quinta-feira, agosto 11, 2005

E com o início do poema?

Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa
...


E agora? Será desleixo caseiro? Repouso do guerreiro fingidor cá fora? "Defeitos quase todos desfeitos quando depois lá fora...".


P.S. O Noise tem razão: nunca apareço, sozinho ou acompanhado, nas revistas do jet-set. It's an injustice, it is!:(.

91 comentários:

juliana disse...

boa noite...acho que lhe fazia bem uma caipirinha...ao poeta...é muito depressivo o senhor....sim, são bonitas as palavras, mas viver todos os dias com essas sensações presas dentro dele...caramba....um pouco de optimismo por favor....é que ainda por cima ele fala com dor dele próprio, nem sequer é de dor por alguém, por alguma causa, faço-me entender??

Professor, já regressou das suas férias?

Julio Machado Vaz disse...

Juliana,
Não sei responder:(. Em Cantelães sinto-me sempre em férias e estou sempre a trabalhar:).

juliana disse...

Que sorte, acho que a maior parte das pessoas gostaria de ter essa sensação: sentir-se em férias enquanto se trabalha...sabe, fiquei muito deprimida com o ultimo "estes dificeis amores", aquele com o dr. mário sousa, sobre a infertilidade. Ele disse, e eu acredito, que a partir dos 30 a produção de óvulos diminui DRASTICAMENTE....comecei logo a fazer contas à vida e vou fazer 30 este mês, e agora? É uma pergunta de retórica...mas é complicado hoje em dia conciliar esta nossa dificuldade de relacionamento, este adiar de tudo e o nosso ritmo biológico....

Débora disse...

Prof..
"P.S. O Noise tem razão: nunca apareço, sozinho ou acompanhado, nas revistas do jet-set. It's an injustice, it is!:(."

Não aparece e não é por injustiça -é pura inveja!!! Não suportam a superioridade do seu natural protagonismo.

O poema comento depois.

Saudações.
Débora

W disse...

Juliana: Ruy Belo suicidou-se.
W

PortoCroft disse...

Mas ao lê-lo com atenção surgiu-me uma dúvida inquietante. O que é que está no espaço branco que cabe entre as linhas?
Cláudia

Caro Prof. m8,

Quem satisfaz assim a curiosidade das suas consulentes, não deve estar muito preocupado em aparecer nas revistas do Jet-set, sózinho ou acompanhado. ;)))

E, sinceramente, também não o estou a ver de casquinha de ovo à cabeça. ;)))

As mulheres, exceptuando as 95% das vezes em que nos dão cabo do juízo, têm reservado esse papel balsâmico entreportas. Nós? Nem por isso. Mas, também ninguém espera isso de nós, não é? ;))))))))

maria disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Lyra disse...

:)) o verdadeiro jet set não aparece nas revistas deixe lá :)

Fora-de-Lei disse...

"... de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos..."

Defeitos desfeitos ? Nada mau... independentemente de quem os tenha desfeito, isso reflecte uma clara evolução da sua parte, Sr.Professor. No meu caso particular, os meus defeitos - em vez de desfeitos - estão cada vez mais perfeitos.

PortoCroft disse...

Dreamer,

Coloquei These Dreams, do Jim Croce. O Dreamin' Again coloco depois. One out of three ain't bad!!!... ;)))))))

Coloquei também umas das músicas que mais aprecio dele: I Got a Name. Espero que goste.;)

Jim Croce
I Got a Name

Like the pine trees lining the winding road
I've got a name, I've got a name
Like a singing bird and a croaking toad
I've got a name, I've got a name
And I carry it with me like my daddy did
But I'm living with the dream that he kept hid
Movin' me down the highway
Rollin' me down the highway
Movin' ahead so life won't pass me by

Like a north wind whistlin' down the sky
I've got a song, I've got a song
Like a whipoorwill and a baby's cry
I've got a song, I've got a song
And I carry it with me and I sing it loud
If it gets me nowhere, I'll go there proud
Movin' me down the highway
Rollin' me down the highway
Movin' ahead so life won't pass me by

And I'm gonna go there free
Like a fool I am and I'll always be
I've got a dream, I've got a dream
They can change their minds but they can't change me
I've got a dream, I've got a dream
Oh, I know I could share it if you want me to
If you're going my way, I'll go with you
Movin' me down the highway
Rollin' me down the highway
Movin' ahead so life won't pass me by

Movin' me down the highway
Rollin' me down the highway
Movin' ahead so life won't pass me by

Anónimo disse...

Professor,noto na poesia que trancreve a nostalgia de não ter companhia,será verdade? It's a injustice,it is!(for all of us that needed your company!)
Algarvia said:

RAM disse...

