quinta-feira, março 03, 2005

Compromissos

Estou afundado nos profissionais:(. Por isso uma pequena "vingança":).

Compromissos

Voltar a ver-te, amor, desocupado.
Um dia, por fim livre. Um dia livre.
Quero dizer, uma noite inteira. Ouvir-te
do quarto, já quase em sonhos,
parar o carro na minha casa, subir no elevador,
subir, subir, subir, muito lentamente,
como se nunca fosses chegar,
e desligar o tempo, que não soe amanhã,
ou, em todo o caso, dizer-lhe que não está ninguém, que estamos
com febre ou na cama
convalescentes.

Inmaculada Mengíbar.

E no entanto, às vezes, quando o outro fica livre e se muda com armas e bagagens para casa de quem o esperava - ou vice-versa... - as nuvens surgem no horizonte. Porque a rotina mudou de poiso? Porque a clandestinidade a conta-gotas alimentava a relação? Porque os raros momentos vividos até aí favoreciam a idealização do outro? Por tudo ao mesmo tempo? Prefiro pensar nos casos em que a relação funciona em novos moldes e alguém diz ao espelho - "valeu a pena arriscar a espera".

38 comentários:

cris disse...

Acabo de me lembrar de mim. :)
Passos assim envolvem o risco desmedido de perder o "gosto do outro". Reconstruir a relação sob o mm tecto é dos maiores desafios de 1 relação. E as tarefas domésticas? E os saudosos momentos de solidão? E a partilha do WC? Tanto q fazer, em prol do amor. Ainda bem que (ocasionalmente) resulta e a gente insiste porque acredita que sim.

Anónimo disse...

A rotina, essa desqualificada!

"A única diferença entre a rotina e a sepultura é manter-se de pé ou deitado"

Isabel

Anónimo disse...

promete.

www.escritaiberica.weblog.com.pt

mariah1979 disse...

Acabei de conhecer o blog através de um link no post do Jotakapa... Gostei do "Compromissos". Não conhecia.

seashell disse...

Quando a rotina bate à porta, deve responder a imaginação... é um desafio que temos que aceitar, a bem das relações humanas.

Mimi disse...

Às vezes poderá bastar só isso, pensar na relação... a tendência de se tentar sobreviver dia a dia, caso a caso, releva, injustamente, o ente amado ou querido para o papel de quem-está-aqui-amanhã e por isso amanhã... adia-se quase tudo por tudo e por nada... alimente-se e defenda-se o amor que se deseja - valerá sempre a pena.

PARTILHAS disse...

Alguém sabe, o que dizem as estatisticas?

jotakapa disse...

Que "vingança" tão verdadeira!
O tempo tantas vezes parece que nos escapa entre os dedos, e com isso parece que também nos falta a vida!

polittikus disse...

Gostei desta ruminação...

elisa disse...

Acabo de descobrir, com bastante satisfacção devo dizer, o seu blog. Gostei muito de o ler e fica aqui a promessa de visitas regulares:)Bem vindo à blogosfera!

lobices disse...

...simplesmente como tudo se transforma; nada se cria, nada se perde... ou seja: a rotina não se cria nem se perde: apenas muda de lugar, apenas se transforma noutra rotina... o elevador que subia e a espera que transformava aquela relação em algo muito bom mas que depois, de armas e bagagens de novo instaladas noutro "piso" desse prédio da vida, se voltaram a reinstalar de uma outra forma, nada tendo sido criado ou perdido, apenas se tendo transformado...
...agora pergunto: e porque razão não há-de o "amor" também ele se transformar? Será que temos a capacidade de "criar" um novo amor? Será que temos a capacidade de "perder" o amor anterior?...
...não... não!... Apenas nos demos ao "trabalho" de tentar e conseguir transformar o amor!...
...o "amor" é um sentir, um sentimento e, como tal, não se pode perder nem criar...
...como eu digo em meus "escritos" Amar é o Caminho e "este" sim, este como "acção" (amar é dar, amar é agir) é criar e talvez possa ser perder mas nunca se pode transformar!... Amar é ir em frente, amar é caminhar, é dar e nessa dádiva dá-se e perde-se...
...no amor... apenas há mutação
...daí, a rotina
...daí que o caminho seja tão somente e apenas: Amar!...

Joana disse...

