quarta-feira, junho 20, 2007

Há dores psicológicas não tratáveis e pedidos que não resultam delas...

20% dos oncologistas com pedidos de eutanásia
MANUEL MORENO / afp

Cuidados paliativos poderiam reduzir o número de pedidos de suicídio assistido e eutanásia


Virgínia Alves

A legalização da eutanásia em Portugal é defendida por 39% dos médicos oncologistas , mas apenas 23,8% admitiram praticar esse acto se a legislação o permitisse. Dados obtidos através de um inquérito anónimo a estes profissionais da saúde, a que se acrescenta o facto de 20% já terem recebido pedidos para a prática da eutanásia e apenas 5% para o suicídio assistido. No entanto, poucos (apenas 11%) estariam disponíveis a praticar a eutanásia a pedido de outra pessoa.

"Resultados surpreendentes e preocupantes, porque demonstram alguma inversão do que a ética médica determina", afirmou ontem o director do Serviço de Bioética da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ontem durante a apresentação do estudo levado a cabo por Ferraz Gonçalves, pioneiro dos cuidados paliativos no país.

Os dados deste estudo, obtido junto dos profissionais de saúde que lidam diariamente com doentes terminais, estão sujeitos a várias interpretações, como referiram os dois responsáveis, sublinhando no entanto, que se deve abrir o debate à sociedade, porque não se conhece a sua opinião.

Para Rui Nunes, os médicos "podem ter mudado de opinião, ou esta é uma forma de demonstrar o seu descontentamento face à evolução da sociedade".

Isto é, acrescentou, "vários estudos indicam que a maioria que solicita estes actos não o faz pela dor física, mas por uma dor psicológica tratável". Logo, sublinhou, "há que alterar o Serviço Nacional de Saúde e dotá-lo de uma verdadeira rede de cuidados paliativos".

Ferraz Gonçalves salientou que "alguns dos pedidos feitos pelos doentes poderiam ser evitados, desde que existissem cuidados paliativos e não o abandono de doentes terminais".

Quanto à diferença que existe entre os médicos favoráveis à legalização e os que praticariam a eutanásia ou o suicídio assistido, não foi dada uma explicação clara, apenas foram apresentadas algumas especulações.

"Uma razão pode estar relacionada com o código deontológico (que agora vai ser alterado) que não permite e até pune tais actos, como a Interrupção Voluntária da Gravidez . A outra razão pode ser uma questão de princípio - a finalidade da medicina não é tirar vidas, em caso de legalização outros a podiam fazer".


"Sempre se praticou a eutanásia em privado"

"Defendo que se deve legislar rigorosamente sobre a matéria, o que implica a monitorização das situações onde o médico assistente pode fazer, o que se chama de morte assistida. Um exemplo recente disso, foi em Espanha, uma mulher presa a uma cama há mais de 15 anos que pedia para morrer e o que os médicos fizeram foi desligar as máquinas que lhe garantiam a sobrevivência. Chamaram morte assistida, mas foi eutanásia.

A eutanásia só pode ser feita com a permissão do paciente, vontade que exprimiu de forma consciente e congruente com a realidade médica, porque se trata de um acto médico, de conferir dignidade à morte, evitando o sofrimento inútil e vazio, com controlo rigoroso. Nesse contexto, sou claramente a favor da eutanásia, que sempre se praticou em privado".


"Não se pode permitir a banalização deste actos"

"Sou contra por várias razões. Primeira, por uma questão de princípio, a vida humana não é um bem disponível. Por outro lado, está provado que em 99% dos casos das pessoas que pedem a eutanásia não estão em condições para o fazer do ponto de vista ético. Isto é, a generalidade dos doentes com cancro acabam por desenvolver uma doença afectiva, que é tratável. Os 20 mil casos de cancro anuais certamente têm pensamentos suicidas, mas a solução não passa pela eutanásia, mas sim pelo tratamento.

Depois, há também a questão ética. Uma coisa é avaliar um acto concreto, outra é legalizar uma política que tem consequências. Não se pode permitir a banalização destes actos, como aconteceu na Holanda. Corre-se o risco de se estender essa liberdade a crianças e a pessoas inconscientes, incapazes de decidirem por si. Neste caso, permite-se que alguém decida pela vida ou pela morte de uma outra pessoa".

