quinta-feira, dezembro 29, 2005

Também há finais felizes no baú:).

O puto




O puto chorava, num desamparo primaveril.
Olhou-o, aflito. Sem sombra de dúvidas – mil vezes o choro de mulher magoada! Por mais torrencial que seja, nele sempre viaja dedo acusador não definitivo, aberto a pontes e embarcadouros. Ali mesmo, na sala que agora guardava um minuto de silêncio, obsceno de tão longo, por sonhos infantis, vira ele rebentar muitas águas, fêmeas e não grávidas. E contudo cheias: de raiva, abandono, tristeza. Lembrou a rapariguinha loira de olhos resmungões e boca semi-cerrada como o coração dele – “se os homens fecham as comportas por medo de se diluírem na corrente, problema vosso; nenhuma mulher deseja imitar a pose do cow-boy da Marlboro, estamos na merda a tempo, corpo e alma inteiros”. Erro crasso, tê-la deixado partir...
Facto é que um homem tem por onde escolher: pede perdão sem admitir a falta ao espelho; regressa engolindo o orgulho; promete fazendo figas; arrisca ternura que considera mariquice; discute como adulto, refreando o adolescente ansioso por bater a porta; contra-ataca sem argumentos; rende-se! (encomendando o futuro ao Criador...). Não que seja fácil. Da estratégia de xadrezista gélido à fogachada nascida de cabeça quente, tudo acarreta preço e riscos. O choro delas enternece e agride, devasta rostos e sacode ombros, acirra o desejo oficialmente esquecido; tem a força de uma lava húmida que afoga e incendeia, como se um vulcão fêmea recusasse dor a solo.
Mas aquilo... Não havia acusação, esperança, raiva, saudades; ou hipótese. Sentia-se um espectador impotente, parte da mobília, como a estante superlotada e os sofás puídos; um estranho. Ou ladrão que à sorrelfa tivesse entrado para honestamente ganhar a vida, apenas receando alarmes ou cidadão com licença de porte de arma e nervoso ao gatilho; e se imobilizasse, face às lágrimas do garoto, dando consigo a gritar o impensável – “não há direito, chamem a polícia!”.
Inventar esponja ou alegria para aquele choro. Mas com cautela!, sem minar demasiado as regras da casa, bovinamente decalcadas das páginas ditatoriais dos especialistas, prontos a responsabilizarem educadores angustiados pelas catástrofes vindouras. Reviu mentalmente a lista de caprichos recusados, presentes adiados, castigos decretados. Obsessivo, tentou prever a reacção da ex-mulher, sempre disposta a puxar-lhe as orelhas ao telefone, “é preciso que lhe falemos a uma só voz!”. (Tarefa difícil para quem apenas estivera de acordo no desacordo, nunca deviam ter casado). Mas tentavam permanecer pais, o miúdo não tinha culpa de confusão frequente no tempo deles: tomar por amor com futuro um imperioso desejo sexual momentâneo.
Decidiu atacar o fogo com violação das regras alimentares vigentes.
- Queres ir ao MacDonald´s?
Surpreso ficou. O que não o impediu de enxugar as lágrimas rapidamente, não fosse o velho mudar de ideias ou algum vizinho de mesa aperceber-se da sua “fraqueza”. Mas o semblante permaneceu toldado.
Frente a frente. O pai refugiado numa saudável e destoante salada; o filho metodicamente demolindo um hamburguer organizado em propriedade horizontal, com nome a condizer – super-max qualquer coisa. Mais dose reforçada de batatas fritas, todos os molhos habitando saquetes luzidios e um refrigerante de cor tão berrante como as paredes. Para sobremesa, um gelado de apelido pontual – Sunday. A tudo resistiu o silêncio, mesmo à gratidão. Suspirou - a cabeça do rapaz não acompanhara o júbilo surpreendido do estômago. De regresso a casa, meia hora de bónus ao computador, já sem esperança. O toque de recolher, aceite sem os protestos da praxe.
Quando assim tristes, consentem mimos que já crismaram de vergonhosos para a idade. Aconchegou-lhe os lençóis e disse baixinho segredo por ambos conhecido,
- Gosto muito de ti.
Nenhum próximo adolescente que se preze responde a tal piroseira!
Chegado à porta, não resistiu a assumir o papel de oráculo optimista,
- Vais ver, para a semana o Benfica ganha.
Acusador, como o choro das mulheres,
- Tu não queres que isso aconteça, és portista!
O pai, digno, em defesa da honra ferida,
- Mas não fanático!
E o milagre, de que já desistira, aconteceu – o filho, não se dando sequer ao trabalho de discordar, desatou a rir à gargalhada.

