quarta-feira, dezembro 28, 2005

Cêtê falou de melancolia...

... e eu lembrei-me de uma crónica que escrevi há muito tempo:).




Desmentido


Se disserem que parti, não acredites.
Quem? Sei lá! A senhora da mercearia entregando o troco, algum puto reguila que espere a teu lado o verde para atacar a passadeira, a locutora de seios fartos e neurónios raquíticos do programa da manhã, uma daquelas “amigas” que se esquecem de assinar as cartas ou pousam o auscultador antes de dizerem o nome. Sei lá...
Não acredites.
É verdade que o silêncio invadiu a nossa vida, já não me lembro de conversarmos. Pior!, já não me lembro se algum dia o fizemos. Hoje falamos. Pouco. Esgrimimos as palavras indispensáveis ao bom andamento das refeições, à partilha equitativa da televisão – quando não te refugias no quarto com a portátil -, ao ingresso matinal sem atropelos no quarto de banho. Extra-muros restam as de circunstância nas visitas às respectivas famílias e no almoço de curso, durante o qual sempre nos dedicam um brinde por sermos o casal perfeito da nossa geração. É pouco. Mas chega. Aposto que pensas o mesmo, há anos que te não ouço protesto ou remoque. Ultimamente, creio mesmo termos descido mais um degrau nesta ascese comunicativa, ambos utilizamos com frequência o grunhido como resposta, apenas a entoação dá a entender o seu significado. E funciona! (Vantagens de uma longa convivência...) Mas poderão insinuar que parti em busca de companhia que me desate a língua e ressuscite os ouvidos que para ti entraram em greve sine die.
Não acredites.
É verdade que os corpos seguiram as palavras. Primeiro refugiados num sexo mecânico e estereotipado em noites de dias certos. Não digo ineficaz, essa história sobre a necessidade do amor e da comunicação é balela de filmes românticos e especialistas gananciosos; uma vez aprendidos movimentos e ritmos, o prazer físico salta como o joelho no reflexo rotuliano, esteja a cabeça vazia ou cheia de outra pessoa. Sim, outra pessoa, nunca to disse. A princípio escondia-o, depois nunca estive tão furioso que desejasse lançar-to à cara. Nada de importante, uma colega do escritório. Colega? Que exagero! Umas pernas elegantes cruzadas na secretária junto à minha, a saia trepava apenas o suficiente para exasperar a carne, o mesmo acontecendo às profundezas do decote, o cabelo à Veronica Lake escondia-lhe a cara. Melhor, nunca desejei a intimidade de uma troca de olhares, muito menos “bons dias” sugestivamente alegres ou despedidas de prometedora melancolia ao fim da tarde. Tinha dela o que precisava. O resto só poderia ser uma desilusão ou o princípio de uma carga de trabalhos, passado o entusiasmo inicial essas histórias clandestinas são de um ridículo atroz. Colava a sua imagem à tua face, quando ainda era necessário obrigar o corpo a fingir de quando em vez. Felizmente, hoje o sexo também se esconde por trás de grunhidos e monossílabos, tu vais para a cama cedo ou sofres de enxaqueca, eu refugio-me na net ou no clube de bridge. Manobras de esquiva inúteis, nenhum de nós já espera nada, um dia destes passo para o quarto dos rapazes. (Quanto à importância do sexo, considero-a sobreavaliada, a masturbação chega-me perfeitamente para relaxar e adormecer.) Mas admito que sussurrem ter partido a reboque de alguma paixão outonal.
Não acredites.
É verdade que ao pôr a hipótese de invadir o quarto dos rapazes me assalta uma tristeza enorme, a casa parece – e está! – vazia sem eles. Acho que foram uma no man’s land entre nós, encontrávamo-nos os quatro algures entre as trincheiras desta mútua indiferença. E o armistício era de boa fé, dos seus risos sobravam alguns estilhaços que recolhíamos sem esperança ou rancor. As preocupações da moda com os adolescentes não nos punham ombro a ombro, mas pelo menos cruzando os dedos no mesmo exorcismo às drogas, acidentes de viação e fracassos escolares. Se um dia aparecerem, não acredito que tal aconteça com os netos, não voltaremos a estender os braços um para o outro, nem mesmo para segurar um bebé. Dito isto, é possível que digam ter eu esperado a sua partida para também fazer as malas.
Não acredites.
Vou simplesmente passar o dia à quinta, gosto de a saborear sem o peso da minha solidão reflectida na tua. Estarei em casa - como e para sempre... – à hora de jantar.


P.S. Como é óbvio, não se tratava de uma carta encapotada a Maria! Escrevo-lhe desde os doze anos e nunca o desencanto meteu o nariz em tal monólogo dialogante:)))))).

73 comentários:

Anónimo disse...

interessante monólogo professor.

Anónimo disse...

12 anos? que coincidência.

JG disse...

porque é que o amor se torna um hábito professor!?!se calhar só existe mesmo a novidade..depois tudo se transforma em banalidades..rotina..até surgir um novo renascer..tudo de bom para si prof no novo ano

blogo existo disse...

Escrever uma carta a Maria deve ser tão importante como escrever uma "Carta a Garcia". Ou seja, quem importa saber quem é, como é. Que importa saber onde mora e o que faz. O importante é cumprir a missão -que a carta chegue ao seu destino- o destinatário saberá reconhecer e não matará o mensageiro.

noiseformind disse...