P.S. O Noise tem razão: nunca apareço, sozinho ou acompanhado, nas revistas do jet-set. It's an injustice, it is!:(.


So what????
Ainda bem!
Sinal de que, embora burguês :)))), não é decadente! ;)

PortoCroft disse...

ram,

Até diria mais: Antes nos aturar a nós que as Cinhas da vida. ;))))))

Julio Machado Vaz disse...

Portocroftm8,
Movin'ahead so life won't pass me by é um belo verso, caramba! Se não um projecto..., de vida:).

Maralhal,
Estou-me nas tintas para aparecer nas revistas do jet-set, mas devo dizer que algumas já me fizeram entrevistas muito amáveis. Acontece que não frequento os sítios fashion, como poderia ser aí fotografado, com uma daquelas beldades elegantes/anorécticas?

Anónima das 11.35,
Grato pela preocupação:).

Julio Machado Vaz disse...

Ram,
Decadente assim como o Brian Ferry? QUERO SER! Para cantar: these foolish things remind me of you com um ar muito sedutor. lol!!!!!!!!!!!!!!!

Julio Machado Vaz disse...

Ram,
Decadente assim como o Brian Ferry? QUERO SER! Para cantar: these foolish things remind me of you com um ar muito sedutor. lol!!!!!!!!!!!!!!!

dreamer disse...

Porty

Jim Croce faz parte de uma época muito feliz da minha vida. Adoro todas as suas canções. Recuo no tempo e vêm-me à memória momentos muito especiais.


Like a singing bird and a croaking toad
I've got a name, I've got a name
And I carry it with me like my daddy did
But I'm living with the dream that he kept hid


"Sometimes, no matter how much faith we have, we lose people. But you never forget them. And sometimes, it's those memories that give us the faith to go on."



Best things in life come in threes, like friends, dreams, and memories.
Muito obrigada :)))))))))))

PS:: E adoro o "I´ve got a name" as well :))

dreamer disse...

Caro Prof JMV

It's not an injustice at all...
Ainda bem que assim é...
Estou totalmente de acordo com o Ram e o Porty!

...porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa ?

Uhmm..
Será que dá para descrever melhor?

E já agora desculpe a minha curiosidade ... mas que ruídos domésticos são esses? ;))

PortoCroft disse...

Dreamer,

Entendo. Feliz por lhe ajudar a avivar essas memórias felizes. ;)

Caro Prof. m8,

Se ficarmos muito tempo a pensar ou a olhar para o tempo que passou, o mais certo é perdermos o tempo presente. ;)

RAM disse...

Resposta poética a um escritor ruminante:


Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os recessos negros
onde
se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e a espuma, o da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se. O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, a lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
taz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponta a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços, a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco.
[...]

Herberto Helder (a carta da paixão)

Orange disse...

Num dia de sol suficiente...
Ser outra coisa, sentado em casa, de pijama, entre folhas escritas e por escrever, com ruídos familiares ao fundo...
E se alguém num outro pijama desalinhado nos roubar um beijo espaçadamente (mas não muito)?
:)

dreamer disse...

Leio e releio este poema ... um dos meus preferidos

...esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço


...Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa


...Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome

Bem como este outro lindo poema:
...Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio
Só tu me acompanhaste súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo...
Ruy Belo



Sweet dreams ;))

Olhar disse...

Olá a todos/as os/as residentes e espreitadores/as:)bom..., embora às vezes, poesia a esta hora possa significar insónia madrugada dentro, mas..., suas palavras fizeram-me lembrar estas Professor, será que pode ser?;)


Alma que vas huyendo de ti misma,
que buscas, insensata, en las demás?
Si en ti secó la fuente del consuelo,
secas todas las fuentes has de hallar.
Que hay en el cielo estrelas todavía,
y hay en la tierra flores perfumadas!
Si... Mas no son ya aquelas
que tú amaste y te amaron, desdichada.

P.39

Rosalia de Castro
"En las orillas del Sar" 1837-85


Obrigado pela companhia, continuação de boas noitadas:)

Anónimo disse...

Vigil Threatens to put President in Tough Spot
WASHINGTON - A grieving Northern California mother's vigil near President Bush's Texas ranch is putting a human face on the toll of the Iraq war as she brings worldwide attention to her anguish.
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Anónimo disse...

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noiseformind disse...

Ainda é cedo (2h10m) portanto fico-me a contemplar o poema do Boss. Quase de repente vem-me (salve seja, o XNXX pisca alegremente num ecran mais afastado ao fundo da sala) À cabeça uma frase d'As Farpas de Ramalho Ortigão. Chegado a casa na segunda-feira a seguir ao casamento, o médio-burguês anuncia-se, face a atitude romantizante da esposa que pede a atenção que lhe foi dada enquanto selecta noiva, "um mouro de trabalho". E com esta frase desfaz toda a sedução com que a brincou no namoro. Ramalho de Ortigão escreveu essa farpa para avisar dos perigos do amor romântico, e como nos avisou tão ortodonticamente o homem.
Lassamente o homem repousa em público as suas virtudes, sabendo que em casa poderá encontrar o equilíbrio do qual se afastou a nível social.