47 comentários:

andorinha disse...

Mais uma deliciosa ruminação.
Como consegue escrever assim? Que inveja!:)))
O texto, todo ele, é uma delícia!
O choro do puto, o choro das mulheres, tudo isso retratado duma forma que nos maravilha.
"...mil vezes o choro de mulher magoada!"
Pois é, é mais fácil lidar com ele por mais previsíveis os motivos e o modo de o apaziguar?

Destaco esta frase, para mim lindíssima pelo conteúdo e pela forma - "O choro delas enternece e agride, devasta rostos e sacode ombros, acirra o desejo oficialmente esquecido; tem a força de uma lava húmida que afoga e incendeia, como se um vulcão fêmea recusasse dor a solo."

E quando já se desistiu dos milagres, estes são mais saborosos ainda!:)
E neste momento não consigo dizer mais nada, vou continuar a ruminar sobre a ruminação porque há aqui pano para mangas.:)

virar do avesso disse...

Caro Prof. Julio Machado Vaz, boa noite.
Como a realidade das coisas é simples, dura e crua, quando o queremos.
Gostaria de lhe fazer uma pergunta, se me permite: porque é que temos a tendência de ser assim?
Um abraço

Su disse...

amei ler e tb me ri
jocas maradas

fora-de-lei disse...

Parafraseando os brazucas daquela séria humorística de Jô Soares que aqui há uns anos passou na RTP, realmente criança sofre.

Diga-se de passagem que, se eu tivesse um pai andrade, também teria passado a minha infância toda a chorar. Coitado do puto... ;-))

CêTê disse...

(...............................................................................................................................................................................................................)
"Aconchegou-lhe os lençóis e disse baixinho segredo por ambos conhecido,
- Gosto muito de ti."

Até ao fim do Universo! Costumo eu acrescentar.;]


Malditos lobbies televisivos que nos privam de si! :«
1ª passa: Que o PJMV volte (a horas decentes: 22:30 ihihihi) à TV com carta branca para gerir como entender o SEU programa. (E, já agora, que seja pago por isso- uma passa não tem de ter graínhas em época de OGMs ;])

Sical disse...

Contrastes. Estamos sujeitos a, e entalados entre, contrastes.
São os tempos modernos.
Há quebra de natalidade, avisam os da demografia, preocupados. Em contraste não se facilita a vida para se ter filhos. Dificulta-se a vida de quem tem filhos.
Há que aumentar a idade da reforma face ao aumento da esperança média de vida. Em contraste tenta-se empurrar as pessoas a partir dos 50 anos para a reforma ou pré-reforma, despejando-as num limbo de felicidade castrada, por serem novos, ainda, mas velhos (e caros) para interesses inconfessáveis.
Há campanhas de solidariedade, que aparecem na TV, onde é fixe participar, pois também não se obriga ninguém a enfrentar a realidade, sempre distante. Em contraste ninguém é solidário ao pé da porta, bem pelo contrário. É a realidade a mais.
Há queixas pela falta de habilitações académicas da população, o que é um factor de desfasamento face ao progresso. Em contraste ninguém quer dar emprego a um licenciado, que terá de calar a licenciatura para arranjar um trabalho remunerado, mesmo mal, e que perdeu anos de vida que só lhe atrasaram a entrada no mercado de trabalho mal remunerado.
Há casais que se divorciam antes de se terem chegado a casar, efectivamente, porque se casaram sem pensarem nas consequências de um divórcio de gente imatura, e... pois … sei lá...estava na altura. Em contraste há crianças muito amadas que são empecilhos para desatar o nó, e que só servem para divorciarem as etapas seguintes.
Há a solidão, que está no oposto das várias alternativas de convívio e de solidariedade possíveis, mas onde as pessoas se refugiam para não terem de amar. Em contraste há toda uma panóplia de meios tecnológicos que permitem o cultivo da solidão, do isolamento em casa, do consumo anti cívico, que garantem um relacionamento e um lazer virtual.
E para a semana o Benfica ganha … . Talvez, mas vê-se em casa, com uma cerveja, uns amendoins e a companhia de um Tareco já pouco felino.

