quinta-feira, julho 05, 2007

Dia 7, às 15.30, na Praça da República.

2ª Marcha de Orgulho LGBT no Porto

Manifesto 2007
Igualdade de Direitos Aqui e Agora

"2007 é o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Tod@s (AEIOT) que pretende a luta transversal contra as várias discriminações, marcando as especificidades de cada uma.
E vale a pena marcá-las: a orientação sexual é a única das categorias enquadradas no Ano Europeu que em Portugal ainda gera discriminação na própria lei. Em Portugal o AEIOT não pode ser por isso uma excepção num quadro de negligência dos direitos das pessoas LGBT. Pelo contrário, é fundamental que haja medidas que marquem uma verdadeira mudança de atitude do Estado português face às pessoas LGBT – e que a homofobia deixe finalmente de estar consagrada na lei.
É que Portugal é, desde 2004, o único país europeu cuja Constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual. Foi com base numa disposição constitucional semelhante que a África do Sul eliminou recentemente a discriminação no acesso ao casamento para gays ou lésbicas – eliminada por vontade política em países como a Bélgica ou o Estado Espanhol. É com base no mesmo princípio que reclamamos em 2007 o fim da discriminação no acesso ao casamento civil.
Como qualquer outro casal, um casal de pessoas do mesmo sexo deve poder ser livre de escolher a forma do compromisso que pretende assumir, com o conjunto de direitos e deveres inerentes. Mas esta é sobretudo uma clara reivindicação de igualdade perante a lei. A manutenção da discriminação na lei é um atentado à dignidade de gays e de lésbicas que é inaceitável para qualquer pessoa que se preocupe com os direitos civis e que põe em causa a qualidade da democracia portuguesa. Alertamos por isso os partidos e o Governo: a nossa dignidade não é negociável e a igualdade não é adiável.
Da mesma forma, o Estado deve reconhecer que a parentalidade de gays ou de lésbicas já existe, por mais que a legislação em vigor tente negá-lo. É o próprio interesse das crianças que determina que uma criança criada por um casal de dois homens ou de duas mulheres possa ver legalmente reconhecidas ambas as figuras parentais, pelo que a lei não pode continuar a promover o absolutismo da filiação biológica. Mais: casais de pessoas do mesmo sexo não podem continuar a ser automaticamente excluídos do acesso à adopção. Crianças institucionalizadas têm direito ao carinho, a uma casa e à educação de pessoas ou casais que possam e queiram dar-lhos, sem cedências a preconceitos que se sobrepõem afinal ao bem-estar das crianças. É inadmissível que o Estado continue a tentar promover uma "esterilização social" de gays e de lésbicas, como fez ao impedir a possibilidade de acesso à inseminação artificial para mulheres solteiras e para casais de lésbicas – no mesmo país que mostrou no dia 11 de Fevereiro o respeito pelo direito das mulheres a decidirem como e quando têm filh@s.
A cidadania plena de gays e lésbicas só acontecerá com o fim da discriminação na lei e também a nível institucional, em todas as áreas em relação às quais o Estado tem responsabilidades. Um exemplo gritante de discriminação institucional é o facto de homossexuais masculinos continuarem impedidos de dar sangue, com o preconceito a sobrepor-se a qualquer critério objectivo e a colocar mesmo em risco – para toda e qualquer pessoa que necessite de uma transfusão – uma triagem correcta da qualidade do sangue.
Mas também a cidadania das pessoas transexuais não é reconhecida pelo Estado português. Espanha aprovou este ano uma lei de protecção do direito à Identidade de Género em que as pessoas transexuais podem mudar o nome e o sexo nos seus documentos de identificação sem terem, para isso, que atravessar um longo e doloroso percurso médico e judicial. Em Portugal, a alteração nos documentos está condicionada pela realização de uma operação cirúrgica de reatribuição de sexo pela qual se espera normalmente demasiados anos, situação que é agravada ainda pelo poder injustificável da Ordem dos Médicos na aprovação da cirurgia. A discordância entre corpo e documentos causa assim uma quase impossibilidade de acesso ao emprego e é pretexto para discriminações quotidianas. Além disso, as pessoas transexuais que têm filhos são duplamente discriminadas, ao serem impedidas de alterar o seu nome e sexo nos documentos mesmo após esta cirurgia, com base na mesma regra homófoba que impede o registo de uma criança com dois pais ou duas mães. Porque o Estado não pode continuar a ignorar activamente a existência das pessoas transexuais, é fundamental preencher a lacuna legal no reconhecimento da identidade de género, bem como a introdução explícita da categoria “identidade de género” nas provisões de não-discriminação da Constituição, do Código do Trabalho e do Código Penal.
Mas num país em que continua a haver crimes como os de Viseu em 2005 ou o que vitimou Gisberta Salce Júnior em 2006, o Estado tem também uma obrigação de, em parceria com a sociedade civil, se empenhar na prevenção activa do preconceito. Só então terá reconhecido esta causa como a questão de Direitos Humanos que ela representa. É, pois, necessária uma política activa que promova a igualdade de género e combata a discriminação em todas as suas formas e é urgente o desenvolvimento de acções de formação anti-discriminação junto de sectores particularmente sensíveis para o funcionamento da democracia, incluindo tribunais, polícias, forças armadas, estabelecimentos de saúde, de apoio social e de educação. É ainda fundamental uma aposta na educação contra a discriminação com base na orientação sexual e identidade de género, no âmbito da Educação para a Cidadania, bem como a introdução de um requisito legal de Educação Sexual não-heterossexista que aborde de forma científica as várias orientações sexuais e identidades de género.
É que um país decente olha para as pessoas LGBT como pessoas. Portugal, que assume a presidência da União Europeia no segundo semestre do Ano Europeu de Igualdade de Oportunidades para Tod@s, ainda não é um país decente. Na Europa do século XXI, a igualdade de direitos não é adiável ou negociável. As nossas vidas acontecem aqui e agora. É aqui e agora que exigimos a cidadania plena para tod@s."