Os filhos... esse armistício em lume brando ; )))))))) quantas vezes as Marias deste mundo não nos dizem "Tu é fácil seguires em frente, não os tens todos os dias contigo"... reparei nisto nem sei bem pq. ; ))))))))))
Mas reparei... e lembrei-me...

ido disse...

Ninguém parte. Apenas vamos de viagem aqui ou ali. Voltamos sempre mesmo que não regressemos.

Vostradeis disse...

Casem-se primeiro. Falem depois...

Cláudia disse...

É espantoso como, através das suas palavras, tudo parece incrivelmente belo e simples. Até a melancolia. Até a tristeza mascarada de outra coisa qualquer que transpira deste texto.

Se cá não voltar antes, deixo ficar os votos de um Novo Ano de 2006 cheio de boas surpresas a espreitar ao virar de cada esquina.

Feliz Ano Novo para si Prof. e para todo o maralhal... Beijinhos ***

Julio Machado Vaz disse...

Dreamer,
Entrou no post anterior. Era aquele?

mtc disse...

Caro Dr JMV


Não, não era aquele. Mas não tem importância. Só estranhei e achei curioso o facto do Ram ter postado o mesmo poema que eu também me lembrei de citar praticamente à mesma hora.
São estas coincidências da vida...e também porque estamos no Inverno :))
Never mind:)
São os mistérios destas novas tecnologias que por vezes (quase sempre) ultrapassam-me:)
Thank you anyway.


POEMA DE INVERNO
de Eugénio de Andrade



Veio de longe, e mal chegou
partiu para mais longe ainda:
só o tempo justo para fazer
das águas dormentes do meu trôpego
coração
um rumor de sílabas matinais.


Como toda a gente que partilha
com a luz a sua vida
era muito inocente, trazia do local
onde nascera
o ardor das coisas do mar.


Não sei de alegria mais pura
como a que morava nas molhadas
pedras dos seus olhos,
e baila ainda nas chamas
em qualquer lugar da casa.


Ao fim da tarde, o canto
do pequeno pássaro e o vento diziam
a mesma coisa: não deixes o incêndio
do deserto invadir-te o coração.
Sem que tu o suspeites, sequer.

eva jasmim disse...

Hoje apeteceu-me escrever e gostava de partilhá-lo convosco!
Então começa assim:

"Abriste rápido. Terá sido o desejo ou o nervosismo?
Olho para ti e nunca sei se estás a sorrir ou se é um tique, acto involuntário, que expressas sem te aperceberes.
Quando me vês sorris.
Quando te vejo ri-o.
Vejo em ti a espontaneidade e pureza que eu não tenho. As amarras a que estou presa num quotidiano repetido permitem-me, paralelamente ao teu sorriso aberto, sentir que hoje sou livre. Estás na minha mente. Hoje procuro inspiração em ti.
Aliás, era importante que o fosses para todos. Sabes porquê? Eu digo-te.

Ouves uma música na rádio, gostas dela e qual é o teu ímpeto? Dançar.
Estejas onde estiveres, seja no consultório ou a ver e-mail, seja a almoçar em família, ou na escola, ou no banho e supermercado.
Vem de dentro de ti a´"música do coração".
Danças sem pudor, sem preconceitos, como se não houvesse mundo em teu redor.
Eu. Eu observo-te e tento acompanhar-te. Gesticulo timidamente. Olho desconfiada para a multidão e penso que todos deviamos ser como tu: pura.

Hoje vens um pouco triste. Meto conversa contigo e tu encolhida, apenas me olhas...
O que tens?- pergunto-te preocupada.
Respondes que não consegues contrariar a passagem do tempo. Respondes que és feliz. que te sentes feliz.
Envoltas num silêncio perturbador deixo-te reflectir. Tento entender o teu olhar. Não sei descrevê-lo. Desculpa.

Partes sem nada dizer e se eras libertação e espontaneidade outrora, hoje representas a prisão dos meus movimentos.
Temos pouco tempo para estar aqui. É necessário este trajecto para que um dia mais tarde possa entender que no teu silêncio, outrora cálido e reconfortante, existem agora palavras sem eco, sem sentido, confusas...

Deixaste de aparecer. Deixaste-me aqui, presa ao tempo de ilusões sem cor.
Deixaste o teu rasto e energia. Eras incansável. Onde estás?

Tic-Tac.
Tic-Tac.
Tic-Tac.
É este o som que dizias ouvir sem fim dentro de ti. E que a cada passo que davas querias pará-lo.
Dizias estar farta, que passava muito rápido...

Estás a tremer de euforia porque parou. "Parou" - dizes-me.
Deixaste de ouvir e agora está tudo mais calmo e saboroso. Fico feliz por ti. Estavas demasiado perturbada.
Tic- Tac.
Tic-Tac.
Tic-Tac.
Ecoam em ti os ponteiros da vida.

Na brevidade de mais um momento, tocas na garganta e sentes o teu coração bater mais rápido que o ponteiro dos segundos e nesse segundo, nesse mesmo segundo parou... quando então, muito baixinho, sussuraste ao meu ouvido:

-"ouvir dizer que a morte está escondida nos relógios". -
Chiiiiu!!!

eva jasmim disse...

Que texto maravilhoso!... estou sem palavras ... q bem descreve os meandros problemáticos ou apáticos da sobrevivência de tantas casas e famílias...