Eu sei, amantes de Ruy Belo amanhã farão manifestação aqui neste cantinho em frente ao mar, mas não consigo deixar de pensar em violÊncia doméstica. Se o racional fica para fora, dentro de casa as regras esvaem-se, retorcem-se, tornam-se plásticas, a conduta não se aplica À esposa, os secretos defeitos desfeitos não serão a sub-estrurura que perdeu na relação com a companheira? Talvez não, mas o "ser só um nome" para mim é analogia de menino guerreiro aprisionado em grilhetas blasfemas, soltas quando entra no santo lar, feito último local de exagése. Dizia Jefferson que o casamento era "agora que a escravatura parece tender para o fim, o único contrato de subjugação de um ser humano ainda legal". O homem lá fora tem de ser o que não quer ser, é-lhe indiferente pois tem de usar menos força e mais forma, tem de modelar a sua acção. Mas chegado a casa explode, vira bicho, tudo assenta bem pq é o meio que ele pôde moldar, poder para ser ele próprio, ela fechada em casa e aquele braço a doer dele faz-me pensar em braço que acabou de imprimir forte chapada na face dela.

Eu sei... I've pushed the envelop, e para acalmar as hostes violentas e sedentas de sangue cá fica o sempre salutar e saudoso Bocage, que nos conta como um simples frade foi incumbido, pelas circunstância, de salvar a Pátria Lusa ; )))))))))))))

XXVII [SONETO DO MOURO DESMORALIZADO]

Veio Muley — Achmet marroquino
Com duros trigos entulhar Lisboa;
Pagava bem, não houve moça boa
Que não provasse o casco adamantino:

Passou a um seminário feminino,
Dos que mais bem providos se apregoa,
Onde a um frade bem fornida ilhoa
Dava d'esmola cada dia um pino:

Tinha o mouro fodido largamente,
E já bazofiando com desdouro
Tratava a nação lusa d'impotente:

Entra o frade, e ao ouvi-lo, como um touro
Passou tudo a caralho novamente,
E o triunfo acabou no cu do mouro.

; )))))))))))

Té mañana maralhentos ; ))))))))))))

Débora disse...

Livra Noisy!

Cada um de nós vê (lê) de acordo com o nosso olhar.
Por que raio o braço dorido o seria por ter dado uma bofetada? Porque não seria da escrita? Caramba - essa mente!
Não vislumbro no poema esse tipo de homem que descreve. Parece-me antes um ser angustiado, que se transforma no exterior e dentro de casa, pode ser ele mesmo, revelar-se, enfim.
“Defeitos quase todos desfeitos …” porque tirou a máscara. A companheira pode ser um porto de abrigo.
Embora o poeta me pareça desesperado e se não fossem os “ruídos domésticos”, creio que o desespero seria maior.

Também estava a pensar na questão da sedução – o pijama, a nódoa.
Mas será que podemos seduzir constantemente? Há situações em que a sedução não tem lugar – Doença, problemas, estados de alma. Consegue imaginar alguém carente de cuidados de saúde ou outros, a seduzir? Com uma perna engessada, o rosto desfigurado, uma depressão, por exemplo? Situações que não se compadecem com a sedução.
Pois é, o amor tem destas coisas sabe? Não se pode ter só a parte boa – quando as adversidades surgem, separamo-nos? Não seria de um egoísmo atroz? Usamos o outro enquanto é belo, funcional e sedutor. Quando deixar de o ser, descartamo-nos. O companheirismo faz parte do amor. O amor é para o bem e para o mal.
Apesar dos inegáveis conhecimentos que possui, pelo menos em teoria, a sua tenra idade não lhe permite ainda, na prática, ter experimentado talvez as vicissitudes da vida e também do amor.
Ainda voltando ao poema, tirar a máscara pode significar apenas, começar por tirar a gravata, descontrair-se, fazer umas loucuras impensáveis no local de trabalho, momentos de grande intimidade, etc. e não necessariamente bater na mulher – livra! E também não necessariamente desleixo caseiro, como diz o Prof.

Portocroft,

Pode crer que nós, mulheres, somos frequentemente um bálsamo)))) vocês falam, falam, mas quando precisam de nós, sabem que podem contar. Temos menos força física, mas muito mais resistência emocional)))

Prof. JMV,

Atenção, o mulherio e não só, anda a querer saber se tem companhia – não lhes diga Prof. – proteja-se))) Ainda corre o risco de algum assédio))) A menos que seja um anseio…

Saudações e boa noite a todos.
Débora

Lúcia disse...