P.S. Como adivinharão sem dificuldade, subscrevi o Manifesto. Como cidadão e embaixador:))))))).

56 comentários:

andorinha disse...

Bom dia.

Subscrevo agora:)

"É que um país decente olha para as pessoas LGBT como pessoas. Portugal, (...), ainda não é um país decente. Na Europa do século XXI, a igualdade de direitos não é adiável ou negociável. As nossas vidas acontecem aqui e agora. É aqui e agora que exigimos a cidadania plena para tod@s."

Está aqui tudo, tem que ser aqui e agora e não amanhã ou depois...

PS: Já estragou o dia ao FDL:))))

Fora-de-Lei disse...

Nunca percebi essa do "Orgulho Gay"... É como se um marreco dissesse: sou marreco, mas com muito orgulho.

Na linha do folclore que está típicamente associado a este tipo de manifestações, ainda há-de aparecer um maricas qualquer na manifestação envergando a nova camisola cor-de-rosa do Glorioso... ;-)

Fora-de-Lei disse...

andorinha 11:56 AM

Não estragou nada. Eu sou um gajo tolerante... ;-)

PS 1: agora fico à espera de alguém que apareça por aí a dizer que a paneleiragem não existe para ser tolerada mas sim para ser aceite.

PS 2: Viva o "Orgulho Marreco" !

PS 3: Abaixo as camisolas cor-de-rosa do Glorioso !

Julio Machado Vaz disse...

fdl,
Digo eu e já - não me bato pela tolerância oblíqua mas pela aceitação plena! E você ainda acaba por me convencer a comprar uma das novas camisolas do Glorioso:).

Fora-de-Lei disse...

Julio Machado Vaz 12:19 PM

"E você ainda acaba por me convencer a comprar uma das novas camisolas do Glorioso."

Professor, por amor de Deus... não faça uma coisa dessas. Isso dá azar !

A culpa de tudo isto é do lobby gay que até na Adidas já está infiltrado... ;-)

cdgabinete disse...

É sem dúvida de subscrever! Ainda há tanto trabalho para fazer...

Filomena disse...

Gostei muito do @ para todos/todas embora tenha demorado a perceber a intenção. À primeira pensei que era engano…

E aproveito para dizer que gosto muito de ver um homem vestido de cor-de-rosa. Não sei não, por causa das camisolas ainda mudo para o SLB (“lagarta”, “lagarta”, “lagarta”).
Mas só quando as camisolas tiverem riscas. E um pouquinho de verde!
:-)

Manuel da Gaita disse...

Para quando a Parada do Orgulho Heterossexual com o Padroeiro Zézé Camarinha à frente? Isso é que era.

Na minha opinião, as paradas gays são para maricas e fufas exibicionistas, e não, para homossexuais.

Keops disse...