Sical disse...

"Mas aquilo... Não havia acusação, esperança, raiva, saudades; ou hipótese." Gostei muito.
Mas se bem reparo a hipótese, a existir, era a última, e já só podia ser hipótese. A acusação seria o início, a causa porque se batem os ideais. Daí a esperança. Não alcançada, resta a raiva. Saudades só no futuro. Da hipósete não deslumbrada, logo não demonstrado.
Até mais logo. Vou jantar, de despedida do meu filho que volta aí para o Porto. Já só o volto a ver lá para Agosto quando voltar de Inglaterra. E já tenho saudades desse futuro.

katraponga disse...

Essas gargalhadas são sempre milagres.

Obrigado e até 2006, professor.

UmEco disse...

Um texto bastante interessante que merece nova leitura e com mais tempo, que prometo fazer, mas parece ter os ingredientes todos...o medo e a adaptação social, o ciclo fecha-se. Na realidade a sociedade [nós todos] tornou-se fechada não permitindo a descoberta, a magia da procura e da criatividade. Mas não adianta viver na sombra do passado, é a massa que existe para se trabalhar e será através dela que se faz urgência alguma atitude. Agora qual e como???
Uma reflexão para um ano novo :-)
Um abraço forte e bom ano.

Anónimo disse...

"O fim de semana chegava ao fim e ouvia-se o bater da porta do carro lá fora na rua; ela espreitando na janela via a chegada da filha que o pai acabava de trazer, de entregar como se de uma encomenda se tratasse; de 15 em 15 dias, a cena repetia-se e não havia alteração ao guião; a filha trazia as prendas que o pai lhe havia dado e ela entrava com elas pelo seu quarto adentro; mas dentro do coração daquela mãe, não havia forma de reconhecer que era apenas uma espécie de normativo clássico do pai divorciado que passa um fim de semana com a filha; e as prendas eram arrancadas das mãos da miúda e lançadas escadas abaixo num acto de repúdio; a miúda assistia ao acto habitual, refugiando-se no seu quarto e soltando o choro da revolta até daí a 15 dias tudo voltar a repetir-se.
Escondido,eu ia apanhar as ofertas e guardava-as até ao dia seguinte para as entregar àquela miúda que não sendo minha, não deixava de ser uma simples criança."

.
Finais felizes? Nem todos, nem todos!

Irmão אלוהים disse...

Eu também sou do Benfica!! Que o Eusébio nos salve a todos!!

CêTê disse...