BOM DIA!
Puxa Noise:
Que raio de interpretação...
concordo com a Débora: o poema pode indiciar muitas coisas. A violência doméstica é uma delas, de facto. cada um intepreta como quer, como pode e como a sua própria experiência devida deixar... (estou certa, dr. Noise?).
Mas puxar a coisa toda p'ra pancada...

Eu sie, já o disseste, que tens relação afectivas/sexuais com algumas pessoas em sumultâneo. fazes tu muito bem se isso te mantém a sanidade mental...

Mas parece-me que desacreditas completamente no amor monogâmico: um amor entre dois seres que se entendem, que se complementam, que são companheiros um do outro. E isso também existe! E as pessoas que vivem estas histórias serão tão felizinhas da sua vida como tu.

Além do mais casamento não pressupõe coisinhas más. Mas quando elas acontecem é posta à prova a capacidade de as ultrapassar. E nem sempre é à chapada.

Outras considerações tenho sobre o que escreveste mas acho prematuro, precipitado e arriscado avançar com elas.

Vou tomar a bica.
Até mais

Zsazsa disse...

Sr Noiseformind, você é um espectáculo dentro do espectáculo. Pelo preço de um Murcon temos 2 (3 se considerarmos os serviços musicais fabulosos do Sr Portocroft) e tanta fartura está-me a deixar com um problema de dependência horrível, e mesmo aqui no trabalho não me consigo libertar da curiosidade de acompanhar as vossas passeatas pelo mundo das palavras, dos conceitos e até das fantasias.
Quanto li o texto do Professor nada me fez pensar em violência doméstica, acho que a minha interpretação é mais a que a Debora e a Lucia fizeram aqui antes de mim, um certo desencanto, uma pena, uma tristeza pela monotonia. E acho que foi mais pelo "sofrimento" do homem que me senti mais próxima da metáfora da violência doméstica, sei lá, uma incapacidade em sentir-se ligado à companheira, e como ainda há uns dias li aqui num link que puseram de um estudo sobre violência sexual exercida sobre as mulheres parece que os agressores têm problemas emocionais em ligarem-se ás parceiras, portanto quem agride tb carrega em si uma angústia (ou não pode ser assim também?). O problema para mim, quer numa interpretação quer noutra, é aquela ideia de que as pessoas devem ser muito higiénicas nos comportamentos, tudo muito limpinho, muito polido. Se não nos sentimos polidas naquele momento ao estarmos a forçar-nos a sê-lo estámos a cometer uma violência, as convenções resultam enquanto são fruto de uma adesão feita com vontade, não me parecem viáveis quando são fruto de uma programação.
Sr Portocroft, queria-me juntar à lista de assinantes para pedir Carla Bruni. Eu sei que ela tem só um album mas se ouvir certamente irá adorar. E já que pedir não paga imposto, gosto muito da música Raphael;)


Estilhaços, pag. 92
"O diagnóstico impunha-se: re-
gressão psicológica macica num indivíduo sujeito a tremen-
do choque pela morte da mãe. Prognóstico reservado.
Reservado... Uma palavra que sempre lhe assentara como
uma luva"

Anónimo disse...

Debora,
Na minha modesta opinião
o Prof. JVM não tem companhia.
Isso transparece em todos os seus comentários,textos e nos ápartes que faz no "Estes dificeis amores".
O Prof.é um homem que quer mudar quase tudo sem mudar nada.

Anónimo disse...

...e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras...

Porquê, Doc? Porque tem de escolher os gestos e as palavras?
Não seria giro, mostrar-se como é? Ou será isso um perigo? Ás vezes penso que de facto não é adequado, mas não sei das "capas opacas"...apenas fiquei com as transparentes...Acha que devo mudar?

Lúcia disse...

Caros Murcons:
Começo a achar interessante esta coisa do "Em busca da companhia do Prof. Júlio Machado Vaz".
Terá? Não Terá? HMmmmm...

Ó Portocroft, sem fazer de ti disk jokey oficial aqui do burgo, por favor mete a música da pantera-cor-de-rosa. Temos um mistério para descobrir aqui no Murcon!
Regras:
1 - Aceitam-se apostas
2 - Realização de um teste americano do tipo: O prof tem companhia? Sim Não
3 - Essa companhia vai continuar a deixá-lo entrar no Murcon (que de resto é um cantinho dele?) Sim Não
4 - Será que o Prof. aplica tudo o que diz com a sua companhia? Sim Não

Por favor, Prof., não nos dê nenhuma resposta que é o mesmo que copiar.

Não diga nada a ninguém que é p'ró pessoal ir imaginando:)))

Zsazsa disse...