Confesso que tenho dúvidas! Talvez por formação, instrução. Casal? Bom ensinaram-me que era a conjugação de dois sexos. Penso que o respeito por cada indivíduo passa pela aceitação do que cada um é. Mas, fenómenos novos (roupagens novas) requer novas termologias. União? Porque não? Casamento, só que é o tido como...acho errado. E, já agora, caro Júlio, você que é um homem de ciência e educação, uma pergunta. É completamente posta de parte a figura pai/mãe no crescimento harmonioso de uma criança? Há factos/testemunhos que documentem um "bom" desenvolvimento numa circunstância destas? Por mim, cada um viva intensamente como deseja, mas que não se banalize os conceitos. Novas atitudes, novas termologias, novas consciências.

andorinha disse...

FDL (12.29)


"Professor, por amor de Deus... não faça uma coisa dessas. Isso dá azar !"

Não te sabia tão supersticioso:)))))

thorazine disse...

FDL,
É preciso derivar (tipo, ter orgulho) para depois integrar. E, como na matemática, após estas operações vamos ter um resultado exactamente IGUAL! ;))

peciscas disse...

De facto, em muitas coisas, ainda não somos um país totalmente decente.
Até aqui, nesta caixa de comentários, somos capazes de constatar isso...

Mãe&Advogada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mãe&Advogada disse...

Salvo seja o " Manifesto 2007
Igualdade de Direitos Aqui e Agora "
e seu Ilustre Embaixador :)

eu subscrevo a pergunta do Manuel da Gaita, mas com outro padroeiro, deixa ver...

hum, talvez... deixa ver...

talvez com o dr. Pedro Santana Lopes, p.ex. !

E quanto a certas paradas bem ao estilo carnavalesco, acho que não servem os interesses - mais do que legítimos - dos homossexuais ! mas antes, o puro exibicionismo praticado por alguns deles !

Exibicionismos, de um péssimo mau gosto, e que a meu ver, só os prejudicam na defesa das suas causas !

E já agora, para quando uma parada de " pais e mães donos e donas de casa " ? é que eu gosto mais de coisas do tipo http://cemporcentoacucar.blog.com/

thorazine disse...

"E quanto a certas paradas bem ao estilo carnavalesco, acho que não servem os interesses - mais do que legítimos - dos homossexuais ! mas antes, o puro exibicionismo praticado por alguns deles !"

A "parada" do 25 de Abril foi puro exibicionismo ou um manifesto à liberdade?

Fora-de-Lei disse...

thorazine 7:00 PM

Derivadas, integrais, etc, etc. Do que tu me foste lembrar...

Pamina disse...

Boa noite.

Também subscrevo.
Quanto ao "folclore", não me agrada particularmente, mas compreendo-o. Esperemos que deixe de ser necessário.
(E remeto para o comentário do Thorazine das 7.00).

Mãe&Advogada disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mãe&Advogada disse...

Thorazine

Confira vc mesmo ! contra factos não há argumentos ! e no fim, tem tudo a ver, não tem ?


http://www.youtube.com/watch?v=ti8AsJZdbDU

http://www.flickr.com/photos/maismemoria/tags/DesfileAntonioMariaCardoso20070425/show/

http://avenidadaliberdade.org/index.php?content=306&co_template=10

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2003/paradagay/galeria.shtml

Manuel da Gaita disse...

Thorarine:
Confundir uma parada com uma manifestação, é no minimo intrigante.
Talvez uma manifestação no 25 de Abril consiga mais pela liberdade e pelos direitos dos homossexuais, que uma parada que tenta imitar de forma ridicula o Carnaval da Mealhada!
Não sou contra as paradas gays da mesma forma que não sou contra o abrasileirado carnaval da Mealhada, e quem nelas participar ou assistir que tenha bom proveito.
Tenho amigos homossexuais com bastante nível (alguns conhecidos de V. Excias) e não os estou a ver a participarem em paradas gay. Mais ainda, para se afirmarem não precisam de se disfarçarem de mulheres ridiculas, ou fazerem playback tentando imitar Lisa Minnelli em "The Cabaret". São homossexuais, gente como nós!
Faz mais pelos direitos dos homossexuais um filme que tem como titulo "O Segredo de Brokeback Mountain" do que mil paradas gay. Acho eu

goncalo disse...

Caro Prof,

Vejo que já consegue brincar com a defesa da causa, parecendo ter abandonado aquela rigidez reflexiva quase "fundamentalista". Não seria mau se os interessados seguíssem o seu exemplo)))))))....