Cansei-me de ouvir que fui feita sem querer! Enquanto criança, aquilo soava-me a embuste. Poderia ter tido a sorte de me terem escolhido no mercado entre batatas e couves, … como rezava a origem comum de outros amigos - agora “feita sem quererem”!? Parecia uma forma pouco cuidada de esconder uma tragédia maior e eu temia conhecê-la a cada travessura de riscos mal calculados!
Cada diabrura acentuava a diferença entre mim e o primogénito, já ditada pela década de diferença. Ambos tirávamos partido disso, clandestinamente entre risos, claro. Éramos cúmplices e irmãos e está tudo dito!
Com o tempo, graças às “aulas de educação sexual” alegremente desenroladas em contexto de rua, fui desculpando e agradecendo a incompetência dos meus pais! Existia e ainda por cima tinha a liberdade que era reservada aos que não eram filhos únicos. Depois, numa época de recursos escassos e pouca oferta, as maiores dádivas eram um punhado de amigos, espaço neutro, boas pernas para a fuga (se necessário fosse) e imaginação! Mostraram-se infrutíferas as aulas para aprender a bordar… acabava por arrastar para as brincadeiras de rua até as mais devotas ;].
Por vezes, troco a volta aos passos, para rever aquele labirinto de becos. Dá pena de tão desertos, de tão silenciosos! Decalcámo-los em reboada imprevisível Nem as baldadas de água atiradas pela “velhada” já agoirada no final dia, nos paravam. Só o cansaço ou o assobio dos pais, roucos de chamarem por nós, nos punham em marcha para casa.
A morte revelou-se impiedosamente cedo e fez-me filha única! Escusado será dizer que daria tudo para o ter de volta.
Talvez por tudo os meus filhos tenham sido “feitos de propósito”, num qualquer momento de sonhos partilhados, talvez por isso dispense o luxo de forma descomplexada preferindo ter dado um irmão a cada um! Certamente por tudo me sinto fundeada entre eles, e “te” deixo à espera do que nunca acontecerá, e me enterneço quando falas do teu filho, porque nada enternece mais uma mulher.
(Desculpem o espaço que ocupei: serei telegráfica nos próximos!)

andorinha disse...

Fora de lei (6.49)

Há que tempos que não falo contigo.:)))
Mais uma vez em desacordo - criança sofre, não.
Adulto sofre, criança manipula.:)

MSR disse...

Professor,
Este texto é mais uma prenda de Boas Festas.
Não há hipótese – de não gostar.
Giro, muito giro.
Obrigada,
Boa noite a todos.

naoseiquenome usar disse...

Velhos/garotos/Refúgios/Milagres.... e, claro, FUTEBOL!
Vim hoje aqui inteira.
Como sempre.
Apenas para parafrasear o meu amigo Manuel Tomás (texto integral no meu blog):
nesse mais um ano de presente-futuro
"onde o presente é já passado
e o futuro nasce da emoção que o presente nao chega para conter
- e só por isso, creio eu, deus vai ainda perdoando este nosso mundo."
BOM ANO NOVO!

Sical disse...

Voltei. Um jantar de familia óptimo. As lapas estavam um espanto. E o bife com inhames e batata doce um espectáculo. Depois da digestão continuarei com as saudades do futuro. E não posso dizer "Gosto muito de ti.
Nenhum próximo adolescente que se preze responde a tal piroseira!"
Quanto mais um marmanjo com 23 e a meio de um doutoramento.
Fico por cá a ruminar a felicidade das minhas saudades.

Pamina disse...

Boa noite

Faço minhas as palavras da Andorinha (6.17).
Mais um magnífico retrato psico- sociológico, escrito com muita ternura e sentido de humor, onde estão contidas um mundo de pistas donde poderiam partir várias discussões. Tantos ângulos para explorar! Como ontem, apetece-me dizer outra vez: "está lá tudo." A dificuldade masculina em lidar com o choro em geral e com este em particular (também gostei muito da frase que a Andorinha destacou), a necessidade que os pais modernos sentem de ler todo o género de manuais de psicologia infantil e a crítica à obediência cega a essas doutrinas, muitas vezes em detrimento do bom-senso, o medo da reacção da ex-mulher à quebra de alguma regra estabelecida (e parece-me importante para a criança que o pai não desautorize a mãe e vice-versa), a razão errada por que muitas vezes se casa (outra frase de que gostei: "tomar por amor com futuro um imperioso desejo sexual momentâneo." Acho que a confusão ainda é frequente.), o pormenor da salada no MacDonald’s (muito bem apanhado) e por fim, onde tudo o resto falhara, o tão ansiado riso despoletado através desse traço de união (masculino): o futebol.
Tenho consciência do que acabei de escrever e não, não acho o texto machista, mas realista. Então as raparigas não gostam de futebol e a "piada" não teria resultado no caso de uma filha? Claro que sim, conheci uma que acompanhava o pai a todos os jogos, mesmo no estrangeiro e o diálogo não seria impossível entre pai e filha. No entanto, acho que, mesmo hoje em dia, a cumplicidade entre os apreciadores desse desporto continua a possuir um carácter predominantemente masculino. A um retrato compete mostrar as coisas como são.
JMV, admiro o modo como consegue sempre condensar tantos aspectos nos seus textos, sem que isso pareça forçado.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Amei este texto.

