domingo, março 05, 2006

O homem que me convidava para tomar chá.

Por razões familiares não pude comparecer à homenagem prestada ao Eugénio no Sábado, em Lisboa. Aqui vos deixo parte do que teria lido.







Tenho muita pena, é a segunda vez que falto a um encontro à volta de obra e memória do Eugénio. E escrevo encontro, por saber que a palavra homenagem lhe despertaria sorriso trocista e leve encolher de ombros, “ora Júlio”. Mas antes de conhecer alguns dos traços de personalidade do homem de carne e osso, vislumbrei-lhe a alma; por mais que digam, os poetas são exibicionistas pudicos, à mercê da análise dos sentidos e dos relâmpagos da intuição. De forma assaz coerente, o primeiro livro do Eugénio foi-me oferecido numa ventosa praia nortenha, por rapariguinha em que severidade e doçura rimavam com tão espantosa perfeição que, em cada gesto dela, espreitava já um adeus inevitável e amargurado, mas não apodrecido. Ficou o livro, buraco negro que sugou recordações e por estranha alquimia as converteu em moldura daquela poesia única. Raras vezes ausente da mesa-de-cabeceira, magnífico breviário laico, profundamente religioso na acepção terrena da palavra. Severo como ela, ventoso como a praia, sedento como eu de uma perfeição que bordejava a cada verso.
Foram anos de enorme gozo e também algum receio. Eu sabia o Eugénio pelas ruas do nosso Porto e um diabinho megalómano segredava-me que havia amigos comuns, por que não? Devo confessar, sem qualquer arrependimento ou sincera intenção de um dia o acolher, que menti com abundância a mim mesmo. Rosnei vezes sem conta que os poetas não devem ser incomodados, ver para lá das coisas é artesanato a tempo inteiro que dispensa visitas. Sobretudo curiosos diletantes, que nada acrescentam a forno, plaina, martelo ou escopro, muito menos a aparo lento por exigente. Era mentira, redonda se não anafada. Eu receava conhecer o espírito por trás dos versos, a mínima dissonância entre artista e obra espalharia mancha gordurosa nas páginas coçadas dos meus livros. De uma auto-complacência já confessada, não aceito compromissos no que às paixões diz respeito - o autor daqueles poemas teria de estar à sua altura, mesmo em simples conversa de guarda a café bebido à pressa.
Mas um dia…, troquei a mentira pela batota e pus a decisão no colo do Eugénio. Enviei-lhe a minha Tese de Doutoramento e decidi que não moveria mais um dedo, muito menos daria outro passo! E o tempo correu, forrado por um silêncio que aceitava e odiava ao mesmo tempo, não percebera ele que eu era apenas mais um fiel devoto e no entanto aspirava a tratamento privilegiado? Para onde fugira a perspicácia bondosa do poeta, que assim me empurrava para o espelho da minha mediocridade?
A caixa de correio ao fim da tarde. Um cartão singelo – “peço desculpa pela demora, problemas de saúde. Pensei que na Universidade portuguesa não se escrevia sobre temas desses. Muito obrigado”. Já recuei perante muitas portas entreabertas, mas naquele momento teria arrombado várias sem remorsos. Não foi preciso, fui bater à dos amigos que podiam fazer a ponte entre nós. E aterrámos no restaurante do Molhe. A noite estava amena e o Eugénio também, eu levei orelhas esfomeadas e um cisco de apetite, sentia-nos ambos sujeitos a exame sem época de recurso. Ele passou com brilho, a sua poesia assentava-lhe como uma luva, suspirei de alívio. Quanto a mim, decidi – com algum optimismo… - atribuir-me um dez salvador mas pouco glorioso, preparei-me para despedida grata e não menos grata recordação. E os olhos dele, zombeteiros. O braço no meu. Dois passos curtos ao lado e estávamos a quilómetros de distância de todos os outros, a frase nonchalante, doce, autoritária – “apareça para o chá um dia destes”.
Foi o princípio de uma amizade longa, esparsa por minha culpa, vivendo a um ritmo alucinante que ele fustigava sem contemplações. Sempre aceitei os argumentos dele, mas só há poucos anos os sinto na carne – o tempo dos relógios é curto para o tempo que exige o da meditação fecunda. É preciso eleger prioridades e as suas estavam claras: a poesia, os amigos chegados, a música, os livros, jamais perdoaria a si mesmo a dispersão que arrastasse o desleixo do fundamental. Discutimo-lo em abstracto e no concreto, o Eugénio não deixava que o afecto lhe embotasse a crítica. Com enorme placidez me escreveu o bilhete que reabriu velha ferida - “homem, você é um escritor, deixe o resto”. Com a mesma placidez escreveu outro, após a leitura de Muros: “meu querido amigo, o seu romance contém páginas muito belas e outras que mostram o pouco tempo livre que tem para se dedicar à escrita”. Se nunca lhe poderei agradecer a poesia, essa franqueza também não. Com ele pude sempre discutir um programa de rádio ou televisão, na certeza de que seria implacável para não ofender - ou sequer beliscar! - o que existia entre nós.
O homem que me convidava para tomar chá morreu. O gato que apenas me aceitou para o não contristar também. O miúdo esquivo mirando-nos, é hoje um rapagão desempenado meu colega. No Campo Alegre, palmeiras e gaivotas evitam olhar a varanda que foi a sua. Há poucas semanas, o Arnaldo Saraiva, guardião do Templo, referia-se com escandalizada bonomia ao esquecimento, por parte de tanta comunicação social, do aniversário do Eugénio. Compreendo-o. Se o facto é de uma injustiça tremenda, as consequências dele são risíveis. Porque o poeta encolheria os ombros com a mesma indiferença que reservou a algumas honras mundanas. E a poesia, essa, não precisa de ser recordada aos quatro ventos, vive em nós. De onde sai em ocasiões como a de hoje, para ser ouvida - luminosa, cortante, ascética, pagã, apaixonada. Como ele era.
Fiquem bem.