Pensava que a minha família tinha uma forma de "funcionar" disfuncional mas... vejo que não!

Desejo-lhe um novo ano repleto de sorrisos sinceros e sentidos...

Adoro vir aqui!

Ameninadalua disse...

Ai! A Melancolia!

Decorrente da tristeza, é aquele "estado de graça" que nos permite divagar para o sonho e quem sabe para a criavidade e até para a poesia!...Esta sua carta é sinal evidente disso...
Confesso que tambem gosto destes "mergulhos" para a melancolia mas sabendo que posso sempre ter um regresso "reforçado" para a alegria do estar na vida...

Fazem-nos bem estas reflexões, abrem-nos mais para a lucidez; ajudam-nos a arrumar nos "cantinhos" certos os nossos pensamentos e as nossas emoções.E tudo se torna mais claro, mais simples para nos aceitarmos.

Miduxe disse...

Ler o que por aqui se escreve alivia os meus pensamentos!
Beijos e boas festas!

Paula disse...

eva jasmim (4:52 PM)

Olhe que já postou aqui esse mesmo texto no dia 23 de Dezembro! Está esquecida?

Fonix renascida disse...

“Manobras de esquiva inúteis, nenhum de nós já espera nada, um dia destes passo para o quarto dos rapazes.”



Há também a opção sofá… mas chega a “doer” quando nos apercebemos que a cama quando a temos de volta é grande demais… felizmente os pequenos ainda ocupam os quartos deles…

jose_pardal_diabrete_jr disse...

Oh, professor…
please…
Aprove este meu comentário!
Não é fácil expor aquilo que me vai na alma
sem que os seus olhos possam contemplar as minhas palavras.

Isto sim, agora é um Blog com classe!
Fora com os assalariados!
Fora com os "ganzados"!

Acabou-se qualquer espécie de truque para escapar à vigilância da ditadura.

Falemos de melancolia!
Falemos, sei lá…
de tudo aquilo que seja contra a sugestibilidade dos amores impossíveis.

Professorinho,
Ai! Eu gosto tanto de amores impossíveis…
(principalmente quando não tenho o carro ao fim de semana).
Ui! Quão longe estamos dos poetas líricos, hein!
Não podemos perturbar a sala?
Ok!
Vou tentar regular e calcular com antecedência
a hipótese deste comentário ser aprovado.

Ora bem, que mais posso dizer?
Quero aproveitar o meu tempo de antena.

Ah, a melancolia, é isso mesmo.
Doce melancolia!
Será mesmo melancolia?
Não será uma fraude das minhas emoções?
Das nossas emoções?

Gosto de poetas, professor!
Gosto!
Gosto!
Vemo-los agir (os poetas) e abre-se o véu da nossa sensibilidade.
Mas…
é preciso tomar boa nota da credulidade e da incompetência
de alguns – os poetas – que assinalam a morte do hiper-realismo.
Não?!
Sim?!
Não acha professor?
Achar alguma coisa não é complicado,
mas das observações, entretanto, se impõem:
de um lado, é preciso cuidado com as aparências.

Ahahahahah!!

Bem, professor,
obrigado pelo privilégio deste simples e humilde rapaz da cova da moura
ter a oportunidade de conviver com personalidades tão ilustres.

Ah, a minha mãe também agradece.

Julio Machado Vaz disse...

Ó Diabrete,
Be my guest:).

Angie disse...

«...É verdade que o silêncio invadiu a nossa vida, já não me lembro de conversarmos. Pior!, já não me lembro se algum dia o fizemos. Hoje falamos. Pouco. Esgrimimos as palavras indispensáveis ao bom andamento das refeições, à partilha equitativa da televisão – quando não te refugias no quarto com a portátil -, ao ingresso matinal sem atropelos no quarto de banho. Extra-muros restam as de circunstância nas visitas às respectivas famílias e no almoço de curso, durante o qual sempre nos dedicam um brinde por sermos o casal perfeito da nossa geração. É pouco. Mas chega. Aposto que pensas o mesmo, há anos que te não ouço protesto ou remoque. Ultimamente, creio mesmo termos descido mais um degrau nesta ascese comunicativa, ambos utilizamos com frequência o grunhido como resposta, apenas a entoação dá a entender o seu significado. E funciona! (Vantagens de uma longa convivência...) Mas poderão insinuar que parti em busca de companhia que me desate a língua e ressuscite os ouvidos que para ti entraram em greve sine die.
...É verdade que os corpos seguiram as palavras...»
...................................
É arrepiante esta "pan-biografia"...
Tão arrepiante que dói!
(Será que é o modelo que não funciona mesmo? Ou as pessoas que perderam a arte de o merecerem?)
Seja como for, é um texto lindo, tão autêntico que impressiona.
Professor: não sei se O viveu, ou se simplesmente foi capaz de O entender.
- E que mais se pode pedir a um psi?
Nada!
De facto, ele não está ali para resolver as coisas que só cada um pode resolver. Não se pode pedir que receite o medicamento certo que irá repor a normalidade fisiológica. Não se pode pedir que realize a cirurgia necessária e salvadora.
Se se conseguir isto que aqui está, a compreensão total de tudo o que acontece, é já um milagre. E a ajuda estará garantida.

Impressiona-me a omnisciência. Impressiona-me a serena tristeza. Que bom era se todos os desencantos pudessem ser assim: leais!
É verdade: leais.
A lealdade é mesmo a última coisa a sacrificar.
Será assim tão difícil?
"Desmentido" é um título óptimo. Eu estragá-lo-ia e chamava-lhe
" Um desamor leal"!


