sábado, setembro 17, 2005

Das nieblas:).

Por aqui o tempo vai escabroso, não arranjo álibis para não trabalhar:(. Mais um naco de Elena Ferrante:

"Não tinha esquecido nada, mas não queria recordar. Se fosse necessário, poderia ter-me contado tudo, de fio a pavio; mas por que havia de fazê-lo? Contava a mim mesma apenas aquilo que convinha, conforme os casos, decidindo no momento, de acordo com a necessidade".

É raro que manipulemos alguém mais do que a nós próprios...

56 comentários:

-Stardust- disse...

Também é raro conhecermos alguém melhor do que a nós próprios... não, Professor? Ainda que por vezes nos conheçamos pouco (ou nos surpreendamos muito!). :)

Bom trabalho!

(Sol em Salamanca!)

Anónimo disse...

Um extracto algo masculino... do estilo "uma coisa de cada vez".

Anónimo disse...

"É raro que manipulemos alguém mais do que a nós próprios..."

A não ser que gostemos mais desse alguém do que de nós próprios...

Anónimo disse...

"Por aqui o tempo vai escabroso, não arranjo álibis para não trabalhar."

Então mas não foi para aí, para trabalhar ?! Agora aguenta, não chora... ;-))

Anónimo disse...

"Por aqui o tempo vai escabroso..."

Veja lá se não fica por aí muito tempo... Caso contrário, pode não vir a tempo de assistir ao retorno do Miccoli.

Maria disse...

Gostar de alguém não significa conhecer esse alguém. E quanto a nós próprios, a maior parte das vezes preferimos o desconhecimento... Somos mais ignorantes e mais felizes. Começo até a pensar que existe um proporcionalidade directa entre a ignorância e a felicidade.

Anónimo disse...

Maria  6:29 PM

"Começo até a pensar que existe um proporcionalidade directa entre a ignorância e a felicidade."

Mariazinha, estás a crescer... estás a ficar uma senhorinha !

Sofia disse...

Toca a trabalhar!:)
E quando o Inverno chegar
Quentinha junto à lareira
No sofá ou na cadeira
Juntinhos havemos de estar
Emoções irei sentir
Pela sua escrita irei viajar
Novos mundos descobrir
A sério ou a brincar.
E com isto já estou a sonhar!
Um abraço,

Rataplan disse...

Maria,

Não posso estar mais de acordo!Ando a dizer isso há séculos e acho estranho que me olhem de lado quando o afirmo.

Ameninadalua disse...

"Contava a mim mesma apenas aquilo que convinha, conforme os casos, decidindo no momento, de acordo com a necessidade"...

Professor
E isso se vezes nos leva à serenidade! tambem nos leva ao desassossego...depende dos casos.
"Salva-nos" porque a demasiada lucidez "pesa" mas a omissão da verdade a nós próprios, leva-nos muitos vezes para caminhos "doces e de perdição"...

Rataplan disse...

Prof.
"Por aqui o tempo vai escabroso, não arranjo álibis para não trabalhar"

E tem procurado o suficiente?

Bom trabalho

maria_arvore disse...

Às vezes, chegamos ao ponto de fazer format ao nosso disco. ;)

Mas parece-me um mecanismo interessante de sobrevivência pessoal: não é assim que cada coisa dói menos?...

D LOPES disse...
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D LOPES disse...

Excelente blog, Shôtor Júlio. Voltarei brevemente.
Por falar em Chico e MPB: leia a ÚNICA no Expresso de hoje, Sábado 17 de Setembro e passe por http://escrevoblogexisto.blogspot.com/
Até à próxima!...

andorinha disse...

Boa tarde Júlio e maralhal.

Júlio,
Ainda bem que não arranja.:)
Se o tempo escabroso é nosso aliado, bendito seja!
Faço minhas as palavras da Sofia (6.57).

Belo naco de prosa da Elena Ferrante e que dá que pensar.
Nesse texto não vejo manipulação, mas sim um mecanismo de defesa no sentido da preservação dum certo equilíbrio mental. Isso para mim não é negativo.
"Não tinha esquecido nada, mas não queria recordar" - isto, para mim, não é manipulação. Manipular é distorcer a realidade, no fundo, é "mentir" a si próprio ou aos outros.
Ela aqui está a gerir as suas recordações penso que não as está a distorcer.
Isso levanta-me a questão: são todos os nossos mecanismos de defesa sinal de que nos manipulamos a nós próprios?

