terça-feira, dezembro 17, 2013

O alívio.

Como os de minha Mãe. Abraçada a meu Pai sobre a lareira. Ambos me sorriem, ela tem flores na mão. Chegou de viagem e os seus homens esperavam-na. Por cima está o quadro favorito dele, um dos netos falou-me e disse - "estou na igreja do quadro do Avô". Outra vez fê-lo da sociedade recreativa lisboeta em que ela começou a cantar. Os meus netos conhecem-lhe as melodias e o horror dele a toda a música que não tivesse a sua impressão digital. As memórias estão vivas e são contadas. Dou um passo atrás e miro a lenda familiar - está pronta. Logo, eu também.

16 comentários:

andorinha disse...


Já o ouvi dizer, sempre com esse seu pessimismo atroz:), que não sabia se conseguiria ser a ponte entre as gerações Machado Vaz. Se estaria à altura do legado que lhe foi deixado.
Isso está feito, conseguido, entendo o alívio. Nem entendia a dúvida...:))))))

Está pronto? Pode estar, mas tem ainda muita coisa para viver, para partilhar, para ensinar...

Seguir em frente é o caminho:)

Beijinho

andorinha disse...

Ainda voltei...

Júlio, o orgulho, mais que legítimo, por tudo o que conseguiu na vida, nas mais diversas esferas, não pode servir de álibi para um simples refastelar no sofá...
Isso só lá para os 85:))))

I'll keep an eye on you!:) lol

Fique bem.

Impio Blasfemo disse...

Um falar desorganizado, ou o meu desconforto
Falar sobre quê?
Na vida há que fazer opções. Uns falam de si , outros falam dos outros e outros falam dos seus arquétipos. Tudo está bem, tudo tem o seu mercado, como agora se diz. Ainda este fim de semana, um grande amigo meu me mostrou um livro que fez sobre a memória do seu pai, um dos poucos neo-realistas que a nossa literatura contempla. Contou-me o trabalhão de investigação que teve ao esmiuçar a vida do pai; tudo resumido com crónicas, fotografias e fotocopias de escritos em cerca de mais de 100 páginas. Dedicou a sua vida a publicitar a obra literária do pai e tudo o que recebe de direitos de autor reinveste na divulgação dessa obra. Inequivocamente que tem o seu elevado mérito, pois podia ter metido ao bolso os dinheiros dos direitos de autor do pai, dado ser filho único sobrevivo.
Neste mesmo momento que escrevo estas linhas vinha a entrar em casa e deparei com um sem abrigo a vasculhar o caixote do lixo colocado à minha porta. Largava as piores imprecações sobre a inutilidade de tantos sacos de lixo e de tão pouco de comer neles; dizia frases como “que merda de lixo é este……”. Puxei da carteira e dei-lhe uma nota. Ele agradeceu , sem mostrar a cara, meteu a nota ao bolso e seguiu, provavelmente para o caixote seguinte. E nós no murcon, falamos de lua, sexo e rock and roll.
Pois falemos.

Saravá
IMPIO

João Pedro Barbosa disse...

Andorinha? As minhas desculpas! Ainda deves estar no registo da Casa dos Segredos. O que te vale. É saberes um pouco mais da vida! Mas isso seria bom noutra época? És muito moderna. Fechas os horizontes do passado! Porque insistes em voar nas palavras? Sei que não vais responder! Tenho o comentário anterior. A fazer a passagem? Respeito a forma de escrita. Mas é um pouco infantilizada! E prontos?

O legado ou as lendas costumam pertencer a um colectivo? Quantas vezes ele era interrompido! Porque a história não era exactamente assim. E passava a palavra? Para ter que a retomar! Se ela o tinha como de boa memória.

Como? As nossas histórias nos acompanham desde que recuamos no tempo! Desprendidos de laços familiares ou memórias do antigamente.

E assim aprecio a leitura? Passo a musica! E recordo os amigos que por aqui nunca se lembraram do que realmente não é virtual. Talvez um registo diferente? Mas nunca estive na ilusão de amizades! Excepto nos jantares em que consigo sentir algum reflexo. Tudo o que me resta? É poder escrever alguma coisa! E ler lembranças...

Julio Machado Vaz disse...