Suas coscuvilheiras! Isso é tema que se traga para um sítio destes? Mas já que falam nisso... que tipo de mulher prefere Professor? Ou não tem tipo? Pensando bem já sabemos os gostos de alguns membros aqui do "country-club";)

Anónimo disse...

Hoje resolvi enviar um poema...alguém quer comentar:

The uncertainity of the poet

"I am a poet.
I am very fond of bananas.

I am bananas.
I am very fond of a poet.

I am a poet of bananas.
I am very fond,

A fond poet of "I am, I am" -
Very bananas,

Fond of "Am I bananas,
Am I?" - a very poet.

Bananas of a poet!
Am I fond? Am I very?

Poet bananas! I am.
I am fond of a "very",

I am very fond of bananas.
Am I a poet?

Wendy Cope

Jessie disse...

Ola!

Poemas bonitos... tristes...
Pessoas sozinhas... talvez porque assim o querem. Conheço algumas e julgo que o sao por escolha.

Noiseformind: U2? Prepare-se para o melhor concerto 'ever'... (Vi-os em Amesterdao no passado dia 13 de Julho: fantasticos!!!)

Beijinhos,
Mariquita

Anónimo disse...

Meninas desatentas,

O tipo de mulher do Prof. é género Juliette Binoche.Serena, doce, tranquila e sensual

Lúcia disse...

Prontos, o mistério está descoberto: o homem é mais Juliette Binoche. Nesse caso, demos o assunto por encerrado e durmamos felizes até à próxima problemática existencial...

Anónimo disse...

Deixem o Prof em paz! E também a Juliette!

...Experimentem várias opções e mantenham as que funcionam.
Não lhes parece um bom conselho?

PortoCroft disse...

Lúcia,

Pantera? Ok. Refresque a página. ;)))))))))))))))

Lúcia disse...

THANKS, PALL!
Agora sim: Retomemos as investigações graças à graça inspiradora com que o bom Portocroft nos envolveu.

yulunga disse...

Konnichiwa maralhal

Ao inquérito, para além do sim e do não, sugiro que se acrescente também: Não responde, não quer saber.

yulunga disse...

Porty
Não sabia que se podia pedir uns temas ao nosso gosto.
Que tal o "Release me"?
Achas que mereço?

E que tal George Harrison "My Sweet Lord"?

Dr. Murcon
(© Copyright Yulunga 2005)
apenas com o seu aval.

CHAPÉU VERDE disse...

I'm bored! Surpreendam-me por favor!

Manuel Reis disse...

Boa tarde professor.
Não vou fazer a pergunta, mas sim dar-lhe uma sugestão: publique em livre o seu blog.
Muito certamente já se lembrou disso.
Um abraço.

Anónimo disse...

http://esomaisumblog.blogspot.com/

Anónimo disse...

Checked out your blog it's great!

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dKin disse...

Nada melhor do q podemos ser nós mesmos, dentro do pijama, com o cabelo em desalinho, de caras inchadas de dormir, mas ao lado da pessoa q se ama...
Lá fora, lá fora está todo um mundo de politicamente correcto, do q se diz e do q se queria dizer, do q se diz e do q depreendem daquilo q se diz. Cá fora há todo um jogo de máscaras q cada um aprende a jogar da forma q mais lhe convém, quer por ataque, quer por defesa.

PortoCroft disse...

Zsazsa

Já lá tem o seu Raphael. Tem razão, a Bruna tem uma Blowin' Voice...If not else. ;))) Há mais Bruna no canal 3.

Naco-Miúda-Bera

Já lá tens o teu Sweet Lord. Nada se pode negar a quem é "broa comó milho". ;))))

Pamina disse...

Boa tarde JMV e Maralhal,

O Murcon é mesmo fantástico!
Uma pessoa ausenta-se dois dias e quando volta, ele é poema em episódios (com 119 comentários), ele é a Yulunga e o Portocroft em, passo a citar, "rituais de acasalamento", fim de citação, ele é o Noise a sugerir que o Prof.JMV usa a mãozinha para outro fim menos calmo do que escrever o seu livrinho e que o Ruy Belo (perdão, o “eu” do poema) deu uma sova na mulher, ele é o Prof.JMV a escrever lol!!!!!!!!!!!!!!! em duplicado, ele são inquéritos sobre a love life do mesmo… LOOOL…

Quanto ao poema, you ain’t seen nothing yet. Na minha opinião, o princípio e o fim não são nada comparados com o meio (que falta). Acho esta parte do meio inquietante/chocante:

esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-las para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome
que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das
outras coisas


Há uma insatisfação (culpa?) tão forte.
A vida "cá fora" serve apenas para esconder a sua mediocridade/ inadequação "dentro"? E como é que isto se coaduna com o sentimento de calma felicidade expressa na afirmação "neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz…"? Parece-me terrivelmente contraditório.