Maria (6.29)
"Começo até a pensar que existe uma proporcionalidade entre a ignorância e a felicidade"
Até certo ponto, concordo.
Quem não questiona nada nem se questiona, viverá mais "feliz", pelo menos, mais tranquilo. Mas será isso o que pretendemos da vida?

iuri disse...

"não tinha esquecido nada, mas não queria recordar" - costumo dizer que posso perdoar, mas esquecer é impossível. E digo-o porque tenho consciência do meu expírito intrínseco de elefante, que nunca esquece...mesmo que quisesse!
E se por umas vezes é bom não esquecermos, para aprendermos com os erros e desilusões; às vezes gostava de poder esquecer, para não me lembrar sempre das demasiadas desilusões e quedas e não ter de fazer um esforço enorme para acreditar de novo...
No fundo se não nos lembrásse-mos que alguma vez nos mentiram nunca iríamos desconfiar de alguém não é?

Maria (6.29)
efectivamente só seríamos ignorantes se conseguíssemos esquecer tudo o que a vida nos mostra, mas a oferta é demasiado grande para podermos filtrar tudo...não sei se feliz ou infelizmente..
Mas qd souber (se souber) prometo referir-me a isso :)

Fly_Away disse...

Ninguém esquece. Ninguém consegue apagar do "disco rígido" a informação aí registada...

Podemos é recordar.

Ou não...

Nunca conseguiriamos viver a recordar tudo o que vivemos porque não teriamos espaço livre no nosso cerebro.

E assim, é sempre bom quando percebemos que deixamos muito mais espaço livre para as boas e positivas recordações, relegando as negativas lá para muiiiiito para o fundo, retirando delas a aprendizagem suficiente.

Beijos e abraços, neste serenissimo sábado à noite.

Manolo Heredia disse...

O verdadeiro chefe é aquele que sabe, em primeiro lugar, mandar em si próprio.

iuri disse...

encorajada pelo meu namorado e alguns amigos a publicar alguns dos meus textos...acabei por ceder e desfolhar os meus cadernos para um blog...
ainda é virgenzito e nem sei se vou ter o tempo e a mestria de o manter, mas de qualquer forma aqui fica a morada, para quem esteja interessado...

http://ponto-paragrafo.blogger.com

Gostava de personalizar mais o aspecto gráfico, mas a linguagem HTML ainda é quase quase chinês para mim ;)

amok_she disse...

Felicidade e Ideal

O único homem feliz é o que não toma nada a sério. Quanto mais as cousas se tomam a sério, mais infeliz se é. O que toma a sério a sorte da humanidade é quase o mais infeliz de todos os homens... quase, porque o que toma a sério a sorte do mundo e o enigma do universo é ainda mais infeliz.
(...) São tão inferiores as criaturas que se dedicam a um ideal! Só são superiores àquelas que não se dedicam a ideal nenhum. O homem verdadeiramente superior é aquele que gostaria de ter ideais. Não os pode ter por ser superior a tê-los.

Fernando Pessoa, in 'Reflexões Pessoais', In Citador

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Rataplan disse...

Ólá Andorinha,

"Quem não questiona nada nem se questiona, viverá mais "feliz", pelo menos, mais tranquilo. Mas será isso o que pretendemos da vida?"

Mas o facto de pretendermos alguma coisa da vida, implica que já nos questionámos. Para encarar a ignorância como uma benção teremos que nos abstrair dos nossos próprios padrões e formatos.

amok_she disse...

O Tédio é a Raiz de Todo o Mal
[ou de toda a infelicidade, diria eu...:->]

Não admira, pois, que o mundo vá de mal a pior e que os males aumentem cada vez mais, à medida que aumenta o tédio, e o tédio é a raiz de todo o mal. A história deste pode acompanhar-se desde os primórdios do mundo. Os deuses estavam entediados, pelo que criaram o homem. Adão estava entediado por estar sozinho, e por isso foi criada Eva. Assim o tédio entrou no mundo e aumentou na proporção do aumento da população. Adão aborrecia-se sozinho, depois Adão e Eva aborreceram-se juntos, depois Adão e Eva e Caim e Abel aborreceram-se en famille; depois a população do mundo aumentou e os povos aborreceram-se en masse. Para se divertirem congeminaram a ideia de construir uma torre tão alta que chegasse ao céu. Esta ideia, por sua vez, é tão aborrecida como a torre era alta, e constitui uma prova terrível de como o tédio se tornou dominante.