Que bom sabê-lo pela blogosfera :-)
Sempre gostei muito de ouvi-lo, vou certamente gostar de lê-lo.
Um abraço de uma murcona ;-)

grzl disse...

cá para mim é mais sartre e simone de beauvoir.
assim todos os dias iguais, todos os dias diferentes.
abraço

Anónimo disse...

Acabei, recentemente, com uma relação mais ou menos assim, clandestina. Estou de luto, acho que fiz bem em ter acabado, mas estou morta, morta. Quem me dera que as coisas fossem diferentes!

Manel disse...

Estando em fase de esboroamento de uma relação, escuso-me por hoje ao comentário. Mas não podia deixar de vir cá dizer: ó professohohohor! seja muito bem-vindo à blogosfera! Lê-lo é um prazer quase tão grande como escutá-lo [não é desfazer da escrita, eu gosto muito é de vozes bonitas ;)].
Boa aventura para si. E obrigad@ por vir "partilhar-se" assim connosco.

Francisco J. V. disse...

Bem vindo à blogolândia, Júlio!
Um abraço.

Noel Santa Rosa disse...

Amores clandestinos em elevadores subindo. Com que saudades eu os revivo, mas pronto hoje ando mais calma :-)

Mas antes desses clandestinos, conheci um que durou 58 anos. Era dos meus avós que me criaram de pequenina até mulher feita.
E vivi esse amor como espectadora admirada, diria mais, deslumbrada daquela cumplicidade feita até de muitos silêncios partilhados, onde a rotina era desfeita na aventura do dia a dia de uma vida plena de memórias e de histórias.

Mais do que amor de 58 anos, era amizade, muita, imensa amizade e respeito pelo espaço de cada um.

Como eu os invejava e invejo ainda.

Bastet disse...

O amor alimenta-se muitas vezes na e da clandestinidade e de facto nem sempre sabemos depois o que fazer com as amplas liberdades... Enfim o amor revolucionário morrerá em democracia? :)

paula. disse...

eu, infelizmente, hoje temo ter que me convencer que não valeu a pena uma espera...
e no entanto, por um breve momento, tudo valeria a pena...
e tudo era possível.
[o pior é mesmo depois]

welcome.
paula.
www.reciprocidades.blogspot.com
www.cold-water.motime.com

monalisa disse...

Junto-me a todos os que por aqui têm deixado a sua satisfação por o ver entrar neste admirável mundo da blogolândia.O prazer que tem sido acompanhar os seus programas na televisão e na rádio, vai-se estender a esta forma, quase mais íntima,do ecrã do meu pc.Ainda por cima com a caixa dos comentários abertos..vai ver,Júlio (se me permite a liberdade do tratamento)que não vai conseguir dar vazão a todas as respostas,todos gostamos de dar uma achegazinha da nossa lavra e prepare-se também para algumas más-vontades por aqui espalhadas, é o costume..faz parte da alma deste povo.
Quanto aos compromissos..o amor proibido,a relação de risco,o apelo que tem,a adrenalina que nos provoca,eu que vivi um amor ílicito elevado à mais alta potência,posso dizer que resistir à rotina é raro e difícil e não vale a pena falar na imaginação..porque não há imaginação que resista às doenças dos filhos,ao patrão que chateia,aos transportes públicos,à falta de dinheiro,etc.etc.
Já vai longo o comentário..eu não lhe disse??
Vai ser bom ruminar consigo.Até breve.

Mariana disse...

Olá, que bom ler o seu blog! E que sorte apanhá-lo practicamente no começo! Sempre gostei de o ouvir falar. Hei-de cá voltar muitas vezes. :)

Luna disse...

A vida...sempre a Vida. resumo-o tristemente a É a Vida...Gostei muito de ler este post.

Anónimo disse...