47 comentários:

noiseformind disse...

Eu bem dizia que se havia notícia que te havia de tirar da modorra estival era esta...

noiseformind disse...

Mas engraçado. Se os 60% a nível oficial tiveram imensa repercussão já os 40% n tiveram voz nenhuma a dar-lhe corpo. Um pouco como esses médicos que se recusam a fazer abortos no público enquanto que as clínicas privadas estão inundadas de currículos de candidatos...

noiseformind disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Xelim disse...

Já agora a agressividade ética é um comportamento em que as minorias éticas tendem ou são forçadas a serem ignoradas. E acresce ainda o péssimo hábito da bipolarização.

thorazine disse...

Há algum mecanismo eficaz para dissociar a decisão tomada de forma consciênte da decisão tomada devido à depressão/desânimo (tratável!) que normalmente uma doença prolongada traz por arrasto?

E por exemplo no caso de uma doença do foro psiquiátrico, por exemplo depressão crónica, em que já não há mais abordagens possíveis e a pessoa decide morrer pois não aguenta viver mais naquela situação? Eu acredito que uma doença psíquica tem tanto peso como uma física..

Eu sou a favor da legalização da eutanásia mas tenho dúvidas em relação a algumas situações. Esta semana no 60 minutos passou o caso do Dr. Jack Kevorkian, conhecido pelo Dr.Morte, que esteve preso 8 anos por auxiliar pessoas a morrer.

CêTê disse...

Boa Noite,
Espero que a mudança esteja para breve. Não tinha a menor graça que a minha última viagem fosse para poder morrer com dignidade longe do meu cantinho.

Um médico pode não poder dar aos seus pacientes uma vida digna mas devia poder garantir uma morte tranquila.

Acho que a próposito deste assunto já comentei o conteúdo de uma reportagem feita por um inflitrado que relatava horrores sobre a prática clandestina de eutanásia numa série de países- horrores certamente equivalentes ao dos abortos e das operações antes das anestesias.


abraços

certadaduvida disse...

No decurso de 1 doença oncológica,"morre-se" antes de cada exame clinico e "ressuscita-se" se o veredicto é satisfatório depois.É viver no fio da navalha,é a fixação na janela de guilhotina que às vezes está enigmaticamente
entreaberta(como o copo meio cheio ou meio vazio).Ás vezes apetece morrer na praia,outras vezes nem sabemos mais o que é 1 praia...Pior que o desmoronamento da trincheira do corpo,é o néon da exaustão mental...

CêTê disse...

Apesar de não haver uma razão oncológica o filme "Million Dollar Baby - Sonhos Vencidos" toca também na ferida!

certadadúvida, descreve bem.

Tenho esperança que os diagnósticos sejam cada vez mais fiáveis e precoces (genéticos, sobretudo) e os tratamentos mais personalizados e efectivos, num futuro próximo.
E por isso vale sempre a pena ir à beira-mar... sem ser para morrer!;]

Fora-de-Lei disse...

É muito fácil ser-se a favor da eutanásia (por exemplo, eu sou). Difícil é praticá-la ou dar autorização para a sua execução.

AQUILES disse...

Fora-da-lei

Em cheio. Dilema, dilema. E resolvê-lo? O politicamente correcto (que eu abomino)tende a ver tudo fácil. Mas a moral e a ética, por um lado a individual e por outro a profissional, implicam muitas questões e reflexões.

irneh disse...