Soren Kierkegaard, in 'Ou/Ou', in Citador


:->

andorinha disse...

fly_away(9.39)

Concordo plenamente com o teu comentário.
A informação fica registada, nós podemos decidir o que fazer com ela. Tentar valorizar as coisas positivas e aprender com as negativas, eis uma boa estratégia de vida.

Até amanhã.
Fiquem bem.:)

amok_she disse...

BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO, PORQUE DELES É O REINO DOS CÉUS (MATEUS, V:3)

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andorinha disse...

olá rataplan,

Sim, se pretendemos alguma coisa da vida teremos que questionar muita coisa e fazer escolhas.
O que eu quis dizer foi que há pessoas que passam pela vida sem questionarem seja o que for, limitam-se a deixar correr os dias sem grandes( ou nenhuns) problemas filosóficos e serão "felizes" assim.)
O que eu perguntava é se essa será uma "felicidade" pela qual valha a pena lutar?
Nunca fiz a apologia da ignorância como uma benção; tudo o que eu disse aponta no sentido contrário.

Agora é mesmo - até amanhã.

Fly_Away disse...

Andorinha,

apologia da ignorância nunca pode ser uma boa escolha, pela simples razão de que a ignorância é a mais atrevida e desestruturada forma de inteligência. Há até um ditado que diz: "a ignorância é atrevida".

Eu penso que vale a pena lutarmos pela felicidade que nos dá uma pequena aprendizagem, dia apos dia.

O valor dessa concessão, só cada um de nós conhece... e, nesse sentido, gostaria de responder à tua pergunta, mencionando que eu penso que por essa felicidade, vale a pena estar atendo, estar acordado, e lutar qb para não deixar que a ignorância nos manipule de uma forma mais enérgica do que a inteligência é capaz de fazer.

Até amanhã, agora é que é. :)

AJFRM disse...

pis... azzz... bom...;

Esquecimento Esvaziante

A variedade das nossas emoções torna claro que cada homem guarda dentro de si os celeiros do contentamento e do descontentamento: os jarros das coisas boas e más não estão depositados «na soleira de Zeus», mas na alma. O néscio negligencia e desdenha as coisas boas que lá estão porque a sua imaginação acha-se sempre voltada para o futuro; o sensato, porém, torna os factos pregressos vividamente presentes com recordá-los. O presente oferece-se ao toque da nossa mão apenas por um instante e logo nos ilude os sentidos; os tolos julgam que ele não é mais nosso, que não mais nos pertence.
Há a pintura de um cordoeiro no inferno, com um asno a engolir toda a corda feita por ele, à medida que ele a entretece; assim é a multidão acometida e dominada pelo esquecimento insensato e ingrato, que apaga cada acto, cada sucesso, cada experiência aprazível de bem-estar, de camaradagem e de deleite.

O esquecimento não consente à vida desenvolver-se unitariamente, o passado entretecido com o presente, mas separa o ontem do hoje, como se fossem de diferente substância, e o hoje do amanhã, como se não fossem o mesmo; transforma toda a ocorrência em não-ocorrência. A lógica do sofista, que nega o princípio do desenvolvimento fundado em que o estar-se em fluxo constante transformaria cada um de nós num outro homem, faz lembrar os que não retêm nem acalentam o passado na memória, mas permitem que ele se esvaia, tornando-se dessarte vazios e empobrecidos, dia por dia, e dependentes do amanhã, como se tudo quanto ocorreu ontem e anteontem não tivesse ocorrido ou fosse destituído de importância para eles.

Plutarco, in 'Do Contentamento'


mais;
-A Vantagem do Esquecimento

O esquecimento não é só uma vis inertioe, como crêem os espíritos superfinos; antes é um poder activo, uma faculdade moderadora, à qual devemos o facto de que tudo quanto nos acontece na vida, tudo quanto absorvemos, se apresenta à nossa consciência durante o estado da «digestão» (que poderia chamar-se absorção física), do mesmo modo que o multíplice processo da assimiliação corporal tão pouco fatiga a consciencia. Fechar de quando em quando as portas e janelas da consciência, permanecer insensível às ruidosas lutas do mundo subterrâneo dos nossos orgãos; fazer silêncio e tábua rasa da nossa consciência, a fim de que aí haja lugar para as funções mais nobres para governar, para rever, para pressentir (porque o nosso organismo é uma verdadeira oligarquia): eis aqui, repito, o ofício desta faculdade activa, desta vigilante guarda encarregada de manter a ordem física, a tranquilidade, a etiqueta. Donde se coligue que nenhuma felicidade, nenhuma serenidade, nenhuma esperança, nenhum gozo presente poderiam existir sem a faculdade do esquecimento.