ECCE HOMO
Os Ensinamentos
do GUÉLANISMO
Canto II
Os Ensinamentos do Comandante
Não há nada mais simples do que encontrar um livro sobre a RIAPA. Em 99% dos casos são elogios, porque as suas teses sempre inspiraram os sábios ao longo dos tempos. E daí o renascimento contínuo do Comandante Guélas e a sua presença constante por detrás dos acontecimentos históricos. O seu livro "RIAPA ou Morte" é um "best-seller" a nível mundial, das leituras na Net nos últimos dois anos. Dizem os entendidos que já se venderam vinte milhões de exemplares, e que muitos comunistas já se converteram ao Guélanismo. A sua mensagem passa, de boca em boca, e por via escrita. Esta mensagem deve-se ao desencanto da racionalidade e do cansaço da Esquerda, com todos os seus efeitos de faltas de resposta para a grande questão do Milhas: porque é que em vim para este mundo?.
E com isto fica respondida a eterna questão, a Morte, porque ou RIAPA ou Morte. É simples, muito simples. O Comandante Guélas vem resolver os problemas. A razão de ser de tanta agitação reside no aspecto cultural paço arquiano, que tem as suas raízes na Terrugem, tanto de feição Tradicional (Linha Manelito da Carroça), como Ortodoxa (Linha do Ánhuca), como Protestante (Linha da Quitéria Barbuda). O livro "RIAPA ou Morte" é uma literatura importante na hora histórica e cultural que vivemos, por dois motivos: o primeiro, o essencial, consiste na substância da revelação, o casamento de Bajoulo e Tita dos Pés Sujos e o segundo, a forma esotérica de apresentar o assunto, o Bajoulo a beber sumo de laranja na boda. Tanto a forma e o conteúdo caminham de mãos dadas. O povo já não quer "segredos" e "enganos", quer a Verdade. Com este livro é reposta a verdade dos factos, escondida há séculos. O Comandante Guélas traz consigo uma Nuvem de Verdade, a promessa de todos atingirem o Pleroma. Guélas sabe que todos estão sedentos de Unidade!

www.riapa.pt.to

Anónimo disse...

ECCE HOMO
Os Ensinamentos
do GUÉLANISMO
Canto II
Os Ensinamentos do Comandante
Não há nada mais simples do que encontrar um livro sobre a RIAPA. Em 99% dos casos são elogios, porque as suas teses sempre inspiraram os sábios ao longo dos tempos. E daí o renascimento contínuo do Comandante Guélas e a sua presença constante por detrás dos acontecimentos históricos. O seu livro "RIAPA ou Morte" é um "best-seller" a nível mundial, das leituras na Net nos últimos dois anos. Dizem os entendidos que já se venderam vinte milhões de exemplares, e que muitos comunistas já se converteram ao Guélanismo. A sua mensagem passa, de boca em boca, e por via escrita. Esta mensagem deve-se ao desencanto da racionalidade e do cansaço da Esquerda, com todos os seus efeitos de faltas de resposta para a grande questão do Milhas: porque é que em vim para este mundo?.
E com isto fica respondida a eterna questão, a Morte, porque ou RIAPA ou Morte. É simples, muito simples. O Comandante Guélas vem resolver os problemas. A razão de ser de tanta agitação reside no aspecto cultural paço arquiano, que tem as suas raízes na Terrugem, tanto de feição Tradicional (Linha Manelito da Carroça), como Ortodoxa (Linha do Ánhuca), como Protestante (Linha da Quitéria Barbuda). O livro "RIAPA ou Morte" é uma literatura importante na hora histórica e cultural que vivemos, por dois motivos: o primeiro, o essencial, consiste na substância da revelação, o casamento de Bajoulo e Tita dos Pés Sujos e o segundo, a forma esotérica de apresentar o assunto, o Bajoulo a beber sumo de laranja na boda. Tanto a forma e o conteúdo caminham de mãos dadas. O povo já não quer "segredos" e "enganos", quer a Verdade. Com este livro é reposta a verdade dos factos, escondida há séculos. O Comandante Guélas traz consigo uma Nuvem de Verdade, a promessa de todos atingirem o Pleroma. Guélas sabe que todos estão sedentos de Unidade!

www.riapa.pt.to

Anónimo disse...

Clandestino (Manu Chao)

Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Para burlar la ley
Perdido en el corazon
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel
Pa una ciudad del norte
Yo me fui a trabajar
Mi vida la deje
Entre Ceuta y Gibraltar
Soy una raya en el mar
Fantasma en la ciudad
Mi vida va prohibida
Dice la autoridad
Solo voy con mi pena
Sola va mi condena
Correr es mi destino
Por no llevar papel
Perdido en el corazon
De la grande babylon
Me dicen el clandestino
Yo soy el quebra ley
Mano negra clandestino
Peruano clandestino
Africano clandestino
Marijuana ilegal

Viva o amor clandestino!!!

2dedos disse...

De morcão para morcon bemvindo à blogosfera. Agradeciamos link do n/ blog-http://2dedosprosaepeosia.blogs.sapo.pt por causa dos "share" das audiências, senão não dá para o "tabaco". Bons posts !