Ímpio,
Não nos fustiguemos demasiado... Podemos falar do que quisermos sem remorsos se durante a vida - e o próprio dia! - não nos limitámos a discutir o sexo dos anjos. A Andorinha puxa-me as orelhas pelo meu pessimismo e nem eu olho para trás e me vejo como um contemplativo:))). To everything..., turn, turn, turn...

Impio Blasfemo disse...

Prof JMV
O que escrevi foi um desabafo partilhado; um reparo a mim próprio. Entrar em casa e ver aquela situação de alguém que anda à procura de comer no lixo dos caixotes foi como levar uma estalada de todo o tamanho antes de por o pijama para dormir no fofo da cama.
Desabafei, e admito que o fiz de forma desajeitada. As minhas desculpas a quem o meu desabafo feriu. Aquele acto de eu lavar a consciência ao dar uma nota ao homem para ir comer alguma coisa, foi um acto instintivo. Mas tudo aquilo me deu volta à cabeça. Tinha ouvido falar que há pessoas que andam à procura de comida nos caixotes do lixo, mas nunca tinha sido confrontado com isso à porta da minha casa; fez-me doer a alma.
Novamente as minhas desculpas pelo desabafo. De facto pouco adianta fustigarmo-nos.

Abraço
Impio

João Pedro Barbosa disse...

Estamos cansados. É natural! Mais uma corrida mais uma viagem?

andorinha disse...

João Pedro,


"És muito moderna. Fechas os horizontes do passado! Porque insistes em voar nas palavras? Sei que não vais responder!"

Vou responder, sim. Enganaste-te, vês?
Não fecho os horizontes do passado e nem entendo o que ser ou não moderna tenha a ver com isso.
Para mim as pessoas não são descartáveis, muito menos os amigos.
Fomos amigos, podíamos continuar a sê-lo. Gosto de ti.
Mas não gosto de conversar sobre isto por aqui, já sabes.
Eu ligo-te e falamos,ok?:)


Impio,

Não tens que pedir desculpas. Foi um desabafo a quente perante uma situação que tinhas acabado de viver.
Se não sentisses nada é que seria preocupante!
Assim, apenas mostraste um pouco da tua alma, que é grande.
Mas como diz o Júlio, não nos fustiguemos demasiado. Vivamos com os nossos valores, não esquecendo os outros, mas seguindo em frente. Não adianta pararmos de viver.

Abração

Julio Machado Vaz disse...

Ímpio,

Também já vi:(. E senhoras na caixa do supermercado sem saberem de que desistir para diminuir a conta... Abraço amigo, Júlio.

João Pedro Barbosa disse...

Bea? Se você cá estivesse! Abençoada chuva.

andorinha disse...


Vergonhosa a intervenção de Crato no Telejornal.
A lata desta gente que se acha cheia de razão é infinita.
Para onde caminha este desgraçado país?
Quando tempo precisaremos nós para voltarmos a ter alguma estabilidade e progresso, quando tudo, mas mesmo tudo está a ser destruído?
Sinto-me mal aqui...:(

Impio Blasfemo disse...

Andorinha

Releio o Barranco de Cegos. o capítulo X tem por título "Um homem tem duas sombras" Isto deve-se a uma fala da personagem do Joaquim Taranta, o anão, que diz o seguinte "Um homem tem duas sombras, uma do Anjo da Guarda e outra do Demónio. Moram as duas na mesma alma e ambas saem de lá, mas sempre separadas. Um homem nunca consegue adivinhar qual a sombra que o vai seguir em cada minuto da sua vida. As estrelas são um mistério, o homem um outro mistério ...".

O Crato anda a ser perseguido pela sua sombra do Demónio, e mesmo avisado, ainda não se convenceu disso. Enfim, há pessoas que acreditam pouco no que os outros lhe dizem, enfim, direi talvez, espíritos demasiado obstinadas, espíritos sem dúvidas, espíritos que não olham para o desenho da sombra. Ou será que o Diabo anda por aí disfarçado?

Abraço
IMPIO

andorinha disse...


Impio,

É isso, Blasfemo:)
Não é o Diabo disfarçado. É o Crato mesmo. A outra sombra já o deixou há muito.

Abraço

João Pedro Barbosa disse...

Durmam. Descansados! Que para amanhã já me espera trabalho?

João Pedro Barbosa disse...

E uma noite tranquila.

João Pedro Barbosa disse...

eUNÂO