Hoje, o tema toca-me profundamente. Acompanhei, há 29 anos, o meu pai, vítima de esclerose lateral amiotrófica, numa morte violentíssima.Tinha apenas 47 anos.
Há dois anos, vi o meu marido, de 55 anos, "morrer" no dia em que soube que tinha cancro do estômago (adenocarcinoma gástrico misto -mucinoso e mucocelular). Foi operado e viveu apenas seis meses. A sua morte, apesar da morfina, do tramal... foi mais do que violenta. Acompanhei-o sempre. Passei por vários hospitais e tive o "privilégio" de poder dar-lhe a mão durante todo o dia e, em alguns casos, durante toda a noite. Era o melhor dos cuidados paliativos que lhe podiam dar. Para conseguir "dormir" no Hospital junto a ele, tive de mover montanhas.
Em relação aos cuidados de que estes doentes precisam, posso dizer que há muitíssimo a fazer e ainda acrescento que, se o médico não tiver consciência (e, por vezes, não tem!), só os doentes que exigem ou cujas famílias fazem valer os seus direitos têm uma morte mais digna. E não falo de eutanásia. Falo de apoio, medicamentoso ou outro. Na minha opinião, baseada também em duas experiências dolorosas, que me marcarão para a vida inteira, não há muitos doentes que consigam afirmar, a 100%, que querem morrer. Um dia, o desespero, a dor psicológica resultante da falta de esperança, da falta de carinho, da falta de humanização dos serviços, pode levá-los a querer morrer. Mas, basta outro dia com mais sol e calor humano para, pelo menos, hesitarem. Nem o meu pai, nem o meu marido pediram para morrer. Pelo contrário, apesar do sofrimento extremo, tanto um como outro queriam viver ainda hoje...
Desculpem a extensão do meu comentário.

Tangerina disse...

Este é um tema tão, mas tão delicado que, se eu vinha com intenções de o comentar, senti-me demovida por ler o testemunho de irneh...
Acredito que, de facto, ninguém queira morrer. Acredito também que a vida se possa tornar insuportável. Não sei, não sei... Desculpem a divagação, não acrescento mais nada.

Um abraço na irneh, é o que me ocorre dizer:)

andorinha disse...

Boa noite.

É um tema melindroso, mas sou a favor da legalização da eutanásia, como sempre tenho dito.
As pessoas têm todo o direito a uma morte digna.

"A eutanásia só pode ser feita com a permissão do paciente, vontade que exprimiu de forma consciente e congruente com a realidade médica, porque se trata de um acto médico, de conferir dignidade à morte, evitando o sofrimento inútil e vazio, com controlo rigoroso."

Já não sei quem referiu isto no texto, mas não acrescento mais nada, porque é exactamente o que penso.

Migmaia disse...

Boa noite,

A experiência aqui partilhada pela irneh é um Exemplo de coragem e de resignação. Mais do que nos preocuparmos com a legalização da eutanásia, seria importante contribuirmos activamente para os cuidados paliativos.
Haverá sempre quem tenha vontade de morrer. Mas acredito que, quantos mais tiverem disponíveis para dar uma mão, menos serão os que peçam para o fazer.

JFR disse...

Tenho dificuldade em aceitar a generalização da eutanásia. Julgo que o desejo de morte, poderá ser em muitos casos, efeméro, momentâneo. Mesmo para aqueles que muito sofrem. E, como situação de que não há retorno, só em casos, muito, muito extremos é que me inclino para a sua aceitação. Sem falar nos interesses obscuros que poderão usar a eutanásia para a sua satisfação. Económicos, entre outros.

Quanto à questão de "morte digna" já aqui o disse, em tempos: a vida e a memória que deixamos dela, pode ser ou não digna, mas a morte? Eu prefiro classificá-la como boa ou má. Justa ou injusta. Com ou sem sofrimento. Serena ou violenta. E, enfim, muitas outras classificações existirão. Mas digna? Francamente, não é o adjectivo que se me afigure mais adequado para a morte.

irneh:

A sua experìência é um dos tipos de razões para as minhas dúvidas.

Mãe&Advogada disse...

Para mim,

a melhor forma de lutar contra a morte-a-pedido ( como, contra o aborto, contra a toxicodependência, a violência doméstica... ) é

dando às Pessoas mais e melhores condições para optar pela Vida ! pela sua, e pela dos outros !

As opções pela morte, pela droga, pela violência, são formas de evasão - fugas para a frente (?)
formas de "enganar" o sofrimento insuportável !

Querer parar de sofrer, "pagando" com a própria vida !

Querer morrer para parar de sofrer, não é querer a morte !

É não ter alternativa ! é escolher o atalho, quando a estrada que nos leva ao cais, é tão certa, como longa e... torturante !