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'


e ainda;
-Memória vs Recordação - As Armas da Juventude e da Velhice

Recordar-se não é o mesmo que lembrar-se; não são de maneira nenhuma idênticos. A gente pode muito bem lembrar-se de um evento, rememorá-lo com todos os pormenores, sem por isso dele ter a recordação. A memória não é mais do que uma condição transitória da recordação: ela permite ao vivido que se apresente para consagrar a recordação. Esta distinção torna-se manifesta ao exame das diversas idades da vida. O velho perde a memória, que geralmente é de todas as faculdades a primeira a desaparecer. No entanto, o velho tem algo de poeta; a imaginação popular vê no velho um profeta, animado pelo espírito divino. Mas a recordação é a sua melhor força, a consolação que os sustenta, porque lhe dá a visão distante, a visão de poeta. Ao invés, o moço possui a memória em alto grau, usa dela com facilidade, mas falta-lhe o mínimo dom de se recordar. Em vez de dizer: «aprendido na mocidade, conservado na velhice», poderíamos propor: «memória na mocidade, recordação na velhice». Os óculos dos velhos são graduados para ver ao perto; mas o moço que tem de usar óculos, usa-os para ver ao longe; porque lhe falta o poder da recordação, que tem por efeito afastar, distanciar.


A feliz recordação do velho é, como a feliz facilidade do moço, um gracioso dom da natureza, da natureza que protege com seus cuidados maternais as duas idades da vida que mais precisam de socorro, se bem que, em certo sentido, sejam também as mais favorecidas. Mas é por isso também que a recordação, tal como a memória, muitas vezes não passa de portadora dos dados mais acidentais.
Apesar de se distinguirem por grande diferença, a recordação e a memória são por vezes tomadas uma pela outra. A recordação é efectivamente idealidade, mas como tal, implica uma responsabilidade muito maior do que a memória, que é indiferente ao ideal.
A recordação tem por fim evitar as soluções de continuidade na vida humana e dar ao homem a certeza de que a sua passagem pela terra efectua uno tenore, num só traço, num soporo, e pode exprimir-se na unidade. Assim se liberta ela da necessidade em que a língua se encontra de repassar incessantemente pelas mesmas tagarelices, para reproduzir aquelas de que a vida se encontra repleta. A condição da imortalidade do homem é que a vida dele decorra uno tenore.

Soren Kierkegaard, in 'O Banquete'


Prontos...azzz.. ja tem aqui um bom alibi azzzz.. para q usted sa vaia a la pulperia.

e. disse...

“É raro que manipulemos alguém mais do que a nós próprios... “

E das consequências dessa atitude que dizer? Não viveremos todos num rebanho estranho de olhos postos na erva alimentar que por vezes de tão seca nos mata?

E seremos responsáveis, tão inapelavelmente responsáveis, por essa adoentada e compulsiva mas lúcida manipulação que infrigimos a nós próprios?

A mulher Elena Ferrante denunciando-a, apresenta-a como consumada e, complacente, aceita-a, ao experimentá-la em si mesma.

E o homem N. Humphrey * pergunta: “O que significa sermos nós próprios? Como pode a matéria que constitui um ser humano estar na base da experiência que cada um de nós reconhece como a essência da individualidade? Como podem um corpo e um cérebro humanos ser também uma mente humana?” Perguntas às quais, após constatações diversas, adianta: “O que importa é que eu me sinta vivo agora, vivo no momento presente.” Situação a que chama “o momento espesso “ da consciência.

Tão pouco eles pedem ao homem … uma tão preclara escritora e um tão ilustre pensador. Quão 'inteligentes' me parecem mas ... o que é 'inteligente'?

E, quanto ao homem, aonde iremos buscar meterial da maior confiança? Aos sábios? Aos santos? Aos políticos? E para que nos servirá a descrição mítica dos seus exemplos? Para nos seduzir e para nos embalar? Para nos orientar na NOSSA própria vida?

Prefiro a incongruência, o desnorte, “O que não tem governo nem nunca terá, o que não tem vergonha nem nunca terá, o que não tem juízo”.

