terça-feira, março 07, 2006

Pergunta estúpida.

Maria,
Sete de Março. Obrigado pelo mimo, aparentemente alheio à morte do meu velho. Não me enganaste, sabes? Na tua cabeça os aniversários são sagrados, de nascimento ou partida. Maria, porque não tem a dor prazo de validade? Boa noite, querida.

26 comentários:

lobices disse...

...no próximo 20 de Abril, o meu velho terá partido há 20 anos...
...um abraço
(são datas que nunca se esquecem, especialmente se se trata de pessoas que muito amámos)

O Sical disse...

Porque se for dor de alma é eterna.
Pode ficar lá aconchegada num recanto do nosso recôndito, mas está lá e, de vez em quando, desperta da sua letargia provocada pelo arrefecimento do tempo. Quando a alma aquece.

moon disse...

Deve ter. Pelo menos lá diz o povo:
"Não há mal que sempre dure..."
E não é a dor um mal?!
A minha mãe também partiu nesta mesma semana de um Março distante. Mas na altura não percebi que era para sempre...
Um abraço

Ameninadalua disse...

Professor!

A dor não tem prazo de validade...e a sua lembrança tambem não...

O mimo sabe sempre bem mas nessas alturas ele é ainda mais importante; carinho e ternura são o aconchego que podem determinar positivamente a forma de ultrapassar os tristes e "duros" acontecimentos da vida...

Um braço

Maite disse...

Uma boa noite para si, Professor

Anónimo disse...

"Rapaz, nunca te esqueças que tenho muito orgulho em ti"

andorinha disse...

Porque a memória, as lembranças e o amor também não têm. A saudade é eterna.
Fique bem.:)

Lusco_Fusco disse...

O Mahatma não imagina como o entendo... :(
A minha homenagem ao meu serve em todos os pais. Eu perdi o meu há 38 e nunca mais a minha vida foi igual. Eu era uma filha neta...

Que saudade!...

Daquele abraço morno e protector,
Daquele olhar meigo e travesso,
Daquele peito largo e espesso,
Daquele tempo cheio de amor...

Que saudade!...
Dos dias de brincadeira ralhada,
Quando sentado na escada,
Mostrava o marcado nada...

Que saudade!...
Ria em sonora gargalhada,
Da criança envergonhada,
Que chorava, perneava e fugia,
Enquanto o mundo ria...

Que saudade!...
Do homem austero, terno e meigo,
Do homem recto,respeitado e honesto,
Do grande ser humano que foste,
A quem tive o privilégio de chamar PAI.

UM abraço

fora-de-lei disse...

"Porque não tem a dor prazo de validade ?"

Ah isso é que tem... O prazo da dor pela morte dos pais (ou dos filhos) é vitalício !

Anónimo disse...

Boa noite,

Orange disse...

No último livro de crónicas do António Lobo Antunes há um texto lindo, sublime sobre as saudades e o carácter vitalício de certas dores. É de ler.
Um beijinho, Professor.
:)

sereia disse...

Infelizmente todos temos dias desses.
São bocados de nós e da nossa história que se foram. Fica essa saudade dorida, que sabemos, não tem remédio e prazo de validade.
Como o Sr. disse, "..estão na nossa cabeça em regime de pensão completa..".
Um abraço.

P.S. Gesto bonito, o da Maria.

j disse...

O meu partiu, faz hoje dois meses.
Ai esta lagrimita que não me larga!

Aspásia disse...

Lobices,

só hoje li o seu post de dia 4, não quero deixar de lhe enviar uma palavra de admiração pela sua força e coragem, e que apesar do sofrimento, ainda tenha sua Mãe consigo o mais tempo possível.

C T,

Nos comentários de dia 4, mencionou que não gracejava sobre Alzheimer por respeito para com o Professor, (em atenção a sua Mãe). Mas na minha opinião não vejo como o Alzheimer ou qualquer outra patologia de foro grave possam ser tema de gracejo, seja em que situação for, e quer estejamos ou não em presença de doentes ou familiares dos mesmos.