24 comentários:

Miguel disse...

Passo por aqui muitas vezes para ler o que se escreves. Nem sempre gosto do que escreves, mas aprecio a tua sinceridade e alguma ingenuidade (Porra! Descuidei-me! Afinal os portugueses somos muito formais e lá se me foi o Sr. Professor ou algo afim, mas como somos mais ou menos f«da mesma idade e já me habituei a tratar todo o mundo por tu, fiquemos assim).
Abraçoum

a sul disse...

frases de uma evocação tão correcta e amiga:

“Ficou o livro, buraco negro que sugou recordações”, “magnífico breviário laico”, “Já recuei perante muitas portas entreabertas, mas naquele momento teria arrombado várias sem remorsos.”, “o tempo dos relógios é curto para o tempo que exige o da meditação fecunda.”…

ou, quantos amigos sabemos coleccionar e a quantos nos é dado sobreviver …

Daniela Mann disse...

Blog fantástico, muito bem escrito!

sereia disse...

Olá Prof.,
E, a propósito de Eugénio de Andrade, um poema de que gosto muito: "Que música escutas tão atentamente"

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,
dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.

Este poema, entre outros pensamentos, recorda-me a minha avó - doente de Alzheimer - que durante os 4 anos que antecederam a sua morte, viveu com os meus pais. Netos e bisnetos, todos a visitávamos com bastante assiduidade, tentavam na medida do possível ajudar a minha Mãe, que muitas vezes vi à beira de um ataque de nervos e completamente exausta. Mesmo assim, fez questão de manter a Mãe junto dela.
Não é fácil, nem é para todos.

Angie disse...