Tita - Uma mulher, Um blog, algumas palavras disse...

Desejo que o ano de 2006 seja a sua melhor colheita de sempre. Que lhe traga uma vida cheia de côr, aroma, textura e em resumo, a maior das felicidades.
Que todos juntos, consigamos fazer de 2006 um ano de paz!

andorinha disse...

Contrastes ( parafraseando sical)
Homens e mulheres e as diferentes formas de lidarem com as emoções.
"...se os homens fecham as comportas por medo de se diluirem na corrente...", voltamos à velha história de que "um homem não chora". Até pode estar despedaçado interiormente, mas nada pode deixar transparecer para o exterior. Quanta violência!!!
Nós realmente "estamos na merda a tempo, corpo e alma inteiros", o que, quanto a mim, é muito mais saudável.:)))

"Mas aquilo...Não havia acusação, esperança, raiva, saudades; ou hipótese. Sentia-se um espectador impotente."
Como não havia????!!!
Alguma coisa tinha que haver, um puto não chora em vão.
Dificuldade do adulto em compreender o puto? Em tentar chegar até ele?
Até nem foi assim tão difícil e o milagre deu-se.
Isto leva-me a questionar - são mais fáceis as pontes com os putos?

Julio Machado Vaz disse...

Andorinha,
Longe de mim negar essa hipótese de machsita manipulador:). Mas prefiro acreditar que o choro de adulto é menos impressionante, por - teoricamente... - menos desamparado.

Julio Machado Vaz disse...

Virar do avesso,
Somos assim, mas também assado! Permita que lhe dê um exemplo: acabo de jantar com um amigo que encontro esporadicamente. Há 30 anos que nos prometíamos este jantar - a dois, revirando passado e futuro. E mal nos sentámos a conversa fluiu como nas patuscadas em Braga, depois de um dia de inspecções no exército. E a sensação foi de um conforto inacreditável, parecia que nos tínhamos confessado um ao outro a semana passada! Não tenho uma visão eufórica da natureza humana, mas também não nos considero irrecuperáveis:)))). Hoje mesmo, um ouvinte de O Amor é... me escrevia a dizer que me achara pessimista, é feliz com a mulher há 25 anos. Meus pais foram 50, perante os meus olhos maravilhados e invejosos:). Não, não há razão para pensar que o afecto duradouro é impossível, apenas difícil.

Julio Machado Vaz disse...

Sical,
Lembre-me para "postar" um texto sobre isso, escrito a pensar nas minhas crias. Ambas estiveram a estudar no estrangeiro. Por sorte uma de cada vez!!!!!:)))))).

Julio Machado Vaz disse...

Andorinha,
As crianças manipulam, seguramente; nós também. Nós sofremos; elas também. E às vezes a manipulação "exagerada" é a única forma de lidar com o sofrimento.

andorinha disse...

Júlio,(11.17)
Estamos de acordo, machistas manipuladores existem sempre.:)
E quanto ao resto, concordo também.:)

P.S. Desculpe a minha habitual ignorância nestas matérias, mas está-me a responder concretamente a quê?:))))))
O meu comentário anterior que fiz às 11.10 ainda não apareceu....já estou a sentir-me perdida.:))))

res non verba disse...

A manipulação exagerada, como sabe, não passa de uma doença... passe bem!

andorinha disse...

