domingo, março 27, 2005

A "vida humana"

Penso que o Vasco Pulido Valente punha bem a questão no Público de ontem. A Medicina tem sido muito mais eficaz a prolongar a quantidade de vida do que a assegurar a sua qualidade. Posso compreender a angústia dos pais de Schiavo, em cada pormenor verão um sinal de esperança para o futuro. No limite, preferirão tê-la assim do que enfrentar-lhe a ausência física (já abordei o "egoísmo" do amor em million dollar baby). Prefiro, portanto, abordar o tema em abstracto. Antigamente a morte constituía parte integrante e fundamental da narrativa de vida. Como salienta Ariès, era muitas vezes pública e "representada" de acordo com a vontade do moribundo, em geral morrendo em casa e de porta aberta às despedidas. A morte moderna é medicalizada e assume, por vezes, o estatuto de uma derrota para os profissionais. Que se encarniçam contra ela apoiados num arsenal tecnológico que todos abençoamos, mas pode fazer esquecer a pessoa em que a batalha se desenrola. Por isso o alívio da dor nos estados terminais, a que amorosa e fielmente tantos colegas meus se dedicam, exigindo - e bem! - mais recursos para o apoio domiciliário, não chega para alguns. A vida, para quem a não considera "emprestada" por Deus, é uma pequena obra de arte individual e relacional, com pressupostos éticos e estéticos. E para que o todo nos satisfaça minimamente é preciso que uma das suas partes - a morte - não ameace a coerência do conjunto (pode até resgatá-lo...) A sua "forma" não é, assim, pormenor de somenos. Eu já tomei providências. Não quero simplesmente estar vivo, mas ter uma vida. Aceito, com gratidão!, todas as máquinas e artifícios terapêuticos que me ajudem a gozá-la, esculpi-la, vivê-la. Mas não quero ser um mero apêndice de visores, tubos e agulhas. O progresso da tecnologia não deve beliscar o respeito pela dignidade de cada um, defendida e decidida pelo próprio e não sujeita à ditadura de outros. Seguramente bem intencionados, mas impondo uma visão das nossas pequenas vidas decorrente da sua ideologia sobre "A Vida". A minha vida pertence-me. Tentarei vivê-la de cabeça levantada e costas direitas até ao último instante, mesmo que para tal deva antecipá-lo. Já o disse e escrevi muitas vezes: tenho horror à hipótese de sobreviver a mim próprio. Afinal, à minha vida humana...

67 comentários:

Marília disse...

Esta prosa (com que concordo plenamente) faz-me lembrar Ramón Gómez de la Serna quando diz:
"O pior dos médicos é que olham para nós como se nós não fossemos nós".
E as famílias, não farão, por vezes, o mesmo?

lobices disse...

...permite-me subscrever na totalidade as últimas palavras deste teu post:
"...Não quero simplesmente estar vivo, mas ter uma vida. Aceito, com gratidão!, todas as máquinas e artifícios terapêuticos que me ajudem a gozá-la, esculpi-la, vivê-la. Mas não quero ser um mero apêndice de visores, tubos e agulhas. O progresso da tecnologia não deve beliscar o respeito pela dignidade de cada um, defendida e decidida pelo próprio e não sujeita à ditadura de outros. Seguramente bem intencionados, mas impondo uma visão das nossas pequenas vidas decorrente da sua ideologia sobre "A Vida". A minha vida pertence-me. Tentarei vivê-la de cabeça levantada e costas direitas até ao último instante, mesmo que para tal deva antecipá-lo. Já o disse e escrevi muitas vezes: tenho horror à hipótese de sobreviver a mim próprio. Afinal, à minha vida humana..."

...numa situação de doença grave terminal dolorosa e onde eu não possa dispor da minha "vida", prefiro um fim digno e, quem sabe, se não glorioso, do que estar sujeito à maquina que me torna num vegetal mesquinho...
...não se trata de um "direito" a matar quem quer que seja; trata-se se um direito individual de dispôr da sua qualidade de vida, trata-se, em última análise, do direito a morrer...
...e para quem se refugia nos dogmas da catolocidade, eu diria que Jesus (filho de deus) Escolheu morrer e se Ele teve o "direito" a escolhar o momento da Sua morte, porque não terei eu, Seu filho, o mesmo direito?...
...apêlo à possibilidade do mero suicídio? Não, de maneira alguma; apêlo apenas ao direito de uma morte com dignidade...
...serei capaz de a pedir para mim; mas, na verdade, não sei se serei capaz de a conceder a outrém
...que os homens que têm acesso às leis e às máquinas, que os homens que têm acesso ao julgamento dos direitos e dos deveres, não julguem os outros mas coloquem-se somente no lugar do doente em dor terminal...

...em dia de Ressureição, falou-se de Morte...

...talvez a Morte seja um novo Nascimento para algo que ainda não queremos admitir poder existir...

...talvez a Vida seja a própria Morte e esta nos conceda de quando em vez um intervalo para cá estarmos neste corpo a viver uma experiência para acumularmos os conhecimentos a caminho da sabedoria, a caminho da perfeição

Odete disse...