Professor,

Seu Pai teria orgulho em si. Um abraço.

Anónimo disse...

Sabe melhor que ninguém o que são as feridas abertas na alma e doendo na memória.
"On n'oublie rien on s'habitue" e .... mts vezes mal.

Um abraço,

Francisca Diniz

luso-americano disse...

An American said: "We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."

A Portuguese said: "We have José Sócrates, no wonder, no hope and no cash."

CêTê disse...

Aspásia

Respeito a sua indignação em relação ao humor mas permita-me dizer-lhe que fazer humor e rir do que sobre o que nos é penoso é uma forma bem saudável de ultrapassar alguma dor (já em relação à dor dos outros pode ser coisa diferente se os outros não o entenderem). Pois saiba que mesmo e relação ao Sr. Alemão também ele têm que ser levado com muito muito humor e amor: um e outro na dosejam certa, a cada momento.
Alías, ´posso deduzir que também seja esse o entendimento do professor mesmo pelo pouco que escreveu aqui sobre o assunto. Eu nunca me riu das pessoas riu-me das coisa- Só de mim tenho direito (e faço uso) de "ridicularizar".


Pronto ok- e do Sócrates, e de outras figuras públicas

Bjnhs e cafés



Professor: Essa sua "Maria"...

alice disse...

Mais outra coincidência...
o meu pai "foi sozinho no barco" a 4 de Março de 1999

ap

Pamina disse...

Boa tarde.

Como os poetas o sabem dizer melhor que ninguém:

(Extracto dum poema de H. de Coninck, dedicado à mãe)

Uma noite, entre dois enfartes, ela diz-lhe ainda depressa onde é que ele pode encontrar a chave do cofre. Ele tinha em mente uma última frase mais apropriada.

Mas ela conhece-o melhor. Morrer é fácil, mas a papelada. Trata tu da herança, que eu trato da morte.

Que nome se dá ao que já não se é, um filho
ou quê? Dor?
A porta através da qual ele entrou na vida está aberta. Passa uma ventania de infinito. De finito. Ele é. Ele tem que ser.

"Que nome se dá ao que já não se é?" Gosto muito deste verso.

Angie disse...

Tremo do dia em que chegar a minha hora de perder um dos meus Pais.
E tremo mais ainda com a ideia de como irá aquele que ficar em terra passar sem a companhia do outro...
Entre as duas dores, venha o Demo e escolha: o devastador da imensa perda...e o de ter de assitir à separação dos corpos destes dois.

Sem dramatismos (que nem eles deixariam alimentar, como bons católicos optimistas que são) tenho a certeza que comigo não vai ser diferente do que com os demais, e sei que irá morrer um bocado de mim com eles.

Mas eu também já tenho a minha conta, a imensa tristeza de uma data, o meu bocadinho de mim do outro lado, levado pela pessoa mais marcante da minha vida: a minha avó.

O "lugar" dela continua ali, pacificamente gritante, mas vazio. Porque as memórias se apropriaram dele, e por isso estão lá, vivas e presentes, sem deixar que nada nem ninguém ocupe aquele espaço.

É uma grande maluqueira saudável, mas gosto de falar dela aos outros sempre que me apetece. E de pensar que talvez, quem sabe (era tão bom!)ela tenha alguma forma de me estar a ouvir, enquanto me vai guardando o meu lugar no colo para quando eu lá chegar...
Doidices.

Angie disse...

Hoje, DIA DA MULHER, para uma provocaçãozita...e reflexão!
............................................................................................
E estando nós no Paraíso, foi assim que tudo se passou...
Quando Deus criou Adão e Eva, disse aos dois:
- "Só tenho dois presentes: um para cada um de vocês: um é a arte de fazer xixi em pé, e..."
- "Eu!!!Eu!!!Eu!!!Eu!!! Eu!!!Eu!!!Eu!!!Eu!!!" - gritou Adão! Eu quero, por favor! - Senhor, por favor, por favor, por favor, por favoooooor, sim? Facilitar-me-ia a vida substancialmente!"

