youtube.com/watch?v=dF123l8f6Oo