Subscrevo inteiramente o que diz. Quando estar vivo já não significa viver, então a morte é efectivamente um resgate.
Também eu não quero sobreviver a mim própria; quero partir com uma boa recordação de mim e não assistindo à minha degradação progressiva...nem que para isso tenha que partir mais cedo.

janus disse...

Uma boa ideia, talvez, seria deixarmos isso escrito, como um testamento, para quando já não podemos dar nossa opinião, tal como já podemos decidir, na negativa, da utilização dos nossos órgãos sobrantes, para transplante. Cá por mim tenho a família e amigos, alertados para não me deixarem sobreviver à própria vida.

Ideiafixe disse...

Lembro-me de ainda há pouco, ter visto/ouvido... em qualquer lado, uma notícia de uma jovem nos EE.UU. que "acordou" após 21 anos de coma!...
... valeu a pena mantê-la ligada à vida?
Valeu a pena, ela conhecer o filho que tinha 22 anos?!...
Valeu?!
VALEU!

setesois disse...

Tema bem controverso... desligar ou não a máquina... por ordem do próprio ou dos que nos amam... às vezes, o maior acto de amor é ser capaz de deixar o outro partir...

J. C. disse...

O Prof. fala bem e escreve ainda melhor, este texto é um hino á vida. Se eu fora juíz, não seria o marido a decidir o ligar ou desligar das máquinas mas sim os pais, com a alta taxa dos divórcios, felizmente o divórcio existe, os pais seriam quem deveria decidir.

J. C. disse...

O Prof. fala bem e escreve ainda melhor, este texto é um hino á vida. Se eu fora juíz, não seria o marido a decidir o ligar ou desligar das máquinas mas sim os pais, com a alta taxa dos divórcios, felizmente o divórcio existe, os pais seriam quem deveria decidir.

noiseformind (longe do portátil e do país) disse...

Ideiafixe, caso tenha sido agraciado com o dom da leitura do Inglês, cá fica uma distinção que depois pode integrar no seu fundamentalismo delirante como lhe aprouver (escolhi uma bem curtinha para não lhe cansar muito a vista, não o quero em coma antes do fim da leitura):

A coma is a profound or deep state of unconsciousness. The affected individual is alive but is not able to react or respond to life around him/her. Coma may occur as an expected progression or complication of an underlying illness, or as a result of an event such as head trauma.

A persistent vegetative state, which sometimes follows a coma, refers to a condition in which individuals have lost cognitive neurological function and awareness of the environment but retain noncognitive function and a perserved sleep-wake cycle.

O Caso que refere,(Sem qualquer referência a literatura, o que é um pequeno insulto mas que vou deixar passar por causa da excelente gastronomia açoreana que tenho experienciado nos últimos dias) não o encontrei em lado nenhum, nem sequer no mais delirante site religioso, mas o caso recorde mundial está bem documentado nas notícias:


http://home.hamptonroads.com/stories/story.cfm?story=56809&ran=29474

Como pode ver as pessoas acordam de COMA!!! E não de PVS, que é o caso em apreço e sobre o qual se medita. Se eu estivesse em coma, com sinais vitais estáveis e bom funcionamento cerebral A PRÓPRIA LEI se encarrega de me manter VIVO!!!! e NINGUÉM poderia desligar o meu sistema de apoio ou alimentação contra uma vontade minha expressa. Assim como ninguém poderia impedir os médicos de desligarem a máquna caso a minha vontade estivesse temporalmente discriminada por escrito.

Mas não se preocupe, não está sozinho no seu delírio, em

http://www.all.org/issues/eol07.htm

poderá encontrar muitos exemplos de "recuperações", pena que TODOS eles sejam falsos, dado que em todos os que se fala de PVS depois ao fazer a pesquisa descobrimos que eram casos de coma. TODOS os casos apenas de PVS presentes nesse site só estão online... em outros sites religiosos como exemplos de recuperação ; ))) ou seja, excelente verificação de factos

Quando souber a diferença entre estes dois estados de saúde vai ver que, apesar de continuar a entrar mosca, lhe vai sair muito menos asneira, que é precisamente o seu problema, mistura uma "agenda" com alguma ignorância e cá temos a sua opinião, típica de café, concisa e mortal, do tipo "é assim e acabou". Tem todo o direito a ela, como eu tenho todo o direito a expô-la como fraudulenta, que como já reparou pela dimensão do comentário, dá muito mais trabalho, porque implica factos e eles não se limitam a serem umas "postas".

Quanto à minha opinião sobre o texto do Éme, ficará para quando estiver de regresso à sede do Império ; )))

jotakapa disse...

Existem muitas incógnitas perante a morte, mas é bem verdade que fundamental é ter uma vida e não simplesmente sobreviver sem viver.

cris disse...

Nesta matéria, como de resto noutras, a decisão individual deve ser soberana. Não pode ser o Estado a impor uma moral, desrespeitando o livre arbítrio. Escolher viver, tal como escolher morrer, não faz sentido para além do consentimento informado de cada um/a. A menos q prossigam corpos ausentes de nós, como alguém poderia musicar.
Um abraço.

lobices disse...

