domingo, junho 09, 2013

A chuva já foi ontem:).


16 comentários:

andorinha disse...

Lembro-me de trautear esta canção quase diariamente na minha adolescência...
Santo Deus! Há que tempos que isso foi!:)

Estas canções são para nos lembrar, para o caso de andarmos distraídos, do inexorável passar do tempo?:)))

Fique bem, também:)

Fragmentos Culturais disse...

Uma verdadeira 'peregrinação' musical... nestas suas últimas publicações :-)

Fique bem!

perhaps disse...

Guten Morgan:)

AQUILES disse...

Bom feriado a todos. E uma pergunta. Fernando Ruas, a ser condecorado hoje, é o mesmo que disse, há uns tempos atrás, que corressem à pedrada os guardas florestais?

andorinha disse...


E hoje continua...:)

andorinha disse...

Os Professores

(Valter Hugo Mãe)


Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.
A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.
Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.

andorinha disse...

Continuação

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesses crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.
Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.
Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.
Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.
Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.
As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

Autobiografia Imaginária | Valter Hugo Mãe | JL Jornal de Letras, Artes e Ideias | Ano XXII | Nº 1095 | 19 de Setembro de 2012

AQUILES disse...

Começam-se a levantar outras questões. Os entendimentos andam turvos.

Maria Virgínia disse...

''ai, Portugal, Portugal... enquanto ficares à espera, ninguém te pode ajudar.''

João Pedro Barbosa disse...

-Perdi completamente o fio à meada.

João Pedro Barbosa disse...

Se não fosse o feriado! Hoje tinha feito mais coisas:(.

João Pedro Barbosa disse...

Um bom fim de tarde que amanhã é terça.

Andorinha.

Deixei resposta algures por "Aì"!

Impio Blasfemo disse...

A propósito de chuva

Chove em Portugal e o Gaspar não está por cá. Chove, mas respira-se melhor!
http://jornaldofundinho.blogspot.pt/2013/06/anthimio-de-azevedo-diz-que-culpa-da.html
“Anthímio de Azevedo diz que a culpa da chuva é de Vítor Gaspar
Em reação às declarações de Vítor Gaspar, segundo as quais a culpa da queda do investimento nacional é da chuva, Anthímio de Azevedo garante que a culpa da chuva é do ministro das Finanças. «Nos últimos dois anos, temos tido um Governo que, basicamente, a única coisa que tem para dizer aos portugueses é: Vai ver se chove. E pronto, agora é o que se vê», justificou o conhecido meteorologista, em exclusivo para o Jornal do Fundinho.
Azevedo explicou ainda que «as condições meteorológicas foram adversamente influenciadas pelo investimento verificado no primeiro trimestre do ano». Questionado sobre como conseguia ele sustentar com factos tal afirmação, o ex-apresentador de televisão foi taxativo: «Porque é que não vão perguntar ao Gaspar como é que ele consegue sustentar o contrário?»
Vítor Gaspar, por seu lado, pretende, promover uma dança do sol, já no início da próxima semana, para melhorar as perspetivas nacionais de crescimento económico. Será, de acordo com diversos especialistas, a mais racional medida por si tomada desde a posse. Cavaco Silva já terá, ao que se sabe, oferecido a sua ajuda para contactar Nossa Senhora de Fátima, com quem a sua mulher tem boa relação e que é conhecida por operar milagres no campo da atividade do sol.
A forte pluviosidade usada como argumento pelo ministro das Finanças pode, entretanto, ter causado mais uma brecha no Governo. É que há governantes do PSD que garantem que ela resulta das orações feitas por Assunção Cristas para que chovesse, chegando mesmo alguns sociais-democratas a sugerir que esta foi uma estratégia de Paulo Portas para se pôr ao fresco assim que coisa começasse a aquecer. No entanto, o próprio Pedro Passos Coelho já afirmou que não quer chover no molhado e pediu aos membros do Executivo para não fazerem uma tempestade num copo de água.


IMPIO

andorinha disse...

Impio,

Loooooooool

Bem esgalhado...:)

bea disse...

É muito bonito e verdadeiro o que Valter Hugo mãe escreveu acerca dos professores. Gostei.

andorinha disse...

Bea,

:)