Eva concordou e disse que essas coisas não tinham importância para ela.
Então, Deus presenteou Adão.

Adão gritou de alegria, corria pelo jardim do Éden e fazia xixi em todas as árvores, correu pela praia fazendo desenhos com seu xixi na
areia...

Deus e Eva contemplavam enternecidos o homem louco de felicidade.
Entretanto, Eva perguntou a Deus:
- "Deus...já agora qual é o outro presente?"
Deus respondeu:
- "Um cérebro, Eva, um cérebro..."

-Stardust- disse...

Professor,

ha dores que se curam com o passar do tempo. Tornam-se menos dificeis de suportar e sao eventualmente esquecidas. E ao apercebermo-nos que ja nao doem, damo-nos conta que existiram por situacoes de "branda dureza".
Mas a dor de que fala acompanha-nos mesmo quando nao a sentimos. Ainda assim vai mudando, mais uma vez com o passar do tempo. E passamos de ser a propria dor... a viver (mal) com ela... a aceita-la... a nao nos identificarmos sem ela. Porque, como tudo o que somos, tambem ela nos caracteriza.

Fique bem... =)

CêTê disse...

angie:
LOOOOOOOOOOL

Bem, eu depois de ler o que escrevi... quase sou tentada a tentar fazê-lo de pé. Será que é só comigo que isto de apagar e escrever aqui dá sempre no que se vê?

Quando é que é o Dia do Homem?;]

Quanto à dor... ela passa. Passa despercebida com o tempo até num dia, num dado momento doer até mais não. Quando todas as dores se juntam tudo pode acontecer... TUDO mesmo até aprender a ser-lhe imune, ou aprender a dar valor as coisas mais significantes da vida.

Um xico

Isabel Pietri disse...

Ai, ai... a esta hora alguém (não digo nomes! ;-) ) está a roer as unhas pelo seu Benfica... :-)))

E numa espera ansiosa que o relógio traiçoeiro se despache!... :-)))


hehehehe

Su disse...

..pergunta estúpida...

jocas maradas de tempo

velhinho disse...

CêTê at 3:11

Aspásia, respeito a sua indignação em relação ao humor mas permita-me dizer-lhe que fazer humor e rir do que sobre o que nos é penoso é uma forma bem saudável de ultrapassar alguma dor.
__________________________________

O Armando tem 95 anos e vive num lar de idosos. Todas as noites, depois do jantar, ele vai para um canto do jardim, por detrás do lar, para se sentar e pensar no que conseguiu ao longo da sua vida.

Uma noite, Arminda, 87 anos, ia a passar pelo jardim e sentou-se a conversar com ele. Sem darem por isso, várias horas se passaram. Depois de uma pequena pausa na conversa, Armando volta-se para a Arminda e pergunta:

- Mas sabes do que sinto mais falta ?

- O quê ?

- SEXO, responde o Armando.

Arminda exclama:

- Seu velho xéxé, não o conseguias levantar nem que te apontassem uma pistola à cabeça !

- Eu sei, mas era bom que pelo menos uma mulher pudesse segurar nele de vez em quando !

- Bom, isso eu posso aceitar, diz Arminda, que - de imediato abre o fecho das calças - e segura no... do Armando.

Depois disto, decidem que daí em diante se encontrariam todas as noites naquele canto do jardim, onde se sentariam a conversar e depois ela ficaria a segurar no... do Armando por um bocado.

Só que uma noite, o Armando não apareceu. Preocupada, Arminda começa a procurá-lo, até que o encontra noutro ponto do lar, sentado à beira da piscina com outra residente do lar, a Etelvina, que também lhe estava a segurar no...

- Seu traidor ! Seu trapaceiro ! O que é que a Etelvina tem que eu não tenho ???

O Armando sorriu e respondeu feliz:

- Parkinson !