...to Ideiafixe: o estado comatoso é totalmente diferente do caso em apreço, ou seja do caso de Terry Schiavo; mas (e muito bem) explicou o Noiseformind pelo que me abstenho de dizer algo mais à tua elaboração em erro...
...aqui, há muitos anos atrás, penso que logo a seguir ao 25 de Abril, houve um filme que passou despercebido nas salas de cinema e que foi retirado de cena e nunca mais se falou dele... porque era incómodo mas que eu aconselho vivamente a que procurem encontrar uma cópia; trata-se de um filme com o título em português: "...e deram-lhe uma espingarda!..."
...por mais estranho que pareça, este era o título do filme
...era a história de um jovem que é enviado para a guerra; num certo ataque ele sofre um bombardemento e fica completamente desfeito; fica cego, surdo, mudo, sem pernas e sem braços
...mas mantém apenas e somente a consciência
...a sua "vida" no hospital militar é pior que estar no inferno; é como estar enterrado vivo e respirar
...a angústia é horrorosa e o tema impressionante para quem está a ver o filme
...desenrola-se uma empatia com uma enfermeira que o trata e ele lembra-se que aprendeu o código morse; começa a abanar a cabeça em movimentos sistemáticos que a enfermeira descobre serem sinais; descodifica-os e "fala" com ele batendo-lhe com um dedo na testa e "conversam" assim...em morse
...ele continuamente apenas lhe pede: "Mata-me pelo amor de Deus"
...claro que o filme termina com a enfermeira a desligar o tubo do oxigénio...
...foi o filme mais ANGUSTIANTE que eu vi e, desde essa altura, que decidi que me "matem" se algo idêntico me acontecer; estar neste mundo apenas com uma consciência a funcionar é muito pior que estar morto...
...a vida e a morte mede-se pelo estado de consciência que temos e que dela ou sobre ela pensamos; somos livres de escolher o nosso caminho; eu escolho a vida mas desde que a vida tenha sentido; quando ela não o tiver, prefiro que a minha consciência se liberte de um corpo morto e voe para a eternidade em plena paz!...

amie disse...

Penso que a questão de fundo não é se se deve desligar a máquina ou não mas sim se se aceita a morte ou não!
A tecnologia não se compadece deste dilema pois tem contribuído para a longevidade do ser humano, tentando, evidentemente, melhorar a sua vida.Caso contrários esses comas prolongados, ou os estados vegetativos que foram sendo referidos não existiriam!
Penso que hoje em dia as pessoas não "encaixam" a ideia da morte, do sofrimento...isso devia ser, antes de tudo, alvo de reflexão!

Karla disse...

Professor: posso linkar? Nunca ninguém disse tão bem aquilo que sinto. Posso?

Karla disse...

Olá Professor :) Desculpe o neologismo-estrangeirismo devido à preguiça: "linkar" = colocar um link no meu blog, neste caso directamente para este texto. Fico à espera.

Lenine disse...

A sociedade capitalista também está alerta em relação aos negócios da morte. É só isso, caro Prof. Que fazer?

Lenine disse...

Á sociedade capitalista também está alerta em relação aos negócios da morte. É só isso, caro Prof. Que fazer?

Filipa disse...

Todos os estudantes de medicina, durante a sua formação e em qualquer parte do mundo, são formatados para salvar vidas. Acho que os médicos consideram-se guardiãos da vida, quando deveriam de ser guardiãos da qualidade de vida.

Maria João disse...

Estudo medicina, se calhar por isso tenho dificuldade em ser tão relutante. Um dia pode estar nas minhas mãos desligar ou não. Nada me parece simples.
Se por 1 lado parece-m terrível o estado vegetativo, até que ponto sabemos se a pessoa tem ou não alguma consciência? A neurociência continua a ser um túnel escuro...
Por outro lado, como reagir qdo toda a família profundamente católica, não se acha no direito acabar com 1 vida supostamente cedida por Deus?
Eu, falando em mim, acredito tb na vida como uma obra. Direi por favor desliguem a minha máquina, se for preciso. Espero um dia conseguir respeitar a vontade de alguém.

Anónimo disse...

Quando um ser humano é "obrigado" a viver uma vida que é apenas física, que preenche apenas os requisitos básicos de sobrevivência, que está ali à mercê do egoismo (por vezes amoroso) de todos, sem qualquer hipótese de dádiva a não ser de um corpo imóvel e indefinidamente moribundo, acho que a maior prova da nossa humanidade será desligar "os apetrechos" que o prendem miseravelmente à vida. Eu ousaria perguntar que tipo de sentimentos florescem, no mais intimo de nós próprios,a não ser o da piedade e do horror perante alguém nesta situação, sentimentos indignos de se sentirem por qualquer um dos nossos semelhantes.

Maite

Mitsou disse...

Mais um blog em que o espaço dos comentários se transformou em fórum. Interessante :)

lobices disse...

...concordo, para além do que já disse acima, com estas últimas palavras da Maité...
...quanto à observação oportuna da Mitsou é relevante e, ainda bem que se pode "discutir" num ambiente tão acolhedor...

grzl disse...

não podia estar mais de acordo.
aliás acho que a eutanásia tem que ser debatida pela sociedade civil, tanto quanto a despenalização do aborto. a bem da VIDA!
um abraço

grzl disse...
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Odete disse...

Totalmente de acordo com a Mitsou e o Lobices - assim a discussão vale a pena.

Odete disse...

Totalmente de acordo com a Mitsou e o Lobices - assim a discussão vale a pena.