A propósito do bate-boca lá em cima sobre as camisolas rosas do SLB, eu digo apenas que não é qualquer homem que usa uma camisa rosa...

Alguém está de acordo comigo?

Mãe&Advogada disse...

Manuel da Gaita

Subscrevo este seu último post, também !

goncalo disse...

Ao ler o manifesto, fico na dúvida se estamos perante uma marcha civilizada pela defesa de uma causa ou se é mais uma daquelas paradas exibicionistas, plena de gente com tiques
maneiristas para tentar chocar as pessoas.

Eu estou de acordo que antes do direito à indiferença, é preciso garantir o direito à diferença. O estranho só é integrado depois ser plenamente aceite. Agora, a pergunta que se pode fazer é se é mesmo necessária a exibição deste orgulho ou, dito de outro modo, se o direito à diferença tem de ser obtido através desta vontade irresistível de chocar?

Manuel da Gaita disse...

Há uns tempos, no meu modesto e caseiro blog, coloquei um post com uma fotomontagem da embalagem do detergente OMO onde acrecentei a palavra SEXUAL e ficou "OMO SEXUAL", o melhor detergente para lavar o sexo!
A coisa foi de tal ordem que me deve ter caído o Portugal Gay todo em cima (salvo seja)... E cheguei a uma conclusão: este pessoal das paradas tem pouco humor e jogo de rins!
Como trabalho relativamente bem com o Photoshop, aqui fica a promessa de fazer umas fotomontagens com o nosso guru professor Júlio!
Por coincidência hoje ouvi o seu programa, ou parte dele: falavam sobre os homens superiores, sobre Balzac e mulheres orientais. O amigo é muito politicamente correcto. A moça é muito mais atrevida, mas o amigo não dá o flanco e vai-se refugiando na sua timidez radiofónica e chutando para canto, ou seja, para o politicamente correcto. De qualquer forma, gostei de o ouvir!

JFR disse...

Tenho como ideia de tolerância a aceitação de tudo aquilo, cujos efeitos não atinjam mais do que os próprios envolvidos. Por isso não subscreveria o Manifesto.

Não por discordância total com o seu conteúdo, mas sim pela grande divergência quanto a alguns dos seus trechos. Por atingirem terceiros sem direito de pronúncia.

Destaco:

“É o próprio interesse das crianças que determina que uma criança criada por um casal de dois homens ou de duas mulheres possa ver legalmente reconhecidas ambas as figuras parentais, pelo que a lei não pode continuar a promover o absolutismo da filiação biológica.”

Quem determinou esse interesse? Com que riscos futuros para o desenvolvimento da criança? Que garantias razoáveis se conhecem hoje, provenientes da comunidade científica e, nomeadamente da área psicológica, de que o desenvolvimento da criança não terá fortes probabilidades de ser perturbado por essa situação?

“casais de pessoas do mesmo sexo não podem continuar a ser automaticamente excluídos do acesso à adopção.”

Com que fundamento principal? Ajudar uma criança? Necessidade de fortalecer e garantir a própria relação homossexual? Um desafio à sociedade?

“Crianças institucionalizadas têm direito ao carinho, a uma casa e à educação de pessoas ou casais que possam e queiram dar-lhos, sem cedências a preconceitos que se sobrepõem afinal ao bem-estar das crianças.”

Qual a reacção do adoptado, quando se tornar adolescente e adulto, ao tomar consciência de que, para além de não ter crescido junto dos pais biológicos, foi educado por um casal homossexual? E as crianças deficientes seriam contempladas ou, como hoje acontece, continuariam na fila de espera?

“É inadmissível que o Estado continue a tentar promover uma "esterilização social" de gays e de lésbicas, como fez ao impedir a possibilidade de acesso à inseminação artificial para mulheres solteiras e para casais de lésbicas”

Há uma diferença qualitativa substancial entre os interesses em presença. Porque são as crianças o elemento primordial, ao Estado compete garantir, mais do que tudo, a protecção do desenvolvimento daqueles que serão o futuro da sociedade. E isso, necessita de respostas activas de que os passos são mais vantajosos do que prejudiciais. De que as dúvidas pesam menos do que as certezas.

Digo ainda que nunca assinaria um manifesto onde se diz que Portugal não é um país decente. É uma generalização inadequada. E num manifesto, uma assinatura não vale por partes.

Xelim's Skull disse...

Fora-de-Lei, «Nunca percebi essa do "Orgulho Gay"...»