E termino com um RECADO A UM CINEASTA:

SE ALGUÉM um dia em Portugal se lembrar de fazer um filme normalzinho e decente sobre coisas da vida., e ensaiar um "Kramer vs Kramer" lusitano
(por que diabo estamos nós condenados a consumir sempre os esteriotipos americanos)
espero bem que se lembrem de o chamar.
Se não for para escrever o guião, pelo menos para co-escrever e, em definitivo, dividir tb. a realização
(nada mais importante nesse tipo de filmes do que a capacidade de transmitir nos pequenos nadas dos gestos e das entoações o estado de alma. E para isso, é preciso um paleógrafo da mente....)

- Já pensou em propor essa coisa tão simples ao seu companheiro de bancada A-P Vasconcelos? A história simples (?)de um casal em rotura, que não precisava de ser nem dos bas-fonds, nem dos miríficos mundos do Manoel de Oliveira?
Seria 1 sucesso de bilheteira, tenho a certeza...

Su disse...

amei reler..sabe que a tenho no pc
vero...
jocas maradas

Maite disse...

Delicioso este desmentido!

"Vou simplesmente passar o dia à quinta, gosto de a saborear sem o peso da minha solidão reflectida na tua."
Duas solidões, que à primeira vista apenas se suportam, que são feitas de cumplicidades adormecidas mas indestrutíveis(não me parece que se deixe ficar por comodismo) e quanta ternura empresta às palavras para assumir a distância que os tem separado.


P.S. obrigada RAM

Julio Machado Vaz disse...

Angie,
E a reconciliação final seria no Estádio da Luz!!!!!! Magnífica ideia:))))). Como vê, quem imagina finais destes não seria aceite por nenhum realizador:(.

Zante disse...

torpor esquisito ...
por mim já estaria arrumado na cave, prestes a ir para o lixo.

quezilenta lenga lenga, qual doença imaginária minando os dedos e impedindo-os de tocar guitarra...

mesmo em ilhas desertas os faróis querem-se pujantes ainda que solitários.

Angie disse...

Professor: Não!!! Nada disso!!!
Não haveria reconciliação alguma, a história era mesmo a da rotura, pura e dura.
Nada de happy endings!
Mas se quer um cenário final a preceito e insiste no jogo de futebol...então teria de ser uma homenagem ao passado.
´Não era essa a mensagem essencial do "Desmentido"?
...E para isso nada como a simbologia inigualável de um jogo da Académica!!!
Glórias passadas, mitos de juventude, fetiches, recordações empolgantes, "am (ad) orismo", paixão a preto e branco, irreverência...e um presente sereno e leal.
Tudo, absolutamente tudo a condizer...

- Já viu melhor?!

"DESMENTIDO" AOS ECRÃS!!!!

Maze disse...

Boa noite murcons,
Prof., isto de escrever realidades esmagadoras, que nos deixam sem argumentação não vale... depois deste texto não há mais nada para dizer ou fazer... e não pode ser.

Pamina disse...

Boa noite

Gostei de ler a radiografia (ou relatório da autópsia). Não merece a pena dizer que está muito bem escrito. Para além disso, está terrivelmente (nas duas acepções da palavra) bem observado. Foca os pontinhos todos. Apetece dizer no fim "é mesmo isto".
No entanto, a chama pode reacender-se e, por vezes, um velho amor renasce destas cinzas rotineiras (porquê não sei, mas acontece).

Concordo com o script para o filme. Agora o fim no Estádio da Luz, francamente!!!:) O fim tem que meter estações de comboio, como no "Um homem e uma mulher". Alguém se lembra deste? Tinha na banda sonora o Samba da Benção (É melhor ser alegre que ser
triste...) do Vinicius, com letra em francês.

Um abraço JMV e saudações Maralhal.

CêTê disse...

As palavras fogiram em bando atordoadas...
Gostava de enfiá.las como quando com seixos rolados e conchas partidas se faz uma pulseira para oferecer a Alguém.
Um Amigo falou-se, um dia, das "transparências" da alma e ela existe de facto! As emoções mais fortes da vida dão-nos essa capacidade: a transparência e a capacidade de ver para além das aparências...
Por isso, o estado de anonimato que tanto aqui se fala, é um falso "manto de invisibilidade". Mas que se deve respeitar porque só pode ver quem sabe!
(não deixe, esses textos na gaveta, porf avor!)

(Fiquei um pouco "comovida" por ouvi-lo dizer o meu "nome".)

;* - Hoje foi um dia cheio que me arredou do vicio do trabalho e deste prazer, por isso vou-me permitir voltar para poder ler toodos os comentário)

moon disse...

Ok!
Temos aqui o retrato mais ou menos fiel da maioria dos casais (bem casados) que eu conheço.
Uma alegria...!
Uma tristeza, digo eu! A isso chamo de sobreviver... Tentei sobreviver mas não dá. Por isso, ou dou a volta ao Manel ou...

Estou como a Mae West diz:

«Não são os homens que contam na minha vida; é a vida nos meus homens.»

Daqui a uns tempos conversamos...

Boa noite maralhal!
Sweet dreams...

blogico disse...