A tortura prolongada, provocada por doença incurável, é um mal que só podemos tolerar que aconteça, quando mais nada o puder evitar, prevenir, atenuar, e só, quando, e enquanto, um doente esteja disposto a sofrê-la !

Fora disso, não deixa de ser uma agressão intolerável, "cometida" por omissão de condutas tendentes a fazer cessar o sofrimento horroroso e, a meu ver, gratuito, de um Ser Humano,irrecuperavelmente, condenado, fragilizado e indefeso !

Lutar por uma Cultura-de-Vida, passará, necessariamente, por lutar contra a doença, de todas as formas que conhecemos; por lutar contra a dor, de todas as formas que conhecemos; por investir na investigação, e apostar tudo o que temos e que - ainda - não temos, numa educação para a Vida;

mas passará também, por saber respeitar sempre, e em último termo,

a auto-determinação de quem, percorrendo já os corredores da morte, decide pôr fim a um futuro certo, de tortura implacável,

que a vida já não paga ! que a esperança já não paga ! que o amor já não paga !

e que só quem, por eles passa
antes de partir, pode saber,

até quando (?)

vale a pena continuar a adiar o fim daquele sofrimento !

Sirk disse...

É um assunto delicado do qual não sou capaz de me pronunciar. Todavia, o que me parece mais preocupante é o facto da amostra, deste estudo, ser constituida por oncologistas, precisamente os médicos que lidam com doentes terminais.
Então mas a preocupação destes profissionais não deveria centrar-se em prestar um serviço mais eficaz e mais humano ao invés de desistirem?

A Menina da Lua disse...

Bom dia

Professor

Espero que tenha tido umas boas e presenteiras férias:)

JFR

"Tenho dificuldade em aceitar a generalização da eutanásia. Julgo que o desejo de morte, poderá ser em muitos casos, efeméro, momentâneo. Mesmo para aqueles que muito sofrem."

Irneh

" Um dia, o desespero, a dor psicológica resultante da falta de esperança, da falta de carinho, da falta de humanização dos serviços, pode levá-los a querer morrer. Mas, basta outro dia com mais sol e calor humano para, pelo menos, hesitarem. Nem o meu pai, nem o meu marido pediram para morrer. Pelo contrário, apesar do sofrimento extremo, tanto um como outro queriam viver ainda hoje...



Tambem vejo a questão muito por estas duas abordagens; tomar medidas que possam levar à generalização é para mim difícil de aceitar. Contudo reconheço que possam existir situações de tal forma convictas por parte da vontade do doente que as evidências tornem possível fazer sentido uma solução de Eutanásia. Digamos que esta seria o limite último da própria liberdade individual.

Penso igualmente que é muito difícil legislar uma questão destas porque as pessoas em causa, tanto os doentes como os médicos, são de realidades completamente diferentes e diferenciadas; e as margens de dúvidas, de incertezas e de resistências podem ser colocadas sempre tanto aos doentes como aos próprios médicos que executam a Eutanásia...

Sirk disse...

O testemunho da Irneh não deixa margem para qualquer dúvida.

Nenhum doente com cancro deseja morrer, deseja é acabar com o sofrimento, e isso é possível. Todavia, no nosso país parece que há uma percentagem de médicos que se preocupa pouco com este ponto: evitar o sofrimento físico aos doentes terminais de cancro.

Apostar nos cuidados paliativos deveria ser a preocupação dos que lidam com estes problemas.

CD disse...

The memories of a man in his old age
Are the deeds of a man in his prime.
You shuffle in gloom of the sickroom
And talk to yourself as you die.

And who is the master of fox hounds?
And who says the hunt has begun?
And who calls the tune in the courtroom?
And who beats the funeral drum?

-Yeah the good ole Floyd

CD disse...

The memories of a man in his old age
Are the deeds of a man in his prime.
You shuffle in gloom of the sickroom
And talk to yourself as you die.

And who is the master of fox hounds?
And who says the hunt has begun?
And who calls the tune in the courtroom?
And who beats the funeral drum?

-Yeah the good ole Floyd

Manuel da Gaita disse...

Ainda bem que chegou porque o rebanho ameaçava ficar tresmalhado, e inclusivamente houve sugestões de colocação de anedotas porcas nos comentários.
Assim, e no exercício da sua autoridade, deve zelar pelo bom comportamento dos seus seguidores.