Odete disse...

Desculpe, vou tentar pela 3ª vez:)
Totalmente de acordo com a Mitsou e o Lobices - assim a discussão vale a pena.

Odete disse...

Desculpe, vou tentar pela 3ª vez:)
Totalmente de acordo com a Mitsou e o Lobices - assim a discussão vale a pena.

Odete disse...

Desculpe, vou tentar pela 3ª vez:)
Totalmente de acordo com a Mitsou e o Lobices - assim a discussão vale a pena.

noiseformind disse...

Bem Éme,
esta tua ruminação não é bem uma ruminação, de tudo o que tenho lido da tua pena (perdão, teclado ; ))) ) eu diria que é mais um reforço de ideias que tens defendido noutros textos avulsos por outras redondezas e portanto é matéria conhecida (culpa tua que não cultivas como sedução o mistério mas sim a exuberância dos teus dizeres). Vou noutra direcção: na da vida depois da morte. Não da vida que parte, para o Céu ou para os vermes, mas das vidas que ficam, e em concreto, vou falar de heranças.
Eu sei, tou a trazer o vil metal a lume e a matar o idealismo a que o drama de Terry convida, mas mal acabei de ler o teu texto lembrei-me quase imediatamente disso: heranças, afinal elas quase sempre sobrevivem-nos.
Conheço muito primo que não se conhece, muito irmão que não se fala, ódios alimentados em saraus abútreos à volta do conjugue sobrevivente, ao longo de 10, 20, 30 anos. Em Boticas, para uma população concelhia de 6.000 habitantes temos quase 2500 processos de direito sucessório (obrigado pelos dados Bel) e em Vila do Conde, para 74.000 habitantes há quase 28.000 processos. E isto são vidas que não estão ninfubilizadas por lesões cerebrais, são pessoas que vão para o trabalho todos os dias, comem, passeiam-se, entram nas lojas e compram, estão vivinhas da silva. Mas partilham entre si a enfermidade de um ódio tremendo, por amores não resolvidos no momento de partilhas, por esperanças de se ressarcirem da indigência financeira com o que foi poupado das gerações passadas, ou simplesmente porque achavam que aos outros nada era merecido receberem.
E muitas vezes quem fica vivo, lá vai adiando, esperando que com promessas e meias-palavras não assista à encarniçada luta por propriedades, casas, recheios. Apesar da minha juventude, conheço casos que se arrastam desde o tempo dos pais, em que os netos ainda disputam herança dos avós, já sem qualquer pingo de emoção mas puramente assentes no eterno optimismo do advogado: “olhe que você tem razão, olhe que aquilo está ganho”. E por aqui também se pode medir o diferente escrúpulo que há em lidar com os afectos aos mortos, que separa abissalmente médicos e advogados. Conheço vários casos de pessoas que chegaram ao acidente coronário de tanto sofrerem com esta incerteza e com esta esperança, feita de vitórias e derrotas efémeras, de recurso em recurso (aqui é quase uma bênção da morte não haver recurso possível, com a destruição do intelecto vão-se as provas materiais da vida ; ))) ). E este ódio é alimentado em ladainhas para os vindouros: “olha que o teu tio fez isto e isto e isto, é um safado, naquela gente não se confia”, que nestas questões normalmente os homens são a ignição e as mulheres o combustível, enfim, estrangeiros com partilha de código genético, com as suposta propriedades a serem ao mesmo tempo as terras de fronteira e os campos de batalha.
Raramente estas batalhas são ganhas a proveito pleno seja de quem for, sei-o por diversas experiências familiares e de advogadas amigas especialistas em direito sucessório. Quem fica com mais acha sempre pouco para o tempo que perdeu, quem fica com menos carrega o opróbrio de ter sido roubado pelo juiz, pelo advogado, ou não ter a preferência dos progenitores. Pelo meio anos de rancor, pela frente anos de enquistamento dos resultados da disputa.
E só raramente o fim destas batalhas legais conduz à preservação do património para a geração seguinte. O espólio tende a ser rapidamente consumido, como se houvesse nojo na forma como os bens foram adquiridos, ou vergonha em que fique na mão de um ou outro algo que lembra o tempo antes dos advogados, ou alarme em relação a possíveis sementes futuras de inveja, o medo de acabar no meio de uma disputa igual àquela na qual não se pensou duas vezes antes de embarcar no passado, quando o sangue era mais quente e a vida e as forças pareciam infinitas e o carinho de netos era ainda uma incógnita miragem.
Mas é sabido que só se colhe o que se semeia ou o que se deixou semear não é?

Lobices, obrigado pelo apreço, já sei que ali o Éme vai-lhe passar ao lado esta prosa, o tipo é filho único ; ))) se bem que, pela palete de cores doces com que ele pintou aquela quinta de antepassados lá para Vila Real em tantos textos se calhar não lhe faltou vontade para andar lá ao barulho ; )))


Peter

noiseformind disse...

Em abono da integridade linguística nacional digo já que "andar ao barulho" é pelejar com outrém por alguma questão, patrimonial ou outra.
Desculpo-me à moda do Éme: sou do Porto.

lobices disse...