Como cineasta pobretanas, vou-me contentando em sonhar adaptar "Muros" a película... Professor, um dia, talvez, quando eu tiver verba para isso, ainda vai receber uma chamada minha a pedir a sua autorização...

Um bom ano para todos!

P.S. E já que se fala de melancolia...


Melancholia:

Um poente da cor do passado
um sépia quase sangue
um olhar sonolento para longe
um horizonte perdido

uma torre tombada
no xadrês do tempo

não há como voltar
à grandeza de ontem

e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia

um barquinho moderno no mar
com alma de argonauta
um herói cego por tanto ver
um velho sem comer

uma canoa no Tejo
um fado na taberna

e cai a nostalgia
como concha vazia
que a maré deixa aos pés
e rói a melancolia


de Carlos Tê

Lusco_Fusco disse...

Boa noite a todos!
Mahatma
Estes Natais!!!!!
Não deviam ter posto passas nos formigos(mexidos) :o)
Na próxima Mahatma peça para meterem sultanas (saris, danças de ventre e quejandos). “Tadinha” da Maria… Sempre a Maria!!!! È a “Mariafilo”, a multiusos :o)
Mas é fiel, o Prof., nos bons e os maus momentos.
MJ

PS: Agora vou ler os comentários que nem tive tempo.

Lélé disse...

Boa noite, Professor. Vim apenas pedir desculpa a si, porque deve ser o único que lê de verdade os comentários do outros, por ter cometido a vaidade de ter colocado um ou dois comentários em posts anteriores. Continuo a achar que há pessoas que me parecem lindíssimas (a título de exemplo, repito, amok_she), mas reparei que também as há que me parecem perfeitamente podres de inveja, com uma frágil maquilhagem, que não convence, de seres humanos sublimes. Sim, a cultura destes comentadores é imensa, não lhes chego nem perto e também sou invejosa! Mas que interesse pode ter tanta cultura, que parece servir apenas pra exibir? Uma cultura demasiado superficial, que conduz "à vontade de ir saborear a quinta sem o peso da própria solidão reflectida noutro"!

Sical disse...

RES NON VERBA às 11:46 AM do post anterior disse algumas coisas interressantes e que subscrevo. Ainda fui tentar procurar o que há mais de um mês aqui escrevi sobre as condutas a ter-se nos comentários. Não encontrei, nem me demorei para isso.Se não me falha a memória a Pamina, a Andorinha, a MeninadaLua, a Amok_She, a Yulunga também por essa altura se pronunciaram no mesmo sentido. Mas às vezes também são os indefectiveis do blog e com nicks em azul que abusam. Ás vezes até há sobranceria, que se pode tornar pior do que a falta de educação em conviver. porque quando falta, falta, não há, não se tomou chá em pequeno. Também não se valoriza. Agora quando há acinte consciente e objectivo, a história é outra. Eu não tenho razão de queixa de ninguém. Mas vi comentários dirigidos a outros que não me agradaram.
Sobre a sobranceria tenho a dizer o seguinte:
entre os 15 e os 20 tem-se a mania de que se sabe tudo;
na casa dos 20 tem-se a certeza absoluta que se sabe tudo;
na casa dos 30 começa-se a aperceber de que não se sabe tudo;
aos 40 sabe-se que não se sabe tudo;
aos 50 começa-se a aprender algo;
aos 60 começa-se a ganhar alguma sabedoria;
depois julgo que já quando se sabe, morre-se.

Quanto a este post: "É pouco. Mas chega". Isto é acomodação. Tanto dá no amor, como no casamento, como no empenhamento e exigência civica, como ainda na exigência que devemos nós próprios. E é sempre devidi a um qualquer excesso.

blogo existo disse...

Admirável este seu texto. Subescrevo na totalidade. No entanto, diga-me, a destinatária chegou a lê-la? Ou o Prof. é assim tão mortal como qualquer um de nós, em que é mais fácil escrevê-las que dizê-las?

andorinha disse...

Boa noite.

Só consegui chegar agora, mas ainda a tempo de ler este belo "Desmentido".
Como já foi referido pela Angie, é um texto lindo, tão autêntico que impressiona.

Júlio,
Ainda bem que se lembrou desta crónica, agradecemos-lhe o miminho.:)
Agora reconciliação final no Estádio da Luz?????
Concordo com a Angie e a Pamina - não será o cenário mais apropriado.
E também não gosto de "happy endings" metidos a martelo; a rotura ou a incerteza quanto ao desfecho final seria muito mais interessante.
De outra forma seria um filme muito banal.:)

Mentira disse...

E no fim, disse tudo: - Desencanto!

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor

Chico Buarque

Anónimo disse...

O exercício mais ou menos fácil da gratidão apresentar-se-á sempre acanhado perante este delírio omnisciente que promove o conforto das suas palavras. Delirante porque auto referente; omnisciente porque imaginado universal para os que desfrutam da luxúria de o ler. Este retorno diário é, languidamente, um dos poucos alentos da existência que se torna tão volátil e fugaz ainda que gravada a fogo. Bem-haja por esse dom ao qual uma ateísta chama alma.

CêTê disse...

(……………………………………………………)
O seu texto, professor, é …. Simplesmente: S-O-B-E-R-B-O!
Ficcionado, claro mas grandioso!
A jantares será pouco provável… mas solicitar um autógrafo da próxima obra…



“Não se pode pedir que receite o medicamento certo que irá repor a normalidade fisiológica.- Angie”- que bom seria que houvesse um(a) Angie em cada médico.