Bom domingo com o juízo que vos aprouver

e. disse...

acrescento a nota que esqueci:

* Nicholas Humphrey, "O Momento Espesso" in "A Terceira Cultura", coligido por John Brockman, ed Temas & Debates, 1995, pp 184, 185

Anónimo disse...

Esta lúcida manipulação permite-nos viver as nossas ilusões sem culpa. É um presente que,por vezes, temos necessidade de oferecer a nós próprios.

Bom domingo.

-Stardust- disse...

Prof,

mais animado que o tempo, hoje? ;)

Lembre-se... tortuosos são os caminhos daqueles que percorrem a via da luz no desígnio messiânico da sua missão civilizadora (e murcónica)! lol...

Nada que um pulpo a gallega não amenize!

e. disse...

manolo

Disse você, que me parece ser uma pessoa muito exigente consigo própria: "O verdadeiro chefe é aquele que sabe, em primeiro lugar, mandar em si próprio." às 9:42 PM.

Ainda pensa, assim, agora, às 11:49 AM?

Desculpe esta provocação tardia... mas atrasei-me a ler os comments anteriores, na ânsia (desculpável?) de colocar o meu.

Ameninadalua disse...

Professor
Venho tambem juntar-me ao grupo dos preocupados :)) e por isso lhe desejo melhorias para o tempo e tambem para a vontade de se concentrar melhor no trabalho.
Deste lado fica a curiosidade de saber que resultado e Conhecimento vai resultar dessa jornada.

Anónimo disse...

"Não tinha esquecido nada, mas não queria recordar"...eu tb não....
agora manipular?? quem???
fique bem, apesar desse tempo escabroso.:)))))

mole disse...

Olha, o núcleo duro desapareceu do mapa...

noiseformind disse...

Dessa manipulação vem o corte necessário com o passado. Quantas e quantas vezes, em presença de amizades antigas que já não o são, dou por mim, quase surpreso comigo mesmo, a evitar o contacto, normalmente À pala de uma tentativa de não rever um passado que tento manter "como está". Comodismo? Oh, não sou assim tão cruel comigo próprio (erro crasso, pois assim já manipulo o que será o o limiar de dor real...) e digo apenas que estou apenas a deixar-me solto para o futuro, não remoendo o passado.
Shakespeare e todos os contos de fadas no avisam: Deixar para trás o passado mal-resolvido é má pratica diplomática com a nossa alma. Sem dúvida que "estar ali" "naquele lugar" "com aquela pessoa" nos deixou marcas, mas por que raio temos de chamar auditores externos aos nossos medos a toda a hora e momento? Não será isso outra forma de Big Brother? Negarmo-nos à necessidade de pensarmos na "verdade" por nós próprios? E sermos críticos dessa verdade? O "gostei" e o "não gostei" real arrancado À vontade de não estar mais.
Tive muitas derrotas nestas guerras com os meus irmãos seres humanos. E perdi muitas vezes por falta de afecto recebido. Ou terá sido falta de afecto dado que impediu o outro de abrir os cordões à bolsa sempre relutante que é o nosso coração? Eh pá, faça-se a coisa meio por meio, metade foi o que fizemos mal, metade foi o que fizeram de mal. Ou metade foi o que não fizemos para corresponder ás expectativas criadas, a outra metade as nossas expectativas pisadas. Oh, a tentação da vertigem, do risco na areia. A solidão da construção do nosso passado ajuda-nos a disfrutar amiudemente desse prazer.

Penso por exemplo, Éme, na forma como uma amiga minha me reconstruiu em relação à filha dela (minha filha biológica, mas como Dador e não como Pai). Tinha sido uma coisa "de momento", tínhamo-nos encontrado "1 vez", tinha sido muito lindo, mas ela "nem sequer sabia" o meu nome, e portanto a miúda tem crescido como "fruto de amor do momento", alegre e protegida das intempéries mais ázimas de ser produto de "mono-vontade" materna (que de facto foi, tive consciência do processo ao longo de todo ele). Memórias falsas implantadas na memória real de uma pessoa real. Meu Deus, a manipulação suprema que se pode fazer.

Resumindo, Boss e Maralhentos,
Pode-se mesmo enganar uma pessoa por todo o tempo?
Com a desculpa de que assim a amámos melhor (e esquecendo que se calhar estámos só a proteger a certeza de que ela nos ame a nós)... sim! ; )))))))))))))))







ameninadalua disse,

"E isso se vezes nos leva à serenidade! tambem nos leva ao desassossego...depende dos casos."