Oh, diabo...ninguém me mandatou para o "defender", nem é forçoso que se entenda a matéria como calhada para cross examination.
Mas...Ingenuidade?
O próprio, o vero, o "nosso" JMV? (desculpe a apropriação indevida!)
Mas que grande elogio!!!
A sério: se alguém que conhece tão a fundo e de gingeira (e é preciso vir aqui para perceber QUANTO, quer nas suas linhas, quer e sobretudo nas suas entrelinhas) as melhores e piores coisas da amostra humana; as tortuosidades da mente e das acções de todos nós; e as máscaras e maquilhagens com que (ingenuamente, então sim...) aqui, ou noutro lado, ousamos aparecer...
Se esse alguém ainda mantém uma ponta de candura abençoada, é porque é dono de uma fortaleza enorme.
E de igual sabedoria: porque sabe que ninguém é tão bom, ou tão negro, quanto parece!
Essa é a arma dele e a sua superioridade.
...
Bem, mas como assim já estou irremdiavelmente condenada à lista negra dos "bajuladores" (coisa detestável que não consta da minha colecção de máscaras!), ainda aproveito o estado de (des)graça pra dizer:
Não faço recensões literárias - nem tenho competência para tal -, mas se eu tivesse que qualificar a sua escrita (a sua melhor escrita) diria dela que é:
- eufónica (como a de Oscar Wilde - poucos têm a noção de que a prosa também tem ritmo);
- de um simbolismo cheio de arrepiante realismo, como a de DHLawrence;
- de um estética linguística modernista e impecável (coisa que foi 1 revelação para mim, porque não a tomei como tal no seu livro "Olhos nos Olhos",salvo erro, pke sou péssima para títulos... mas acho que foi esse que li).
Quente, confortável e envolvente (dxcp, ñ me ocorrem outros adjectivos, mas não é 1 escrita fria, como tantas outras boas escritas).
E duas coisas mais, que partilha com o seu Eugénio: ascética e pagã... (Há lá coisa mais forte do que uma contradição bem coerente?)

Está na hora de se levar a sério e fazer 1 antologia de contos!

fora-de-lei disse...

Um belo discurso de homenagem ao homem que o convidava para tomar chá !

Pamina disse...

Boa tarde.

O medo de se ficar desiludido e o medo de desiludir…Por vezes é preciso arriscar. Que pena, se este encontro não tivesse acontecido.
O envio da tese lembrou-me algo que a Agustina Bessa Luís contou num documentário que passou na televisão. Para quem não viu: ela enviou o livro "Mundo fechado" a vários (grandes) escritores, entre os quais Teixeira de Pascoaes que já se encontrava muito doente. Não recebeu resposta e, como ele morreu pouco tempo depois, pensou que não teria tido tempo de o ler. Ao fim de dois anos, recebeu um telefonema duma sobrinha dele, comunicando-lhe que tinha sido encontrada uma carta, que lhe era dirigida e que depois lhe foi entregue, com uma apreciação do livro. Imagine-se, depois de já ter perdido completamente a esperança, o que deve ter sido receber essa carta que é, aliás, gentilíssima e muito elogiosa. Aqui, pode-se igualmente calcular o significado do "cartão singelo", quando a esperança de receber resposta também já começava a desaparecer, e, ainda mais, o do "apareça para o chá..." Tendo em conta a reacção do gato, talvez nota 18.:)
Quanto ao aniversário, é o costume neste país. Quando um escritor morre, durante um dia ou dois, todos os media fazem um grande alarido, como se realmente o apreciassem, e depois o esquecimento.

Embora não tenha a ver com o post, ainda uma coisa curiosa a propósito da Agustina: ela conheceu o marido através dum anúncio que pôs no jornal. E acertou na escolha! Acho uma história deliciosa.:)

O Sical disse...

Apreciei muito essa sua definição de poeta, ou do que é poesia: " ... os poetas são exibicionistas pudicos, à mercê da análise dos sentidos e dos relâmpagos da intuição."

lobices disse...

...um abraço

Julio Machado Vaz disse...

Angie,
O próximo livro sai em Abril, mas não é de contos e sim de contas... do meu rosário:), é autobiográfico.

maloud disse...