Até mais logo.

yulunga disse...

Porty
E o "Release me"? Aquela voz pôe-me ko.

Pamina
Isto é MÁGIGO!!!!!

notanymore disse...

já que estamos numa de poesia (e haverá algo mais belo?), deixo-vos um (outro) texto do Ruy Belo

Conheço as palavras pelo dorso. Outro, no meu lugar, diria que sou um domador de palavras. Mas só eu - eu e os meus irmãos - sei em que medida sou eu que sou domado por elas. A iniciativa pertence-lhes. São elas que conduzem o meu trenó sem chicote, nem rédeas, nem caminho determinado antes da grande aventura.
Sim. Conheço as palavras. Tenho um vocabulário próprio. O que sofri, o que vim a saber com muito esforço fez inchar, rolar umas sobre as outras as palavras. As palavras são seixos que rolo na boca antes de as soltar. São pesadas e caem. São o contrário dos pássaros, embora «pássaro» seja uma das palavras. A minha vida passou para o dicionário que sou. A vida não interessa. Alguém que me procure tem de começar - e de se ficar - pelas palavras. Através das várias relações de vizinhança, entre elas estabelecidas no poema, talvez venha a saber alguma coisa. Até não saber nada, como não sei.

Ruy Belo

PortoCroft disse...

Yulunga,

I won't release you. You should have know better. ;)))

Refereste à minha. não é? ;))) Pois. Entrei em estúdio para gravar uma versão especial para ti. ;)))))))))

Lúcia disse...

Olá Pamina:
Isto anda uma bocado abandalhado, anda:)))))
Agora falando um pouco sério: acho que sim.Isto é, há uma contradição de estados de espírito que revelam desinquietude e um certo mal estar. Todo o poema é revelador disso.

E também acho que todos nós temos dias assim: dias em que nos sentimos autênticos junto daquilo que nos é familiar; dias em que sentimos que lá fora só pairam ameaças...
O pior é quando esse estado de espírito é permanente e não ocasional.

Não sou das que acham que "lá fora" temos que pôr máscaras. Pôr máscaras, para mim, é enganar, mentir. Acho é que temos comportamentos diferentes consoante o contexto em que estamos e isso é-nos dado pelos processos educacionais e pela socialização.
Para mim ser formal numa reunião de trabalho é tão natural quanto andar nua pela casa. Ajusto o meu comportamento às expectativas dos outros, sem defraudar-me a mim mesma. Viver em sociedade é mesmo isso.
Desempenhamos vários papéis sociais. Daí que às vezes tenhamos dificuldade em encaixar alguns, pois poderão chocar com outros.

yulunga disse...

Porty
NÃO!!!!! Please!
Quero o original tal e qual como é. Pode até ter aquele ruido gostoso do vinil.
Faz-me feliz!

Anónimo disse...

O professor tem namorada, sou eu :)

a pergunta agora é: - Porque sorris?
- à minha beira é mais risonho e optimista.

Fly_Away disse...

Gostei de imaginar o Dr. JMV em pijama. Confesso que esbocei um sorriso. Isto porque é engraçado imaginar um ser humano inacessível em pijama. Deu-me vontade de lhe perguntar: "O senhor existe mesmo?... E veste pijamas?... Faz coisas mesmo, mesmo, como nós?..." É um disparate, não é?
Bom fim de semana para todos.

Lúcia disse...

Ó Prof.: Onde isto já chegou! Até o imaginam de pjaminha...
Punha mão nisto, prof. Ponha mão nisto!
Há-de pensar que há aqui alguns devassos: ele é se tem companhia, ele é um inquérito totó made by moi, ele é de pijaminha...
Mas nã é devassidão, prof. É mesmo nã ter mais nada em que pensar...
Ponha mas é mão nisto...

dreamer disse...

"O silêncio é a mais perfeita forma de música. Nele eu me escondo, me encontro e pernoito as palavras que te irão encontrar. O silêncio é a minha forma de escutar. Eu sei que estás aí, que me ouves e me percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também."
Pedro Abrunhosa

Lúcia disse...

Dreamer: a tua citação lembou-me esta música com que Mª Guinot ganhou um festival nos anos 80. Nos tempos em que ainda se faziam coisas engraçadas nos festivais...


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

W disse...

I LOVE ALL OF YOU.
W

dreamer disse...

Lúcia
É mesmo isso!
Mas não estou a ver qual é a música (nem sequer me atrevo a pedir ao Porty mais nada ;) ainda tenho dois pedidos na waiting list ;))
A letra é lindíssima e identifico-me com as palavras que acabo de ler.