Oh, claro que depende, miúda ; ) absolutamente. Basta ver por exemplo o "a quente" e o "a frio", a versão "para as massas" e a versão "para o melhor amigo". Quantas estórias temos para cada uma das nossas histórias? ; )))) e quantas versões para cada fim? E quantos fim para cada final? E quantos finais não são decretados por fora da nossa vontade, adequando depois nós estrategicamente via ego o fim ao nosso desejo? Penso por exemplo no divórcio em que somos apanhados de surpresa pelo outro, o nosso mundo abalado pelas incertezas, e rapidamente o Ego nos salva com um salvador e quase mágico "oportunidade... é uma oportunidade" ; ))))))))))))))))))))))

Quando À memória ser um "disco rígido", nada mais absolutamente falso. A própria personalidade é um conjunto de interpretações factóidizantes dos nossos acontecimentos. Lembro-me por exemplo de uma tarde em que numa esplanada começou a ventar repentinamente. Todas as pessoas começaram a refugiar-se dentro do bar para se protegerem da areia que vinha da praia. E eu e duas pessoas da minha mesa simplesmente delirámos com essa sensação. Ou seja, a personalidade altera as pistas de registo do disco rígido ; ))))))))))) isto é obviamente um desacordoc om o fly:away ; )

Ora bem... vamos a maralhar... ; )))))))))

Anónimo disse...

Chiça... é só dizer que eles desapareceram e logo aparece o Capitão Durão com uma prosa vistosa, doce e deliciosa. Obrigadíssima por ter aparecido Noise, aguardava pacientemente o seu regresso, não me desiludiu. Olhe, sou-lhe totalmente sincera, lê-lo a si é quase como ter novo post do Professor ;)
Quantas memórias não retocámos estrategicamente? Quantas memórias não tratámos como se fossem marfim, torneando-lhe as arestas, dando-lhe novos tons, novas luzes... olhe, o seu texto fez-me chorar e fez-me rir, como uma sessão grátis de vida e de sentimentos.
De novo grata pelas suas palavras.

P.S. Posso adicioná-lo ao MSN a partir do mail do seu perfil?

Elle disse...

Vieste para ficar ou vais já sair da nossa companhia Noisy?
É que te queria fazer uma pergunta: é melhor estar dentro dos nossos muros ou em cima dos nossos muros?
Que tb é válida para o Professor, mas eu sei que com ele vou ter menos sorte;)

mole disse...

Anonymous 2:22 PM

"Chiça... é só dizer que eles desapareceram e logo aparece o Capitão Durão..."

Ou seja, valeu a pena a "provocação".

noiseformind disse...

Té,
B my guest. Se as coisas depois correrem mal podemos sempre bloquearmo-nos mutuamente e fazer a posteriori o "Re"-tratamento como cantam os Da Weasel loooooooooooooooooooooooooooooooool

Elle,
fico mais meia horinha, depois há compromissos inadiáveis sob a forma de sexo oral e uma tela de cinema...
Quanto À tua pergunta, os nossos muros dão um jeitaço ; )))))))))) não nos impedem de olhar para fora mas permitem o "processamento de sinal", e acima de tudo a metáfora do que nos é dito, e limitam os outros de chegarem perto o suficiente para garantirem críticas que nos afectam a navegação, que pode acontecer sob a forma de nos arrastarmos pelos oceanos de nós mesmos de âncoras bem lançadas no fundo lodoso das incertezas. Dentro dos muros está-se bem na medida em que temos espaço para sermos nós mesmos. A questão é que a simples existência de muros já determina a consicência de um mundo exterior à nossa vontade, que nos afectará anyhow tás a ver? E dentro deles não nos apercebemos se o nosso espaço se está a comprimir ou a dilatar, todo o ser humano que não cresce para os outros consome-se a si mesmo sob a forma de interrogação do mundo que por lá fora corre, afrontamento maior ao Ego que o muro define como especial pq selecto. Repara na depressão e o seu mecanismo acessório (mas muito interessante) da auto-satisfação. A auto-satisfação vai tendo cada vez menos elemntos pois os muros vão subindo para cima na medida em que a própria pessoa reduz o seu espaço social. Quanto menos espaço social tens mais tendÊncia terás em diabolizar o mundo e gerar novas justificações para essa redução de espaço ; )))))))))))))))))))))) Elle, somos como as plantas, a socialização é o nosso sol, somos socio-sensíveis, o que os outros dizem afecta-nos, e já que tem de afectar, pq não distender a asa e só parar no muro alheio? Nunca te esqueças disto: até para nos expulsarem da sua vida as pessoas têm de destruir paredes dentro de si próprias. É uma questão de vermos as oportunidades onde elas estão e não no nosso ego magoado ; ))))))))))