...to Noiseformind: são algumas e interessantes as inter(de)pendências que aqui se verificam; porém não queria deixar de dizer o seguinte:
...primeiro:"barulho para a mente"?
(num sentido de tentativa de fazer frente ao silêncio ou o contrário? Bem, apenas curiosidade :)
...segundo: penso que esta tua posta não vai passar ao lado do Éme (eu trato-o por Júlio apesar de só nos conhecermos nestas lides virtuais de afectos imperfeitos); ele está atento...
...terceiro: também sou do Porto
...quarto: também sou filho único
...quinto e último: felizmente não sei o que é uma herança excepto a genética e (a sério) bem mais preocupante que o vil metal...
...
...o que expões, extrapolando do texto do Júlio, sobre a vida e a morte e, pelos meandros da vida que leva à inexorável morte) o vil metal, é de facto algo que produz um terrível "sentir" de impotência face à não possibilidade de escolha
...não sei se esse é o caso da T. Schiavo mas também não me preocupa; porém não deixo de sublinhar que numa situação em que os afectos são "afectados" pelos vis interesses das "heranças" e que queiras dizer que existam casos em que as "opções" possam advir desses execráveis interesses, aí tenho de dar a mão à palmatória e dizer que acredito que tal situação possa existir...
...felizmente, não será uma das minhas opções pois de vis metais conheço apenas a minha parca reforma que do Estado segue directa para a Banca e daí para pagar as minhas despesas de sobrevivência... :)
...a VIDA (já lá vão mais de 59) ensinou-me que não somos "donos" de nada; nada possuímos a não ser a possibilidade de escolher; esta é a única propriedade real, é a que livremente será de nossa única responsabilidade, a única que podemos afirmar aos 4 ventos que é absolutamente nossa...
...foi essa que aprendi a "possuir" e é ela que eu quero continuar a "ter"...
...um abraço

Tão só, um pai disse...

Imagino-me. Na cama, oiço, mas não falo. Penso na vida, no amôr, nos prados que vi, no vento que me acariciou a face, o cheiro do mar, e gosto de estar vivo. Gosto das piadas que me contam. Rio-me, com isso. Com as histórias de tempos idos. De repente, alguém acha que devo morrer. Só porque não falo, porque acham que sou vegetativo. Mas eu estou ali, na minha consciência da vida. Depois, desligam-me. Sinto a horrível sensação de sufocar, de morrer afogado, sinto a angústia enorme de quem põem a cabeça na guilhotina, o coração bate-me depressa, eu já não penso, esperneio, mas as pernas não obdecem, rezo a Deus para que não me matem, para me dar mais vida, estou num estertor, suplico que me poupem, suplico e não me ouvem, chamo a minha Mãe, o meu Pai, os meus filhos, POR FAVOR, NÃO ESTOU MORTO, DEIXEM-ME VIVER ...

lena disse...

noise, gosto de ti :)



nós somos três e eu estou na casa
:]

Anónimo disse...

...acabemos de vez com o juramento de Hipócrates...já não faz sentido...sendo outrora de Hipócrates, passou a ser de hipócritas.

monalisa disse...

Concordo com a maior parte dos comentários.("tão só um pai"-demagogia feita à maneira..não insulte quem por aqui passa)
A fronteira está no momento em que a vida deixou de o ser como tal e passou a ser simplesmente existência.

Tão só, um pai disse...

Menina Monalisa, o blog não é seu, por isso, não ordene que me cale, clamando por algo que não existiu, nem existe. Isso tem um nome. Ou vários. Desonestidade intelectual, pelo menos. Experimente mandar na sua casa, se tem alguma. Não a insultei e nem pretendo insultar ninguém. Apenas discordar. Posso? Veja lá, que isso pode ser um insulto. Tenho o meu ponto de vista, exprimi-o, como o sei. Posso? veja lá, veja lá. Engraçado, não percebi o seu. Ou melhor, percebo que joga na "bancada", enquanto endossa uns piropos. Sintoma de gente corajosa, os que se escondem na multidão. Onde se clama pelo penalty, que nunca existiu. Sabe, não esgrimo com a ciência, como quem por aí a conhece, se a conhece. Mas será que, quem o faz, sabe o que está para vir? A ciência fez milagres. Suicidas de ontem são hoje pessoas quase normais. Doenças bipolares agudas são, agora, controláveis, com uma coisinha chamada litium. De um ano para o outro, pessoas com um destino incerto, hoje sobrevivem. Mais exemplos, bem mais recentes e desconcertantes, existem. Eu sei, eu sei, estamos a falar de outra coisa. Estamos sempre. Se calhar, você nem entendeu do que falei. De qualquer forma, para mim a questão é moral. Não técnica, jurídica ou religiosa. Egoísmo sentimental dos que pretendem manter a vida? Porque não? O que confere a uns maior direito de decidir pela morte, do que pela vida? Por causa da qualidade de vida? Bom, comece-se mais cedo, nos campos da fome. Moribundos não faltam. Comece-se pelas crianças. Menina Monalisa, não quer uma espingardinha para ser você, mesma, a atirar? Desta vez, não na bancada, mas no campo. Faça o favor. Mostre do que é feita.

noiseformind disse...

Lobices, esta posta do Éme fez-me pensar numa frase lapidar (humor lúgrebe) dele sobre o fim da vida aqui há uns anos: “MIL VEZES O URRO DE DOR ANIMALESCO À QUIETUDE VEGETAL ”. Inspirada não?