Music expresses what cannot be put into words and cannot remain silent
Victor Hugo

dreamer disse...

Lúcia

Esqueci-me de referir que nos anos oitenta vivi fora de Portugal. Mas se ouvir, se calhar reconheço

;)

dreamer disse...

W said yesterday:

Es ist schön manchmal das Herz ein bißchen zu öffnen und etwas Schmerz reinkommen lassen.
Das zeigt nur, dass du noch am Leben bist.
Es passiert nur, weil wir brauchen zu wollen und auch gewollt zu werden, wenn die Liebe da ist oder gegangen ist.
Ich möchte dir schreiben und dich wissen lassen wie du selbst bist.
Aber mit der Zeit habe ich darüber nachgedacht, ein Stift gefunden, schrieb auf dem Papier aber du warst gegangen.
Es ist bewölkt und ich fühle mich faul, genau wie du am anderen Tag und so bin ich bis später im Bett geblieben nur am nachdenken was ich fühle nocheinmal.
W.




It´s nice sometimes to open up the heart a little
and let some hurt come in.
It proves you´re still alive.
It happens just because we need
to want and to be wanted too,
when love is here or gone...

Liebe W.
Reconheci isto logo.
Vou tentar pesquisar quando...
Mas foi aqui ;))
A long, long time ago ;)))


Vou pôr o som da Pantera para me ajudar :))))))))))

PortoCroft disse...

Yulunga,

Já lá está. ;)

dreamer disse...

Liebe W

Continuação da tradução...puxa que o german é lixado...;))

Ich möchte dir schreiben und dich wissen lassen wie du selbst bist.
Aber mit der Zeit habe ich darüber nachgedacht, ein Stift gefunden, schrieb auf dem Papier aber du warst gegangen.
Es ist bewölkt und ich fühle mich faul, genau wie du am anderen Tag und so bin ich bis später im Bett geblieben nur am nachdenken was ich fühle nocheinmal.


I wanted to write you and let you know how like yourself you are.
But by the time I thought of it, found a pen, wrote it on paper but you were gone.
It is cloudy and I feel lazy
and so I stayed in bed just thinking about how I feel one more time....

Se não era isto, era muito parecido.
I do remember, you know ;)))

We are what we feel and writing it down seems foolish sometimes
without vocal sound...


See you

setesois disse...

E que tal fazer um blog só para os comentários? LOL

dreamer disse...

Estou cheia de calor...
Vou dar um mergulho e depois farei a pesquisa minuciosa...ao som da Pantera, of course...

dreamer disse...

Mas isto é o Murcon...
Liberdade para todos :))))))

Raquel V. disse...

Ou é do calor ou então não sei... o certo é que hoje ao ler os comentários... bem que me ri!

yulunga disse...

Porty
Estou esparramada em cima do teclado com aquele arzinho estupido.
Domo arigato gozaimasu.

PortoCroft disse...

Yulunga,

Gosaioquê? ;)))))))))

PortoCroft disse...

Yulunga,

Mas, gostei do esparramada. Gosto dessa palavra. Imagino o quadro. Se fosse pintor pintaria esse quadro e dar-lhe-ía o nome: Yulunga Esparramada. ;))))))))

yulunga disse...

Porty
Gosaioquê - Obrigada.
Tu até já me pões a falar japonês e tudo. E esparramada, claro ;-)

PortoCroft disse...

Yulunga,

Pois. A falar japonês não digo. Mas, o imaginar-te esparramada deixa-me a bater mal da bola. ;))))))

yulunga disse...

Porty
A melodia, o timbre de voz e a "limpidez" da voz do Sr. deixam qualquer mulher a bater mal.

yulunga disse...

Porty
Já a outra musica mesmo com a presença de Deus e com tanta Aleluia deixa-me "porca" ;-)
Vou apanhar ar :-O
Até já maralhal

PortoCroft disse...

Yulunga,

Não podemos continuar com estes "rituais de acasalamento" aqui. Anda para ali vá... ;))))

Julio Machado Vaz disse...

E o(a) vencedor(a) é..., anónimo! Eu gosto mesmo da Binoche:).

yulunga disse...

Porty, meu homem elástico
Tu não te estiques.
E nunca te esqueças que pelas bandas da net as coisas funcionam assim para os homens: rastilho grande para pouco dinamite; para as mulheres: muita parra e pouca uva.

yulunga disse...

Dr. Murcon
(© Copyright Yulunga 2005)
Nessas coisas a minha cruzinha é sempre no: Não responde/Não quer saber

PortoCroft disse...

Yulunga,

O mal é termos que espalhar a dinamite democraticamente. ;))))))

Quanto ao resto, subscrevo. E como. ;))))))))

Tão só, um pai disse...