Quanto à Eutanásia, não tenho opinião formada, e só a tive de praticar no Lord, um cachorro Labrador. Curiosamente, o cachorro não pediu para ser liquidado por uma injecção letal, portanto, não posso falar de eutanásia, mas talvez, de um acto piadoso.

Já agora, uma questão que me anda a inquietar o neurónio: afinal as italianas são boazonas ou não?

Manuel da Gaita disse...

piadoso porque foi praticado numa pia.

No Sábado vou até à sua terra, portanto tenho que tratar da papelada, do passaporte, e por acaso esqueci-me de perguntar se exigem visto para entrar na Murconlândia.
Brincadeira... também nasci no Norte.... entre o carago de Matozinhos e o carago de Vila do Conde

andorinha disse...

Boa tarde.

Claro que testemunhos como o da Irneh não deixam ninguém indiferente.
Mas não olhemos só para os doentes com cancro em fase terminal. Claro que se deve apostar em cuidados paliativos que aliviem ao máximo o sofrimento físico e psicológico desses doentes.
Mas há outros casos. Pessoas por vezes até muito jovens que vítimas de acidentes ficam para todo o sempre amarradas a uma cama dependentes de tudo e de todos; pessoas com doenças neurodegenerativas sem hipótese de cura e que se apercebem da sua degradação diária...em todos estes casos as pessoas devem ter o direito de decidir se querem continuar a viver assim.
Como já aqui foi dito inúmeras vezes, estar "vivo" é diferente de ter uma vida.
Essas pessoas têm uma vida?
Esgotados todos os recursos, devem
ter o direito de decidir quando querem partir.

Penso que tal como em relação ao aborto, mais tarde ou mais cedo, a eutanásia acabará por ser legalizada.
E não colhe o argumento de que quem é a favor da eutanásia defende uma cultura de morte, argumento muito utilizado aquando da discussão sobre a IVG; defende-se, apenas, a dignidade do ser humano até no momento da sua morte.

andorinha disse...

Manuel,
"Já agora, uma questão que me anda a inquietar o neurónio: afinal as italianas são boazonas ou não?"

Vais a Itália e comprovas por ti próprio. É a melhor maneira de tirares as dúvidas:)))

Hugo Silva disse...

Caro blogueiro(a)

O meu nome é Hugo Neves da Silva, mestrando em Ciências da Comunicação, variante, Comunicação, Organização e Novas Tecnologias, na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, pólo de Lisboa, e autor do blogue // lisbonlab //, disponível em http://blog.lisbonlab.com/.

No âmbito do Mestrado, estou a elaborar a minha dissertação final sobre blogues e o seu impacto na Web em Portugal, pelo que gostaria de contar com a sua colaboração para a realização deste estudo através do preenchimento do seguinte questionário:
https://www.surveymonkey.com/s.aspx?sm=8ZM5q5shr_2fRzecOkaWuqKw_3d_3d Este link está associado ao seu blogue, pelo que agradeço que não reencaminhe esta mensagem.

Em caso de alguma dúvida ou sugestão, não hesite em contactar-me para hugo.silva@lisbonlab.com.

Agradeço o preenchimento do questionário até dia 15 Julho, data em que darei por terminada a recolha de dados.

Obrigado pela sua participação.

Hugo Neves da Silva
hugo.silva@lisbonlab.com

Manuel da Gaita disse...

Ó Andorinha, o Red Bull anda-te a dar asas.
Tu pensas que tenho dinheiro para ir para Itália ver gajas? tenho 3 criancinhas romenas a venderem para mim mas o negócio vai mau, e as pobres já foram assaltadas 2 vezes.

Só perguntei aquilo ao professor Júlio porque acho que o Bom Pastor é aquele que dá respostas ao seu rebanho.

Manuel da Gaita disse...

Caro Hugo Silva:
Não sei, não respondo.... e até me estou a marimbar para o impacto dos blogs na web em Portugal.

Xelim disse...

será que um xelim apenas poderá ter impacto...

um xelim apenas!

Sirk disse...