Desconhecia esse poema de Carlos Tê: Lindo (“Blogico”)

T.P.C: Fugiram, fugiram, fugiram, fugiram, fugiram, fugiram, fugiram, fugiram,
;] Durmam bem!

res non verba disse...

Bem, as metáforas da evasão metfórica, são (o que são???!!!!!!!). ... Bem, não são o quid!
As metáforas não chegam para as fugas para a frente!

peciscas disse...

Este seu texto é, seguramente, o retrato exacto de muitas vidas.
A sua profissão confere-lhe um lugar privilegiado para colher os dados. A sua sensibilidade e a sua qualidade literária fazem o resto, ou seja, o acertar no alvo das nossas emoções.
E, todos nós, acabamos, nem que seja minimamente, um pouco retratados neste texto.
Há que o assumir.

Julio Machado Vaz disse...

Blogo existo,
O texto é uma ficção a partir de reminiscências. Várias. Nunca pus a carta no correio para ninguém, nunca atirei o seu conteúdo à cara de ninguém. E no entanto seria falso dizer que não vivi nada disto porque vivi. Sem quinta onde me refugiar:))))). Obviamente com a minha parte de culpa, sical tem razão, aos 56 já aprendi algo - o conflito aberto ou o desencanto clandestino entre os membros de um casal não se compadecem com uma visão de western, com os bons de um lado e os maus do outro.

Sical disse...

Texto Ficcionado?
Pois seja.
Mas que se ajusta a vida de cada um. Um casamento é algo dificil de manter. E seria interessante se todos nós dissesse-mos a razão porque mantemos, se é que mantemos. Ou porque se separam querendo manter.
"É verdade que o silêncio invadiu a nossa vida".
Mesmo os casamentos que correm bem têm esta invasão amiúde.Porque nem todos têm a possibilidade de "saborear sem o peso da minha solidão reflectida na tua". Os casamentos têm muita falta de espaço para cada um. julgo que os apartamentos a isso confinam.
Mas a "mútua indiferença" indiferença mata qualquer relação. A indiferença é o pior arremesso que se pode fazer à dignidade de qualquer ser.
Texto Ficcionado? Pois seja. Mas assenta-nos bem e não aperta nas cavas.

Sical disse...

Contudo devo dizer que sou casado há 25 anos e que tenho um casamento sólido. Não é um estado de felicidade constante (isso não existe), mas é uma boa relação amorosa. Ainda não me arrependi. E porque permitimos silêncios individuais.

andorinha disse...

Léle (10.48)
"Vim apenas pedir desculpa a si, porque deve ser o único que lê de verdade os comentários dos outros"
O que te faz chegar a essa conclusão??? Não achas que é precipitada?:)
Há pessoas que te parecem lindíssimas, há as que te parecem podres de inveja...
Bolas!!! Andas há dois dias aqui e já conseguiste fazer essa distinção?!!!
Deves ser muito perspicaz...
" Mas que interesse pode ter tanta cultura que parece servir apenas para exibir?"
Não vi por aqui nenhuma exibição de cultura, poderás ser mais concreta?:)

Sical (10.55)
"Ás vezes também são os indefectíveis do blog e com nicks em azul que abusam."
Abusam em que sentido?
Em tempo de antena ou no próprio teor dos comentários?

Júlio,
Concordo com a sua visão não-maniqueísta destas coisas.:)

Anónimo disse...

Angie:
Como este psi é psiquiatra, uma especialidade médica, engana-se: pode fazer isso tudo que pensa que não!

blogo existo disse...

Caro Prof, 56 também já cá moram e hão-de vir mais, que estes só passaram pelos cabelos, com muita neve já na serra.
Gostei dessa do western.
Não esqueçamos que o último cowboy traçou o seu fim quando matou o último índio.

Lusco_Fusco disse...

Melancolia

Cocktail de sentimentos
Travos de carinho sedentos
Gotas da alma que bebo
Fuga das asas do gelo
Onde flutua o torpor
Dispo o liquido com ardor,
Que ondula na minha mão,
Quando agito a solidão

Por isso, professor, não agite a dita!
É muito melhor um Favaios...lol
Um abraço
MJ

Sical disse...

Andorinha
Longe de mim querer ser indelicado, ou juiz. Mas vocência sabe onde se abusa, porque também nas devidas alturas se insurgiu. E chegámos a concordar em unissono.

andorinha disse...

Sical,
"Silêncios individuais".
Gostei. Penso que são indispensáveis em qualquer relação.

Sical disse...

Ser amante


Procurar o que haja de bom
Procurar a melhor forma de amar
Sem restrições,
Independente,
Liberado
E amante.
Procurar o relacionamento perfeito
Procurar fora,
O que tem dentro de você.
Será possível encontrar
Sua ternura,
Seu carinho,
Sem que isso não seja
A procura do reflexo
Do seu próprio eu?


De: Regina Lyra

Sical disse...

Sentido, onde?


O vazio
Deixa tudo na inércia.
Na vida
Há transformações de atos
Que danificam
Os fatos existentes,
Fazendo com que a palavra dita
Deixe de ser pronunciada com sinceridade,
Para ser apenas o eco do pensamento
Que não tem mais tanto sentido...


De: Regina Lyra

RAM disse...

Caríssimos, e os invernos????