Júlio (11.28)
Aquilo da manipulação era mais uma "provocação" ao Fora de lei.:)
Mas claro que manipulação e sofrimento existem de ambos os lados, concordo consigo.

andorinha disse...

Júlio,
A Pamina focou um aspecto com o qual concordo inteiramente.
"JMV, admiro o modo como consegue sempre condensar tantos aspectos nos seus textos, sem que isso pareça forçado."
Penso exactamente o mesmo; é admirável a forma como o faz.

Lusco_Fusco disse...

Boa noite!
É um texto muito bonito.
Professor, o senhor já disse tudo, aqui nos comentários...
Realmente criança é manipuladora, e fá-lo conscientemente sabe que chorando pai derrete ;-) Quantas vezes eu usei isso! Quem não usou?...
Os pais, mais que as mães, caem que nem patinhos :o)
Eu tive um que, com a conivencia dele conservei vícios de criança muito além do aceitavel. Sem eles eu não dormia e isso afligia-o.A minha mãe era contra, mas a subtileza que ele usava mimando-a para a distrair e piscando-me o olho de assentimento.O engenho masculino e o pai babado. Uma doçura.
Estou de lágrima no olho. Desde os oito anos escondo de mim estas doçuras que me magoam. Obrigada por me fazer recordá-las.
Um beijo

MJ

Fonix Renascida disse...

... Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.

Julio Machado Vaz disse...

Res,
E quem decreta a fronteira?:). Eu prefiro pôr aspas...

res non verba disse...

Ou a "ciência" traça a fronteira, ou muita gente continua doente, severamente, sem qualquer diagnóstico, ou... pior.... muitas se fazem de doentes... não diagnosticáveis....

Fonix Renascida disse...

Manupuladoras , se são! Hoje tenho uma k me ignora só porque tive de o chamar a razão. Pior, eu estou GRRRRR porque sei que tive razão mas não recebi nem um simples... "desculpa mãe"...

Lusco_Fusco disse...

O meu comentário anterior tem um português macarrónico.
Quando digo obrigada por me fazer recordar, é mesmo pelo prazer que me deu. :)
Muitas vezes escondemos nas nossas gavetas do sótão o que nos magoa.
MJ

zante disse...

do homem:
"gosto de a saborear sem o peso da minha solidão reflectida na tua"

da mulher:
gosto de a saborear sem a leveza da minha solidão reflectida na tua

do homem:
"Sentia-se um espectador impotente, parte da mobília, como a estante superlotada e os sofás puídos; um estranho."

da mulher:
Sentia-se uma espectadora defraudada, partindo a mobília, destruindo a estante superlotada, rasgando os sofás puídos; uma desprezada.

passados anos:
Gostavam de se lembrar de como se sentiam tão injustiçados, agora que percebiam não haver justiça.

da criança:
desisto, não os entendo e dizem eles que me amam, paciência, ainda não percebi o que é amar.

fora-de-lei disse...

andorinha 11:38 PM

"Aquilo da manipulação era mais uma 'provocação' ao Fora-de-Lei."

Só que eu não costumo responder a provocações... ;-))

Anyway, no que concerne a manipulações, penso que já terás sido suficientemente esclarecida pela opinião do Professor sobre a temática em questão. Como é óbvio, eu não explicaria melhor.

E agora voltando à vaca fria: não me digas que uma criança que tem um pai andrade não sofre ?! Não sofre, o caraças... sofre e não é pouco ! Tal como eu disse, se isso me tivesse acontecido, eu teria passado toda a minha infância a chorar e hoje seria um verdadeiro traumatizado... ;-))

Abaixo as manipulações !
Viva o Glorioso !
Um fantástico 2006 para todos, andrades incluídos !

Su disse...

manipular não é doença
exagero é doença

é como ser do CFP não é doença
ser fanatico é...eheheheheh

daqui a pouco digo que
"Nada é melhor que a felicidade eterna.
Um tomate já é melhor do que nada.
Logo, um tomate é melhor que a felicidade eterna."
..psttt tem aspas.....rsrsrsrs

....tra lá lá e 2005 tá por um fio

jocas maradas

Julio Machado Vaz disse...