Tens razão, Andorinha, não devemos olhar apenas para os doentes de cancro, mas, este estudo baseou-se, somente, na opinião de médicos desta especialidade.
E por este motivo, apetece-me logo questionar a representatividade da amostra.

"O estudo foi feito pelo médico Ferraz Gonçalves, ligado aos cuidados paliativos em Portugal, no âmbito da tese de mestrado "A boa morte: Ética no fim da vida", que defendeu com sucesso quarta-feira na FMUP. Ferraz Gonçalves enviou inquéritos a 500 médicos oncologistas portugueses, tendo recebido cerca de 200 respostas, 39 por cento das quais favoráveis à legalização da eutanásia...

Mas, mudemos de assunto...

Eu acho os italianos interessantes e giros e com bom aspecto e tal... e vós, o que achais?

=:>

thorazine disse...

Andava a pesquisar sobre crimes informáticos e encontrei isto no site da Pj:

"ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS - PEDOFILIA

O art. 172º do Código Penal pune com prisão até três anos quem exibir, ceder a qualquer título ou por qualquer meio, fotogafias, filmes ou gravações pornográficas de menores de 14 anos.

Este artigo abrange a posse, a mera troca e a afixação de imagens desta natureza nos IRC's e nos Newsgroups. A venda destas imagens constitui uma agravante da pena de prisão de seis meses a cinco anos."

Três anos??? Se repararem logo abaixo é punido com o mesmo tempo quem fizer um cópia ilegal de software! :|

http://www.policiajudiciaria.pt/htm/noticias/criminalidade_informatica.htm#giria

thorazine disse...

Aliás!! Se quisernos bloquear um sistema através spam podemos apanhar 5 anos de choldra!!! Bahh..

------
Voltando ao tema,
Só a palavra diz tudo: Eutanásia vem de eu,boa + thanatos,morte! ;))

Dinâmica eros/thanatos! :D

AQUILES disse...

É muito interessante poder-se ler dois comentários muito bons, como o foram o da irneh e de Mãe & Advogada.

Su disse...

sou a favor da eutanásia.....

......basta.....


jocas maradas de opções

Manuel da Gaita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel da Gaita disse...

Quando eu tiver uma filha, vai-se chamar Eutanásia Caxemira... Tátá para os amigos.
Se for um filho irá chamar-se Belarmino Nicolau para ganha a Volta a Portugal em bicicleta.

Os comentadores deste blog ainda são mais doidos que eu! E reflectem na perfeição a cândida decadência da civilização ocidental, onde o reflectir sobre o que somos é mais mais importante que ser. A relativa dimensão de saber porque é que se está, é mais importante do que estar. Carago, já estou a filosofar

E por essas razões, qualquer dia até na masturbação tereis ejeculações precoces! Ó Prof Júlio, não disse nada que ofendesse, pois não?

Estou aqui há mais de uma semana e o "opinion maker Júlio" ainda não me esclareceu se as italianas eram boazonas ou não. Isso é que é o mais importante.

Cleopatra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Xelim disse...

gostei desta parte

«...uma vida digana, pela certeza de que os dias que aí vêem...»

Xelim disse...

acho que hoje vou morrer... eu vou morrer, eu vou morrer... sem cuidados paliativos... faço de conta que a Angelina Jolie me está a cortar o pescoço... hummmmm... ahnnnnnnnnn.... hummmmmmmmm.... ahnnnnnnnnnn

...assim até sabe bem!

irneh disse...

É lamentável como algumas pessoas conseguem brincar com um assunto tão sério. Certamente que, no dia em que forem eles a estar presos numa cama de hospital ou que lá virem uma pessoa que amem, mudarão de ideias. E aí, perdem tdoa a graça que julgam que têm...

Sirk disse...

"...no dia em que forem eles a estar presos numa cama de hospital ou que lá virem uma pessoa que amem, mudarão de ideias..."

Não tenha a menor dúvida, Irneh.
Foi com muito respeito que li o seu testemunho. Cheguei a emocionar-me. Acredito que não foi fácil para si partilhar conosco a sua dor.
Mas é importante, é mesmo muito importante que o faça.

Manuel da Gaita disse...

