quinta-feira, fevereiro 05, 2015

... back home. Boa noite, gente.

19 comentários:

andorinha disse...



A ouvir...:)


Boa noite para si também.

See you tomorrow:)

bea disse...

...e bom fim de semana:)

rainbow disse...


Professor

Porque não trazer para aqui o texto de Camus?

andorinha disse...


Rainbow,


Acabei agora mesmo de ler o texto de Camus.
Porque não o trazes tu, cachopa?
Sabes que este espaço é do Júlio e nosso e para ele as partilhas são pacíficas. Nunca o vi aqui resmungar com nada...))))

Vai lá buscar, vá lá.
Eu ia, mas como a ideia foi tua não faz sentido.

Beijinhos e inté...:)

rainbow disse...


Ok Andorinha, beijinhos et voilà!


A Busca da Felicidade ou do Sofrimento
O homem recusa o mundo tal como ele é, sem aceitar o eximir-se a esse mesmo mundo. Efectivamente os homens gostam do mundo e, na sua imensa maioria, não querem abandoná-lo. Longe de quererem esquecê-lo, sofrem, sempre, pelo contrário, por não poderem possuí-lo suficientemente, estranhos cidadãos do mundo que são, exilados na sua própria pátria. Excepto nos momentos fulgurantes da plenitude, toda a realidade é para eles imperfeita. Os seus actos escapam-lhes noutros actos; voltam a julgá-los assumindo feições inesperadas; fogem, como a água de Tântalo, para um estuário ainda desconhecido. Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria. Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre.
Neste ponto nasce essa desgraçada inveja que tantos homens sentem da vida dos outros. Apercebendo-se exteriormente dessas existências, emprestam-lhes uma coerência e uma unidade que elas não podem ter, na verdade, mas que ao observador parecem evidentes. Este não vê mais que a linha mais elevada dessas vidas, sem adquirir consciência do pormenor que as vai minando. Então fazemos arte sobre essas existências. Romanceamo-las de maneira elementar. Cada um, nesse sentido, procura fazer da sua vida uma obra de arte. Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade.

Albert Camus, in "O Homem Revoltado".

andorinha disse...

:)))

Bom reler aqui.
Li Camus há muitos anos, estou a precisar de reler.
Tanto que tenho para ler!...

Nem o sofrimento nem a felicidade fazem sentido. Porque são efémeros? O que faz sentido, então? A morte porque é eterna?

"Conhecer o estuário, dominar o curso do rio, possuir enfim a vida como destino, eis a sua verdadeira nostalgia, no ponto mais fechado da sua pátria."

Muito belo todo o texto, mas este excerto, então...

"Mas essa visão que, ao menos no conhecimento, finalmente os reconciliaria consigo próprios, não pode surgir; se tal acontecer, será nesse momento fugitivo que é a morte; tudo nela termina. Para se ser uma vez no mundo, é preciso deixar de ser para sempre."


Dá para ler, reler, pensar e repensar. Quem sabe amanhã volto?
E falta aqui a nossa "filósofa", a Bea.

Beijinho e até amanhã:)


Anfitrite disse...

http://pplware.sapo.pt/informacao/10-fotos-dos-seus-filhos-que-nao-deve-publicar-na-internet/

andorinha disse...



Bom dia:)

Está sol, vou aproveitar.
Preciso depois de ter estado de quarentena com gripe.


Deixem-se de tretas...e aproveitem o domingo:)

Impio Blasfemo disse...

Ufa, que rico Sol!
Já que de Camus se fala, e se fala da Grécia e muitas e rebuscadas balelas são proferidas por toutinegras de mau agoiro, velhas e relhas austuritárias, que mais não sabem dizer:- Isto vais-lhe correr mal.


"Quando o Homem Quer
Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim. Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. Agora sei, aliás, que embora conquistadores falem algumas vezes de vencer e de exceder, o que eles querem sempre dizer é «excederem-se». Suponho que sabem o que isto quer dizer. Em certos momentos, todos os homens se sentem iguais a um deus. É assim, pelo menos, que se diz. Mas isto vem do facto de eles terem sentido, num instante, a espantosa grandeza do espírito humano. Os conquistadores são somente aqueles homens que sentem a sua força, o bastante para terem a certeza de viver constantemente nessas alturas e na plena consciência dessa grandeza. É uma questão de aritmética, de mais ou de menos. Os conquistadores são os que podem mais. Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer. É por isso que eles nunca deixam o crisol humano, mergulhando no mais ardente da alma das revoluções.

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"


Saravá IMPIO

rainbow disse...


Faz hoje 25 anos que fui mãe.
Querem mais sofrimento e felicidade que um parto?:)

Sei que há muito mais, em variadíssimos contextos, mas hoje não me apetece filosofar sobre o texto de Camus.
Está um lindo dia de sol aqui em Portugal e também nas Englands.

Bom domingo
Abraços para todos

Impio Blasfemo disse...

Rainbow

A 19 dez 2014 fez 40 anos que fui pai.Não sofri as dores do parto mas chorei de felicidade. Quando mo puseram frágil, no meus braços, um ser minúsculo, quase sem peso. Hoje, enfim hoje, já lá vão 40 anos, o tempo passa depressa de mais e ás vezes, inexplicavelmente (porque os adultos de 40 anos não se sentam ao colo dos pais) ainda sinto vontade de o sentar no meu colo e de lhe afagar os cabelos, como fazia quando ele era miúdo.O tempo passa depressa,passa depressa demais...enfim...é a vida.

Abraço
IMPIO

andorinha disse...


Rainbow,


Parabéns, mamã:)))))


Impio,

É lindo o que escreveste!


Beijos aos dois. Gosto-vos:)

rainbow disse...


Oh!!!!
Tão lindo o que escreveu, Ímpio!:)
É verdade que o tempo passa depressa...
Abraço.

Andorinha voadora
Just to say that i like you too very much, sweet friend:)





Julio Machado Vaz disse...

Ímpio,

O meu mais velho também tem 40:). Abraço.

andorinha disse...



Belhotes...))))

Não tu, miga. Os men...lol

bea disse...

Não falto nada, andorinha. Só me atrasei:)

Pois não li essa obra de Camus- se é que é um livro. Mas gosto dele, sim.
Quanto ao sentido do sofrimento ou da felicidade, talvez ele queira dizer que cada um deles faz sentido enquanto existe. Mas há sofrimentos tão pungentes que me pergunto se terão sentido. A felicidade, se existe, é tão breve que me surge assim como um aprazível descanso (pronto, tá bem, já lhe estou a dar um sentido). Sendo verdade que o sofrimento forma e deforma; pelo menos nada depois dele é igual para quem o viveu ou presenciou.

A razão tem esta mania de sentido. Que se há-de fazer?!

bea disse...

Parabéns aos papás e à mamã. Ter filhos com 25 e 40 anos é um acto de glória.

Ora bolas, hoje esteve um frio terrível e vocês só falam do solinho. Isso é que é ser optimista. Positivo.

E acho que estamos todos de parabéns, pronto. Porque sim. E porque aguentamos este arzinho de lâmina quase sem pestanejar.

Boa noite, pessoal

andorinha disse...


Bom ver-te por aqui, Beazita:)

Se aí está um frio terrível, imagina aqui no berço...está um ar gélidooooooooooo


Estamos de parabéns? Se tu o dizes...

Boa noite e boa semana

bea disse...

Estamos. Só por nos apetecer comemorar nada:)
Brindo com um chá bem quentinho: ao murcon. Longa vida a todos que o animam.