Que pena ter-se perdido o ritual do chá, e tantos outros rituais que tornavam a vida mais doce.

Angie disse...

Como é que é essa história da Agustina?!!!! Um anúncio?
É obra!
Se há coisa porque às vezes lamente não ser do Porto é não poder fazer fé completa em certas lendas que os tripeiros me contam acerca dela: e acerca de todas as pessoas, tintim por tintim, que ela expõe nos seus livros. Assim, tenho que me ficar pela dúvida sistemática. Não posso comprovar por ciência própria...
Mas essa do jornal é demais.
E se então resultou...só mesmo com ela!!!

Angie disse...

Professor: Autobiográfico?!!!
É desta é que nos dá uma coisinha má!
Os murcónicos não vão comer, nem dormir, nem trabalhar, nem deprimir, nem stressar, nem gerir a família, nem ...(isso que está a pensar) enquanto durar a leitura do livro.
As editoras que se cuidem: se se lembrarem de o reproduzer em cartão e tamanho natural, por essas Fnacs e Bertrands fora (como fizeram com o MST) não vai sobrar uma amostra!!!!
(com o devido respeito pelas Marias deste mundo...)
"Fugimos consigo" debaixo do braço, com a polícia municipal na peugada, e metêmo-lo na sala, com o braço estendido por cima da pedra da lareira, na sua pose habitual!
Aquilo é que vai ser falar "para a parede"...

andorinha disse...

Boa noite.
Bela homenagem (apesar dele não gostar da palavra) a Eugénio de Andrade.
Atrevo-me a destacar algumas frases que considero marcantes.
"Ficou o livro, buraco negro que sugou recordações".
"Já recuei perante muitas portas entreabertas, mas naquele momento teria arrombado várias sem remorsos".
"...o tempo dos relógios é curto para o tempo que exige o da meditação fecunda".
Ainda bem que um dia trocou a mentira pela batota e pôs a decisão no colo do Eugénio. Já pensou o que poderia não ter acontecido se não o tivesse feito?
A vossa relação, para além de tudo o mais, deve ter sido fantástica por se basear na franqueza acima de tudo.
Eugénio disse-lhe: "homem, você é um escritor, deixe o resto."
Eu só não digo, deixe o resto, mas digo, você é um escritor.:)

maloud disse...

Angie, você podia ser do Porto. O mesmo não digo da maioria dos "mouros"

Anónimo disse...

Par'Ábrila? E ainda tens tesão para isso ou usas apenas e só a língua e dedo? ;)

moon disse...

Buenas noches!

E não é que "o raio do homem
escreve tão bem!":)))))

fora-de-lei disse...

Angie 6:16 PM

"Se há coisa porque às vezes lamente não ser do Porto é não poder..."

Lamentar não ser do Porto ??? É pá, mas que coisa mais deprimente. Olhe: de cada vez que tiver esse tipo de sensação, tome um Zoloft em regime SOS. Vai ver que isso passa-lhe... ;-))

Ai Mouraria
da velha Rua da Palma,
Onde eu um dia
Deixei presa a minha alma.

LM disse...

Sublime,Professor!
E que saudade do próximo livro!

CêTê disse...

Boa noite, a todos.

Conheço pouco do Poeta, ainda menos do homem que tanto homenageia mas gosto quando a poesia dele acontece, aqui- por sua mão ou pela mão de outros.

É tão bom ter um amig@ assim, não é? É como ter uma alma gémea- não complementar- uma espécie de colone parcial feita da mesma matéria que são feitos os nossos sonhos e desejos.

Um abraço!

Não acredito (e faço votos para que esteja certa ;] que exista vida para além da morte mas com os gatos deve ser diferente...
O gato deve-se lembrar de si...
Quanto ao seu amigo... bem ele anda por aqui... os os poetas não morrem!

Os psis não têm escapa. ;]


Aliviado?

Angie disse...