Isso do «Orgulho Gay» já está ultrapassado, agora já temos uma forma muito mais dura de orgulho, o «Orgulho Pedófilo»

http://www.cerius.org/

passagem do site:

«I don’t have sex with “underage” boys and girls, but I would with interested partners if it were legal. I believe that the prohibition of pedophilia goes to the core of a very fundamental wrong in our culture. It is, after all, a prohibition of love. While it is true that sex can be had without love, it is also true that sex is a very common and important expression of love. The prohibition of pedophilia limits the expression of love between adults and children, and it teaches children a very harmful lesson about love and sex being dangerous and harmful.»

goncalo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
goncalo disse...

Simpatizo com a ideia de tolerância do JFR. É o corolário do princípio da liberdade/responsabilidade individuais. Numa linguagem mais chã, eu digo assim: "desde que não afectem a minha liberdade, tudo bem." É, por isso, que aceito, sem problemas, a luta pela igualdade dos homossexuais ou das mulheres pela despenalização do aborto ou se quiserem ainda pela "liberalização" do divórcio...

thorazine disse...

Manuel da Gaita e mãe&advogada,
eu também não comungo com muitos maneirismos e tique..assim como com os trajes espampanantes..mas respeito. São maneira de SER. E não admito essa atitude como a voz dos LGBT. É uma faceta mais activista que tenta cumprir o seu papel: chamar à atenção.



JFR,
pelo que sei até então os problemas criados pela adopção de crianças por pais homossexuais (em países europeus) foi devido não à constituição do núcleo familiar mas sim ao preconceito de outros.

andorinha disse...

Voltando ainda ao tema, também não me agrada particularmente ver os "desfiles folclóricos" e todas aquelas plumas e lantejoulas.
Não sei até que ponto esse é o melhor caminho para se alcançar o direito à indiferença, sempre o disse.
Se eles acham que é...é com eles.


"A manutenção da discriminação na lei é um atentado à dignidade de gays e de lésbicas que é inaceitável para qualquer pessoa que se preocupe com os direitos civis e que põe em causa a qualidade da democracia portuguesa."

É este o ponto principal do manifesto,para mim.

Discordo do JFR quando diz que "num manifesto, uma assinatura não vale por partes".
Vale, se concordamos com o fundamental; se um manifesto tiver dez pontos e eu só concordar com nove, não é por isso que não o subscrevo.

E definitivamente, Portugal não é um país decente; pelo que aqui é exposto e por muito mais.

JFR disse...

thora:

Em quantos países europeus é permitida a adopção por casais homossexuais? Há quanto tempo? Quantos são os casos que refere? Acha que os exemplos podem, desde já, constituir base de interpretação sólida, conducente a uma decisão?

Deixei claro que na adopção o interesse principal são as crianças e que isso impôem, quanto a mim, "De que as dúvidas pesam menos do que as certezas.

JFR disse...

andorinha:

Um manifesto é uma declaração pública de ideias. Entendida pelos subscritores - aqueles que lhe dão vida e garantia - como de concordância total quanto às ideias base nele expressas, salvo se ressalvarem, também publicamente, os pontos de discordância.

É evidente que não precisam de o fazer se não expressarem publicamente a sua concordância.

andorinha disse...

JFR,
"...como de concordância total quanto às ideias base nele expresssas..."

Foi o que eu disse, por outras palavras.
Ideias base = fundamental.

Em relação a este manifesto não tenho qualquer discordância.
Em relação a qualquer outro se a tivesse, diria sem o menor prurido.

Até amanhã, malta:)

JFR disse...

andorinha:

No meu texto eu digo concordância total. E tu dizes "se um manifesto tiver dez pontos e eu só concordar com nove, não é por isso que não o subscrevo."

Logo, não é uma questão de sinónimos (ideias base=fundamental)mas de opinião diferente quanto ao significado de subscrição de um manifesto.

CêTê disse...

Boa noite!;]
Eu ainda terei qe viver mais uns anos para puder mudar, talvez, quem sabe, a minha opinião face ao direito à "igualdade" que reclamam Em particular à adopção e "fertilidade". Reconheço que há uma forte componente cultural condicionadora dessa minha posição- talvez se trabalhasse no serviço de urgências, se fosse pediatra ou assistente social pensassse de forma diferente. Ajudaria maior sobriedade nas manifestações. E já agora a luta lembra-me as lutas sindicais- estes só pedem dinheiro e os homossexuais esfolam-se todos para terem direito a rituais que até aos olhos dos hetero já estão demodés!