"Veinte años de estar juntos
esta tarde se han cumplido
para ti flores.perfumes
para mi,algunos libros
No te he dicho grandes cosas
porque no me habrian salido
ya sabes cosas de viejos
requemor de no haber sido.
Hace tiempo que intentamos
abonar nuestro detino
tu bajabas la persiana
yo apuraba mi ultimo vino.
Hoy en esta noche fria
casi como ignorando el sabor
del la soledad compartida
quise hacerte una cancion
para cantar despacito
como se duerme a los niños
y ya ves,solo palabras
sobre notas me han salido
que al igual que tu y que yo
ni se importan ni se estorban
se soportan amistosas.
mas no son una cancion
que helada esta casa !
sera que esta cerca el rio
o es que estamos en invierno
y estan llegando,estan llegando...
los frios."


Patxi Andion

RAM disse...

Cara Maite,

Não tem de quê! :)))
Fui sincero...

básica disse...

Um bom dia a todos.

Deixo aqui parte de um texto, igualmente ficcionado e melancolico, mas escrito no feminino porque uma medalha, tem sempre duas faces.

[…]
Ainda me lembro de ti risonho e falador e tu, que lembras ainda da minha mocidade, aquela que te dei, a ti e aos rapazes? Sei que já a perdi, os anos passaram, as rugas marcam agora a minha existência, e o meu corpo, usado de gravidez em gravidez, alargou e tornou-se num peso que arrasto em silêncio; mas e tu, acreditas estar melhor? Meu caro, o tempo marcou-te igualmente e o azedo da vida, ultrapassou à muito a tua vontade de seres diferente. Seres diferente para quê? Seres diferente para quem? Para mim? Não, não vale a pena que eu sou um dado adquirido, já não tens de me seduzir, nem me dizer palavras bonitas e tão pouco tens de me surpreender apenas tens, para teu próprio alivio, de me criticar.
Falas do sexo e do desprazer que ele te suscita, junta-te a mim, juntos faremos por certo um belíssimo duo de insatisfação. Em que altura das nossas vidas deixaste de me esperar no banco de trás do carro? Ou no chão, rolando pela alcatifa? Lembras-te? Foste tu ou fui eu? Qual de nós desistiu primeiro?
[…]

Fiquem bem.

gatonima disse...

Fui para casa beber um Porto, pensar no futuro e rever o "Saraband".Esta manhã fiz as malas.

silvianozelos disse...

"Se disserem que parti, não acredites.(...)"

Nunca ninguém parte....

Ameninadalua disse...

Não há dúvida que o seu texto professor, foi inspirador!

Encontro aqui em resposta ou em contraponto ao seu , posts muito tocantes e sensibilizadores...( a (o) Cê Tê por vezes é de mais:))...)
É bom sermos capaz de falar daquilo que sentimos, principalmente quando isso cala fundo em nós...mas nem sempre se consegue.

Mário Santos disse...

Prof. que dureza! Verdadeiramente arrepiante! Não consigo imaginar melhor descrição para o que um casamento não deveria ser.

Haverá profilaxia para este mal?

CêTê disse...

Estas consultas... on-line, pagam-se? ;]]]]]

(gostei muita daquela expressão "não aperta nas cavas" que alguém aqui utilizou- tinha passado)

;]

(Ainda estou a "ruminar"... ;])

Conserto disse...

All good things.

Must came to an end...

andorinha disse...

Boa tarde

Sical (1.08)
Tens razão, mas não era nenhuma provocação, acredita.
Às vezes tenho uns ataques de amnésia...:)))
Já agora aproveito para dizer que gostei muito dos dois poemas de Regina Lyra que aqui trouxeste para partilhar connosco.

Até mais logo, gente.:)

pp disse...

UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS.

pp disse...

Não me canso de ler o que escreve.

Arcília disse...

Oi amigo,
passei para te deixar uma mensagem:

CONTAS

Deseja o bem a todos
Sem reprovar ninguém.

Deus não te pede contas
Pelos atos dos outros.

Se alguém carrega culpas,
Já sofre quanto basta.

Não comentes feridas
Que, um dia, talvez sofras.

Se buscas melhorar-te,
Não tens tempo a perder.

Ante Deus, cada qual
Responderá por si.

(De "Espera servindo", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Angie disse...

Já que estamos numa de uniões disfuncionais, e a propoósito de de cônjuges e "relações surdas", aqui deixo, com bom humor, esta nota que também faz a ponte para o momento político qie se atravessa....


« Discussão matrimonial entre Francisco Louçã e a sua mulher

- Querido, achas que sou bonita?
- Eu não diria bonita, pois trata-se de um conceito adoptado pelas classes dominantes para classificar animais humanos dentro de padrões de beleza culturalmente preestabelecidos.
- Isso que dizer que sou feia?
- Cosmeticamente diferente é o termo mais adequado.
- Mas, tu ainda me amas?
- O amor é um sentimento inventado pela burguesia com intuito de subjugar os indivíduos a um único modo de pensar a sociedade, tirando-lhes a razão e o senso crítico.
- E depois?
- Depois, nutro por ti um sentimento de co-participação em interesses de ordem habitacional, económica e sexual.
- O quê? Quer dizer que tu só me queres como mulher-a-dias e prostituta?
- Não se diz mulher-a-dias e sim higienizadora ambiental. E tratar parceiras sexuais alugadas como prostitutas não é politicamente correcto.
- Tu deves estar louco.
- Emocionalmente fora do padrão.
- Bem me avisaram que eras um chato.
- Chato não, pessoa interessante de maneira diferente.
- Como fui cega...
- Desprovida de capacidade visual é mais correcto.
- Idiota!
- Pessoa com ideia fixa.
- Para mim chega! Vou procurar um amante que me queira.
- Não precisas de recorrer a este tipo de relacionamento com padrão não convencional, nós ainda podemos partilhar de uma coexistência saudável como duas pessoas com referências diferenciadas da cultura dominante.
- Prefiro viver com um lavador de carros a continuar contigo!
- A tua preferência em manter uma co-habitação de carácter afectivo com um especialista em aparência de veículos, não te dá o direito de comparar opções de meio de sobrevivência alternativo com o meu comportamento que se diferencia dos dogmas do status-quo.
- Ah, por que é que não podes ser uma pessoa normal?
- A normalidade é uma convenção imposta.»