Res tem razão ao pôr Ciência entre aspas, a psiquiatria e a psicologia muito dificilmente podem ser vistas como científicas, no sentido estrito do termo. Por outro lado, há manipulações e manipulações. Seria caricato comparar a da criança, que defende os seus interesses:) perante pessoas que ama e detêm o poder e, por exemplo, a do psicopata adulto, para quem as pessoas são meros objectos no trajecto para os seus fins. Incapazes, por isso, de despertar qualquer sentimento de culpabilidade.

res non verba disse...

É bem verdade, Prof. Não são comparáveis.
Mas mesmo nas crianças é bom que se controle um pouco esse "jeito" quase natural que têm, para que, quando adultos, não se tornem esses tais seres incapazes de despertar, em si próprios, qualquer sentimento de culpabilidade.
E, lamentávelmente há-os aos molhos. Quase sempre tão, mas tão encapotados que o diagnóstico só se faz depois de se ter sofrido na pele essa espécie de esquizofrenia.
E mais interessante ainda, são, normalmente, pessoas de grande sucesso!
Enfim.
BOM DIA!

CêTê disse...

-... --- --
-.. .. .- !



;]

(eu prometi ser telegráfica)


Os deuses o protejam da tentação de alguma vez querer ser presidente do seu clube, professor! Nos tempos que correm, nunca se sabe!
Sim que ser psi não garante por si só imunidade e sanidade! ;]]]
(Isso de ser "murcon" e ter alma benfiquista... faz de si uma quimera);P

Fiquem bem! ;*

Anónimo disse...

"nenhuma mulher deseja imitar a pose do cow-boy da Marlboro" - NENHUMA É EXCESSIVO nos dias de hoje.
"pede perdão sem admitir a falta ao espelho" - E INSISTE, INSISTE E FLECTE E O PERDÃO TB TAMBÉM CANSA DE PERDOAR.

Mariana Fernandes

Mitsou disse...

Feliz 2006, Prof. JMV e maralhal!

Julio Machado Vaz disse...

Res,
De acordo. Quanto ao sucesso, nesta sociedade não surpreende, não acha? A ideologia dominante é a de cada um por si e outros que saiam de frente se não quiserem ser pisados. Por isso alguns autores dizem que os psicopatas são "hiper-adaptados".

Julio Machado Vaz disse...

CêTê,
Aqui fica a autorização por escrito: quando eu for candidato a presidente de um clube de futebol internem-me, sou um adepto de bancada e sofá:))))))).

Julio Machado Vaz disse...

Mariana,
Acho que a rapariguinha loira via as outras através dos próprios olhos:))))), toda a generalização é um passo para mais longe da realidade.

CêTê disse...

Combinado! Está dito está dito.;]]]

Agora não pense que não haveria muitos "amigos" a transportá-lo aos ombros até ao derradeiro abismo... Até parece que já estou a vê-lo em cartazes An por todo o país. (LoL) Não antes, pois claro, de passar por aulas de dicção e outras que tais dadas por "Bobines": "just kidding, just Kidding"

Arrepia-me ver figuras que respeito pelo seu passado serem assim conduzidos por quem se diz ser seu amigo. Amigo é para mim coisa diferente...

andorinha disse...

Boa tarde.

Só um breve comentário.
Interessante o diálogo entre o nosso anfitrião e res.
"A ideologia dominante é a de cada um por si e outros que saiam da frente se não quiserem ser pisados. Por isso alguns autores dizem que os psicopatas são "hiper-adaptados"."
Nunca tinha visto a coisa por este prisma e descontando um certo exagero tenho que concluir que é uma afirmação verdadeira.
É por isso que eu gosto destas conversas - abrem-nos sempre perspectivas diferentes de encarar as coisas.

Fora de lei (9.00)
Não respondes a 'provocações' simpáticas?:)))
Estou-te a estranhar....
Anyway, viva o Glorioso!