Ah, pois, só nos reconhecemos na intimidade do nosso eu quando apenas nos cobre o nosso "pijama". Despojados dos outros adornos. Tantos "eus", quantos os que nos sentimos.

Umas boxers coloridas são outra alternativa. Claro, também pudemos não usar nada. Mas as cores são engraçadas, fazem parte da vida.

Anorécticas no Jet Set? Deve ser do "jet lag" da vida.

Raquel V. disse...

Pijamas... acaba por ser um tédio... vira e revira tudo!

W disse...

O Girassol de Rio de Onor

Existe juro um girassol em rio de onor
mais importante por exemplo para mim que seja lá quem for
Eu vi hoje na Andaluzia o girassol de rio de onor
à beira de uma estrada pouco antes de chegar a fernan nuñez
(Amigoa que passais em direcção a córdova ou aos cobres de lucena
dai-me notícias desse girassol menos brilhante sol
mas bem mais acessível pelo menos para nós que não temos raízes
mas pomos o que temos sobre a terra)
Reconheci-o logo embora há muitos anos o não visse
além de o conhecer sabia ser ele natural de rio de onor
e lá habitualmente residente
É ele raios o partam disse idênticas as pétalas igual a cor
é ele ó céus é ele sem tirar nem pôr
o meu amigo girassol de rio de onor
(é fácil ter na flor um verdadeiro amigo
se o não sabíeis antes desde agora que o sabeis)
Era o mesmo era ele sem tirar nem pôr
o girassol de rio de onor há tantos anos visto
Mas nós os que lá fomos e por lá passámos
nós é que já não somos quem lá fomos
e muito menos nós que somos vivos menos os mesmos somos
que tu ó meu amigo com as tuas
duas pernas pendentes lá da ponte sobre o rio
pequena ponte e diminuto rio
a dois passos dos olhos tão redondos que solares
dessas duas ou três quatro no máximo crianças
(meu deus essas crianças onde é hoje o seu país?)
Viajo pela espanha mas é este juro julgo o girassol
pois embora não esteja em portugal
não há ainda julgo plantas nacionais
e além disso aquela terra é meio espanhola
Mas nós que assim passamos pelos campos pelos dias
nós que não temos nem nunca tivemos
coisa pequena como uns palmos de país
pomos tudo o que somos nestes seres que passamos
e nos fixamos só em certas fotografias que tiramos
Era aquele julgo juro o girassol de há anos
mas nós que como sombras por aqui passamos
porventura seremos os que éramos há anos?
Qual é ao certo o nosso verdadeiro país?
Lanço a pergunta aos verdes campos outonais da andaluzia
mas esta paisagem que tanto me diz
quem sou isso é que ela nem ninguém mo diz.

RUY BELO - Antologia Poética

("roubado" do blog girasolnosul.blogspot.com)

Débora disse...

Olá a todos,

Como disse o anónimo:

“O tipo de mulher do Prof. é género Juliette Binoche. Serena, doce, tranquila e sensual”,

eu já sabia, porque o Prof. disse-o publicamente, assim como também já disse que não gosta de mulheres tipo “cabide”. Esses dados são do conhecimento público. Mas daí à realidade …
Continuo a achar que a privacidade do Prof. não deve ser devassada, mas faço votos para que, à falta da Binoche, tenha uma afim …

Yulunga e Portcroft,

Acho que devem chegar a “vias de facto” em qualquer lado, em vez de andaram a “arrastar-se a asa” mutuamente e despudoradamente aqui no blog))))

Portcroft,

Obrigada pela paciência e pela excelente selecção musical do Murcon.

Saudações.
Débora

PortoCroft disse...

Débora,

Eu e a Yulunga somos, apenas e só, amigos. É certo que ela vive na esperança de me ver as boxers com a trombinha de elefante cor-de-rosa. Mas, garanto-lhe que nunca me deu 25 tostões para eu tocar o sino. ;))))))))

Quanto à selecção musical, só lhe posso dizer que ainda a procissão vai no adro. Se calhar, este Natal, ainda vos vou ver a todos a comprar o CD Som do Murcon - Vol. 1... ;))))

yulunga disse...

Débora
Em qualquer rebanho tem que haver sempre umas quantas ovelhas tresmalhadas.
E não vamos chegar a lado nenhum, pois estamos sempre aqui :-)

yulunga disse...

Débora
Eu ando é a catrapiscar o BOM-doso.
Esse é que é...
Só de pensar até se me reviram as unhas dos pés... mas também estamos sempre aqui :(

yulunga disse...

Porty
CD? Quem sabe?
Olha o Lobices anda às voltas com um livro.
Juntavam-se os dois lançamentos, fazia-se uma festarola bem janota e finalmente eu dava-te 25 tostões :-)

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