Esta conversa sobre “estados vegetativos” e “ficar vegetal” deixou-me uma pergunta na mente: será que a francesinha vegetariana está menos consciente de que está a ser comida do que a francesinha cheia de carnes do presuntídeo bicho? Será que isso é bom ou mau, dado que estamos a dar cabo dela? É que hoje fui ao Nakité e quase me senti um criminoso a comer a deliciosa francesinha que lá têm. Estaria eu a abusar de uma francesinha sem poder para protestar a sua presença no meu prato? Enfim… mistérios que a nossa primitiva ciência não desmistificou ainda
; )))


Quanto ao noiseformind Lobices, veio de um comentário de um professor há uns anos atrás, já na Universidade, farto de argumentar comigo sobre se a falta de estudos sobre a estatística real de mulheres multi-orgásmicas não revelaria um certo machismo das posições da comunidade SexPsi americana (São cerca de 80% e são-no em potência claro, que muitas nunca chegam a experimentar o “produto”, mas ainda ninguém se tinha dado ao trabalho de fazer um estudo sistemático, coisa a que me dediquei toscamente no doutoramento): “Pedro, you are a fucking noise in my mind!!!”. Tomei a coisa como um elogio, afinal um ruído é um estímulo, e se estimula a mente então terá de ser obrigatoriamente benéfico. Depois tornou-se a tagline de um programa universitário de rádio que tinha em que passava música muito “barulhenta” (techno e trance psicadélico principalmente) e foi ficando…

Peter

Odete disse...

Apareço 5 vezes a dizer a mesma coisa:(
Sorry, folks. It won't happen again.

Odete disse...

Apareço 5 vezes a dizer a mesma coisa:(
Sorry, folks. It won't happen again.

Odete disse...

Apareço 5 vezes a dizer a mesma coisa:(
Sorry, folks. It won't happen again.

Odete disse...

Apareço 5 vezes a dizer a mesma coisa:(
Sorry, folks. It won't happen again.

nikita disse...

A sua vida não lhe pertence,não Dr. - pertence a si e a todos os que o amam.
E descanse que não vai sobreviver à sua própria morte...

Tão só, um pai disse...

Sentimentos de uma francesinha, muito vegetariana, quando desgustada ... Se a ouvirem bem, o sabor soa assim:

"Oh, ohhhh, mon amour ...!"

Não tema, caro noise, o grito animalesco dessa francesinha, bem amada.

noiseformind disse...

Decidi deixar aqui u m link que reforça a nossa boa disposição nacional. há que reforçar o nosso ego, mostrar que não somos um pais assim tão atrasado, tão moralmente decrépito, não pq não sejemos, pq somos, mas simplesmente PQ HÁ PIORES.

http://www.cnn.com/2005/LAW/03/29/cohabitation.lawsuit.ap/index.html

lobices disse...

...interessante fórum!... O nosso amigo Profe Júlio deve estar a rir com o sucesso do seu blogue... e ainda bem, digo-o eu com um sorriso amroto de cumplicidade; é que cada um de nós tem contribuido um pouco para que tal tivesse acontecido... Significa, também mas não só (onde é que eu li isto?), que Júlio Machado Vaz é alguém que prende a atenção dos outros pois, caso contrário, passaria despercebido no meio destes milhares (milhares?...) de portugueses bloguistas que vêm para aqui "gritar" o que lhes vai na Alma (alma com maiúscula tem outra conotação...)
...vimos, muitas vezes, apenas para "demarcar" terreno; vimos outras vezes para "impor" a nossa opinião; vimos outras vezes, movidos pela terrível cusquice que nos inferniza a alma (Alma com minúscula...) espreitar e rir ou chorar com o que lemos (para não falar do que vemos ou ouvimos)
bem, também o palato aqui entra pois o Pedro (noise) também lhe deu referência (a nossa tão amada francesinha...)
...quanto ao tacto, bem esse fica-se mais pelo ruido das teclas (será este também pedro a very fucking noise to us?...LOL...) ao escrevermos coisas que muitas vezes dizem uma coisa e são entendidas de uma outra forma...
...o sub-entendimento das palavras que escrevemos ou proferimos nem sempre são "lidas-ouvidas" pelos outros com o mesmo "timbre" com que foram pronunciadas...
...e às vezes as pessoas zangam-se e reagem (monalisa e taosoumpai)
...quanto à Odete, a sua pressa e a necessidade de "falar" é tanta que não descansa enquanto não vê impresso no monitor o escrito batido no teclado adormecido...
..na verdade, hoje o tema está "candente" porque presente
...na verdade entre um urro animal ou o abanar vegetal, prefiro o "uivo" (já que é de minha condição a enorme identificação que tenho com o uivador - já agora Júlio: desdobramento de personalidade ou necessidade de afirmação?... não preciso de resposta porque ela é outra e eu sei qual é...)
...talvez no fundo bem lá no fundo de tudo e de todos nós mais não seja do que "ruído demasiado para as nossas mentes"...
...falamos de algo que não estamos a viver; é como que se estivessemos a falar de como é ser peixe e viver debaixo de água; só sendo peixe se saberá como é...
...só numa situação real em que sejamos nós os protagonistas, teremos então (ou não) a real consciência se será preferível a vida ou a morte...
...no entanto, por tudo o que de mim já sei (e sei bastante, penso... estarei errado?...), eu escolho a "minha" morte em vez da "minha" vida vegetal... não é de hoje esta minha posição; já vem de muito longe, desde que vi um dos mais marcantes filmes da minha vida: "E deram-lhe uma espingarda"
filme que por demasiado cruel desapareceu da circulação mas valeria a pena que todos o vissem e depois decidissem...
...o que a vida me tem ensinado, para além da mais importante que aprendi (a de que não somos donos de nada a não ser da escolha, o poder de optar é a nossa única propriedade), é que o ser humano vive com a mais premente necessidade, a de comunicar; é por isso que estamos aqui, é por isso que quando não estamos "juntos" e não comunicamos as pessoas se isolam e entram em depressões (eu sei o que isso é)
...comunicar é vital para a vida.
...se eu não comunicar, se eu não conseguir fazer chegar ao "outro" o que pretendo dizer, é melhor estar morto, em paz, em sossego...
...prefiro a morte serena do meu avô Nogueira que no momento exacto soube que "ela" estava ali e apenas pediu o abraço de minha avó e com um sorriso lindo nos lábios fechou os olhos para sempre
...não sou um derrotista; eu quero viver mas se houver um momento em que eu não "vos" possa dizer o que quer que seja, no momento em que eu não puder dizer que vos amo, no momento em que eu não puder dizer o que sinto ou quero... aí eu sei o que escolho: será a minha derradeira escolha mas continuará a ser minha, de minha propriedade: optarei pela paz ainda que ela só possa ser conseguida pelo fim do corpo em que habito...
...a Consciência subsistirá (a minha única Fé é esta)