CêTê disse...

Ouvi dizer que o novo equipamento dos jogadores do Benfica inclui ligas e outros adereços!;]


A desenhadora foi uma tal...do Norte. lol

Lifepassenger disse...

:) É como refere o Gato Fedorente: " agora se alguma equipa perder é uma dupla vergonha pois perdem com uns meninos vestidos de cor de rosa". lol

Isto do Cor de Rosa é de HOMEM, acho acho que se a moda pega mudamos a cor da nossa Bandeira o vermelho passa a cor de Rosa, é a MODA!

Quanto ao tema, pois claro que também subscrevo, trabalho numa Urgencia caro cêtê e mesmo aí se nota por vezes discriminação... Sabe que o custa mais a MUDAR são as Atitudes e o Preconceito!

Abraço a todos e já agora espero este ano não passar pela vergonha de ver perder o meu PORTO com uns rapazes de Cor de Rosa... Bem que ganhe o Melhor!

Lifepassenger disse...

lol Gato Fedorento

Sirk disse...

Caro CêTê um bom dia para si.

LOOOOOOOOOOOOOOOL

Não me digas que tu vais de plumas e saltos altos, este ano! Já te disse que ficas melhor de pochete, mas és teimoso.

LOOOOOOOOOOOL

Aparece na esplanada, "oibistessss" moça ;)

andorinha disse...

Bom dia.

Hoje madruguei mesmo:)
É o apelo do sol...

JFR,
Não sei se temos assim uma opinião tão diferente.
Insisto, trata-se apenas de termos usados palavras diferentes para exprimir a mesma ideia.

Esse exemplo que dei em relação aos dez/nove pontos, não passa disso mesmo, dum exemplo.
Se o ponto de discordância fosse para mim relevante ou o principal, é evidente que não assinaria coisa nenhuma; se fosse apenas um pormenor insignificante seria diferente.
Não há aqui nenhuma contradição.

Sirk,
Tu és mesmo doida!:)

A Cêtê já foi aqui confundida imensas vezes com o Cêtê:)

Se fosse a ela, ficaria preocupada:))) Looooooooooooool

Me voy:) Até loguinho...

blogico disse...

pessoalmente não acho muita piada aos "exibicionismos" das paradas gay, mas reconheço o seu direito de o fazer.
se o macho latino se exibe por aí de de unhaca no mindinho, palito na boca, cuspidela para o chão, coçadela dos tomates, e nalguns casos bocas de cima dos andaimes, e tem orgulho nisso, porque é que outros estilos não hão de poder fazer o mesmo?

lá porque para nós uma coisa não é estética, não quer dizer que não possa existir... senão havia muitos heterossexuais tramados :)

bom dia a todos

blogico disse...

jfr

ao longo de toda a história da humanidade, imensas crianças foram criadas por casais homosexuais. que eu saiba, e já tivemos esta conversa aqui várias vezes, com dados específicos apresentados pelo Prof., vai dar tudo ao mesmo. :)

A Menina da Lua disse...

Bom dia!

Portugal é ainda um país muito ligado a tradicionalismos e a mentalidades dum passado rígido e autoritário que durante muito tempo marcou fundo nas cabeças e nas "grelhas" de pensamento das pessoas...

Penso que o direito à diferença é um caminho em marcha mas ainda longe de estar terminado e percorrido.

Estas manifestações são formas absolutamente admissíveis e aceitáveis numa sociedade democrática onde se deve garantir para que cada um tenha um espaço para ser e estar, por muito diferente que seja...mas claro que salvaguardando sempre o respeito pelos outros.

Este sentido cívico está, como já o referi num post anterior, muito pouco interiorizado em Portugal; existem resistências muito fortes e as tolerâncias são vistas ainda como cedências caridosas ou tambem de alguem que não tem outro remédio senão socialmente acatar.

O verdadeiro sentido de aceitação assumido e interiorizado é algo que toca ainda muito poucas pessoas.

Contudo e ao nível pessoal admito e compreendo que estas manifestações possam chocar ou ferir susceptibilidades do foro mais íntimo e que esteticamente lhes sejam desconfortáveis mas temos de nos educar e habituar o mais rapidamente para aceitar uma realidade que apesar de ser diferente da nossa existe nos outros, igualmente seres humanos que partilham este pequeno espaço de tempo e que é a vida de cada um...