Pronto! Falei em ter alturas em que lamento não ser do Porto e veio logo a camisola e a anti-camisola ao decimo!

- Maloud: obrigada pela distinção, mas não sou "moura". Fiquei na linha de água (ouf!), talvez um pouco mais acima. Aqui ainda é condado portucalense, do genuíno.

-Fora-da-Lei: não, não preciso de medicação...pke eu não nutro nenhuma tristeza especial por não ser do Porto. Estou bem onde estou (quer dizer, mais ou menos... mas as razões pelas quais não gosto às vezes do meu sítio não passariam com a migração a norte, quer-me bem parecer). - Ai, mouraria? Ai, Mouraria, pois claro! E nem sonha você o que eu gosto de 1 boa fadistice. E o quanto gosto da luz de Lisboa (quer de dia, quer de noite...), com o Tejo sempre debaixo de olho, do Jardim do Tabaco, de almoçar nas tasquinhas das Janelas Verdes ou no self do jardim do Museu de Arte Antiga. E da movida cultural que por lá se dá, pois claro, somos um paizito pequeno, e macrocéfalo. Há que aproveitar! E quem não gostar não é bom da cabeça (acho eu). Mas odiaria ter de viver na kapital...A não ser que tivesse um estatuto de todo improvável: casa na Lapa, barco na linha, cavalo em Sintra, casa de Verão nas Azenhas do Mar e....os inimigos todos no Linhó! Aí, tudo bem! - Mas, e agora a sério, já reparou? Há certas coisas em que Lisboa é de um atroz provincianismo! Bem pior (pela "responsabilidade agravada") do que aqueles sítios (e pessoas)que pertencem , alegadamente, ao tal "interior". Àquele célebre "resto" que é paisagem. Basta pensar: - Quantas pessoas são MESMO de Lisboa?! Uma ínfima parte! A maioria são desenraizados, descaracterizados, arrumados em moles gigantescas de cimento, nas tais "estantes" de que falava o Alçada Baptista...

Não, escolha por escolha, mudar por mudar era para cima! (não tenciono, mas digo mtas vezes que entre Lx e Px, mil vezes o Porto). Porque no Porto ainda se consegue viver, e muito agradavelmente:
- são as pessoas que são mais autênticas (às vezes até um pouco demais, mas isso foi 1 esborratadela na tinta do pintor incauto!);
- a luz (que não é tão bonita quanto a de Lisboa, porque não parece tão coada, mas é cortante e doce,como os autóctones);
- o tempo que ainda é à escala humana;
- as casas dos séculos passados, a espreitar ajuizadas atrás das avenidas pujantes de vida, mas impecáveis e orgulhosamente de pé;
- a animação(que é muita e em todas as frentes) e a hospitalidade (com H!)
- e aquela coisa única que é a sua beira rio/ beira mar, simplesmente um esplendor (e com essa é que eu não me aguento: fico de pedra e cal).

E acresce que para uma mãe de família tem outro atractivo adicional...
-ou será que é ao contrário...e foi Deus que me deu 1 ajudinha na geografia residencial
sem eu ter percebido?-
...é que o estádio do clube DELES fica ali bem perto, para as bandas das Antas...

Um belo dia arranjo um pied à terre, coisita pouca ali para os lados da água...E deixo-me ficar a ouvir a Sophia!

fora-de-lei disse...

Angie 2:14 AM

Há cerca de vinte anos, por razões de ordem profissional, fui "obrigado" a viver durante dois anos na Invicta (vivia na Serpa Pinto, perto do cruzamento com a Constituição). Por isso, sei do que fala, nomeadamente no que diz respeito à hospitalidade dos tripeiros. Cinco estrelas... :-)

a sul do noroeste anordestado e a norte de nenhures disse...

ai que nervos

são disse...

Num ataque de egoísmo supremo, não resisti a transcrever, aquele que é para mim, o melhor entre os melhores...

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

Eugénio de Andrade

São