Irene:
Não sei porque te conto isto, mas este ano não tem sido fácil para mim, com a morte de pessoas familiares, bons amigos, e outras pessoas que não as conhecia muito bem, mas que por forças das circunstâncias tive que ir ao funeral. Em cinco meses fui a 11 funerais.

No dia 1 de Janeiro, completamente ressacado, acordei às 8 da manhã com o telefonema desgraçado telefonema anunciando aquilo que estava previsto há mais de 15 dias antecipado por 6 meses de perfeita agonia.

Dada a proximidade familiar, fui eu que tive de tratar de tudo. Desde reconhecimentos presenciais até assinar a papelada.

Brincar com a vida, brincar com a morte. Porque não? Faz parte da natureza humana. E essa pessoa que desapareceu, era o primeiro a brincar nos momentos em que tinha condições para isso.

O Senhor Doutor, era assim que ele era conhecido por toda a gente, era bem humorado e lembro-me de uma colega magistrado lhe telefonar e terem a seguinte conversa:

- Senhor Doutor, gostava de o ir visitar esta semana mas não vou estar em Coimbra.
- Não se preocupe amigo. Há tempo porque a doença é prolongada!
Lembro-me também das sessões de quimioterapia, da amizade e da bricadeira com os colegas do quarto, cada um gozando das maleitas dos outros, e também, da solidariedade entre todos aqueles que tinham embarcado naquela viagem da desgraça.

Nesses seis meses e meio aprendi que até em momentos em que a esperança é uma palavra vã, podemos fazer humor com isso.

Irene, na minha opinião, não deves desvalorizar quem brinca com um assunto. Muitas das vezes, fazendo humor relaxa-se e olha, até pode ser positivo.

Algumas vezes, mais vale estar agarrado a uma cama num hospital que a uma ideia ou a um preconceito.
Quanto à eutanásia, cada caso é um caso e generalizar. Na minha opinião, não existe um conceito geral de eutanásia, mas uma eutanásia para cada caso. Todas as eutanásias são diferentes pelos mais diversos factores.

Olha, e já que estamos a falar de oncologia: Para quando a autorização de administração de drogas leves em doentes com cancro? Alivia muito o sofrimento.

irneh disse...

Olha, Manuel da Gaita, não sou Irene, mas podia ser, e isso é irrelevante. Mas imagino que seja a mim que te diriges. Também não sei por que motivo te vou responder, dado que isto não é propriamente um forum...
Também gosto muito de brincar e, apesar de poderes achar que desvalorizo quem brinca com o assunto, estás enganado. Pode-se e deve-se brincar com as nossas próprias desgraças, mas, na minha perspectiva, há brincar e brincar. Se estivéssemos numa conversa sobre o assunto, pessoalmente, e brincasses, haveria todo um conjunto de factores, todo um contexto, que permitiria entender o ponto de vista que agora explanaste. E eu acho que compreenderia. Mas não é o caso.
O assunto é sério, muito polémico e deixa margens para grandes erros de decisão. Todos sabemos que cada caso é um caso e nisso concordo que cada eutanásia é uma eutanásia. Mas, vejamos: um doente em estado muito grave, mesmo que pareça lúcido, estará no pleno uso das suas faculdades, estará psicologicamente em condições de decidir a sua morte? O que eu quis mostrar com o meu testemunho é que vivi semanas dentro de um hospital, de dia e de noite, com muitos doentes terminais e não vi um pedir para morrer. Posso ainda acrescentar que o meu marido, a quem nunca fizeram quimioterapia (diziam que o benefício era muito inferior ao sofrimento) sempre sofreu por não a fazer. Ele queria ter tentado mais essa hipótese. Acrescento ainda: o meu marido esteve a morfina nos últimos dias. E teve as dores aliviadas na medida do possível. Mas sabes uma coisa? Também muitos desgraçados, daqueles que nem são Srs. Doutoures nem têm lá quem reivindique por eles, contorcerem-se com dores. É que, meu caro Manuel,somos todos iguais, só que uns são mais do que outros.
Sobre este assunto, escreveria sem parar, porque sofri "lá dentro".
E, sim, faltam cuidados nos hospitais, de todo o tipo, sobretudo paliativos. E também há uma política economicista em relação ao uso de certos medicamentos ("Não podemos investir milhares de euros em doentes que não têm hipótese... os recursos têm de ser aplicados com critério" - ouvi eu na tv, pela boca de um médico, nessa altura...)
E só para terminar, uma pergunta: achas mesmo que não se pratica eutanásia nos nossos hospitais? Por exemplo, por abandono, porque "já não há nada a fazer?" Eu tenho muitaaaaaaaaas dúvidas.
Peço desculpa por me alongar.