CêTê disse...

Muauhahahh!

Sirk, já tenho altura que chegue e sou alérgica a penas!(a penas oibiste, andorinha!;]]]])

Alguém me quer deitar na chaise long de "algum" sexólogo?!;]]]]

É o que faz tecer comentários utilizando só um neurónio!;]
E ter sido criada rodeada de gajos (bons!;)))))))- looool

(não se preocupe Sérgio)

Abraços

JFR disse...

blogico (10:17):

Durante quase toda a História mundial, a pedofilia e o incesto foram consideradas práticas aceites. Ainda hoje há algumas sociedades que não discriminam ou punem quem os pratica. Duvido que, a larga maioria dos que aqui comentam, aceitem tais práticas. Daí que, não é necessariamente bom, aquilo que a História nos diz ter existido.
Por outro lado, uma coisa é uma situação espontânea e esporádica e outra a aceitação legal e universal. Esta última exige um pesar de efeitos muito maior.
Quanto aos dados já aqui apresentados, ou, por inépcia minha, nunca os li, ou, nunca me esclareceram sobre as perguntas concretas que deixei ficar.

blogico disse...

jfr (2.25 p.m.)

comparar homosexualidade com pedofilia e incesto logo à partida não me parece correcto. são assuntos completamente diferentes. para além disso, eu não fiz juizos de valor. não disse se era bom ou mau, apenas referi que casos de educação de crianças por parte de homossexuais sempre existiram. E como em tudo na vida, há casos bons e casos maus. a minha opinião é que basta haver um caso bom para haver a necessidade de esse mesmo caso ser protegido por lei. e seguramente que ao longo da história tem havido casos bastante positivos.

Fora-de-Lei disse...

blogico 3:11 PM

"E seguramente que ao longo da história tem havido casos bastante positivos."

O único caso real que eu conheço (uma menina que foi criada pela mãe biológica divorciada e pela namorada / amante desta) resultou naquilo que - para mim - seria mais do que expectável: hoje em dia a miúda também é fufa.

Laura disse...

Não é de propósito! Mas acho o alarido em torno do "Brokeback Mountain" completamente exagerado. É um filme absolutamente comum, médio.
Só foi sobrevalorizado justamente PORQUE.
Quanto ao Manhatan. sim, esse gostei.

Atenção... Muitos homossexuais não têm maneirismos alguns... E, claro, odeiam paradas gay. Estas estão para o 3º sexo como os sindicatos para o cidadão comum.

Se conquistámos a liberdade (ultimamente tenho muitas dúvidas) então foi para que cada um escolha ser o que quer em matéria sexual.
100% de acordo.
Desde que não afectem a minha vida nem a minha liberdade (o que vai muito além do mero sentido óbvio da expressão), emparelhem-se como quiserem na paz dos anjos.
A felicidade é 1 coisa muito séria e do foro das parelhas e de cada um!

Fora-de-Lei disse...

Laura 6:40 PM

Mas afinal, como é que os sindicatos estão para o cidadão comum ? Pode-se saber ?

JFR disse...

blógico (3:11)

É um erro seu interpretar que eu comparei adopção por homossexuais com pedofilia e incesto. O que eu pretendi foi chamar a atenção para o início do seu comentário: "ao longo de toda a história da humanidade ..." como não sendo um elemento justificativo para a aceitação de uma qualquer prática.
Esclarecido?
Quanto ao resto, reafirmo as minhas posições dos comentários anteriores.

lobices disse...

...com paradas ou sem paradas, um bom fim de semana para todos
...abreijos

Laura disse...

Nada contra os sindicatos, primeiro que tudo.
São uma reserva nacional muitíssimo estimável, sobretudo na actualidade.
Mas...
Os sindicatos não são a guarda avançada dos sectores loborais que representam?
Você pode nem estar sindicalizado, mas eles dão-lhe jeito (ou não...)para o trabalho de fazer barulho, exagerar, clamar pelas conquistas ameaçadas, falar por todos e por cada um.
"Marcar o terreno ao poder" é a ideia-chave.

Às vezes metem nervos, porque exageram no tom e nas manifs.( isto quando não dormem com o poder. Mas são casos raros...).

E assim há sempre alguém que tem de fazer este trabalho para chatear, tipo melga. E para chocar (caso paradas gay), tipo personagem de ópera "buffa"
(escrevo assim não vá pensar noutro tipo de bufos agora mais badalados... mas que não são para aqui chamados:)

Tudo um pouco trágico-cómico, patético, pelo quixotesco que têm.