Em cima do muro corres sempre o risco de cair, se o muro fôr alto e caires para fora podes reagir por pânico e afastares-te de forma abrupta das pessoas que no mundo colhem a tua atenção, se caires dentro podes sentir-te incapaz de lidar com os outros em função de igualdade e passar a jogar à defesa ;) e isso é mau? Ao menos sabes que estás magoada!!! Quantos labutam com cortes em todos os pontos da personalidade dizendo alegremente "ser assim" ou ser "feitio" ; )))))))))))))) não sejas mazinha contigo por teres caído, sê mazinha contigo própria pela queda ter-te tirado o prazer de sentir outros pensamentos cruzarem-se com as tuas ideias ; ))))))))))

Solução? Oh, mas não sabias que não há? ; ))))))) lamento portanto desiludir-te se era isso que pensavas ;))))))))
Solução. Ficar no muro, e baixá-lo até ao ponto em que ele seja um degrau suficentemente baixo para que entre no teu mundo quem seja convidado e assim ao mesmo tempo possa ser expulso quem te desrespeitar no teu próprio espaço ; )))))))) convida o mundo a fazer parte da tua vida e não te leves tão a sério ao ponto de achares que és mais vulgar que o ser mais importante para ti mesma, abraçando essa especial vulgaridade tens a chave para ter portas de vidro... mas sem "Estilhaços" que há vidros que são à prova de bala mas deixam a luz banhar o nosso mundo "entremuros" ; ))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))) ou seja, nada de constuir no presente com materiais meramente do passado. Seja quem fôr traz sempre um material novo em relação áquela construção específica, áquela face específica da parede do teu "eu" ; ))))))))))

Esclarecida???????????????????????????????

loooooooooooooooo llooooooooooooooooooooooooooool looooooooooooooooooooool looooooooooooooooooooll ooooooooooooooooooooooool loooooooooooooooooooooooooooooool loooooooooooooooooooooooool loooooooooooooooooool

andorinha disse...

Boa tarde a todos.

Fly_away (12.03)
Devemos aspirar à pretensa felicidade dada pela ignorância, pelo desconhecimento seja do que for ( de nós, dos outros, do mundo)?
Prefiro o desassosssego dum questionar constante; o questionar-se não é incompatível com a felicidade.
Foi isto o que eu pretendi dizer.

e.(9.50)
Boas pistas para reflexão, como sempre.
Bom domingo, com ou sem juízo.:)

Noise,
Estou de acordo com grande parte do que dizes.
"Deixar para trás o passado mal resolvido é má prática diplomática com a nossa alma". Em sintonia total!:)
"Quantas estórias temos para cada uma das nossas histórias?"
Sim, posso conceder que sim. Mas eu considero isso mais mecanismos de defesa do que manipulação. Manipulação para mim tem um sentido bastante negativo.
Continuo a perguntar - são todos os nossos mecanismos de defesa sinal de que nos manipulamos a nós próprios?
Se calhar estou a dar um peso e uma carga extremamente negativos à palavra manupulação, será isso? É uma questão de interpretação?
Continuo a concordar com a fly_away qundo diz que "ninguém consegue apagar do "disco rígido" a informação aí registada".
Ela fica lá, depois o que fazemos com ela é outra história.
Aqui estamos em desacordo.:)

Elle disse...

Maldito cinema e maldito sexo oral, agora fiquei com vontade de te fazer perguntas pela tarde fora e já está quase a acabar o tempo da "consulta"
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andorinha disse...

NOise ( 3.09)

Sem palavras!!!
Excelente a tua resposta à Elle.
Penso que serve para a elle e para todos nós.
Obrigada.:)

noticiário disse...

http://blognociodooutono.blogspot.com/

novo jantar de blogs
15 de outubro

andorinha disse...

Até mais logo, gente.
Também tenho compromissos inadiáveis à minha espera.

noiseformind disse...