Mais surdo é impossível!!!


«

lélé disse...

Andorinha, quando alguém diz "parece-me que..." está a colocar também a hipótese de estar errada, tal como tu, quando dizes que "devo ser...".
Quanto a dizer que há por aqui muita cultura exibicionista, assumo e mantenho. Não vou ser mais concreta, conforme pedes, porque não quero. Lembras-te daquela célebre frase do Vasco Santana (não me lembro do título do filme) "seu palerma, chapéus há muitos!"... mas cabeças, nem tantas!
Andorinha, tavez também tu sejas uma pessoa lindíssima, mas, para já, a mim, e só a mim, ainda não pareces. Desculpa a franqueza. Quero, porém, agradecer-te por teres tido a gentileza de ter lido o meu comentário e te teres dado ao trabalho de o comentar. Sinceramente, agradeço-te.

superpiiiiiiiiiiiita disse...

Cêtê, és famosa!!!! Até já tens direito a ser título de post!!!!
Tu sabes como eu sempre te admirei, como gosto de ti, como te acho um fenómeno, tu és única, tu és maravilhosa, eu sempre te disse que não eras burra que nem uma porta, tu só és um bocadito pró...deixa para lá!!!, isso agora tanbém não interessa nada. Olha lá apresentas-me ao prof?, dizes que eu sou velha, gorda e que uso óculos com lentes tipo fundo garrafa, contudo pode ser que ele admire um pâncreas sudável e mais uns metros de intestino delgado. Só tenho um receio, não sou lá muito boa a escrever, sei unicamente a quadra dos "quatro em pé..."
Estou feita, o prof só gosta de quem escreve sobre melancolia :(
Bjs malurca

superapiiiiiita disse...

oh!!!!, publique lá o meu comentário, prof JMV, queria só tecer ilogios à minha amiga

andorinha disse...

Lélé,
Se leres com atenção, verás que o que eu estranhei foi o facto de tu, em tão pouco tempo por aqui, já teres chegado a essas conclusões.
E a questão não é eu ser ou não uma pessoa lindíssima para ti, isso não faria qualquer sentido!:)
Mas como só referes duas categorias de pessoas - as lindíssimas e as podres de inveja, devo deduzir que faço parte das podres de inveja???
Olha que não, olha que não...:)))
Quanto ao resto, não tens que pedir desculpa pela franqueza (característica que admiro), nem que me agradecer por ter lido o teu comentário. Leio sempre todos e comento quando algo me desperta a atenção, como foi o caso.

Orange disse...

Gostei muito deste seu texto e até lhe digo que está em melhor registo que "Muros", que lamentavelmente ficou no início.
Faz-me lembrar um texto de um amigo meu http://flordoentulho.blogspot.com/2003/11/calmamente-carlos-entrou-em-casa-e.html
Enfim, retratos tirados com o teclado do pc.
:)

lélé disse...

Andorinha, mais uma vez... Não cheguei a conclusões nenhumas!... Refiro duas categorias das muitas que se apresentam. Entre o bom e o mau há muita coisa (há quase tudo). Deduzires que, pra mim, se não és lindíssima és podre de inveja, é uma dedução fraca. E, já agora, porque é que seres ou não seres pra mim (para a minha opinião, para o meu sentir) não faz sentido? Se não te aquece nem arrefece que eu te ache ou deixe de achar o que quer que seja, eu entendo e, nesse caso, nem precisas tentar convencer-me que não és qualquer coisa que eu possa achar que és e que não gostas de ser, mas não entendo porque não faz sentido eu sentir ou ter opinião!

ovo mole disse...

Depois de ler o texto e os comentários, ocorreu-me esta canção, uma coisa velhinha de que me lembro sempre que alguma coisa me deixa mais assim para o.. confusa.
é mentira. Lembro-me desta treta quando, depois de muito matutar ou me entristecer com algo, procuro animar a partir da demanda do nonsense:

"E à noitinha quando fico sozinho
eu falo baixinho às pedras da rua
Se o meu destino é assim tão negro,
negro negro ,negro,
A culpa não é tua."

ovo mole disse...

Oh, desapareceu o meu comentário!

Não faz mal, fica o essencial que deve ser cantado quando as coisas começam a ficar menos nebulosas:

"E á noitinha quando eu fico sozinho
eu falo baixinho às pedras da rua
se o meu destino é assim tão negro
negro negro negro
a culpa não é tua."

ovo mole disse...

lol
só agora vi que está sujeito a aprovação!

I´m blushing|||