E então o 3º sexo (de género discreto) não quer admitir que se reconhece naquelas forças organizadas, e muito menos ser confundido "com"...
Assim, disfarça, e pode até falar contra.

Mas isso não quer dizer que eles (paradas gay) não lhe prestem (ao 3º sexo) um enormíssimo serviço.

Mãe&Advogada disse...

Excelente post, Laura !

Alguém conseguiu finalmente :) levar-me a olhar com outros olhos para estas paradas ! umas e as outras !

Fez-me ainda lembrar aquele alarido infalível ...

- pai e mãe, sei que fiz uma coisa horrível, mas estou muito arrependido e peço perdão...

- ai credo, filho, o que foi que aconteceu ?

- envolvi-me na Queima das Fitas com a mãe de uma colega minha; embriagado e sem saber o que fazia; toxicodependente em recuperação, de precária, presa por ter assassinado o marido à paulada; e agora grávida deste vosso jovem e inocente filho; na semana passada mudou-se cá para casa de armas :) e bagagens, com a ecografia e o relatório na mão, anunciando tri-gémeos todos muito gordinhos perfeitinhos e saudáveis;
cinco mesadas iguais à que agora me dais, não chegarão, e com tanta agitação multiplicar-se-ão as matrículas até que finalmente o vosso sonho de ter um filho médico se cumpra ! e como um mal nunca vem só, ontem à saída as aulas, fui passear junto ao rio com a futura mãe dos vossos três netinhos gémeos, e deixei o carro...

- qual deles, filho ?

- o novo, que o papá me deu agora pelo meu 19º aniversário- muito mal travado; e eis quando me dou conta do carro, às cambalhotas pela ravina ! e... perda total ! sem seguro contra todos os riscos !

- pai mãe, estão tão calados, estão bem ?

- não filho, não estamos nada bem !

- vá lá, pai e mãe, também não é o fim-do-mundo ! animem-se por favor ! estava a pregar-vos uma partida ! não me aconteceu nada disso; o pior que me aconteceu esta semana, foi só voltar a ter um zero no exame de Anatomia ! só isso ! estão mais felizes agora ? afinal, foi só mais um chumbinho, não é ? pró ano estudo mais, e prometo e não me embriago na Queima, e além disso, nem tenho nenhuma colega com a mãe presa :)) por isso podem ficar descansados !

***

- pai mãe, vai haver uma parada gay e eu quero ir com o meu namorado, desfilar com colares de plumas e tangas douradas !

- ai credo, filho ! que é desta, que nos matas de desgosto !

- vá lá, pai e mãe, também não era o fim-do-mundo ! e além disso estava só a brincar ! nós só vamos assistir à parada, aqui da varanda do meu quarto, só isso ! estão mais felizes agora ???

yulunga disse...

Bom dia maralhal
Na década de 60 a homossexualidade era proibida, na de 70 era aceitável. Em 80 era compreendida. Em 90 passou a ser normal.
Acho que vou mudar de planeta antes que passe a ser obrigatória.
:-P

noiseformind disse...

Há uns anos li uma entrevista de um escritor que dizia, assumindo-se homossexual, não embarcar em desfiles por os achar folclóricos. Dizia que tinha um parceiro que que por eles tudo bem n puderem andar na rua juntos.

Há dias encontrei-o na Calle a passear com a sua cara metade e perguntei-lhe directamente se não lhe fazia diferença andar com o parceiro sem mostrar afecto então pq o mostrava em Barcelona e não em Portugal? A resposta dele penso que encerra todo um mundo de auto-contrição que não desaparecerá em breve:

- Quando mudar, mudamos tb.

Há sempre os que nada fazem e depois de a bandeira estar hasteada vão a correr fazer-lhe dar-lhe vivas. E julgo que muito disto é ainda o que passa pela cabeça de muitos homossexuais. E penso que não é tanto a sociedade ser retrógada mas mais eles próprios ainda n terem tratado de resolver os seus fantasmas. E claro, como vão aparecendo isolados e quase como "aves-raras" torna-se fácil à sociedade manter-se no controlo da sua possibilidade de uma vida totalmente explícita...

Pedro disse...

Talvez seja interessante leres:

http://jornadas.livejournal.com/50254.html

Não penso que esteja relacionado com este post, mas está relacionado com a tua "resposta" à ILGA "...tolerar é julgar..."