O prof deve achar uma graça a esta invasão de espaço! Ainda por cima nem sequer sou italiana...

Stormy Mind disse...

Professor Júlio Machado Vaz,

Sou leitor há algum tempo deste seu blog e, dada a sua qualidade e a importância dos assuntos aqui discutidos, sobretudo na zona dos comentários, venho por esta forma (uma vez que não encontrei o seu contacto de e-mail no blog) informá-lo que este faz parte da minha selecção para as 7 Maravilhas da Blogoesfera. Se quiser saber um pouco mais sobre esta eleição, convido-o a visitar este meu post. Sinta-se à vontade para divulgar e aderir a este evento, se assim o entender. A organizadora do 7 Maravilhas da Blogoesfera com certeza que agradece. E a eleição só fica a ganhar com a participação de um grande número de pessoas.

Os melhores cumprimentos.

Manuel da Gaita disse...

Cara Irene (gosto de te tratar assim):
Eu não sei se pratica a eutanásia ou não nos hospitais, mas o abandono do doente à sua sorte não é eutanásia: é má prática e falta de deontologia profissional, e quando denunciada, deve ser punida!

Nos casos em que já não reside esperança, há que aliviar a dor a todo o custo.

Quanto ao economicismo nos hospitais, e já agora, deixa-me dizer-te que tenho alguma propriedade para falar no assunto, a poupança não se obtém recusando apoio e meios aos doentes.
Infelizmente os nossos hospitais estão cheios de más práticas de gestão e logistica que causam transtornos enormes à economia nacional:
Quantas pessoas já sãs estão contrariadas num hospital à espera de receberem alta?
Porque é que marcam as consultas de dezenas de trabalhadores para a mesma hora? APanham seca e deixam de produzir.
Quantas dezenas de milhões de euros foram gastos em equipamento que nunca foi utilizado?

irneh disse...

Concordo com o que dizes... Mas que há doentes abandonados à sua sorte, há, de certeza.(O que achas que é desligar o soro e mandar para casa um doente que não comia nada, nem conseguia receber alimentação via sonda gástrica porque já nada passava pela sonda, ainda que eu fizesse toda a força que tenho? E que achas que se sente,quando perguntas "E agora, o que faço?" e te respondem "Vai para casa e espera que o fim aconteça!")
Que se tenta "economizar" e essa economia resulta em prejuízo do doente, também é verdade. Se é má gestão, nem duvido. Se é falta de humanização dos serviços, também não duvido. E também é incompetência, desinteresse, desorganização, etc. Claro que há honrosas excepções e encontrei também algumas, a quem ficarei eternamente grata.
E serás só tu e eu que vemos esses problemas? Explica-me lá por que motivo é que toda a gente parece ver o que está mal, excepto quem decide?
Olha, eu costumo dizer: todos aqueles que vão trabalhar em saúde, desde o simples segurança até ao médico, deviam ter um estágio prático - deviam ser doentes graves por uma semana, passando por todos os serviços, como ANÒNIMOS, para aprenderem a ver os doentes e as suas famílias com outros olhos. Depois que tudo voltasse à normalidade, porque não desejo que ninguém adoeça. Veríamos tantas mudanças! Alguns ficariam irreconhecíveis!!!

SOBE E DESCE disse...

Passei duas vezes pelo horror de assistir a sofrimento de entes que me eram muito queridos e pedi ao médico que os terminasse. Ele não me atendeu. Pedi a Deus ardentemente que os levasse nessa noite Deus fez-me a minha vontade e atendeu o pedido deles.
Sou pela ajuda a morrer sem sofrimento e com dignidade. Só quem nunca esteve perto pode querer que aqueles de quem gostamos sofram horrores.
Sou pela eutanásia. Sou pelo amor.