Cerejinha disse...

Assunto polémico este...muito polémico mesmo:tão subjectivo, tão pessoal que se torna complicado emitir uma opinião consistente."Cada caso é um caso" e não há forma diferente de tratat o assunto, na minha modesta opinião.
Se há casos em que o Homem é um ápêndice" da máquina, outros há em que a mesma máquina conduz a pequenas vitórias. Falo particularmente de uma reportagem que vi ontem em que um rapaz tetraplégico acaba de lançar um livro infantil. A felicidade estava-lhe estampada no rosto. Venceu o Homem, a Máquina ou os dois em conjunto?

lena disse...

ó cerejinha, o rapaz mantém-se vivo de consciência, é o corpo que lhe falha, não a cabeça

lobices disse...

...Cerejinha: estás com razão; cada caso é um caso...
...a vida acima de tudo
...porém, desde que escolhida por cada um de nós
...em caso (e isto vem a propósito da situação actual da Terry Schiavo) de vida ou morte perante uma situação de estado vegetativo, eu escolho (como disse acima, é a minha única propriedade de que sou dono e senhor) morrer... em paz...

Julio Machado Vaz disse...

Um erro qualquer não me deixa colocar posts:(. A Maria João é estudante de Medicina e nada lhe parece simples. Felizmente! Quando puder falarei disso, pois alguma - muita... - Medicina está apenas hipnotizada pelo "fabrico" de super-especialistas (indispensáveis) que sabem cada vez mais de cada vez menos. O resultado está à vista: uma caterva de Congressos cujos títulos andam à volta de uma frase que dá que pensar - A Humanização da Medicina... E olhem que neles não se discute a colocação de flores ou televisões nos quartos de hospital!

xis disse...

Tenho sido uma observadora “pacifica” deste blog, e após me deliciar com o texto colocado pelo professor Júlio Machado Vaz (acontecendo o mesmo com as respostas dos intervenientes), resolvi deixar a minha opinião. Todo este tema, passa por respeitar a vontade de cada pessoa. Acima de tudo isto, o respeito pela vontade do outro. Quer seja a vontade de morrer, quer seja a vontade de viver. Qualquer uma delas é válida, no meu entender.
Deixo o texto de alguém que lida com a morte todos os dias, e me impressionou com o seu testemunho “A vida ensinou-me 3 coisas: a primeira é que não consigo impedir a minha morte nem a dos meus próximos. A segunda é que o ser humano não se reduz àquilo que vemos, ou julgamos ver. É sempre infinitivamente maior, mais profundo do que os nossos estreitos julgamentos podem exprimir. E, finalmente, Ele nunca disse a última palavra, estando sempre a transformar-se, a realizar-se em potência, capaz de se modificar através das crises e das provações da sua existência.”

Bem haja

Anónimo disse...

Acho ser (mais ou menos) consensual que não vale a pena a vida vegetativa... Mas e a forma de acabar com ela? Duas semanas à fome não será um ponto-final pouco humano?

tery disse...

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Tão só, um pai disse...

Caro ... lobices (o seu "uivo" deixou-me ... a sorrir).

Já lhe ocorreu que, não obstante e em consciência, ter já formulado a sua opção, ela não será mais do que um esquecido desejo quando, na sua inconsciência, a "decisão" pertencer aos que o rodeiam. Uns conhecerá, outros não. Pois, decisões, dar "corpo" à sua opção. Com alguma probalidade, em caso de empate, o seu destino estará, irónicamente, traçado pelo trajecto de uma moeda. Afinal, na vida, corre-se sempre o risco, o de nem se ser dono das nossas própias opções, quando elas envolvem o respeito, por outros, da nossa vontade.
Será isto sinal de uma interferência, de algum "noise for the mind", transportado em radiações emanadas pelas longínquas galáxias? Ah, os astros ... eternos culpados ...