Passarinha,
Tás aqui mas não tás no MSN, assim não te posso cumprimentar como deve de ser ; )))
Mas dou-te um exemplo muito simples para não provocar congestões a nenhum dos presentes ; )))

Uma estalada na cara depois de uma discussão bastante viva à volta de um "saíste sem dizer nada" com um parceiro. Não é só um contacto intenso com a cara que fica registado no teu disco rígido e no da outra pessoa. Oh não não... até pq não foi pela via do Press Enter que se chegou ao gesto pois não? Portanto, o entrosamento preencidente determina o registo que será, para cada um, imagino, diametralmente diferente. ESSENCIALMENTE DIFERENTE. ; ))))))))))))))))))))
Tás a ver? Ou é só por os discos rígidos ser um da Samsung e outro da Kinston? ; ))))))))))))))))))))

Elle,
Cada um tem o que merece ;) e o Éme não te deixará sem resposta, afinal usaste 2 vezes o nome de um livro dele num mesmo comentário, seria mau para o Marketing pessoal dele e os conselheiros já o estão a alertar para os danos colaterias da não-resposta na putativa candidatura dele à Presidência da República ; ))))))))))))))))))) tão se o Carrilho perdeu Lisboa já antes da campanha por não ter dado um aperto de mão... ; )))))))) o politicamente correcto está do teu lado ; )))))))))))))

noiseformind disse...

Pussy-bird,
é sempre bom ser apreciado pelos que apreciámos e acarinhámos... na volta explica-me isso dos fabricantes de discos rígidos ; )

Ameninedalua disse...

Noise
Não sei se será pelo teu enorme ego ou pela tua igualmente enorme generosidade mas o que sinto é que consegues muito bem passar para alem dos teus próprios "muros"...
De facto os teus pensamentos parecem transbordar muito para alem da tua cabeça e do teu coração... para encontrarem eco em uns tantos de nós que te lemos.
Beijinhos:)))

escrevinhador disse...

Pois eu devo ser uma triste excepção: quantas vezes me tenho tentado manipular e não consigo. Bem que poupava umas chatices :(

Fly_Away disse...

Andorinha,
(3.16)

Também foi o que eu quis dizer. Aliás, é o que está lá escrito.

Contudo, já agora acrescento, que "assumirmos a nossa ignorância é colocarmo-nos no umbral da aprendizagem".

Manolo Heredia disse...

Deixamos para trás o passado mal resolvido... muito mais porque não sabemos resolvê-lo do que por sermos desleixados e varrermos o passado para debaixo do tapete...
É o que eu sinto.
Haverá quem o faça para adiar a resolução. Mas mesmo assim esse não está certo que a tentativa de resolução fosse bem sucedida.

andorinha disse...

Noise,

Claro que não é só a estalada que fica registada no disco rígido.
"...o entrosamento preincidente determina o registo que será, para cada um imagino, diametralmente diferente. Essencialmente diferente."

Totalmente de acordo, o registo de cada um é diferente ( mas isto é tão óbvio...):))), mas esse registo fica lá, essa informação permanece no disco rígido de cada um.

Fly_away,
Estamos de acordo.:)

noiseformind disse...

Passára,
o problema é que o registo é absorvido por uma personalidade e não apenas por um par de olhos. Os elementos emocionais ficam associados À snapshot e assim temos uma memória. Mas não me perco mais em explicações, a noite é uma criança e ainda há tanto a explorar ; ) portanto fica como "trabalho de casa" o visionamento do filme FINAL CUT com o ROBBIN WILLIAMS ; ) eu sei... sou um Professor fraco, só mando trabalhos de casa fáceis looooooooool loooooooooooooooooooool

ameninadalua,
O meu ego? Gigante? Oh, jamais... a minha lúcida e escabrosa timidez é que não é respeitada por ninguém. Adorei a música e já iniciei pesquisa por mais ;)))))))))))

Elle,
não desanimes miúda, o Boss anda por aí, não desanimes... ;)

Caínha disse...

Tão verdade, todos os dias nos reinventamos, criando novas histórias de vida, segundo os eventos que resolvemos nesse instante invocar. Nunca existe uma unica verdade, nem para nós, nem para transmitir para fora. E com o tempo, outras histórias se vão descobrindo, porque a erosão dos acontecimentos é diferencial, alterando pesos e perspectivas.
Boas escritas e nada de àlibis :)

Sandra Feliciano disse...

concordo. quer-me parecer que a multiplicidade de realidades coexistindo em paralelo começa logo dentro de nós, nem é preciso abrir a janela da Alma.

Quando se abre então... o universo é infinito!...

Anónimo disse...

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