Anónimo disse...

Estorias de Encantar

Como é que se preserva a memória de uma Pia, actualmente desactivada, e que durante 150 anos foi considerada o maior Cagadouro da Europa?

"Não apenas estudando os dejectos e os papéis (higiénicos) ainda existentes, mas sobretudo revitalizando cultural e socialmente o lugar, onde chegaram a cagar mais de 1000 pessoas ao mesmo tempo, e na qual hoje só se veêm rolas".

A Pia da Terrugem foi a percursora do Chalé da Merda em Paço de Arcos, junto ao antigo Cine-Teatro. As palavras do historiador Serra reflectem a ideia primordial de uma inédita iniciativa - a criação de uma Fundação da Merda, para dar corpo ao projecto de reconversão da antiga Pia da Terrugem.
A Fundação do Benemérito da Suiça pretende agora revitalizar o Cagadouro.

"Se fôr eleito contem com os meus cagalhões"! - Prometeu Isaltino.

Entre 1854 e 1966, foram deixadas mais de 25 milhões de toneladas de merda, escoadas pelo Manelinho na sua carroça, para a praia de Caxias.

"O cheiro a merda é tão intenso, que nos traz à memória a alegria do Comité Central; mas o meu contentamento é maior porque caguei ao lado do visconde Cu-nhal, que faz tipo ovelhinha, com cor de camarada, umas azeitonas vermelhas(...). Vi também o Paulinho Pedra Osso, sobrinho do Conde Ferro Velho, que gosta muito de ajudar a criançada, sem papel, a limpar os seus cus jovens, com a ajuda da sua tromba, segundo se diz. O seu padrinho, o aldeão mais feio, gosta muito de assistir à cagada dos futuros aldeões(...). O Só-Ares caga tanta sentença (feze líquida), que o povo anda com molas no nariz o resto do dia(...). E a marreca da mulher vai sempre com o seu Janeca, para limpar o cagueiro aos dois".

in "Caganças Gerais" - Edições Largo do Rato 1876

Constituída há um mês pelo município e pela " La Gamadora", empresa de Pierre-Pomme-de-Terre, que jura ser a proprietária da Pia, a Fundação do Benemérito da Suiça, pretende reactivar o local, pois os Cagadores do Blocoaumentaram.

"Exigimos umas escadas para a nossa camarada cagadora anã Ana Traque". - Reinvindicou o maior cagão da zona, o Loiças. - "Temos tanta merda para dar ao Povo, que chegou a altura de arrearmos as calças".

Mais Estorias

www.riapa.pt.to

Anónimo disse...

lua leve luva incorpórea

graça

Anónimo disse...

Estou a adorar! Como sempre, o mulherio não o larga, e a rapaziada, talvez para sentir-se menos ameaçada, ataca tb.
Aproveite e divirta-se.

Anónimo disse...

"Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio".

Bom fim-de-semana.

Isabel

pandora disse...

como estou em fase de luto pela minha última relação nem vou comentar... fico assim mesmo, caladita e a olhar-me no espelho!
:(

PARTILHAS disse...

Então e a estatistica?

pagbranco disse...

...tantos comentários...que só me resta perguntar-te: Valeu a pena a arriscar a espera depois desse "afundado em profissionais"????????

blimunda disse...

ora ainda bem que até aqui vim trazida por sei lá já que link que eu sou de uma inépcia que só visto... mas agora faço copy paste do endereço e linko-me... welcome to the new world... fazes cá falta ... ( este post faz-me lembrar que todos deviamos cumprir os nossos verdadeiros compromissos. andamos por aí rodeados de coisas e coisas e coisas, lastros que nos amarram as asas... eu fiz-me blimunda. a ver se voo um pouco menos rente ao chão!)

margarida disse...

pois...

Anónimo disse...

Que bom encontrá-lo na blogosf
Seja muito bem vindo
Vou passar de ouvinte numero um do amor é a leitora numero um do blog e de vez em quando mando umas bocas
está bem?
beijinho

Anónimo disse...

Que bom que é ler algo escrito por si... descobri hoje o seu blog por acaso mas vou passar a ser uma leitora assidua! Parabéns! de facto, admiro mto o seu trabalho!
Qto ao post, devo dizer q me toca de forma particular... Obrigada doutor!

Google Page Rank 6 disse...

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