Tão só, um pai disse...

"Buy Tramadol" (para não falar das outras coisas "desconcertantes")?

Deve haver engano. O rapaz (ou rapariga, vá-se lá saber), num inusitado esforço de marketing, deve ter passado o que aqui anda escrito, no tradutor do Google. Provávelmente, analisou duas ou três palavras chave, concluindo que este seria o mercado alvo. Fica-me a curiosidade de conhecer o raciocínio, que terá levado a tão brilhante conclusão.

Anónimo disse...

Gostava de ver aqueles que defendem o prolongamento da vida vegetativa e se indignam pela existência de médicos a defender a dignidade dos pacientes e o direito a uma morte digna, dizia eu, gostava de vê-los a indignarem-se com a falta de dignidade que certas vidas são obrigadas a ter - a dos idosos, dos sem-abrigo, dos desempregados, dos doentes - com os quais o nosso "Sistema" não se preocupa. Parece mais importante um doente em coma há anos do que um doente que não tem dinheiro para medicamentos ou de um idoso entregue à sua sorte.

Isabel

Tão só, um pai disse...

Isabel, está a ser injusta. Não lhe faltarão histórias sobre as quase eutanásias (psicológicas e outras) em que, tantas vezes, se abandonam os idosos. Quem não se revolta contra elas? É que a indignação, nestes casos, será, por de-menos, um sentimento redundante.

Anónimo disse...

ola

Odete disse...

Lobices - não são nem a minha pressa nem a necessidade de falar que originaram todas aquelas repetições.
Aconteceu-me um problema qualquer com o computador tanto que não aparecia em cima a mensagem "your comment has been saved", daí eu pensar que teria que escrever novamente.
Por azar voltou a acontecer a mesma coisa ao penitenciar-me do erro.
Sou novata nisto, mas vou ter mais cuidado para a próxima:)

Anónimo disse...

http://www.msnbc.msn.com/id/7293186/?GT1=6305

Luna disse...

Escrevi sobre o assunto, disse a quem seria mais difícil uma situação destas: os meus pais, deixaria por escrito com assinatura reconhecida pelo notário que "Tenho a certeza que não quero viver assim!"
Acho difícil que alguém queira, mesmo que nunca tenha tido oportunidade de o expressar. E apesar de não concordar com o método escolhido para por fim à vida de Terri, mesmo assim continuo a achar mais cruel o seu prolongamento por mais tempo, que o seu término por desidratação e fome, que tem sido tão condenado.

jocapoga disse...

algum de vós escolheu nascer?
e se escolheu, decidiu quando, onde, como?
a vida pertence-nos?
ao nosso corpo?
á nossa mente?
aos nossos familiares?
ao país, governo, tribunais?
devemos dizer - viva a pena de morte? Viva a eutanásia? viva a morte decretada em tribunal? Viva a morte digna, decidida em tribunal e, ainda por cima com a dignidade, de o ser à fome e sede?
(nota: sou nim - mas esta decisão do tribunal de se acabar com um ser humano à fome e sede!!!!)

UmaMaria disse...

“A minha vida pertence-me. Tentarei vivê-la de cabeça levantada e costas direitas até ao último instante, mesmo que para tal deva antecipá-lo.” No caso da Teri: a vida pertencia a quem? Aos Pais? Ao Marido e à sua nova família? A Teri, claro. Mas ela não teve tempo de se pronunciar.
Hipocrisia é a forma como mataram Teri. Já pensaram no sofrimento da doente? A desidratação e a fome não constituem um final digno. Porque não uma injecção indolor, Dr?

Tão só, um pai disse...

Triste. Tristeza. A Terri morreu.

PP disse...

Não tenho as minhas ideias muito arrumadas ainda sobre esta questão.
Mas tenho algo como muito certo e nem sei bem porquê: se eu fosse técnica de saúde, seria extremamente humana a lidar com este tipo de situações, coma ou PVS. O que quero dizer com isto? É que, de facto, não sabemos mesmo o que se passa quando as pessoas passam por estes "fenómenos" físicos. A nossa mente está por descobrir.
Se eu tivesse pessoas assim debaixo da minha alçada...como profissional de saúde, eu falaria com elas, colocava-lhes música agradável no quarto, lia-lhes livros, poemas, enfim... mantinha-os o mais atentos possível. Como é óbvio, não ficaríamos a saber, em muitos casos, se a pessoa ouve ou não a nossa voz, sente ou não a nossa presença. Mas isto é o que eu faria.

Mike Werther disse...

Não sou católico e nem sequer religioso; dito isto, termino dizendo apenas que tivemos agora um excelente exemplo do que é uma morte de uma dignidade exemplar, falo claro do Papa João Paulo II.

PS: que me desliguem das máquinas, se elas forem as unicas que me fazem companhia; e se aqueles que dizem que me amam, realmente me amam, então que saibam quando dizer adeus.

tramadol disse...

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